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	<title>Arquivos Marcélia Cartaxo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Lispectorante é um espetáculo espectral</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Nov 2024 15:51:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Em competição na seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Lispectorante se destaca como um delírio surrealista, cheio de luzes esverdeadas e paralelos poéticos. A diretora Renata Pinheiro nos entrega um Recife que é mais do que um cenário – é um ser vivo, em estado de abandono &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lispectorante-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lispectorante é um espetáculo espectral"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34278" aria-describedby="caption-attachment-34278" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34278" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-800x295.png" alt="Cena do filme Lispectorante. Vista aérea de duas pessoas deitadas no fundo de um barco pequeno, com pintura verde central e madeira clara nas laterais. À esquerda está Glória, uma mulher de meia-idade, de cabelos curtos e ondulados, vestindo uma blusa escura e shorts vermelhos. À direita está Guitar, um homem branco com cabelo raspado dos lados e mais longo em cima, usando uma camisa aberta e calça dourada, exibindo uma expressão relaxada. Objetos como cordas e um salva-vidas branco estão espalhados ao redor. A água ao fundo e o verde vibrante da pintura evocam uma sensação de tranquilidade e liberdade." width="800" height="295" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-800x295.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-1024x378.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-768x284.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-1536x567.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-1200x443.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34278" class="wp-caption-text">Assim como a protagonista, a diretora do longa-metragem também é uma artista plástica (Foto: Amora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em competição na seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lispectorante</span></i><span style="font-weight: 400;"> se destaca como um delírio surrealista, cheio de luzes esverdeadas e paralelos poéticos. A diretora Renata Pinheiro nos entrega um Recife que é mais do que um cenário – é um ser vivo, em estado de abandono e renascimento.</span></p>
<p><span id="more-34277"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No centro da narrativa encontramos Glória, interpretada por Marcélia Cartaxo, cuja crise existencial e financeira a leva de volta à sua cidade natal. Recife, nesta fábula, se transforma em um campo de tensão entre passado e futuro, explorado por meio da </span><a href="https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2024/04/11/casa-onde-clarice-lispector-passou-infancia-no-recife-vai-abrigar-museu-conheca-o-projeto.ghtml"><span style="font-weight: 400;">casa de Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">. A residência é uma fenda temporal que conecta Glória a visões fantásticas e assustadoras do que poderia ser seu destino.</span></p>
<figure id="attachment_34279" aria-describedby="caption-attachment-34279" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34279" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-800x400.png" alt="Cena do filme Lispectorante. Glória, uma mulher de meia-idade com cabelos curtos e ondulados, está deitada de lado, apoiando o rosto contra uma superfície macia em um ambiente iluminado por uma luz quente e difusa. Seu cabelo está ligeiramente despenteado, e um sorriso discreto, quase melancólico, surge em seu rosto. A iluminação dourada realça a textura dos objetos e do cenário ao fundo, que parece ser um quarto, com detalhes de móveis e cortinas visíveis. O momento captura uma mistura de serenidade e vulnerabilidade, imersa em uma atmosfera introspectiva." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3.png 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34279" class="wp-caption-text">“A salvação é pelo risco” é a frase de Clarice Lispector que a diretora acredita resumir o filme (Foto: Amora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A Fotografia de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/wilssa-esser"><span style="font-weight: 400;">Wilssa Esser</span></a><span style="font-weight: 400;"> destaca um Recife, ao mesmo tempo, onírico e distópico. As luzes esverdeadas e os tons pós-industriais nos transportam a um futuro que lembra obras de </span><a href="https://personaunesp.com.br/cowboy-bebop-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">cyberpunk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas que também está profundamente enraizado na realidade brasileira. Esse jogo de luz e sombra é o que dá à obra sua atmosfera de inquietação – por vezes, nos sentimos em uma metáfora do Recife do presente, em outras, em uma dimensão paralela de um futuro incerto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A casa de Lispector não é a única a ganhar protagonismo. O quarto onde </span><a href="https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2024/07/6883315-em-forma-de-protesto-filme-de-carmen-miranda-sera-exibido-na-fachada-da-casa-onde-artista-viveu.html"><span style="font-weight: 400;">Carmen Miranda</span></a><span style="font-weight: 400;"> costumava se hospedar no </span><a href="https://revistacontinente.com.br/secoes/extra/o-tempero-do-historico-hotel-central#:~:text=O%20Hotel%20Central%2C%20inaugurado%20em,mais%20ilustres%20se%20hospedavam%20ali."><span style="font-weight: 400;">Hotel Central</span></a><span style="font-weight: 400;"> é mais um espaço repleto de memórias, narradas com humor pela atendente do espaço. Esse apego aos locais ressoa o conceito de </span><a href="https://personaunesp.com.br/aquarius-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), em que as casas são um porto seguro e, ao mesmo tempo, uma prisão em uma sociedade na qual o dinheiro dita os valores. A diretora faz questão de tornar essa relação entre pessoas e lugares uma das bases do filme, mostrando o dinheiro como o carcereiro ético que faz da liberdade uma mercadoria.</span></p>
<p><figure id="attachment_34280" aria-describedby="caption-attachment-34280" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34280" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-3.png" alt="Cena do filme Lispectorante. Glória, uma mulher de meia-idade com cabelos curtos e ondulados, veste uma camisa colorida com estampas florais enquanto sorri de forma leve e confiante. Ela parece estar em um ambiente festivo, cercada por pessoas que aplaudem ao fundo, envoltas por uma iluminação quente e suave, composta por luzes amarelas e vermelhas que conferem um clima íntimo e acolhedor. A expressão no rosto de Glória sugere um momento de triunfo ou celebração, com um toque de satisfação pessoal, capturando um instante de leveza e alegria compartilhada." width="640" height="320" /><figcaption id="caption-attachment-34280" class="wp-caption-text">Cartaxo já estava inserida no universo lispectoriano ao interpretar a protagonista de <a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-da-estrela-critica/">A Hora da Estrela</a> (1986) [Foto: Amora Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Marcélia Cartaxo e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cangaco-novo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Wagner</span></a><span style="font-weight: 400;"> dão vida a personagens complexos (Glória e Guitar) e, ainda assim, acessíveis. As atuações passam longe de qualquer amadorismo, que acompanham o ritmo lento e ponderado do início da obra. A própria cidade é retratada como um lugar de resistência e contrastes, entre a decadência e a esperança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, na reta final, a urgência toma conta. O ritmo muda, acelerando fora do ponto. Uma mudança que, embora traga energia ao desfecho, acaba sacrificando a calma necessária para digerir toda a profundidade que o longa construiu. </span><i><span style="font-weight: 400;">Lispectorante</span></i><span style="font-weight: 400;"> pede uma certa </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-parle-critica/"><span style="font-weight: 400;">serenidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> para que o espectador entre em sintonia, e, por isso, esse final abrupto parece destoante – mas não menos impactante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Renata Pinheiro e o corroteirista </span><a href="https://embaubaplay.com/diretor_s/sergio-oliveira/"><span style="font-weight: 400;">Sérgio Oliveira</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos entregam incógnitas que não se encaixam em fórmulas. É uma exploração do surrealismo que mora em cada detalhe do cotidiano e uma reflexão sobre a fabulação humana; a capacidade de imaginar uma vida diferente mesmo quando todos os elementos dizem o contrário. Entre a beleza das luzes e a densidade das sombras, queremos saber o que há do outro lado dessa fenda. </span></p>
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		<title>Em A Hora da Estrela, Macabéa representa a busca da própria identidade</title>
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		<pubDate>Thu, 16 May 2024 18:15:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal A Hora da Estrela, filme de 1985 baseado no livro homônimo escrito por Clarice Lispector, conta a história da datilógrafa Macabéa, que pouco da vida conhece, mas vive com o mínimo porque foi ensinada dessa maneira. Dirigido por Suzana Amaral, o longa-metragem ganhou uma nova versão remasterizada com o apoio da Sessão &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-hora-da-estrela-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em A Hora da Estrela, Macabéa representa a busca da própria identidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33407" aria-describedby="caption-attachment-33407" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33407" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-3.png" alt="Foto da atriz Marcélia Cartaxo, uma mulher branca de cabelos cacheados e castanhos. Ela está correndo e usa um vestido branco. A foto está em preto e branco." width="750" height="452" /><figcaption id="caption-attachment-33407" class="wp-caption-text">Marcélia Cartaxo dá vida à Macabéa, protagonista do livro e da adaptação cinematográfica de A Hora da Estrela (Foto: Sessão Vitrine Petrobras)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme de 1985 baseado no livro homônimo escrito por Clarice Lispector, conta a história da datilógrafa Macabéa, que pouco da vida conhece, mas vive com o mínimo porque foi ensinada dessa maneira. Dirigido por </span><a href="https://jornal.usp.br/cultura/a-trajetoria-de-suzana-amaral-no-cinema-e-na-usp/"><span style="font-weight: 400;">Suzana Amaral</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa-metragem ganhou uma nova versão remasterizada com o apoio da Sessão Vitrine Petrobras como distribuidora e foi lançado nos cinemas em 2024, sendo a chance do público brasileiro conhecer ou revisitar uma das histórias nacionais mais emocionantes já feitas. </span></p>
<p><span id="more-33404"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama da narrativa escrita pela ucraniana é simples: a protagonista alagoana vai para o Rio de Janeiro trabalhar como datilógrafa, algo comum no século XX, visto que o trabalho daria chances de melhores condições de vida para a migrante. Após o falecimento da tia, Macabéa vai morar em uma espécie de pensão com outras três mulheres. Com 19 anos, um estômago ruim e uma alimentação que nada a favorece, a jovem apenas existe sem entender a tamanha dificuldade que a permeia. Nos cinemas, a personagem é vivida brilhantemente pela atriz </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/entrevista/2024/05/10/marcelia-cartaxo-eu-estava-fresquinha-assim-como-macabea"><span style="font-weight: 400;">Marcélia Cartaxo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esguia, desnutrida e curiosa são três das palavras que definem a protagonista e, infelizmente, a forma como a veem. Mesmo não tendo terminado a escola, Macabéa arruma um emprego como datilógrafa, que dá a ela algo menor do que um salário mínimo. No entanto, embora esteja cercada por inúmeros obstáculos, há algo que desperta chamas em seu coração, a </span><a href="https://memoria.abert.org.br/radio-relogio-voce-sabia/"><span style="font-weight: 400;">Rádio Relógio</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao ouvir os ensinamentos da programação radiofônica, a alagoana aprende os significados daquilo que tanto a aflige: as palavras.</span></p>
<figure id="attachment_33405" aria-describedby="caption-attachment-33405" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33405" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2.png" alt="Foto da atriz Marcélia Cartaxo, uma mulher branca de cabelos cacheados e castanhos. Ela veste uma blusa bordada com as cores cinza e branco e utiliza uma presilha branca no lado esquerdo do cabelo. Ela está cabisbaixa e olha com tristeza para baixo." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33405" class="wp-caption-text">A primeira edição de A Hora da Estrela foi publicada em 1977, mesmo ano da morte de Clarice Lispector (Foto: Sessão Vitrine Petrobras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos cruciais para o entendimento da história é a identificação do público com sua protagonista. Dessa forma, o trabalho de Cartaxo é fundamental para que o espectador entenda a nordestina e, assim, tenha empatia por ela. Macabéa não é exclusiva, nem apenas uma persona evocada por </span><a href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/por-que-obras-de-clarice-lispector-continuam-sendo-adaptadas-para-o-cinema-e-seguem-relevantes-1.3511543"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">. A alagoana é como todo e qualquer ser humano que já se sentiu minimamente descartável e perdido no mundo. A vida, para ela, é normal. Entretanto, para aqueles que a acompanham nas telas do Cinema, a jovem possui um passado trágico, um presente cinza e um futuro assustador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em certo ponto da trama, a protagonista conhece o operário Olimpo de Jesus (José Dumont), por quem ela prontamente se apaixona. Com anseio de viver e sentir algo diferente de sua vida monótona, a garota sente as primeiras faíscas do amor (não correspondido). No diálogo de Macabéa com o pretendente, há o desenvolvimento dela enquanto </span><a href="https://vermelho.org.br/coluna/a-estrela-e-a-invisibilidade-social/"><span style="font-weight: 400;">ser pensante</span></a><span style="font-weight: 400;">: à medida em que entende-se a ganância do metalúrgico, compreende-se a inocência da personagem, uma vez que, por não ter acesso a direitos básicos – como educação, saúde e alimentação – pouco do mundo ela conhece.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Virgem, fã de coca-cola e datilógrafa, Macabéa não tem tempo de se sentir triste. No sistema capitalista, pensar em sentimentos é um luxo que ela não se pode deixar levar, ainda mais aqueles que a mostrariam a situação deplorável em que a alagoana vive. Além de suas colegas de pensão, a jovem possui uma amiga no trabalho, a carioca Glória, vivida por </span><a href="https://tvhistoria.com.br/musa-anos-80-anima-festas-infantis-sobreviver/"><span style="font-weight: 400;">Tamara Taxman</span></a><span style="font-weight: 400;">, que é tudo o que ela não é: provocativa, desejada por homens e namoradeira. Viciada em superstições, a coadjuvante rouba o namorado da protagonista a fim de ter o homem que realmente ama. Após a atitude, a loira sugere que a personagem principal faça o mesmo para que sua vida mude.</span></p>
<figure id="attachment_33406" aria-describedby="caption-attachment-33406" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33406" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-2.png" alt="Foto da atriz Fernanda Montenegro, uma mulher branca de cabelos cacheados, e a atriz Marcélia Cartaxo, uma mulher branca de cabelos cacheados e castanhos. Elas estão sentadas olhando para as cartas que estão na mesa." width="700" height="466" /><figcaption id="caption-attachment-33406" class="wp-caption-text">Com um trabalho de tirar o fôlego, Fernanda Montenegro é a coadjuvante perfeita para A Hora da Estrela (Foto: Sessão Vitrine Petrobras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir da ida da datilógrafa à cartomante Madame Carlota, interpretada pela brilhante </span><a href="https://www.folhabv.com.br/variedades/conheca-cinco-filmes-que-marcaram-carreira-de-fernanda-montenegro/"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Montenegro</span></a><span style="font-weight: 400;">, Macabéa entende a sua própria vida e existência. Nunca foi amada e muito menos desejada, mas aprendeu a viver assim, pois pensava que esse era o normal: não ser. Em uma interpretação caricata na dose certa, Montenegro traz mais uma carta de humor utilizada pelos escritos de Lispector e pelo roteiro adaptado de Alfredo Oroz e Suzana Amaral. Através da consulta, a alagoana confessa que tem medo de palavras, mas escuta atentamente todas as previsões feitas pela ex-prostituta. Assim, a percepção da protagonista de sua humanidade representa o ponto mais alto da narrativa</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por esse lado, o filme apresenta um dos diálogos mais importantes da história: a análise da vida trágica de Macabéa. A cena reúne tudo o que o público viu ao longo da trama e, com as atuações de Cartaxo e Montenegro, há um anseio por um futuro menos amargo para a protagonista. Após o término da sessão com a profissional, Macabéa se despreende do presente e do passado terrível e olha em direção ao futuro. Vívida por sensações novas e experiências que possam tirá-la do estado automático em que permaneceu por 19 anos, a recém descoberta de sua autonomia serve como a ‘cereja do bolo’ do desenvolvimento perfeito da personagem enquanto arco narrativo. Ancorada na maestria dos </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544426497_594113.html#:~:text=Clarice%20Lispector%20%C3%A9%20considerada%2C%20junto,a%20primeira%20pessoa%20na%20narrativa."><span style="font-weight: 400;">escritos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Clarice Lispector, o longa-metragem dá um ‘gostinho de quero mais’, levando o espectador a consumir a obra original para entender ainda mais a datilógrafa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseando-se em um clássico nacional, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela</span></i><span style="font-weight: 400;"> é competente ao adaptar uma das histórias mais cruas e delicadas escritas pela ucraniana. Ao mesmo tempo em que Macabéa tem a Rádio Relógio como sua melhor amiga, sempre aprendendo um termo novo e informações que não conhecia, a datilógrafa possui medo dessas próprias palavras. Traçando um paralelo com o amargor e doçura que é viver, o longa-metragem escancara os dilemas da vida humana: com medo de não ter sido ninguém, a protagonista foi e muito, assim como Clarice Lispector significou tanto para a </span><a href="https://www.portugues.com.br/literatura/clarice-lispector.html#:~:text=Clarice%20Lispector%20(1920%2D1977),as%20mais%20lidas%20no%20pa%C3%ADs."><span style="font-weight: 400;">Literatura brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A HORA DA ESTRELA | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/jCVVei38HZs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A Mãe: nas periferias de São Paulo, a ditadura nunca acabou</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2022 18:41:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez “A ditadura nunca acabou. A ditadura só vai acabar com o fim da Polícia Militar, porque ela é muito presente dentro do cotidiano da periferia”, defende Débora Maria da Silva, fundadora do grupo Mães de Maio, em sua participação em A Mãe. Integrante da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-mae-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Mãe: nas periferias de São Paulo, a ditadura nunca acabou"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29195" aria-describedby="caption-attachment-29195" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29195" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-1.jpg" alt="" width="1024" height="511" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-1-800x399.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-1-768x383.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29195" class="wp-caption-text">Presente na seção Mostra Brasil da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, A Mãe estreou nacionalmente no Festival de Gramado (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A ditadura nunca acabou. A ditadura só vai acabar com o fim da Polícia Militar, porque ela é muito presente dentro do cotidiano da periferia</span></i><span style="font-weight: 400;">”, defende Débora Maria da Silva, fundadora do grupo Mães de Maio, em sua participação em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe</span></i><span style="font-weight: 400;">. Integrante da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, na seção Mostra Brasil, o longa mescla ficção à realidade para escancará-la: para Maria (Marcélia Cartaxo), mãe solo e residente da periferia, o desaparecimento do seu filho pelas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uqxYLi6rLWo"><span style="font-weight: 400;">mãos da polícia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a burocracia para encontrá-lo se assemelha a incontáveis outros casos do cotidiano da Grande São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29194"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Moradora do extremo leste &#8211; como o filho adolescente canta em suas rimas -, a protagonista sustenta a casa sozinha com o trabalho de camelô, no centro da cidade. Quando retorna ao lar, Valdo (Dunstin Farias) não voltou. Não há notícias dele na escola, entre os amigos próximos ou no boca a boca da vizinhança. Daí em diante, a personagem, interpretada visceralmente por Cartaxo, inicia uma incansável jornada de investigação e busca para encontrar o primogênito &#8211; ou, pelo menos, saber de seu paradeiro. Recorrendo até ao traficante do bairro, Maria descobre que a </span><a href="https://ponte.org/o-estado-no-banco-dos-reus-mp-pede-indenizacao-a-564-vitimas-dos-crimes-de-maio/"><span style="font-weight: 400;">polícia</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ter sido a responsável pelo desaparecimento do filho.</span></p>
<figure id="attachment_29197" aria-describedby="caption-attachment-29197" style="width: 2362px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29197" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13.jpg" alt="" width="2362" height="1329" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13.jpg 2362w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29197" class="wp-caption-text">Marcélia Cartaxo já venceu o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim por A Hora da Estrela, em 1986, e o Kikito de Melhor Atriz em 2019, por Pacarrete (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">não dá trégua. </span><a href="https://ponte.org/cristiano-burlan-uma-mae-que-perde-o-filho-deve-ter-direito-ao-enterro-e-ao-luto/"><span style="font-weight: 400;">Atormentada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo desaparecimento do filho, o cotidiano de Maria se torna ainda mais cansativo com o peso esmagador da dúvida e da incerteza. A protagonista roda a vizinhança e os locais que Valdo frequentava até partir para as delegacias, onde tira as mesmas conclusões: nem a polícia, instituição supostamente encarregada de proteger o adolescente, está disposta a ajudá-la. Para piorar, denunciando à PM que a própria organização pode ter encabeçado o desaparecimento do jovem, Maria arruma um novo problema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Graças ao </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção de Karla Salvoni, as residências e arredores em que </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">passa são familiares, amplificando ainda mais o desespero com os rumos que a investigação toma. Desde o centro de São Paulo, com suas inconfundíveis galerias e assentos de ônibus, até a casa da personagem principal, o cenário é o de uma família brasileira &#8211; esta, formada por mãe e filho. Quando o enquadro da polícia invade porta adentro, o refúgio em que Maria poderia encontrar paz e descanso, o único em que Valdo poderia estar a salvo, mas não está, é violado. Nem dentro de suas quatro paredes ambos estão seguros, o sentimento de impotência cresce, e o trabalho de direção de </span><a href="https://www.esquinadacultura.com.br/post/nao-podia-estetizar-a-morte-de-minha-mae-diz-diretor-cristiano-burlan"><span style="font-weight: 400;">Cristiano Burlan</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos angustia junto dà Mãe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pele da protagonista, </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/26o-festival-de-vitoria-duas-vezes-marcelia-cartaxo/"><span style="font-weight: 400;">Marcélia Cartaxo</span></a><span style="font-weight: 400;"> canaliza a inquietação e a desesperança de uma matriarca que não sabe o paradeiro da sua criança. Ela externaliza sua dor gritando com os negligentes agentes militares, desafiando os moradores locais por informações e rindo ao, de frente para um corpo morto no Instituto Médico Legal, constatar que aquele não é seu filho. Há esperança? Se sim, o sentimento está adormecido. Depois de dias sem ter sinal de Valdo, o roteiro de Cristiano e Ana Carolina Marinho faz a personagem procurar alento de outra maneira: Maria recorre às instituições de mães de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/05/13/surgido-da-dor-maes-de-maio-se-tornam-referencia-no-combate-a-violencia-do-estado/"><span style="font-weight: 400;">filhas e filhos desaparecidos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29196" aria-describedby="caption-attachment-29196" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29196 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2.jpg" alt="" width="1200" height="617" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2-800x411.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2-1024x527.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2-768x395.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29196" class="wp-caption-text">As rimas cantadas por Valdo são de autoria do seu intérprete, Dunstin Farias (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A impotência frente à atuação da polícia e a dificuldade em enfrentar as burocracias da máquina militar levam Maria e as integrantes dos grupos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nJ1xIZr5LEI"><span style="font-weight: 400;">Mães da Sé</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Mães de Maio &#8211; e muitas outras no Brasil &#8211; a resistirem juntas à opressão do Estado em localizar essas pessoas. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Como mãe pobre e mãe negra, a gente não pode perder as forças jamais</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz Débora Maria da Silva, que interpreta a si mesma no longa-metragem. Símbolo de força, ambas mulheres, a fundadora da organização e A Mãe que dá nome ao filme, cutucam e lutam contra a atuação assassina da Polícia Militar nas periferias de São Paulo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inclusive, o diretor Cristiano Burlan não surgiu com a ideia de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">da observação de outras realidades. Criado no Capão Redondo, ele próprio viu o irmão ser assassinado por agentes policiais, o que rendeu o documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Mataram Meu Irmão </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013). Antes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção </span></i><span style="font-weight: 400;">investigava a morte do pai, falecido em uma obra em que trabalhava por descuidos do local. Em 2017, fechando a série de produções documentais que ficou conhecida como </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/trilogia-do-luto-filme-como-instrumento-de-vinganca/"><span style="font-weight: 400;">Trilogia do Luto</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elegia de Um Crime </span></i><span style="font-weight: 400;">reconstitui a morte da mãe, assassinada pelo parceiro. Assim como nas obras passadas, o longa mais recente de Burlan segue trazendo humanidade às populações periféricas.</span></p>
<figure id="attachment_29198" aria-describedby="caption-attachment-29198" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29198" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae.png" alt="" width="1000" height="622" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-800x498.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-768x478.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29198" class="wp-caption-text">Exibido no Festival de Málaga, A Mãe foi filmado no centro de São Paulo e no bairro Jardim Romano, na zona leste (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a </span><a href="https://almapreta.com/sessao/cotidiano/maes-maio"><span style="font-weight: 400;">violência policial</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas periferias é constante no cotidiano das populações, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">escancara a realidade. O filme pouco se preocupa em mascarar a história em prol de uma narrativa facilmente digerida &#8211; a conclusão nos minutos finais é tão desesperadora quanto os primeiros 90 -, e projeta a realidade nua e crua da vulnerabilidade nas mãos daqueles que juraram proteger as comunidades. A máquina militar, além de matar, acoberta os assassinatos e as investigações em nome dos seus. Mas </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">sabe disso. E nós também.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trailer Oficial A MÃE, de Cristiano Burlan" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/WZRMi30Q5G8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-mae-critica/">A Mãe: nas periferias de São Paulo, a ditadura nunca acabou</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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