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	<title>Arquivos Marjorie Estiano &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Na pele de Marjorie Estiano, Ângela Diniz não pede para ser amada, mas exige liberdade – assim como todas as mulheres</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 13:00:59 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36802" aria-describedby="caption-attachment-36802" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36802" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-800x450.jpg" alt="Cena de Ângela Diniz: Assassinada e Condenada. Ângela, uma mulher de pele clara aparece em ambiente externo, durante o dia. Ela tem cabelo castanho ondulado e solto. Ela sorri enquanto ergue um dos braços, parecendo estar dançando. Na outra mão, segura uma taça com Champagne. Usa um vestido bege com listras brilhosas, sem mangas e com decote profundo, além de brincos grandes e um cordão. Ao fundo, há outras pessoas desfocadas e árvores e plantas que compõem a paisagem." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36802" class="wp-caption-text">A série foi inspirada na história de Ângela Diniz, a socialite a frente de seu tempo vítima de feminicídio (Fonte: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Bezerra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final de 2025 foi marcado por um clima de luto. Enquanto as festividades se aproximavam, as histórias de alguns nomes femininos começaram a ocupar as redes sociais e ganharam mais tempo de audiência nos jornais. Infelizmente, os comentários e matérias não se tratavam do sucesso profissional dessas mulheres, ou de alguma história curiosa ou cativante de suas vidas; não ouvimos sobre o brilho delas ou sobre suas paixões. Isso só foi ouvido depois, e das bocas dos amigos e familiares que, em busca de justiça, relembram a coragem, os sorrisos e sonhos daquelas mulheres que tiveram as vidas roubadas pelo </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/12/01/brasil-tem-mais-de-mil-casos-de-feminicidio-registrados-em-2025.ghtml"><span style="font-weight: 400;">feminicídio</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-36801"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No mesmo período, estreou</span><i><span style="font-weight: 400;"> Ângela Diniz: Assassinada e Condenada</span></i><span style="font-weight: 400;">. A série retrata a história da </span><i><span style="font-weight: 400;">socialite</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileira conhecida como ‘A Pantera de Minas’, que nos anos 1970 ocupava os tabloides com narrativas sobre a sua beleza avassaladora e seu jeito livre de ser. A produção é baseada no podcast </span><a href="https://radionovelo.com.br/originais/praiadosossos/"><i><span style="font-weight: 400;">Praia dos Ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da Rádio Novelo, cujo título carrega o nome do local onde o brilho de Ângela (Marjorie Estiano) chegou ao fim. Em 30 de dezembro de 1976, ela foi assassinada pelo namorado Raul Fernando do Amaral Street (Emílio Dantas) com quatro tiros na Praia do Ossos, na Armação de Búzios, no Rio de Janeiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Pantera teve sua história interrompida pela maldade e possessividade do companheiro, mas, ainda que não parecesse ter consciência disso, construiu um legado eterno; a lembrança de sua figura irreverente foi marcante no julgamento do crime: mais determinado a condená-la por seu estilo de vida do que em punir de forma efetiva o seu assassino. Sem metáforas ou eufemismos: em um tribunal cujo juiz era homem, os advogados eram homens e a maior parte do júri também, a defesa, baseado na legislação da época, afirmou que Doca matou Ângela em um ato de </span><a href="https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/tese-da-legitima-defesa-da-honra-e-inconstitucional/"><span style="font-weight: 400;">legítima defesa de sua honra</span></a><span style="font-weight: 400;">, como se ela fosse a verdadeira culpada.</span></p>
<figure id="attachment_36804" aria-describedby="caption-attachment-36804" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36804" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-800x450.jpg" alt="Cena de Ângela Diniz: Assassinada e condenada. Ângela, uma mulher de pele clara está próxima a uma porta azul. Ela tem cabelo castanho escuro, veste um biquíni e apresenta uma expressão tensa, olhando para um homem à sua frente. Doca, de costas para a câmera, tem cabelo escuro e veste uma camisa marrom escuro. O cenário inclui alguns móveis e objetos ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36804" class="wp-caption-text">O roteiro faz um bom trabalho ao criar uma narrativa completa sobre a relação violenta de Ângela e seu assassino, afim de esclarecer a sequência de abusos que termina em tragédia (Fonte: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco décadas depois, pensando com otimismo, era de se esperar que a série ressoasse como um olhar ao passado, uma lembrança do que não se pode repetir. No entanto, o luto e a revolta que ainda levam milhares de mulheres às ruas, especialmente nos últimos meses de 2025, mostraram que a misoginia enfrentada por Ângela – ainda em vida e após a sua morte – segue mais viva do que nunca. Diante disso, a pertinência da produção seria suficiente para instigar os espectadores, contudo, além disso, de antemão, o elenco da obra agregou um grande valor a ela. Mais uma vez, Marjorie Estiano entrega uma performance da mais alta qualidade, acompanhada de nomes como Emílio Dantas, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/foi-dificil-dormir-a-noite-diz-atriz-de-angela-diniz/"><span style="font-weight: 400;">Camila Mardila</span></a><span style="font-weight: 400;">, Renata Gaspar, Thiago Lacerda e Antônio Fagundes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série, dividida em 6 episódios, é absolutamente honesta, não deixa nada de fora; as polêmicas, as atitudes intempestivas, as festas, os casos, o divórcio e a sede por diversão e liberdade de Ângela. Ao fazer isso, o roteiro de Elena Soárez, Pedro Perazzo e Thais Tavares e a direção de Andrucha Waddington – que dirigiu Marjorie no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Sob Pressão</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016) – constroem uma narrativa extremamente coerente, que nos fazem compreender todo o contexto que tornava a protagonista </span><i><span style="font-weight: 400;">persona non grata</span></i><span style="font-weight: 400;"> no imaginário social coletivo </span><a href="https://youtu.be/UIA2V7W8a3c?si=4D9sLtqtbmF9V0Z9&amp;t=136"><span style="font-weight: 400;">conservador</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tradicional da época. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no primeiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quero Me Separar</span></i><span style="font-weight: 400;">, é retratado o divorcio da protagonista, que representou uma significativa ruptura dos padrões da época. Para Ângela, não era importante manter as aparências, mas sim ser genuinamente feliz, e é claro que ela pagou as consequências emocionais e sociais pelo pensamento à frente de seu tempo. Nesse sentido, a ambientação e as discussões trazidas foram delicadamente pensadas para construírem a atmosfera do período e a complexidade de Ângela, sem deixar que a sua imagem caísse no discurso estereotipado que assassina repetidamente as vítimas de violência de </span><a href="https://personaunesp.com.br/maid-critica/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> mesmo após a sua morte.</span></p>
<figure id="attachment_36805" aria-describedby="caption-attachment-36805" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36805" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-800x390.jpg" alt="Cena de Ângela Diniz: Assassinada e Condenada. Duas mulheres estão em um ambiente interno bem iluminado, com quadros pendurados na parede ao fundo. À esquerda, Ângela, uma mulher de pele clara e cabelo castanho ondulado preso lê um livro, olhando para baixo. Ela usa um vestido azul-marinho sem mangas. À direita, um pouco mais ao fundo, outra mulher de pele clara e cabelos castanhos curtos observa a leitura. Ela usa óculos e veste uma camisa clara com um colete em tons de vermelho e laranja. No fundo, aparece uma parede branca com quadros pendurados. " width="800" height="390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-800x390.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-1024x500.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-768x375.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4.jpg 1178w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36805" class="wp-caption-text">Renata Gaspar interpreta Gilda Ribeiro, uma amiga de Ângela, intelectual e feminista, que representa a diferenca entre uma suposta imagem militante com a verdadeira figura da protagonista (Fonte: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela era livre, e também era uma mãe, filha e amiga apaixonada; ela era tudo isso, e, ao mesmo tempo, também era intempestiva e, pode ser vista como insensível pelas esposas dos homens casados com os quais se envolveu. Era independente, no entanto, também foi refém de uma relação essencialmente abusiva. Ângela é uma revolução, que vivia sua sexualidade livremente, como queria e com quem queria, mas não era uma </span><a href="https://elle.com.br/cultura/marjorie-estiano-angela-diniz"><span style="font-weight: 400;">feminista</span></a><span style="font-weight: 400;"> convicta, não se importava com a teoria, ou com as intelectuais que discutiam o porque mulheres como ela mesma podiam viver como viviam. Apenas queria viver conforme desejasse.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A genialidade do roteiro, diga-se de passagem, é acompanhada de uma curadoria musical feita a dedo, que embala a narrativa assertivamente. Além disso, o figurino (</span><a href="https://www.imdb.com/name/nm1315505/?ref_=ttfc_fcr_10_1"><span style="font-weight: 400;">Marcelo Pies</span></a><span style="font-weight: 400;">) também merece destaque. Desde o glamour das festas no Rio de Janeiro até a funebridade do julgamento de Doca – ou de Ângela. Tudo colabora para que essa seja uma produção primorosa e quase resolutiva para a protagonista e para todas as mulheres: criou-se uma imagem poderosa e repleta de camadas para a personagem de Marjorie, contudo, nunca pejorativa, e ainda, sem se dar ao trabalho de forjar uma figura imaculada. O que </span><i><span style="font-weight: 400;">Ângela Diniz: Assassinada e Condenada</span></i><span style="font-weight: 400;"> diz, ou melhor, grita tão alto quanto as vítimas de violência é: por que a sua régua moral determina se eu </span><a href="https://auniao.pb.gov.br/noticias/colunistas/sandra-raquew-azevedo/estereotipo-e-feminicidio"><span style="font-weight: 400;">merecia</span></a><span style="font-weight: 400;"> morrer ou não?</span></p>
<figure id="attachment_36803" aria-describedby="caption-attachment-36803" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36803" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-800x539.jpg" alt="Cena de Ângela Diniz: Assassinada e Condenada. Grupo de mulheres reunidas em protesto em frente a um prédio com colunas. Ao fundo, uma grande faixa com os dizeres &quot;Quem ama não mata&quot;. No centro, uma mulher abraça outra emocionada. Algumas manifestantes aplaudem e uma segura um cartaz escrito ‘Eu não quero ser a próxima’ em vermelho." width="800" height="539" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-800x539.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-1024x690.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-768x518.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36803" class="wp-caption-text">A série recria cenas de protestos organizados nos anos 1980 (Fonte: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Doca Street saiu do Tribunal de Cabo Frio após o primeiro julgamento em 1979, o fez como um homem livre, pois já havia cumprido um terço da pena decretada pelo juiz. Cinco anos depois, o Ministério Público recorreu e Doca e o novo </span><span style="font-weight: 400;">veredicto</span><span style="font-weight: 400;"> foi uma pena de 15 anos que foi cumprida em sua totalidade. Nessa época, o movimento feminista, fortemente atuando e em processo de organização, foi essencial para essa decisão. Elas carregavam o lema “</span><a href="https://catarinas.info/quem-ama-nao-mata-40-anos-de-luta/"><i><span style="font-weight: 400;">Quem ama, não mata</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, uma referência à tese jurídica do crime passional. Na série, Camila Márdila e Renata Gaspar entregam performances emocionantes, carregadas de dor e revolta, como amigas de Ângela que estariam à frente de manifestações. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Angela Diniz: Assassinada e Condenada</span></i><span style="font-weight: 400;"> – e os boletins de ocorrência brasileiros – escancaram que, na realidade em que vivemos, toda e qualquer mulher pode ser considerada merecedora de sofrimento e que não há nenhuma tentativa de rendição aos padrões que possa salvá-la. </span><a href="https://personaunesp.com.br/capitu-e-o-capitulo-critica/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">Machado de Assis</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1899, no clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Dom Casmurro</span></i><span style="font-weight: 400;">, já nos alertava sobre isso: em uma história narrada por homens, é fácil criar a imagem da “</span><i><span style="font-weight: 400;">cigana dos olhos de ressaca</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Ou seja, é urgente celebrar a liberdade, parar de tentar justificar o injustificável e tomar as rédeas do ponto de vista.</span></p>
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		<title>Enterre Seus Mortos quase soterra sua própria ambição</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Nov 2024 20:56:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Marco Dutra é conhecido por suas colaborações com Juliana Rojas, mas, na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o diretor encara sozinho a missão de contar a história de Edgar Wilson (Selton Mello) e a cidade de Abalurdes, que está prestes a passar pelo apocalipse. Enterre Seus Mortos faz parte da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/enterre-seus-mortos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Enterre Seus Mortos quase soterra sua própria ambição"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34326" aria-describedby="caption-attachment-34326" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34326" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6.png" alt="Na imagem, Nete está encostada na cabeceira de uma cama, com os dois braços apoiando a cabeça. Ela está com expressão de confiança. Nete é uma mulher na faixa dos 40 anos, de pele clara e cabelos longos de cor castanho escuro. No muque, ela possui uma tatuagem escrita. " width="770" height="323" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-768x322.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34326" class="wp-caption-text">O filme participou da Mostra Competitiva do Festival do Rio 2024 (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Marco Dutra é conhecido por suas colaborações com Juliana Rojas, mas, na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor encara sozinho a missão de contar a história de Edgar Wilson (Selton Mello) e a cidade de Abalurdes, que está prestes a passar pelo apocalipse. </span><i><span style="font-weight: 400;">Enterre Seus Mortos</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz parte da seção Mostra Brasil e é uma produção </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;"> que adapta o romance homônimo de Ana Paula Maia. </span></p>
<p><span id="more-34325"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No longa mais popular em parceria com Rojas, </span><a href="https://culturadoria.com.br/9-filmes-de-terror-dirigidos-por-mulheres/"><i><span style="font-weight: 400;">As Boas Maneiras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017), a dupla se inspira no interior rural e usa efeitos práticos para dar vida à história do lobisomem. Nesse novo terror, Dutra se apega mais uma vez a elementos brasileiros para sua fábula apocalíptica que, infelizmente, apesar de muita estilização e personagens interessantes, soa confuso em meio a tantas histórias que quer colocar dentro dessa cova. </span></p>
<p><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/12/bases-filosoficas-do-horror-cosmico-na-literatura.html"><span style="font-weight: 400;">Terror cósmico</span></a><span style="font-weight: 400;">, história de </span><i><span style="font-weight: 400;">serial killer</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma nova religião, crianças exiladas em ilhas, o fim do mundo se aproximando e uma médica colecionadora de corpos humanos são subtramas que não cessam. Ainda que todas elas sejam intrigantes, parecem não convergir em um ponto comum de coesão e, quando chega ao final, em termos de trama, essa experiência de 120 minutos não é satisfatória. Inclusive, o filme estrelado por Marjorie Estiano e Isabél Zuaa sofre basicamente do mesmo calcanhar de Aquiles: a ausência de manejo em conciliar mais de uma história.</span></p>
<figure id="attachment_34327" aria-describedby="caption-attachment-34327" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34327" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-6.png" alt="Cena do filme Enterre Seus Mortos Na imagem, Edgar Wilson está no canto direito, ele segura um copo de coca-cola, na altura do rosto, enquanto encara a sua frente com expressão séria. Do lado esquerdo, em cima de um balcão, há uma garrafa de vidro da coca-cola, bebida pela metade. Edgar Wilson veste uma jaqueta de coloração escura e usa um band-aid no nariz. O copo é no estilo americano. Edgar Wilson é um homem na faixa dos 50 anos, de pele clara e cabelos escuros curtos. Ele está num bar, com iluminação vermelha neon. 
" width="770" height="325" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-6.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-6-768x324.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34327" class="wp-caption-text">Selton Mello protagoniza outra produção do streaming que também faz parte da programação da Mostra SP: Ainda Estou Aqui (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, se é para a história ser uma tremenda viagem esquisita que coloca em xeque questões estabelecidas ao protagonista e seus companheiros, então, Marco Dutra faz um perfeito trabalho. Acima de tudo, seu comando com a Fotografia de Rui Poças e a direção de Arte de </span><a href="https://www.itaucultural.org.br/secoes/colunistas/alem-da-direcao-outras-mulheres-que-fazem-cinema"><span style="font-weight: 400;">Ana Paula Cardoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> lidam muito bem com as iconografias do Terror brasileiro e não deixam a peteca cair por momento algum. O filme vai ganhando tons de cor e intenção mais pesados conforme vai chegando ao seu clímax pavoroso e enigmático. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre esses elementos do país, há as procissões, religiões, padres excomungados, a promessa de um fim do mundo e uma sensação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bacurau-critica/"><span style="font-weight: 400;">abandono </span></a><span style="font-weight: 400;">sentida por cidades pequenas. É uma produção de cenas bem fortes e sanguinolentas que colocam o espectador dentro da atmosfera. Se o objetivo é fazer o apocalipse provocar-lhe algo, uma mínima mudança e desconforto, o filme não deixará você sentir indiferença. </span></p>
<p><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000109532/"><i><span style="font-weight: 400;">Enterre Seus Mortos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma experiência catalisadora de sentimentos mistos, frustração e empolgação. É um projeto muito grande, mas com a insuficiência de uma história que aguente seu tamanho, embora o visual transborde essa ambição. Com certeza, vale revisões ao longo dos anos, talvez com mais amadurecimento de quem vê e porquê vê. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/enterre-seus-mortos-critica/">Enterre Seus Mortos quase soterra sua própria ambição</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Às vezes, nós não Precisamos Falar…</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Oct 2024 22:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Borges Nenhuma visão de mundo é igual. É isso que a produção brasileira Precisamos Falar mostra. O longa, exibido na seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, aborda os limites da moralidade e acompanha as turbulências no relacionamento intrafamiliar de duas famílias do Rio de Janeiro. Inspirado no livro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/precisamos-falar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Às vezes, nós não Precisamos Falar…"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34235" aria-describedby="caption-attachment-34235" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34235" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-9.png" alt="Cena do filme Precisamos Falar. Na imagem vemos Sandra e Paulo pensando em algo. Sandra, mulher branca com cabelos castanhos, veste um top azul e corta-vento cinza, seus cabelos estão presos em um rabo de cavalo. Celso, homem branco com barba e cabelos grisalhos, veste uma camisa de botão listrada branca e vinho. Ao fundo dos dois é possível ver uma geladeira." width="770" height="529" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-9.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-9-768x528.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34235" class="wp-caption-text">Precisamos Falar aborda negacionismo e narcisismo (Foto: Conspiração Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhuma visão de mundo é igual. É isso que a produção brasileira </span><i><span style="font-weight: 400;">Precisamos Falar</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra. O longa, exibido na seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, aborda os limites da moralidade e acompanha as turbulências no relacionamento intrafamiliar de duas famílias do Rio de Janeiro. Inspirado no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">O Jantar</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Herman Koch, o filme mostra a reflexão sobre até onde os pais vão para proteger seus filhos.</span></p>
<p><span id="more-34234"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Produzido por Pedro Waddington e Rebeca Diniz, o </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">psicológico</span> <span style="font-weight: 400;">explora o pior do alto escalão da classe média carioca. Acompanhando os casais Sandra (</span><a href="https://istoe.com.br/marjorie-estiano-celebra-novo-trabalho-com-alexandre-nero-e-critica-personagem-negacionista/"><span style="font-weight: 400;">Marjorie Estiano</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Paulo (Alexandre Nero), e Celso (Emílio de Mello) e Anna (Hermila Guedes), a trama gira em torno da descoberta de um terrível homicídio cometido por seus filhos adolescentes – o que acaba ocasionando tensões nas relações das famílias.</span></p>
<figure id="attachment_34236" aria-describedby="caption-attachment-34236" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34236" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-10.png" alt="Cena do filme Precisamos Falar. Na imagem vemos Jefferson e Rick caminhando em um parque. Jefferson, adolescente negro com cabelo preto, usa blusa manga longa verde, calça preta e um tênis branco. Rick, adolescente branco de cabelos castanhos, veste camisa xadrez, calça e tênis ambos preto. Os dois estão caminhando de costas para a câmera." width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34236" class="wp-caption-text">A dupla Jefferson e Rick procura incriminar o primo Michel (Foto: Conspiração Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Abordando a </span><a href="https://telaviva.com.br/29/08/2023/conspiracao-filmes-roda-o-longa-precisamos-falar-sobre-nossos-filhos/"><span style="font-weight: 400;">banalidade do mal</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobre os direitos humanos para humanos direitos, o longa nos convida a uma dolorosa introspecção sobre a natureza da nossa responsabilidade. Apesar de tratar de um assunto muito batido e que bate sempre na mesma tecla de ‘criticar a elite brasileira’, a produção de Waddington e Diniz foi bastante perspicaz ao abordar o negacionismo justamente em um período pós-governo bolsonarista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maturidade artística dos atores mais novos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Precisamos Falar</span></i><span style="font-weight: 400;"> propõe uma construção muito bem interpretada, já os adultos deixam um pouco a desejar. O personagem de Alexandre Nero é intragável, um homem nazifacista que é contra todos os direitos da população pobre, que se vê na posição de julgar o que acha certo e errado dentro da sociedade. Já o núcleo adolescente da produção contempla um </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-1000011295/criticas-adorocinema/"><span style="font-weight: 400;">desenvolvimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> excelente, além de alimentar a curiosidade do público sobre os acontecimentos da trama. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apostando em ângulos que enfatizam o desconforto moral dos personagens, o longa permite a escolha de uma narrativa que contemple a incerteza. Em meio a diversas chantagens, a cultura contemporânea brasileira é apresentada de forma extremamente provocativa e fragmentada. Como em</span> <a href="https://personaunesp.com.br/taxi-driver-completa-40-anos-permanece-extremamente-atual/"><i><span style="font-weight: 400;">Taxi Driver &#8211; Motorista de Táxi</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1976), a ‘libertação’ que Michel (Thiago Voltolini) tanto fala e reproduz está pautada no seu senso de exclusão e eliminação do outro, como um paradoxo aos pactos conservadores de direita, que utilizam de atos de violência como forma de ‘limpar’ o ambiente ao seu redor.</span></p>
<figure id="attachment_34237" aria-describedby="caption-attachment-34237" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34237" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-5.png" alt="Cena do filme Precisamos Falar. Na foto vemos Rick, Anna e Celso se despedindo. Rick, adolescente branco com cabelos castanhos, veste um moletom cinza e em suas costas carrega uma mochila preta. Anna, mulher branca de cabelos castanhos, veste uma camisa clara. Sua mão esquerda segura o peito de seu filho Rick. Celso, homem branco com barba e cabelos grisalhos, veste uma camiseta cinza sobreposta por uma camisa de botões azul. Anna e Celso estão se despedindo de Rick. No fundo é possível ver uma parede branca com um quadro ao centro." width="574" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-34237" class="wp-caption-text">O filme estreou no Festival do Rio em 2024 (Foto: Conspiração Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Precisamos Falar</span></i><span style="font-weight: 400;"> encara o lado direitista, negacionista e narcisista da população brasileira. A obra, que causa </span><a href="https://caras.com.br/atualidades/marjorie-estiano-retrata-relacoes-familiares-no-cinema-uma-provocacao.phtml"><span style="font-weight: 400;">desconforto</span></a><span style="font-weight: 400;"> no espectador do início ao fim,  vai além do entretenimento e nos faz questionar sobre até que ponto a impunidade é dada às riscas para o ser humano. O que nos resta, é esperar sentados e aguardar por uma resposta. Afinal, “</span><i><span style="font-weight: 400;">a verdade ama se esconde</span></i><span style="font-weight: 400;">r” – como mostra o </span><i><span style="font-weight: 400;">slogan </span></i><span style="font-weight: 400;">do filme.</span></p>
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		<title>Sob Pressão: Plantão Covid une ficção e realidade num retrato da maior crise sanitária do século</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2020 17:56:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Júlia Paschoalino Após três temporadas de inegável sucesso e uma precoce ameaça de cancelamento, Sob Pressão voltou ao ar com dois episódios especiais. A série, que sempre usou um tom de denúncia social para retratar a realidade da saúde pública brasileira, não podia deixar de contar a sua própria versão da pandemia do novo coronavírus. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sob-pressao-plantao-covid-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sob Pressão: Plantão Covid une ficção e realidade num retrato da maior crise sanitária do século"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16454" aria-describedby="caption-attachment-16454" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16454" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem1.jpg" alt="" width="984" height="656" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem1.jpg 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16454" class="wp-caption-text">Sob Pressão, série médica da Globo, lançou dois episódios especiais sobre a pandemia do coronavírus (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Júlia Paschoalino</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após três temporadas de inegável sucesso e uma precoce ameaça de cancelamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sob Pressão</span></i><span style="font-weight: 400;"> voltou ao ar com dois episódios especiais. A série, que sempre usou um tom de denúncia social para retratar a realidade da saúde pública brasileira, não podia deixar de contar a sua própria versão da pandemia do novo coronavírus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O especial se passa em um hospital de campanha da COVID-19. O casal de médicos Evandro (Julio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano), que terminou a última temporada trabalhando em uma missão humanitária no interior do Brasil, é chamado de volta ao Rio de Janeiro para ajudar nos atendimentos contra a doença.</span></p>
<p><span id="more-16453"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A complexa situação do sistema público de saúde brasileiro, somada à desgastante realidade da pandemia, traz ainda mais tensão para uma série que, mesmo normalmente, contém uma alta carga dramática. Foi um risco convidar o telespectador, já sobrecarregado de conteúdos sobre o vírus, a conhecer uma versão tão mais acentuada da pandemia: a vivida pelos profissionais de saúde dentro dos hospitais.</span></p>
<figure id="attachment_16455" aria-describedby="caption-attachment-16455" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-16455" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem2-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem2-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem2-200x300.jpg 200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem2-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem2.jpg 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16455" class="wp-caption-text">As gravações foram realizadas em um hospital de campanha cenográfico (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro episódio acompanha dois casos de personagens infectados pelo vírus e conta suas histórias com delicadeza, misturando ficção e realidade. A falta de respiradores para atender a todos os pacientes, por exemplo, que leva agonia à equipe médica, foi inspirada em um caso real. </span><a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/06/01/equipamentos-importados-para-hospitais-de-campanha-do-rj-nao-sao-respiradores-diz-anvisa.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Em junho, uma organização social contratada para construir um hospital de campanha no Rio de Janeiro comprou carrinhos de anestesia ao invés de respiradores.</span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a sua primeira temporada, a série conta com a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/mauricio-stycer/2020/08/24/senti-o-virus-dentro-de-mim-diz-medico-que-e-consultor-de-sob-pressao.htm"><span style="font-weight: 400;">consultoria do médio Márcio Maranhão</span></a><span style="font-weight: 400;">, autor do livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Sob Pressão – A Rotina de Guerra de um Médico Brasileiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, assim, tem muito de seu roteiro baseado em casos verídicos.</span> <span style="font-weight: 400;">Essa combinação entre o real e o ficcional torna impossível assistir à produção de uma perspectiva distante. A forma como nós, brasileiros, estamos todos submetidos ao contexto das situações que ali aparecem nos relaciona com a narrativa de modo assustador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, a falta de respiradores é resolvida pelo médico Evandro, que faz uma gambiarra para que dois pacientes possam usar o mesmo aparelho. No impulso por salvar vidas, o médico teima em retirar as proteções adequadas e, para o desespero dos fãs, testa positivo para COVID-19. </span><span style="font-weight: 400;">As cenas depois do seu diagnóstico mostram maestria na atuação do casal principal que, mesmo com o rosto quase todo coberto pelas máscaras, consegue, apenas através do olhar, retratar a angústia e o medo que o vírus desconhecido gera até nos profissionais da saúde.</span></p>
<figure id="attachment_16456" aria-describedby="caption-attachment-16456" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16456 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem3.jpg" alt="" width="984" height="552" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem3.jpg 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem3-300x168.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem3-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16456" class="wp-caption-text">Carolina (Marjorie Estiano) protagoniza momento marcante do especial (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após lágrimas de ansiedade e cansaço durante a entubação do marido, Carolina é chamada para tirar uma foto para o crachá, e protagoniza o momento mais marcante do especial. A médica tenta deixar o sofrimento de lado para sorrir para a foto, mas seu olhar fala por si só. Com essa cena, Marjorie Estiano, indicada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/ninguem-ta-olhando-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">Internacional</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">2019 </span></i><span style="font-weight: 400;">pela atuação na segunda temporada da série,</span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/televisao/marjorie-estiano-tem-atuacao-incrivel-em-sob-pressao-e-fas-pedem-emmy"><span style="font-weight: 400;"> emociona o público e o deixa esperando por próximas indicações.</span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu segundo episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sob Pressão: Plantão Covid</span></i><span style="font-weight: 400;">, usa do recurso dos </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> para contar sobre a opção de Evandro pela medicina. O médico, que passa o episódio entubado na CTI por conta da COVID, aparece 20 anos mais jovem cuidando da saúde de sua mãe, Penha (</span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-e-sorte-critica/"><span style="font-weight: 400;">Fabíula Nascimento</span></a><span style="font-weight: 400;">). Conhecido por suas gambiarras para enfrentar a frequente falta de equipamentos no SUS, Evandro descobre sua vocação ajudando a operar sua mãe dentro de uma ambulância.</span></p>
<figure id="attachment_16457" aria-describedby="caption-attachment-16457" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16457 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem4-897x1024.jpg" alt="" width="840" height="959" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem4-897x1024.jpg 897w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem4-263x300.jpg 263w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem4-768x876.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem4.jpg 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16457" class="wp-caption-text">Os episódios especiais foram pensados como uma forma de homenagear todos que atuam na linha de frente contra o coronavírus (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De volta à pandemia, o episódio alerta sobre a irresponsabilidade daqueles que não respeitam o isolamento social, e também sensibiliza ao mostrar o envolvimento emocional dos profissionais da saúde com as histórias dos pacientes. Carolina, mais uma vez, protagoniza cenas comoventes, seja expressando a indignação médica com os que negam o perigo do vírus, ou decidindo participar da cirurgia de emergência que salva a vida de seu marido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final do especial, a recuperação de Evandro, em meio aos aplausos dos colegas, marca a principal mensagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sob Pressão: Plantão Covid</span></i><span style="font-weight: 400;">:</span><span style="font-weight: 400;"> a homenagem aos profissionais da saúde, um pedido pela confiança na ciência e a necessidade da luta constante por um sistema de saúde pública de qualidade.</span></p>
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