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	<title>Arquivos Nina Hoss &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Na tentativa de criar uma melodia, o canto de Cigarras se torna um ruído maçante </title>
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		<pubDate>Thu, 30 Oct 2025 21:36:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Victor Hugo Aguila O preço a ser pago pelo empenho de salvar o mundo, às vezes, é a própria sanidade. Ao integrar a seleção de Perspectiva Internacional da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Cigarras apresenta Isabell, uma mulher responsável pelo cuidado dos pais idosos enquanto tenta salvar seu casamento em crise. Em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/na-tentativa-de-criar-uma-melodia-o-canto-de-cigarras-se-torna-um-ruido-macante/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Na tentativa de criar uma melodia, o canto de Cigarras se torna um ruído maçante "</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36070" aria-describedby="caption-attachment-36070" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-36070" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-13.png" alt="Na imagem, há duas mulheres brancas de perfil encarando o horizonte. Ambas possuem os olhos e cabelos claros. A mulher ao centro da imagem está vestindo uma camisa escura e brincos de argolas dourados. Ao fundo, é possível ver vegetações desfocadas na cor verde. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-13.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-13-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36070" class="wp-caption-text">O olhar absorto de Isabell transmite o trabalho genial de Nina Hoss diante das câmeras (Foto: Lupa Film)</figcaption></figure>
<p><b>Victor Hugo Aguila</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O preço a ser pago pelo empenho de salvar o mundo, às vezes, é a própria </span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-critica/"><span style="font-weight: 400;">sanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao integrar a seleção de Perspectiva Internacional da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://mostra.org/filmes/cigarras"><i><span style="font-weight: 400;">Cigarras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta Isabell, uma mulher responsável pelo cuidado dos pais idosos enquanto tenta salvar seu casamento em crise. Em meio ao caos, ela conhece Anja, uma mãe solo que tenta arduamente sobreviver em uma realidade precária. Com uma fotografia (Judith Kaufmann) característica do Cinema europeu – com tons frios bem marcados e o uso narrativo da paisagem – o roteiro (Ina Weisse) previsível torna o longa um forte ponto de desvio da atenção. </span></p>
<p><span id="more-36068"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De maneira perspicaz, o filme mostra as semelhanças entre a </span><a href="https://personaunesp.com.br/boyhood-da-infancia-a-juventude-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">infância</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a velhice. Aspectos como cuidado, preocupação e cansaço tornam Anja (</span><span style="font-weight: 400;">Saskia Rosendahl)</span> <span style="font-weight: 400;">e Isabell (</span><span style="font-weight: 400;">Nina Hoss)</span><span style="font-weight: 400;"> familiares para além do contato, uma vez que ambas são acometidas pela responsabilidade com alguém que, de certa forma, depende delas. Na intimidade, elas criam um vínculo afetivo que, mesmo sendo explorado de maneira rasa, consegue transmitir ao espectador a angústia constante em que se encontram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um elemento primordial a ser analisado é a presença de Greta (Greta), filha da Anja. A criança, além de ser uma lembrança constante da insegurança de sua </span><a href="https://personaunesp.com.br/melhor-atriz-maes-oscar-2022/"><span style="font-weight: 400;">mãe</span></a><span style="font-weight: 400;">, em relação ao seu desempenho no âmbito da maternidade – principalmente após a menina desenvolver uma ligação com Isabell – representa também a instabilidade emocional de ambas as mulheres. Agitada, sem reconhecer limites e bagunçando o ambiente, a garota evidencia o descontrole que circunda a obra e como esse efeito caótico frustra não apenas as relações familiares, como também outros aspectos da vida humana.</span></p>
<figure id="attachment_36071" aria-describedby="caption-attachment-36071" style="width: 580px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36071" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-15.png" alt="Na imagem, há um homem e uma mulher abraçados. O rosto dela está escondido no ombro dele. A mulher possui cabelos loiros e o homem possui cabelo e barba castanhos. Ele está vestindo um moletom cinza e, em seu rosto, há uma expressão de tristeza. Ao fundo, é possível ver a luz de uma janela. " width="580" height="326" /><figcaption id="caption-attachment-36071" class="wp-caption-text">A relação de Philippe e Isabell representa vividamente o constante sentimento de perda das personagens (Foto: Lupa Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa perspectiva, um dos motivos principais da ruína do casamento da protagonista com Philippe (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WvoJfIKUBZs"><span style="font-weight: 400;">Vincent Macaigne</span></a><span style="font-weight: 400;">) é o nascimento de seu filho natimorto. Devido ao peso do luto de ambos, a relação se desgasta ao longo do tempo, culminando no afastamento e na dissolução desse relacionamento. Dessa forma, torna-se claro o início de um novo processo de enfrentamento da perda para Isabell, que, após a morte de seu bebê, deve lidar com um novo óbito: seu papel enquanto esposa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do longa apresentar os vínculos afetivos, um fator interessante é o distanciamento </span><a href="https://personaunesp.com.br/aftersun-critica/"><span style="font-weight: 400;">emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> da personagem com seu pai idoso, Mr. Rolf (Rolf Weisse). Após viver em busca da aprovação paterna, é apresentado o abismo entre essas duas individualidades. Por conta da perda de autonomia causada pelo acidente vascular cerebral, é notável a frustração do genitor em não conseguir executar tarefas simples – como na cena em que não é capaz de escrever devido à tremedeira. Nesse cenário, Anja mostra pela primeira vez sua identidade, algo pouco perceptível no filme, seja devido a atuação </span><i><span style="font-weight: 400;">blasé </span></i><span style="font-weight: 400;">da atriz, ou pela falta de profundidade do papel. Assim, ela consegue empaticamente enxergar o pai de Isabell para além de uma função a ser cumprida, entendendo suas limitações e como estas impactam sua existência. </span></p>
<figure id="attachment_36069" aria-describedby="caption-attachment-36069" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36069" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-15-800x449.png" alt="Na imagem, há uma criança caminhando. Ela possui pele branca e está vestindo um vestido amarelo, botas azuis e o cabelo castanho solto. Ao fundo, é possível ver a vegetação em tons verdes e um tronco de árvore em um tom acinzentado. " width="800" height="449" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-15-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-15-768x431.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-15.png 973w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36069" class="wp-caption-text"><br />A perspectiva infantil da liberdade torna Greta um dos elementos mais emblemáticos do longa (Foto: Lupa Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas construções das cenas, o enredo é constantemente salvo pela atuação da protagonista. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MteQO0jfk_A"><span style="font-weight: 400;">Nina Hoss</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostra seu talento ao incorporar brilhantemente a personagem em seu estado emocional mais delicado. Com o apoio da caracterização, é perceptível a entrega da atriz nos momentos de vulnerabilidade, tornando impossível ignorar sua presença ao adentrar o ambiente cenográfico. A alemã eleva o nível de uma produção cansativa, se destacando na arte cinematográfica internacional, algo antes já visto no drama </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Tár</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022), ao lado de Cate Blanchett. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao testemunhar </span><i><span style="font-weight: 400;">Cigarras</span></i><span style="font-weight: 400;">, é disparado um instinto primitivo de fuga, uma vez que o roteiro demorado torna a experiência </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-a-missao-pet/"><span style="font-weight: 400;">entediante</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda que o Cinema internacional seja composto por diversas obras geniais, o longa se encontra na contramão dessa tendência, criando um movimento de cansaço em quem tenha a oportunidade de assisti-lo. Mesmo com cores agradáveis aos sentidos, os elementos visuais não são suficientes para sustentar a produção, não por conta de sua profundidade, mas por sua pretensão ser tão líquida que escapa pelos dedos do espectador. Na tentativa de se tornar memorável, o trabalho de Ina Weisse garante que a única lembrança palpável seja entender sua possibilidade de cair no esquecimento. </span></p>
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		<title>Minha Irmã para o mundo</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Nov 2020 15:17:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra Uma verdade doída é experienciada em momentos de dor e luto: quando uma tragédia acontece, o mundo não para. A vida tem que continuar, o trabalho não espera, as responsabilidades e compromissos até podem ser momentaneamente adiadas, mas o buraco no peito é permanente e hora ou outra ele virá à tona. Aí, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/minha-irma-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Minha Irmã para o mundo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16326" aria-describedby="caption-attachment-16326" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16326" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/filmstarts.de-2.jpg" alt="" width="1600" height="898" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/filmstarts.de-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/filmstarts.de-2-300x168.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/filmstarts.de-2-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/filmstarts.de-2-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/filmstarts.de-2-1536x862.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/filmstarts.de-2-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16326" class="wp-caption-text">A produção, pré-selecionada para representar a Suíça no Oscar 2021, é parte da seção Perspectiva Internacional da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Raquel Dutra</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma verdade doída é experienciada em momentos de dor e luto: quando uma tragédia acontece, o mundo não para. A vida tem que continuar, o trabalho não espera, as responsabilidades e compromissos até podem ser momentaneamente adiadas, mas o buraco no peito é permanente e hora ou outra ele virá à tona. Aí, não tem muito o que fazer a não ser ceder ao choro no final do dia enquanto você só tenta não desabar no transporte público antes de chegar em casa. Mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Minha Irmã </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Schwesterlein</span></i><span style="font-weight: 400;">), um dos dramas familiares exibidos na 44ª <a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">Mostra Internacional</a> de Cinema em São Paulo, usa seu cenário privilegiado para subverter essa experiência quase universal. Colocando todas as outras situações em segundo plano, o filme se debruça unicamente sobre a relação de dois irmãos abalados por um câncer, fisica, emocional e psicologicamente, direta ou indiretamente, cada um à sua maneira.</span></p>
<p><span id="more-16325"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lisa (Nina Hoss) e Sven (Lars Eidinger) são gêmeos berlinenses nascidos e criados no teatro. Ela é uma dramaturga que já viveu o auge de sua carreira e agora trabalha como professora num internato de alto nível na Suíça, onde seu marido Martin (Jens Albinus) é diretor. </span><span style="font-weight: 400;">Dois minutos antes dela a mãe Kathy (Marthe Keller) deu à luz a Sven, o sucesso dos teatros de Berlim que atravessa uma grave leucemia. A relação profunda deles é ligada com os palcos: além do falecido pai ser uma figura importante no teatro político da cidade, uma das peças de maior sucesso de Lisa foi também o pontapé inicial da carreira de Sven, que empregou toda sua genialidade na vida de um dos personagens escritos pela irmã. Ela sonha em retornar ao cenário artístico de Berlim, onde o irmão ainda brilha, mas têm o desejo adiado pela vida confortável que tem ao lado de seus filhos e marido na cidade suíça. </span></p>
<figure id="attachment_16327" aria-describedby="caption-attachment-16327" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16327" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/186862-swissfilms-1-betacinema-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/186862-swissfilms-1-betacinema-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/186862-swissfilms-1-betacinema-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/186862-swissfilms-1-betacinema-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/186862-swissfilms-1-betacinema-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/186862-swissfilms-1-betacinema-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/186862-swissfilms-1-betacinema-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/186862-swissfilms-1-betacinema-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16327" class="wp-caption-text">O filme também foi selecionado para concorrer ao Urso de Ouro, maior prêmio do Festival de Cinema de Berlim (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de passar por um transplante, Sven está debilitado como nunca. A mãe, em Berlim, diz não suportar vê-lo naquela situação e não tem o mínimo de preparo ou estabilidade emocional para atender os cuidados que o filho precisa, então Lisa leva o irmão a contragosto para sua casa. Lá, o roteiro e direção de Stéphanie Chuat e Véronique Reymonda começam a mostrar as consequências da decisão de Lisa de colocar o irmão acima de todas as outras coisas, que recaem tanto na vida pessoal da personagem, quanto na condução do filme. A dramaturga tenta conter rachaduras no casamento, encara muito perto a relação difícil que tem com a mãe e esbarra em seus sonhos frustrados, mas nenhum dos aspectos é tema pro filme. Todo o tempo da vida e de tela dela são dedicados a sua relação com o irmão, e o máximo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Minha Irmã </span></i><span style="font-weight: 400;">permite para que Nina Hoss trabalhe a individualidade de sua personagem é uma exaustiva e constante transpiração de tristeza, desespero, preocupação e frustração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com Sven as coisas são mais fáceis. Sem tirar o mérito de Lars Eidinger, que não veste nenhum clichê melodramático, a condição de sua personagem é propícia para a nossa empatia. Irradiando uma energia caótica, divertida e teimosa é que Eidinger expressa a tristeza do ator em se ver longe do que ama e sem perspectiva de melhora. Como alguém que recusa os diagnósticos ao mesmo tempo em que se sente diminuído pela seriedade deles, Sven vive loucamente o quanto sua energia e seu corpo prejudicado pelos tratamentos invasivos permitem. A intimidade dele nem precisa ser descascada porque a irmã já conduz tudo. Relacionamentos, trabalho, a própria doença… a  dimensão física das dores de Sven são únicas dele, mas todas outras são divididas com Lisa e ao mesmo tempo são sentidas em dobro, já que ela também toma todas elas. </span></p>
<figure id="attachment_16329" aria-describedby="caption-attachment-16329" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16329" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/filmstarts.de-1.jpg" alt="" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/filmstarts.de-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/filmstarts.de-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/filmstarts.de-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/filmstarts.de-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/filmstarts.de-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/filmstarts.de-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16329" class="wp-caption-text">A dupla responsável pela direção e pelo roteiro de Minha Irmã também representou a Suíça no Oscar de 2011, com The Little Bedroom (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse sufocamento incômodo das angústias de Lisa soa intencional. Talvez o objetivo das diretoras com a protagonista seja justamente escancarar a situação de mulheres que atendem às necessidades de todos ao redor mas que nunca têm as suas atendidas, nem por si mesmas. Seja adiando seus sonhos, seja com o marido que toma decisões importantíssimas que dizem respeito à família sem considerar sua opinião, Lisa é a personagem principal mas também é a coadjuvante das circunstâncias e de seu irmão (idolatrado pela mãe que, em contrapartida, não mede as palavras na hora de criticar o trabalho da filha). Mais uma vez, a dinâmica da personagem de Hoss ressoa tanto dentro da trama quanto na estrutura do filme. Ela está em tudo, mas verdadeiramente não está em nada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Sven tem outra piora significativa, a irmã, pensando em seu bem-estar, decide levá-lo de volta a Berlim e mesmo criando mais conflitos em seu casamento, permanece na cidade com ele. Ali, inicia-se um desenvolvimento em sua individualidade, quando ela começa a escrever uma peça para o irmão, já em situação terminal. No cenário quente e aconchegante da capital alemã capturada pela fotografia de Filip Zumbrunn, as emoções à flor da pele de Lisa desencadeiam um processo criativo, diferente das sensações que a frieza ofuscante dos alpes suíços despertavam nela (e em nós). </span></p>
<figure id="attachment_16330" aria-describedby="caption-attachment-16330" style="width: 1511px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16330" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lagrima.png" alt="" width="1511" height="813" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lagrima.png 1511w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lagrima-300x161.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lagrima-1024x551.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lagrima-768x413.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lagrima-1200x646.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16330" class="wp-caption-text">A câmera próxima e trêmula divide conosco a sobrecarga emocional da protagonista de uma forma muito íntima, mesmo que o texto não siga nessa mesma direção (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O fim do filme é, na verdade, um recomeço para Lisa, que enxergou a fragilidade da vida de perto, mas ao mesmo tempo, também tomou conhecimento de seu valor como ninguém mais ali seria capaz de compreender. Através dela, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minha Irmã</span></i><span style="font-weight: 400;"> relembra</span> <span style="font-weight: 400;">que às vezes nem todos os sacrifícios possíveis são suficientes, e isso não quer dizer que eles sejam em vão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a um cenário privilegiado, referências cruas à Shakespeare, irmãos Grimm, Bertold Brecht e Chopin (características bem do jeitinho do <a href="https://variety.com/2020/film/news/academy-awards-my-little-sister-international-feature-film-oscar-1234752150/">Oscar</a>) e personagens sem aprofundamento, é difícil se relacionar com o filme como um todo. Mas Lisa, com todo o cuidado e amor incondicional que tem pelo irmão em meio a um caos emocional, é capaz de retratar realmente o que </span><span style="font-weight: 400;">todos nós queremos dizer e como queremos agir quando em situações como a dela, especialmente em um ano tão impiedoso quanto 2020. Naquele momento, </span><span style="font-weight: 400;">o mundo ao redor simplesmente não importa. Se exteriormente ele não puder parar, interiormente, nós paramos. E lidemos com as consequências disso.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="My Little Sister - Official Trailer" src="https://player.vimeo.com/video/434004271?dnt=1&amp;app_id=122963" width="840" height="473" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write"></iframe></div>
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