<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Minas Gerais &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/minas-gerais/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/minas-gerais/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Sun, 14 Sep 2025 20:53:56 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Minas Gerais &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/minas-gerais/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Suçuarana demonstra que o caminho também pode ser o destino</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/sucuarana-demonstra-que-o-caminho-tambem-pode-ser-o-destino/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/sucuarana-demonstra-que-o-caminho-tambem-pode-ser-o-destino/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Sep 2025 13:00:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Anavilhana]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Caires]]></category>
		<category><![CDATA[Clarissa Campolina]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Brasília]]></category>
		<category><![CDATA[Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Suçuarana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=35681</guid>

					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires A estrada é sempre mais do que um caminho: é um espaço onde a permanência só existe no movimento. Em Suçuarana, de Clarissa Campolina e Sérgio Borges, essa imagem se alia ao próprio animal que dá nome ao filme – o felino furtivo e limítrofe, que habita territórios entre mundos, sempre à margem &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sucuarana-demonstra-que-o-caminho-tambem-pode-ser-o-destino/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Suçuarana demonstra que o caminho também pode ser o destino"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/sucuarana-demonstra-que-o-caminho-tambem-pode-ser-o-destino/">Suçuarana demonstra que o caminho também pode ser o destino</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35682" aria-describedby="caption-attachment-35682" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35682" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-800x450.png" alt="Dora, uma mulher de pele escura e cabelos crespos, está sentada em um degrau de tijolos do lado de fora de uma cabana rústica. Ela usa uma camiseta de manga comprida e jeans, com as mãos cruzadas sobre os joelhos. Ao lado dela, Ernesto, um homem de pele clara e cabelos grisalhos, está sentado em um banco, comendo em um prato. A luz dourada do sol poente ilumina a cena, lançando sombras longas. Em primeiro plano, o cachorro Encrenca, de pelo marrom avermelhado, olha para Ernesto, como se esperasse um pedaço de comida." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35682" class="wp-caption-text">Estradas, encontros fugazes e paisagens em transformação constroem a jornada de Dora (Foto: Anavilhana)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A estrada é sempre mais do que um caminho: é um espaço onde a permanência só existe no movimento. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Suçuarana</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Clarissa Campolina e Sérgio Borges, essa imagem se alia ao próprio animal que dá nome ao filme – o </span><a href="https://oncafari.org/especie_fauna/onca-parda/"><span style="font-weight: 400;">felino furtivo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e limítrofe, que habita territórios entre mundos, sempre à margem e sempre em trânsito. É nesse mesmo limiar que se encontra Dora, personagem guiada por memórias e pela insistência em seguir, mesmo quando o destino parece escapar. Mais do que narrar uma jornada, o longa se constrói como um gesto de recusa ao previsível: desloca-se entre paisagens devastadas e coletividades possíveis, tensionando o pertencimento como experiência instável, aberta e inquietante.</span></p>
<p><span id="more-35681"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diretores são nomes já consolidados no campo do cinema brasileiro. Ambos trazem em suas trajetórias produções que recusam o óbvio e desafiam o espectador a habitar zonas de instabilidade: Campolina com </span><a href="https://embaubaplay.com/catalogo/girimunho/"><i><span style="font-weight: 400;">Girimunho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2011), obra que transitou por festivais internacionais como Veneza, Toronto e San Sebastián, e Borges com </span><a href="https://embaubaplay.com/catalogo/o-ceu-sobre-os-ombros/"><i><span style="font-weight: 400;">O Céu Sobre os Ombros</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2010), premiado em Brasília pela ousadia estética e pela mescla entre documentário e ficção. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Suçuarana</span></i><span style="font-weight: 400;">, a parceria reafirma esse gesto de risco, conduzindo uma história que se constrói tanto a partir do rigor plástico quanto da abertura ao imprevisível, onde a narrativa se dobra ao movimento dos corpos e das paisagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa busca estética se ancora no trabalho da </span><a href="https://www.anavilhana.art.br/"><span style="font-weight: 400;">Anavilhana</span></a><span style="font-weight: 400;">, produtora fundada em 2005 e dedicada a um cinema de fronteira, que não teme a porosidade entre realidade e invenção. É nesse território que a obra emerge, dialogando diretamente com um dos maiores traumas de Minas Gerais: a mineração que deixou atrás de si morros devastados e comunidades em ruína. “</span><i><span style="font-weight: 400;">O ferro acabou e ficou um monte de zumbi caminhando por aí</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz um dos personagens, frase que ecoa como síntese da precariedade da vida num Brasil marcado pela exaustão de seus recursos e pela negligência de seus líderes. </span></p>
<figure id="attachment_35684" aria-describedby="caption-attachment-35684" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35684" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-800x450.png" alt="O interior de uma fábrica, com o teto repleto de uma complexa rede de tubulações, vigas e dutos metálicos. A luz entra por algumas aberturas superiores, iluminando parcialmente o ambiente desgastado. Figuras humanas, pequenas em comparação com a imensidão do local, estão espalhadas pelo chão e em uma escadaria de metal no centro da cena." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35684" class="wp-caption-text">Estruturas vazias, ferro-velho e rotinas reinventadas transformam a fábrica em espaço de sobrevivência e coletividade (Foto: Anavilhana)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dora, interpretada por Sinara Teles, carrega consigo apenas uma fotografia antiga e a lembrança de um sonho compartilhado com a mãe: encontrar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Vale da Suçuarana</span></i><span style="font-weight: 400;">. É essa imagem, ao mesmo tempo nítida e inalcançável, que conduz sua jornada por estradas onde o horizonte parece sempre se deslocar. Na primeira parte, a narrativa se estrutura como um </span><a href="https://laparola.com.br/road-movies-lista"><i><span style="font-weight: 400;">road movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que atravessa paisagens marcadas pela devastação da mineração. O que a protagonista encontra são personagens que, como ela, habitam a beira do colapso: sucateiros, andarilhos, sobreviventes que orbitam entre a solidariedade instintiva e a violência latente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse percurso culmina em um clímax, ponto de inflexão que, não apenas interrompe a linearidade da viagem, mas marca a passagem para outro tempo e outra forma de cinema. O reencontro com o cachorro Encrenca, figura de companhia e resistência, sinaliza esse renascimento da trama: do caminho árido e instável, Dora é conduzida a um espaço de contemplação e pertencimento. O gesto de atravessar o túnel é também um deslocamento que rompe com a sobrevivência solitária e abre espaço para a possibilidade de novos </span><a href="https://jornal.unesp.br/2024/02/15/estrada-da-vida/"><span style="font-weight: 400;">modos de vida</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao atravessar o túnel, Dora encontra uma vila escondida nas montanhas, onde o que antes era uma fábrica, agora se converte em um espaço de sobrevivência unida. Ali, a presença da </span><a href="https://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2025/08/17/festa-com-realeza-batuques-e-dois-mil-dancarinos-conheca-a-tradicao-que-move-uma-cidade-no-interior-de-mg.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Guarda de Moçambique Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia</span></a><span style="font-weight: 400;"> introduz um cotidiano pautado por religiosidade, música, jogos e solidariedade, em que cada gesto carrega a marca da ancestralidade. Em contraste com a ruína deixada pela mineração, a comunidade ressignifica a precariedade em convivência, transformando restos de ferro-velho em sustento e partilha. Para a protagonista, essa experiência não dissolve sua solidão nem oferece a promessa de permanência, porém abre uma fissura: a chance de pertencer sem possuir, de existir em comum sem se fixar.</span></p>
<figure id="attachment_35685" aria-describedby="caption-attachment-35685" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35685" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-800x450.png" alt="Em uma cerimônia noturna da Guarda de Moçambique Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia, um participante em primeiro plano está vestido com trajes rituais. Ele usa um chapéu, uma máscara dourada que cobre a área dos olhos e um tecido de lã amarelo que esconde a parte inferior do rosto. Ao seu redor, outras pessoas mascaradas e com vestimentas tradicionais participam da celebração em um ambiente com pouca luz, criando uma atmosfera mística." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35685" class="wp-caption-text">Rituais, cantos e devoção cotidiana revelam a presença da ancestralidade e da coletividade na vida da comunidade (Foto: Anavilhana)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia de Ivo Lopes Araújo junto da colorização de Lucas Campolina exploram com força visual o encontro entre devastação e beleza natural de Minas Gerais, tornando o cenário, não apenas pano de fundo, mas um personagem ativo que dialoga com a narrativa de Dora. A direção de arte de Thaís de Campos, a montagem de Luiz Pretti e o desenho de som de Pablo Lamar reforçam essa imersão, oferecendo ritmo e textura à experiência cinematográfica. A trilha sonora original, composta por Ajítenà Marco Scarassati e Djalma Corrêa, em alguns momentos remete à grandiosidade das extrações de </span><a href="https://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), enquanto a mixagem de som dá corpo à ambiência rural, às vozes e ao silêncio como espaço de escuta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos esses elementos trabalham de forma integrada, estabelecendo uma relação consistente entre forma e conteúdo, capaz de transmitir sensações e emoções de maneira clara e coesa. É possível notar que todos os núcleos de produção atuaram em sintonia, articulando em um resultado uniforme e bem coordenado. Não surpreende, portanto, que o filme tenha sido reconhecido no </span><a href="https://www.cinematorio.com.br/2024/12/salome-e-sucuarana-sao-os-grandes-vencedores-do-57o-festival-de-brasilia/"><span style="font-weight: 400;">57º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, recebendo os prêmios de Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Fotografia, Melhor Edição de Som e Melhor Montagem.</span></p>
<figure id="attachment_35683" aria-describedby="caption-attachment-35683" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35683" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-800x450.png" alt="Na imagem, Dora, uma mulher de pele escura e cabelos cacheados, está sentada e olha para uma mulher mais velha que está em pé à sua frente. Dora veste um casaco azul estampado e um cachecol vermelho vibrante. A mulher mais velha, também de pele escura, usa um gorro macio, um suéter vermelho folgado e um cachecol brilhante, e tem a mão direita estendida sobre a cabeça de Dora, em um gesto que parece de bênção ou acolhimento. Ao fundo, caixas plásticas azuis e verdes sugerem um ambiente doméstico ou de armazenamento." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35683" class="wp-caption-text">Entre a memória e o presente, cada gesto em Suçuarana constrói o sentido da viagem (Foto: Anavilhana)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o arco narrativo clássico sugeriria que Dora encontrasse redenção no acolhimento da comunidade, com lar, trabalho e vínculos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Suçuarana </span></i><span style="font-weight: 400;">prefere </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/6-filmes-geniais-que-quebram-regras-basicas-do-cinema-lista/"><span style="font-weight: 400;">subverter essa expectativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao devolvê-la à procura. A escolha de partir, mesmo diante da possibilidade de permanência, reforça a recusa do final conciliador e aponta o caminho como destino em si – lugar de impermanência, liberdade e busca contínua. Nesse gesto, a produção afirma que não há uma única forma de vida capaz de oferecer respostas universais; ao contrário, abre espaço para múltiplas possibilidades, em que conexão e deslocamento coexistem como tensões inevitáveis da existência.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Suçuarana </span></i><span style="font-weight: 400;">retorna, assim, à estrada que inaugurou sua história: espaço limítrofe, como a própria onça, onde fronteiras entre mundo interno e externo, solidão e coletividade, se tornam maleáveis. O longa se afirma como um cinema atento às </span><a href="https://educasc.com.br/formacao/7-filmes-sobre-meio-ambiente/"><span style="font-weight: 400;">feridas sociais e ambientais</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Brasil – da mineração que devasta Minas Gerais às precariedades da vida cotidiana –, mas sem perder a capacidade de vislumbrar utopias possíveis. Ao recusar finais fáceis, Campolina e Borges sugerem que a verdadeira beleza reside no movimento, na busca incessante, e que a sobrevivência pode ser tanto individual quanto compartilhada, sempre em tensão entre deslocamento e pertencimento.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Suçuarana | trailer oficial | 11 de setembro nos cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Efsh6ElwUCc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/sucuarana-demonstra-que-o-caminho-tambem-pode-ser-o-destino/">Suçuarana demonstra que o caminho também pode ser o destino</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/sucuarana-demonstra-que-o-caminho-tambem-pode-ser-o-destino/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">35681</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Performático, Corpo Presente é movimento</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/corpo-presente-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/corpo-presente-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Nov 2024 17:36:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Cabine de Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Corpo Presente]]></category>
		<category><![CDATA[Corporeidade]]></category>
		<category><![CDATA[Estreia]]></category>
		<category><![CDATA[Filme Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Leonardo Barcellos]]></category>
		<category><![CDATA[Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Performance]]></category>
		<category><![CDATA[Videoartivismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=34491</guid>

					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Pele, ossos, órgãos, sangue e história. São esses cinco elementos que compõem a unidade de um corpo. Matéria física, esse conjunto ganha diversas traduções paradoxais no nosso dia a dia, sendo conhecido como ‘casa da alma’, ‘templo da mente’ e múltiplas variações que, nas entrelinhas, resumem um corpo como o espaço palpável que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/corpo-presente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Performático, Corpo Presente é movimento"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/corpo-presente-critica/">Performático, Corpo Presente é movimento</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34492" aria-describedby="caption-attachment-34492" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34492" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-4-800x450.jpeg" alt="Cena do filme Corpo Presente. Na imagem, um grupo de cinco pessoas aparece enfileirado. No centro tem três mulheres e dois homens nas extremidades. As pessoas vestem roupas manufaturadas nas cores marrom e off white. Tudo é bem natural e duas das mulheres seguram tochas nas mãos. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-4-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-4-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-4-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-4-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-4-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-4.jpeg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34492" class="wp-caption-text">Estreia do dia 28 de Novembro de 2024 no circuito de cinemas do país, Corpo Presente investiga a matéria (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pele, ossos, órgãos, sangue e história. São esses cinco elementos que compõem a unidade de um corpo. Matéria física, esse conjunto ganha diversas traduções paradoxais no nosso dia a dia, sendo conhecido como</span> <span style="font-weight: 400;">‘casa da alma’,</span> <span style="font-weight: 400;">‘templo da mente’ e múltiplas variações que, nas entrelinhas, resumem um corpo como o espaço palpável que abriga o intocável mundo das ideias, como diria Platão. Mas, longe de definições rasas: </span><i><span style="font-weight: 400;">“O que pode um corpo?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em cenas dinâmicas, </span><a href="https://embaubafilmes.com.br/distribuicao/corpo-presente/"><i><span style="font-weight: 400;">Corpo Presente</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> responde.</span></p>
<p><span id="more-34491"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme, que estreou em Novembro de 2024 nos cinemas brasileiros, é uma produção dirigida por <a href="https://www.instagram.com/mtccultura/reel/C7tmmGqu8lP/">Leonardo Barcelos</a>. Com a proposta de explorar a corporeidade em suas possibilidades, a obra mistura relatos reais à cenas diversas, criadas a partir da ficcionalidade ou execução de performances artísticas com uma pluralidade de etnias, gêneros e formatos do corpo humano. </span></p>
<figure id="attachment_34494" aria-describedby="caption-attachment-34494" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34494" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-3-800x450.jpeg" alt="Cena do Filme Corpo Presente. Na imagem, uma mulher branca de cabelos negros está pendurada horizontalmente em um galho de árvore. A imagem está rotacionada e ela parece desafiar a gravidade com os pedaços do vestido branco voando para cima. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-3-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-3-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-3-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-3-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-3-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-3.jpeg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34494" class="wp-caption-text">A experiência subjetiva da protagonista cria uma nova cadeia de subjetividade no público que contempla a obra (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha visual explora a corporeidade em </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> diversos com um tom experimental em que as cenas se assemelham aos efeitos comuns de obras vinculadas ao videoartivismo. Alguns momentos são quase psicodélicos, com um jogo de câmera que incentiva isso de maneira persistente.  A Fotografia, assinada por <a href="https://vagnerjabour.wixsite.com/portifolio">Vagner Jabour</a>, traz planos que se movem criando redes de espirais, com movimentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">travelling</span></i><span style="font-weight: 400;"> – em que a câmera e o corpo se movem em cena –, estáticos e</span><i><span style="font-weight: 400;"> tilt </span></i><span style="font-weight: 400;">– com a câmera explorando uma expansão vertical dos planos. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto interessante se refere a montagem do longa-metragem – também atribuída a Barcellos –, que retoma cenários recorrentemente, com certa evolução dos acontecimentos, a exemplo da cena em que mulher encara um espelho e depois reaparece tocando forma e reflexo. Essa decisão causa a sensação de progressão; a ideia de que, com o avanço dos </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;">, essas personas sem nome vão ganhando mais intimidade e estreitando os laços com o conceito de <a href="https://www2.ufjf.br/faefid//files/2010/08/TCC-L%C3%ADvia-Neves-CORPOREIDADE-UMA-FILOSOFIA-DE-ATUA%C3%87%C3%83O-NA-EDUCA%C3%87%C3%83O-F%C3%8DSICA.pdf">corporeidade</a>. </span></p>
<figure id="attachment_34493" aria-describedby="caption-attachment-34493" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34493 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-5-800x450.jpg" alt="Cena do filme Corpo Presente. Na imagem, uma cadeira aparece abandonada na areia da praia, em um lugar que recebe as ondas da praia. O céu e o mar têm um tom de azul cristalino." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-5-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-5.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34493" class="wp-caption-text">Carregadas de delicadeza e muito detalhamento, cada cena de Corpo Presente relembra aspectos das Artes Visuais (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se fala em narrativa, fica subentendido um discurso sobre gênero, considerando que grande parte das cenas são guiadas por uma protagonista e a maior parte da narração também se dá na voz dela. Considerado o corpo mais subjugado de uma sociedade – junto de pessoas transgênero – essa figura violentada, calada e sufocada é representada por metáforas com o corpo amarrado, soterrado, atingido e até mesmo ‘desmontando’ em torno de uma agressão milenar; herança de gerações longínquas. Outras minorias, como as pessoas negras, indígenas e <a href="https://personaunesp.com.br/tag/lgbtqiapn/">LGBTQIA+</a> também aparecem nesse molde de certo sufocamento, em reflexo à maneira com a qual o mundo as encara. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda, há uma proposta voltada a comparação do corpo com o elemento <a href="https://www.a12.com/redacaoa12/mundo/a-natureza-em-nos-1">natureza</a>. Terra, fogo, ar e água envolvem todo o enredo e vão criando pontes que contrapõem os detalhes, como as veias e o floema das árvores. Essa relação promove a ideia de sistema compartilhado, em que nenhum corpo está isento de histórias bilaterais, afinal, toda a matéria se interliga.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<figure id="attachment_34495" aria-describedby="caption-attachment-34495" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34495" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-2-800x450.jpeg" alt="Cena do filme Corpo Presente. Na imagem, uma mulher negra segura o colo de um manequim branco em frente ao seu próprio. O fundo é completamente preto e não há luzes visíveis. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-2-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-2-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-2-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-2-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-2-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Corpo-presente-2.jpeg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34495" class="wp-caption-text">Corpo Presente faz parte de uma trilogia de Leonardo Barcellos, chamada Trilogia do Corpo (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja ao explorar o corpo enquanto uma forma natural e, necessariamente, <a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/cinema/foco-o-efeito-naturalista-e-o-naturalismo-ao-gosto-do-dia/">naturalista</a>, expondo processos como o parto ou o sexo de maneira selvagem e, juntamente, poética, ou na escolha de expandir detalhes invisíveis a olho nu, como a formatação celular, </span><i><span style="font-weight: 400;">Corpo Presente</span></i><span style="font-weight: 400;"> é disruptivo. Esse ponto cumpre um propósito comum às obras subversivas: colocar o telespectador para pensar. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A forma escolhida pode desagradar quem procura um roteiro linear ou, até mesmo, um enredo inclinado à contação de estórias. O propósito aqui é outro. Em linhas gerais, a produção filmográfica pode ser resumida como uma viagem simbólica em cinesia sobre o que nos permite ter conexão com o planeta Terra e suas perspectivas complexas, capazes de tão mais do que o que está à altura dos olhos. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/corpo-presente-critica/">Performático, Corpo Presente é movimento</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/corpo-presente-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">34491</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Do interior à metrópole, Marina Sena se arrisca com Vício Inerente</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/vicio-inerente-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/vicio-inerente-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Jun 2023 16:07:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2023]]></category>
		<category><![CDATA[Afrobeat]]></category>
		<category><![CDATA[Álbum]]></category>
		<category><![CDATA[Amadurecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[De Primeira]]></category>
		<category><![CDATA[Drill]]></category>
		<category><![CDATA[Fleezus]]></category>
		<category><![CDATA[Funk]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Marinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Iuri Rio Branco]]></category>
		<category><![CDATA[Marina Sena]]></category>
		<category><![CDATA[Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Mudança]]></category>
		<category><![CDATA[Pop]]></category>
		<category><![CDATA[Pop nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Que Tal]]></category>
		<category><![CDATA[Reggaeton]]></category>
		<category><![CDATA[Regionalismos]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Sony Music]]></category>
		<category><![CDATA[TikTok]]></category>
		<category><![CDATA[Trap]]></category>
		<category><![CDATA[trip-hop]]></category>
		<category><![CDATA[Vicio Inerente]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31086</guid>

					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Em seu segundo álbum, Vício Inerente, Marina Sena apresenta uma evolução em relação ao seu álbum de estreia, De Primeira, que fez tanto barulho no cenário brasileiro em 2021. Com influências de gêneros como reggaeton, drill, trap e funk, a artista experimenta novas sonoridades e se arrisca em texturas eletrônicas, resultado de uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/vicio-inerente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do interior à metrópole, Marina Sena se arrisca com Vício Inerente"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/vicio-inerente-critica/">Do interior à metrópole, Marina Sena se arrisca com Vício Inerente</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31088" aria-describedby="caption-attachment-31088" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31088" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3.jpg" alt="Capa do álbum Vício Inerente. Nela está a cantora Marina Sena sentada ao meio em uma estrutura reflexiva metálica que aparenta ser uma caixa com fundo de uma cidade. Ela está com meias longas pretas sentada acima de suas panturrilhas. Enquanto segura uma concha brilhante em seus ouvidos, seus cabelos longos e pretos aparentam movimento esvoaçante e sua pele clara é iluminada por sua maquiagem. Em seu rosto está marcado uma sombra prateada em seus olhos fechados. Acima à esquerda o símbolo MS que nomeia a artista." width="1024" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31088" class="wp-caption-text">Marina Sena participou do projeto Foundry do YouTube Music em 2021, focado em impulsionar e divulgar artistas no começo da carreira (Foto: Sony Music)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu segundo álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i><span style="font-weight: 400;">, Marina Sena apresenta uma evolução em relação ao seu álbum de estreia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2021/#:~:text=Marina%20Sena%20%E2%80%93-,De%20Primeira,-N%C3%A3o%20h%C3%A1%20nada"><i><span style="font-weight: 400;">De Primeira</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que fez tanto barulho no cenário brasileiro em 2021. Com influências de gêneros como </span><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">drill</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;">, a artista experimenta novas sonoridades e se arrisca em texturas eletrônicas, resultado de uma colaboração estreita com seu produtor Iuri Rio Branco, que a acompanha desde o início. Aqui, a cantora apresenta um som mais maduro e coeso, consolidando sua posição no cenário </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional.</span></p>
<p><span id="more-31086"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mineira multitalentosa se mostra ainda mais experiente e segura de si, capaz de criar sonoridades hipnotizantes e profundas que são marcadas pela inovação e pela busca por novas possibilidades estéticas a fim de incrementar seu repertório, que transita entre gêneros pouco explorados no</span><i><span style="font-weight: 400;"> mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional, como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/reggaeton/"><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">trip hop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Composta por doze faixas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente </span></i><span style="font-weight: 400;">conta com parcerias importantes, como Fleezus, nome importante do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/brime/"><i><span style="font-weight: 400;">brime</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> paulistano e ídolo da cantora. No entanto, nem todas as canções apresentam o mesmo refinamento: algumas se mostram mais cruas que outras, como em seu </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas transparecem escolhas conscientes e ousadas dessa mistura.</span></p>
<figure id="attachment_31089" aria-describedby="caption-attachment-31089" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31089" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4.jpg" alt="Foto da cantora Marina Sena. A artista está em pé com um vestido entrelaçado em seu corpo cheio de lantejoulas que brilham refletindo as luzes de um cenário de prédios e instalações urbanas que dão o tom noturno ao fundo da imagem. Seus braços estão apoiados em um fio, enquanto prédios cenográficos estão caídos aos seus pés. A artista de cabelos longos e pretos está olhando para a direita e mantendo a cabeça à frente." width="1024" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31089" class="wp-caption-text">Marina Sena fez o primeiro show de Vício Inerente na Audio, casa de shows na Zona Oeste de São Paulo (Foto: Sony Music)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cantora não tem medo de se aventurar no cenário nacional e de explorar novas sonoridades em seu segundo álbum, afirmando que ser artista significa experimentar e ousar, sem medo de errar. Ela não se preocupa em seguir as convenções do mercado musical e está sempre em busca de novas possibilidades estéticas e sonoras, como disse à </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/04/marina-sena-troca-carroca-por-carrao-em-disco-repleto-de-flerte-e-jogo-de-seducao.shtml"><span style="font-weight: 400;">Folha de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo isso se concretiza em uma obra irreverente a todas as críticas infundadas e maliciosas. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quero que as pessoas entendam de uma vez por todas que eu sou foda</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, Sena diz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">De Primeira</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cantora apresenta uma série de letras sobre amor e relacionamentos, com um tom que oscila entre a sensualidade e a vulnerabilidade. As histórias retratadas nas músicas são, em sua maioria, vivências pessoais, traduzidas em canções </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> chicletes e refrões cativantes, interessantemente construídos com muita naturalidade. As letras são marcadas pela utilização de gírias e </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/de-primeira-marina-sena-canta-sobre-fases-do-amor-em-batidas-dancantes/"><span style="font-weight: 400;">regionalismos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que confere ao disco uma certa proximidade tocante. Além disso, a produção do álbum é minimalista, com destaque para sua voz anasalada e para a presença de elementos percussivos.</span></p>
<figure id="attachment_31090" aria-describedby="caption-attachment-31090" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1.jpg" alt="Foto da cantora Marina Sena. Ela está debruçada na traseira de um carro com luzes roxas iluminando todo seu ambiente. Ao fundo estão as luzes de uma cidade. Ela está vestida com uma saia com lantejoulas e topless apoiada no carro. Seus cabelos lisos e pretos estão para trás. Em seu braço direito estão joias que refletem as luzes." width="1024" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31090" class="wp-caption-text">A canção Por Supuesto, do primeiro álbum de Marina Sena, viralizou no TikTok e alcançou o 5º lugar da lista 50 mundial do Spotify (Foto: Sony Music)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo álbum de Marina Sena mostra que sua ambição não se limita às fronteiras de Minas Gerais, seu estado natal. Seu reconhecimento surgiu logo antes de se mudar para São Paulo. Como um grande sucesso, suas músicas se tornaram virais no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;">, gerando muitos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> para a artista. Além disso, o álbum causou mudanças significativas na vida da cantora, a levando a se mudar de Taiobeiras, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/rica-morando-em-sp-e-com-gravadora-marina-sena-aposta-em-novo-estilo-para-2o-album-esse-e-pra-dancar/"><span style="font-weight: 400;">enricando</span></a><span style="font-weight: 400;"> e permitindo que ela conhecesse outras personalidades musicais, além de assinar um contrato com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Sony</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, sua carreira, apesar do que muitos pensam, não começou </span><i><span style="font-weight: 400;">De Primeira</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Ainda</span> <span style="font-weight: 400;">em Montes Claros (MG), ela montou a banda </span><i><span style="font-weight: 400;">A Outra Banda da Lua</span></i><span style="font-weight: 400;"> e mais tarde integrou o grupo </span><a href="https://www.google.com/search?q=rosa+neon+musica&amp;newwindow=1&amp;sxsrf=APwXEdeKvO3VnB2GZ-yUv1pMRpQwWSIFcA%3A1684041926311&amp;ei=xnBgZNzSEoew5OUP9capoAQ&amp;ved=0ahUKEwjczbeGifT-AhUHGLkGHXVjCkQQ4dUDCBA&amp;uact=5&amp;oq=rosa+neon+musica&amp;gs_lcp=Cgxnd3Mtd2l6LXNlcnAQAzIFCAAQgAQyBggAEBYQHjIGCAAQFhAeOgoIABBHENYEELADOgoIABCKBRCwAxBDOg0IABDkAhDWBBCwAxgBOg8ILhCKBRDIAxCwAxBDGAI6BQguEIAEOgcIABCKBRBDOgcILhCKBRBDOhMILhCABBCXBRDcBBDeBBDgBBgDOggIABAWEB4QD0oECEEYAFBAWP0GYMgHaAFwAXgAgAGTAYgBugaSAQMwLjaYAQCgAQHIARLAAQHaAQYIARABGAnaAQYIAhABGAjaAQYIAxABGBQ&amp;sclient=gws-wiz-serp#fpstate=ive&amp;vld=cid:e1978db4,vid:i14xgbxCMwM"><i><span style="font-weight: 400;">Rosa Neon</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Já com seu disco de estreia, a artista recebeu quatro indicações ao Prêmio Multishow 2021, ficando atrás só de Anitta, agraciada com cinco menções. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A amizade de Marina Sena com os </span><i><span style="font-weight: 400;">rappers</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/jovem-og-critica/"><span style="font-weight: 400;">Febem</span></a><span style="font-weight: 400;">, Fleezus e  DJ Cesrv, após sua chegada a São Paulo e seu trabalho no álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Brime!</span></i><span style="font-weight: 400;">, inspirou os elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">afrobeat</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;"> presentes em seu novo trabalho. Sena o ouvia o tempo todo enquanto produzia seu novo trabalho, afirmando que é o que mais consome e está apaixonada. A participação de Fleezus na faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PJPcrXaJz_c"><i><span style="font-weight: 400;">Que Tal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o único dueto em todas as composições, demonstrando a importância do trabalho do trio em sua carreira. Ela também afirmou que, sempre que sai para algum rolê na cidade, vai assistir algum </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> do que considera a coisa mais fresca no cenário musical brasileiro. Esse frescor é bem traduzido na mistura de tantos gêneros em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31087" aria-describedby="caption-attachment-31087" style="width: 1793px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31087" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2.jpg" alt="Foto da cantora Marina Sena. A artista está de pé a frente de um telão vermelho em um palco, ela veste uma saia jeans com uma grande fivela pendurada que compõe a saia, e uma jaqueta cropped no mesmo material e cor da saia. A artista de cabelos longos e pretos esvoaçantes está olhando para a direita com o microfone em sua mão enquanto canta." width="1793" height="1196" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2.jpg 1793w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31087" class="wp-caption-text">“Nacional… Anitta! Internacional seria a Rosalía, amo as duas!”, disse a artista sobre suas colaborações dos sonhos à revista Cláudia (Foto: Henrique Marinhos/Acervo Pessoal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As três primeiras músicas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i><span style="font-weight: 400;"> já demonstram as diferenças em relação ao seus trabalhos anteriores, que eram muito característicos e mantinham uma solidez muito maior em seus versos e melodias. Enquanto isso, o mais recente marca principalmente um trabalho experimental, com inspirações de artistas como Rosalía, Doja Cat, Nathy Peluso, Djavan, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nenhuma-dor-gal-costa-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gal Costa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Jards Macalé. Ambos tiveram seus propósitos alcançados, em sucesso e conceito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma fatídica história de crescimento profissional em metrópoles, a intensa experiência que </span><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz é uma proposta mais do que pessoal, e há quem se identifique. Assim como seu antecessor, o disco marca uma trajetória e uma personalidade que a artista trabalha com muito esmero, transbordando sua marca. Confiante e sem medo de errar, seu sonho é ser uma das representantes da música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileira </span><a href="https://revistaogrito.com/entrevista-com-marina-sena-que-lanca-disco-de-estreia-meu-som-e-o-brasil-moderno-brasil-pra-exportacao/#:~:text=%22Quero%20muito%20que%20meu%20som%20ultrapasse%20a%20barreira%20da%20l%C3%ADngua%20e%20atinja%20no%20mundo%20inteiro%20pessoas%20que%20v%C3%A3o%20se%20levar%20pelo%20ritmo%2C%20pela%20melodia%2C%20e%20que%20v%C3%A3o%20entender%20a%20m%C3%BAsica%20s%C3%B3%20no%20sentir%E2%80%9D"><span style="font-weight: 400;">para o mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">, levando a música nacional para todo o planeta. E que, entre erros e acertos, continue nesse caminho que tem se aberto à ela.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Vício Inerente" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/13TC44Gy2ClqvvwxGOQ6pr?utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/vicio-inerente-critica/">Do interior à metrópole, Marina Sena se arrisca com Vício Inerente</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/vicio-inerente-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31086</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Exercitando o sonhar, Marte Um mira nas estrelas</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/marte-um-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/marte-um-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Sep 2022 17:29:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Academia de Artes e Ciências Cinematográficas]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Camilla Damião]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Francisco]]></category>
		<category><![CDATA[Cícero Lucas]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema mineiro]]></category>
		<category><![CDATA[Contagem]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Simitan]]></category>
		<category><![CDATA[Desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Gramado]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Sundance]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes de Plástico]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Martins]]></category>
		<category><![CDATA[Governo]]></category>
		<category><![CDATA[Leonardo Feliciano]]></category>
		<category><![CDATA[Mars One]]></category>
		<category><![CDATA[Marte Um]]></category>
		<category><![CDATA[Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Rejane Faria]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Sonho]]></category>
		<category><![CDATA[Thiago Ricarte]]></category>
		<category><![CDATA[Tokinho]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Evangelista]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=28741</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Uma família negra de Minas Gerais navega por um Brasil incerto e nebuloso, afetado pela eleição de um presidente que representa o oposto de quem são. O véu de mundanidade da trama, escrita e dirigida por Gabriel Martins, chamou atenção por onde passou, sendo condecorada em Sundance e em Gramado, chegando, enfim, às &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/marte-um-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Exercitando o sonhar, Marte Um mira nas estrelas"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/marte-um-critica/">Exercitando o sonhar, Marte Um mira nas estrelas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28742" aria-describedby="caption-attachment-28742" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28742 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-1-1.jpg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra duas pessoas sentadas lado a lado na calçada. À esquerda está um homem idoso, de camisa azul e laranja. À direita está uma mulher adulta, de roupa amarela. Os dois são negros e está de noite." width="750" height="313" /><figcaption id="caption-attachment-28742" class="wp-caption-text">Longe da corrida de Filme Internacional desde os tempos de Central do Brasil, o país escolhe pela primeira vez um longa dirigido por um homem negro para nos representar no Oscar (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma família negra de Minas Gerais navega por um Brasil incerto e nebuloso, afetado pela eleição de um presidente que representa o oposto de quem são. O véu de mundanidade da trama, escrita e dirigida por </span><a href="https://academiabrasileiradecinema.com.br/oscar2023/filme-indicado.php"><span style="font-weight: 400;">Gabriel Martins</span></a><span style="font-weight: 400;">, chamou atenção por onde passou, sendo condecorada em Sundance e em Gramado, chegando, enfim, às portas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que escolheu a obra como a representante nacional na corrida pela estatueta de Melhor Filme Internacional no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023.</span></p>
<p><span id="more-28741"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem teve o prazer de assistir </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jFMBb7Z5N24"><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que se encontra em cartaz em pouquíssimas salas de cinema do país que representará no ano que vem, os motivos são óbvios. De maneira quase familiar para o Cinema nacional, e </span><a href="https://sitenocenaculo.com.br/cinema-mineiro-recente/"><span style="font-weight: 400;">em especial o mineiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, Martins costura uma trama de seres humanos à beira de um ataque de nervos, cenário comum e habitual para a população que enxerga em Jair Bolsonaro um mal a ser excomungado de Brasília desde o dia seguinte ao fim de 2018.</span></p>
<p><figure id="attachment_28743" aria-describedby="caption-attachment-28743" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28743 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1.jpeg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra um homem idoso negro sorrindo e parado em frente a um canteiro de jardim, com as mãos na cintura. Ao fundo, vemos prédios e o parapeito de vidro verde do pátio onde ele se encontra." width="2560" height="1384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-800x433.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-1024x554.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-768x415.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-1536x830.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-2048x1107.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-1200x649.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28743" class="wp-caption-text">Antes de Marte Um, Gabriel Martins trabalhou em uma porção curtas e longas; entre eles O Nó do Diabo (2018) e No Coração do Mundo (2019) [Foto: Filmes de Plástico]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Produzido pela Filmes de Plástico com coprodução do Canal Brasil, e financiado por um </span><a href="https://twitter.com/tatianacarvalho/status/1566889046391115779"><span style="font-weight: 400;">edital</span></a><span style="font-weight: 400;"> que trouxe ao mundo o igualmente excepcional </span><i><span style="font-weight: 400;">Cabeça de Nêgo</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> começou sua caminhada pelas salas de cinema no </span><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/mars-one-review-marte-um-1235154101/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Sundance</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde disputou o Prêmio do Júri. A história, embora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6i-9JT_eSRY"><span style="font-weight: 400;">enraizada em uma realidade brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">, estampando uma família da periferia que enfrenta o salário curto, o mercado caro e o país se engolindo, ressoa pelas notas de simpatia e, antagonicamente a ideia do governo atual, otimismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O responsável por capturar essa aura do sonhar, presente desde a esperança de Deivinho (Cícero Lucas) até a voracidade de Eunice (Camilla Damião), é Daniel Simitan e sua trilha sonora espectral, reconhecida com um dos quatros Kikitos que o filme levou para casa no </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/grande-vencedor-do-festival-de-cinema-de-gramado-marte-um-nos-convida-a-sonhar/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Gramado</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso por conta da suavidade que o texto de Martins emprega na criação de suas cenas e ambientações, primeiro isolando sua família protagonista para então agrupá-los, fortalecendo uma das mensagens do filme: unidos, viver é mais descomplicado, ainda que o processo continue árduo e nada valorizador a quem o enfrenta.</span></p>
<figure id="attachment_28744" aria-describedby="caption-attachment-28744" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28744 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3.jpg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra uma mulher adulta negra dormindo de lado numa cadeira de praia vermelha. Ela usa brincos e relógio brilhantes e uma camiseta vermelha com detalhes em branco e azul." width="1200" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28744" class="wp-caption-text">Encontrando suspiros de alívio e felicidade, o filme conta com a presença irreverente de Tokinho (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O pontapé vem na figura de Tércia (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KK2cIKwcv4o"><span style="font-weight: 400;">Rejane Faria</span></a><span style="font-weight: 400;">), a matriarca em constante estado de alerta, já que, após alguns infortúnios bombásticos, passa a acreditar que tem uma maldição lhe mordendo o calcanhar e tenta a todo custo se afastar da família e poupá-los de eventuais tragédias. Na interpretação de Faria, a personagem ganha o coração de quem assiste suas desventuras, e obtém pontos na forma em que doma seus arredores, apaziguando o marido, colocando juízo na cabeça da filha mais velha e apoiando os sonhos do caçula. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Wellington (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j-Tfc0zaTzY"><span style="font-weight: 400;">Carlos Francisco</span></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i><span style="font-weight: 400;">) é a peça mais descompassada da equação. Pai amoroso mas um tanto impaciente, é ele quem leva nas costas os maiores traumas do filme, todos condensados e enclausurados na ficha do Alcóolicos Anônimos que representa tanto uma vitória quanto um lembrete para o torcedor fanático do Cruzeiro. Nas trocas com Eunice, Francisco eletriza o ambiente, e, nas cenas com Deivinho, luta para não atolar o jovem com sonhos próprios, adormecidos pelo curso da vida.</span></p>
<figure id="attachment_28745" aria-describedby="caption-attachment-28745" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28745 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2.jpg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra uma mulher adulta e uma criança negras dormindo sob a luz azul do luar." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28745" class="wp-caption-text">A direção de fotografia de Leonardo Feliciano usa e abusa de planos dos familiares banhados pela luz azul da Lua (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Eunice, resta a Damião o ato de extravasar </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> e oxigenar o filme para além dos dramas de meia-idade e da adolescência. Buscando um refúgio da aconchegante casa em que nasceu e cresceu, chega a hora de exercitar sua identidade como adulta, como pessoa </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> e como alguém há muito ofegante em se colocar como prioridade da história. Na conjectura de </span><a href="https://www.z1portal.com.br/diretor-de-marte-um-comemora-pre-selecao-para-o-oscar-nunca-tinha-ido-pra-um-diretor-negro/"><span style="font-weight: 400;">um Brasil utópico e distópico</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao mesmo tempo, o diretor molda a narrativa da filha mais velha longe dos arquétipos de preconceito e revolta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De fato, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> se centra em personagens complexos e multifacetados, protagonizando uma trama que não se limita em momento algum. Deivinho, o elo que conecta o distante planeta vermelho ao Brasil da família mineira, não se acanha em sonhar. Visitando o reino em que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fUg4xE-7LyM"><span style="font-weight: 400;">tudo é possível</span></a><span style="font-weight: 400;">, o garoto não quer saber de marcar gol e dar carrinho (por mais que tenha talento para tal). Ele quer colonizar a galáxia, mas para isso precisa enfrentar as expectativas daqueles que o criaram sob um molde. Quebrar a ordem das coisas é um processo custoso, e Gabriel Martins, que executa a montagem ao lado de Thiago Ricarte, não cansa de nos lembrar disso.</span></p>
<figure id="attachment_28746" aria-describedby="caption-attachment-28746" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28746 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5.jpg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra quatro pessoas negras da mesma família de pé e reunidas ao redor de um telescópio. Está de noite e a luz azul da lua reflete neles." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28746" class="wp-caption-text">Com um novo método e equipe selecionando o filme brasileiro para o Oscar em 2022, o país tem no histórico as submissões de Deserto Particular, Babenco e A Vida Invisível (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Considerando os exemplos recentes de longas nacionais deixados de lado pelos votantes estrangeiros, a </span><a href="https://academiabrasileiradecinema.com.br/academia-brasileira-de-cinema-e-artes-audiovisuais-anuncia-os-seis-filmes-brasileiros-pre-selecionados-para-concorrer-a-indicacao-ao-oscar2023%ef%bf%bc/"><span style="font-weight: 400;">Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais</span></a><span style="font-weight: 400;"> decidiu reformular sua equipe e método de seleção da obra que representará o país no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com um corpo votante composto por dezenove profissionais da área, Bárbara Cariry presidiu a comissão em 2022, e uma </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/oscar-2023-filmes-pre-selecionados-brasil#:~:text=Montada%20por%2019%20membros%2C%20a,Paloma%20(de%20Marcelo%20Gomes)."><span style="font-weight: 400;">pré-lista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com 6 produções foi divulgada. Ao lado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;">, estavam </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CtLsCjQ01q4"><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Cristiano Burlan), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jAhGhqdMc1c"><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem de Pedro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Laís Bodanzky), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qaxw60-NW4U"><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Carolina Markowicz), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=74kfPQVKbzY"><i><span style="font-weight: 400;">Pacificado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Paxton Winters) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zQzRA3fvnZI"><i><span style="font-weight: 400;">Paloma</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Marcelo Gomes). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final das quase duas horas, a breve sinopse do longa ecoa como uma maneira de vender um filme que não se delimita como simples reimaginação ficcional de uma realidade extremamente desgastante, que diariamente </span><a href="https://www.poder360.com.br/coronavirus/2-anos-de-covid-relembre-30-frases-de-bolsonaro-sobre-pandemia/"><span style="font-weight: 400;">estampa capas de jornais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e preenche VTs da televisão no horário nobre. Mais que uma crônica sobre uma família nada endinheirada lidando com a eleição de um presidente abominável, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz o retrato de como a Arte no Brasil resistiu e ainda reage.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/marte-um-critica/">Exercitando o sonhar, Marte Um mira nas estrelas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/marte-um-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">28741</post-id>	</item>
		<item>
		<title>10 anos de O Palhaço: a gente tem que fazer aquilo que a gente sabe fazer</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/o-palhaco-10-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/o-palhaco-10-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Dec 2021 22:46:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[10 anos]]></category>
		<category><![CDATA[2011]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Circo]]></category>
		<category><![CDATA[Comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Danton Mello]]></category>
		<category><![CDATA[Determinismo]]></category>
		<category><![CDATA[Drama]]></category>
		<category><![CDATA[Dramédia]]></category>
		<category><![CDATA[Fabiana Karla]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Filme Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Larissa Manoela]]></category>
		<category><![CDATA[Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Moacyr Franco]]></category>
		<category><![CDATA[O Palhaço]]></category>
		<category><![CDATA[O Palhaço 10 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Palhaço]]></category>
		<category><![CDATA[Papel Social]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo José]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Selton Mello]]></category>
		<category><![CDATA[Tonico Pereira]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Silva]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=25417</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Não é de hoje que a atribuição de que as comédias têm a obrigação moral de nos fazer rir caiu por terra. Diante dessa sentença, podemos citar inúmeros exemplos de produções que ultrapassam tanto o espectro do riso quanto o do choro, caminhando desde a britânica viciada em sexo até o americano bigodudo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-palhaco-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "10 anos de O Palhaço: a gente tem que fazer aquilo que a gente sabe fazer"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-palhaco-10-anos/">10 anos de O Palhaço: a gente tem que fazer aquilo que a gente sabe fazer</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25422" aria-describedby="caption-attachment-25422" style="width: 652px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25422 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-1-3.jpg" alt="Imagem do filme O Palhaço. Nela, o ator Selton Mello, que interpreta Benjamin, está na parte de trás de uma carreta, ao lado de um ventilador. Ele é um homem branco, de cabelos castanhos ondulados, e veste uma camisa branca, terno e calça cinzas" width="652" height="408" /><figcaption id="caption-attachment-25422" class="wp-caption-text">Dirigido por Selton Mello, a produção chegou aos cinemas no dia 28 de outubro de 2011 (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é de hoje que a atribuição de que as comédias têm a obrigação moral de nos fazer rir caiu por terra. Diante dessa sentença, podemos citar inúmeros exemplos de produções que ultrapassam tanto o espectro do riso quanto o do choro, caminhando desde a <a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-5-anos/">britânica viciada em sexo</a> até o <a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-2a-temporada-critica/">americano bigodudo que vira treinador de um time da Inglaterra</a>. E, se nem a essas produções é convencionado mais esse papel, quem dirá a um dos personagens principais quando o assunto é provocar riso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a velha história do palhaço infeliz que provoca alegria apenas no público se tornou mais do que batida, talvez até ultrapassada e irremediavelmente rasa. Mas, anos antes da produção de Todd Phillips, o ator Selton Mello trouxe uma fábula semelhante para as telonas. Pela segunda vez no posto de diretor de um longa, ele aproxima essa narrativa conhecida de forma imensurável, não apenas por decidir ambientá-la no estado de Minas Gerais, mas por dar luz a um caminho profundo sobre o próprio eu, originando uma produção que não poderia ter outro nome se não </span><i><span style="font-weight: 400;">O Palhaço</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-25417"></span></p>
<figure id="attachment_25419" aria-describedby="caption-attachment-25419" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25419 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-800x536.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme O Palhaço. Nela, o ator Selton Mello, que interpreta Benjamin, está no gramado em frente a lona de um circo. Ele é um homem branco, de cabelos castanhos ondulados, e usa um chapéu preto, camiseta, casaco e calça listrados, e está com um nariz vermelho de palhaço preso em sua testa." width="800" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-800x536.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-1024x685.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-768x514.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-1536x1028.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-1200x803.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25419" class="wp-caption-text">O filme foi um dos principais vencedores do Grande Prêmio Brasileiro de Cinema em 2012, levando 12 dos 14 troféus Grande Otelo, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Direção (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada em 2011, a narrativa acompanha o cotidiano do elenco do Circo Esperança. Entre músicos, malabaristas e mágicos, há como figura central e de grande destaque a dupla de palhaços Puro Sangue e Pangaré, que por acaso também são pai e filho. Por trás das cortinas, assumem a identidade de Valdemar (<a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2021/08/11/paulo-jose-morre-no-rio.ghtml">Paulo José</a>) e Benjamin (Selton Mello), o primeiro também sendo o dono do circo. Na outra mão, o personagem de Mello é responsável por cuidar de todas as burocracias envolvendo alvarás, pagamentos e até sutiãs arrebentados de integrantes do espetáculo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivendo não apenas pelo riso do público, o protagonista também existe pela satisfação de seus colegas próximos, enquanto não possui o seu próprio autocontentamento. Aliás, não é digno de ter ao menos uma identidade, sendo obrigado a carregar uma certidão de nascimento acabada para se provar. Somado ao <a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/">nomadismo</a> da rotina circense, Benjamin não herda nem mesmo um endereço fixo, e, assim, seu lugar no mundo. E nessa simbologia que nasce a crise existencial que conduz o que poderíamos chamar de Coringa brasileiro &#8211; isso se <a href="https://personaunesp.com.br/critica-bingo/">Daniel Rezende não tivesse representado um paralelo</a> com tanta maestria não muito tempo depois. </span></p>
<figure id="attachment_25420" aria-describedby="caption-attachment-25420" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25420 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3-5-800x535.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme O Palhaço. Nela, estão, da esquerda para a direita, os atores Thogun, Álamo Facó, Selton Mello e Renato Macedo, com o ator Tony em frente a este último. " width="800" height="535" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3-5-800x535.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3-5-1024x685.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3-5-768x514.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3-5.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25420" class="wp-caption-text">O Palhaço conta com outros nomes de destaque no elenco, como Tonico Pereira, Moacyr Franco, Fabiana Karla e Danton Mello (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os demais personagens do Circo não recebem a devida profundidade ao longo da trama, servindo apenas como alívio cômico dessa dramédia, o que aqui se faz mais do que necessário. Seus arcos são muito bem posicionados para ilustrar a forma como a vida de Benjamin é condicionada a eles, especialmente à figura do pai, com a ideia de ter como <a href="https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/sociologia/papel-social#:~:text=Refere%2Dse%20%C3%A0s%20responsabilidades%20atribu%C3%ADdas,pessoa%20que%20ocupa%20certa%20posi%C3%A7%C3%A3o.&amp;text=h%C3%A1%20um%20padr%C3%A3o%20comportamental%20e,deveres%20que%20precisam%20ser%20seguidos.">papel social</a> seguir a profissão do mesmo. Ao passo que até o próprio protagonista não tem uma complexidade sobre sua história pessoal, numa perfeita representação do esvaziamento de sua identidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embalado em sua própria melancolia, Selton Mello conquista o papel da sua carreira em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Palhaço</span></i><span style="font-weight: 400;">, em frente e por trás das câmeras. Nascido e criado no meio artístico, o roteiro, coescrito por Marcelo Vindicatto, apoia-se num sarcasmo escancarado, que já fizera o ator ganhar risos do público em vários trabalhos anteriores. A estética agradável e simétrica dos cenários da obra, enlaçada com personagens</span><i><span style="font-weight: 400;"> pra lá</span></i><span style="font-weight: 400;"> de caricatos, seria digna de receber o título de um <a href="https://www1.folha.uol.com.br/webstories/cultura/2021/07/o-estranho-mundo-de-wes-anderson/">filme de Wes Anderson</a> à brasileira, se é que o estadunidense teria a capacidade de dar origem a uma produção tão poética quanto essa. </span></p>
<figure id="attachment_25418" aria-describedby="caption-attachment-25418" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25418 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4-800x461.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme O Palhaço. Nela, está a atriz Larissa Manoela, que interpreta Guilhermina. Guilhermina é uma criança, por volta dos seus 11 anos, ela é uma menina branca, de cabelos castanhos claros e lisos com franja, e veste uma fantasia vermelha, com mangas bufantes e estrelas espalhas, com uma coroa em sua cabeça." width="800" height="461" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4-800x461.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4-1024x590.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4-768x443.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4-1200x692.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25418" class="wp-caption-text">Além de apresentar performances brilhantes como a do eterno Paulo José, o filme também foi a estreia de Larissa Manoela nas telonas (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a essa atmosfera meio </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/moonrise-kingdom-a-perda-da-inocencia-segundo-wes-anderson/"><i><span style="font-weight: 400;">Moonrise Kingdom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Benjamin se vê como um peão isolado na rotina do seu trabalho, que acaba por ser a mesma da sua casa. Desmotivado e destoando dos demais colegas, parte em uma <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/27/opinion/1532693062_745886.html">jornada de autoconhecimento</a> e o encontro da sua motivação, que ele mesmo não faz ideia do que pode ser. Ironicamente, o palhaço viaja para Passos para encontrar seu objetivo, que acaba por ser a mesma cidade de origem do ator que o interpreta, numa espécie de metáfora sobre a sua própria vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conquista da liberdade individual e finalmente sua identidade (material e pessoal) parecem ser o início da satisfação completa de Benjamin, mas acabam por tomar o rumo oposto. O automatismo de seu trabalho unido a uma frustração amorosa apenas aprofundam a crise do personagem de Selton Mello, que se vê cada vez mais enclausurado em seu marasmo particular. A necessidade de explorar o mundo fora da bolha circense em que vivia não se torna uma viagem desperdiçada, e sim uma parte essencial para <a href="https://www.youtube.com/watch?v=fUjOfsoBhMY">se encontrar</a>.</span></p>
<figure id="attachment_25421" aria-describedby="caption-attachment-25421" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25421 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-800x536.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme O Palhaço. Nela, o ator Paulo José, que interpreta Valdemar, está se olhando em um espelho. Valdemar é um senhor branco, de cabelos castanhos, com um bigode, ele veste uma camiseta listrada em preto e branco e usa suspensórios coloridos." width="800" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-800x536.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-1024x685.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-768x514.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-1536x1028.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-2048x1371.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-1200x803.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25421" class="wp-caption-text">“O gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço” (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A descoberta de sua individualidade também é transferida ao ventilador, que se torna um grande componente da narrativa. Em uma <a href="https://casperlibero.edu.br/wp-content/uploads/2015/01/Waleska-Pereira-FCL.pdf">crítica subliminar ao sistema capitalista</a>, o roteiro escancara a necessidade que criamos em ter objetos materiais como frutos de conquista em nossas vidas, além da liquidez e razoabilidade das relações modernas, ao ponto de que o mundo das artes torna-se uma redoma de escape da realidade fria e monótona.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">10 anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Palhaço</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua sendo um passeio necessário sobre autoconhecimento. A dignificação diretamente relacionada ao trabalho e as expectativas criadas pela sociedade, cada vez mais potencializados nos tempos modernos, tornam o filme de Selton Mello uma obra atemporal. Não há cargo, diploma ou medalha que traga satisfação maior do que a beleza de encontrarmos nosso lugar no mundo, aquilo que sabemos e </span><i><span style="font-weight: 400;">queremos</span></i><span style="font-weight: 400;"> fazer. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-palhaco-10-anos/">10 anos de O Palhaço: a gente tem que fazer aquilo que a gente sabe fazer</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/o-palhaco-10-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">25417</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Colônia: a tocante releitura de Holocausto Brasileiro</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/colonia-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/colonia-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Aug 2021 21:30:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[André Ristum]]></category>
		<category><![CDATA[Andréia Horta]]></category>
		<category><![CDATA[Arlindo Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Audiovisual Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Barbacena]]></category>
		<category><![CDATA[Bukassa Kabengele]]></category>
		<category><![CDATA[Canal Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Colônia]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Daniela Arbex]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura Militar]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanda Marques]]></category>
		<category><![CDATA[Globoplay]]></category>
		<category><![CDATA[História Real]]></category>
		<category><![CDATA[Holocausto Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Hospício]]></category>
		<category><![CDATA[Jamily Rigonatto]]></category>
		<category><![CDATA[Manicômio]]></category>
		<category><![CDATA[Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Rejane Faria]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Série]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=22378</guid>

					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Livremente inspirada no livro-reportagem Holocausto Brasileiro de Daniela Arbex, Colônia é a nova aposta do Canal Brasil. A série produzida e dirigida por André Ristum é um retrato sensível sobre o hospício em Barbacena, Minas Gerais, que vitimou mais de 60 mil pessoas no último século. Dividida em 10 episódios, a produção explora &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/colonia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Colônia: a tocante releitura de Holocausto Brasileiro"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/colonia-critica/">Colônia: a tocante releitura de Holocausto Brasileiro</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22379" aria-describedby="caption-attachment-22379" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22379" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2.jpg" alt="Cena da série Colônia. Na imagem aparecem os personagens Gilberto e Eliza centralizados entre outras duas figuras que estão desfocadas nos cantos. Todos usam a camisola cinza do hospício e tem aparência cansada, a imagem está em preto e branco. " width="1200" height="650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2-1024x555.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2-768x416.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22379" class="wp-caption-text">Colônia foi lançada no dia 25 de junho e está disponível na plataforma Globoplay (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Livremente inspirada no livro-reportagem </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-holocausto-brasileiro-de-daniela-arbex/"><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Brasileiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Daniela Arbex, </span><i><span style="font-weight: 400;">Colônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a nova aposta do </span><i><span style="font-weight: 400;">Canal Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">. A série produzida e dirigida por </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/colonia-andre-ristum-entrevista"><span style="font-weight: 400;">André Ristum</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato sensível sobre o hospício em Barbacena, Minas Gerais, que vitimou mais de 60 mil pessoas no último século. Dividida em 10 episódios, a produção explora personagens ficcionais que reconstroem o horror vivido pelos internos do </span><a href="https://memoria.ebc.com.br/cidadania/2015/08/mais-de-60-mil-pessoas-morreram-no-maior-manicomio-do-brasil"><span style="font-weight: 400;">maior manicômio do país</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-22378"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um vagão de carga escuro e sem ventilação leva os “doidos” para um destino cruel. Jogados no assoalho, alguns vomitam, urinam, gritam ou choram – ninguém entra ali e volta a ser como era antes. O </span><i><span style="font-weight: 400;">frame </span></i><span style="font-weight: 400;">remete à forma como os </span><a href="https://amp.dw.com/pt-br/h%C3%A1-75-anos-come%C3%A7avam-as-deporta%C3%A7%C3%B5es-de-judeus-para-os-campos-nazistas/a-36078857"><span style="font-weight: 400;">judeus</span></a><span style="font-weight: 400;"> eram encaminhados aos campos de concentração, e o aspecto degradante e impiedoso animaliza cada figura presente na cena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama nos convida a enxergar pelos olhos de Elisa (Fernanda Marques), uma jovem que foi colocada naquele vagão a mando do próprio pai como castigo por ter engravidado do namorado e recusado se casar com um homem 40 anos mais velho. Desorientada, ela pensa ter sido alvo de um engano, já que seu diagnóstico de esquizofrenia era falso, mas logo percebe que ninguém ia para o Colônia por engano.</span></p>
<figure id="attachment_22380" aria-describedby="caption-attachment-22380" style="width: 645px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22380" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-2-1.jpg" alt="Cena da série Colônia. Na fotografia a personagem Valeska está sentada em uma das camas do hospício, a personagem veste a camisola cinza e a imagem é em preto e branco. " width="645" height="388" /><figcaption id="caption-attachment-22380" class="wp-caption-text">Andréia Horta contou que parte do processo de preparação para a série consistia em fazer limpezas no ambiente das gravações (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na verdade, os internos eram escolhidos a dedo. O prédio descuidado era um depósito de internações injustificadas, a maioria não tinha nenhum problema psiquiátrico, apenas era mais cômodo para os conservadores da sociedade taxá-los de doidos e mantê-los longe de vista. Gilberto (Arlindo Lopes) foi mandado para o hospício por ser </span><a href="https://danielaarbex.com.br/serie-colonia-minha-mae-quer-que-eles-me-curem/"><span style="font-weight: 400;">gay</span></a><span style="font-weight: 400;">; Raimundo (Bukassa Kabengele), um alcoólatra; Valeska (<a href="https://heloisatolipan.com.br/tv/andreia-horta-vive-prostituta-em-colonia-limpava-um-comodo-inteiro-com-um-pano-e-um-balde-com-agua-suja/">Andréia Horta</a>), uma prostituta apaixonada pelo prefeito de Barbacena, e Wanda (Rejane Faria) tinha uma história muito parecida com a de Elisa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não serem protagonistas, os arcos dos personagens são super bem desenvolvidos, pois os pacientes se tornam a ponte de apoio um do outro e impedem que a loucura de viver naquele lugar os consuma completamente. Em certos momentos, as conversas e sorrisos soltos que eles compartilham amenizam o clima acinzentado.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A interpretação de </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/magazine/uma-trajetoria-de-solidez-1.1473244"><span style="font-weight: 400;">Rejane Faria</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói a representação mais marcante da série. Wanda já estava aprisionada no Colônia há quase 30 anos, internada pelo patrão por estar grávida e com seu filho arrancado de seus braços dentro daquele edifício frio, ainda sim seu olhar é capaz de transmitir uma serenidade reconfortante. A personagem ajuda Elisa a não tomar decisões precipitadas e é o ponto de paz da protagonista ao longo da trama. As duas criam um laço praticamente maternal que torna impossível não gostar de como as atuações se complementam. </span></p>
<p><figure id="attachment_22381" aria-describedby="caption-attachment-22381" style="width: 790px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22381" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-2.jpg" alt="Cena da série Colônia. Na imagem aparecem as personagens Wanda e Elisa sentadas em uma cama, ambas vestem a camisola cinza da internação e a fotografia é em preto e branco. " width="790" height="474" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-2.jpg 790w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-2-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22381" class="wp-caption-text">À esquerda Wania (Rejane Faria) e à direita Elisa (Fernanda Marques) [Foto: Globoplay]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Dentro do Colônia, a rotina fazia questão de tirar qualquer traço de humanidade de quem sobrevivia lá. Os internos passavam fome, frio, eram torturados, dopados e até levados para sessões de eletrochoque que, muitas vezes, deixavam sequelas permanentes. Os funcionários do hospício não ouviam opiniões e a direção não se preocupava com quantos iriam morrer, afinal, nenhum deles tinha alguém que se importasse e era fácil se livrar dos corpos como objetos de </span><a href="https://tribunademinas.com.br/noticias/cidade/22-11-2011/comercio-da-morte-so-parou-na-decada-de-80.html"><span style="font-weight: 400;">pesquisa em Universidades</span></a><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das críticas visíveis aos comportamentos machistas e racistas da época, </span><i><span style="font-weight: 400;">Colônia </span></i><span style="font-weight: 400;">não deixa de incluir o período da </span><a href="https://www.politize.com.br/ditadura-militar-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">ditadura</span></a><span style="font-weight: 400;"> nesses desabafos. Como a produção se ambienta na década de 70, parte dos rejeitados levados para o hospício eram opositores do governo autoritário da época. Um trato entre os militares e a coordenação do hospital permitia que alguns protestantes recebessem um destino diferente da morte e fossem levados para o hospital como punição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa também nos entrega reflexões sobre a ética médica com o confronto interno do médico da instituição, que se sente encurralado pela frustração de tantos anos de contribuição com o sistema. E com a enfermeira Laura, interpretada pela atriz Naruna Costa, que ainda vive com a esperança de fazer do Colônia um hospital que cuidasse dos pacientes com seriedade – esse desejo de mudança faz com que ela colabore com Elisa e Wanda ao longo dos episódios. </span></p>
<figure id="attachment_22382" aria-describedby="caption-attachment-22382" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia.png" alt="Imagem da série Colônia. Na fotografia aparecem os personagens Natalia, Eduardo e Ivan sentados no porta malas de um carro. Ivan é careca, tem pele clara e usa óculos, camiseta escura e calça jeans. Eduardo é um homem negro e usa camisa de botões branca estampada com uma calça de tom claro. Natalia é branca e tem cabelos médios e castanhos, suas roupas não aparecem na imagem." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22382" class="wp-caption-text">“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia” (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia é um dos pontos que se destacam, as cenas foram produzidas em preto e branco e isso carrega toda uma genialidade, já que o peso daquelas paredes não poderia ser representado com cores. A trilha sonora e a locação escolhida como cenário também somam os tons sombrios e dramáticos de que a trama precisa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Títulos nacionais, como </span><a href="https://diariodorio.com/critica-os-ultimos-dias-de-gilda/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Últimos Dias de Gilda</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.omelete.com.br/amazon-prime-video/criticas/manhas-de-setembro-critica-primeira-temporada"><i><span style="font-weight: 400;">Manhãs de Setembro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=f-WR_Tugips"><i><span style="font-weight: 400;">Onde Está Meu Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, têm chamado atenção e trazido a esperança de mais reconhecimento para o audiovisual brasileiro. </span><i><span style="font-weight: 400;">Colônia </span></i><span style="font-weight: 400;">não fica de fora dessa lista e facilmente poderia ser classificada como um dos melhores lançamentos de 2021. Tudo é ambientado de forma coerente, com trabalhos de atuação impecáveis que emocionam pelos detalhes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Colônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais que uma produção audiovisual, é um alerta para a questão da valorização da saúde mental e para o cuidado com os </span><a href="https://estanciabelavista.org.br/saude-mental-e-direitos-humanos-do-debate-a-implementacao/"><span style="font-weight: 400;">direitos humanos</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Brasil. Seu </span><i><span style="font-weight: 400;">script </span></i><span style="font-weight: 400;">sensível e delicado remonta com louvor o marco histórico de uma tragédia brasileira muitas vezes esquecida.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/colonia-critica/">Colônia: a tocante releitura de Holocausto Brasileiro</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/colonia-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">22378</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Crônica da Casa Assassinada explicita os desejos reprimidos da aristocracia mineira</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/cronica-da-casa-assassinada-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/cronica-da-casa-assassinada-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Jun 2021 12:30:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[1959]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[A Casa Assassinada]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica da Casa Assassinada]]></category>
		<category><![CDATA[Isabella Siqueira]]></category>
		<category><![CDATA[José Luiz Villamarim]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Intimista]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Lúcio Cardoso]]></category>
		<category><![CDATA[Minas Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Os Meneses]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo César Saraceni]]></category>
		<category><![CDATA[Reedição]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Segunda fase do Modernismo brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Jobim]]></category>
		<category><![CDATA[Vila Velha]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=21164</guid>

					<description><![CDATA[<p>Isabella Siqueira Crônica da Casa Assassinada, lançado em 1959, assim como vários romances eternizados, contempla o fim da tradição familiar. Mas, ao contrário de clássicos como Os Buddenbrook e Cem Anos de Solidão, o romance não ficou marcado na literatura brasileira como deveria. A reedição pela Companhia das Letras é apenas o ponto de partida &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cronica-da-casa-assassinada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Crônica da Casa Assassinada explicita os desejos reprimidos da aristocracia mineira"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/cronica-da-casa-assassinada-critica/">Crônica da Casa Assassinada explicita os desejos reprimidos da aristocracia mineira</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21165" aria-describedby="caption-attachment-21165" style="width: 452px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21165" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/9786559210312_gg.jpg" alt="Capa do livro Crônica da Casa Assassinada. Na imagem consta uma capa estampada por formas marrom e preto, com o nome do autor, Lúcio Cardoso, no canto superior. O título do romance está abaixo em uma caixa cortada preta, onde está escrito: Crônica da Casa Assassinada. Acima, está o logo da editora Companhia das Letras." width="452" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-21165" class="wp-caption-text">Em abril, foi lançada a nova edição de Crônica da Casa Assassinada pela Companhia das Letras (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Isabella Siqueira</b></p>
<p><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14767"><i><span style="font-weight: 400;">Crônica da Casa Assassinada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançado em 1959, assim como vários romances eternizados, contempla o fim da tradição familiar. Mas, ao contrário de clássicos como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=E2ELUtPcEhQ&amp;ab_channel=tatianagfeltrin"><i><span style="font-weight: 400;">Os Buddenbrook</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/cem-anos-de-solidao/"><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o romance não ficou marcado na literatura brasileira como deveria. A reedição pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/klara-e-o-sol-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é apenas o ponto de partida para a reparação que o autor merece. O crédito, muito merecido, de </span><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2021/04/07/classico-de-lucio-cardoso-ganha-nova-edicao-pela-companhia-das-letras/"><span style="font-weight: 400;">Lúcio Cardoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> é visível pela maneira com que ele examina o interior da aristocracia mineira e sua decadência.</span></p>
<p><span id="more-21164"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A família retratada no livro, Os Meneses, </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2021/05/21/interna_pensar,1268694/cronica-da-casa-assassinada-ganha-nova-edicao.shtml"><span style="font-weight: 400;">existiu na vida real</span></a><span style="font-weight: 400;">, e é o exemplo perfeito para a maldição mais clássica da literatura. Inevitavelmente, o apogeu de um clã tradicional é sempre passageiro, e apesar da glória momentânea, é garantido que o fundo do poço é muito mais traiçoeiro. Em meio a cartas (enviadas ou não), confissões e relatos avulsos, </span><a href="https://www.revistaamalgama.com.br/10/2013/ler-lucio-cardoso/"><span style="font-weight: 400;">Cardoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> trilha uma história sombria sobre indivíduos aprisionados pelo próprio sangue. Os capítulos são todos narrados em primeira pessoa, trazendo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OBlH8bFI8fg"><span style="font-weight: 400;">certa desconfiança</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto a cada versão apresentada, e noções distorcidas sobre cada personagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A condenação à solidão é uma realidade auto imposta na Chácara, residência dos Meneses. O retrato de uma casa acabada e triste é clichê, mas efetivo. Conforme vão sendo contadas as histórias dos familiares, é possível entender o estado decadente dos cômodos e jardins, abandonados a Deus numa combinação perfeita com a miséria de seus moradores. Assim como o declínio da residência dos Buendía em Macondo e dos Buddenbrook no norte alemão, a mansão mineira localizada em Vila Velha sofreu com </span><span style="font-weight: 400;">o fim da oligarquia latifundiária.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Do lado de fora, isolada daquele quadro harmonioso, pensei comigo mesma que eles tinham toda a aparência de uma família feliz. Aparência apenas, porque em todos eles havia um elemento destrutor que os corroía.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida doméstica dos Meneses é regida por sentimentos de dor e ódio, familiares que se detestam, evitam a presença e palavras afiadas uns dos outros. O próprio destino que criou um clã abastado, foi culpado pela existência de seres tão miseráveis. Os herdeiros restantes, Valdo e Demétrio, não tentam elevar o status de glória e solidez que um dia tiveram, visto que já não sabem administrar uma propriedade desse porte. Contudo, a existência simplória de todos muda com a chegada da carioca Nina, moça jovem, bela e espontânea.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal como </span><a href="https://www.bonslivrosparaler.com.br/livros/resenhas/anna-karienina/1403#:~:text=Enfim%2C%20em%20%E2%80%9CAnna%20Karenina%E2%80%9D,hist%C3%B3ria%20que%20atravessa%20o%20tempo."><span style="font-weight: 400;">Anna Karenina</span></a><span style="font-weight: 400;">, Nina é uma personagem descrita por sua beleza e juventude que é brutalmente castigada por seu criador. Ao mesmo tempo que atrai homens com um simples olhar, recebe desconfiança e culpa. Enganada por Valdo pela promessa de uma vida abastada, ela chega a Vila Velha para se deparar com a solidão. A personagem não hesita em se entregar aos prazeres da vida, tendo casos amorosos, e inclusive se envolvendo com o próprio filho. Revela em cartas a fuga de seu casamento com Valdo, tendo sido acusada de adultério e levada ao exílio, voltando 15 anos depois. Os momentos finais da personagem são cruéis, visto que ela padece de um câncer doloroso que extenua a agonia de sua morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama é explorada sob pontos de vista distintos. Além dos familiares, o médico, padre e o farmacêutico registram a visão externa da família, sendo também testemunhas do passado rico do clã. Ana, esposa de Demétrio, é dona de valores regionais conservadores e nutre uma obsessão pela cunhada, mostrando-se como uma vilã rancorosa. Assim, se destaca a dualidade que permeia o romance, de um lado o regionalismo mineiro dos Meneses, de outro a vulgaridade urbana do Rio de Janeiro explícita em Nina.</span></p>
<figure id="attachment_21166" aria-describedby="caption-attachment-21166" style="width: 350px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21166" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/indice.jpeg" alt="Foto do autor Lúcio Cardoso. A fotografia possui um aspecto antigo, em bege e marrom claro. O autor é um homem branco de meia idade com cabelos e olhos castanhos, ele veste uma camisa preta e olha para o lado, suas mãos estão na altura dos joelhos. A sala possui paredes brancas, uma pequena estante com livros e pinturas na cama onde Lúcio Cardoso está sentado." width="350" height="251" /><figcaption id="caption-attachment-21166" class="wp-caption-text">“Se Deus existe – e sei, sinto que existe – está comigo. Não é possível participar de tantas formas de vida, delas estando tão ausente. E morro de tudo o que vivo: sinto que a existência, em certos momentos, é quase um sacrilégio”, escreveu Lúcio Cardoso em seu diário (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lúcio Cardoso opta por explorar intimamente a condição humana dos personagens. Ademais, o autor reúne recursos sociais da época para complementar a história, considerando que a sociedade da trama é formada por uma pequena vila mineira do século XX. O medo do desenvolvimento urbano, o fim dos grandes casarões e o apego ao saudosismo regional são fatores que inflamam a fragmentação dos Meneses. Já no âmbito privado, o autor pontua os tabus que alcançam o clã, como homossexualidade, incesto e suicídio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O retrato dos personagens contradiz a visão externa que a família exibe para os habitantes de Vila Velha, a riqueza e tradição dos Meneses é apenas um mito. Timóteo, um dos herdeiros, é um homossexual assumido que vive em reclusão sendo apresentado como doente para preservar a dignidade da família, que tenta esconder suas excentricidades, ele usa roupas velhas e joias de mulher. O personagem encontra amizade e afeto apenas em sua cunhada, Nina, com quem planeja uma vingança contra o clã.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">André, narrador do primeiro capítulo, é protagonista do arco mais chocante da trama. Desamparado e perdido com relação ao passado de seus pais, o jovem embarca num </span><a href="http://www.psicopatologiafundamental.org.br/uploads/files/VII%20CONGRESSO/ANAIS/posters/P1.pdf"><span style="font-weight: 400;">caso incestuoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> com sua mãe. Incompreendido pelo pai, por quem não nutre nenhum afeto, ele é deixado aos cuidados de Betty, a governanta da casa. A verdade sobre sua origem é revelada no final da obra, Cardoso inverte a história estabelecida nas últimas páginas, onde castiga o leitor por quaisquer juízos de valores errôneos criados.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“E sendo assim, desgraçada também a potência que nos inventou, pois inventou também ao mesmo tempo a ânsia inútil, o furor do escravo, e a perpétua vigília por trás desse cárcere de que só escapamos pelo esforço da demência, do mistério ou da confusão.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Como dito no próprio título, o personagem principal é a própria Chácara, reflexo das falhas do clã Meneses. Os jardins sem vida e objetos de luxo são lembranças inúteis de um passado rico, janelas fechadas e um quartos escuros são o lar dos fantasmas vivos que habitam o local. A descrição de cada diálogo e cena é acompanhada pela aparência melancólica e decadente do cenário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ambiente conhecido do leito é o Pavilhão, que abriga os amores e casos de Nina, além do único momento de verdadeira felicidade que a personagem conheceu junto a Valdo. Mas, ao mesmo tempo, é um espaço que exala morte e desespero, onde ocorreu o suicídio de Alberto, amante da carioca, um fator decisivo para o rancor de Ana, secretamente apaixonada pelo jovem jardineiro.</span></p>
<p><a href="https://www.jornalopcao.com.br/opcao-cultural/destarte/lucio-cardoso-em-busca-do-arcanjo-rebelde-110100/"><span style="font-weight: 400;">Lúcio Cardoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi (tardiamente, vale ressaltar) trazido de volta pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">. O escritor, que estreou em 1934 com o romance </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0204200516.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Maleita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, não é tão citado em comparação aos grandes nomes da segunda fase do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YlqUollEjyo"><span style="font-weight: 400;">Modernismo brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Clarice Lispector e Graciliano Ramos. Amor juvenil de Lispector, ele fez parte da ramificação modernista chamada de </span><a href="https://www.sescsp.org.br/online/artigo/104_QUEM+FOI+LUCIO+CARDOSO"><span style="font-weight: 400;">Literatura Intimista</span></a><span style="font-weight: 400;">, os autores desse grupo centravam suas obras nos conflitos do indivíduo, contrariando as críticas sociais e ares progressistas, marcados em grandes romances como </span><i><span style="font-weight: 400;">Vidas Secas</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitães da Areia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em sua obra-prima, Cardoso não hesita em expor a família burguesa como animais donos de desejos reprimidos e almas solitárias.</span></p>
<figure id="attachment_21167" aria-describedby="caption-attachment-21167" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21167" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/a-casa-assassinada.jpg" alt="Cena do filme A Casa Assassinada. A foto está em preto e branco, nela estão os atores Carlos Kroeber no papel de Timóteo e Norma Bengell como Nina. Timóteo é um homem branco de meia idade com cabelos castanhos e seus olhos estão fechados, ele usa um vestido estampado e maquiagem nos olhos, ele também usa pulseiras e brincos, está com as mãos cruzadas sobre o corpo de Nina. A personagem feminina é uma mulher branca que está deitada e morta, ela possui cabelos loiros e veste um vestido preto. Atrás dos personagens, existem homens de ternos cujas cabeças estão cortadas pela imagem." width="500" height="334" /><figcaption id="caption-attachment-21167" class="wp-caption-text">Cena da adaptação cinematográfica dos anos 70; o longa é estrelado por Norma Bengell como Nina, e Carlos Kroeber como Timóteo (Foto: Planiscope Planificações e Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cardoso foi muito influenciado por </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/pecado-e-santidade-na-alma-em-ruinas/"><span style="font-weight: 400;">autores católicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e levanta </span><a href="https://vermelho.org.br/2012/01/12/cronica-da-casa-assassinada-um-romance-regionalista-sem-historia/"><span style="font-weight: 400;">questionamentos religiosos</span></a><span style="font-weight: 400;"> na obra, principalmente, nas partes narradas por Padre Justino ou em confissões enviadas ao personagem. Outro tema comum ao catolicismo é abordado quando sugere que o pecado é realizado por aqueles que não aproveitam a vida, e que buscam a perfeição como norma suprema. Assim, os Meneses, seres isentos de erros que vivem com a máxima dignidade, são tão pecadores quanto Nina, que aceita uma vida pecaminosa e plena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história do romance foi transportada para o cinema nos anos 70. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kXMg3NQt-Lo&amp;ab_channel=Jo%C3%A3oCarlosRodrigues"><i><span style="font-weight: 400;">A Casa Assassinada</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> um filme dirigido por Paulo César Saraceni em 1971, esteve presente inclusive no primeiro Festival de Gramado, e também no Festival de Brasília. O longa teve sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=f-32Zjd7cDQ"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> feita por Tom Jobim. Além da produção, existe um projeto para uma </span><a href="https://glamurama.uol.com.br/jose-luiz-villamarim-vai-dirigir-versao-do-classico-cronica-da-casa-assassinada-de-lucio-cardoso-para-o-cinema/"><span style="font-weight: 400;">nova versão</span></a><span style="font-weight: 400;"> no cinema, cuja direção ficará a cargo de José Luiz Villamarim (</span><i><span style="font-weight: 400;">Nada Será Como Antes</span></i><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra-prima começa pelo final, a morte de Nina e o afastamento de André encerram a narrativa dos Meneses, presos eternamente num conto aristocrático trágico. Meias confissões e relatos envoltos de culpa ajudam a situar a névoa que abraça não só os familiares, mas toda a pacata Vila Velha. O autor é ousado ao afrontar os costumes </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/lucio-cardoso-levantou-um-punhal-contra-minas-gerais-em-obra-prima.shtml"><span style="font-weight: 400;">regionalistas mineiros</span></a><span style="font-weight: 400;">, expondo sem dó a corrosão moral da oligarquia brasileira. A falta de reconhecimento do romance é injustificável, mil reedições de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crônica da Casa Assassinada</span></i><span style="font-weight: 400;"> não são suficientes para reparar o período em que Lúcio Cardoso permaneceu desvalorizado na literatura nacional.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/cronica-da-casa-assassinada-critica/">Crônica da Casa Assassinada explicita os desejos reprimidos da aristocracia mineira</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/cronica-da-casa-assassinada-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">21164</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
