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	<title>Arquivos Luiz Fernando Carvalho &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Paixão segundo G.H. é um passeio por nós mesmos</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Dec 2021 22:36:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Nascida em 1920, Clarice Lispector é um dos nomes intocáveis da nossa Literatura. A ucraniana, batizada como Haya Pinkhasovna Lispector, chegou ao Brasil aos dois meses de idade, com seus pais de origem judaica que fugiram do país devido à perseguição durante a Guerra Civil Russa. Inicialmente residente em Maceió, em sua infância &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Paixão segundo G.H. é um passeio por nós mesmos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25054" aria-describedby="caption-attachment-25054" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-25054" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/wp-gh-800x420.jpg" alt="A imagem é uma arte com fundo vermelho com a capa do livro A Paixão segundo G.H. ao centro e um selo escrito Clube do Livro Persona no canto direito inferior e o logo do Persona no canto esquerdo superior. A capa tem um fundo na cor creme com linhas de distorção, é possível ver no canto superior direito dunas de areia e edifícios que remetem à arquitetura árabe. Abaixo, está escrito Clarice Lispector em letra cursiva e na cor vermelha e o título do livro em caixa alta e na cor bege. No canto inferior esquerdo, abaixo do título, há o desenho de uma moça branca, com cabelos castanhos longos presos em um rabo de cavalo baixo; ela veste uma blusa azul clara de mangas compridas. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/wp-gh-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/wp-gh-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/wp-gh.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25054" class="wp-caption-text">Com 165 páginas, A Paixão segundo G.H. foi a primeira leitura do Clube do Livro do Persona (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascida em 1920, </span><a href="https://www.ebiografia.com/clarice_lispector/"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um dos </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-55251307"><span style="font-weight: 400;">nomes intocáveis</span></a><span style="font-weight: 400;"> da nossa Literatura. A ucraniana, batizada como Haya Pinkhasovna Lispector, chegou ao Brasil aos dois meses de idade, com seus pais de origem judaica que fugiram do país devido à perseguição durante a Guerra Civil Russa. Inicialmente residente em Maceió, em sua infância e pré-adolescência, a autora passou por Recife e pelo Rio de Janeiro, e, por onde trilhava seu caminho, carregava consigo sua paixão pelos livros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após ingressar na Faculdade Nacional de Direito, em 1941, trabalhou como redatora da Agência Nacional e, posteriormente, do jornal</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Noite</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando seus primeiros passos no universo da escrita. Não demorou muito para que mergulhasse de vez nele, e publicou seu primeiro romance em 1944, com o título</span> <a href="https://site.claricelispector.ims.com.br/livro/perto-do-coracao-selvagem/"><i><span style="font-weight: 400;">Perto do Coração Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A obra estreante retrata uma perspectiva sobre o período da adolescência e, logo de cara, fez com que Clarice abrisse novos horizontes na Literatura nacional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quebrando todo e qualquer paradigma literário da época, Lispector abandona noções de ordem cronológica e funde um lirismo único a sua forma de representar ações e emoções humanas, traços que se tornaram mais do que característicos de toda a sua carreira. Não à toa, a produção foi agraciada pelo Prêmio Graça Aranha, e, mais tarde, a autora colecionaria outros títulos de referência, como</span> <a href="https://site.claricelispector.ims.com.br/livro/lacos-de-familia/"><i><span style="font-weight: 400;">Laços de Família</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1960) e </span><a href="https://site.claricelispector.ims.com.br/livro/a-hora-da-estrela/"><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(1977), em que este último ainda ganhou uma </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-15146/"><span style="font-weight: 400;">adaptação para as telonas</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1985.</span></p>
<p><span id="more-25043"></span></p>
<figure id="attachment_25044" aria-describedby="caption-attachment-25044" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-25044" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-800x523.jpg" alt="A imagem é uma foto em preto e branco da escritora Clarice Lispector. Nela, Clarice está sentada em um sofá com as pernas cruzadas e os braços abertos. Ao seu lado esquerdo, ela acaricia um cachorro, e no direito, segura um cigarro entre os dedos. Clarice era uma mulher branca, de cabelos curtos e lisos, ela veste um vestido com mangas compridas e usa um colar de pérolas em seu pescoço." width="800" height="523" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-800x523.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-768x502.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25044" class="wp-caption-text">Clarice Lispector publicou 18 livros, entre romances, contos e crônicas (Foto: Arquivo Pessoal)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasce em 1961. Uma das produções menos chamativas de toda a sua obra, mas que, de forma subestimada, carrega uma das viagens mais acalentadoras que Clarice conseguiu nos deixar em vida. Ambientada num apartamento no Rio de Janeiro, a história segue a narradora-protagonista, e única personagem, caracterizada pelas iniciais presentes no livro (se é que pode-se afirmar que essas letras dizem respeito a ela). Pertencente à classe alta, após demitir sua empregada, ela decide organizar o quarto da mesma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao exercer o que parece ser uma tarefa simples e comum, e mais do que rotineira para qualquer um, a protagonista desencadeia uma série de reflexões, enquanto também se depara com a insignificância que a funcionária tinha para ela até o momento. Sem demais componentes atuando, a narrativa é uma imersão no seu próprio pensar, em que a solidão da atividade desempenhada leva a um diálogo com si própria. A estrutura textual evidencia o fluxo de pensamento, com capítulos que não possuem títulos ou marcações numéricas, mas se iniciam com a mesma sentença que encerrou o anterior, ilustrando sublimemente a constância da reflexão humana. </span></p>
<figure id="attachment_25045" aria-describedby="caption-attachment-25045" style="width: 768px" class="wp-caption alignleft"><img decoding="async" class="size-full wp-image-25045" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme A paixão segundo G.H.. Nela, é possível ver o reflexo da atriz Maria Fernanda Cândido em um espelho em formato redondo. Ela está virada de perfil e com as palmas das mãos levantadas próximas ao seu queixo. Maria é uma mulher branca, com cabelos castanhos presos em um coque alto bagunçado. Ela veste uma blusa branca de mangas compridas e usa brinco em sua orelha. " width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-25045" class="wp-caption-text">Em 2020, a obra foi adaptada para o Cinema, com direção de Luiz Fernando Carvalho e protagonizada por Maria Fernanda Cândido (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não trazer nenhum personagem dialogável, se precisássemos eleger uma espécie de antagonista em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.,</span></i><span style="font-weight: 400;"> com certeza, seria a barata. Ao arrumar o armário do quarto, a protagonista se depara com o inseto, e, no comum ato de esmagá-la, aprofunda-se ainda mais em uma viagem que transcende o tempo e o espaço de sua memória.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Meu ciclo era completo: o que eu vivia no presente já se condicionava para que eu pudesse posteriormente me entender. Um olho vigiava a minha vida. A esse olho ora provavelmente eu chamava de verdade, ora de moral, ora de lei humana, ora de Deus, ora de mim. Eu vivia mais dentro de um espelho. Dois minutos depois de nascer eu já havia perdido as minhas origens.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O monólogo interior gerado pela autora ecoa questionamentos psicológicos da personagem, ao passo que dialoga com obras da também genial </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/25/cultura/1516835051_025456.html"><span style="font-weight: 400;">Virginia Woolf</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nos faz pensar se Lispector não seria capaz de ter escrito </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">nos dias atuais. Sempre se apoiando muito em metáforas, a ucraniana ainda domina as palavras com a maior leveza e facilidade possíveis, conduzindo-as de maneira a traduzir sentimentos dos mais banais, mas que acendem uma luz na mente de quem lê: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Detalhadamente não sendo, eu me provava que — que eu era”</span></i><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">“Solidão é ter apenas o destino humano. E solidão é não precisar”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_25046" aria-describedby="caption-attachment-25046" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25046" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-800x450.jpg" alt="A imagem é uma foto da escritora Clarice Lispector. Nela, Clarice está sentada de lado em frente a uma estante de livros. Clarice era uma mulher branca, de cabelos castanhos claros, curtos e lisos. Ela veste um vestido vermelho de mangas compridas com detalhes pretos espalhados, e usa braceletes nos dois pulsos. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4.jpg 976w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25046" class="wp-caption-text">“Amor é quando não se dá nome à identidade das coisas?” (Foto: Editora Rocco/Divulgação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Perdida em seus próprios pensamentos, volta e meia a protagonista retorna para a realidade e seu conflito em relação à barata. O clímax de <em>A Paixão segundo G.H.</em> se dá de forma um tanto inesperada, quando, ao inseto expelir um líquido branco, a narradora decide engoli-lo, entrando em total estado de epifania. Ingerir um dos bichos mais asquerosos presentes na superfície terrestre causa uma autorevelação, em um ato perfeitamente simbólico. A mesma figura da barata também é subentendidamente retratada em </span><a href="https://www.culturagenial.com/livro-a-metamorfose-de-franz-kafka/"><i><span style="font-weight: 400;">A Metamorfose</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1915), de Franz Kafka, que aborda sobre a perda da dignidade humana e caminha de mãos dadas com o presente romance, tendo até seu título ressoado nas entrelinhas. </span><i><span style="font-weight: 400;">“É uma metamorfose em que eu perco tudo o que eu tinha, e o que eu tinha era eu — só tenho o que eu sou”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem um desfecho necessário para uma obra que percorre o mais íntimo do ser humano sem nem precisar sair das paredes de um apartamento, a protagonista não alcança uma devida conclusão. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem como ponto de chegada o mesmo de sua partida, com questionamentos sem resposta para essa personagem sem rosto e sem nome, na forma mais poética que alguém poderia pensar para retratar a essência daqueles de </span><i><span style="font-weight: 400;">alma já formada</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda bem que tivemos uma Clarice Lispector para fazer isso. </span></p>
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		<title>Lavoura Arcaica: tradições podem destruir uma família</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Oct 2021 16:37:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti Toda família se constrói em cima de tradições e costumes passados de geração em geração. Muitos desses hábitos sofrem modificações conforme os tempos avançam, mas em alguns casos há resistência daqueles cegados pelas crenças pavimentadas em sua mente. Essa relação familiar complicada é o que motiva André (Selton Mello) a abandonar o lar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lavoura-arcaica-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lavoura Arcaica: tradições podem destruir uma família"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23962" aria-describedby="caption-attachment-23962" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23962" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-6.jpg" alt="Cena do filme Lavoura Arcaica em que aparece toda a família sentada à mesa, com quatro membros de cada lado e o pai ao centro como o patriarca." width="668" height="376" /><figcaption id="caption-attachment-23962" class="wp-caption-text">20 anos depois de seu lançamento, os simbolismos familiares de Lavoura Arcaica permanecem fortes (Foto: Núcleo Luiz Fernando Carvalho)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda família se constrói em cima de tradições e costumes passados de geração em geração. Muitos desses hábitos sofrem modificações conforme os tempos avançam, mas em alguns casos há resistência daqueles cegados pelas crenças pavimentadas em sua mente. Essa relação familiar complicada é o que motiva André (</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1907200719.htm"><span style="font-weight: 400;">Selton Mello</span></a><span style="font-weight: 400;">) a abandonar o lar e partir rumo ao desconhecido em busca daquilo que realmente acredita. A premissa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> se desenvolve em uma trama complexa e profunda durante 2 horas e 43 minutos de filme.</span></p>
<p><span id="more-23961"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho de estreia da carreira do diretor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wDXj_CL5jnM"><span style="font-weight: 400;">Luiz Fernando Carvalho</span></a><span style="font-weight: 400;"> acendeu um holofote em direção ao livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Raduan Nassar. O romance homônimo, que inspirou o longa-metragem, também compartilha de muitas semelhanças no roteiro. Como seu trabalho inicial, o cineasta partiu de uma obra delicada sobre tradições familiares e seguiu os mesmos passos sem grandes alterações para o desenvolvimento da película. Desse modo, o filme se destaca por ser quase uma poesia cinematográfica, com uma narrativa construída de modo não-linear. </span></p>
<figure id="attachment_23963" aria-describedby="caption-attachment-23963" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23963" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-6.jpg" alt="Cena do filme Lavoura Arcaica exibe dois homens brancos de cabelos castanhos curtos e barba, olhando pela janela." width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-23963" class="wp-caption-text">Um simples diálogo se desdobra em uma trama profunda e reflexiva (Foto: Núcleo Luiz Fernando Carvalho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com essas peculiaridades, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia com a busca do primogênito Pedro (</span><a href="https://www.silvanatinelli.com.br/entrevistas/leonardo-medeiros-teatro-da-rotina/"><span style="font-weight: 400;">Leonardo Medeiros</span></a><span style="font-weight: 400;">), por André, que deve voltar para casa para se portar como manda as tradições agrárias e patriarcais. A missão, aparentemente simples, se desdobra em um turbilhão de emoções e histórias que trazem à luz o sentimento que motivou a saída do filho pródigo de casa. André, que é epilético, expõe durante o diálogo com o irmão a sensação de não pertencimento ao ambiente onde sempre foi tratado como o sujo e teve seus desejos carnais ceifados pelas crenças familiares rígidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diálogo, apesar de inflamado pelos traumas de uma vida engessada, finaliza com o consentimento de André em voltar para o seio familiar. No entanto, o retorno acaba sendo muito mais tumultuado do que se imagina. Durante o tempo fora, o jovem regressa a fazenda de seus pais muito mais convicto de seus ideais e seu pai (</span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/perfil/raul-cortez/"><span style="font-weight: 400;">Raul Cortez</span></a><span style="font-weight: 400;">) não abre mão do que acredita como certo. Porém, o abandono do lar por parte de um filho motivou os demais a demonstrarem sua insatisfação com o </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi</span></i><span style="font-weight: 400;"> a que eram previamente submetidos.</span></p>
<figure id="attachment_23964" aria-describedby="caption-attachment-23964" style="width: 703px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23964" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-7.jpg" alt="Cena do filme Lavoura Arcaica no qual há uma mulher branca de meia idade, de cabelos castanhos presos, com um vestido e um avental, olhando através da janela enquanto chora." width="703" height="395" /><figcaption id="caption-attachment-23964" class="wp-caption-text">A mãe, interpretada por Juliana Carneiro da Cunha, se mostra aberta para as mudanças familiares, mas sua submissão aos anseios do pai a silenciam (Foto: Núcleo Luiz Fernando Carvalho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O caos de uma família que desaba por não conseguir estruturar suas tradições narrado de forma poética elevam </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> como obra cinematográfica. O longa se destaca por sua trilha sonora com arranjos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zry9dpM1_n4"><i><span style="font-weight: 400;">Erbarme Dich, Mein Gott</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Paixão Segundo S. Mateus</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Bach, que transportam o telespectador ao contexto temporal a que o longa se desenvolve. Além disso, a direção de fotografia, comandada por Walter Carvalho, acentua o sentimento expresso pelo roteiro, com o uso intensivo do contraste entre luz e sombra, que atenua o dualismo ideológico abordado na película.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa, que de início se assemelha a parábola bíblica do </span><a href="https://www.bibliaon.com/versiculo/lucas_15_11-32/"><span style="font-weight: 400;">filho pródigo</span></a><span style="font-weight: 400;">, se desenrola em um emaranhado emocional de tradições familiares arcaicas que estão prestes a serem rompidas. O mesmo jogo ocorre no longa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NZyvbTb2Ryk"><i><span style="font-weight: 400;">Abril Despedaçado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Walter Salles, em que Tonho (Rodrigo Santoro) vive uma vida cegamente guiada por crenças, até que se vê liberto para romper as tradições sanguinárias pregadas durante gerações por sua família. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ato corajoso de abandonar tudo e seguir sozinho rumo a cidade serviu como um estopim para a implosão dos costumes rudimentares impostos pelo pai.</span></p>
<figure id="attachment_23965" aria-describedby="caption-attachment-23965" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23965" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-4.jpg" alt="Cena do filme Lavoura Arcaica mostra uma mulher branca jovem, de cabelos castanhos, que usa um vestido branco enquanto dança. Ao fundo da imagem há outras pessoas lado a lado." width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-23965" class="wp-caption-text">Para Ana, personagem de Simone Spoladore, a libertação das tradições ocorre por meio da dança (Foto: Núcleo Luiz Fernando Carvalho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção de uma obra dessa magnitude se mostra muito árdua, principalmente para Luiz Fernando Carvalho, que se lançou na carreira de diretor por meio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas, apesar da direção exitosa, o longa foi submetido a diversos cortes até ser disponibilizado para sua versão comercial. Com a duração inicial de 3h40,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> passou por um processo para enxugar sua narrativa e apresentar todos os pontos relevantes para a película. Apesar de sintetizada, as questões familiares levantadas para promover uma reflexão moral continuam fortemente presentes do começo ao fim do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo 20 anos após seu lançamento, a mensagem passada por meio de </span><a href="https://www.8milimetros.com.br/o-que-e-metafora-visual-no-cinema/"><span style="font-weight: 400;">metáforas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e simbolismos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua forte. Com uma conclusão vaga, apesar de deixar bem explícito ações que se sucederam, o filme se encerra com o questionamento sobre o modo como as pessoas guiam suas vidas. A película destaca os malefícios do código moral cegamente implementado, que se apresenta como uma tradição familiar segura para guiar as gerações futuras. É justamente sobre o desmoronamento dessas crenças que tornam o longa de Luiz Fernando Carvalho em uma obra-prima do Cinema nacional.</span></p>
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		<title>5 anos de Velho Chico: a novela que foi uma obra de arte</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Mar 2021 18:18:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vanessa Marques Uma história de amor e guerra no sertão nordestino. Há cinco anos, Velho  Chico, do autor Benedito Ruy Barbosa (Rei do Gado e Pantanal), chegava ao horário nobre da Globo. A telenovela, marcada por uma tragédia em sua reta final, rompeu a hegemonia dos centros urbanos para levar o sotaque baiano e a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/velho-chico-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos de Velho Chico: a novela que foi uma obra de arte"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18392" aria-describedby="caption-attachment-18392" style="width: 855px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18392 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-old-chico.jpg" alt="Cena da novela Velho Chico. Na imagem, vemos a cerimônia de casamento do Coronel Afrânio Sá Ribeiro e Leonor. O Coronel está no altar, trajando um terno marrom, ao lado da sua noiva, que usa um véu transparente sobre o rosto." width="855" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-old-chico.jpg 855w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-old-chico-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-old-chico-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18392" class="wp-caption-text">Em retorno inédito à TV nacional, o astro Rodrigo Santoro deu vida ao coronel Afrânio Saruê na melhor fase da trama (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vanessa Marques</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma história de amor e guerra no sertão nordestino. Há cinco anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Velho  </span></i><i><span style="font-weight: 400;">Chico</span></i><span style="font-weight: 400;">, do autor Benedito Ruy Barbosa (</span><i><span style="font-weight: 400;">Rei do Gado</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">), chegava ao horário nobre da </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">. A telenovela, marcada por uma </span><a href="http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2016/09/morre-o-ator-domingos-montagner.html"><span style="font-weight: 400;">tragédia</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sua reta final, rompeu a hegemonia dos centros urbanos para levar o sotaque baiano e a paisagem sertaneja para as noites dos lares brasileiros. Com o forte apelo estético de Luiz Fernando Carvalho (</span><i><span style="font-weight: 400;">Capitu</span></i><span style="font-weight: 400;">), o melodrama desfrutou de uma tríade de peso: elenco, direção de arte e trilha sonora. Ambientada na cidade fictícia de Grotas do São Francisco, a narrativa reuniu a imagem de um Brasil esquecido e devastado pela seca — enquanto as águas do Rio São Francisco banhavam os conflitos de três gerações das famílias Sá Ribeiro e Dos Anjos.</span></p>
<p><span id="more-18390"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira fase foi uma obra sensível e impecável. Entre os ares de tropicália e libertinagem da década de 1960, o jovem Afrânio (Rodrigo Santoro) é forçado a deixar sua vida na capital para assumir as rédeas do império rural de seu falecido pai, o Coronel Jacinto Sá Ribeiro (Tarcísio Meira). Além do comando das terras e da política da região, o antigo Coronel Saruê deixa ao filho uma rivalidade declarada com o íntegro Capitão Ernesto Rosa (Rodrigo Lombardi). O anti-herói de Santoro vai, pouco a pouco, fazendo a transição do universitário carregado de ideais para a postura férrea que o seu destino lhe impõe. Nesse ínterim, ele se casa com Leonor (Marina Nery), união que dá luz a uma primogênita chamada Maria Tereza, para o desgosto da matriarca Dona Encarnação (Selma Egrei).</span></p>
<figure id="attachment_18391" aria-describedby="caption-attachment-18391" style="width: 2362px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18391 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-velho-chico.jpg" alt="Fotografia da novela Velho Chico. Sob um céu nublado e levemente acinzentado, os personagens Afrânio e seu capanga, Clemente, cavalgam na plantação de algodão da fazenda. No canto inferior direito, vemos uma camponesa, prostrada de lado, com um lenço que lhe cobre o cabelo." width="2362" height="1573" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-velho-chico.jpg 2362w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-velho-chico-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-velho-chico-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-velho-chico-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-velho-chico-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-velho-chico-2048x1364.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-velho-chico-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18391" class="wp-caption-text">Esteticamente, Velho Chico era um espetáculo: a paisagem e os demais elementos da vida rural estavam imersos numa fotografia lúdica, barroca e cinematográfica (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fora a cadência do dialeto nordestino, os personagens possuem os corpos </span><span style="font-weight: 400;">e rostos suados, castigados pelo sol escaldante do sertão. O retrato político da seca e da concentração fundiária emerge no nascimento de Santo dos Anjos. Os seus pais, Piedade (Cyria Coentro) e Belmiro (Chico Diaz), são retirantes que fogem das mazelas do semiárido e buscam uma vida nova nas margens do Velho Chico. É na igreja do Padre Romão (Umberto Magnani) que o menino, enfraquecido pela longa viagem, recebe o sopro de vida do batismo. Logo, o núcleo dos Anjos é acolhido na fazenda do Capitão Rosa e de sua esposa, Eulália (Fabiula Nascimento), que haviam adotado a pequena Luzia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poucos anos mais tarde, o romance juvenil de Santo (Renato Góes) e Maria Tereza (Julia Dalavia) brota em meio ao rancor e à violência do conflito familiar. O encanto e a sinergia da dupla “novata” de atores ganham a ternura do espectador, pintando o grande pano de fundo da narrativa. Mas a união desejada do casal é inaceitável na visão do Coronel Afrânio, que envia Tereza para um colégio interno. Lá, ela descobre estar grávida do amado, tal qual é praxe no ramo noveleiro. Assim, o assassinato de Belmiro, que seguiu o mesmo fim brutal do heroico Ernesto Rosa, entrecorta o panorama daquela guerra que já se tornava ancestral. Diante da separação arbitrária, os dois amantes tomam rumos distintos, com o fio condutor do rio emblemático. </span></p>
<figure id="attachment_18393" aria-describedby="caption-attachment-18393" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18393 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-velho-chico.jpg" alt="Cena da novela Velho Chico. A jovem Tereza, parada, usa um longo vestido branco de noiva, prestes a casar-se com o político Carlos Eduardo. Ao fundo, vemos uma embarcação de pescadores, no Rio São Francisco." width="1280" height="718" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-velho-chico.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-velho-chico-300x168.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-velho-chico-1024x574.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-velho-chico-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-velho-chico-1200x673.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18393" class="wp-caption-text">O amor proibido entre Santo e Maria Tereza é uma versão sertaneja de &#8220;Romeu e Julieta&#8221; (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Velho Chico</span></i><span style="font-weight: 400;"> perpassa o tempo embalada em poesia visual e brasilidade, com destaque para a </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/1cH9nUrBelF9gVP1g0eLF8?si=uhH_bCnYSN2lOqzJE3FHMg"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Caetano Veloso </span><i><span style="font-weight: 400;">(</span></i><a href="https://www.politize.com.br/movimento-tropicalia/"><i><span style="font-weight: 400;">Tropicália</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tema de abertura), Gal Costa, Maria Bethânia, Alceu Valença, Geraldo Vandré (</span><i><span style="font-weight: 400;">Requiém para Matraga</span></i><span style="font-weight: 400;">) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/replay-acabou-chorare-critica/"><span style="font-weight: 400;">Novos Baianos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Era a primeira vez que uma novela tinha pouquíssima “cara de novela”. Num salto para 2016, Maria Tereza (Camila Pitanga), casada com o deputado Carlos Eduardo (Marcelo Serrado), retorna à cidade natal, na companhia do filho, Miguel (Gabriel Leone). Porém, é certo que, a partir do segundo ciclo, o folhetim perdeu o vigor. O que fora uma brilhante </span><a href="http://personaunesp.com.br/o-poderoso-chefao-ainda-uma-oferta-irrecusavel/"><span style="font-weight: 400;">saga familiar</span></a><span style="font-weight: 400;"> virou uma trama irregular, arrastada e lenta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Santo (Domingos Montagner), agora marido de Luzia (Lucy Alves), é um líder progressista da terra, o oposto do Coronel Saruê (Antônio Fagundes), que se transforma em uma figura caricata, retrógrada e inflexível na velhice. Beirando o cômico, Fagundes entregou um Afrânio sem resquícios do homem libertário da juventude. Já Miguel rouba a cena com sensibilidade e postura humanista, mas também protagoniza uma relação especial com Olivia (Giullia Buscacio). O reencontro de Tereza e Santo custa a acontecer, postergando a típica revelação da paternidade. Irandhir Santos é outro nome que enriquece o tom lírico da nova geração, no papel de Bento dos Anjos, irmão mais novo do agricultor.</span></p>
<figure id="attachment_18394" aria-describedby="caption-attachment-18394" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18394 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-4-velho-chico.jpg" alt="Cena da novela Velho Chico. Santo, enquanto cavalga, é alvejado por um tiro no ombro. No fundo, vemos o céu luminoso, entre nuvens, e a paisagem da caatinga." width="1280" height="718" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-4-velho-chico.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-4-velho-chico-300x168.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-4-velho-chico-1024x574.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-4-velho-chico-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-4-velho-chico-1200x673.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18394" class="wp-caption-text">Com olhar crítico, a novela debateu a politicagem e a exploração do homem da terra (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Elencando realismo mágico, temática ambiental e crítica social, o romance  </span><span style="font-weight: 400;">de Ruy Barbosa — escrito por Edmara Barbosa e Bruno Luperi — terminou com a melancolia de um incidente que embaralhou ficção e realidade. Após o falecimento do ator Domingos Montagner, </span><a href="https://www.purepeople.com.br/noticia/camila-pitanga-descreve-morte-de-domingos-montagner-vi-o-ultimo-olhar-dele_a136211/1"><span style="font-weight: 400;">afogado</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Rio São Francisco, a produção se reinventou para honrar o legado do intérprete de Santo, mantendo a sua presença no desfecho da trama. Dias antes, o personagem estava desaparecido na extensão do rio, sendo resgatado, quase sem vida, por uma tribo indígena do local. Fatalmente, a vida imitou a arte, no sentido mais fatídico da palavra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dos golpes do destino e da relativa </span><a href="https://www.hojeemdia.com.br/almanaque/velho-chico-agrada-cr%C3%ADtica-apesar-da-baixa-audi%C3%AAncia-1.417312"><span style="font-weight: 400;">baixa audiência</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Velho Chico</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span><span style="font-weight: 400;">ocupa o alto patamar da </span><a href="https://medium.com/neworder/velho-chico-com-quantos-quilos-de-arte-se-faz-uma-tradi%C3%A7%C3%A3o-9358c393b134"><span style="font-weight: 400;">teledramaturgia</span></a><span style="font-weight: 400;">, o mesmo de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bem Amado</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Gabriela</span></i><span style="font-weight: 400;">. Indicada ao </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/emmy-internacional-2020/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;">, a novela passou a compor o catálogo internacional da </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> no ano de 2018. Embora não tenha sido deslumbrante do início ao fim, o clássico do sertão provou com sangue e lágrimas a máxima de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ANEpvYuR8Tk"><span style="font-weight: 400;">Euclides da Cunha</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;o sertanejo é, antes de tudo, um forte.&#8221;</span></i></p>
<figure id="attachment_18395" aria-describedby="caption-attachment-18395" style="width: 1271px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18395 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-5-velho-chico.jpg" alt="Cena da novela Velho Chico. Tereza, Miguel, Olívia e os demais membros da família Dos Anjos interagem com uma câmera subjetiva, que representa o olhar de Santo. O intérprete do protagonista faleceu na reta final da produção, após um trágico mergulho no Rio São Francisco. Com um leve desfoque, é possível enxergar a composição do rosto de Domingos Montagner." width="1271" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-5-velho-chico.jpg 1271w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-5-velho-chico-300x128.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-5-velho-chico-1024x438.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-5-velho-chico-768x329.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-5-velho-chico-1200x514.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18395" class="wp-caption-text">O último capítulo reproduziu a presença e o olhar de Santo, através de uma câmera subjetiva (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
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