<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Noite no paraíso &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/noite-no-paraiso/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/noite-no-paraiso/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Sat, 31 Dec 2022 15:54:40 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Noite no paraíso &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/noite-no-paraiso/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Em Noite no paraíso, a vida se celebra na genuinidade do existir</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/noite-no-paraiso-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/noite-no-paraiso-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Dec 2022 19:29:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Jamily Rigonatto]]></category>
		<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Lucia Berlin]]></category>
		<category><![CDATA[Manual da faxineira]]></category>
		<category><![CDATA[Noite no paraíso]]></category>
		<category><![CDATA[Noite no paraíso: Mais Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Parceria Cia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Parceria Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Segunda Guerra Mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Sonia Moreira]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=29552</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Ela foi embora. Eu me deitei na terra úmida. Estava cansada. Só queria ficar ali deitada, para sempre, e não fazer absolutamente nada.” Jamily Rigonatto&#160; Algumas palavras são capazes de encantar com a sonoridade aconchegante que têm, às vezes – se você souber usá-las – pode transformar o mundo real, cheio de sua concretude bruta, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/noite-no-paraiso-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Noite no paraíso, a vida se celebra na genuinidade do existir"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/noite-no-paraiso-critica/">Em Noite no paraíso, a vida se celebra na genuinidade do existir</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29559" aria-describedby="caption-attachment-29559" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/noitenoparaiso_wordpress.jpg" class="size-full wp-image-29559" alt="" width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/noitenoparaiso_wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/noitenoparaiso_wordpress-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/noitenoparaiso_wordpress-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29559" class="wp-caption-text">Recebido do Persona na parceria da Companhia das Letras, Noite no paraíso: Mais contos reafirma o senso de humor da contista Lucia Berlin (Foto: Companhia das Letras/Arte: Ana Clara Abbate)</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400">“Ela foi embora. Eu me deitei na terra úmida. Estava cansada. Só queria ficar ali deitada, para sempre, e não fazer absolutamente nada.”</span></p>
</blockquote>
<p><b>Jamily Rigonatto&nbsp;</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Algumas palavras são capazes de encantar com a sonoridade aconchegante que têm, </span>às<span style="font-weight: 400"> vezes – se você souber usá-las – pode transformar o mundo real, cheio de sua concretude bruta, em algo curioso e burlesco. É assim que Lucia Berlin desenvolve os vocábulos em </span><span style="font-weight: 400"><i>Noite no paraíso: Mais contos</i></span><span style="font-weight: 400">, livro publicado pela </span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/">Companhia das Letras</a></i></span><span style="font-weight: 400"> em Agosto de 2022. No texto, a autora explora os aspectos da vida sob seu olhar singular e lança luz à vida – mesmo quando esta parece encoberta por trevas inebriantes.&nbsp;</span></p>
<p><span id="more-29552"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Os personagens de </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.publico.pt/2016/04/04/culturaipsilon/noticia/quem-e-lucia-berlin-uma-autora-que-nao-mente-1727426">Lucia</a></span><span style="font-weight: 400"> são plurais, mas visivelmente retirados de contextos reais dos quais ela fez parte. Em sua jornada de 68 anos, iniciados em 1936 e terminados em 2004, a escritora estadunidense, nascida no Alasca, repousou suas vivências no Chile, México e Estados Unidos, o que fica marcado em cada uma das grafias de suas obras. Além de passar por vários lugares, ser mãe de três filhos, ter três casamentos mal sucedidos, uma leva de empregos diversos e ainda lutar contra o alcoolismo, fazem seu olhar sobre o mundo transgredir a linha do comum.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Noite no paraíso</i></span><span style="font-weight: 400">, assim como </span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/27/cultura/1448651122_702487.html">Manual da faxineira</a></i></span><span style="font-weight: 400"> – que ganhou sua versão no Brasil em 2013 – foi publicado postumamente. Em tons irreverentes e sinceros a sua forma, o texto extrai de pessoas comuns uma individualidade apaixonante. A tradução de Sonia Moreira reafirma os aspectos boleados da linguagem e transfigura as possibilidades alvoroçadas do inglês para o português com excelência.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400">“Anos depois às vezes você olha para trás e diz que aquele foi o começo de… ou nós estávamos tão felizes na época… antes… depois… Ou você pensa eu vou ficar feliz quando… assim que conseguir… se nós…”&nbsp;</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400">Caso pessoas comuns possam – e podem – protagonizar momentos em que a singularidade encontra o acaso, Berlin constata isso com uma força ímpar. Desde garotinhas vendendo rifas a uma moça visitando pontos turísticos de Paris, tudo tem fundo em rebuliços internos ou externos. A diferenciação entre a obra e a escrita de outros cronistas e </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/as-convidadas-critica/">contistas</a></span><span style="font-weight: 400"> é que tudo é construído de maneira suave, como se mesmo o dramático estivesse em completo consentimento com as personalidades plurais.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Muito do </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.blogdacompanhia.com.br/conteudos/visualizar/Lucia-Berlin-Quando-a-historia-precisa-ser-ela-mesma87">contexto social</a></span><span style="font-weight: 400"> e político compõem as significações desses cenários, como os reflexos da Segunda Guerra Mundial desenrolando-se nos contos em que Lucha é protagonista e vive no Texas. Mesmo que de forma indireta, os elementos conseguem denunciar o contexto histórico nas narrativas sem deixar as datas explícitas. Ao fundo dos enredos centrais, existem pedaços do espaço geográfico e temporal em que as cenas ocorrem enquanto envolvem as interações entre imigrantes, a diferença econômica nos bairros centrais e os reflexos coloniais. Esse aspecto se mostra em detalhes como o programa passando na televisão, os soldados morando nas extremidades da cidade ou as mulheres de chapéu na alta sociedade.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Para além das circunstâncias, preconceitos e discriminação são expostos de forma clara. Isso é feito com total naturalidade, já que os absurdos se inserem com o peso de uma pena caindo de um prédio. Quando aborda essas ocorrências, Lucia sempre trata de introduzir um comentário </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/a-pediatra-critica/">ácido</a></span><span style="font-weight: 400"> ou uma atitude desaforada em algum dos sujeitos para desviar ao equilíbrio que mantém a leitura fluida e bem-humorada.&nbsp;</span></p>
<figure id="attachment_29554" aria-describedby="caption-attachment-29554" style="width: 434px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-9.jpg" class="size-full wp-image-29554" alt="Foto da autora Lucia Berlin. A escritora é uma mulher branca de cabelos curtos castanhos. Ela tem olhos claros e usa uma franja na testa. Seu rosto está voltado para frente e a foto é em preto e branco." width="434" height="650"><figcaption id="caption-attachment-29554" class="wp-caption-text">Lucia Berlin é considerada uma das maiores contistas de língua inglesa (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">No </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/a-estrutura-da-bolha-de-sabao-critica/">conto</a></span><span style="font-weight: 400"> que dá nome ao livro se encontram os contrapontos. Ali, com celebridades na mesa de um bar e discussões acaloradas, as coisas se tornam mais próximas da extravagância. Entre alcoólicos e ilícitos, diversão e melancolia se misturam para expor fragilidades nas figuras de Elizabeth Taylor, Richard Burton e Ava Gardner. O mistério da contradição em afetos e desafetos, fins e recomeços, sobriedade e embriaguez.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Apesar de espelhada nos personagens, </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://lithub.com/lucia-berlin-writing-advice-and-more-in-this-never-before-published-interview/">Berlin</a></span><span style="font-weight: 400"> é praticamente a protagonista fixa da coletânea. Sua existência ubíqua controla as margens e linhas acessadas em cada uma das histórias, trazendo para a ponta do lápis o que esteve em sua essência. Sem precisar de linearidade ou ligação entre os contos, a autora faz do pífio um espectro da fascinação: ato de existir modulado por uma unicidade deslumbrante.&nbsp;&nbsp;</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400">“A cidade inteira estava louca pra ver quem era a pobre da trouxa que tinha comprado a casa. Era impossível não ficar com pena dela, apesar de a entrada ter sido só mil dólares. Claro que ela estaria rica agora se tivesse ficado com a propriedade. Qualquer um podia ter dito que a bomba estava nas últimas, avisando dos cupins da fiação. Mas nunca passou pela cabeça de ninguém que me telhado ia desabar. Era um telhado bom a beça.”</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400">A leitura de </span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.google.com/aclk?sa=l&#038;ai=DChcSEwjvorXbsYj8AhUC7pEKHYyLCdIYABAIGgJjZQ&#038;sig=AOD64_32G6GUunytcR8FFqDpdHW0O2za-g&#038;ctype=5&#038;q=&#038;ved=2ahUKEwjKq67bsYj8AhX1uJUCHcpdAVMQ9aACKAB6BAgGEBc&#038;adurl=">Noite no paraíso</a></i></span><span style="font-weight: 400">: </span><span style="font-weight: 400"><i>Mais Contos </i></span><span style="font-weight: 400">poderia ser definida como um afago misturado a uma sacada irônica. Quase como aquela amiga que a gente ama, mas sempre tem verdades demais para nos dizer. Aqui isso se amplifica na voz da autora, fazendo da sinceridade um universo particular. Tudo se encaixa de forma cristalina e cria narrativas – que têm fundo autobiográfico ou não – absolutamente reais.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Ler Lucia Berlin é simplesmente literal. Através de palavras muito características, o texto tem a face da escritora: franca e excepcional. Sua consagração pela crítica é tão conveniente quanto um par de patins para duas meninas explorarem caminhos curiosos em </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/notturno-critica/">1943</a></span><span style="font-weight: 400">. No viés da autenticidade, a contista dizia que o que importa é a história. Sinceramente, vale a pena ser uma observadora desta.&nbsp;</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/noite-no-paraiso-critica/">Em Noite no paraíso, a vida se celebra na genuinidade do existir</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/noite-no-paraiso-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">29552</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
