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	<title>Arquivos Mary Elizabeth Brandon &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Vitorianas Macabras: histórias de medo sempre foram coisa de mulher</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Mar 2022 23:23:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez “Se ser mulher na era Vitoriana já era uma tarefa difícil, tornava-se ainda mais penosa para as que desafiavam o status quo. Um dos traços marcantes do período vitoriano é a luta pela emancipação das mulheres e pelo voto feminino”. É assim que Vitorianas Macabras, coletânea de contos de autoras de suspense &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/autoras-horror-era-vitoriana-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Vitorianas Macabras: histórias de medo sempre foram coisa de mulher"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27110" aria-describedby="caption-attachment-27110" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-27110 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/era_vitoriana_capa_wordpress-800x420.jpg" alt="A imagem é uma colagem de imagens em preto e branco contornadas por rosa, em frente a um fundo preto. A foto da esquerda é uma mulher branca, aparentando cerca de 50 anos, vestindo um casaco. A foto do meio é uma mulher branca, aparentando cerca de 50 anos, usando uma coroa de rainha, jóias no pescoço e um traje de rainha. A foto da direita é uma mulher branca, de cerca de 30 anos, vestindo um vestido de manga longa preto, e com uma coruja branca apoiada sob seu ombro esquerdo." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/era_vitoriana_capa_wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/era_vitoriana_capa_wordpress-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/era_vitoriana_capa_wordpress.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27110" class="wp-caption-text">Vitorianas Macabras foi publicado pela Darkside Books em 2020, e é o primeiro de três livros do selo Macabra (Arte: Ana Clara Abbate)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Se ser mulher na era Vitoriana já era uma tarefa difícil, tornava-se ainda mais penosa para as que desafiavam o status quo. Um dos traços marcantes do período vitoriano é a luta pela emancipação das mulheres e pelo voto feminino”</span></i><span style="font-weight: 400;">. É assim que </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">, coletânea de contos de autoras de suspense e terror da era vitoriana,</span> <span style="font-weight: 400;">lembra de suas inspirações. Em uma época marcada pelo fantasmagórico e pelo mórbido, pela precariedade da qualidade de vida e por uma predileção pelo macabro, as escritoras representaram o “</span><i><span style="font-weight: 400;">entusiasmo pelo </span></i><a href="https://gizmodo.uol.com.br/ciencia-falsa-salva-vidas-londres-vitoriana/"><i><span style="font-weight: 400;">progresso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, com contribuições marcantes para a época, desde a literatura até a luta pela emancipação feminina, inclusive com o movimento sufragista.</span></p>
<p><span id="more-27101"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, publicado pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkside</span></i><span style="font-weight: 400;">, a organização e a tradução de Marcia Heloisa é peça chave para nos levar de volta aos assombros e às peculiaridades da Era Vitoriana. Em uma introdução, também dela, a apresentadora fornece o panorama necessário para contextualizar a época e nos lembra do porquê devemos exaltar as autoras, destaques em um período &#8211; e em um </span><a href="https://www.nacabeceira.com.br/2020/10/monster-she-wrote.html"><span style="font-weight: 400;">gênero literário</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; marcados pela </span><a href="https://www.ultius.com/ultius-blog/entry/the-7-most-epic-literary-writers-of-the-victorian-era.html"><span style="font-weight: 400;">presença masculina</span></a><span style="font-weight: 400;">. Como ela justifica, o volume busca reparar uma injustiça histórica, dando visibilidade às mulheres que “</span><i><span style="font-weight: 400;">desafiaram convenções, batalharam contra todo tipo de diversidade e combateram os mais arraigados preconceitos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Então, Heloisa nos faz mergulhar na antologia de contos de Horror das treze escritoras escolhidas.</span></p>
<figure id="attachment_27102" aria-describedby="caption-attachment-27102" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-27102 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1-800x480.jpg" alt="Na foto, em frente a uma cortina vermelha, vemos um livro vermelho, ao centro. A capa do livro tem o desenho contornado de uma mulher em preto, cobras e uma cabra preta, e letras brancas estilizadas. Ao redor do livro, na parte direita e esquerda da imagem, vemos fotografias impressas em preto e branco, mostrando retratos pintados de mulheres." width="800" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27102" class="wp-caption-text">Como em outras obras da editora Darkside, as ilustrações e a diagramação do livro são um show à parte (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>A Rainha Vitória e sua Era Vitoriana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem dá o nome a uma das eras mais </span><a href="https://macabra.tv/13-filmes-assustadores-era-vitoriana/"><span style="font-weight: 400;">famosas do meio cultural</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a Rainha Vitória. A quinta da linha de sucessão, era improvável que a candidata a monarca de fato vestisse a coroa, mas seu tio, o Rei, apesar de ter tido filhos, nunca foi oficialmente casado e não possuía herdeiros legítimos. Assim, ela, que perdeu o pai quando ainda era bebê, assumiu o trono da Inglaterra aos 18 anos, rodeada de homens desconhecidos por ela e sem o devido preparo para seu novo posto. Antes, a mãe de Vitória até chegou a tentar prepará-la para ocupar o cargo, com uma criação rigorosa pautada pelo Sistema de Kensington, um conjunto de regras para educá-la. O que aconteceu, porém, foi que a </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/personagens/rainha-vitoria.html"><span style="font-weight: 400;">Rainha</span></a><span style="font-weight: 400;"> permaneceu vigiada e isolada pela maior parte de sua vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desamparada, após uma sucessão de governantes homens e com uma </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2021/04/familia-real-rainha-vitoria-monarquia-britanica-era-vitoriana-reino-unido"><span style="font-weight: 400;">monarquia enfraquecida</span></a><span style="font-weight: 400;">, a Rainha Vitória começou seu reinado em 1837. Rapidamente, ela se casou com o príncipe Albert, que morreu subitamente de febre tifóide não muitos anos depois. Ela, profundamente apaixonada e previamente marcada pelas perdas em sua vida, mergulhou no luto pelo resto de seus dias, levando a Inglaterra junto dela. Foi nessa época e contexto que o país viu sua curiosidade e </span><a href="https://www.historyextra.com/period/victorian/the-weird-and-wonderful-world-of-victorian-entertainment/"><span style="font-weight: 400;">predileção pelo macabro</span></a><span style="font-weight: 400;"> aflorar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a morte do marido, a Rainha passou a vestir preto o tempo todo e seguiu com seus rituais de luto. Vitória mantinha os funcionários do palácio agindo como se Albert ainda estivesse vivo, diariamente levando água e sua bengala ao antigo cômodo do príncipe, e mandava pintar e pendurar quadros com o retrato dele. Mas a atmosfera sinistra ia além das paredes do castelo: nas ruas da Inglaterra, a obsessão pela morte, o culto aos falecidos e a curiosidade pelo além tornava o país assombroso. Assim, apesar de por definição compreender somente os anos em que esteve no poder, a Era Vitoriana transpassou o período de reinado da Rainha, de 1837 a 1901, mas ficou marcado por seu hábitos e </span><a href="https://darkside.blog.br/o-fascinio-da-era-vitoriana-pelo-macabro/"><span style="font-weight: 400;">características destacáveis</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ressoam até hoje no imaginário popular.</span></p>
<figure id="attachment_27103" aria-describedby="caption-attachment-27103" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-27103 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-2.jpg" alt="Retrato em preto e branco da Rainha Vitória. Em frente a uma sala de um palácio, ao centro, vemos a Rainha Vitória de perfil, sentada sob uma cadeira posando. Rainha Vitória é uma mulher branca, de cabelos escuros lisos, presos por um véu branco, aparentando cerca de 40 anos, usando brincos e colares de pérolas, e vestindo um traje de Rainha, um vestido de manga longa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-2.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-2-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27103" class="wp-caption-text">No Reinado de Vitória, a colonização britânica e industrialização prosperaram até sua morte, em 1901 com 81 anos (Retrato: Alexandre Bassano)</figcaption></figure>
<p><b>A Era Vitoriana nas ruas da Inglaterra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não bastasse sua monarca mergulhada em uma aura fantasmagórica própria, a população da Inglaterra teve outros incentivos para embarcar na sombria Era Vitoriana. Em uma onda de espiritualismo, os médiuns, cartomantes e pessoas que supostamente encarnavam mortos viram um </span><a href="https://www.cultura930.com.br/freak-show-um-entretenimento-na-era-vitoriana/"><span style="font-weight: 400;">cenário propício</span></a><span style="font-weight: 400;"> para prosperarem, inclusive dentro do palácio real. Nisso, os fenômenos paranormais também se juntaram à lista de </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2016/apr/30/penny-dreadfuls-victorian-equivalent-video-games-kate-summerscale-wicked-boy"><span style="font-weight: 400;">interesses dos ingleses:</span></a><span style="font-weight: 400;"> gabinetes de curiosidade, com artefatos assombrados em exposição, demonstrações mesméricas, casas de crueldades, </span><a href="https://the-line-up.com/freak-show-peculiar-attraction-victorian-era"><i><span style="font-weight: 400;">freak shows</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e sessões de espiritismo e reencarnação faziam sucesso no país, onde que os cidadãos alimentavam a curiosidade pelo bizarro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As precárias condições de vida justificavam o fascínio inglês pela morte. </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/em-1892-pandemia-matou-neto-da-rainha-vitoria.phtml"><span style="font-weight: 400;">Epidemias</span></a><span style="font-weight: 400;">, acidentes, falta de assistência médica, péssimas condições sanitárias e de higiene contribuíram para que a expectativa média de vida de um homem não passasse dos 45 anos. Mulheres e crianças sequer chegavam a isso. O cenário era tão </span><a href="https://www.historyextra.com/period/victorian/the-surprising-history-of-victorian-dog-shows/"><span style="font-weight: 400;">deplorável</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o </span><a href="https://www.megacurioso.com.br/misterios/114891-o-grande-fedor-de-1858-que-quase-intoxicou-londres.htm"><span style="font-weight: 400;">Grande Fedor</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Rio Tâmisa virou um evento, com um dos rios mais famosos do país virando um esgoto a céu aberto &#8211; inclusive, em uma </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/retrato-falado-jack-o-estripador-o-pai-dos-serial-killers/"><span style="font-weight: 400;">leva de crimes</span></a><span style="font-weight: 400;"> na época, até corpos decapitados chegaram a boiar por lá. A morte rondava a Inglaterra.</span></p>
<figure id="attachment_27104" aria-describedby="caption-attachment-27104" style="width: 425px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27104 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a.png" alt="Quadrinho em preto e branco da Era Vitoriana. Na parte superior, vemos a frase “Boys murder their murder” e “Revolting crime at plaistow-shocking details” em fontes pretas serifadas. Abaixo, vemos a página divida em 6 quadrinhos, 3 na parte superior e 3 na parte inferior. O primeiro quadrinho mostra um menino esfaqueando uma mulher em cima de uma cama, em um quarto. O segundo quadrinho, redondo, mostra um homem parado em pé em frente a uma casa. O terceiro quadrinho mostra uma mulher inclinada sobre dois meninos em uma mesa. Nos quadrinhos de baixo, o primeiro mostra duas mulheres observando uma terceira mulher morta deitada em uma cama. O segundo quadrinho mostra dois meninos de terno em um tribunal de julgamento. O terceiro quadrinho mostra dois meninos de cabeça baixa ao lado de um homem, aparentemente um guarda." width="425" height="497" /><figcaption id="caption-attachment-27104" class="wp-caption-text">Além dos freak shows e penny dreadfuls, entretenimentos da época, a sociedade vitoriana também frequentava casas de ópio, que apareceram em outras obras do período &#8211; personagens como Sherlock Holmes e Dorian Gray já passaram por nesses lugares (Foto: The British Library)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O corpo humano também era tópico de interesse dos ingleses da época. Nem as insalubres condições de higiene e vida impediram os cidadãos da Era Vitoriana de realizarem experimentos e atingirem avanços na ciência. O fascínio era tamanho que ladrões de covas e gangues que sequestravam pessoas para roubar órgãos se tornaram comuns, alguns até ganhando fama, como os </span><a href="https://www.geriwalton.com/the-london-burkers-body-snatchers-of-the-1830s/"><span style="font-weight: 400;">London Burkers</span></a><span style="font-weight: 400;">. Hospitais psiquiátricos &#8211; na época, chamados de hospícios &#8211; e </span><a href="https://www.viator.com/pt-BR/tours/London/The-Madness-and-Marvels-of-Victorian-London-with-Highgate-Cemetery/d737-62043P5"><span style="font-weight: 400;">cemitérios</span></a><span style="font-weight: 400;"> também se popularizaram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das estranhezas que cativavam os vitorianos, a Era não foi só conservadorismo e repressão, mas um período propício para descobertas e progresso no campo da Ciência, da Literatura, das Artes e das reivindicações sociais. O movimento sufragista é um exemplo de pauta em alta na época, inclusive com autoras e outras personalidades conhecidas somando à luta. As características daqueles 74 anos de reinado também marcaram a produção literária, com o gênero do Horror, as influências góticas e a popularização dos </span><a href="https://www.estantediagonal.com.br/2020/10/o-que-foram-as-penny-dreadfuls.html"><i><span style="font-weight: 400;">penny dreadfuls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os contos e histórias marcadas pela violência e pelo aumento dos </span><a href="https://www.bbc.com/news/uk-england-berkshire-39330793#:~:text=%22Baby%20farming%22%20was%20a%20practice,get%20rid%22%20of%20their%20baby."><span style="font-weight: 400;">crimes</span></a><span style="font-weight: 400;">, e 13 das importantes expoentes dessas influências foram homenageadas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Este volume busca reparar uma injustiça histórica, trazendo para os leitores brasileiros um pouco da vida e obra de treze mulheres que prestaram uma contribuição extraordinária à literatura. Mulheres que desafiaram as convenções, batalharam contra todo tipo de diversidade e combateram os mais arraigados preconceitos”</span></i></p></blockquote>
<p><b>As Vitorianas Macabras</b></p>
<p><a href="https://www.queridoclassico.com/2020/10/vitorianas-macabras.html"><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">faz jus ao seu nome e, com a devida contextualização, foca nelas: as mulheres da Era Vitoriana movidas pelo medo. Por mais que tenham sido negligenciadas no decorrer da história, as escritoras deixaram sua marca na Literatura de gênero da Era, em produções que serviram de inspiração e pairam sobre nosso imaginário da época até hoje. No livro, Marcia Heloisa organiza uma coletânea (antologia, como ela chama) de contos de cada autora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São 13, de 13 escritoras diferentes. Entre líderes do movimento sufragista e donas de casa que só receberam seu reconhecimento muito tempo depois do que mereciam, cada uma se destaca com seu próprio estilo, tema, ritmo de escrita e narrativa. Ao final, o único elemento em comum entre as mulheres vitorianas é o Horror. E reforçando a proposta da obra, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">lembrar as personalidades femininas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que marcaram a Era Vitoriana, cabe aqui citar seus nomes, um por um.</span></p>
<p><b>Charlotte Riddell</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de escritora de mais de 50 livros, foi proprietária e editora da </span><i><span style="font-weight: 400;">St. James’s Magazine</span></i><span style="font-weight: 400;">, importante revista literária da época. Riddell foi uma das poucas que conseguiu viver de seu trabalho como autora e ser reconhecida em vida. Na obra, seu conto </span><i><span style="font-weight: 400;">A Porta Sinistra</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1882, acompanha um rapaz recém-desempregado investigando o </span><a href="https://personaunesp.com.br/historias-extraordinarias-critica/"><span style="font-weight: 400;">mistério</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma porta que não para fechada em uma mansão mal-assombrada.</span></p>
<figure id="attachment_27105" aria-describedby="caption-attachment-27105" style="width: 486px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27105 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aa.png" alt="Foto de um livro aberto. O livro tem páginas pretas. Na parte esquerda do livro aberto, vemos uma moldura vermelha, com um retrato de uma mulher dentro. Na página direita do livro aberto, vemos, na parte superior central, as palavras “vitorianas macabras” em caixa alta, em uma fonte branca, com o logo, um M vermelho, entre as palavras. Logo abaixo, vemos as palavras &quot;Charlotte Riddell” em uma fonte em vermelho, em caixa alta. Abaixo, vemos palavras em uma letra cursiva, em branco. Ao centro, vemos as palavras “A EDITORA”, em uma fonte em vermelho e caixa alta. Abaixo, vemos os número 1832-1906 em vermelho. Na parte inferior, vemos um bloco de texto em uma fonte em branco." width="486" height="488" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aa.png 486w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aa-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 486px) 85vw, 486px" /><figcaption id="caption-attachment-27105" class="wp-caption-text">&#8220;Vitorianas Macabras comprova que o sangue é cor-de-rosa. Os contos aqui reunidos oferecem uma oportunidade única de descobrir que as histórias de medo sempre foram coisa de mulher.&#8221; &#8211; Gabriela Amaral (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>Louisa Baldwin</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário da sua antecessora no livro, Louisa Baldwin veio de uma família ligada aos negócios do Rei, e seu casamento, assim como o de suas três irmãs, foram destaque na história dela. Pelo menos no que dizem as biografias, já que a autora escreveu diversos poemas, romances e uma coletânea de </span><a href="https://darkside.blog.br/conheca-5-autoras-macabras-que-desafiaram-as-regras-de-seu-tempo/"><span style="font-weight: 400;">contos de horror</span></a><span style="font-weight: 400;">. No livro, a obra escolhida para representá-la foi o conto </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mistério do Elevador</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1895, um dos mais curtos e mais envolventes de toda a coletânea da </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkside</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><b>Edith Nesbit</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de ter escrito mais de 60 livros infantis, contos de horror, romances e poemas, foi co-fundadora de um movimento socialista londrino, precursor do Partido Trabalhista. Foi politicamente engajada, frequentando círculos sociais e literários da época, e tornou-se professora convidada da Escola de Economia e Ciência Política em Londres. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">, é homenageada com a inclusão de seu conto </span><i><span style="font-weight: 400;">Mortos em Mármore</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1887, que mistura o terror sobrenatural ao suspense psicológico.</span></p>
<p><b>Violet Hunt</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filha de personalidades famosas da pintura e da literatura da época, Violet Hunt cresceu em um universo artístico. Foi autora de romances e contos, membro da Liga Sufragista de Autoras e Clube Internacional de Escritores PEN, além de ter participado do movimento sufragista. Se manteve em atividade até morrer e, no livro, tem sua participação com o conto </span><i><span style="font-weight: 400;">A Prece</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1911, em que a protagonista revive um falecido e reforça o fascínio da </span><a href="https://www.gestaoeducacional.com.br/era-vitoriana-o-que-foi/#:~:text=A%20classe%20m%C3%A9dia%20vitoriana,o%20auge%20da%20Revolu%C3%A7%C3%A3o%20Industrial."><span style="font-weight: 400;">Era Vitoriana</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela morte e pelo que existe além.</span></p>
<figure id="attachment_27107" aria-describedby="caption-attachment-27107" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27107 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Louisa-Baldwin-1024x538-1-800x420.png" alt="Ao fundo da foto, vemos papéis espalhados sob uma mesa. Do lado esquerdo da imagem, vemos o desenho de um bode e uma caneta tinteiro vermelha. Ao centro, vemos um cartão postal com o retrato em preto e branco de uma mulher. Na parte inferior direito do retrato, vemos as palavras “LOUISA BALDWIN” em branco, em caixa alta. Do lado direito da mesa, vemos fotos em preto e branco cortadas pelo enquadramento da foto." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Louisa-Baldwin-1024x538-1-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Louisa-Baldwin-1024x538-1-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Louisa-Baldwin-1024x538-1.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27107" class="wp-caption-text">Amelia B. Edwards publicou seu primeiro poema aos sete anos; sua obra O Coche Fantasma permanece um dos contos mais clássicos de terror até hoje (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>Amelia B. Edwards</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A lista de cargos de Amelia B. Edwards é longa: escritora, jornalista, pesquisadora e egiptologista. Ao contrário de outras autoras da antologia, que tiveram de conseguir reconhecimento por suas obras como forma de ganharem independência, o sucesso das obras de Edwards a incentivou a deixar a Inglaterra e partir em execuções, se dedicando a relatá-las em outras produções, além de contribuições ao estudo do Egito. Ela foi declaradamente feminista e, muito politizada, foi vice-presidente de uma sociedade sufragista. Amelia B. Edwards também é uma das ícones da </span><a href="https://morningstaronline.co.uk/article/amelia-edwards-lesbian-and-egyptologist"><span style="font-weight: 400;">história LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> inglesa: viveu por anos com sua companheira e as duas foram enterradas juntas, em um cemitério considerado patrimônio histórico LGBT no país. Na obra, participa com o conto </span><i><span style="font-weight: 400;">O Coche Fantasma</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1864.</span></p>
<p><b>Charlotte Bronte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O sobrenome de Charlotte é famoso o suficiente para dispensar grandes apresentações: a autora foi uma das irmãs Bronte, as três grandes escritoras da Era Vitoriana. Junto de </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/emily-bronte-a-curiosa-vida-da-autora-de-o-morro-dos-ventos-uivantes/"><span style="font-weight: 400;">Emily</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Anne, financiaram a publicação de uma coletânea de poemas, com pseudônimos masculinos, e a partir daí, conseguiram publicar seus próprios trabalhos. A escrita de Charlotte, inclusive, foi elogiada pela Rainha Vitória. Em três páginas, seu conto </span><i><span style="font-weight: 400;">Napoleão e o Espectro </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue ser cômico e sombrio, ao mesmo tempo.</span></p>
<p><b>Elizabeth Gaskell</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Romancista, contista e biógrafa, teve trabalhos publicados e reconhecidos ainda em vida, como o romance </span><i><span style="font-weight: 400;">Mary Barton</span></i><span style="font-weight: 400;">, artigos e a biografia da família Bronte, por ser melhor amiga de Charlotte. Sua casa virou um museu dedicado a sua vida e obra, e, em </span><a href="https://darkside.blog.br/a-macabra-filmes-e-a-darkside-books-apresentam-vitorianas-macabras/"><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Conto da Velha Ama</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1852, aborda o terror psicológico com uma ama recordando acontecimentos sinistros de sua juventude em uma mansão assombrada.</span></p>
<figure id="attachment_27108" aria-describedby="caption-attachment-27108" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27108 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/bronte.jpg" alt="A imagem é uma pintura. A pintura retrata três mulheres brancas e jovens, lado a lado. À esquerda, vemos, do peito para cima, uma mulher de cabelos castanhos presos, usando um vestido verde e um laço rosa. Ao centro, em pé, vemos uma mulher de cabelos castanhos curtos usando um vestido lilás. À direita, sentada, vemos, da cintura para cima, uma mulher de cabelos loiros usando um vestido bege e um laço azul." width="620" height="356" /><figcaption id="caption-attachment-27108" class="wp-caption-text">Na imagem, as irmãs Bronte: Anne, Emily e Charlotte (Pintura: Edwin Landseer)</figcaption></figure>
<p><b>Mary Elizabeth Brandon</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez a de maior reconhecimento literário na época, Mary Elizabeth Brandon publicou mais de 80 livros e um deles, </span><a href="https://stringfixer.com/pt/Lady_Audley's_Secret"><i><span style="font-weight: 400;">O Segredo de Lady Audley</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1862) se tornou </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com o sucesso, ela conquistou a devida fama e independência financeira para seguir com suas publicações. Posteriormente, a obra foi adaptada para o rádio, para o cinema e para os palcos, alavancando ainda mais o alcance de Brandon na sociedade vitoriana. No livro, seu conto de horror </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sombra da Morte</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1879. abusa do terror psicológico.</span></p>
<p><b>Margareth Oliphant</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário do restante das personalidades da coletânea, Margareth Oliphant, autora de romances, contos, artigos, ensaios, biografias e críticas literárias, só dedicou-se a seu trabalho de escritora após a morte de seu marido, como uma forma de sustentar os filhos. Casou-se novamente, com um editor de uma prestigiada revista literária da época, e continuou produzindo sem descanso até sua morte. Segundo </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">a crítica moderna afirma que, se pudesse trabalhar menos e criar mais, Margareth teria sido um dos bastiões da Literatura britânica</span></i><span style="font-weight: 400;">”. No livro, seu conto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=B1b7p5mtX78"><i><span style="font-weight: 400;">A Janela da Biblioteca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1896, uma jovem de férias na casa de sua família na Escócia descobre um nefasto segredo e uma janela para o desconhecido.</span></p>
<p><b>Rhoda Broughton</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobrinha de um </span><a href="https://www.tor.com/2022/03/30/completely-natural-explanations-j-sheridan-le-fanus-carmilla-part-4/"><span style="font-weight: 400;">grande escritor</span></a><span style="font-weight: 400;"> da época, Rhoda Broughton teve apoio do tio no início da carreira e publicou dois romances na sua prestigiada revista literária. A partir daí, caiu no gosto do público e se tornou uma autora popular no século XIX, com seu romances e contos inventivos e sensacionalista sobre personagens femininas que desafiavam o decoro vitoriana. A coletânea conta que sua popularidade foi tamanha que outros escritores famosos no período, como Oscar Wilde e Lewis Caroll, se sentiram intimidados por ela, e há boatos de que Margareth Oliphant a repudiava por sua ousadia nas histórias. Trabalhou incansavelmente até sua morte e, na antologia, aparece com o conto </span><i><span style="font-weight: 400;">A verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1868.</span></p>
<figure id="attachment_27109" aria-describedby="caption-attachment-27109" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27109 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Vernon-Lee-1024x538-1-800x420.png" alt="Ao fundo da foto, vemos papéis espalhados sob uma mesa. Do lado esquerdo da imagem, vemos o desenho de um bode e uma caneta tinteiro vermelha. Ao centro, vemos um cartão postal com o retrato em preto e branco de uma mulher de perfil, vestindo um terno e olhando para fora de uma janela. Na parte inferior direito do retrato, vemos as palavras “VERNON LEE” em branco, em caixa alta. Do lado direito da mesa, vemos fotos em preto e branco cortadas pelo enquadramento da foto." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Vernon-Lee-1024x538-1-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Vernon-Lee-1024x538-1-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Vernon-Lee-1024x538-1.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27109" class="wp-caption-text">A peça teatral Satanás, o Devastador, em oposição à Primeira Guerra Mundial, é considerada uma obra-prima vanguardista de Vernon Lee (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>H.D. Everett</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente das colegas com que divide as páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">, H.D. Everett permaneceu um mistério por boa parte de sua vida. Começou a escrever somente após os 44 anos e publicou seus primeiros livros sob um pseudônimo masculino, o de Theo Douglas. Sua identidade só foi revelada em 1910, pouco mais de uma década antes de morrer, e caiu no esquecimento com o passar dos anos. Suas obras e sua escrita, porém, foram elogiadas por escritores famosos da Literatura de Horror, com suas histórias que mesclam terror e ficção científica, combinando temas vitorianos a toques modernos do início do século XX. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Maldição da Morta</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1920, conto com que marca presença no livro, pode-se notar os </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/vitrine/de-jane-eyre-crimes-vitorianos-e-mais-6-obras-surpreendentes-sobre-era-vitoriana.phtml"><span style="font-weight: 400;">elementos comuns</span></a><span style="font-weight: 400;"> da sua literatura em uma narrativa cheia de terror espiritual, com um viúvo assombrado por sua falecida mulher.</span></p>
<p><b>Vernon Lee</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vernon Lee fez tudo e desafiou tudo. Escritora, dramaturga e ensaísta, ela publicou mais de 50 livros, entre contos, romances, peças e ensaios, e se tornou notável por suas histórias de horror. Ela também ficou famosa por suas contribuições aos estudos de Filosofia e Estética, e por sua luta política &#8211; como uma ávida pacifista e antimilitarista, se opôs à Primeira Guerra Mundial e escreveu uma trilogia teatral de protesto. </span><a href="https://www.theparisreview.org/blog/2018/04/03/between-me-and-my-real-self-on-vernon-lee/"><span style="font-weight: 400;">Ela</span></a><span style="font-weight: 400;"> também desafiou os costumes da sociedade vitoriana: lésbica, assumia e vivia seu relacionamentos às claras, tendo permanecido com sua companheira até a morte, e se vestia em trajes tipicamente masculinos em provocação. No livro, participa com </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor Dure</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1887, um dos contos mais longos, envolventes e poéticos da coletânea, sobre um jovem historiador que se apaixona por uma jovem italiana morta há séculos.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Somos herdeiros das transformações e contradições vitorianas, adotamos e aperfeiçoamos seus avanços científicos e tecnológicos, exaltamos suas descobertas, apreciamos suas expressões artísticas, reverenciamos suas figuras ilustres</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><b>May Sinclair</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A última, mas não menos importante, das macabras vitorianas lembradas na antologia de contos, May Sinclair foi romancista, contista, poeta, tradutora e crítica literária, com mais de 23 romances e dezenas de outras produções publicadas. Cedo na vida, ela teve de largar seus estudos para cuidar da mãe e dos irmãos, e se tornou autodidata. Ganhou destaque na Liga Sufragista das Autoras e também contribuiu com a psicanálise, em uma sociedade de pesquisa sobre fenômenos psíquicos e paranormais. Suas histórias de terror psicológico e tramas sobrenaturais foram chamativas e, no livro, entra com o conto </span><a href="https://www.stuckinabook.com/uncanny-stories-may-sinclair/"><i><span style="font-weight: 400;">Onde o fogo não se apaga</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1923.</span></p>
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