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	<title>Arquivos Pat Scola &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Morte do Robin Hood e a culpa que assola o cinema hollywoodiano</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Aug 2026 14:42:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: Este texto contém spoilers Guilherme Moraes Há poucas semanas, Christopher Nolan fazia sucesso com A Odisseia (2026), uma adaptação da obra de Homero focada na culpa de Odisseu. Anos atrás, o próprio diretor lançou Oppenheimer (2023), uma história também de remorso, dessa vez pela criação da bomba atômica. Apesar das diferentes abordagens, A Morte &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-a-morte-do-robin-hood/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Morte do Robin Hood e a culpa que assola o cinema hollywoodiano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">Este texto contém spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_37485" aria-describedby="caption-attachment-37485" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37485" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-5-800x403.png" alt="Cena do filme A Morte do Robin Hood. Plano médio de um cômodo rústico com paredes de pedra e arcos. Uma mulher de cabelo curto e vestido longo bege está de pé, segurando e observando atentamente a mão de um homem mais velho que está sentado na beira de uma cama de madeira. O homem tem longos cabelos grisalhos e barba, veste uma túnica branca e calças escuras, e olha para baixo. Uma luz azulada suave entra por uma abertura no alto da parede, criando uma atmosfera melancólica e de cuidado. Há um banco de madeira pequeno perto da cama." width="800" height="403" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-5-800x403.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-5-768x387.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-5.png 837w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37485" class="wp-caption-text">Em 2021, o diretor Michael Sarnoski fez sucesso com o filme Pig (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há poucas semanas, Christopher Nolan fazia sucesso com </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-a-odisseia/"><i><span style="font-weight: 400;">A Odisseia</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2026), uma adaptação da obra de Homero focada na culpa de Odisseu. Anos atrás, o próprio diretor lançou </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2023), uma história também de remorso, dessa vez pela criação da bomba atômica. Apesar das diferentes abordagens, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Robin Hood </span></i><span style="font-weight: 400;">de Michael Sarnoski também percorre o caminho da culpa, porém, neste caso, focando em uma escala individual.</span></p>
<p><span id="more-37483"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se nas obras de Nolan o sentimento de culpa recai muito na ótica política de uma social-democracia, que foi permissiva com o ressurgimento da extrema direita – faz 10 anos desde que Donald Trump foi eleito pela primeira vez –, Sarnoski parece ir por um lado mais individual em um mundo de violência. Robin Hood (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-rei-do-show-critica/"><span style="font-weight: 400;">Hugh Jackman)</span></a><span style="font-weight: 400;">, diferente do herói grego e do físico estadunidense, não mudou o mundo e nem é culpado pela crueldade dele, mas, ainda assim, é responsável pelas inúmeras vidas que modificou. O longa, então, mal se apega à violência. As cenas de luta e morte acontecem apenas no começo da obra. O que se segue são quase duas horas de Hugh Jackman observando discretamente uma realidade assolada por seus crimes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não se trata de um conto épico. Pelo contrário, é bem anticlimático, sem grandes lutas, jornada do herói ou redenção. Como o próprio título antecipa, Robin Hood irá morrer, e sua morte será em um monastério em busca de remissão. Sarnoski e Pat Scola filmam a cena como um quadro </span><a href="https://www.todamateria.com.br/barroco/"><span style="font-weight: 400;">barroco</span></a><span style="font-weight: 400;">, a partir de planos abertos, contrastes entre o fundo escuro e uma iluminação no ponto de interesse. A contradição do personagem também alimenta a própria ideia barroquista, com a diferença da ausência de qualquer teor sexual. Seu protagonista não consegue desejar nada pois encontra seu legado sangrento em tudo o que vê.</span></p>
<figure id="attachment_37484" aria-describedby="caption-attachment-37484" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37484" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-7-800x534.png" alt="Cena do filme A Morte do Robin Hood. Plano geral de um vasto e antigo quarto com arquitetura de pedra, arcos e teto abobadado. A imagem é dominada por sombras profundas nas laterais, com o centro do cômodo iluminado dramaticamente por uma forte luz alaranjada que vem de uma janela em arco ao fundo. No centro, duas figuras estão em silhueta perfeita: uma pessoa deitada na cama e uma mulher em pé ao lado, parecendo oferecer algo ao deitado. A luz projeta uma sombra longa no chão de lajes de pedra. Há lareiras e bancos rústicos nas sombras." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-7-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-7-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-7-768x513.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-7-1536x1025.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-7-1200x801.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-7.png 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37484" class="wp-caption-text">Uma das histórias que cercam a figura de Robin Hood é que ele morreu em um monastério (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A imagem de Robin Hood parece uma mistura de Amador (Nelson Xavier) de </span><a href="https://letterboxd.com/film/comeback-2016/"><i><span style="font-weight: 400;">Comeback</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2016) e Ethan Edwards (John Wayne) de </span><a href="https://excecaorevistadecinema.com/anjos-farreiam-onde-quiserem-os-indios-de-john-ford/"><i><span style="font-weight: 400;">Rastros de Ódio</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1956). Amador é um ex-assassino que deixou de ser útil quando seu entorno foi se tornando menos violento. No entanto, ele ainda permanece livre, sem ser punido por seus crimes. Ethan é um personagem abertamente racista, mas é necessário em uma realidade marcada pela barbaridade. Sua jornada é épica, porém, seu final mostra que a sociedade ideal não pode aceitar pessoas assim. Para figuras como eles, o caminho para se livrar da culpa ou até mesmo receber o perdão é a remissão. Contudo, de qualquer forma, eles não se adequam ao mundo que buscamos criar, a sociedade ideal que queremos. Portanto, seu final não poderia ser outro senão a morte. Robin Hood, não pode perambular pelo mundo como Amador esperando sua volta, deve aceitar a dura verdade, ele é danoso para o futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os últimos atos do lendário fora da lei vagueiam entre a tentativa de redenção e a de mudança. Sua relação com Margaret (Faith Delaney) mostra um pouco de como ele tenta protegê-la e criar certa relação paternal. Entretanto, no fim, percebe que sua própria presença é mais perigosa. Os momentos com Brigid (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-exterminio-a-aevolucao/"><span style="font-weight: 400;">Jodie Comer</span></a><span style="font-weight: 400;">) também denotam esta mudança, ao revelar quem ele é de fato e o que fez a ela. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Robin Hood</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">no fim das contas, é sim uma jornada, mas até a morte. Para que ela faça sentido, o ladrão precisa confrontar a si mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses últimos lançamentos de Hollywood apontam para um certo pessimismo em relação ao mundo. Até mesmo as obras de super heróis que estão buscando serem mais coloridas e cartunescas, não parecem sinceras ao fazerem de fato. Filmes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-homem-aranha-um-novo-dia/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha: Um Novo Dia</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2026) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-superman/"><i><span style="font-weight: 400;">Superman</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2025), ainda parecem carregar um dose de cinismo ou de estranheza em seu otimismo. Pelo bem ou pelo mal, esses longas e os que estão por vir dizem algo sobre a nossa realidade. Que estejamos dispostos a ouvir.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="A MORTE DE ROBIN HOOD | Trailer (2026) Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/PIVLi_4upw0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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