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	<title>Arquivos Matilda &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Harry‘s House faz qualquer um se sentir em casa</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jul 2022 17:17:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabrielli Natividade da Silva  Não é segredo que Harry Styles sabe fazer uma boa Música. Já tendo acumulado mais de cinco anos de carreira solo e alguns grandes prêmios (incluindo um Grammy), o cantor lançou, no dia 20 de maio, seu novo álbum, Harry&#8217;s House, formando sua santíssima trindade perfeita. Se Harry Styles narra um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/harrys-house-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Harry‘s House faz qualquer um se sentir em casa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28274" aria-describedby="caption-attachment-28274" style="width: 1008px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-28274" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/harry-capa.jpg" alt="Capa do álbum Harry 's House. É vista uma sala de estar simples e retrô de cabeça para baixo, são predominantes os tons de bege e marrom claro. No centro da parte inferior da imagem há um pequeno lustre de luz branca aceso e, ao seu lado direito está Harry, um homem branco e com cabelo castanho, próximo aos trinta anos. Harry tem sua mão esquerda na cintura e a direita no queixo; veste uma blusa branca, com três listras horizontais na cor rosa e mangas bufantes; também veste uma calça jeans escura e larga, e sapatilhas brancas. Ao lado esquerdo de Harry há uma janela aberta e, acima de si, uma cadeira com assento simples bege e braços de ferro. Seguindo a sequência da cadeira, da esquerda para a direita estão: um vaso de tulipas cor de rosa, um sofá marrom claro de dois lugares e com braços de ferro, e uma pequena mesa marrom escura com pés de ferro. Sobre a mesa estão um abajur redondo amarelo claro e um prato branco. Na parede oposta à janela, há uma porta bege com formato de arco, e, à sua esquerda, um pequeno quadro quadrado. " width="1008" height="1008" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/harry-capa.jpg 1008w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/harry-capa-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/harry-capa-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/harry-capa-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28274" class="wp-caption-text">Deixando a Gucci de lado por um instante, Harry usa na capa do álbum um dos looks da última coleção de verão da designer inglesa Molly Goddard (Foto: Columbia Records)</figcaption></figure>
<p><b>Gabrielli Natividade da Silva </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é segredo que Harry Styles sabe fazer uma boa Música. Já tendo acumulado mais de cinco anos de carreira </span><i><span style="font-weight: 400;">solo </span></i><span style="font-weight: 400;">e alguns grandes prêmios (incluindo um </span><a href="https://youtu.be/UlIq5gvqOmA"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), o cantor lançou, no dia 20 de maio, seu novo álbum, </span><a href="https://open.spotify.com/album/5r36AJ6VOJtp00oxSkBZ5h?si=fMmI3VbPT2KiRss3Teojrg"><i><span style="font-weight: 400;">Harry&#8217;s House</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> formando sua santíssima trindade perfeita. Se </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-styles-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Harry Styles</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> narra um amor trágico e </span><a href="https://personaunesp.com.br/fine-line-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fine Line</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um equilíbrio entre quedas e acertos, o caçula é revigorante como a trilha sonora de um clássico filme romântico. São treze novas faixas muito empolgantes e aconchegantes que refletem otimamente que o britânico está em sua melhor fase, cada vez mais seguro de si, de sua vida e, claro, de sua Música. </span></p>
<p><span id="more-28271"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia de casa e conforto foi muito bem pensada, apesar de reciclar uma estratégia de </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i><span style="font-weight: 400;"> do álbum lançado em 2019. Muitos fãs provavelmente se recordam do “surto” para desvendar os mistérios de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Eroda</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para promover o clipe de </span><a href="https://youtu.be/yezDEWako8U"><i><span style="font-weight: 400;">Adore You</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Harry escolheu vender a ilha fictícia como um verdadeiro destino turístico, sem revelar que estava por trás de toda a obra. O mesmo foi feito com </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry’s House</span></i><span style="font-weight: 400;">: meses antes do anúncio do disco, foram criadas contas no </span><a href="https://twitter.com/youarehome?s=20&amp;t=j3koO0J9zXkHFrhv_y-k6w"><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e no </span><a href="https://www.instagram.com/youarehome/"><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para a suposta loja de decoração </span><i><span style="font-weight: 400;">You Are Home</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; houve até anúncios em jornais locais. Tudo começou a ficar suspeito quando a marca passou a postar nada mais que frases no </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;"> e imagens atrás de uma porta semiaberta no </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i><span style="font-weight: 400;">. Se confirmaram as teorias de que o terceiro álbum realmente estava vindo quando Styles seguiu todos os perfis nas redes sociais. </span></p>
<figure id="attachment_28275" aria-describedby="caption-attachment-28275" style="width: 766px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-28275" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-4.jpg" alt="Foto de Harry Styles. Ao centro da imagem está Harry, um homem branco e com cabelo e bigode castanhos, próximo aos trinta anos; veste um moletom branco sem estampa e com capuz, e há uma presilha em seu cabelo; ele está sorrindo. Harry está com fones de ouvido e a sua frente, no lado direito da imagem, está um microfone. Atrás de si está um tecido com estampa de mandala em tons terrosos, além de luzes brancas de natal, na parte superior da imagem. " width="766" height="514" /><figcaption id="caption-attachment-28275" class="wp-caption-text">Styles no estúdio, confortável como se estivesse em casa (Foto: Harry Styles/Instagram)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em entrevista para </span><a href="https://youtu.be/3L4m5ZMzf3A"><span style="font-weight: 400;">Zane Lowe</span></a><span style="font-weight: 400;">, Harry comentou sobre a proposta geral para o álbum: </span><i><span style="font-weight: 400;">“É sobre um dia na minha casa, pelo que eu passo. Um dia na minha mente. Na minha casa eu estou tocando músicas divertidas, músicas tristes, alegria, dor, um dia na minha vida”</span></i><span style="font-weight: 400;">. De fato, o disco faz com que o ouvinte se sinta próximo e íntimo do cantor, como se estivesse acompanhando-o a um passeio com muita conversa. Não haveria título melhor para refletir essa ideia e, apesar de haver especulação sobre a sua origem ter relação com a música </span><a href="https://youtu.be/GeDmeIgOlKg"><i><span style="font-weight: 400;">Harry’s House/Centerpiece</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Joni Mitchell, Harry disse, na mesma entrevista, que é uma referência ao cantor japonês Hosono, que lançou o álbum </span><a href="https://youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_k540BdmyDgApETMVGMMK5Kd-h1kL7HsI0"><i><span style="font-weight: 400;">Hosono House</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. De qualquer forma, ambos os projetos foram lançados na década de 1970 e conversam bem com o estilo de acordes suaves e instrumentos de sopro utilizados por Harry.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;">, como um todo, é muito intrínseca e vulnerável. Grande parte das músicas dialoga entre si, demonstrando diversos ângulos de um grande amor que pode andar em círculos, até que os envolvidos tenham força para se adaptar às mudanças e aos desafios. Todavia, </span><a href="https://youtu.be/lVnzO7opqNs"><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> carrega uma fragilidade incomparável. A faixa é delicada ao máximo, sendo um conselho direto do próprio Harry para todos que cresceram sem receber o amor que deveriam e sentem a culpa por isso, incentivando a autocompaixão e a libertação de relações tóxicas. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu acho que as pessoas sentem muita culpa por coisas que elas não necessariamente deveriam sentir. É seu direito proteger o espaço ao seu redor e ser protetor consigo mesmo e cuidar de você mesmo”</span></i><span style="font-weight: 400;">, declarou Styles para a </span><a href="https://www.npr.org/2022/05/20/1100146480/where-is-harrys-house-anyway-harry-styles-explains"><i><span style="font-weight: 400;">NPR</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Harry Styles - As It Was – Live from One Night Only in New York" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/s8MlHTI7bUE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Para falar sobre as prováveis inspirações para o novo trabalho do britânico, é necessário apontar que Styles é muito influenciado por grandes artistas dos anos 1970 e 1980, como Queen, Fleetwood Mac e Mick Jagger. Esses exemplos sempre estiveram presentes nas músicas do ex-One Direction &#8211; especialmente em seu primeiro álbum, quando Harry ainda estava buscando seu próprio estilo e espaço &#8211; e não foi diferente com a leva mais recente. A referência oitentista ligada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, às baladas e ao </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">clássico, misturados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, funcionaram muito bem, apesar de não ser uma ideia totalmente inédita. </span><a href="https://youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_nDFJQ8G2RNYuZriujUlrGlOWrfBW8ASdI"><span style="font-weight: 400;">Dua Lipa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_lwaD8UXRautA8W9eWT4zZOvwf5Ktxpax8"><span style="font-weight: 400;">The Weeknd</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, alcançaram o topo das paradas, em 2020, com essa mesma tática, e o mesmo é esperado para o britânico com <em>Harry&#8217;s House</em>. </span></p>
<p><a href="https://youtu.be/G2BYATpr4uY"><i><span style="font-weight: 400;">Daydreaming</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é outro exemplo da mistura entre o contemporâneo e as influências do final do século passado. A faixa é consolidada como uma das mais divertidas do álbum e isso pode ser explicado por ter feito uso do </span><i><span style="font-weight: 400;">sample </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://youtu.be/c8dfFwLEc0U"><i><span style="font-weight: 400;">Ain’t We Funkin’ Now</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de autoria do The Brothers Johnson. Com a bateria, o baixo e o trompete bem característicos, a música de 1978 tem tudo o que é necessário para a de 2022 funcionar &#8211; </span><a href="https://www.instagram.com/reel/CdzSKHqA_J9/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">Quincy Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">, produtor musical da dupla, elogiou Styles e agradeceu pelos créditos. Trazer esse estilo para as outras músicas ficou por conta de Harry e seu time, o cantor escolheu trabalhar novamente com Kid Harpoon e Tyler Johnson, além de seu guitarrista Mitch Rowland. O trio participou, junto ao cantor, no processo de criação dos </span><a href="https://www.allmusic.com/album/harry-styles-mw0003041526"><span style="font-weight: 400;">dois álbuns</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançados anteriormente e, novamente, fizeram um ótimo trabalho.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Passando para a ordem das faixas, Harry expôs para a </span><a href="https://youtube.com/shorts/vzIOw2wIjqw?feature=share"><i><span style="font-weight: 400;">iHeart</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sobre os desafios para encontrar a sequência perfeita.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Sequenciamento é, provavelmente, a parte que eu acho mais estressante, porque está essencialmente finalizado e você só tem que ouvir de várias formas diferentes”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Bom, todo o esforço compensou, pois o álbum passa uma energia decrescente que é muito interessante de se ouvir, começando com a animação dos trompetes de </span><a href="https://youtu.be/r5m6ScpU0yY"><i><span style="font-weight: 400;">Music For a Sushi Restaurant</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, até chegar nas batidas calmas de de </span><a href="https://youtu.be/hkK5e7CY_h0"><i><span style="font-weight: 400;">Love Of My Life</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Contudo, não dá para negar que o cantor está em sua era invertida, isso é visto na própria capa do álbum, no início de </span><a href="https://youtu.be/7o1EBarYGOs"><i><span style="font-weight: 400;">Boyfriends</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e até mesmo no </span><a href="https://youtu.be/zVANaD9WSTA"><span style="font-weight: 400;">vídeo promocional </span></a><span style="font-weight: 400;">divulgado quase um mês antes do lançamento, que contém o áudio invertido da última música do disco. Levando tudo isso em conta, é possível concluir que, talvez, a sequência “correta” de </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry’s House</span></i><span style="font-weight: 400;"> também é invertida, mesmo fazendo sentido dos dois modos, sendo uma genialidade impressionante, como de costume para Styles.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Harry Styles - Late Night Talking (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/4VaqA-5aQTM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“To boyfriends everywhere…fuck you!”</span></i><span style="font-weight: 400;">, assim foi anunciada a 12ª faixa do álbum em pleno </span><i><span style="font-weight: 400;">Coachella</span></i><span style="font-weight: 400;">. Faltando pouquíssimos dias para o lançamento do álbum, Harry estreou </span><a href="https://youtu.be/Wvb7Pe7bziA"><i><span style="font-weight: 400;">Boyfriends</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em um dos maiores festivais de Música do mundo (diga-se de passagem, todo o seu </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi uma apresentação de ouro). A faixa, apesar de subestimada por muitos, é, provavelmente, uma das mais sinceras de todo o disco, seguindo o tempo todo um ritmo acústico e com enfoque total na voz do britânico, passando claramente a mensagem sofrida de uma pessoa que, apesar de se doar muito, foi magoada por um namorado ruim. Além dela, também foi performada </span><a href="https://youtu.be/IKC5sWSH-xQ"><i><span style="font-weight: 400;">Late Night Talking</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a música, que só confirmou a </span><i><span style="font-weight: 400;">vibe</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">disco </span></i><span style="font-weight: 400;">que o álbum teria, também narra sobre se doar inteiramente a alguém, sem pedir nada em troca. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Harry sempre foi bom em se colocar no mapa com bons </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;">: em 2017 foi </span><a href="https://youtu.be/qN4ooNx77u0"><i><span style="font-weight: 400;">Sign Of The Times</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 2019 foi </span><a href="https://youtu.be/E07s5ZYygMg"><i><span style="font-weight: 400;">Watermelon Sugar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e agora, em 2022, foi </span><a href="https://youtu.be/H5v3kku4y6Q"><i><span style="font-weight: 400;">As It Was</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A música, que alcançou números incríveis muito rápido, se sustenta como uma boa representação de todo o álbum, com uma batida nostálgica e uma letra reflexiva. </span><i><span style="font-weight: 400;">“É sobre metamorfose, se perder e se encontrar. Abraçar o fato de que a vida te atinge em momentos diferentes, não quando você espera. Isso é maravilhoso, mas com essas coisas maravilhosas vêm algumas jornadas emocionais complexas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, disse Styles para a </span><i><span style="font-weight: 400;">NPR</span></i><span style="font-weight: 400;">. A coreografia do clipe, criada por </span><a href="https://youtu.be/XbKDJxAhl5w"><span style="font-weight: 400;">Yoann Bourgeois</span></a><span style="font-weight: 400;"> e inspirada em um de seus trabalhos antigos, carrega perfeitamente a ideia de forçar um ciclo vicioso que já não funciona mais. O vídeo como um todo, porém, casa com a proposta de libertação e aceitação da mudança, a arte foi criada por um time inteiramente ucraniano, liderado pela diretora </span><a href="https://www.instagram.com/tanumuino/"><span style="font-weight: 400;">Tanu Muino</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um disco muito empolgante e inspirador, Harry expõe mais umas vez seus amores e suas dores, de um jeito diferente de seus outros trabalhos, mas ainda sim muito coerente à sua essência original. O poder de </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry’s House</span></i><span style="font-weight: 400;">, com certeza, foi reconhecido como merece. Todas as </span><a href="https://twitter.com/billboardcharts/status/1531720646140514306?t=GNREACtfQI2aB0pAHUjyhw&amp;s=08"><span style="font-weight: 400;">13 faixas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ocuparam um lugar na lista da </span><a href="https://www.billboard.com/charts/hot-100/"><i><span style="font-weight: 400;">Billboard Hot 100</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na semana de lançamento do disco (contabilizando a semanada do dia 30 de julho, </span><i><span style="font-weight: 400;">As It Was</span></i><span style="font-weight: 400;"> ocupa o pódio do </span><i><span style="font-weight: 400;">chart</span></i><span style="font-weight: 400;"> por 16 semanas) e Styles chegou ao primeiro lugar da</span><a href="https://twitter.com/billboardcharts/status/1532421530419879937?t=h7Vaau2d4-5iZpbLoafACg&amp;s=08"> <i><span style="font-weight: 400;">Hot 100 Songwriters</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. É previsto um caminho próspero para essa nova era, talvez até mesmo um segundo gramofone de ouro para a casa de Harry. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Harry&amp;apos;s House" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/5r36AJ6VOJtp00oxSkBZ5h?si=qHclPQfvSLurOOQOrY3GJA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Uma década depois, ainda é uma delícia se afogar em An Awesome Wave</title>
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		<pubDate>Wed, 25 May 2022 03:58:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Quando o mais novo álbum do alt-J, The Dream, estava prestes a ser lançado, muito se esperava que a banda britânica voltasse às suas raízes, mais especificamente as de uma década atrás. A razão disso é que seu registro de 2012, An Awesome Wave, vencedor do Mercury Prize, prêmio de Melhor Álbum Britânico &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alt-j-an-awesome-wave-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Uma década depois, ainda é uma delícia se afogar em An Awesome Wave"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27686" aria-describedby="caption-attachment-27686" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27686 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-1.jpg" alt="Foto da banda alt-J. Nela, os quatro membros estão em uma sala com panos brancos e uma forte luz amarela. Sobre eles, há uma luz branca quadrada, só que um pouco tombada para esquerda, de forma a fazer uma forma geométrica de cinco lados. Da esquerda para direita: Gwil Sainsbury, um homem branco e de cabelos loiros. Ele usa óculos, veste um suéter com listras horizontais e duas verticais na altura dos ombros e calça preta. Joe Newman, um homem branco de cabelos pretos cacheados. Ele veste uma jaqueta preta com uma camiseta por baixo e calça jeans preta. Gus Unger-Hamilton, um homem branco, alto de cabelos e bigode castanhos. Ele veste uma jaqueta, uma camisa xadrez e também uma calça jeans preta. Thom Green, um homem branco de cabelos e barbas castanhos claros. Ele usa um boné preto, uma camisa em cor escura e uma calça jeans também preta. Todos calçam um par de meias pretas e olham para um mesmo ponto abaixo deles." width="1200" height="822" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-1-800x548.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-1-1024x701.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-1-768x526.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27686" class="wp-caption-text">Mesmo sendo seu debut, o disco ainda é o carro chefe dos ingleses (Foto: Noah Kalina)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o mais novo álbum do alt-J, </span><a href="https://open.spotify.com/album/4OgdaAYtSaLpVKMEKFbK7C"><i><span style="font-weight: 400;">The Dream</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estava prestes a ser lançado, muito se esperava que a banda britânica voltasse às suas raízes, mais especificamente as de uma década atrás. A razão disso é que seu registro de 2012, </span><i><span style="font-weight: 400;">An Awesome Wave</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencedor do </span><a href="https://www.instagram.com/mercuryprize/"><i><span style="font-weight: 400;">Mercury Prize</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, prêmio de Melhor Álbum Britânico daquele ano, é irretocável e até hoje é o cartão de visitas do grupo, que naquela época se tornou um expoente do </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> britânico.</span></p>
<p><span id="more-27685"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo intitulada como o “</span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2012/10/25/integrantes-do-alt-j-dizem-que-banda-e-melhor-que-o-radiohead/"><span style="font-weight: 400;">novo Radiohead</span></a><span style="font-weight: 400;">” no início, a banda, desde sua formação em 2008, pouco ligava para tais rótulos da indústria. O resultado foi um álbum de estreia que a princípio é dissonante entre si, mas que conversa de forma uníssona com a proposta de alt-J: fazer Música. Essa falta de uniformidade fez com que o disco levasse o ouvinte para navegar pelos diferentes tipos de mar e pela profundidade de seus intérpretes, que ora é mais calma, ora mais revolta.</span></p>
<p><figure id="attachment_27687" aria-describedby="caption-attachment-27687" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27687" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-2.jpg" alt="Foto da banda alt-J. Nela os quatro integrantes estão sentados em uma sala sob uma luz roxa que vem pela direita. Joe Newman e Gus Unger-Hamilton, que estão nas pontas, cruzam as pernas para sentar ao chão, enquanto Gwil Sainsbury e Thom Green, que estão ao meio, abraçam suas pernas. Joe veste uma jaqueta preta, camiseta branca, calça preta e bota, Thom veste uma jaqueta preta, camisa cinza, calça preta e bota, Gwil veste também uma jaqueta preta, camiseta preta, calça jeans e tênis preto e Gus veste uma camisa na cor cinza, uma camiseta estampada, calça preta e bota marrom." width="1200" height="812" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-2-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-2-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-2-768x520.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27687" class="wp-caption-text">O nome da banda tem origem de um atalho de Mac (alt + j) usado para se digitar um delta (∆), símbolo que o grupo também adota e assina as vezes [Foto: Noah Kalina]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O grupo se conheceu na Universidade de Leeds, e como moravam em lugares</span> <span style="font-weight: 400;">diferentes, um espaço para ensaios sempre foi um problema inicial, fazendo com que daí surgisse uma das principais assinaturas da banda, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kwa_f0c3Xqs"><span style="font-weight: 400;">o minimalismo sonoro</span></a><span style="font-weight: 400;">. E nesse registro de estreia isso é muito claro: uma bateria mais simplista, </span><i><span style="font-weight: 400;">riffs</span></i><span style="font-weight: 400;"> de guitarra isolados e contínuos que dão espaço para o teclado e os sintetizadores fazerem as pontes entre os versos e até o uso de instrumentos mais lúdicos como o xilofone. Tudo isso, adicionado à voz pouco convencional de Joe Newman, que às vezes se arrisca nas capelas e nos arpejos, se prova uma ótima mistura, que fez com que a banda, que a princípio nem queria fazer tanto barulho, ecoasse no início da década passada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E por mais simples que pareça, é a partir disso que o grupo mostra sua versatilidade ao passear por vertentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> como o </span><i><span style="font-weight: 400;">electro indie</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop folk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a psicodelia baseados nessa configuração nada ortodoxa, e ainda sim, imprimir seu DNA na obra. Momentos mais carregados e enérgicos, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Fitzpleasure </span></i><span style="font-weight: 400;">e sua linha de baixo estridente de Gwil Sainsbury </span><span style="font-weight: 400;">—</span><span style="font-weight: 400;"> que </span><a href="https://monkeybuzz.com.br/novidades/gwil-sainsbury-baixista-de-alt-j-deixa-a-banda/"><span style="font-weight: 400;">deixou a banda</span></a><span style="font-weight: 400;"> dois anos depois </span><span style="font-weight: 400;">—,</span><span style="font-weight: 400;"> conseguem viver em consonância com passagens mais doces, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ms</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou melodias mais alegres, caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dissolve Me</span></i><span style="font-weight: 400;">. E todas elas cabem muito bem no conjunto da obra, podendo até mesclar suas características vez ou outra.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="alt-J (∆) - Fitzpleasure (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/npvNPORFXpc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">As letras também são outro ponto alto do disco. Por mais que as composições  superficialmente apresentem temáticas até simples, que não fogem muitos dos términos de relacionamentos e que vez ou outra abrem brechas para assuntos mais sérios, como suicídio, a escrita desenvolve camadas. E a forma como essas esferas são tratadas demonstram um certo surrealismo, que fonética e melodicamente funciona muito bem. Outro ponto das letras desembocam para o lado mais </span><i><span style="font-weight: 400;">nerd</span></i><span style="font-weight: 400;"> da banda. Além de todo o simbolismo, o álbum é recheado de referências, começando com próprio nome do disco, que remete a uma passagem de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Dl_mVNsASfg&amp;t=41s"><i><span style="font-weight: 400;">Psicopata Americano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Já </span><i><span style="font-weight: 400;">Breezeblocks </span></i><span style="font-weight: 400;">faz homenagem a literatura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Onde Vivem os Monstros</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q06wFUi5OM8"><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é baseada na personagem do filme de Luc Besson, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Profissional </span></i><span style="font-weight: 400;">(1994).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliás, essas duas músicas são a prova de como o som do grupo em seu </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;"> envelheceu como vinho. A súplica enérgica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rVeMiVU77wo"><i><span style="font-weight: 400;">Breezeblocks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> faz dobradinha com </span><i><span style="font-weight: 400;">Fitzpleasure </span></i><span style="font-weight: 400;">e as duas volta e meia retornam como trilha sonora de alguma </span><i><span style="font-weight: 400;">trend </span></i><span style="font-weight: 400;">no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;">. Já a poesia travestida de referência de uma obra noventista deu o ar da graça recentemente </span><span style="font-weight: 400;">—</span><span style="font-weight: 400;"> também fazendo dobradinha com a envolvente e um pouco menos conhecida </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloodflood</span></i> <span style="font-weight: 400;">— </span><span style="font-weight: 400;">na trilha internacional de </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-de-mae-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Amor de Mãe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas até as que não figuraram no radar do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, caso da triangular </span><i><span style="font-weight: 400;">Tessellate </span></i><span style="font-weight: 400;">e da singela e tocante faixa sobre a fotógrafa de guerra </span><a href="https://iphotochannel.com.br/gerda-taro-a-mulher-por-tras-de-robert-capa/"><span style="font-weight: 400;">Gerda Taro</span></a><span style="font-weight: 400;">, obtiveram sucesso no cruel teste do tempo e não se dataram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso se dá por já naquela época a banda ser desprendida de qualquer tipo de rótulo imposto, o que fez o álbum se destacar na imensidão quase que homogênea do </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> britânico dos anos 2010. Som mais limpo, sonoridade mais intimista, uma identidade que mora em um limbo entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">de garagem e o </span><i><span style="font-weight: 400;">indie pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, músicas carregadas de significado. Tudo isso está presente no alt-J e ditou certo movimento nessa vertente, que foi seguido por nomes que vão de </span><a href="https://open.spotify.com/artist/3pTE9iaJTkWns3mxpNQlJV?si=U9Rq598tSH6MYLGB774MBQ"><span style="font-weight: 400;">Bombay Bicycle Club</span></a><span style="font-weight: 400;"> à </span><a href="https://open.spotify.com/artist/3iOvXCl6edW5Um0fXEBRXy?si=AatgERFxQ-quQbca2bAcFQ"><span style="font-weight: 400;">The xx</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo.</span></p>
<p><figure id="attachment_27688" aria-describedby="caption-attachment-27688" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27688 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-3.jpg" alt="Foto de um dos show da banda. Nela, o vocalista Joe Newman aparece centralizado. Ele veste uma camiseta preta e calça preta. Joe segura uma guitarra aparentemente com tampo de madeira e um detalhe em branco. Há um pedestal com um microfone bem a sua frente e o palco está com uma iluminação roxa enquanto alguns holofotes na cor branca estão dispostos no fundo." width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-27688" class="wp-caption-text">O álbum é um exercício de simbologia (e de como usá-la) [Foto: NYTimes]</figcaption></figure><i><span style="font-weight: 400;">An Awesome Wave</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma entropia de estilos, que incrivelmente se organizam em uma obra coesa em sua própria bagunça, sem precisar gastar tanta energia para isso. Aqui, a banda cria seu próprio oceano e navegar por ele, é uma experiência única a cada </span><i><span style="font-weight: 400;">play</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como o próprio ex-baixista define, é </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yjRiQKuF30o"><i><span style="font-weight: 400;">definitivamente um álbum e não uma coleção de músicas</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">e por mais diferentes que as faixas possam soar entre si, esse exercício por parte da banda de transformar tudo em uma só obra pode ser notado. Definitivamente é o ápice do grupo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo o ponto alto de suas carreiras, é lógico e natural definir os trabalhos posteriores como o começo de uma queda, e isso é real. A forte pressão da indústria e o sucesso de <em>An Awesome Wave</em> trouxe para o grupo fez com que as obras seguintes fossem reféns da expectativa alcançada, e consequentemente não desempenhassem tão bem em público e crítica. Por isso, o aguardo para o último álbum voltar às origens, na esperança de um alt-J que não ficasse mais preso dentro de suas próprias formas geométricas; cujo seu único objetivo, assim como no primeiro registro, seja apenas fazer Música e não ser parte dela.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: An Awesome Wave" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/2AxfZb5aQHIXgsB1HA6OLL?si=rWk0iuZ9SUWv0SCCHxJHaw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>25 anos depois, Matilda ainda nos faz flutuar</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Dec 2021 12:29:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda Adaptado do famoso livro infantil de Roald Dahl em 1996, Matilda completou 25 anos em 2021 e, mesmo tendo sido um fracasso de bilheteria, o filme produzido, dirigido e estrelado por Danny DeVito marcou todos aqueles que o viram na infância e é, até hoje, adorado pelas gerações que se identificaram &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/matilda-25-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos depois, Matilda ainda nos faz flutuar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25384" aria-describedby="caption-attachment-25384" style="width: 2525px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1.jpeg" alt="Cena do filme Matilda. Matilda (Mara Wilson) está deitada em uma poltrona lendo um livro, mas olha para frente com uma expressão travessa. Matilda é uma menina caucasiana de cabelos pretos e lisos, usando um macacão jeans por cima de uma camiseta florida, com tênis pretos por cima das meias brancas e um laço vermelho no topo de sua cabeça. Suas pernas estão apoiadas na mão direita da poltrona, tocando a borda esquerda da tela. Matilda apoia seu livro em duas almofadas, uma vermelha com detalhes pretos e outra com uma estampa de onça. A poltrona é de uma cor amarela desbotada." width="2525" height="1427" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1.jpeg 2525w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-800x452.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-1024x579.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-768x434.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-1536x868.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-2048x1157.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-1200x678.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25384" class="wp-caption-text">Nada mais de ser boazinha (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptado do famoso </span><a href="https://commasandampersandsblog.wordpress.com/2015/03/30/book-to-film-matilda/#:~:text=The%20movie%20and%20the%20book,moral%20remain%20the%20same%20throughout.&amp;text=One%20of%20the%20most%20obvious,movie%20was%20set%20in%20America."><span style="font-weight: 400;">livro infantil</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Roald Dahl em 1996, </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda </span></i><span style="font-weight: 400;">completou 25 anos em 2021 e, mesmo tendo sido um </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/stories/fracassos-bilheteria-classicos-cinema"><span style="font-weight: 400;">fracasso de bilheteria</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme produzido, dirigido e estrelado por Danny DeVito marcou todos aqueles que o viram na infância e é, até hoje, adorado pelas gerações que se identificaram com os problemas de sua pequena protagonista. Desprezada por quase todos os adultos que a conheceram, Matilda (Mara Wilson) mergulha em livros para ter amigos, até que sua vida muda ao perceber que possui poderes telecinéticos e decide dar uma lição nas pessoas horríveis que a rodeiam.</span></p>
<p><span id="more-25383"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma versão infantil de </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie, a Estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i><span style="font-weight: 400;"> se apoia nos elementos mais estranhos de sua narrativa e não procura dar explicações complicadas para as muitas dinâmicas sobrenaturais e sociais de sua trama. Essa leveza é parte do porquê o longa ainda permanece no imaginário popular, fazendo com que toda vez que esteja passando na TV, você queira parar para ver. Danny DeVito transporta um conto britânico para os Estados Unidos e, no processo, universaliza a história de uma criança que se recusou a ser menos do que extraordinária.</span></p>
<figure id="attachment_25385" aria-describedby="caption-attachment-25385" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3.jpg" alt="Cena do filme Matilda. Matilda (Mara Wilson), à esquerda, encara seu pai, Harry (Danny DeVito), à direita, na oficina onde ele trabalha. Matilda é uma menina caucasiana de cabelos pretos e lisos usando um casaco roxo claro e um laço rosa na cabeça. Harry é um homem caucasiano de cabelos pretos na lateral e loiros no topo, puxados para trás, usando um terno tweed xadrez amarelo e branco por cima de uma camisa amarela, com um lenço vermelho no bolso direito do paletó. Ele aponta para Matilda dom sua mão esquerda, ameaçando-a. Atrás deles, podemos ver o interior de uma oficina com as janelas abertas, deixando a luz do dia entrar. Peças de automóveis estão empilhadas nas prateleiras e não parecem estar muito bem organizadas." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25385" class="wp-caption-text">Tamanho é questão de perspectiva (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A família de Matilda Wormwood é quase uma caricatura da classe média americana dos anos 90: seu pai (Danny DeVito) é um inescrupuloso vendedor de carros usados, sua mãe (Rhea Perlman) é uma mulher vaidosa que só se importa com gastar e a única característica de seu irmão mais velho (Brian Levinson) é ser cruel com a garota. Parte da antipatia do público para com eles não é apenas que eles parecem odiar sua filha mais nova, mas que eles a odeiam </span><i><span style="font-weight: 400;">sem motivo algum</span></i><span style="font-weight: 400;">. De fato, eles parecem odiá-la ainda mais conforme ela se torna autossuficiente, aprendendo a cozinhar e ler sozinha, indo até a biblioteca quando eles estão fora e implorando para ser levada à escola.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cada interação entre ela e sua família cimenta ainda mais a situação de absoluta injustiça em que ela se encontra, e cada momento de felicidade é acompanhado de uma realização sombria do quanto ela precisa de uma família decente. </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda </span></i><span style="font-weight: 400;">depende única e exclusivamente da habilidade de sua jovem atriz nos vender um único sorriso sincero e nos convencer que, de alguma maneira, ela ainda é capaz de ser feliz. </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/pop/noticia/por-onde-anda-mara-wilson-estrela-de-matilda-25-anos-depois-do-filme-g.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Mara Wilson</span></a><span style="font-weight: 400;">, então com nove anos de idade, foi instrumental na capacidade do filme de entreter ao mesmo tempo que emociona, se divertindo com o papel da criança prodígio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que torna sua performance ainda mais impressionante é saber que sua mãe </span><a href="https://web.archive.org/web/20160425155113/http://www.people.com/people/archive/article/0,,20141113,00.html"><span style="font-weight: 400;">havia morrido</span></a><span style="font-weight: 400;"> alguns meses antes do longa estrear, por conta de câncer de mama. Que Wilson foi capaz de atuar sobre tais circunstâncias, e que sua performance retém muito do entusiasmo juvenil de uma criança descobrindo que tem a habilidade de fazer coisas impossíveis e de mudar o mundo à sua volta para melhor, não é nada menos do que milagrosa. Apesar de (provavelmente) não ser capaz de fazer objetos levitarem com o poder de sua mente, a atriz mirim se provou tão extraordinária quanto sua personagem.</span></p>
<figure id="attachment_25386" aria-describedby="caption-attachment-25386" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-2.jpg" alt="Cena do filme Matilda. Matilda (Mara Wilson) está comendo um cupcake em um restaurante chique, olhando e sorrindo diretamente para a câmera. Matilda é uma menina caucasiana usando um casaco roxo claro aberto por cima de uma camiseta florida e um laço rosa na cabeça. Ela segura um garfo com a mão direita. Acima do pano branco da mesa, do lado do prato com o cupcake, vários talheres estão ordenados, com uma taça vazia à sua direita. Atrás de Matilda, podemos ver outras pessoas comendo no restaurante e, à sua direita, uma mesa retangular que foi derrubada e que agora está inclinada diagonalmente. À sua esquerda, uma porta aberta deixa entrar a luz do Sol. " width="1024" height="677" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-2-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-2-768x508.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25386" class="wp-caption-text">Às vezes, ser feliz é a melhor vingança (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Danny DeVito consegue se ajeitar na direção do filme e de seu papel duplo como pai negligente e narrador onisciente. Apesar de todas as suas características insípidas de Harry Wormwood, é supremamente divertido ver as reações dele aos acontecimentos cada vez mais inusitados, bem como sua trágica inabilidade de ver que sua própria filha está por trás deles. Com seu poderoso </span><a href="https://fantasticfacts.net/pt/2688/"><span style="font-weight: 400;">um metro e meio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de estatura, é genuinamente hilário ver ele ralhar com Matilda dizendo “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou grande e você é pequena, eu estou certo e você está errada</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, quando a garota finalmente vai para a escola, ela conhece alguém que faz até mesmo seu pai parecer carinhoso: a Srta. Trunchbull, um monstro em forma de mulher e diretora da escola sombria e opressiva na qual Matilda foi matriculada, após seu pai ter lhe vendido um carro usado. Pam Ferris se delicia (</span><a href="https://www.radiotimes.com/movies/9-fascinating-facts-from-behind-the-scenes-of-matilda/"><span style="font-weight: 400;">e se machuca</span></a><span style="font-weight: 400;">) no papel da feroz e violenta tirana que atormenta praticamente todos os alunos de Crunchem Hall (em inglês, </span><i><span style="font-weight: 400;">Crunchem</span></i><span style="font-weight: 400;"> significa literalmente “esmague-os”), com punições quase cartunescas demais para serem levadas à sério, mas que funcionam no tom absurdo da produção o suficiente para temermos pela segurança de Matilda e seus colegas.</span></p>
<figure id="attachment_25387" aria-describedby="caption-attachment-25387" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1.jpg" alt="Cena do filme Matilda. Matilda (Mara Wilson), à esquerda, é amparada pela Srta. Honey (Embeth Davidtz), à direita, que está agachada na frente dela, segurando seu ombro e seu rosto. Matilda é uma menina caucasiana de cabelos pretos e lisos, presos por um laço vermelho, usando um vestido azul, enquanto a Srta. Honey é uma mulher caucasiana de cabelos castanhos e lisos, usando uma camisa floral. Elas estão na frente de uma sala escura, na qual Matilda estava presa. Atrás de Matilda podemos ver uma parede de concreto cinza e dilapidado." width="1200" height="690" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1-800x460.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1-1024x589.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1-768x442.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25387" class="wp-caption-text">Todos queríamos uma Srta. Honey em nossas vidas (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas é lá que Matilda encontra a pessoa que irá mudar sua vida. Introduzida pelo próprio narrador como uma “daquelas pessoas incríveis que valoriza cada criança por quem ela é”, a aptamente nomeada Srta. Honey (Embeth Davidtz) é a primeira pessoa adulta que reconhece em Matilda algo especial que vai muito além de suas habilidades sobrenaturais dormentes. Responsável pelo </span><a href="https://junkee.com/miss-honey-matilda/272222"><i><span style="font-weight: 400;">gay awakening</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de uma geração inteira, Jennifer Honey é o arquétipo da professora ideal, se importando profundamente com cada um de seus alunos em nível pessoal e tentando protegê-los da melhor maneira possível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes mesmo de descobrirmos a conexão ridícula e intensa que ela partilha com Trunchbull, a personagem já nos conquista pela maneira carinhosa com que trata Matilda, oferecendo-a um módico de felicidade. Até mesmo quando ela duvida dos poderes telecinéticos da menina, sua primeira reação não é acusá-la de estar mentindo ou pedir para que ela abandone a sua “fantasia”, mas parabenizá-la por ter uma maneira de se sentir poderosa na situação que se encontra. Se metade do impacto cultural de Matilda vem de sua personagem titular, a segunda metade com certeza vêm de sua professora e do relacionamento que as duas constroem juntas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser um filme dos anos 90 com metade do orçamento de um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;">, a maioria dos efeitos especiais ou envelheceram bem, ou pelo menos se tornaram irônicos o suficiente para terem virado uma piada de bom gosto. Ninguém acredita realmente que Trunchbull </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fqnhqkXclUk"><span style="font-weight: 400;">jogou uma criança</span></a><span style="font-weight: 400;"> para fora da janela e ela simplesmente voltou depois de dar piruetas no ar, mas não precisamos acreditar na verossimilhança daquilo tudo para apreciarmos a sua fantasia. Mais uma vez, a direção de DeVito acerta ao se apoiar no absurdo, e não duvidar dele.</span></p>
<figure id="attachment_25388" aria-describedby="caption-attachment-25388" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5-1.gif" alt="Cena do filme Matilda. Matilda (Mara Wilson) e a Srta. Honey (Embeth Davidtz) fazem um piquenique ao ar livre, sob o sol forte. Matilda é uma menina caucasiana de cabelos pretos e lisos, usando um chapéu de palha com um laço vermelho, uma camiseta de mangas longas branca com listras horizontais vermelhas e um shorts azul. Ela está deitada na grama com as pernas viradas para a parte direita da tela, olhando para a Srta. Honey, à sua direita, perto do centro da tela. A Srta. Honey, por sua vez, é uma mulher caucasiana de cabelos castanhos e lisos, usando um macacão jeans por cima de uma camisa rosa choque. Do lado esquerdo da tela, uma cesta com panos amarelos e algumas bonecas estão em cima de um pano que cobre a grama. Atrás delas, uma sebe alta cobre o fundo e, à direita, uma árvore branca se estende, com sua base coberta de flores coloridas. " width="700" height="297" /><figcaption id="caption-attachment-25388" class="wp-caption-text">“E Matilda descobriu, para sua grande surpresa, que a vida podia ser divertida” (GIF: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de uma criança isolada e abusada por sua família se sentindo sozinha até que descobre ser portadora de poderes especiais sempre ressoou com o público infantil (não é coincidência você ter pensado num certo bruxo criado por uma britânica </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/jk-rowling-e-criticada-apos-novos-comentarios-transfobicos-nas-redes-sociais-entenda/"><span style="font-weight: 400;">transfóbica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que foi provavelmente parte da sua infância), mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai um passo além e ativamente faz de seu enredo uma fábula em que a criança têm de ensinar para os adultos que não agir em face da injustiça é essencialmente apoiá-la. Quando descobre os agentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">FBI </span></i><span style="font-weight: 400;">em sua garagem investigando seu pai, nenhum deles se importa com o bem estar da garota ou o que acontecerá com ela quando seu pai for preso. Na verdade, eles até parecem se deliciar pensando que ela seria mandada para um orfanato horrível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa parte visceral e até cruel ajuda a realçar sua fantasia e a ironicamente torná-la ainda mais satisfatória. Quando chegamos ao final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a menina simplesmente </span><i><span style="font-weight: 400;">têm</span></i><span style="font-weight: 400;"> documentos de adoção preparados para a oportunidade dela poder ser adotada e sua única explicação é “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu tenho eles desde que aprendi a fazer xerox</span></i><span style="font-weight: 400;">”, tanto a tragédia quanto a comédia nos atingem em cheio, porque esse é o verdadeiro poder do filme: ser tanto a vingança estranha de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carrie</span></i><span style="font-weight: 400;"> quanto a esperança de </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-e-a-pedra-filosofal-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Harry</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ao transformar o absurdo em uma virtude, </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos empodera a fazer o melhor de nossas próprias vidas, e nós nunca nos esqueceremos dela por isso.</span></p>
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