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	<title>Arquivos O Segredo de Joe Gould &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O Segredo de Joe Gould: Sobre a força de um texto</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Apr 2016 23:55:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[O Segredo de Joe Gould]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Livro reúne os dois perfis que Joseph Mitchell escreveu para a New Yorker sobre o mendigo culto Joe Gould Lucas Marques As páginas de O Segredo de Joe Gould (Companhia das Letras) revelam um ilustre conto real sobre a passagem do tempo e a memória. O livro reúne dois perfis jornalísticos escritos por Joseph Mitchell, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/segredo-joe-gould-sobre-forca-texto/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Segredo de Joe Gould: Sobre a força de um texto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><i><span style="font-weight: 400;">Livro reúne os dois perfis que Joseph Mitchell escreveu para a New Yorker sobre o mendigo culto Joe Gould</span></i></p>
<figure id="attachment_1849" aria-describedby="caption-attachment-1849" style="width: 820px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-1849 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joe-gould-820x1024.jpg" alt="Joe Gould.JPG" width="820" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joe-gould-820x1024.jpg 820w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joe-gould-240x300.jpg 240w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joe-gould-768x959.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joe-gould-1200x1498.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-1849" class="wp-caption-text">Joe Gould chamava a atenção por suas duas personas extremas: a de escritor culto e emprenhado e a de bêbado exibicionista. Créditos: Culver Pictures.</figcaption></figure>
<p><strong>Lucas Marques</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As páginas de<em> O Segredo de Joe Gould</em> (Companhia das Letras) revelam um ilustre conto real sobre a passagem do tempo e a memória. O livro reúne dois perfis jornalísticos escritos por Joseph Mitchell, para a revista New Yorker, sobre o mendigo boêmio Joe Gould &#8211; um de 1942 e outro em 1964, após a morte do perfilado. Gould perambulava as ruas de Nova York escrevendo “A História Oral de Nosso Tempo”, o livro que contaria a história contemporânea através de conversas mundanas escutadas pelo autor. Tal empenho chamou a atenção de diversos intelectuais e na escrita de Mitchell se tornou um trabalho jornalístico irretocável. </span><span id="more-1845"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro perfil, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Professor Gaivota</span></i><span style="font-weight: 400;">, descreve Gould e todas suas particularidades em um texto conciso, polido, mas não menos envolvente. Entre os nomes mais conhecidos do jornalismo literário norte-americano, Mitchell se aproxima muito mais da linguagem objetiva e precisa de Gay Talese do que a eloquência de Hunter S. Thompson e Thomas Wolfe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A graça da reportagem é descobrir, aos poucos, o passado de Gould como rico e intelectual da Harvard; a habilidade que julgava possuir de falar a língua das gaivotas &#8211; daí o apelido “Professor Gaivota”; a relação de fascínio, tolerância e ódio com a comunidade artística nova-iorquina; e principalmente tudo o que tange “A História Oral da Humanidade”.</span></p>
<figure id="attachment_1852" aria-describedby="caption-attachment-1852" style="width: 662px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-1852 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joseph-mitchell-662x1024.jpg" alt="Joseph Mitchell skyline.JPG" width="662" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joseph-mitchell-662x1024.jpg 662w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joseph-mitchell-194x300.jpg 194w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joseph-mitchell-768x1188.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joseph-mitchell-1200x1856.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joseph-mitchell.jpg 1253w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-1852" class="wp-caption-text">Mitchell era uma pessoa que vivia em um ritmo vagaroso, em oposição a rapidez de sua querida Nova York. Créditos: Therese Mitchell.</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mitchell veio dos campos do sul dos EUA para a grande metrópole e, desde o início de sua carreira na New Yorker na década de 30, se delegou a escrever sobre pessoas, lugares e fatos que, mesmo a margem da sociedade, eram difíceis de serem ignorados. Ao narrar sobre a vida de uma mulher barbada de circo ou sobre um bar, Mitchell mostrava que esses “pequenos temas” mereciam um registro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No segundo texto,</span><i><span style="font-weight: 400;"> O Segredo de Joe Gould</span></i><span style="font-weight: 400;">, Mitchell parte da morte do boêmio para reescrever a história e acrescentar informações das mais de duas décadas de convivência com Gould. O mote do novo perfil, quatro vezes maior que o primeiro, é a procura pelos cadernos contendo “A História Oral”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para contar novamente a história de Gould, Mitchell traça uma estratégia inteligente e pessoal. Em primeira pessoa, o jornalista conta como tivera a ideia do perfil e as primeiras conversas que travou com a personagem. Tudo isso em um ritmo lento, permitindo que os laços entre entrevistador e entrevistado se fortaleçam gradativamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de empregar um tom bem mais pessoal, Mitchell não abre mão do estilo jornalístico, da escrita econômica. Ao descrever as conversas com Gould e seus amigos, o autor revela o processo de reportagem usado no primeiro perfil ao mesmo tempo que é completamente entendível e interessante para quem não tenha lido o original.</span></p>
<figure id="attachment_1854" aria-describedby="caption-attachment-1854" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-1854 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joe-gould-filme-1024x576.jpg" alt="joe gould filme" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joe-gould-filme-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joe-gould-filme-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joe-gould-filme-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joe-gould-filme-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/joe-gould-filme.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-1854" class="wp-caption-text">Intitulado de Crônica de uma Certa Nova York, o livro recebeu uma adaptação cinematográfica estrelada por Ian Holm e Stanley Tucci em 2000.</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">O Segredo de Joe Gould</span></i><span style="font-weight: 400;"> singular é o relato da influência de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Professor Gaivota </span></i><span style="font-weight: 400;">na vida de Mitchell e Gould. O autor da “História Oral”, um livro destinado as gerações futuras, viveu satisfeito sabendo que, pelo menos, estava eternizado nas páginas da New Yorker. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro perfil ligou a vida dos dois até a morte de Gould &#8211; mais pessoas o reconheciam e o ajudavam e ambos firmaram uma estranha amizade. O mais curioso é que </span><i><span style="font-weight: 400;">O Segredo de Joe Gould</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi a última reportagem de Mitchell &#8211; o escritor continuou como empregado da New Yorker durante 30 anos sem escrever um texto, mas nunca deixando de sentar na sua escrivaninha e teclar a máquina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como poucos, Mitchell reconhecia a força de um texto, ou melhor, de um registro histórico. A começar pela “História Oral”, cada registro modificou também o momento presente e o futuro. Assim como Gould, Mitchell era conhecido pela demora e perfeccionismo em sua produção, de modo que seus editores o bancavam mesmo assim, justamente porque compreendiam a força de sua escrita. Força esta que, fatalmente, impediria Mitchell de escrever pelos anos vindouros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Permeando a obra, está também a relação entre mito e realidade. Mitchell apresenta o mito, mas o humaniza a ponto de mostrar suas partes mais abjetas. A opção da realidade, mas o fascínio pela mitologia, reverberam no belo texto de João Moreira Salles no posfácio da edição.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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