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	<title>Arquivos Marcelo Rubens Paiva &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Marcelo Rubens Paiva &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>O Oscar é passageiro e Ainda Estou Aqui é eterno</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Nov 2024 20:06:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: o texto contém spoiler e aborda temas sensíveis. Davi Marcelgo e Guilherme Machado Leal  O Cinema de Walter Salles se concentra em temáticas semelhantes, principalmente em Terra Estrangeira (1995) e Central do Brasil (1998), histórias sobre memória, esquecimento e a relação de suas personagens com o Brasil. No primeiro, Fernanda Torres interpreta Alex e, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Oscar é passageiro e Ainda Estou Aqui é eterno"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><b>Aviso</b>: o texto contém spoiler e aborda temas sensíveis.</em></p>
<figure id="attachment_34409" aria-describedby="caption-attachment-34409" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34409" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image5.png" alt="Na imagem, Eunice olha para frente com expressão de tristeza e olhos marejados. A cena possui tons de azul e verde, cores melancólicas. O cenário é de um restaurante, ao fundo há mesas e um homem em desfoque à esquerda. Eunice é uma mulher na faixa dos 60 anos, de pele clara, cabelos escuros e lisos na altura do pescoço. Ela usa brincos grandes, pretos e arredondados. Ela está vestindo uma camisa de botões, com a gola aberta. A roupa é na cor verde escura e estampas de flores. " width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-34409" class="wp-caption-text">O filme levou 350 mil pessoas aos cinemas no fim de semana de estreia (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo e Guilherme Machado Leal</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema de Walter Salles se concentra em temáticas semelhantes, principalmente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra Estrangeira</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1995) e </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/central-do-brasil-relembre-a-historia-do-filme-brasileiro-indicado-ao-oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Central do Brasil</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1998), histórias sobre memória, esquecimento e a relação de suas personagens com o Brasil. No primeiro, Fernanda Torres interpreta Alex e, no segundo, é a sua mãe, Fernanda Montenegro, quem dá vida à professora Dora. Em 2024, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></i><span style="font-weight: 400;">, adaptação de livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, o diretor retoma a parceria com as atrizes para abordar um outro período da história: a Ditadura Militar brasileira. Ambientado no Rio de Janeiro da década de 1970, o longa-metragem acompanha a vida de Eunice Paiva (</span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-e-sorte-critica/"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Torres</span></a><span style="font-weight: 400;">) e seus filhos após o desaparecimento de Rubens Paiva (Selton Mello), ex-deputado engajado na luta contra o regime ditatorial. </span></p>
<p><span id="more-34404"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre tantos trunfos de Salles, o maior é universalizar os sentimentos de alguém vítima de um período específico da história brasileira. Embora o período seja importante e doloroso, é particular na vida de Eunice e de outras pessoas que sofrem com a </span><a href="https://www.pucsp.br/comissaodaverdade/mortos-e-desaparecidos-contextualizacao.html"><span style="font-weight: 400;">ausência de respostas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a incerteza deixada pela ditadura. O roteiro de Murilo Hauser e Heitor Lorena conseguem transmitir o acontecimento em uma experiência que perpassa a necessidade de ter vivido aquilo e transforma a tragédia em um sentimento coletivo. Até porque, como fazer com que ‘eu’ compadeça com a dor alheia? O retrato de Rubens Paiva, nos primeiros minutos do filme, aproxima e apresenta o espectador ao personagem; um pai amoroso, marido devoto e amigo querido. A presença de </span><a href="https://personaunesp.com.br/enterre-seus-mortos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Selton Mello</span></a><span style="font-weight: 400;"> em tela é tão onipotente que, sem ele em cena, a ausência é avassaladora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Elemento excelente, afinal, é a importância de um pai na família e o que seu desaparecimento causou em todos que moravam naquela casa. A encenação que configura o antes e depois do decesso de Rubens Paiva, personificada nas mudanças que ocorrem no lar, espaços e iluminação, também é um mérito imbatível para te fazer sentir. Os tons de amarelo são substituídos pelo azul ou pela sombra, enquanto as músicas agitadas do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> libertino britânico ou da </span><a href="https://personaunesp.com.br/samba-esquema-novo-aniversario/"><span style="font-weight: 400;">bossa nova</span></a><span style="font-weight: 400;"> são abafadas pelo ensurdecedor silêncio. </span></p>
<figure id="attachment_34406" aria-describedby="caption-attachment-34406" style="width: 420px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34406" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-12.png" alt="Na imagem, Rubens Paiva está olhando para a direita, com expressão séria. Ele veste uma camiseta vermelha e está sentado em uma poltrona. Ele é um homem na faixa dos 50 anos, de pele clara, bigode e cabelos grisalhos e lisos. Atrás dele e em volta há cortinas vermelhas. " width="420" height="240" /><figcaption id="caption-attachment-34406" class="wp-caption-text">Ainda Estou Aqui fez parte 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/01/20/rubens-paiva-50-anos-depois-de-sua-prisao-politica-e-de-seu-assassinato"><span style="font-weight: 400;">A casa carioca</span></a><span style="font-weight: 400;"> se torna uma personagem modificada assim como os humanos dessa história, vazia e silenciosa, sem precisar, como um dia necessitou, que uma câmera tenha de correr para acompanhar a agitação das danças e das crianças. Se a vida dessa família possui um antes e depois extremamente delimitado, o filme também possui duas partes. A partir disso, o longa constrói uma aproximação forte, sobretudo porque todo mundo já perdeu alguém, parou de frequentar os mesmos lugares que ia na infância ou viu o familiar ficar irreconhecível. Ao compreender essa natureza humana, Walter Salles, a direção artística de Gabriel García e a Fotografia de Adrian Teijido  transformam a história da família Paiva em uma experiência coletiva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro ato do longa se preocupa em mostrar o dia a dia dos Paiva. O tradicional almoço de domingo, com a presença de amigos próximos e agregados do círculo social, contribui para caracterizar a família. Veroca (</span><a href="https://revistaquem.globo.com/entrevistas/quem-disse/noticia/2024/11/valentina-herszage-o-cinema-tem-o-poder-de-dar-nome-e-rosto-as-vitimas-da-ditadura.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Valentina Herszage</span></a><span style="font-weight: 400;">), filha mais velha de Eunice e Rubens, não vive longe de sua câmera. Com o objeto, os costumes daquela casa são eternizados em </span><i><span style="font-weight: 400;">polaroids</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ilustram o lar. A partir do sumiço do patriarca, a repressão, sutilmente representada por sons e frases ambíguas de que algo está acontecendo no país, ganha um tom de denúncia e se concentra no sentimento de revolta de uma mãe e filhos desamparados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na vida, fotografias servem para registrar momentos, sejam eles agradáveis ou tensos. A </span><a href="https://www.instagram.com/p/DCLIF0JpBhn/?igsh=MTd0aDh3N2o5cXYy"><span style="font-weight: 400;">memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> nem sempre é um atestado de que o momento recortado foi bom. Na verdade, ela relembra as sensações que foram experienciadas no dia em que tudo aconteceu. Paralelamente a isso, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></i><span style="font-weight: 400;">, as fotos marcam o estado de uma época definida pela censura. Um olhar mais à esquerda, um sorriso mais contido e expressões mais sisudas também funcionam como evidências do terror vivido pelos brasileiros nos 21 anos do regime.</span></p>
<figure id="attachment_34407" aria-describedby="caption-attachment-34407" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34407" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-4.png" alt="Na imagem, Eunice Paiva, mulher branca de cabelo curto castanho, olha para Rubens Paiva, homem branco de cabelo curto e com bigode, enquanto ambos posam para uma fotografia na praia. Ela veste um conjunto preto e está sorrindo para o homem. Ele está sem camiseta e também sorri em direção à câmera. " width="984" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-4.png 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-4-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-4-768x414.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34407" class="wp-caption-text">No longa de Salles, as fotos também funcionam como fio-condutor da narrativa (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As representações fotográficas, então, apontam o medo no olhar dos personagens. Mostrar os dentes, em 1970, não é simplesmente uma expressão facial de que está tudo bem. Pelo contrário, é o reconhecimento da dor de uma família que permaneceu sem respostas de seu ente querido após as táticas de </span><a href="https://www.politize.com.br/tortura-ferramenta-regime-militar/"><span style="font-weight: 400;">tortura</span></a><span style="font-weight: 400;"> realizadas pelos militares. Apesar de tudo, nesse contexto, sorrir é um atestado da confirmação de que algo bruto, como a morte do ex-deputado, é melhor recebido do que  uma falsa sensação de esperança. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Maneirismos, características e hábitos evidenciam a personalidade dos seres humanos. Ir à sorveteria regularmente, ouvir os discos de um artista da MPB, como </span><a href="https://oglobo.globo.com/blogs/blog-do-acervo/post/2022/11/medo-nao-faz-parte-da-minha-vida-a-rebeldia-de-gal-costa-nos-anos-de-chumbo.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Gal Costa</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou fazer suflê como prato principal são apenas alguns dos costumes do lar carioca. Por exemplo, Nalu Paiva (</span><a href="https://www.em.com.br/cultura/2024/08/6924341-atriz-mineira-comenta-papel-no-longa-de-walter-salles-que-disputara-veneza.html"><span style="font-weight: 400;">Bárbara Luz</span></a><span style="font-weight: 400;">), a filha do meio, tem uma relação próxima com o pai. O terno, seu cigarro e a maneira de se portar atuam para a jovem como uma aproximação mínima do que, um dia, Rubens foi quando preenchia física e sentimentalmente o lar. Com a partida, aquilo que era cotidiano ganhou um novo significado: a percepção de que objetos materiais podem, de fato, ser extensões daqueles que amamos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É através de objetos e apelidos carinhosos que o filme compõe a atmosfera de saudades; ao desaparecerem do cotidiano, convergem com o propósito de marcação das fases da casa e o sentimento de mudanças pungentes. O papel de Eunice como mulher dentro daquele núcleo e as </span><a href="https://gente.globo.com/donas-da-casa-o-papel-da-mulher-na-organizacao-familiar/"><span style="font-weight: 400;">novas posições</span></a><span style="font-weight: 400;"> que precisa assumir também é afetado nesta dinâmica: agora, ela quem está à frente dos negócios da casa e nem sempre consegue acessar o que é de direito, por exemplo, o dinheiro no banco. Para além de elementos em cena ou texto – como os militares enclausurados nas sombras –, a câmera incorpora a ausência do pai, como a cena em que senta na mesa, ocupando uma cadeira vazia. </span></p>
<figure id="attachment_34405" aria-describedby="caption-attachment-34405" style="width: 738px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34405" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3.jpg" alt="Cena do filme Ainda Estou Aqui Na imagem, Eunice Paiva, mulher branca de cabelo curto castanho, na faixa dos 60 anos, está sentada e olhando para cima com uma expressão de susto enquanto está dentro de uma dela. Ela veste uma camisa azul e uma calça bege. " width="738" height="415" /><figcaption id="caption-attachment-34405" class="wp-caption-text">Torres, em entrevista para a Elle Brasil, disse que prioriza tons sóbrios nas roupas para o tapete vermelho, uma demonstração de fidelidade à personagem (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, embora pequenos, há momentos em que o filme perde a força, principalmente quando muda de década ou deseja denunciar a ditadura. Quando ocorre a passagem de tempo da década de 1970 para 1996 e, depois, </span><a href="https://veja.abril.com.br/saude/foi-angustiante-ve-la-sumir-diz-marcelo-rubens-paiva-sobre-a-mae"><span style="font-weight: 400;">2014</span></a><span style="font-weight: 400;">, o enredo dá saltos grandes e não permite que o espectador acompanhe a trajetória da família com a mesma aproximação e lentidão como grande parte do longa, deixando a sensação de ter algo faltando. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto ao caráter de manifestação direta, o momento de Eunice falando com repórteres sobre a importância da memória e da resistência soa como um texto pronto para viralizar nas redes sociais e abandona o lado íntimo, destoando das duas horas anteriores. Inclusive, a </span><a href="https://cbn.globo.com/cultura/entrevista/2024/11/13/ailton-krenak-e-impossivel-contar-historia-do-movimento-indigena-na-ditadura-sem-falar-de-eunice-paiva.ghtml"><span style="font-weight: 400;">advogada</span></a><span style="font-weight: 400;"> colando o atestado de óbito do marido em seu álbum de memórias é um elemento mais latente quando trata-se de denúncia, porque parte de um discurso </span><a href="https://www.scielo.br/j/rlpf/a/gqK3tgmPMGDcD3r5xFZnKXH/?format=pdf&amp;lang=pt"><i><span style="font-weight: 400;">pathos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mais eficaz e que mantém o tom estabelecido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Resistir, lembrar, persistir são, para </span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">atos pautados no silêncio e emoção transmitidos por enquadramentos, cores e encenação, quase pouco por diálogos, em sinfonia de </span><a href="https://youtu.be/wBxBUKuFcI8?si=Bilsf7XkSQCHSSvl"><span style="font-weight: 400;">forma</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conteúdo com sua protagonista, que não permite demonstrar os sentimentos, deixando até seus filhos de fora da situação familiar. Portanto, quando o longa decide ‘falar’, destoa.</span></p>
<figure id="attachment_34408" aria-describedby="caption-attachment-34408" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34408" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image4-1.png" alt="Cena do filme Ainda Estou Aqui Na imagem, Eunice Paiva, mulher branca de cabelo curto castanho, está com uma expressão séria. Ela veste uma blusa regata da cor azul. " width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image4-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image4-1-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image4-1-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image4-1-768x403.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34408" class="wp-caption-text">Fernanda Torres foi uma das homenageadas da 4ª edição da Celebração do Cinema e Televisão Latinos do Critics Choice Awards (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando um filme brasileiro é aclamado, surge a tradicional pergunta ‘será que vai ser indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">?’. Com </span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></i><span style="font-weight: 400;">, a conversa não seria diferente, ainda mais levando em conta o circuito internacional da produção. No Festival de Veneza, Murilo Hauser e Heitor Lorena levaram o prêmio de </span><a href="https://exame.com/pop/ainda-estou-aqui-vence-premio-de-melhor-roteiro-no-festival-de-cinema-de-v"><span style="font-weight: 400;">Melhor Roteiro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Após as primeiras exibições, Fernanda Torres foi elogiada pela imprensa estrangeira, como o </span><a href="https://deadline.com/2024/09/im-still-here-review-walter-salles-love-letter-to-brazil-is-a-warning-from-history-venice-film-festival-1236075262/"><i><span style="font-weight: 400;">Deadline</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://variety.com/2024/film/reviews/im-still-here-review-walter-salles-1236121390/"><i><span style="font-weight: 400;">Variety</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Caso seja indicada à maior premiação do Cinema, a artista se juntará a sua mãe, Fernanda Montenegro, como as únicas brasileiras já cotadas para a estatueta de Melhor Atriz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora premiações possam servir como um atestado de que uma obra é criticamente competente, o longa de Salles por si só já ganhou o mais importante: a adesão dos </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/primeira-exibicao-de-ainda-estou-aqui-no-brasil-tem-palmas-choro-e-grito-de-ditadura-nunca-mais/?srsltid=AfmBOopQ4jOc5TODefJbAr8U54frT9B9vHsq0BXfOJc9f4xYtFa8LF2G"><span style="font-weight: 400;">brasileiros</span></a><span style="font-weight: 400;">. Salas lotadas, discussões nas redes sociais depois da experiência e a exaltação do nosso Cinema valem muito mais que uma possível – e merecida – nomeação. A conversa em volta de tudo que foi sentido e relembrado com essa história é, no fim das contas, o que amplia sua relevância. No entanto, há uma força motriz que sustenta os momentos de maior tensão e ela se chama Fernanda Torres. </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Normais </span></i><span style="font-weight: 400;">(2001-2003) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Tapas e Beijos </span></i><span style="font-weight: 400;">(2011-2015) mostram o traquejo da veterana com a Comédia, enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra Estrangeira</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1995) exige um tom melodramático pela história contada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em ambos os gêneros, ela domina com maestria as competências necessárias para as personagens que interpreta. Com a </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/as-poucas-diferencas-entre-realidade-e-ficcao-em-ainda-estou-aqui"><span style="font-weight: 400;">adaptação</span></a><span style="font-weight: 400;"> do livro de Marcelo Rubens Paiva, a atriz carrega a dor de cinco filhos em um trabalho corporal. A forma como a matriarca precisa guiar os jovens, desamparados devido ao sumiço de Rubens, concentra todo o tom melancólico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></i><span style="font-weight: 400;">. O fato é que Eunice não está, mas precisa, realmente, segurar tudo dentro de si, por ela, pelos seus e, principalmente, pelo marido.</span></p>
<figure id="attachment_34410" aria-describedby="caption-attachment-34410" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34410" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image6.png" alt="Cena do filme Ainda Estou Aqui Na imagem, Eunice Paiva, mulher branca na faixa dos 95 anos, de cabelo curto branco, está olhando para frente com expressão de desorientação. Ela veste uma roupa marrom e usa um colar de bolinhas. Usa óculos redondos. Ao fundo há uma mesa, desafogada, com garrafas, copos e pratos. " width="1024" height="567" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image6.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image6-800x443.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image6-768x425.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34410" class="wp-caption-text">Em <a href="https://personaunesp.com.br/lobby-oscar-artigo/">1999</a>, Fernanda Montenegro foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz, mas quem levou foi Gwyneth Paltrow por Shakespeare Apaixonado (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É ‘chavão’ que o Cinema é memória, registro e até objeto para denúncia. Mas não existe forma melhor de definir </span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></i><span style="font-weight: 400;">. Contar a história dos Paiva nas telonas é reforçar o quão devastador aqueles 21 anos foram para os brasileiros. Dessa forma, Walter Salles novamente demonstra um domínio em impactar seu público de forma sútil, mas brutal, através de personagens que serão eternizados na </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/se-o-cinema-e-a-setima-arte-quais-sao-as-outras"><span style="font-weight: 400;">Sétima Arte</span></a><span style="font-weight: 400;"> do nosso país.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ainda Estou Aqui | Trailer Oficial | 7 de novembro nos cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/_NzqP0jmk3o?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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