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	<title>Arquivos Lucas Lombardi &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Vikings: uma carta de amor para a mitologia nórdica</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Nov 2017 23:19:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Lucas Lombardi Na manhã de 8 de junho de 793, longos navios desembarcaram na costa do mosteiro da ilha de Lindisfarne, localizado no território onde hoje é a Inglaterra. Sem forma alguma de defesa, os monges do mosteiro foram massacrados. Os autores desse ato brutal então velejaram de volta para casa, carregando consigo tudo de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/vikings-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Vikings: uma carta de amor para a mitologia nórdica"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone wp-image-8947 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-01-1024x576.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-01-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-01-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-01-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-01-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-01.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><strong>Lucas Lombardi</strong></p>
<p>Na manhã de 8 de junho de 793, longos navios desembarcaram na costa do mosteiro da ilha de Lindisfarne, localizado no território onde hoje é a Inglaterra. Sem forma alguma de defesa, os monges do mosteiro foram massacrados. Os autores desse ato brutal então velejaram de volta para casa, carregando consigo tudo de valor que haviam encontrado: metais preciosos, arte e escravos. Eram guerreiros pagãos, normandos, oriundos da Escandinávia. Esse evento ecoaria por toda a Inglaterra, dando início à Era Viking.</p>
<p><span id="more-8942"></span></p>
<p>O canal History não era conhecido por séries dramáticas. Até 2013, certamente a série mais assistida era a constantemente reprisada <em>Alienígenas do Passado.</em> Até que o inesperado aconteceu e Michael Hirst, criador da série <em>The Tudors</em>, estreou no canal com <em>Vikings</em>, inspirada nas sagas do guerreiro Ragnar Lothbrok, ou Ragnar Calças-Peludas.</p>
<p>Ragnar não é exatamente uma figura histórica. Enquanto seus filhos, Bjorn Flanco de Ferro e Ivar, O Sem-Ossos, definitivamente existiram, não há evidência alguma de que ele tenha realmente existido fora das sagas, histórias mitológicas originárias da Islândia Medieval que detalhavam feitos de grandes heróis. A genialidade da série, porém, não vem da precisão histórica, e, sim, da forma como ela mistura fatos históricos com lendas mitológicas. Logo na primeira cena, vemos Ragnar e seu irmão, Rollo, triunfantes depois de uma batalha. Ragnar observa o horizonte e tem uma visão de Odin, o principal deus da mitologia nórdica. Passagens como essa são abundantes na série, nunca deixando claro se a aparição de figuras mitológicas são apenas devaneios das personagens ou não, dando um certo charme e mantendo um realismo para a série.</p>
<figure id="attachment_8948" aria-describedby="caption-attachment-8948" style="width: 636px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-8948 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-02.gif" alt="" width="636" height="358" /><figcaption id="caption-attachment-8948" class="wp-caption-text">Nada de Chris Hemsworth ou Anthony Hopkins, esse sim é um deus nórdico de raiz</figcaption></figure>
<p>A cultura escandinava é fielmente retratada. Chega de elmos chifrudos! Os vikings nunca sequer utilizaram esse tipo de proteção, afinal, o peso dos chifres mais atrapalharia que protegeria de ataques. Esse mito teria surgido em 1820, com publicação do livro <a href="http://blog.europeana.eu/2015/11/a-viking-love-story-the-saga-of-frithiof/"><em>A Saga de Frithiof</em>, compilação ilustrada de lendas escandinavas</a>. O mito ganhou mais força posteriormente com a série de óperas <em>O Anel dos Nibelungos</em>, de Richard Wagner e, mais recentemente, com os filmes de Hollywood.  Vale lembrar também que nem todos os escandinavos eram vikings, visto que não se trata de um povo, mas de uma minoria de guerreiros que velejavam para saquear outros territórios.</p>
<p>Na série, em vez do rei das sagas, Ragnar é um fazendeiro viking em Kattegat, território governado pelo <em>Jarl</em> Haraldson. Essa mudança é justamente feita para que os costumes vikings sejam retratados do ponto de vista de um fazendeiro comum. Vemos os ritos de passagem dos meninos escandinavos com Bjorn e a decisão do <em>Jarl</em> em velejar ao leste, contrariando os desejos de Ragnar que, após descobrir um método de não se perder no mar utilizando pedras de cristal com um andarilho, cria a ambição de ir ao oeste em busca de uma famosa terra cheia de riquezas. Cenas como essas são ótimas de se assistir, saciando a curiosidade de quem deseja saber mais sobre a política, cultura e religião escandinavas da época.  Sem contar as cenas de batalhas, que ilustram a famosa tática da parede de escudos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-8949 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-03-1024x572.jpg" alt="" width="840" height="469" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-03-1024x572.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-03-300x168.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-03-768x429.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-03-1200x670.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-03.jpg 1440w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Mas nem só de cenas expositivas se faz uma boa série. As personagens e as atuações convencem, sendo não só condizentes com a época, mas também ótimos instrumentos para mover a narrativa. Ragnar, interpretado por Travis Fimmel, se mostra um protagonista complexo, inicialmente seguindo o arquétipo da jornada do herói e eventualmente evoluindo para um personagem sempre imprevisível a cada temporada. Com outros personagens, conhecemos demais aspectos acerca dos vikings. Rollo, por exemplo, outra figura histórica muito bem interpretada por Clive Standen, mas erroneamente retratada na série como irmão de Ragnar, possui um arco que se estende por quatro temporadas até chegar ao seu destino histórico como duque da Normandia e antepassado distante da família real britânica.</p>
<p>Outra personagem interessante é Lagertha, interpretada pela atriz e artista marcial Katheryn Winnick, figura mitológica e esposa de Ragnar, uma <em>skjaldmö</em> ou donzela escudeira. É através dela que a série mostra o papel da mulher na Era Viking. Ao contrário da cultura europeia, dominada pelo cristianismo, as mulheres pagãs tinham muito mais espaço na sociedade escandinava. As donzelas escudeiras lutavam junto aos guerreiros homens. Embora elas fossem até então consideradas mitológicas, sendo mais comuns nas sagas, <a href="https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/cientistas-comprovam-que-um-importante-lider-guerreiro-viking-era-uma-mulher.ghtml">recentemente pesquisadores das universidades de Uppsala e de Estocolmo, na Suécia, descobriram uma ossada viking pertencente a uma mulher</a>.</p>
<figure id="attachment_8950" aria-describedby="caption-attachment-8950" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-8950" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-04.jpg" alt="" width="840" height="476" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-04.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-04-300x170.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-04-768x435.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-8950" class="wp-caption-text">Lagertha e seu escudo</figcaption></figure>
<p>O tema de religião também é constante na série, principalmente com os personagens Athelstan (George Blagden), um monge cristão que retorna do mosteiro de Lindisfarne com Ragnar, e Floki, interpretado pelo excelente Gustaf Skarsgård, um viking pagão fanático pelos deuses nórdicos que rouba a cena. Não há pregação religiosa, reforçando uma crença como a única verdadeira, mas, sim, um questionamento entre os próprios personagens. Athelstan, principalmente, começa a questionar sua fé ao vivenciar a cultura pagã, criando um embate entre as duas crenças, notando suas diferenças e semelhanças. O que o cristianismo condena, o paganismo celebra. Tudo isso é apresentado com bom gosto, realmente criando paralelos e questionamentos para a audiência.</p>
<p>Já os britânicos, que tem que lidar com as constantes invasões vikings, são representados pelo Rei Egberto (Linus Roache), de Wessex. Suas cenas focam principalmente na relação dos britânicos com os escandinavos e também na intriga política. Líder ambicioso, Egberto é o contraponto de Ragnar. A dupla, inclusive, divide cenas dignas de qualquer Mindinho e Varys, de <em>Game of Thrones</em>.</p>
<figure id="attachment_8952" aria-describedby="caption-attachment-8952" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-8952 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-06-1024x684.jpg" alt="" width="840" height="561" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-06-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-06-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-06-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Imagem-06.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-8952" class="wp-caption-text">Da esquerda para direita: Hvitserk, Bjorn Flanco de Ferro, Ivar o Sem-Ossos, Ragnar, Ubbe e Sigurd Cobra-no-Olho</figcaption></figure>
<p>Para os amantes das sagas escandinavas, não é segredo que a série eventualmente se desviaria de Ragnar para focar em seus filhos, tão famosos quanto ele próprio. O principal deles é Ivar, interpretado em sua versão adulta por Alex Høgh Andersen, que fica conhecido como o Sem-Ossos por ter nascido com uma rara imperfeição nos ossos das pernas que o impede de andar. Mesmo assim, Ivar é o personagem mais &#8220;casca grossa&#8221; da série, implacável na batalha e exímio estrategista. Sua deficiência cria uma dinâmica muito interessante, pois torna o personagem não só único, como também memorável; um ótimo sucessor para Ragnar.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/6loWrABr8gA" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>A cereja no do bolo é, sem dúvida, a trilha sonora. Einar Selvik, músico norueguês do grupo Wardruna, é um dos compositores da série junto a Trevor Morris. As músicas são completamente inspiradas pela cultura nórdica, mesclando vocais com instrumentos nórdicos tradicionais e até mesmo sons naturais, como rochas, pássaros, água e galhos. Vale muito a pena conferir.</p>
<p>Apesar de não possuir a grandeza e ambição de séries como <em>Game of Thrones</em>, e da rápida narrativa desacelerar a partir da quarta temporada devido ao número de episódios terem dobrado, <em>Vikings</em> compensa com drama, intriga, ação, cenas brutais de batalha e uma empolgante narrativa, cheia de momentos e personagens memoráveis que mergulham o espectador em uma viagem na história de uma cultura fascinante.  A quinta temporada, que estreia no próximo dia 29, promete um foco ainda maior nos filhos de Ragnar, que seguem fiéis às antigas sagas nórdicas.</p>
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		<title>Irônico e autoconsciente: como Pânico mudou para sempre o gênero do terror</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Oct 2016 21:55:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lucas Lombardi “Nunca pergunte ‘quem está aí?’, você não assiste a filmes de terror? É uma sentença de morte.”, diz o assassino do outro lado da linha telefônica. Se você já assistiu a um slasher movie, o clássico filme de assassino, tem ideia dos clichês e elementos que vivem se repetindo. É sempre um maníaco &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ironico-autoconsciente-como-panico-mudou-para-sempre-genero-terror/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Irônico e autoconsciente: como Pânico mudou para sempre o gênero do terror"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5794" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/pc3a2nico-1.jpg" alt="panico-1" width="736" height="414" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/pc3a2nico-1.jpg 736w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/pc3a2nico-1-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Lucas Lombardi</strong></p>
<p>“Nunca pergunte ‘quem está aí?’, você não assiste a filmes de terror? É uma sentença de morte.”, diz o assassino do outro lado da linha telefônica. Se você já assistiu a um <em>slasher movie</em>, o clássico filme de assassino, tem ideia dos clichês e elementos que vivem se repetindo. É sempre um maníaco mascarado perseguindo uma adolescente, que se esconde dentro da casa ao invés de sair e correr pela porta da frente, evitando o perseguidor. Esse tipo de filme teve seu auge de popularidade nos anos 80, gerando alto lucro para os estúdios, que faziam sequências e mais sequências, todo o ano.<span id="more-5779"></span></p>
<p>Com tantos filmes similares sendo produzidos, no início dos anos 90, o gênero entrou em decadência, tendo em vista que os últimos filmes das grandes séries clássicas do terror, como <em>Sexta-Feira 13</em>, <em>O Massacre da Serra Elétrica</em> e <em>Halloween,</em> tiveram péssima recepção, tanto de público, quanto de crítica. O público estava cansado, e os estúdios precisavam de novos ícones do terror, novas franquias para poder explorar, mas nada lançado na época conseguia obter o mesmo nível de sucesso da década anterior. Foi aí que <em>Pânico</em>, filme dirigido por um dos grandes mestres do cinema de terror, Wes Craven, também diretor da série <em>A Hora do Pesadelo</em>, entrou em cena no final de 1996.</p>
<p>O filme se inicia com a personagem Casey Becker (interpretada por Drew Barrymore) atendendo um telefonema de um desconhecido, que a princípio se mostra amigável, querendo apenas dialogar, mas logo demonstra sua verdadeira intenção, dizendo que iria estripá-la como um peixe. O assassino, Ghostface, dublado por Roger L. Jackson &#8211; que realmente conversava com o elenco em cena através de um telefone &#8211; funciona muito bem no contexto do filme, com uma voz a princípio calma, porém aterrorizante. Essa cena inicial, que já se destacara na época, hoje é icônica. A morte da personagem de Drew Barrymore foi uma surpresa, visto que se tratava da atriz mais popular do elenco, tendo sua imagem utilizada em uma posição de destaque nos pôsteres do filme.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-5798 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/scream-1024x768.gif" alt="scream" width="840" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/scream-1024x768.gif 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/scream-300x225.gif 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/scream-768x576.gif 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>A verdadeira protagonista do filme trata-se na verdade de Sidney Prescott (Neve Campbell), que tem de lidar com as mortes que andam acontecendo, tendo em vista o aniversário do assassinato da própria mãe, que aconteceu exatamente um ano antes dos eventos do filme, e pode ter uma ligação com o novo assassino, cuja identidade é um mistério. Além de um clímax memorável, onde é revelada a identidade do assassino, o que realmente faz de Pânico um filme inovador é a forma como trata suas personagens, que estão cientes de estarem em um filme de terror e sabem o que fazer e não fazer em determinadas situações. O alívio cômico fica por conta de Randy (Jamie Kennedy), que constantemente discute clichês, aponta possíveis suspeitos e estabelece regras para sobreviver a filmes de terror: “Nunca em nenhuma circunstância diga ‘já volto’, porque nunca voltará.”, estabelece, sendo desafiado com um ‘já volto’ de Stu, personagem interpretado por Matthew Lillard (o Salsicha, de Scooby Doo), outro destaque do filme.</p>
<p>Não é necessário dizer que o filme foi um tremendo sucesso, que não só revitalizou o gênero <em>slasher</em>, como popularizou filmes autoconscientes, quase paródias, como os mais recentes <em>Por Trás da Máscara (2006)</em> e <em>O Segredo da Cabana (2012). </em>Ghostface, com sua máscara inspirada pela série de pinturas <em><a href="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f4/The_Scream.jpg">O Grito</a></em>, do norueguês Edvard Munch, se tornou um ícone cultural, sendo uma das fantasias de Halloween mais populares nos anos 90 e início dos anos 2000, continuando popular até hoje. Ainda que não comprovado, muitos atribuem ao filme a façanha de triplicar o uso de aparelhos identificadores de chamada nos EUA, confirmando o ditado popular de que é melhor prevenir, do que remediar, afinal, nunca se sabe quando se pode receber uma ligação do Ghostface.</p>
<figure id="attachment_5801" aria-describedby="caption-attachment-5801" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5801" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/pc3a2nico-telefone.gif" alt="panico-telefone" width="500" height="200" /><figcaption id="caption-attachment-5801" class="wp-caption-text">Até a morte precoce de Drew Berrymore retoma outro clássico do suspense: Psicose</figcaption></figure>
<p>A série possui ainda três sequências, que zombam dos clichês de sequências, trilogias e remakes, respectivamente, além de um <em>reboot</em> em forma de série de televisão que recentemente foi renovada para sua terceira temporada na MTV. Apesar de não terem sido tão bem recebidas quanto o filme original, as continuações de Pânico se mantém divertidas e relevantes. Não se pode deixar de mencionar ainda o filme <em>Todo Mundo Em Pânico (2000)</em>, comédia derivada de Pânico, que levou o aspecto satírico ao extremo e obteve sucesso com o público jovem na época em que foi lançado, aumentando ainda mais a popularidade da série.</p>
<p>Em meio a todo esse sucesso, também houve controvérsias. Há pelo menos três crimes de assassinato registrados ao redor do mundo que se acredita terem sido inspirados pelo filme, todos envolvendo jovens que admitiram serem fãs do filme, ou foram flagrados com máscaras semelhantes. Em 1999, depois do massacre de Columbine, nos Estados Unidos, onde dois jovens armados atacaram a escola onde estudavam, deixando 13 mortos e vários feridos, levou o governo do país a analisar a consequência da violência nos filmes, usando a cena inicial de Pânico como um exemplo de mídia negativa que pode influenciar crianças e adolescentes. É interessante notar que, o tema de violência no cinema é abordado diretamente no filme em si, sendo mencionado pelo personagem Billy Loomis (interpretado por Skeet Ulrich) que afirma não acreditar que filmes criam assassinos.</p>
<figure id="attachment_5804" aria-describedby="caption-attachment-5804" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5804" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/wes-craven-pc3a2nico.jpg" alt="wes-craven-panico" width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/wes-craven-pc3a2nico.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/wes-craven-pc3a2nico-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/wes-craven-pc3a2nico-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/wes-craven-pc3a2nico-1024x512.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-5804" class="wp-caption-text">Wes Craven, em sua participação no filme Pânico, vestido como Freddy Krueger, personagem de sua criação</figcaption></figure>
<p>É inegável a influência que Pânico teve sobre uma geração que cresceu com os clichês dos anos 80, aplicados de forma debochada dentro da estrutura do filme. Craven, sobretudo, conseguiu renovar todo um gênero decadente, trazendo uma nova forma irônica de fazer terror, que foi copiada e reproduzida nos filmes subsequentes da década de 90, como <em>Prova Final (1998)</em>, <em>Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997)</em> e <em>Lenda Urbana (1998)</em>. Infelizmente Craven faleceu em 2015, mas, representado na cultura pop por Freddy Krueger e Ghostface,  deixou seu legado para o cinema do terror, mostrando ser capaz de adaptar perfeitamente o terror clássico para um contexto moderno, o que muitos <em>remakes</em> e <em>reboots</em> atuais falham em conseguir, desgastando ainda mais o gênero, que desesperadamente carece de um novo mestre.</p>
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