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	<title>Arquivos Orlando Sentinel &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Disney, Pixar e ‘Don’t Say Gay’: por que financiam nossos armários?</title>
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		<pubDate>Tue, 17 May 2022 17:37:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pautada por mudanças bruscas de posicionamento e fervorosos embates políticos, a polêmica entre Disney e Pixar com a legislação americana pode dizer muito sobre o conteúdo que o estúdio produz Enrico Souto Em 25 de fevereiro de 2022, o Orlando Sentinel, principal jornal da cidade da Flórida, Estados Unidos, desvendou uma bomba. Legisladores do estado, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/disney-pixar-dont-say-gay-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Disney, Pixar e ‘Don’t Say Gay’: por que financiam nossos armários?"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/disney-pixar-dont-say-gay-artigo/">Disney, Pixar e ‘Don’t Say Gay’: por que financiam nossos armários?</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Pautada por mudanças bruscas de posicionamento e fervorosos embates políticos, a polêmica entre Disney e Pixar com a legislação americana pode dizer muito sobre o conteúdo que o estúdio produz</span></i></p>
<figure id="attachment_27657" aria-describedby="caption-attachment-27657" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-27657 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa-wordpress-disney-enrico.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa-wordpress-disney-enrico.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa-wordpress-disney-enrico-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa-wordpress-disney-enrico-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27657" class="wp-caption-text">Entre Red: Crescer é uma Fera, Segredos Mágicos, Dois Irmãos e Luca, vivências queer tem sido postas sobre as telas da Pixar de diferentes formas – algumas mais enrustidas que outras (Foto: Pixar Animation Studios/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 25 de fevereiro de 2022, o </span><a href="https://www.orlandosentinel.com/opinion/scott-maxwell-commentary/os-prem-op-florida-business-disney-dont-say-gay-scott-maxwell-20220225-b7pxbrc4pfdmxbm2ypo5bpw23e-story.html"><i><span style="font-weight: 400;">Orlando Sentinel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, principal jornal da cidade da Flórida, Estados Unidos, desvendou uma bomba. Legisladores do estado, envolvidos ativamente com uma proposta de lei homofóbica que tramitava no Congresso, receberam doações milionárias da </span><i><span style="font-weight: 400;">Walt Disney Company</span></i><span style="font-weight: 400;">, conglomerado multibilionário de mídia. Hoje, quase três meses depois, após a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/disney/"><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já ter alterado seu posicionamento, a lei ter sido aprovada e outros escândalos revelados, uma questão continua acaçapada. O que uma empresa deste tamanho teria a ganhar financiando um projeto como este?</span></p>
<p><span id="more-27644"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apelidado de </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://visao.sapo.pt/atualidade/mundo/2022-04-04-o-que-e-o-projeto-de-lei-dont-say-gay-que-vai-levar-o-estado-da-florida-a-tribunal/"><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Say Gay</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Não Diga Gay</span></i><span style="font-weight: 400;">, em inglês), o Projeto de Lei Pelos Direitos dos Pais Sobre a Educação foi criado pelo deputado republicano Joe Harding visando a proibição de discussões sobre orientação sexual e identidade de gênero em salas de aulas, do infantário ao 3º ano, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">“de forma que não seja apropriada à idade ou desenvolvimento dos alunos”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sob a premissa falaciosa de oferecer maior controle sobre a educação de seus filhos, na prática, a ambiguidade da lei busca podar a liberdade de professores para além dos graus de escolaridade previstos na lei, ao passo que cria um ambiente ainda mais hostil para crianças LGBTQIA+ de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S-_NcmyntN0&amp;ab_channel=JamesSomerton"><span style="font-weight: 400;">todas as idades</span></a><span style="font-weight: 400;">, que muitas vezes sofrem violências </span><a href="https://opopular.com.br/noticias/infomercial/lgbtq-1.1299389/homofobia-na-fam%C3%ADlia-quando-o-preconceito-come%C3%A7a-em-casa-1.1300223"><span style="font-weight: 400;">dentro de casa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e encontram na escola o único espaço de acolhimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trata-se de uma lei imbecil, com motivação e pretensão puramente LGBTfóbicas. À vista disso, é especialmente curioso que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> apoie uma proposta como essa, diretamente da Flórida, onde estão instalados seus principais parques temáticos. Além de ter o </span><a href="https://www.hextecnews.com.br/disney-e-seu-proprio-reino-gracas-ao-distrito-de-reedy-creek-os-republicanos-querem-mudar-isso/"><span style="font-weight: 400;">privilégio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de agir com total autonomia e controle no território dos parques, adquirindo poderes equiparáveis ao do próprio governo – apesar de, hoje, essa soberania estar em risco, ainda chegaremos lá –, seu domínio econômico lhe dá um poderio político sem precedentes. Não é difícil imaginar o porquê a marca,</span> <span style="font-weight: 400;">com envolvimento notável em produções destinadas ao público infantil, teria interesse em dar suporte a um projeto que visa monitorar justamente essa demografia. </span></p>
<figure id="attachment_27645" aria-describedby="caption-attachment-27645" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-27645" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-2-3.jpg" alt="Cena do curta em animação Out, da Pixar. Imagem retangular e colorida, mostra um casal observando de forma romântica um porta-retrato roxo. Quem segura o objeto é um homem branco, de barba fechada e ruiva, vestindo uma camisa amarela, calças jeans e um gorro azul na cabeça. Atrás dele, segurando os seus ombros, vê-se um homem negro, de cabelos crespos escuros, vestindo uma camisa roxa. Os dois apresentam um sorriso contagiante, e o cenário é um quarto." width="2000" height="1123" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-2-3.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-2-3-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-2-3-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-2-3-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-2-3-1536x862.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-2-3-1200x674.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27645" class="wp-caption-text">O curta Out, traduzido para o Brasil como Segredos Mágicos, é a primeira produção da história da Pixar a apresentar um protagonista assumidamente gay (Foto: Pixar Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que, de um jeito ou de outro, gerou imensa revolta entre a comunidade e a </span><i><span style="font-weight: 400;">fanbase</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">. Afinal, se aos olhos do público a empresa diz apoiar a causa LGBTQIA+, debaixo dos panos ela não vê problema algum em contribuir para a violação e subalternização desse mesmo grupo. Com a acusação, Bob Chapek não demorou a se retratar. Em nota para seus funcionários, mais tarde </span><a href="https://variety.com/2022/film/news/disney-ceo-bob-chapek-support-lgbtq-1235197938/"><span style="font-weight: 400;">obtida pela imprensa</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">CEO</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> admitiu a contribuição financeira aos políticos republicanos, apesar de negar que as doações tivessem qualquer conexão com a lei. A respeito do seu silêncio ensurdecedor sobre o tema por meses, Chapek optou pela covardia e alegou que declarações corporativas são pouco efetivas em conjunturas políticas como essa.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Acredito que a melhor maneira de nossa empresa trazer mudanças duradouras é por meio do conteúdo inspirador que produzimos, da cultura acolhedora que criamos e das diversas organizações comunitárias que apoiamos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, aponta o </span><i><span style="font-weight: 400;">CEO</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, por trás dessa declaração florida, há um cenário muito, muito mais sombrio. Em resposta, funcionários LGBTQIA+ e aliados da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/pixar/"><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estúdio pertencente à </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://variety.com/2022/film/news/disney-pixar-same-sex-affection-censorship-dont-say-gay-bill-1235200582/"><span style="font-weight: 400;">assinaram declaração pública</span></a><span style="font-weight: 400;"> não apenas repudiando a atitude da companhia do rato, como também escancarando atos deliberados de censura desses executivos contra elementos abertamente </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> em suas produções.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem acompanha o histórico das duas empresas já sabe que a relação sempre esteve entre tapas e beijos. Esses conflitos existem desde que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> era responsável unicamente pela distribuição dos filmes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">, e a </span><a href="https://www.dn.pt/arquivo/2006/disney-compra-a-pixar-para-garantir-a-sua-sobrevivencia-634862.html"><span style="font-weight: 400;">negociação</span></a><span style="font-weight: 400;"> para aquisição do estúdio em 2006 foi extremamente conturbada. Hoje, a rixa continua, com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;"> acusando seus superiores de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/funcionarios-da-pixar-estao-desapontados-com-estreia-de-red-apenas-no-disney-entenda/"><span style="font-weight: 400;">barrar a circulação</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos seus filmes no cinema – mesmo porque, apesar de justificadas pela pandemia, obras de outras produtoras, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel Studios</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Walt Disney Animation</span></i><span style="font-weight: 400;">, continuaram ocupando as telonas. Porém, nenhum desses casos atravessavam o escopo do conteúdo, não como agora.</span></p>
<figure id="attachment_27646" aria-describedby="caption-attachment-27646" style="width: 1265px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-27646" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-3-1.jpg" alt="Fotografia retangular e colorida, mostra Bob Chapek, um homem branco, careca, vestindo um terno preto e camisa branca, discursando em frente a um púlpito, onde apoiam-se três microfones. Suas duas mãos se apoiam ao púlpito, que apresenta uma placa azul com a silhueta branca de um castelo, e seu olhar é sério e preocupado. O fundo azulado está desfocado." width="1265" height="760" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-3-1.jpg 1265w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-3-1-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-3-1-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-3-1-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-3-1-1200x721.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27646" class="wp-caption-text">Outros estados americanos se manifestaram contra a lei homofóbica da Flórida; foi o caso de <a href="https://oglobo.globo.com/mundo/epoca/nova-york-alfineta-lei-dont-say-gay-da-florida-venha-para-uma-cidade-onde-voce-possa-ser-quem-quiser-25463004">Eric Adams</a>, prefeito de Nova Iorque: “venha para uma cidade onde você possa dizer e ser quem quiser”, afirmou (Foto: Tyrone Siu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A carta inicia expondo algumas das maiores hipocrisias do discurso de Bob Chapek. Enquanto a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">diz que apresenta uma longa trajetória de suporte à comunidade LGBTQIA+, os trabalhadores da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;"> rebatem que a empresa nunca havia manifestado apoio público à causa </span><a href="https://epgn.com/2021/09/28/until-legal-ruling-disneyland-banned-same-sex-dancers/"><span style="font-weight: 400;">antes de 2018</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se Chapek argumenta que declarações corporativas não são eficazes, seus funcionários demonstram como isso não só nunca impediu o rato de liderar ações políticas, mas também como essas ações apresentam sim efeitos factíveis, dentro e </span><a href="https://internacional.estadao.com.br/ao-vivo/russia-ataca-ucrania"><span style="font-weight: 400;">fora dos Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, os tons mais fúnebres da nota surgem somente no parágrafo seguinte: </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Nós da Pixar testemunhamos pessoalmente belas histórias, cheias de personagens diversos, voltarem das críticas corporativas da Disney trituradas em migalhas do que já foram. Quase todos os momentos de afeto abertamente gay são cortados a pedido da Disney, independente de quando há protesto tanto das equipes criativas quanto da liderança executiva da Pixar. Mesmo que a criação de conteúdo LGBTQIA+ seja a resposta para corrigir a legislação discriminatória no mundo, estamos sendo impedidos de criá-lo.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ou seja, muito além de um financiamento externo, a LGBTfobia da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> se trata de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qa3A_ery3Hg&amp;ab_channel=JamesSomerton"><span style="font-weight: 400;">política interna</span></a><span style="font-weight: 400;">, aplicada violentamente contra estúdios subordinados. Por trás do discurso vazio de </span><i><span style="font-weight: 400;">“conteúdo inspirador”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e da venda extensiva de </span><i><span style="font-weight: 400;">merchandising </span></i><span style="font-weight: 400;">com estampas coloridas, apenas sobra o preconceito. Todavia, vale dizer que, apesar de apavorante, essa notícia está longe de ser surpreendente. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem um vasto histórico de </span><a href="https://theconversation.com/luca-disney-and-queerbaiting-in-animation-164349"><i><span style="font-weight: 400;">queerbaiting</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ou seja, obras que codificam um ou mais personagens com características </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas nunca se comprometem em se </span><a href="https://screenrant.com/cruella-movie-disney-artie-queerbaiting-lgbtq-problem/"><span style="font-weight: 400;">aprofundar</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou mesmo em </span><a href="https://www.usatoday.com/story/life/movies/2016/06/09/does-finding-dory-show-gay-couple-filmmakers-discuss/85635846/"><span style="font-weight: 400;">declarar</span></a><span style="font-weight: 400;"> essa identidade abertamente E a </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;"> não sai ilesa disso.</span></p>
<figure id="attachment_27647" aria-describedby="caption-attachment-27647" style="width: 1566px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27647" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-4-3.jpg" alt="Cena do filme em animação Procurando Dory. Imagem colorida e retangular, mostra duas mulheres olhando para o chão assustadas. Uma delas é branca, de cabelos escuros e longos, vestindo uma camisa cinza e uma blusa amarrada na cintura, e a outra é branca, de cabelos curtos e escuros, vestindo uma jaqueta roxa e uma camisa listrada branca e preta, enquanto segura uma mamadeira verde. Ao fundo, pode-se ver um céu azul limpo e algumas árvores e prédios." width="1566" height="880" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-4-3.jpg 1566w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-4-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-4-3-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-4-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-4-3-1536x863.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-4-3-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27647" class="wp-caption-text">Durante uma rápida cena de <a href="https://personaunesp.com.br/procurando-dory-5-anos/">Procurando Dory</a>, os protagonistas interagem com duas mulheres ambiguamente próximas, o que foi considerado na época como ‘o primeiro casal lésbico da Pixar’; respondendo aos rumores, o diretor Andrew Stanton concluiu que “elas podem ser o que você quiser que elas sejam” (Foto: Pixar Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim, </span><i><span style="font-weight: 400;">“o primeiro personagem gay da Disney”</span></i><span style="font-weight: 400;"> já se tornou uma platitude. Porém, fato é que o primeiro personagem ‘abertamente’ gay a aparecer em uma produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi em </span><a href="https://personaunesp.com.br/dois-irmaos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dois Irmãos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2020: Specter (Lena Waithe), </span><a href="https://www.pride.com/movies/2020/2/21/pixars-onward-introduces-disneys-first-openly-gay-character"><span style="font-weight: 400;">uma policial</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um olho só, com menos de cinco minutos de tela, que surge em uma cena apenas para pronunciar uma frase solta e ambígua em que ela comenta que a filha de sua </span><i><span style="font-weight: 400;">namorada</span></i><span style="font-weight: 400;"> a fez arrancar seus cabelos. Uma personagem sem história, sem subjetividade, utilizada somente como um </span><a href="https://www.polygon.com/2020/3/6/21167960/onward-gay-character-pixar-disney-lgbtq"><span style="font-weight: 400;">broche</span></a><span style="font-weight: 400;"> para que a empresa possa vangloriar-se sem remorsos por sua suposta diversidade. O que não impediu que o filme fosse </span><a href="https://deadline.com/2020/03/disney-onward-banned-multiple-middle-east-markets-lesbian-lgbt-reference-1202876168/"><span style="font-weight: 400;">banido</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou alterado na Rússia e em vários países do Oriente Médio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais recentemente, o assunto voltou à tona com o lançamento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/red-crescer-e-uma-fera-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Red: Crescer é uma Fera</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Durante o </span><i><span style="font-weight: 400;">teaser</span></i><span style="font-weight: 400;"> de anúncio do longa, aparecia no canto superior esquerdo da tela, em uma cena de menos de um segundo, um </span><a href="https://twitter.com/almanaquedisney/status/1414948520981848066"><span style="font-weight: 400;">casal gay</span></a> <span style="font-weight: 400;">de mãos dadas caminhando pela calçada. Ao passo que alguns parabenizaram a empresa pela atitude, enxergando a inserção como uma forma de naturalizar a existência dessas relações no cotidiano, outros viram com maus olhos. Dada a </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/why-star-wars-kiss-is-a-step-back-lgbtq-representation-rise-skywalker-1264180/"><span style="font-weight: 400;">experiência prolífica</span></a><span style="font-weight: 400;"> de fãs da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">queerbait</span></i><span style="font-weight: 400;">, não é nada mais que frustrante assistir essas referências escondidas enquanto personagens </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca são plenamente assumidos. Uma representatividade comedida, ainda presa dentro do armário.</span></p>
<figure id="attachment_27648" aria-describedby="caption-attachment-27648" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27648 size-full" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-5.jpg" alt="Cena do filme em animação Dois Irmãos, da Pixar. Imagem retangular e colorida, mostra uma mulher com características físicas semelhantes a figura mitológica do Ciclope: um único chifre acima de sua cabeça, apenas um olho e pele roxa. Ela veste uma farda policial azul, e conversa com um homem de bigode que está a sua frente. O cenário é noite, apenas iluminado pelas luzes de uma viatura." width="2000" height="995" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-5.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-5-800x398.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-5-1024x509.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-5-768x382.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-5-1536x764.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-5-1200x597.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27648" class="wp-caption-text">Esforços de censura da Disney vieram inclusive contra elementos de cenário que remetessem a identidades LGBTQIA+; fonte interna da Pixar relatou à Variety um caso em que um adesivo de arco-íris colocado janela de uma loja foi removido por ser considerado “chamativo demais” (Foto: Pixar Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao assistir propriamente o filme, além de outros figurantes LGBTQIA+ surgindo ao fundo de cenas pontuais, nos deparamos com insinuações mais profundas. A personagem </span><a href="https://screenrant.com/turning-red-pixar-movie-priya-queer-lgbtq-character/"><span style="font-weight: 400;">Priya</span></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-nunca-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Maitreyi Ramakrishnan</span></a><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">, do grupo de melhores amigas da protagonista, parece criar uma </span><a href="https://screenrant.com/turning-red-pixar-movie-priya-queer-lgbtq-character/"><span style="font-weight: 400;">conexão diferente</span></a><span style="font-weight: 400;"> com outra garota da escola. No decorrer de uma festa de aniversário, ambas começam a dançar juntas, encarando-se com seus olhares vazios dignos do arquétipo emo que encarnam. Priya, frequentemente incompreendida por seus colegas pela sua personalidade inusitada, encontra enfim identificação em alguém. Tudo ao mesmo tempo que suas amigas trocam cutucadas e olhares maliciosos, dando a entender que ocorria ali um flerte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma conjuntura diferente, provavelmente esse elemento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Turning Red</span></i><span style="font-weight: 400;"> reforçaria as críticas feitas contra seu </span><i><span style="font-weight: 400;">teaser</span></i><span style="font-weight: 400;">. Contudo, assistindo a </span><a href="https://www.pinknews.co.uk/2022/03/21/turning-red-priya-queer-lgbt/"><span style="font-weight: 400;">essas cenas</span></a><span style="font-weight: 400;"> após os eventos do início de março, o </span><a href="https://insidethemagic.net/2022/03/gay-hinting-pixar-turning-red-chapek-al1/"><span style="font-weight: 400;">sentimento é diferente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não mais vê-se uma empresa gananciosa que investe em conteúdos apelativos para a comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém ocultos o suficiente para que o público conservador continue lhes entregando seu dinheiro, mas sim um estúdio que luta por migalhas de representação em suas obras, enquanto subordinado por uma companhia autoritária e abusiva. De uma hora para outra, essas insinuações subliminares passaram de um ato de má-fé para um manifesto de coragem e resistência de um grupo de trabalhadores que, mesmo extensivamente suprimidos, se recusam a sumir.</span></p>
<figure id="attachment_27649" aria-describedby="caption-attachment-27649" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27649" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-6.webp" alt="Cena do filme em animação Red: Crescer é uma Fera. Imagem retangular e colorida, vemos duas adolescentes dançando juntas em uma festa cheia de luzes coloridas, enquanto encaram uma a outra com um olhar sério e vazio. A primeira garota, à esquerda, é negra, com cabelos escuros e lisos que formam cachos na ponta. Ela veste uma camisa de manga comprida amarela e listrada, e usa óculos de armação circular no rosto. A outra garota, da esquerda, é branca, com cabelos lisos, tingidos em azul e roxo, presos por uma tiara preta.. Ela usa uma maquiagem escura no rosto e veste uma camiseta preta." width="1400" height="700" /><figcaption id="caption-attachment-27649" class="wp-caption-text">Alguém mais reparou na <a href="https://www.bowiecreators.com/article/the-rise-and-fall-of-bisexual-lighting">iluminação bissexual</a> aqui? (Foto: Pixar Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pensando nisso, é difícil não voltar os olhos a outro episódio recente envolvendo o nome da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Isso porque, em 2021, o estúdio foi responsável por </span><a href="https://personaunesp.com.br/luca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Luca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cMde5YLG6-w&amp;ab_channel=JamesSomerton"><span style="font-weight: 400;">não-assumidamente</span></a><span style="font-weight: 400;"> gay da história. Quem poderia imaginar que a trajetória de dois monstros marinhos que, mesmo aparentando ser iguais a qualquer outra criança, precisam esconder sua verdadeira essência para que possam ser aceitos em um ambiente hostil, compartilharia semelhanças tão profundas com a experiência de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">? A jornada de um garoto que, ao alcançar a adolescência, descobre um fascínio por um mundo que sempre foi ensinado a odiar?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda por cima, o longa centraliza-se na relação de dois meninos, cujo maior sonho é comprar uma única moto – onde dividem o assento – para que possam pegar a estrada e construir uma vida juntos, longe de todo o preconceito e discriminação do mundo. Do início ao fim, a relação de Luca (Jacob Tremblay) e Alberto (Jack Dylan Grazer) é retratada como um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zHw7gdV7xF8&amp;ab_channel=AreTheyGay"><span style="font-weight: 400;">romance proibido</span></a><span style="font-weight: 400;">, com direito até a uma cena de </span><a href="https://tropedia.fandom.com/wiki/Train_Station_Goodbye"><span style="font-weight: 400;">despedida na estação de trem</span></a><span style="font-weight: 400;">, um clichê nada sutil em narrativas românticas. E acredite, essa não é a primeira nem a última vez que apontam isso. Leituras </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Luca</span></i><span style="font-weight: 400;"> pipocaram antes mesmo do seu lançamento, quando fãs começaram a identificar simetrias estéticas muito marcantes com o longa </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/06/17/movies/luca-review.html"><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame pelo Seu Nome</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que, tal qual a animação, se trata de um romance gay </span><a href="https://deliriumnerd.com/2021/03/11/coming-of-age-e-o-amadurecimento-como-narrativa/"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com a Riviera Italiana como plano de fundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São elementos que surgem de forma tão visível e ostensiva que é difícil imaginar que ninguém dentro da equipe criativa tomou essa decisão conscientemente. Como </span><i><span style="font-weight: 400;">Luca</span></i><span style="font-weight: 400;"> passou por tantas mãos e nenhuma pessoa se atentou a esse detalhe? Com os murmurinhos circulando, o diretor Enrico Casarosa não demorou para negar veementemente que uma ‘<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y4scAsRpBFU&amp;ab_channel=OraThiago">alegoria gay</a>’ estava nos planos do estúdio.</span><span style="font-weight: 400;"> </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nós realmente miramos em uma história pré-pubescente. É tudo sobre amizades platônicas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, assegurou </span><a href="https://sports.yahoo.com/luca-trailer-pixar-coming-of-age-miyazaki-fellini-stand-by-me-call-me-by-your-name-143451999.html?"><span style="font-weight: 400;">em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que é curioso, já que isso nunca impediu nenhuma peça de mídia de retratar romances com crianças ‘pré-pubescentes’. Afinal, por que Casarosa sentia-se tanto na obrigação de isolar completamente seu filme de um possível espectro LGBTQIA+?</span></p>
<p><figure id="attachment_27650" aria-describedby="caption-attachment-27650" style="width: 1128px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27650" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-7-1.jpg" alt="Cena do filme em animação Luca. Imagem retangular e colorida, mostra Alberto, um garoto pardo de cabelos encaracolados e olhos verdes, vestindo uma regata amarela e boina marrom. Ele está com os olhos marejados, um sorriso no rosto, enquanto segura nos ombros e olha nos olhos de Luca, um garoto branco de cabelos escuros que veste uma camisa branca. Luca se apresenta de costas para a câmera e segura um dos braços de Alberto. O fundo, desfocado, mostra uma parede de pedras cinzas." width="1128" height="634" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-7-1.jpg 1128w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-7-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-7-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-7-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27650" class="wp-caption-text">“Você me tirou (do armário) da ilha, Luca, eu vou ficar bem” [Foto: Pixar Animation Studios]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Até que, depois de meses insistindo incansavelmente nessa posição, o homem cedeu. Entrevistado pelo </span><a href="https://www.thewrap.com/luca-enrico-casarosa-is-luca-gay/"><i><span style="font-weight: 400;">The Wrap</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 5 de janeiro deste ano, quando a conversa sobre a obra já havia cessado, Casarosa finalmente admitiu que a equipe criativa </span><i><span style="font-weight: 400;">“conversou”</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobre o potencial romântico do relacionamento entre Luca e Alberto. Ao que rapidamente acrescentou que </span><i><span style="font-weight: 400;">“não conversaram tanto”</span></i><span style="font-weight: 400;">, reafirmando a antiga retórica de ‘pré-romance’. Sabendo hoje da batalha interna que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem travado, qual a probabilidade de que o estúdio tenha inserido no filme uma visão </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> – consideravelmente ambígua e passável pelos executivos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, escondendo esse fato compulsoriamente até que a poeira abaixasse e eles pudessem enfim abordá-lo a público, ainda que de maneira sutil?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Infelizmente, essa suposição pertencerá para sempre ao plano das teorias da conspiração. O que é possível dizer assertivamente é que, para além da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">, este é um padrão de representação que permeia todas as produções da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">. De </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bela-e-a-fera-30-anos/nd-the-beast-of-queer-baiting/"><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> à </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-despertar-da-forca-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as inserções rápidas e facilmente editáveis de </span><a href="https://juletrwsll.wordpress.com/2017/03/15/beauty-and-the-beast-of-queer-baiting/"><span style="font-weight: 400;">cenas dúbias</span></a><span style="font-weight: 400;"> com personagens sem relevância são as mesmas. É verdade que, no campo da Televisão e do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, narrativas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> são bem mais estimadas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Owl House</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-129227/"><i><span style="font-weight: 400;">Star vs. As Forças do Mal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – ambas </span><a href="https://www.digitalspy.com/tv/ustv/a37915254/owl-house-disney-cancellation-reason/"><span style="font-weight: 400;">já canceladas</span></a><span style="font-weight: 400;"> – e mesmo produções menores da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;"> – é o caso do </span><a href="https://brasil.elpais.com/verne/2020-05-27/out-o-primeiro-curta-da-pixar-com-um-protagonista-lgtb.html"><span style="font-weight: 400;">curta </span><i><span style="font-weight: 400;">Out</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – são exemplos de obras saídas dessas mídias que comentam sobre temas LGBTQIA+. Porém, está longe do suficiente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após mais de dois meses de polêmica, o cenário se transformou incontáveis vezes para o lado da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">. À primeira vista, seu </span><i><span style="font-weight: 400;">CEO</span></i><span style="font-weight: 400;"> demorou a tomar um partido. Na tentativa de exercer um papel mediador e, supostamente, não privilegiar nenhum dos dois lados, Chapek prometeu doar 5 milhões de dólares ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Human Rights Campaign</span></i><span style="font-weight: 400;">, o maior grupo de defesa dos direitos civis LGBTQIA+ nos EUA, ao mesmo tempo em que se reuniu pessoalmente com o governador republicano da Flórida, Ron DeSantis, sob pretexto de discutir ‘preocupações’ sobre as implicações negativas da lei. Em retorno, o </span><i><span style="font-weight: 400;">HRC</span></i> <a href="https://www.hrc.org/press-releases/human-rights-campaign-refuses-money-from-disney-until-meaningful-action-is-taken-to-combat-floridas-dont-say-gay-or-trans-bill"><span style="font-weight: 400;">rejeitou prontamente</span></a><span style="font-weight: 400;"> o dinheiro, exigindo por ações verdadeiramente significativas por parte da </span><i><span style="font-weight: 400;">Walt Disney Company</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Hoje, eles deram um passo na direção certa. Mas foi meramente o primeiro passo”</span></i><span style="font-weight: 400;">, concluiu o presidente da organização.</span></p>
<figure id="attachment_27652" aria-describedby="caption-attachment-27652" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27652" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-8.jpeg" alt="Cena do filme em animação Luca. Imagem retangular e colorida, mostra duas crianças, em um quarto desarrumado, lendo juntos livros de astrologia. A primeira, sentada na cama com um livro apoiado nas pernas e a cabeça escorada em uma das mãos, é Giulia, uma garota branca, de cabelos ruivos, que veste uma camiseta listrada branca e laranja e calças jeans largas. O segundo, sentado de joelhos enquanto lê focado um grande livro, está Luca, um garoto branco, de cabelos lisos escuros, que veste uma camisa branca e uma bermuda azul." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-8.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-8-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-8-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-8-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27652" class="wp-caption-text">Fontes que conversaram com a Variety também afirmaram que a personagem Giulia, de Luca, foi pensada como lésbica, mas esse elemento foi retirado da versão final pois a equipe encontrou dificuldades em introduzi-lo sem incluir um interesse amoroso para ela (Foto: Pixar Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim que as respostas inflamadas de funcionários e organizações vieram à tona – e esse discurso centrista não colou –, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Walt Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> passou por uma mudança radical de posicionamento. Poucos dias depois da declaração da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">, Bob Chapek </span><a href="https://variety.com/2022/film/news/disney-bob-chapek-dont-say-gay-apology-lgbtq-employees-1235202253/"><span style="font-weight: 400;">se pronunciou</span></a><span style="font-weight: 400;"> de forma muito mais categórica, anunciando que lutaria pela </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2022/03/4996821-disney-diz-que-vai-lutar-pela-revogacao-da-lei-dont-say-gay.html"><span style="font-weight: 400;">revogação da lei</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pausaria todas as doações políticas no estado da Flórida, que passarão por uma revisão que garantirá seu alinhamento com os valores da empresa: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Vocês precisavam de mim para ser um aliado mais forte na luta pela igualdade de direitos e eu lhes decepcionei. Eu sinto muito”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na esfera de conteúdo, a surpresa foi um </span><a href="https://variety.com/2022/film/news/pixar-lightyear-same-sex-kiss-1235209179/"><span style="font-weight: 400;">vazamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> feito por fontes de dentro da produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lightyear</span></i><span style="font-weight: 400;">, próximo lançamento da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">, revelando que Hawthorne, principal personagem feminina do longa, teria um relacionamento significativo com outra mulher. E não apenas isso, como também que um beijo entre as duas havia sido retirada do corte final e, após o escândalo da lei </span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Say Gay</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cena foi restaurada. O que já é um enorme ponto de virada para a representatividade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas animações – em geral –, esse poderá ser o primeiro beijo gay da história de um filme da </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">. De um jeito ou de outro, os riscos que inúmeros funcionários do estúdio tomaram ao enfrentar seus superiores da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece, ao fim, ter gerado efeitos significativos para a comunidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, é claro, o outro lado não ficaria calado. Primeiro, a lei </span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Say Gay</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi efetivamente </span><a href="https://www.npr.org/2022/03/28/1089221657/dont-say-gay-florida-desantis"><span style="font-weight: 400;">aprovada</span></a><span style="font-weight: 400;">, com vias de entrar em vigor em 1 de julho deste ano. Indo além, no que parece um ataque direto do governo da Flórida contra a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, após declarar oposição a seu projeto, o senado do estado aprovou em abril uma lei que </span><a href="https://english.elpais.com/usa/2022-04-25/disney-faces-payback-for-criticizing-floridas-dont-say-gay-law.html"><span style="font-weight: 400;">dissolve o </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de distrito especial dos parques temáticos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Walt Disney World</span></i><span style="font-weight: 400;"> – aquele que lhes dava completa autonomia em seus territórios. Em contrapartida, se o rompimento desse regime, vigente desde 1967, poderia significar um enfraquecimento político da companhia na região, o tiro saiu pela culatra agora que os condados de Orange e Osceola </span><a href="https://www.nbcnews.com/business/business-news/reedy-creek-disney-special-district-whats-next-desantis-rcna26313"><span style="font-weight: 400;">herdarão uma dívida</span></a><span style="font-weight: 400;"> de mais de um 1 bilhão de dólares. </span></p>
<figure id="attachment_27653" aria-describedby="caption-attachment-27653" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27653" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-9.jpg" alt="Cena do filme em animação Lightyear. Imagem retangular e colorida, mostra Hawthorne, uma mulher negra com cabelos trançados e vestindo uma roupa de astronauta verde e branca, apontando seu dedo indicador para frente. Ao fundo, que está desfocado, pode-se ver uma base espacial." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-9.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-9-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-9-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-9-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-9-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27653" class="wp-caption-text">Steven Clay Hunter, o diretor do curta Out, que já não trabalha mais para a Pixar, também se pronunciou contra a lei Don’t Say Gay: “Não podemos assumir que estas leis não sejam prejudiciais, preconceituosas e, francamente, maléficas. Nós não vamos embora. Não vamos voltar para dentro do armário” (Foto: Pixar Animation Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem diria que, de uma hora para outra, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> iria de companhia reacionária a forte aliada da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, há um aspecto questionável em como os eventos se sucederam. Será que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Walt Disney Company</span></i><span style="font-weight: 400;"> realmente mudaria seu ponto de vista dessa forma tão brusca sem nenhum benefício pessoal por trás? A </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, como o colossal conglomerado de mídia que é, sempre colocará o capital em primeiro lugar. Na realidade, seu apoio às demandas LGBTQIA+ não é tão diferente de sua omissão anterior. No fim, tudo não passa de uma ação intensiva de publicidade e </span><i><span style="font-weight: 400;">rebranding</span></i><span style="font-weight: 400;"> para limpar a reputação da marca, desatrelá-la do </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2022/03/4992084-censura-a-personagens-lgbt-e-apoio-a-homofobicos-disney-vive-clima-sombrio.html"><span style="font-weight: 400;">imagético homofóbico</span></a><span style="font-weight: 400;"> engendrado durante a polêmica </span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t Say Gay</span></i><span style="font-weight: 400;"> e recuperar o público progressista que havia sido perdido. E, acredite, tem dado certo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pesquisando hoje por </span><i><span style="font-weight: 400;">“Disney”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">“Don’t Say Gay”</span></i><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Google</span></i><span style="font-weight: 400;">, dominam o topo da aba notícias que proclamam que a empresa está </span><i><span style="font-weight: 400;">“em guerra contra o governo da Flórida&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que a colocam como sua principal opositora</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Sim, é isso mesmo. O rato conseguiu apagar quase que totalmente seu envolvimento com a lei homofóbica, invertendo a narrativa a seu favor. O poder político e econômico da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">é tamanho que ela provou deter o controle até mesmo sobre a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ExwXyp--0M4&amp;ab_channel=OraThiago"><span style="font-weight: 400;">nossa história</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entretanto, é preciso sempre lembrar: todas as atitudes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> visam somente o lucro, e se isso significa continuar administrando o interesse de </span><a href="https://deadline.com/2021/11/eternals-banned-saudi-arabia-qatar-kuwait-bahrain-oman-1234867992/"><span style="font-weight: 400;">países conservadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e legislações LGBTfóbicas, a troco de financiar nossas mortes e pisar em cima de nossos corpos putrefatos, assim será. Ao construirmos nossa luta, não podemos esquecer quem é o verdadeiro inimigo.</span></p>
<figure id="attachment_27655" aria-describedby="caption-attachment-27655" style="width: 1218px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27655" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-1.png" alt="Cena do filme em animação Luca, da Pixar. Imagem retangular e colorida, mostra Luca, um garoto branco, de cabelos escuros e vestindo uma camisa branca, apontando de forma acusatória para Alberto, um garoto com características físicas semelhantes às de peixes: pele roxa e escamosa, cabelos de corais e dentes pontudos, e que veste uma regata amarela e bermuda marrom. Ele está em uma praia, na parte rasa do mar, iluminado pelo pôr-do-sol enquanto expõe um olhar entristecido para Luca." width="1218" height="685" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-1.png 1218w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/IMAGEM-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27655" class="wp-caption-text">Quanto tempo até a Disney decidir se voltar contra nós de novo? (Foto: Pixar Animation Studios)</figcaption></figure>
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