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	<title>Arquivos O Pardal na Chaminé &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O Pardal na Chaminé compartilha o desejo de escapar</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Nov 2024 16:45:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos  Exibido na seção Perspectiva Internacional da 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, O Pardal na Chaminé (Der Spatz im Kamin, no original), é um filme suiço dirigido por Ramon Zürcher e chega para provar que o ditado popular “família não se escolhe&#8221; não é só uma frase jogada ao vento – &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-pardal-na-chamine-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Pardal na Chaminé compartilha o desejo de escapar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34372" aria-describedby="caption-attachment-34372" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34372" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-9-800x450.png" alt="Cena do filme O Pardal na Chaminé. Cinco pessoas estão lado a lado, com expressões introspectivas e semblantes melancólicos, sugerindo um momento de reflexão ou tristeza. À esquerda, um jovem de cabeça baixa veste uma camisa clara, enquanto ao seu lado está um homem de barba curta, usando um suéter marrom. No centro, uma mulher de cabelos curtos e roupa leve, com uma blusa listrada e shorts roxos, olha para baixo com ar desanimado e rosto sujo de sangue. Ao lado dela, uma mulher de cabelo preso veste uma camisa vermelha, enquanto a última personagem, à direita, usa uma camiseta verde com a palavra &quot;Chicago&quot;. A composição evoca uma atmosfera de tensão emocional, capturando um instante de silêncio e introspecção compartilhada pelo grupo. Ao fundo, há vegetação densa e uma parede clara, próximo a uma casa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-9-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-9-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-9-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-9-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-9.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34372" class="wp-caption-text">A desesperança é o único sentimento que encontramos em O Pardal na Chaminé (Foto: Zürcher Film)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido na seção Perspectiva Internacional da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pardal na Chaminé</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Der Spatz im Kamin</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original), é um filme suiço dirigido por Ramon Zürcher e chega para provar que o ditado popular “</span><i><span style="font-weight: 400;">família não se escolhe</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; não é só uma frase jogada ao vento – é uma sentença. Uma casa de campo, que parece um refúgio de tranquilidade, não demora a se mostrar uma prisão emocional onde as </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-nest-critica/"><span style="font-weight: 400;">tensões familiares</span></a><span style="font-weight: 400;"> afloram o pior de cada um.</span></p>
<p><span id="more-34371"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior problema da obra é justamente essa transição previsível e mal conduzida </span><a href="https://personaunesp.com.br/minari-critica/"><span style="font-weight: 400;">do bucólico ao caótico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apressado em subverter o cenário idílico em um espetáculo de caos, o resultado se torna mais um choque gratuito do que um desenvolvimento natural dos personagens. Não há tempo para sutilezas, o filme entra de cabeça no desastre sem antes construir, verdadeiramente, o que está sendo destruído. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, o primor técnico é, em partes, reconfortante. A Fotografia de Alex Hasskerl capta com sensibilidade tanto a serenidade superficial da natureza quanto o turbilhão emocional humano. A montagem, também realizada pelo diretor, confere uma fluidez muito bem-vinda à densidade do longa. A construção de som, por <a href="https://mubi.com/en/cast/balthasar-jucker">Balthasar Jucker</a>, é deliciosa; envolve o espectador e ajuda a prender a atenção mesmo diante de tantas atrocidades. Do contrário, a chance de deixar a sala de cinema seria muito maior.</span></p>
<figure id="attachment_34373" aria-describedby="caption-attachment-34373" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-9-800x295.png" alt="Cena do filme O Pardal na Chaminé. Em um ambiente ao ar livre, duas pessoas desfrutam de um dia ensolarado próximo a uma piscina. À esquerda, uma mulher loira, vestindo biquíni, está relaxada em uma cadeira de praia rosa, apreciando o ambiente ao seu redor. À direita, outra mulher, também de biquíni, está de pé ao lado da piscina, segurando uma toalha enquanto parece se secar após um mergulho. A grama verde cobre o solo, e, ao fundo, há uma área com vegetação alta e uma floresta densa, sob a luz suave do fim de tarde. O cenário transmite tranquilidade e descontração, evocando um momento de calma em meio à natureza." width="800" height="295" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-9-800x295.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-9-1024x378.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-9-768x284.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-9-1536x567.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-9-1200x443.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-9.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34373" class="wp-caption-text">A classificação indicativa de 16 anos para o longa é uma sugestão otimista (Foto: Zürcher Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aparentemente, há tentativas de humanizar os personagens. Em meio às catástrofes subsequentes, Zürcher insere lampejos de vulnerabilidade – pequenos gestos; olhares de dor; silêncios carregados. Contudo, essas fagulhas se perdem no meio da avalanche de negatividade que o filme insiste em despejar. Disputas verbais que escalam para o ódio explícito, sem qualquer aumento no tom de voz, não deixam frestas para justificar essas relações fragmentadas além de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/treta-critica/"><span style="font-weight: 400;">ressentimento cego</span></a><span style="font-weight: 400;"> e recorrente. No fim, o espectador se vê em uma posição ingrata: procurar algo de bom ali parece um esforço em vão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Podemos traçar um paralelo com </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-tia-virginia-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Tia Virgínia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023), que também explora as relações familiares, mas de uma maneira muito mais compassiva e próxima da nossa realidade. Enquanto o filme suiço nos arrasta para um abismo de desesperança, o longa brasileiro lembra que, apesar dos conflitos e das dores, há a possibilidade de cura, mesmo que parcial. Essa ausência de qualquer ponto de luz é o que nos desanima. Somos confrontados apenas com a escuridão, sem qualquer indicação de que exista uma saída ou uma forma de redenção, e, quando finalmente se debruça em um </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/terror/"><span style="font-weight: 400;">Terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> espectral e surrealista, já é tarde demais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A violência é um espetáculo à parte. O diretor não poupa o público dos </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-nao-fale-o-mal-speak-no-evil-2022/"><span style="font-weight: 400;">atos cruéis</span></a><span style="font-weight: 400;"> – sejam eles físicos ou emocionais. Só que, ao invés de dar significado a essa violência, parece que o filme se deleita nela, como se o único objetivo fosse empurrar o espectador para fora da zona de conforto. Somos expostos a maus tratos às crianças e animais; agressões gratuitas; mentiras. Também presenciamos insinuações de pedofilia; humor mórbido; doenças graves como motivos de piada; traição à luz do dia; ameaças de morte a esmo; automutilações; incendiários. Assim, o roteiro se orgulha em incluir um catálogo de perversidades, como se cada elemento fosse uma tentativa de superar o anterior.</span></p>
<figure id="attachment_34374" aria-describedby="caption-attachment-34374" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-800x450.png" alt="Cena do filme O Pardal na Chaminé. Duas mulheres estão em um ambiente fechado, próximas a uma porta parcialmente aberta. A mulher à frente, vestindo uma blusa cinza e camisa vermelha aberta, segura a porta com uma expressão pensativa e reservada, como se estivesse escutando ou prestes a dizer algo importante. Atrás dela, outra mulher, usando uma regata listrada, observa com uma expressão séria e preocupada, transmitindo tensão emocional. A iluminação suave destaca os detalhes das feições e o clima íntimo da cena, sugerindo uma conversa delicada ou um momento de decisão." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34374" class="wp-caption-text">O diretor também constrói longas-metragens felizes, como A Garota e a Aranha (Foto: Zürcher Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há contexto algum que justifique plenamente tantas cenas perturbadoras – elas estão ali, impiedosas, para garantir que o público saia desconfortável, no entanto sem qualquer porquê. Somente nos fazem querer que acabe logo e nos deixam relativamente felizes de não estarmos nesse ambiente. Nesse ponto, nos conectamos com a única personagem que compartilha dessa visão: a filha que </span><a href="https://personaunesp.com.br/decisao-de-partir-critica/"><span style="font-weight: 400;">decidiu partir</span></a><span style="font-weight: 400;"> porque, segundo ela, </span><i><span style="font-weight: 400;">“tudo nessa casa se quebra</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Ela é a figura mais intrigante simplesmente por ter conseguido escapar desse ciclo tóxico, mas seu tempo de tela é frustrantemente limitado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pardal na Chaminé</span></i><span style="font-weight: 400;">, não há espaço para que nada floresça. É muito claro que, ali, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-felicidade-das-pequenas-coisas-critica/"><span style="font-weight: 400;">felicidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma ilusão inalcançável. No fim, a única certeza é que, assim como a filha que partiu, talvez, o verdadeiro ato de coragem seja reconhecer o que é irreparável e seguir adiante, deixando para trás o peso de um passado insustentável. Afinal, não precisamos comer a cereja amarga de um bolo que só tem gosto de desespero.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="DER SPATZ IM KAMIN (Official Trailer, Deutsch/d)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/DkK42_fjqlA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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