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	<title>Arquivos Niilismo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo realmente é o que diz ser</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Feb 2023 19:35:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Quanto vale entrar para a História? Quanto vale não ser esquecido jamais? Indo além, na questão cinematográfica, quanto vale fazer parte da História, seja como idealizador ou como mero telespectador? Não faltam exemplos em que essa visão não foi estimulada, como em Blade Runner (1982), The Rocky Horror Picture Show (1975) ou, até &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo realmente é o que diz ser"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29706" aria-describedby="caption-attachment-29706" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-29706 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-1-800x419.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela, vemos Evelyn, interpretada por Michelle Yeoh. Ela é uma mulher asiática de meia idade e de cabelos pretos. Evelyn veste uma camisa florida e um colete vermelho. A câmera dá um close em seu rosto, onde há um sangramento no nariz e um corte do lado esquerdo de seu rosto, que também sangra. Há um googly eye, um olho típico de bonecos de pelúcia colado em sua testa. Ao fundo e desfocado, há uma repartição pública" width="800" height="419" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-1-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-1-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-1-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-1.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29706" class="wp-caption-text">Sendo a maior bilheteria do estúdio, Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo foi o responsável por fazer a produtora furar a bolha de vez (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WEoSlBUC4rI&amp;ab_channel=BigBrotherBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Quanto vale entrar para a História?</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> Quanto vale não ser esquecido jamais?</span></i><span style="font-weight: 400;"> Indo além, na questão cinematográfica, quanto vale fazer parte da História, seja como idealizador ou como mero telespectador? Não faltam exemplos em que essa visão não foi estimulada, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner </span></i><span style="font-weight: 400;">(1982), </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-rocky-horror-picture-show-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1975) ou, até mesmo, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Room </span></i><span style="font-weight: 400;">(2003) &#8211; obras injustiçadas ou que deram a volta em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rEx5q5AOFkc"><span style="font-weight: 400;">sua própria ruindade</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas, a princípio, foram incompreendidas. Essa poderia ser a sina de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kULcXm9V7aY"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, longa lançado em Março mas que só chegou ao Brasil em Junho. Porém, tivemos a sorte de ver a História sendo (re)escrita no Cinema.</span></p>
<p><span id="more-29705"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Daniel Scheinert e Daniel Kwan, carinhosamente conhecidos como Os Daniels, já mostraram ser um ponto fora da curva com o excelente </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Cadáver para Sobreviver </span></i><span style="font-weight: 400;">(2016), mas foi com a obra mais recente &#8211; a segunda na filmografia da dupla &#8211; que eles consolidaram esse selo na Sétima Arte. Mais uma vez usando do absurdo &#8211; vale lembrar que são eles por trás do clipe do excêntrico fenômeno </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HMUDVMiITOU&amp;ab_channel=DJSnakeVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Turn Down for What</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; para tratar das relações humanas, os diretores fazem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Everything Everywhere All at Once</span></i><span style="font-weight: 400;">, em qualquer realidade possível, o filme de 2022.</span></p>
<figure id="attachment_29707" aria-describedby="caption-attachment-29707" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29707 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-800x533.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela, vemos, da esquerda para a direita, os personagens de Joy, uma jovem asiática de cabelos pretos, Waymond, um homem de meia idade asiático, Evelyn, uma mulher de meia idade asiática e Gong Gong, um idoso asiático. Joy veste um moletom preto e uma calça jeans enquanto está apoiada com os braços em uma cadeira de escritório. Waymond está sentado na cadeira que Joy apoia e está vestindo uma camisa polo verde clara de mangas compridas. Evelyn está sentada ao lado de Waymond e veste uma camisa florida azul clara e um casaco roxo. Gong Gong está ao lado de Evelyn em sua cadeira de rodas, veste uma camisa bege claro, um colete verde escuro, um sobretudo e uma boina marrons. Todos estão de frente para uma mesa de escritório repleta de papéis bagunçados, olhando para a personagem Deidre, uma mulher idosa de camisa amarela florida manga curta, uma munhequeira na mão esquerda e uma caneta na mão direita. Ao fundo, um ambiente de repartição pública." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29707" class="wp-caption-text">Apesar da estética de blockbuster, o filme custou apenas 25 milhões de dólares (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contando a história de uma imigrante chinesa dona de uma lavanderia que, após ter problemas com a Receita Federal Americana, tem acesso ao multiverso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">é um filme de percepções. Isso já começa com seu elenco de atores principais. Tanto Michelle Yeoh como Ke Huy Quan tinham uma perspectiva estabelecida no imaginário ocidental: ela, por ser uma exímia artista marcial, que teve seu ápice em </span><a href="https://www.cinemaemcena.com.br/Critica/Filme/6990/o-tigre-e-o-dragao"><i><span style="font-weight: 400;">O Tigre e o Dragão</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2000), e ele, sendo uma criança carismática em </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Goonies </span></i><span style="font-weight: 400;">(1985) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Indiana Jones: No Templo da Perdição </span></i><span style="font-weight: 400;">(1984). Aqui, além de entregar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QYw6i6MjZuA&amp;ab_channel=TheView"><span style="font-weight: 400;">papel da vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ambos, o longa também traz uma tocante e subversiva nova visão sobre esses profissionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe de ser uma cagação de regra, essa obra é do tipo que precisa ser vista mais de uma vez, justamente pela sua proposta de trabalhar nossa percepção de formas diferentes. Mais do que um filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma experiência. Você pode ir a diversos jogos de futebol ou </span><a href="https://personaunesp.com.br/primavera-sound-critica/"><span style="font-weight: 400;">festivais de música</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, ainda assim, cada um ser único. É exatamente essa a sensação que o longa provoca a cada </span><i><span style="font-weight: 400;">replay</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29708" aria-describedby="caption-attachment-29708" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29708 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-800x450.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela, vemos o personagem Waymond, interpretado por Ke Huy Quan, um homem asiático de meia idade com cabelos pretos curtos. Ele veste uma camisa pólo de manga curta na cor verde, onde são intercaladas partes lisas e artes com listras brancas, uma calça cargo bege e uma pochete de couro marrom. Ele estica o braço direito para trás, que segura um pedaço de papel, enquanto olha para o mesmo. Em sua orelha, há um fone com um pequeno microfone integrado. Ao fundo, divisórias de uma repartição." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29708" class="wp-caption-text">A obra conta com Joe e Anthony Russo na produção, responsáveis por darem os primeiros lampejos de multiverso no Universo Cinematográfico Marvel (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fica até difícil definir </span><i><span style="font-weight: 400;">Everything Everywhere All At Once</span></i><span style="font-weight: 400;"> em um gênero específico, pois, fazendo jus ao ‘tudo’ em seu título, a obra realmente se propõe a ser essa bagunça organizada. Do drama à comédia, do </span><i><span style="font-weight: 400;">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400;"> às artes marciais, o longa tem sucesso em tudo o que explora. A produção sabe trabalhar em cima de sua </span><a href="https://screenrant.com/everything-everywhere-all-at-once-movie-genres-sci-fi-action-comedy/#comedy"><span style="font-weight: 400;">miscelânea de estilos</span></a><span style="font-weight: 400;">, não só os cinematográficos, mas também em suas formas de filmagem, conduzidas por Larkin Spike, na edição de Paul Rodgers e na montagem e composição de Jason Kisvarday, a fim de criar uma identidade única, poucas vezes vista e quase impossível de ser retomada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os Daniels são conscientes em utilizar a junção de formatos para discorrer sobre relações familiares. Recentemente, tratar esses tipos de confrontos virou uma tônica da Sétima Arte. </span><a href="https://personaunesp.com.br/minari-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Minari: Em Busca da Felicidade</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020) e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Despedida </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019), também trazem o assunto à tona através de perspectivas de famílias asiáticas. </span><a href="https://personaunesp.com.br/aftersun-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2022) atribui uma nova ótica para a relação pai e filha de forma muito singela e que se assemelha ao tema da obra de multiverso. Porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">EEAAO</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue atribuir novas camadas à discussão. Através do absurdo, os diretores usam de um pano de fundo para tratar algo muito difícil de traduzir para as telas: a depressão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com a dupla, que também está por trás do roteiro, o texto demorou </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/movies/story/2022-04-14/everything-everywhere-all-at-once-explained-daniels-spoilers"><span style="font-weight: 400;">alguns anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> para ganhar forma, e, durante esse tempo, eles viram dois de seus principais cenários começarem a ser trabalhados na indústria: o niilismo e o multiverso. Os dois chegaram a audiência através de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rick and Morty </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013 &#8211; atualmente),</span> <span style="font-weight: 400;">enquanto o emaranhado de realidades, após ser brilhantemente abordado em </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/10/cultura/1547142320_637784.html"><i><span style="font-weight: 400;">Homem- Aranha no Aranhaverso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018), foi apropriado pelo enlatado e cheio de fórmulas Universo Cinematográfico da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém,  sendo esse ponto fora da curva em Hollywood, os idealizadores conseguiram formar seu próprio multiverso nesse universo de multiversos.</span></p>
<figure id="attachment_29709" aria-describedby="caption-attachment-29709" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29709 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4-800x450.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela, há uma enorme cadeia de montanhas que contrasta com o céu azul. No centro inferior da imagem, duas pedras redondas estão de costas para a câmera, admirando a paisagem. No centro da imagem, um pouco deslocado para a esquerda, está escrito “fuck.” em letras brancas" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29709" class="wp-caption-text">Quem poderia imaginar que uma das cenas mais emocionantes de 2022 seria protagonizada por duas pedras? (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Deixando um pouco de lado Nietzsche e suas ideias, a obra usa mais de </span><a href="https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=2527"><span style="font-weight: 400;">Albert Camus</span></a><span style="font-weight: 400;"> como base teórica, quando o francês desenvolve um novo tópico ao conceito do alemão, aliado a uma vertente teorizada por </span><a href="https://www.ebiografia.com/jean_paul_sartre/"><span style="font-weight: 400;">Jean Paul-Sartre</span></a><span style="font-weight: 400;">. O niilismo, em letras gerais, é a afirmação da falta de objetivo no existir. Já o existencialismo de Sartre, vindo de uma raiz niilista, é o questionamento do por quê e pra quê da vida, enquanto o absurdismo se trata do desprendimento do niilismo e existencialismo, através da aceitação da vida como sem um propósito estabelecido. E fica evidente a aproximação à Camus quando os diretores usam de um recurso ironicamente chamado de absurdismo cômico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Joy, interpretada por </span><a href="https://www.instagram.com/stephaniehsuofficial/"><span style="font-weight: 400;">Stephanie Hsu</span></a><span style="font-weight: 400;">, cujo o nome é uma tradução direta para alegria, é uma personificação niilista e, no momento em que suga todas suas versões e vê essa falta de propósito, perde seu nome para se tornar a vilã Jobu Tupaki. A jornada de Evelyn, de Michelle Yeoh, é justamente o existencialismo sartreano na busca por sentido para tudo aquilo através dos multiversos, enquanto a primeira versão gentil e afetuosa do Waymond de Ke Huy Quan funciona como uma espécie de absurdismo encapsulado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através disso, a escrita desenvolve um cerne emocional sólido para seus personagens que, apesar de um contexto totalmente pirado, aproxima o ser humano à frente das telas para o que está dentro dela. O próprio Camus dizia que “</span><i><span style="font-weight: 400;">A Arte não é para mim um prazer solitário. É uma maneira de comover o maior número possível de homens, oferecendo-lhes uma imagem privilegiada dos sofrimentos e alegrias comuns</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span> <span style="font-weight: 400;">Apesar da obra ter algumas poucas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=C5U-8v_NMr0&amp;ab_channel=Letterboxd"><span style="font-weight: 400;">críticas negativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> (carinhosamente, de pessoas amarguradas), qualquer pessoa, de alguma forma, se enxerga nela, seja com uma sequência em um universo onde todo ser humano tem dedos de salsicha, seja em um diálogo mudo entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UXar2tNdG34&amp;ab_channel=Hup"><span style="font-weight: 400;">duas pedras conscientes</span></a><span style="font-weight: 400;">. E que privilégio é isso.</span></p>
<figure id="attachment_29710" aria-describedby="caption-attachment-29710" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29710 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-800x450.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela, vemos a personagem Jobu Tupaki, interpretada por Stephanie Hsu, uma jovem asiática. Ela veste um macacão branco com estrelas nas mangas e detalhes de pedraria no peito. Ela também está usando uma peruca rosa. Seu movimento remete ao andar em um corredor. Na cena também, há alguns papéis coloridos caindo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29710" class="wp-caption-text">Os Daniels disseram “take five”, mas Stephanie Hsu entendeu “change lives” (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Virou o queridinho do público e da crítica? Virou! </span><a href="https://youtu.be/yy3qWktuO20?t=382"><span style="font-weight: 400;">Virou o queridinho</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas não é só do público e da crítica, é porque é bom mesmo. Em todos seus aspectos técnicos, a obra brilha. Sua montagem e edição são estupendas, evidenciadas pelo carinho de pensar em uma identidade própria para cada universo -, às vezes até mudando seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aoucLv95g3s&amp;ab_channel=CamberFilmSchool"><i><span style="font-weight: 400;">aspect ratio</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou alterando seu estilo de filmagem, indo do Cinema chinês à animação. Outro ponto a se destacar é a coreografia. O longa foi responsável por ressuscitar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=psWUuuoYMy8&amp;ab_channel=Insider"><i><span style="font-weight: 400;">wire kung-fu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e faz as cenas de luta de maneira primorosa, replicando mais uma vez a Sétima Arte chinesa, principalmente bebendo da fonte de </span><a href="https://collider.com/crouching-tiger-hidden-dragon-theater-returns/"><i><span style="font-weight: 400;">O Tigre e o Dragão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2000) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Matrix </span></i><span style="font-weight: 400;">(1999), referência clara dos idealizadores. O apreço pela arte cinematográfica oriental era tanto que o papel principal foi </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=u73k3a7NfvI&amp;ab_channel=CBSSundayMorning"><span style="font-weight: 400;">pensado para Jackie Chan</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas Yeoh, também sendo uma expoente das artes marciais, se encaixou perfeitamente na história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diretores, além de demonstrarem uma escrita criativa que tem êxito ao tratar da depressão de Joy, somada aos seus </span><a href="https://www.healthline.com/health/mommy-issues#:~:text=People%20usually%20apply%20the%20term,issues%20or%20difficulty%20showing%20vulnerability"><i><span style="font-weight: 400;">mommy issues</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> através de uma nova roupagem e ainda sim trazer uma enorme carga filosófica, mostram que conseguem manter as rédeas de uma ideia megalomaníaca. O fato de ser uma direção em dupla faz total sentido presenciando a grandiosidade que o projeto alcança em seu próprio </span><a href="https://www.themarysue.com/a24-multiverse-movie-posters-everything-everywhere-all-at-once/"><span style="font-weight: 400;">microcosmos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que somente duas mentes poderiam conceber, cada uma completando a visão criativa da outra. Por essa razão, o par também enche o longa com pequenos detalhes deliciosos de se captar, fazendo do filme um gigantesco amontoado de pequenas coisas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto de convergência da bem estruturada produção se dá na performance de seu elenco. Apesar de outras performances terem chamado mais atenção no circuito de premiações, com somente Ke Huy Quan sendo uma unanimidade como Ator Coadjuvante, o elenco principal forma a trindade da atuação em conjunto em 2022. Michelle Yeoh constrói uma Evelyn baseada em sua própria vivência, em que as várias ramificações de sua carreira a levaram até esta obra. Quan e Hsu são gratas surpresas e ficam no mesmo patamar de Yeoh. Vale lembrar também de James Hong (</span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/84223/aventureiros-do-bairro-proibido-os-1986-84223/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Aventureiros do Bairro Proibido</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Jamie Lee Curtis (</span><a href="https://personaunesp.com.br/halloween-2018-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) que constroem personas incríveis para estereótipos até que monótonos.</span></p>
<figure id="attachment_29711" aria-describedby="caption-attachment-29711" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29711 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-6.gif" alt="GIF de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nele, há várias versões de Evelyn que se alteram em uma edição rápida, incluindo uma com uma máscara de gás, uma com uma máscara branca que tampa somente a parte dos olhos, uma que segura uma espécie de led nas costas e uma que é um espectro no meio da noite estrelada" width="500" height="281" /><figcaption id="caption-attachment-29711" class="wp-caption-text">A obra é uma ode visual e rendeu as melhores cenas do ano (GIF: A24)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo sendo lançado somente em Março &#8211; o que, do ponto de vista das premiações, é uma data inoportuna -, vem fazendo a rapa na temporada. São incontáveis as nomeações e as premiações que o longa levou. Dentre as mais célebres, estão as vitórias no </span><a href="https://awards.thegotham.org/"><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, prêmio do cinema independente, e do </span><a href="https://www.criticschoice.com/2023/01/15/the-winners-of-the-28th-annual-critics-choice-awards/"><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Award</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nas duas premiações, a produção levou os troféus de Melhor Filme. Sem contar os vários troféus espalhados entre os diretores, Yeoh e Quan nos incontáveis sindicatos e festivais, o que faz que o termômetro dessa obra para o careca dourado</span> <span style="font-weight: 400;">quase ferva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Considerando somente as indicações à 95ª edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">deste universo, que foram </span><a href="https://variety.com/2023/film/news/oscar-nominations-2023-list-1235495072/"><span style="font-weight: 400;">anunciadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 24 de janeiro, o longa assume a dianteira da corrida, acumulando onze nomeações. Algumas categorias são um pouco mais acirradas, como Melhor Atriz Coadjuvante, que, apesar da comemorada lembrança de Stephanie Hsu, vai ter seus votos divididos entre os votantes com Jamie Lee Curtis. O páreo também é duro em Melhor Atriz, categoria na qual Michelle Yeoh disputará com a imponente Cate Blanchett por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=neMq6nhR2xM"><i><span style="font-weight: 400;">Tár</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A situação é um pouco mais tranquila em Melhor Ator Coadjuvante, que sempre teve Ke Huy Quan como favorito; Melhor Diretor</span> <span style="font-weight: 400;">para Os Daniels; e Melhor Filme. Neste último, porém, por mais que tenha um enorme apelo, terá que lidar com o </span><a href="https://www.exibidor.com.br/artigo/386-em-guinada-conservadora-oscar-2022-premia-o-agua-com-acucar-no-ritmo-do-coracao"><span style="font-weight: 400;">conservadorismo da Academia</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29712" aria-describedby="caption-attachment-29712" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29712 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7-800x450.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela vemos Waymond de outro universo. Um homem asiático de meia idade, com cabelos penteados. Ele veste um terno preto e uma camisa branca acompanhada de uma gravata preta, além de um óculos na cor preta. Ele olha para a esquerda enquanto se vira como se estivesse partindo. A cena tem uma fotografia esverdeada." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29712" class="wp-caption-text">Após indicações ao Oscar, o filme retornou às salas de cinema americanas e brasileiras (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tudo </span></i><span style="font-weight: 400;">que a obra se desafia a explorar alcança o êxito com maestria. O longa surpreende até a mais cética das audiências, que foi acostumada com tramas frenéticas ao passar dos anos. O filme abraça o caos e beira a anarquia, em uma abdicação das amarras do Cinema e, mesmo se inserindo em uma </span><a href="https://gshow.globo.com/podcast/cena-aberta/noticia/multiverso-e-o-assunto-da-vez-por-que-tantos-filmes-e-series-tem-abordado-a-tematica.ghtml"><span style="font-weight: 400;">moda recorrente</span></a><span style="font-weight: 400;"> na indústria, cria uma fórmula própria e extremamente difícil de ser replicada, se colocando no panteão do multiverso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Todo Lugar </span></i><span style="font-weight: 400;">que você olha durante sua exibição do longa, este se preenche e se completa. Seja pelo espetáculo visual criado pela coreografia de Timothy Eulich, pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3ClP6gaXjio&amp;ab_channel=SilverScreens"><span style="font-weight: 400;">fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Spike, a edição de Rogers e a montagem de Kisvarday; pelo texto afiado em discorrer ansiedades modernas ou nas conscientes atuações de seu elenco. O conjunto de acertos converge em uma catarse propositalmente galhofa e tira da obra o </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> de filme para atribuir o de evento cinematográfico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao</span><i><span style="font-weight: 400;"> Mesmo Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">em que é uma carta de amor ao Cinema, homenageando </span><i><span style="font-weight: 400;">2001: Uma Odisséia no Espaço </span></i><span style="font-weight: 400;">(1968), </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/wong-kar-wai"><span style="font-weight: 400;">Wong Kar-Wai</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kill Bill </span></i><span style="font-weight: 400;">(2003) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Ratatouille </span></i><span style="font-weight: 400;">(2007), a obra também é uma declaração para nós mesmos. Esta coloca um ponto final na pergunta de um milhão de reais do ‘</span><a href="https://personaunesp.com.br/what-if-critica/"><span style="font-weight: 400;">E se</span></a><span style="font-weight: 400;">?’ ao responder que são esses pontos de inflexão em nossas vidas onde essa indagação é feita que fizeram quem somos hoje. Ainda assim, sobra espaço para nos lembrar o porquê devemos amar essas versões, por mais sem sentido que sejam. Mas a maior recordação que o longa traz é o porquê nós, do topo a base da indústria, amamos o Cinema.</span></p>
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		<title>Melancolia: 10 anos de colisão emocional</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Nov 2021 19:34:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti A melancolia é um estado de morbidez em que a pessoa apresenta abatimento físico e emocional. Esse sentimento tão comum é capaz de afetar qualquer pessoa independente das condições em que esta se encontra. Com o pensamento na escatologia, a trama se aproveita dessa condição emocional abstrata objetificando-a em um gigante planeta azul &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/melancolia-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Melancolia: 10 anos de colisão emocional"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24126" aria-describedby="caption-attachment-24126" style="width: 757px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24126" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1-2.jpg" alt="Cena do filme Melancolia em que há uma mulher vestida de noiva à esquerda, uma criança de terno preto no centro e uma mulher de vestido cinza à direita. Os três estão em um gramado e ao fundo há uma mansão." width="757" height="426" /><figcaption id="caption-attachment-24126" class="wp-caption-text">Melancolia aborda em sua narrativa a objetificação das emoções (Foto: Zentropa Entertainments)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/12/26/melancolia-o-que-e-e-como-lidar-com-ela.htm"><span style="font-weight: 400;">melancolia</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um estado de morbidez em que a pessoa apresenta abatimento físico e emocional. Esse sentimento tão comum é capaz de afetar qualquer pessoa independente das condições em que esta se encontra. Com o pensamento na </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/a-diferenca-entre-a-escatologia-e-a-escatologia/"><span style="font-weight: 400;">escatologia,</span></a><span style="font-weight: 400;"> a trama se aproveita dessa condição emocional abstrata objetificando-a em um gigante planeta azul em rota de colisão com a Terra. A partir dessa premissa, a obra apresenta uma análise comportamental sobre duas irmãs e suas percepções com o fim da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa aproximação entre psicologia, morbidez e arte é muito comum na cinematografia do repulsivo diretor dinamarquês Lars Von Trier, que ficou conhecido por suas polêmicas. Seus filmes costumam representar mulheres em estado de vulnerabilidade e inferioridade aos homens, sendo retratado diversas vezes de forma asquerosa o abuso e a violência contra a figura feminina.</span></p>
<p><span id="more-24125"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A misoginia do diretor já rendeu muitos problemas e sérios relatos de assédio </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/bjork-relata-assedio-sexual-cometido-por-diretor-dinamarques.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sexual</span></a><span style="font-weight: 400;">. Como se não fosse o suficiente, o criador do movimento </span><a href="https://www.institutodecinema.com.br/mais/conteudo/movimentos-do-cinema-o-que-foi-o-dogma-95"><span style="font-weight: 400;">Dogma 95</span></a><span style="font-weight: 400;"> já causou polêmica ao referenciar o nazismo com </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/declaracao-nazista-de-lars-von-trier-choca-o-festival-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">declarações antissemitas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os discursos sórdidos fizeram com que o Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i><span style="font-weight: 400;"> vetasse sua participação, no ano em que </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia </span></i><span style="font-weight: 400;">foi lançado. Mesmo com essa situação horrível, Kirsten Dunst ganhou o Copa Volpi de Melhor Atriz, enquanto que o cineasta recebeu o título de </span><a href="http://g1.globo.com/festival-de-cannes/2011/noticia/2011/05/cannes-declara-von-trier-persona-non-grata-apos-citacao-nazista.html"><i><span style="font-weight: 400;">persona non grata</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pela Academia.</span></p>
<figure id="attachment_24127" aria-describedby="caption-attachment-24127" style="width: 757px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24127" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1-2.jpg" alt="Cena do filme Melancolia que apresenta uma mulher branca, loira, vestida de noiva correndo. Há diversas raízes que a prendem pela perna, dificultando sua fuga. No fundo da imagem aparecem mais árvores com cipó." width="757" height="426" /><figcaption id="caption-attachment-24127" class="wp-caption-text">A frustração com o casamento transborda por meio do sentimento melancólico de Justine (Foto: Zentropa Entertainments)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa postura repugnante do diretor se reflete em seus filmes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;">, no caso, que é dividido em capítulos, se inicia com um prólogo em </span><a href="https://www.8milimetros.com.br/super-slow-motion/"><i><span style="font-weight: 400;">super slow motion</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A cena já apresenta a amplitude da devastação que será abordada no decorrer da obra. Com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m9PiX0pMQMg"><i><span style="font-weight: 400;">Tristão e Isolda</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da ópera de Richard Wagner como trilha sonora, o longa trabalha a introdução de seu filme de forma dramática com Justine (Kirsten Dunst) vestida de noiva e presa a raízes e Claire (Charlotte Gainsbourg) desesperada com a colisão do planeta Melancolia com a Terra. O drama prepara o telespectador para as questões emocionais a respeito do medo da morte e a prisão ao casamento, que são abordadas por partes na película.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o prólogo introdutório, começa a parte um do filme, nomeada como Justine. O primeiro ato de </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> trata de uma mulher depressiva em seu casamento organizado pela sua irmã, Claire, que tenta contagiar a festa com sua felicidade. Durante o evento, a noiva não consegue se conter diante de sua frustração emocional, o que a distancia do convívio social. A cena demonstra o tratamento que pessoas no mesmo estado de Justine recebem da sociedade por meio do olhar de desprezo dos convidados. Outro </span><a href="https://www.planocritico.com/entenda-melhor-cores-e-filmes-simbologia-e-expressividade/"><span style="font-weight: 400;">simbolismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentado na história de Justine são as amarras do casamento, representadas pelas raízes na introdução do longa. Toda essa situação, que torna a vida da personagem melancólica, se desenvolve bem lentamente, quase como se  a obra quisesse contaminar o telespectador com o estado emocional da protagonista, mas esse ritmo se altera conforme o foco da trama passa a ser Claire.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo ato, chamado de Claire, dá um novo rumo para a história. Focado na outra irmã, a história ganha um rumo interessante ao mostrar como esta lida com a ameaça do planeta Melancolia colidir com a Terra. O estado emocional de Claire passa da alegria para uma ansiedade melancólica, enquanto que Justine, já conformada com o fim súbito, se mantém serena frente a situação. Esse jogo psicológico do roteiro, em que as protagonistas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1NokYc8nn-k"><span style="font-weight: 400;">mudam de papéis</span></a><span style="font-weight: 400;">, projeta como as emoções são voláteis diante dos obstáculos enfrentados.</span></p>
<figure id="attachment_24128" aria-describedby="caption-attachment-24128" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24128" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-10.jpg" alt="Cena do filme Melancolia exibe uma mulher branca de cabelos castanhos, que veste uma camiseta cinza, e um homem branco de cabelos castanhos, que veste um paletó, observando o céu com um olhar de preocupação. Ao lado direito da cena há um telescópio branco e ao fundo se exibe um jardim." width="1000" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-10.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-10-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-10-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24128" class="wp-caption-text">Mesmo com medições constantes, John afirma que os planetas não irão colidir (Foto: Zentropa Entertainments)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro personagem na trama é John (Kiefer Sutherland), marido de Claire. O cientista, frio e apático, apresenta-se sempre cético frente à órbita do planeta Melancolia cruzar com a da Terra. Esse movimento interplanetário, chamado de dança da morte, parece inconcebível para o homem convicto de seus cálculos. Por meio de suas certezas, ele tenta consolar a esposa, o que funciona até certo ponto, porém sua postura frívola acaba sendo ainda mais desestabilizante. Através do ceticismo de John, o filme se assemelha com outros do diretor, ao trabalhar a rigidez humana que se nega a enxergar o óbvio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de contemplar a extinção humana com uma colisão espacial, a cinematografia do dinamarquês já havia trabalhado a questão da escatologia em</span> <a href="https://www.planocritico.com/critica-o-anticristo/"><i><span style="font-weight: 400;">Anticristo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o primeiro longa da Trilogia da Depressão, sucedido por </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/03/opinion/1391428140_828590.html"><i><span style="font-weight: 400;">Ninfomaníaca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Os três filmes não apresentam uma narrativa contínua, mas seu conteúdo apresenta certas similaridades, como a relação dos personagens com a violência, o niilismo e a animalização humana. Com o ideal pessimista da trilogia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> surge de </span><i><span style="font-weight: 400;">Anticristo</span></i><span style="font-weight: 400;"> como marco da saída do diretor da depressão. Desse modo, a segunda película apresenta todo o ideal deprimente do cineasta, mas sem ser perturbador assim como os demais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desse modo, na ausência do sentimento de agonia e desconforto tão comuns nos filmes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> se arrisca pela antítese emocional das personagens para narrar sua história. A trilha sonora repleta de músicas clássicas, a fotografia de Manuel Alberto Claro e os efeitos visuais de Peter Hjorth contribuíram para elevar o sentimento dualístico abordado na obra. Mas apesar de todos esses êxitos na elaboração da peça audiovisual, a produção não atinge um nível profundamente psicológico esperado. O aspecto da exploração da mente humana já havia sido melhor trabalhado anteriormente em </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/idogvillei"><i><span style="font-weight: 400;">Dogville</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/dancando-no-escuro-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Dançando no Escuro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas o segundo filme da Trilogia da Depressão não vai além do jogo entre razão e emoção.</span></p>
<figure id="attachment_24129" aria-describedby="caption-attachment-24129" style="width: 710px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24129" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-6.jpg" alt="Tela do pintor John Everett Millais apresenta uma mulher branca, usando um vestido longo. O fundo e as laterais da imagem são repletas de vegetação e, ao centro, há um lago em que a jovem está afundando." width="710" height="399" /><figcaption id="caption-attachment-24129" class="wp-caption-text">A tela Ophelia, de John Everett Millais, foi a inspiração para o pôster de divulgação de Melancolia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas apesar de não apresentar grande profundidade de simbolismos psicológicos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> constrói uma narrativa coesa repleta de similaridades com outras obras. A começar pelo prólogo dramático em </span><i><span style="font-weight: 400;">super slow motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> com uma colisão de planetas guiado pelas notas vibrantes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tristão e Isolda</span></i><span style="font-weight: 400;">, que apresentam grande similaridade com as características de filmagem utilizadas por Stanley Kubrick em </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/2001-uma-odisseia-no-espaco-45-anos"><i><span style="font-weight: 400;">2001: Uma Odisseia no Espaço</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Outro ponto é a similaridade na construção da personalidade Justine com Ofélia de </span><a href="https://resenhandosonhos.com/hamlet-william-shakespeare/"><i><span style="font-weight: 400;">Hamlet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ambas as personagens flertam com o niilismo e com a atração pela morte, sendo esse o motivo da calmaria da protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a aproximação do planeta desconhecido. Esse alinhamento cósmico, chamado de dança da morte, se aproxima também do conceito apresentado em </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-o-setimo-selo/"><i><span style="font-weight: 400;">O Sétimo Selo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Na película de Ingmar Bergman, em que a morte joga xadrez com um soldado das cruzadas que busca viver, o fim inevitável do ser humano recebe o mesmo nome que o cruzamento das órbitas da obra do dinamarquês. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa aproximação com a Arte é muito presente nas produções de Von Trier, que sempre conciliou o lado artístico com a morbidez de seus </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/o-estranho-mundo-de-lars-von-trier/"><span style="font-weight: 400;">filmes</span></a><span style="font-weight: 400;">, repletos de violência extrema, sexo explicito e mutilação. Mas, apesar dos êxitos, é importante não separar o artista da obra, como no caso no caso do diretor, que sempre refletiu seu lado sórdido em seus trabalhos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;">, mais especificamente, não há cenas chocantes como essas. O rito de passagem que ele criou como saída da depressão fez com que um longa tão pessimista fosse, ao mesmo tempo, um de seus trabalhos mais artísticos, com a fotografia de Manuel Alberto Claro impecável e uma trilha sonora comovente. A tragédia já anunciada no prólogo permite ao menos a contemplação da imensidão azul do planeta Melancolia.</span></p>
<figure id="attachment_24130" aria-describedby="caption-attachment-24130" style="width: 638px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24130" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-5-5.jpg" alt="Cena do filme Melancolia em que há duas mulheres e uma criança distantes, sentados dentro de uma cabana de gravetos montada em um gramado. Ao fundo da imagem há um planeta azul em rota de colisão com a Terra." width="638" height="359" /><figcaption id="caption-attachment-24130" class="wp-caption-text">A dança da morte leva Melancolia ao seu fatídico fim (Foto: Zentropa Entertainments)</figcaption></figure>
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		<title>Sob escombros do pós-guerra, nasceram os escultores do heavy metal: o quarteto desajustado que se tornou o sinistro Black Sabbath</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Oct 2021 15:30:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>João Pedro Piza A Segunda Guerra Mundial, em muitos aspectos, mudou os rumos da humanidade. As atrocidades presentes no front, o medo constante da vigilância proveniente dos membros dos Estados totalitários e o horror disseminado pelas mais modernas técnicas de batalha forjaram no inconsciente dos cidadãos europeus um grande sentimento de desesperança. A Inglaterra, uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/black-sabbath-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sob escombros do pós-guerra, nasceram os escultores do heavy metal: o quarteto desajustado que se tornou o sinistro Black Sabbath"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23980" aria-describedby="caption-attachment-23980" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23980" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-7.jpg" alt="Capa do primeiro disco do Black Sabbath, o qual recebe o mesmo nome da banda. Fotografia quadrada com o nome do grupo na parte superior central. A região parece ser rural. O clima é nublado e as folhas, secas. Em segundo plano, há uma casa e, pela textura da imagem — meio desfocada e não tão nítida — dá a sensação de ser mal-assombrada. No primeiro plano, ao centro, uma mulher muito pálida e vestindo capa preta olha diretamente para o espectador, instaurando um ambiente misterioso." width="700" height="466" /><figcaption id="caption-attachment-23980" class="wp-caption-text">A capa do primeiro disco do Black Sabbath serviria muito bem para um filme de terror: a figura central pode tanto ser uma bruxa como a figura misteriosa vestindo preto, mencionada na faixa inicial; fato é: era uma amiga da banda e nunca recebeu direitos pela foto (Foto: Black Sabbath)</figcaption></figure>
<p><b>João Pedro Piza</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Segunda Guerra Mundial, em muitos aspectos, mudou os rumos da humanidade. As atrocidades presentes no </span><i><span style="font-weight: 400;">front,</span></i><span style="font-weight: 400;"> o medo constante da vigilância proveniente dos membros dos Estados totalitários e o horror disseminado pelas mais modernas técnicas de batalha forjaram no inconsciente dos cidadãos europeus um grande sentimento de desesperança. A Inglaterra, uma das potências mundiais da época e, por isso, grande alvo de Hitler na parte ocidental do continente, foi bombardeada pelos aviões alemães da </span><a href="https://www.infopedia.pt/$luftwaffe"><i><span style="font-weight: 400;">Luftwaffe</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em 1940. Sob escombros e com pelo menos 450 mil mortos, os ingleses buscavam reestruturar o país a partir dos anos 1950, após a vitória dos aliados e dos efeitos do </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/plano-marshall.htm"><span style="font-weight: 400;">Plano </span><i><span style="font-weight: 400;">Marshall</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas não era nada fácil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, seria pouco coerente as manifestações artísticas do cenário cultural de </span><a href="https://www.visitbritain.com/br/pt-br/media/story-ideas/redescubra-birmingham-segunda-maior-cidade-da-inglaterra"><span style="font-weight: 400;">Birmingham</span></a><span style="font-weight: 400;">, cidade industrial e protagonista da metalurgia na Inglaterra, rodeada pela miséria, desemprego e crises, apresentarem o mesmo tom de paz, amor e esperança dos </span><a href="https://www.infoescola.com/cultura/hippies/"><i><span style="font-weight: 400;">hippies</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> — especialmente poetas e músicos norte-americanos. Dessa forma, Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward possuíam uma ótica pessimista e distópica no que tange a maneira de encarar a sociedade e ver o futuro. Naturalmente, trocaram as roupas coloridas e as flores por jaquetas de couro e crucifixos. </span></p>
<p><span id="more-23976"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Influenciados também pelo Cinema de Horror, os quatro passaram a tentar transmitir a mesma sensação de pânico e melancolia ao assistir a um filme às primeiras composições da nova banda que formaram — já que o nome previamente escolhido pertencia a outro conjunto. Como ensaiavam perto de um cinema, viam de perto as multidões que se aglomeravam para sentir medo — como se a realidade do pós-guerra não bastasse. Entre os principais longas presentes nas sessões, estavam os do diretor </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-3952/"><span style="font-weight: 400;">Mario Bava</span></a><span style="font-weight: 400;">. Inspirados por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JO8LJjLjncc"><span style="font-weight: 400;">um de seus preferidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, decidiram que o nome da banda seria Black Sabbath — com Ozzy assumindo os vocais; Tony Iommi, a guitarra; Geezer Butler, o contrabaixo; e Bill Ward, a bateria.</span></p>
<figure id="attachment_23981" aria-describedby="caption-attachment-23981" style="width: 927px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23981" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-3-2.jpg" alt="Fotografia em preto e branco dos membros do Black Sabbath na porta do que parece ser uma caverna. Todos estão com feições sérias e possuem cabelos compridos. Da esquerda para a direita estão Geezer Butler, Tony Iommi, Bill Ward e Ozzy Osbourne. Os três primeiros vestem roupas de couro, possuem bigodes posicionam as mãos na cintura. Ozzy, por sua vez, usa uma camisa preta sob um casaco de pelo e é o único sem barba." width="927" height="648" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-3-2.jpg 927w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-3-2-800x559.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-3-2-768x537.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23981" class="wp-caption-text">Obscuros, sombrios e maus (Foto: Roadie Crew)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Curiosa e ironicamente, o som característico do quarteto é proveniente de um </span><a href="https://guitarload.com.br/2020/11/27/tony-iommi-dedos/"><span style="font-weight: 400;">grave acidente envolvendo o guitarrista</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto trabalhava em uma fábrica, no seu último dia de trabalho, Iommi prendeu sua mão em uma máquina que cortava placas de ferro e teve as pontas de seus dedos anelar e médio da mão direita — a que fica no braço do instrumento — decepadas. Para continuar tocando, precisou utilizar cordas mais finas, acordes simples — utilizando escalas </span><a href="https://www.musicdot.com.br/artigos/o-que-e-escala-pentatonica"><span style="font-weight: 400;">pentatônicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://blog.guitarpedia.com.br/o-que-sao-power-chords-e-como-usa-los-na-guitarra/"><i><span style="font-weight: 400;">power chords</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">— e afinação baixa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, com certo grau de coincidência, o novo timbre desenvolvido é bastante soturno e obscuro. O baixo e a bateria seguiam uma linha parecida. Butler aprimorou a maneira de conduzir as levadas, abusando de </span><a href="https://cursos.musicdot.com.br/forum/topico-encontrando-tonicas-quintas-e-oitavas-8186"><span style="font-weight: 400;">quebras das tônicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, buscando notas um pouco mais agudas, como as oitavas. Bill Ward, por sua vez, adaptou viradas e ritmos do</span> <a href="https://brasilescola.uol.com.br/artes/blues.htm"><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e do </span><a href="https://www.todamateria.com.br/jazz/"><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">a uma batida sólida e muito pesada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o som denso vindo da guitarra, as letras não poderiam destoar. Desse modo, temas inspirados na </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_758/297709-aleistercrowley.html"><span style="font-weight: 400;">literatura ocultista</span></a><span style="font-weight: 400;">, em filmes de terror e em manchetes que abordavam acontecimentos caóticos figuravam o repertório em formação. Diferentemente de outras bandas da época, o Black Sabbath soube usar doses de fantasia unindo-as à situação pela qual viam o mundo, para, enfim, formular uma crítica aos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PrZFscfJxXc"><span style="font-weight: 400;">valores bélicos</span></a><span style="font-weight: 400;">, à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZyEUk1ZJLn4"><span style="font-weight: 400;">corrida armamentista</span></a><span style="font-weight: 400;"> e à ordem capitalista entrando em vigor aos poucos ao longo da Guerra Fria.</span></p>
<figure id="attachment_23983" aria-describedby="caption-attachment-23983" style="width: 1780px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23983" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-9.jpg" alt="Fotografia em preto e branco tirada pela plateia. No primeiro plano, há a silhueta das mãos do público curtindo o espetáculo. Vale destacar o espectador que levanta uma cruz no lado direito da imagem. Em segundo plano, os músicos comandam o show. Iommi e Geezer tocam seus instrumentos, enquanto Ozzy, ao centro, vestindo camisa bege com franjas, faz o símbolo da paz com as duas mãos levantas." width="1780" height="1265" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-9.jpg 1780w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-9-800x569.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-9-1024x728.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-9-768x546.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-9-1536x1092.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-9-1200x853.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23983" class="wp-caption-text">A estética dos quatro influenciou diretamente na mensagem que desejavam passar (Foto: Black Sabbath)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o conceito e som definidos, rapidamente trabalharam nas primeiras canções, que foram lançadas no ano de 1970 em um álbum de mesmo nome que a banda — gravado e </span><i><span style="font-weight: 400;">mixado </span></i><span style="font-weight: 400;">em incríveis 18 horas. A começar pela capa assustadora, mostrando uma figura vestindo uma capa preta em frente ao que parece ser uma casa mal-assombrada, a faixa inicial </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b_EcPEuHvag&amp;list=OLAK5uy_muplPXbMkOr93trvTit2KY_9yzM-IXeh8&amp;index=1"><i><span style="font-weight: 400;">Black Sabbath</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é de tirar o fôlego — e o sono. Iniciada por sons de sinos, chuvas e trovões, a guitarra de Iommi entra de maneira cortante com um</span> <a href="https://www.terra.com.br/diversao/musica/guitarra-para-iniciantes-quais-as-diferencas-entre-solo-lick-e-riff,2649747fcd508c3b3471336e07e3df36jusq9yzj.html"><i><span style="font-weight: 400;">riff</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">memorável. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a primeira nota, a banda o acompanha, gerando um clima de tensão e pânico. Logo Ozzy começa a contar experiências de uma perseguição misteriosa. Aos poucos, nos questionamos o que é aquela figura ou sua mensagem — o apocalipse? A morte? — à medida que somos conduzidos a um ambiente eufórico. Para finalizar, há um dos muitos solos espetaculares do guitarrista.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Black Sabbath - Black Sabbath (The End)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/8EoCHTK7xPw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seguida, outro clássico: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ftKNGzh7t94&amp;list=OLAK5uy_muplPXbMkOr93trvTit2KY_9yzM-IXeh8&amp;index=2"><i><span style="font-weight: 400;">The Wizard</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Com Ozzy tocando gaita, uma das poucas na carreira da banda, Bill Ward e Geezer Butler a conduzem como um </span><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tony Iommi repete os sons do instrumento de Ozzy na guitarra, gerando uma combinação interessante e ao mesmo tempo curiosa, porém sem perder suas características. Na letra, composta pelo baixista — assim como todas do álbum —, fala-se sobre a presença de um mágico na Terra, que expulsou diabos e </span><i><span style="font-weight: 400;">“transformou lágrimas em felicidades”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Se a faixa anterior possuía uma mensagem de certa positividade, a seguinte é bem diferente. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D5Du4BhqE14&amp;list=OLAK5uy_muplPXbMkOr93trvTit2KY_9yzM-IXeh8&amp;index=3"><i><span style="font-weight: 400;">Behind The Wall of Sleep</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">fala sobre angústia, morte e reflexões existencialistas, sendo inspirada em um conto de </span><a href="https://www.infoescola.com/biografias/h-p-lovecraft/"><span style="font-weight: 400;">H. P. Lovecraft</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A última faixa do lado A é um clássico absoluto e uma das mais tocadas nos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nJYdDmUvgok&amp;list=OLAK5uy_muplPXbMkOr93trvTit2KY_9yzM-IXeh8&amp;index=4"><i><span style="font-weight: 400;">N.I.B</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">mostra a genialidade de Geezer Butler em um solo inicial que se tornou o sonho de todo baixista em reproduzir, especialmente por apresentar o som de </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Wah-wah"><i><span style="font-weight: 400;">wah-wah</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e outras distorções. Com um </span><i><span style="font-weight: 400;">riff</span></i><span style="font-weight: 400;"> bastante conhecido, quem conduz essa faixa é o contrabaixo e não a guitarra — como de costume na discografia da banda. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na letra, ironicamente, há uma história e declaração de amor. Todavia, como se trata do Black Sabbath, ela acontece entre Lúcifer e uma mortal. Na época de seu lançamento, muito se questionou sobre o significado do nome da música. Muitos diziam que seria </span><i><span style="font-weight: 400;">Nativity in Black</span></i><span style="font-weight: 400;">; porém, era uma brincadeira interna em relação à barba de Bill Ward, que, segundo os membros, lembrava a </span><a href="https://br.freepik.com/fotos-gratis/caneta-nib_914885.htm"><span style="font-weight: 400;">ponta das canetas </span><i><span style="font-weight: 400;">nibs</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Black Sabbath - N.I.B. (Gathered in Their Masses)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/OEQc8or8SdY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Abrindo o lado B, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1A5a_GlYo0g&amp;list=OLAK5uy_muplPXbMkOr93trvTit2KY_9yzM-IXeh8&amp;index=5"><i><span style="font-weight: 400;">Evil Woman</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é o primeiro </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U7k5QotUznQ"><i><span style="font-weight: 400;">cover</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">do álbum e foi uma sugestão do produtor Rodger Bain a fim de projetar o quarteto ao mercado norte-americano. É a canção mais radiofônica, de fato. Inclusive, foi o primeiro </span><a href="https://somosmusica.cdbaby.com/o-que-e-um-single/"><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Diametralmente oposta, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Za4YaV1x_dw&amp;list=OLAK5uy_muplPXbMkOr93trvTit2KY_9yzM-IXeh8&amp;index=6"><i><span style="font-weight: 400;">Sleeping Village</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> retorna o peso característico. Bastante arrastada, Geezer e Ward abrem o caminho para Iommi mostrar sua genialidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Usando violões — que imprimem um clima até bucólico — e estruturas de </span><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele quebra tudo. A temática obscura volta a estar presente; dessa vez, questionam o quão próximo estamos do apocalipse. E se realmente estivermos, torcem para que estejamos dormindo no momento final.</span></p>
<figure id="attachment_23979" aria-describedby="caption-attachment-23979" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23979" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-4-1.jpg" alt="Fotografia em preto e branco dos músicos no palco. Parece ter sido tirada da plateia e na diagonal em relação ao palco. No primeiro plano está Geezer Butler, com um contrabaixo branco, vestindo roupas pretas e cabelo cobrindo o rosto. Ao fundo, atrás das ferragens da bateria está Tony Iommi tocando guitarra e a sua frente Ozzy bate palmas, vestindo um casaco bege com franjas no braço." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-4-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-4-1-768x513.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23979" class="wp-caption-text">No palco, a energia dos músicos contagiava plateias ao redor do mundo; no ano de 1971, chegaram a realizar duas turnês nos Estados Unidos (Foto: Black Sabbath)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na sequência, vem a mais longa do disco. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kkGQBKZpjHA&amp;list=OLAK5uy_muplPXbMkOr93trvTit2KY_9yzM-IXeh8&amp;index=7"><i><span style="font-weight: 400;">Warning</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> passa dos dez minutos e, mais uma vez, a guitarra rouba a cena. Em mais um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s2tE1sRr_kg"><i><span style="font-weight: 400;">cover</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a influência do </span><i><span style="font-weight: 400;">blues </span></i><span style="font-weight: 400;">é presente, porém com uma roupagem um tanto psicodélica — característica essa perceptível pelos três solos de guitarras bastante distorcidas, distanciando-se das linhas da bateria e do contrabaixo. Nos mais de sete minutos instrumentais, a inspiração ao saudoso e genial </span><a href="https://personaunesp.com.br/jimi-hendrix-are-you-experienced-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jimi Hendrix</span></a><span style="font-weight: 400;"> é perceptível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para terminar a obra, não haveria escolha melhor que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jQxZEtQJI2c&amp;list=OLAK5uy_muplPXbMkOr93trvTit2KY_9yzM-IXeh8&amp;index=8"><i><span style="font-weight: 400;">Wicked World</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Iniciada por um </span><i><span style="font-weight: 400;">riff </span></i><span style="font-weight: 400;">simples e marcante, Geezer conduz a densidade da música por meio de uma força descomunal ao imprimir o ritmo das galopadas do instrumento. A reflexão da vez é sobre algumas relações de trabalho e como elas constroem um certo simbolismo hipócrita na sociedade.</span></p>
<figure id="attachment_23978" aria-describedby="caption-attachment-23978" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23978" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-1.png" alt="Fotografia dos membros da banda em preto e branco, olhando diretamente para o espectador. Todos vestem roupas pretas e ocupam a faixam central da imagem. Bill Ward, Ozzy Osbourne e Geezer Butler, respectivamente, estão sentados. Bill Ward, dessa vez, apresenta uma barba cheia. Geezer usa o tradicional bigode. Acima deles, Tony Iommi é o único em pé. Vale destacar o crucifixo em seu peito e o posicionamento de suas mãos: sobre os ombros de Bill Ward e Geezer." width="1170" height="658" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-1.png 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23978" class="wp-caption-text">Apesar da sonoridade revolucionária, as vendas do primeiro álbum não foram um sucesso; por sofrerem um certo preconceito, eram vistos como malditos pelo senso comum (Foto: Black Sabbath)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na estrada, o Black Sabbath </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AyH5erKimmc"><span style="font-weight: 400;">chocou</span></a><span style="font-weight: 400;"> cada espectador que teve o prazer de vê-los na sua origem. Aos poucos, passou a figurar a tríade sagrada do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 70 ao lado de outros dois gigantes: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RlNhD0oS5pk"><span style="font-weight: 400;">Led Zeppelin</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ikGyZh0VbPQ"><span style="font-weight: 400;">Deep Purple</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Entretanto, eles possuíam algo diferente dos dois e das demais bandas anteriores. Eles eram maus, pois tratavam de temas provocativos à época com elevados graus de obscurantismo e descrença nos seres humanos — com um pé até no </span><a href="https://www.todamateria.com.br/niilismo/"><span style="font-weight: 400;">niilismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por esse tom, encabeçaram o que conhecemos hoje como </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/de-onde-vem-o-termo-heavy-metal/"><i><span style="font-weight: 400;">heavy metal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Aliás, a discussão sobre quem inventou o gênero de fato ou compôs a primeira música nesse estilo abrange alguns critérios amplos e até cansativos — alguns até dizem que os Beatles foram os pioneiros com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vWW2SzoAXMo"><i><span style="font-weight: 400;">Helter Skelter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23982" aria-describedby="caption-attachment-23982" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23982" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-10.jpg" alt="Fotografia em preto e branco dos membros do Black Sabbath. Tirada na horizontal, foca no rosto deles. Da esquerda para a direita, estão Bill Ward, Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Tony Iommi. Os três primeiros vestem camisas claras, enquanto o guitarrista uma camiseta preta. Os quatro apresentam cabelos longos; Bill Ward uma barba cheia ao passo que Geezer e Iommi os tradicionais bigodes." width="1140" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-10.jpg 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-10-800x351.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-10-1024x449.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-10-768x337.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23982" class="wp-caption-text">Essa formação, considerada clássica, durou até 1978, quando Ozzy deixou a banda por motivos até hoje não muito claros; lançaram juntos oito álbuns e realizaram uma turnê de despedida em 2013, dessa vez, sem Bill Ward (Foto: Black Sabbath)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é: o quarteto de Birmingham foi o primeiro a definir uma estética compacta e um conceito sólido em seu primeiro álbum, influenciando uma série de outras bandas que vieram em seguida. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=X4bgXH3sJ2Q"><span style="font-weight: 400;">Iron Maiden</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L397TWLwrUU"><span style="font-weight: 400;">Judas Priest</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Wm58sGEdgAw"><span style="font-weight: 400;">Metallica</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, não existiriam sem o Sabbath. Pelo menos, não da maneira que conhecemos hoje. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em mais de 50 anos de carreira e inúmeros álbuns memoráveis, portanto, os hoje idosos sabáticos são exaltados como revolucionários no mundo da Música e responsáveis por servirem como porta de entrada às novas gerações roqueiras. Mesmo tirando nosso sono em alguns momentos ou causando certas provocações inquietantes, conquistaram um lugar na história e outro especial na memória de uma legião de adoradores.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Black Sabbath (2009 Remastered Version)" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/2T6jeELx5BqH4GMLObBy10?si=VEtvel1WStadiMTuOVAxyQ&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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