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	<title>Arquivos Monstro do Pântano &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Alan Moore e seu &#8220;suspense sofisticado&#8221; de Monstro do Pântano</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Oct 2016 21:27:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O britânico Alan Moore entrou no mercado norte-americano em 1983, em um título deixado de escanteio pela DC Comics, para desestabilizar de vez a indústria dos quadrinhos. Lucas Marques A chamada “Sophisticated Suspense” (Suspense Sofisticado) presente na maioria das capas de A Saga do Monstro do Pântano não traduz nas histórias o que os editores &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alan-moore-suspense-sofisticado-monstro-do-pantano/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Alan Moore e seu &#8220;suspense sofisticado&#8221; de Monstro do Pântano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O britânico Alan Moore entrou no mercado norte-americano em 1983, em um título deixado de escanteio pela DC Comics, para desestabilizar de vez a indústria dos quadrinhos.</em></p>
<figure id="attachment_5839" aria-describedby="caption-attachment-5839" style="width: 748px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5839" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/monstro-do-pc3a2ntano.jpg" alt="monstro-do-pantano" width="748" height="571" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/monstro-do-pc3a2ntano.jpg 748w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/monstro-do-pc3a2ntano-300x229.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-5839" class="wp-caption-text">Além do escritor Alan Moore, muito da concepção da personagem se deve aos artistas Stephen Bissette e John Totleben/ DC Comics</figcaption></figure>
<p><strong>Lucas Marques</strong></p>
<p>A chamada “Sophisticated Suspense” (Suspense Sofisticado) presente na maioria das capas de<em> A Saga do Monstro do Pântano</em> não traduz nas histórias o que os editores da DC Comics queriam indicar por ela: algo nos moldes da literatura de H. P. Lovecraft ou mesmo de Stephen King, que nesses meados dos anos 80 vinha de <a href="https://criticapersona.wordpress.com/2016/10/26/o-cemiterio-de-stephen-king-enterra-os-receios-do-autor-e-ressuscita-uma-historia-sobria-intensa-e-muito-assustadora/">sucesso após sucesso</a>. Mas essa sofisticação é verdadeira, não se engane, concretizada em uma miscelânea inédita nos quadrinhos. Ao longo de mais de 40 edições, Alan Moore reuniu em um mesmo espaço religião e filmes trash, Freud e Aleister Crowley, biologia e erotismo, movimentos sociais e cinema pastelão, o racional e o irracional.<span id="more-5837"></span></p>
<p>O Monstro do Pântano foi criado pelo escritor Len Wein e o desenhista Bernie Wrighton para uma edição da antologia de quadrinhos de terror House of Secrets, em 1971. A história, um surpreendente sucesso, tomava como inspiração as obras da era vitoriana – até mesmo na ambientação do século XX -, em especial <em>O Médico e O Monstro</em>, no que toca a desconfiança na ciência e a impossibilidade do amor. Em 1972, a dupla foi encarregada de atualizar o Monstro do Pântano e produzir um título próprio: a criatura se torna Alec Holland, um cientista trabalhando nos pântanos de Louisiana, junto a sua amante Abigail Arcane, em sua fórmula que permitiria florescer ambientes desérticos. A pacífica missão do casal é abortada por um misterioso bombardeiro e Holland, misturado ao fogo, a lama e a fórmula, transforma-se no monstro.</p>
<p>O mote – bem convencional, mas movido pela arte premiada de Bernie Wrighton – foi o bastante para 20 edições, entre trancos e barrancos, até a série ser interrompida. Os editores da DC Comics só encontraram motivos para reviver a série pela proximidade da adaptação cinematográfica, dirigida pelo ainda desconhecido <a href="https://criticapersona.wordpress.com/2016/10/28/ironico-e-autoconsciente-como-panico-mudou-para-sempre-o-genero-do-terror/">Wes Craven</a>, em 1982. Recém-chegado no mercado norte-americano, o britânico Alan Moore recebeu um dos títulos mais desconhecidos da editora, porém a ele a liberdade criativa era o bastante.</p>
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<p style="text-align: center;"><em>Além de dois filmes &#8220;B maiúsculo&#8221; , a personagem recebeu uma série televisiva e um cartoon nos anos 90.</em></p>
<p>A reimaginação de velhas histórias sempre foi uma constante na carreira de Moore, e talvez seu maior trunfo, desde a publicação de <em>Marvelman</em> pela editora britânica Warrior, em 1982 – ano, aliás, também marcado pelo clássico <em>V de Vingança</em>. O grande choque estético de <em>Marvelman</em> não se deu, como muitos erroneamente propagam, pela fixação dos arquétipos dos quadrinhos de super-heróis em um mundo realista, mas ao colocar ativamente Friedrich Nietzsche em um meio majoritariamente juvenil. A proposta do super homem nietzschiano deixou de ser uma leve menção – apesar de servir de inspiração na criação dos primeiros super-heróis dos gibis – para tomar o primeiro plano da narrativa.</p>
<p>Não tão radical foi Moore ao conceber o seu Monstro do Pântano um ano depois, uma vez que ele é moldado aos poucos. Todavia, já na segunda história, <em>Lição de Anatomia</em>, temos uma grata novidade: descobre-se que o Monstro não é Alec Holland em forma de planta, mas uma planta “que pensa ser Alec Holland”. Uma premissa com alto grau de cafonice, sim, mas que permite tirar o monstro do território do romantismo e adentrar de cara no pós-modernismo: a história de um vegetal com questões existenciais em um mundo em que a civilização e o sobrenatural provinciano estão em constante embate.</p>
<figure id="attachment_5843" aria-describedby="caption-attachment-5843" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5843" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/alan-moore.jpg" alt="alan-moore" width="900" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/alan-moore.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/alan-moore-225x300.jpg 225w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/alan-moore-768x1024.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-5843" class="wp-caption-text">Excêntrico, Moore sempre se destacou ao mesclar o que é tido como alta e baixa cultura. O autor hoje é brigado com as grandes editoras norte-americanas e evita falar nas obras do período.</figcaption></figure>
<p>A Saga do Monstro do Pântano então, com o auxílio da narrativa gráfica inteligente e detalhada de Stephen Bissette e John Tottleben, torna-se lugar de experimentação em terror, em grande parte pela apropriação tanto da literatura – de Caim e Abel à Pata de Macaco, de W. W. Jacobs – quanto da ciência biológica. Em certo momento, o próprio terror deixa o primeiro plano para dar lugar a temáticas como drogas, movimentos sociais, erotismo, psicanálise, algumas flertando com o humor, outras mais dramáticas. Como o fio condutor e agente de mudança desse caos está o monstro que, mesmo resolvendo muitos problemas, sempre é frustrado em sua busca por respostas.</p>
<p>Um dos pontos mais marcantes não só da saga, mas dos quadrinhos populares como um todo, é o conto Rito da Primavera, ainda no segundo volume. Nele Abigail e o Monstro compartilham do desejo sexual. A criatura então retira um tubérculo de seu corpo e entrega à Abigail, que o morde fazendo escorrer seiva. A visão da mulher se turva, toma novos formatos e cores, ao mesmo tempo que o próprio quadrinho assume uma nova perspectiva, em formato paisagem. Moore não apenas tocou em dois tabus nos quadrinhos, o sexo e as drogas lisérgicas, como também executou um de seus primeiros experimentos formais.</p>
<figure id="attachment_5846" aria-describedby="caption-attachment-5846" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5846" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/monstro-do-pc3a2ntano-rito-de-primavera.jpg" alt="monstro-do-pantano-rito-de-primavera" width="1600" height="1164" /><figcaption id="caption-attachment-5846" class="wp-caption-text">O momento da mudança de perspectiva em Rito de Primavera</figcaption></figure>
<p>Entretanto o ponto mais alto da série é o arco narrativo <em>Gótico Americano</em>, entre os volumes 3 e 4. Moore insere a personagem John Constantine, que viria a se tornar uma das mais conhecidas da editora, como guia do monstro. Ambos viajam os EUA deparando-se com diversos fenômenos sobrenaturais, todos inspirados por lendas ou acontecimentos reais. A sacana do autor foi atribuir sutis comentários sociais a cada uma delas. Moore, em histórias de lobisomem, vampiro, casas mal-assombradas, escreve sobre a repressão à mulher, o racismo, a marginalização, a cultura bélica e o genocídio indígena.</p>
<p><em>A Saga do Monstro do Pântano</em> passa longe de ser perfeita, em algumas edições tem-se a clara sensação de estar lendo uma encheção de linguiça. Também pudera: Moore alternava os estritos prazos mensais com a criação de outras histórias curtas para DC e a concepção de sua obra mais celebrada, <em>Watchmen</em>. Mas o autor não poderia ter uma estreia melhor nos quadrinhos de massa; O Monstro do Pântano é uma obra guiada pelas leituras extremamente variadas de Moore, utilizadas para extrapolar o terror e permitir pequenas inovações nos quadrinhos.</p>
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