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	<title>Arquivos Matheus Dias &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Matheus Dias &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Cineclube Persona &#8211; Agosto/2017</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Sep 2017 20:03:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esta é a primeira postagem do Cineclube Persona! Trata-se de uma seleção mensal dos filmes que foram lançados no Brasil no último mês. Porém, diferente da nossa seleção mensal de discos, o Cineclube Persona busca encontrar produções relevantes, mas que não necessariamente agradaram nossos colaboradores. Para começar, temosas adaptações de Death Note e Valerian para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cineclube-persona-agosto2017/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Cineclube Persona &#8211; Agosto/2017"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Esta é a primeira postagem do Cineclube Persona<strong>!</strong> Trata-se de uma seleção mensal dos filmes que foram lançados no Brasil no último mês. Porém, diferente da nossa <a href="http://personaunesp.com.br/tag/melhores-discos/">seleção mensal de discos</a>, o Cineclube Persona busca encontrar produções relevantes, mas que não necessariamente agradaram nossos colaboradores.</p>
<p>Para começar, temosas adaptações de <em>Death Note e Valerian </em>para o cinema, a refilmagem do clássico <em>O Estranho que Nós Amávamos</em> e a presença do cinema brasileiro com <em>João, o Maestro </em>e <em>O Filme da Minha Vida</em>.</p>
<p>Confira abaixo nossa seleção.</p>
<h3><span id="more-8448"></span>Death Note</h3>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="" src="https://metrouk2.files.wordpress.com/2017/03/netflix-death-note.png" alt="https://metrouk2.files.wordpress.com/2017/03/netflix-death-note.png" width="570" height="323" /></p>
<p>Devido ao sucesso mundial, a adaptação da Netflix do mangá/anime <em>Death Note</em> era uma das mais esperadas para esse ano. Na obra original publicada no Japão entre 2003 e 2006, há um forte embate psicológico entre um detetive e um adolescente portador de um caderno capaz de sentenciar a morte das pessoas.</p>
<p>No entanto, a plataforma de streaming substituiu essa premissa por um romance adolescente com pitadas de investigação policial. É impossível não lembrar da franquia <em>Premonição</em> ao ver as mortes e não rir com a atuação de Natt Wolff ao interpretar Ligh Turner (Kira no original).</p>
<p>Desenvolvimento rápido e sem explicação, personagens mal construídos, dilemas jogados sem discussão &#8211; mas com um bom estilo visual &#8211; fazem de <em>Death Note</em> um filme mediano de uma obra que tinha tudo para ser um ótimo thriller psicológico.</p>
<p><em><strong>por Egberto Santana Nunes</strong></em><br />
<iframe src="https://www.youtube.com/embed/qkw_l9RXOPU" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<hr />
<h3> João, O Maestro</h3>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-8475" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/JOHNNY-THE-MAESTRO-LUSA.jpg" alt="" width="640" height="360" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/JOHNNY-THE-MAESTRO-LUSA.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/JOHNNY-THE-MAESTRO-LUSA-300x169.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>O protagonista? Um dos músicos mais aclamados do país, cuja última empreitada é um projeto que leva música clássica até crianças carentes. A produção? Com o dedo da emissora Globo, cuja (má) fama dispensa comentários. Uma premissa nada empolgante.</p>
<p>Felizmente, a cinebiografia de João Carlos Martins não se mantém na zona de conforto. O talento e a garra do pianista prodígio são exaltados, assim como sua personalidade boêmia e radical &#8211; &#8220;futebol, sexo e Bach&#8221; seria um subtítulo cabível aqui. Apesar do final decepcionante, o roteiro preza pela precisão, e o longa serve tanto como belo tributo quanto para apresentar a trajetória de Martins a novas gerações.</p>
<p>A aura erudita de João pode inspirar paralelos com o clássico <em>Amadeus</em> (1984), mas a comparação com <em>Whiplash</em> (2013) parece mais cabível: dois filmes sobre a paixão obsessiva de músicos por sua arte. Neste caso, <em>João, O Maestro </em>ganha de lavada ao mostrar que a virtuosidade de um instrumentista tem raízes e relações muito complexas, e estas não se limitam a ambientes como o palco e salas de ensaio. Nem só de glórias vivem os gênios, afinal.</p>
<p><em><strong>por Nilo Vieira</strong></em></p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/ae0g4SL8Zrs" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<hr />
<h3>O Estranho que Nós Amamos</h3>
<div id="irc_mimg"><a id="irc_mil" href="https://encrypted.google.com/url?sa=i&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=images&amp;cd=&amp;ved=0ahUKEwj72M-riozWAhVV0mMKHVBbC7YQjRwIBw&amp;url=http%3A%2F%2Fmulhernocinema.com%2Fvideos%2Fveja-o-novo-trailer-de-o-estranho-que-nos-amavamos-filme-de-sofia-coppola%2F&amp;psig=AFQjCNElkdYFn6jKBpTIjqdquWLxHwZLzg&amp;ust=1504633378412366" data-ved="0ahUKEwj72M-riozWAhVV0mMKHVBbC7YQjRwIBw" data-cthref="/url?sa=i&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=images&amp;cd=&amp;ved=0ahUKEwj72M-riozWAhVV0mMKHVBbC7YQjRwIBw&amp;url=http%3A%2F%2Fmulhernocinema.com%2Fvideos%2Fveja-o-novo-trailer-de-o-estranho-que-nos-amavamos-filme-de-sofia-coppola%2F&amp;psig=AFQjCNElkdYFn6jKBpTIjqdquWLxHwZLzg&amp;ust=1504633378412366"><img loading="lazy" decoding="async" id="irc_mi" class="" src="http://i1.wp.com/mulhernocinema.com/wp-content/uploads/2017/04/begu.jpg?resize=1000%2C509" alt="Imagem relacionada" width="594" height="302" /></a></div>
<div></div>
<p><span id="cch_f3d10f0fca41e9" class="_mh6 _wsc"><span class="_3oh- _58nk">A chegada de um combatente da guerra civil Norte-americana em uma escola sulista de garotas, ambiente tão reprimido quanto os subúrbios de <em>As Virgens Suicidas </em>(1999), destrói o equilíbrio local. Ao mesmo tempo que um homem jovem apresenta perigo brutal a própria integridade das habitantes, o jogo de poder se equilibra pelo fato do soldado estar ferido e sob a constante ameaça de ser entregue às tropas inimigas. </span></span></p>
<p><span id="cch_f3d10f0fca41e9" class="_mh6 _wsc"><span class="_3oh- _58nk">O soldado, interpretado pelo galã moderno Colin Farrell, no papel originalmente do rústico Clint Eastwood, começa a despertar a atenção romântica das mulheres da casa. Essa alteração nas dinâmicas internas causa uma escalada sutil e constante da tensão, em todos seus sentidos, sustentada pelas ótimas personagens de Elle Fanning, Nicole Kidman e Kirsten Dunst, colaboradora recorrente de Coppola. </span></span></p>
<p><span id="cch_f3d10f0fca41e9" class="_mh6 _wsc"><span class="_3oh- _58nk">Em comparação com a versão de Don Siegel, diretor de <em>Dirty Harry </em>(1971), o filme abandona o tom visceral e temas importantes como a escravidão, em favor do ponto de vista feminino. O sensível balanço entre romance, comédia e terror atmosférico, combinado com a estética etérea e atemporal da diretora fazem da releitura uma obra bem sucedida, digna do prêmio de direção em Cannes.</span></span></p>
<p><em><strong>por Matheus Fernandes</strong></em></p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/2gZvq43GgKE" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<hr />
<h3>O Filme Da Minha Vida</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-8477" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/o-filme-da-minha-vida-critica-1024x512.jpg" alt="" width="576" height="288" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/o-filme-da-minha-vida-critica-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/o-filme-da-minha-vida-critica-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/o-filme-da-minha-vida-critica-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/o-filme-da-minha-vida-critica.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 576px) 85vw, 576px" /></p>
<p class="western">Após o sucesso de <i>O Palhaço</i> (2011), o terceiro filme de Selton Mello como diretor precisava surpreender. <em>O filme da Minha Vida</em> chegou aos cinemas no mês de agosto repleto de contrapontos representados pelos personagens Tony (Johnny Massaro) e Paco (Selton Mello). Os protagonistas dão fôlego aos pulmões líricos da obra cinematográfica, que caminha entre fantasia e brutalidade, sonhos e realidade.</p>
<p class="western">Boa parte da sensibilidade encontrada em <em>O filme da Minha Vida</em> fica por conta do experiente cineasta Walter Carvalho, que assina a fotografia do longa. O lirismo é intensificado pelas escolhas de luz e efeitos de Carvalho, que oscila entre a nostalgia do sépia e a fantasia das cores intensas.</p>
<p class="western">Com pouco espaço nas salas de cinema do país, talvez seja difícil assistir ao filme que não surpreende, mas é um grande representante para o cinema nacional. Os questionamentos e contrapontos trazidos por Selton Mello revisitam os outros dois filmes do diretor e apresentam um cineasta maduro, ainda que com medo de abrir mão do protagonismo e seguir somente atrás das telas.</p>
<p><strong><em>por Maria Gabriela Zanotti</em></strong></p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/TDVegL5nfYs" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<hr />
<h3>Valerian e a Cidade dos Mil Planetas</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="" src="https://themoviemylife.files.wordpress.com/2016/11/valerian-and-the-city-of-a-thousand-planets-2017-dane-dehaan.png?w=474" alt="https://themoviemylife.files.wordpress.com/2016/11/valerian-and-the-city-of-a-thousand-planets-2017-dane-dehaan.png?w=474" width="574" height="327" /></p>
<p>Se você leu a sinopse de <em>Valerian</em> e está super empolgado para assistir, vá com calma. O novo longa do diretor Luc Besson mais parece uma releitura de <em>Pequenos Espiões</em> (2001) misturado com os ET’s de <em>Avatar</em> (2009).</p>
<p>Não há nada de novo no longa. Um casal de jovens apaixonados que saem para lutar em uma missão extraterrestre. Apesar do clichê, é possível destacar pontos positivos. A produção e os efeitos especiais são de tirar o fôlego. Muita cor, movimento e uma boa realidade virtual.</p>
<p>No entanto, esteja bem preparado para não ser vencido pelo cansaço. São mais de duas longas horas de filme em uma história que parece não ter fim.</p>
<p><em><strong>por Heloísa Manduca</strong></em></p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/BtSjVcAN8Qo" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Dissecando estereótipos: Dear White People e a vivência negra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 May 2017 21:34:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Leonardo Teixeira]]></category>
		<category><![CDATA[Matheus Dias]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Leonardo Teixeira e Matheus Dias “Eles estão pouco se fodendo para a Harriet Tubman!”, grita Coco Conners (Antoinette Robertson) na desesperadora cena de abertura de Cara Gente Branca (Dear White People), produção da Netflix concebida por Justin Siemen e lançada em abril deste ano. A referência à importante figura do ativismo negro é apenas um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dear-white-people-vivencia-negra/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dissecando estereótipos: Dear White People e a vivência negra"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-7666 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Poster-690x1024.jpg" alt="Poster" width="690" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Poster-690x1024.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Poster-202x300.jpg 202w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Poster-768x1139.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Poster-1200x1780.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Poster.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Leonardo Teixeira e Matheus Dias</strong></p>
<p>“Eles estão pouco se fodendo para a Harriet Tubman!”, grita Coco Conners (Antoinette Robertson) na desesperadora cena de abertura de <em>Cara Gente Branca (Dear White People)</em>, produção da Netflix concebida por Justin Siemen e lançada em abril deste ano. A referência à importante figura do ativismo negro é apenas um exemplo do alerta importante que a série faz: temos medo de tocar nos assuntos espinhentos. Uma festa de <em>blackface</em> (em que se pinta o rosto de preto, numa tentativa infeliz de incorporar uma identidade visual negra) é o ponto de partida da obra para dissecar o racismo institucional nas universidades, a militância negra e, por tabela, a sociedade pós-moderna.<span id="more-7665"></span></p>
<p>A trama explora as dores e as hipocrisias vivenciadas por estudantes negros da prestigiosa universidade fictícia Winchester. A grande maioria destes alunos é escolhida para viver na irmandade Armstrong-Parker, lugar que se torna o porto seguro de alguns deles. Apresentando diversas nuances da vivência negra, o roteiro explora a reação dos personagens mais diversos às violências do ambiente acadêmico, hostil e elitista.</p>
<p>Samantha White (Logan Browning) guia o espectador ao longo dos episódios através de um programa de rádio, que se dedica a alertar sobre o racismo presente na faculdade, provocando as pessoas brancas em seu estado de privilégio &#8211; causando desconforto em muitos, com suas verdades carregadas de ironia.</p>
<figure id="attachment_7667" aria-describedby="caption-attachment-7667" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-7667" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Foto1-1024x576.jpg" alt="“Cara gente branca, namorar uma pessoa negra para irritar seus pais não é certo” " width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Foto1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Foto1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Foto1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Foto1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Foto1.jpg 1480w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7667" class="wp-caption-text">“Cara gente branca, namorar uma pessoa negra para irritar seus pais não é certo”</figcaption></figure>
<p>Quando o <em>trailer</em> da série foi liberado, recebeu muitas críticas negativas e ameaças de cancelamento do serviço da Netflix; atualmente, conta com aproximadamente 421 mil <i>dislikes</i> e 57 mil <i>likes</i>. O volume de ofendidos já demonstra a importância da discussão de questões raciais, principalmente em uma falsa democracia racial pós-Obama.</p>
<p>Em seus melhores momentos, a série é uma joia. Os diretores trabalham em total sintonia com a visão satírica à la Spike Lee, sob qual a trama foi concebida e rende momentos que, independentemente de sua forte carga política, divertem. Um ponto alto da série são as reuniões na Armstrong-Parker, para assistir a uma paródia preciosa das produções de Shonda Rhimes.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/U35MvblI4og?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>No entanto, o produto aqui é irregular, tropeçando entre piadas que nem sempre fazem rir e diálogos inverossímeis até o quinto episódio, quando o roteiro finalmente encontra coesão. Dirigido por Barry Jenkins (pai do vencedor do Oscar de Melhor Filme, <a href="http://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/" target="_blank" rel="noopener"><i>Moonlight</i></a>), o capítulo divide a trama ao apresentar talvez a questão mais importante do negro na universidade: a extensão de seus privilégios.</p>
<p>Reggie (Marque Richardson) é um bom exemplo de como os negros, mesmo superando as diversas barreiras impostas à sociedade, no fim das contas podem ter uma arma apontada na cara. Na superfície, o personagem soa como o estereótipo do homem másculo e forte, mas a narrativa revela aspectos de sua humanidade: Reggie representa a camada da população negra que recebeu o acesso à educação que muitas vezes foi negada a seus iguais. A trajetória do estudante nos deixa claro que ele nunca será branco e nunca poderá desfrutar dos privilégios correspondentes, não importa o quão brilhante ele seja.</p>
<p>O grande trunfo da adaptação sobre o filme lançado em 2014 é o processo de humanização pelo qual os personagens passam, uma vez que inicialmente suas nuances ficavam na superfície, limitadas ao pouco tempo que cada um tinha na hora e meia da película cinematográfica. A versão televisiva apresenta maior espaço para o desenvolvimento e apresentação dessas pessoas que a cinematográfica, resultando na quebra de arquétipos que o filme nunca pôde negar.</p>
<p>Um bom exemplo disso é Colandrea “Coco” Conners, cuja complexidade foi ricamente explorada. À primeira vista considerada uma mulher que tenta ao máximo negar a sua negritude, Coco na verdade entende como a exclusão funciona e tenta se encaixar na sociedade hipócrita em que vive.</p>
<figure id="attachment_7668" aria-describedby="caption-attachment-7668" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7668" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Foto2.jpeg" alt="Formation: integrantes de diversos nichos do movimento negro de Winchester" width="600" height="360" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Foto2.jpeg 740w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Foto2-300x180.jpeg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7668" class="wp-caption-text">Formation: integrantes de diversos nichos do movimento negro de Winchester</figcaption></figure>
<p>A importância desses dois personagens se dá em suas semelhanças e diferenças. Ambos têm larga consciência da vivência da população negra, mas Coco não vê perspectiva de mudança. Diferente de Reggie, ela prefere se moldar a padrões racistas do que lutar efetivamente por mudança (e nada pode ser dito contra ela).</p>
<p><em>Cara Gente Branca</em> é um retrato sem maniqueísmos da existência negra, que nos acorda para um mundo real onde a pós-modernidade não deu conta de resolver todos os problemas da sociedade, principalmente na questão racial. Usando da sátira e dos arquétipos, a produção nos surpreende a cada personagem que conhecemos: vale a menção à construção de Lionel Higgins (DeRon Horton), que descobre sua sexualidade e passa a perceber as interseccionalidades que sua existência abarca.</p>
<p>Apesar da Netflix focar sua propaganda na personagem Sam White, ela não é o centro das atenções, e a história representa muito bem cada personagem que protagoniza os episódios (com cerca de 30 minutos de duração cada). O que mais surpreende é como Justin Simiens abordou questões do dia a dia, como o próprio ato de ver séries, as redes sociais e até mesmo os aplicativos de namoro, provando que a obra não poderia ser fruto de outra época. Hipocrisias do movimento negro e complexidades da vida pessoal de quem compõe a militância, como relacionamentos inter-raciais, são outras questões abordadas na série.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/1LzggK5DRBA?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>A série produz uma experiência de identificação para quem é negro e de conhecimento para quem é branco e todos os agentes das interações raciais na sociedade. O retrato feito do ambiente acadêmico é réplica da realidade e se faz perceber inclusive no modelo brasileiro de universidade. Não somos obrigados a falar sobre o racismo, escravidão ou outros temas na experiência do negro. Porém, se não falarmos, quem terá a propriedade levantar a voz no nosso lugar?</p>
<p>O roteiro tem pontos a melhorar, mas não podemos ignorar que existe algo que vai além da série aqui &#8211; e que é nosso dever começar a enxergar que 421 mil reações negativas em um <i>teaser</i> de uma série satírica criticando as pessoas brancas significam muita coisa. As pessoas não gostam de ser consideradas racistas. Têm medo. Querem a todo custo provar para si mesmas que usar a palavra “<em>nigga</em>” não é problemático. Para isso, ignoram o discurso das pessoas que dizem respeitar.</p>
<p>Aqui fica clara a importância de <em>Cara Gente Branca</em>, e trabalhos de artistas como Shonda Rhimes, Lee Daniels, Spike Lee, entre outros. Enquanto a maioria das pessoas teme tocar em assuntos espinhentos, outras tem uma ferida aberta e pulsante, problemas a serem discutidos, experiências a serem compartilhada. Série obrigatória.</p>
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