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	<title>Arquivos LOUD+ &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Há 15 anos, o vermelho de Loud transformou uma geração com Rihanna</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Dec 2025 15:21:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sinara Martins Em 2010, entre filtros saturados, câmeras digitais compactas e a explosão dos primeiros blogs pessoais, os videoclipes de Loud chegavam para moldar estéticas inteiras. Foi nesse cenário que, em novembro daquele ano, Rihanna virou a própria personificação da internet da época e lançou um álbum capaz de marcar gerações. A partir dali, saltos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ha-15-anos-o-vermelho-de-loud-transformou-uma-geracao-com-rihanna/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 15 anos, o vermelho de Loud transformou uma geração com Rihanna"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36612" aria-describedby="caption-attachment-36612" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36612" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3-800x469.jpg" alt="Close-up da capa do álbum “Loud” de Rihanna: rosto da cantora em tons quentes de vermelho e rosa, com cabelos ruivos volumosos caindo sobre os ombros, olhos fechados maquiados com sombra preta esfumada, batom vermelho intenso e brilhante nos lábios entreabertos, e uma tatuagem com a palavra “rebelle” visível no pescoço. A imagem transmite sensualidade e atitude marcante." width="800" height="469" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3-800x469.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3-1024x600.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3-768x450.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-3.jpg 1160w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36612" class="wp-caption-text">Mais de 200 músicas foram submetidas por compositores e produtores para LOUD, refletindo o interesse da indústria em participar de um projeto com forte promessa comercial (Foto: Ramon Silva)</figcaption></figure>
<p><b>Sinara Martins</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2010, entre filtros saturados, câmeras digitais compactas e a explosão dos primeiros </span><i><span style="font-weight: 400;">blogs </span></i><span style="font-weight: 400;">pessoais, os videoclipes de Loud chegavam para moldar estéticas inteiras. Foi nesse cenário que, em novembro daquele ano, Rihanna virou a própria personificação da internet da época e lançou um álbum capaz de marcar gerações. A partir dali, saltos altos enormes e batom matte deixaram de ser pequenos símbolos </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e se transformaram em tendências globais. O novo projeto capturou o espírito daquele início de década e, mais do que isso, </span><a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/estrela-rara-como-rihanna-definiu-os-anos-2010"><span style="font-weight: 400;">ajudou a defini-lo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-36608"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É impossível não começar lembrando do </span><a href="https://caras.com.br/cabelos/rihanna-surge-com-os-cabelos-vermelhos.phtml"><span style="font-weight: 400;">cabelo vermelho</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivo que a cantora adotou nessa era. Aquela cor não era só um visual, era um manifesto que incendiou a cultura Pop e fez história. O estilo maximalista dominou os </span><i><span style="font-weight: 400;">blogs</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">moodboards</span></i><span style="font-weight: 400;">, criando uma estética tão forte que parece até que Rihanna inventou sozinha o </span><i><span style="font-weight: 400;">Tumblr</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse imaginário traduz exatamente as sensações que a obra transmite: calor, liberdade, brilho, excitação e uma alegria quase elétrica. É como entrar num universo onde tudo é saturado, vibrante e cheio de vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes desse capítulo, a artista vinha do impacto emocional de </span><a href="https://bcharts.com.br/t/ha-15-anos-rihanna-lancava-seu-album-mais-aclamado-e-injusticado-da-carreira-rated-r/303852"><i><span style="font-weight: 400;">Rated R</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2009)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">um trabalho sombrio, raivoso e que refletia um período turbulento da sua vida pessoal. O disco era denso, carregado de dor, força e reconstrução, quase como um ritual de sobrevivência artística. Depois de tanta intensidade, ela buscava respirar e reencontrar a luz. Nos meses que antecederam seu quinto álbum, havia o desejo de criar algo mais vivo e radiante, transmitindo renovação, prazer e confiança. Era o anúncio silencioso de que um novo ciclo se iniciava. </span></p>
<figure id="attachment_36610" aria-describedby="caption-attachment-36610" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36610" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-4-800x600.jpg" alt="Rihanna na capa alternativa/foto promocional do álbum “Loud”: deitada de lado em um mar de plumas e pétalas em tons de pêssego e rosa suave, com cabelos vermelhos intensos no cabelo ondulado, véu de noiva delicado com rede na cabeça, vestido tomara-que-caia rosa claro drapeado, pele iluminada e expressão serena e confiante, olhando diretamente para a câmera. A imagem tem estética sonhadora, romântica e luxuosa." width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-4-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-4-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-4-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-4.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36610" class="wp-caption-text">A estética do álbum foi inspirada em editais de moda europeus. A equipe criativa de Rihanna buscou referências em revistas como Vogue Paris e i-D para construir a identidade visual vibrante e sensual da era (Foto: Michael Tran)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O processo criativo desse período foi marcado por energia e espontaneidade. </span><a href="https://personaunesp.com.br/anti-rihanna-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rihanna</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrou em estúdio decidida a explorar um </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> colorido e um</span><i><span style="font-weight: 400;"> R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> pulsante que representassem sua libertação emocional. Os primeiros </span><i><span style="font-weight: 400;">singles </span></i><span style="font-weight: 400;">já mostravam uma intérprete revigorada e plenamente consciente do próprio magnetismo. Era a materialização sonora e visual de alguém que havia atravessado a escuridão e agora queria viver com intensidade, brilho e entusiasmo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa mudança foi resultado de uma pesquisa de mercado bem planejada e do uso de batidas já consagradas em diversos </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> de artistas como </span><a href="https://poptivo.com.br/david-guetta-diz-que-rihanna-pede-batidas-mas-album-nunca-acontece/"><span style="font-weight: 400;">David Guetta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não tinha como dar errado. Sem contar o brilhante uso de sintetizadores e percussão eletrônica intensa, que criam uma atmosfera de pista de dança instantânea. Os refrões são explosivos e memoráveis, projetados para ficar na cabeça do ouvinte, enquanto a produção mistura elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">dance</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B </span></i><span style="font-weight: 400;">de maneira coesa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o novo projeto chegou às plataformas, o impacto foi imediato e avassalador. O disco estreou no top 3 da Billboard 200 e rapidamente tomou conta das paradas mundiais. </span><i><span style="font-weight: 400;">Only Girl (In the World)</span></i><span style="font-weight: 400;"> alcançou o primeiro lugar na Billboard Hot</span> <span style="font-weight: 400;">100, seguida por </span><i><span style="font-weight: 400;">What’s My Name?</span></i><span style="font-weight: 400;"> e depois por </span><i><span style="font-weight: 400;">S&amp;M, </span></i><span style="font-weight: 400;">formando uma sequência de </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> quase imbatível. A obra rendeu quatro indicações ao </span><a href="https://www.grammy.com/awards/54th-annual-grammy-awards"><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2011 nas categorias de Melhor Álbum Vocal de Pop, gravação dance, colaboração de </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e canção, além da indicação a Álbum do Ano. Era o reconhecimento formal da força criativa da barbadense.</span></p>
<figure id="attachment_36611" aria-describedby="caption-attachment-36611" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36611" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-4.jpg" alt="Rihanna de cabelos vermelhos vibrantes está sentada em um campo de grama alta e seca ao entardecer. Ela usa um vestido vermelho estruturado com detalhes florais no busto, um colar de pérolas e uma pulseira prateada no braço. A iluminação é suave e quente, com tons avermelhados dominando a cena, criando uma atmosfera etérea e romântica. Ela olha para o lado com expressão serena." width="736" height="546" /><figcaption id="caption-attachment-36611" class="wp-caption-text">Only Girl (In The World) foi registrada por Rihanna em apenas um dia, após a cantora aprovar a faixa e já gravar os vocais (Foto: Michael Tran)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os videoclipes dessa fase ajudaram a tornar o projeto ainda mais icônico. </span><a href="https://youtu.be/pa14VNsdSYM?si=OdBmpOnT-IraF3KS"><i><span style="font-weight: 400;">Only Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> apresentou uma estética saturada e onírica que capturava a essência luminosa desse momento. </span><a href="https://youtu.be/KdS6HFQ_LUc?si=YlXiMGdsXhlTFuNm"><i><span style="font-weight: 400;">S&amp;M</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">apostou em provocação e ousadia, ultrapassando fronteiras visuais. </span><a href="https://youtu.be/sEhy-RXkNo0?si=MgxG-prttr9xQsLE"><i><span style="font-weight: 400;">Man Down</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe uma narrativa intensa, quase cinematográfica, que mostra outra faceta da artista. Já </span><a href="https://youtu.be/U0CGsw6h60k?si=H3TfXI2RweFPWhLn"><i><span style="font-weight: 400;">What’s My Name?</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> com Drake, exibia uma química leve e encantadora que ampliava seu magnetismo natural. Cada clipe parecia reforçar a identidade do disco e fixar sua estética na memória coletiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A turnê global que acompanhou essa fase também teve papel fundamental na consolidação da era. As apresentações eram vibrantes e cheias de energia, com figurinos exuberantes e performances que acentuavam a estética colorida e irreverente do momento. Foi também quando a cantora veio ao </span><a href="https://g1.globo.com/rihanna-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela primeira vez, marcando profundamente o público brasileiro, que finalmente viu de perto sua força e carisma. Os shows funcionavam como uma celebração de tudo o que o álbum simboliza: liberdade, exuberância e confiança absoluta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As colaborações do período ampliaram ainda mais seu alcance cultural. Além da já citada com Drake, </span><a href="https://hellorayo.co.uk/mfr/entertainment/music/nicki-minaj"><span style="font-weight: 400;">Nicki Minaj</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe atitude e frescor em </span><i><span style="font-weight: 400;">Raining Men</span></i><span style="font-weight: 400;">, que combinou perfeitamente com a energia do projeto. </span><a href="https://eminem.news/top-10-artists.html"><span style="font-weight: 400;">Eminem</span></a><span style="font-weight: 400;"> também marcou presença na edição deluxe em </span><i><span style="font-weight: 400;">Love the Way You Lie</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://collider.com/eminem-rihanna-the-monster-reaches-one-billion-youtube-views/"><span style="font-weight: 400;">fortalecendo uma parceria</span></a><span style="font-weight: 400;"> que já ocupava um lugar importante no </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> contemporâneo. Essas participações mostravam como a artista transitava entre gêneros e públicos com naturalidade e autenticidade.</span></p>
<figure id="attachment_36609" aria-describedby="caption-attachment-36609" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36609" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-4-800x450.jpg" alt="Rihanna e Eminem em performance ao vivo, com os braços cruzados e expressão séria. Eminem está à esquerda usando um moletom preto com capuz na cabeça, enquanto Rihanna, à direita, tem cabelo vermelho curto, tiara brilhante prateada, top branco de renda e saia clara, segurando um microfone na mão direita. Fundo escuro com iluminação vermelha." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-4.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36609" class="wp-caption-text">A parceria entre Rihanna e Eminem foi tão estrondosa que, anos depois, os dois levaram essa química pros palcos na The Monster Tour, com shows esgotados e performances que entraram pra história (Foto: Kevin Mazur)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O motivo de </span><a href="https://www.encartespop.com.br/2015/02/encarte-rihanna-loud-deluxe-edition.html?m=1"><i><span style="font-weight: 400;">Loud</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> continuar tão vivo hoje está no impacto emocional que carrega. Ele representa libertação, desejo, intensidade e uma energia solar que não envelhece. É um trabalho que traduz o momento em que a cantora escolheu viver com brilho depois de sobreviver a tempos mais pesados. Suas músicas seguem tocando porque mantém esse espírito vibrante, cheio de cor e de vida. A estética permanece influente porque moldou um imaginário inteiro da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, algo que poucos artistas conseguiram alcançar. É um capítulo não apenas lembrado, mas sentido, e que continua ressoando com a mesma força de quando chegou ao mundo.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Loud" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/7vN82vd1Vq44fjlhjfvHJp?si=7uZGP9dHShuBXmz5qxmYZg&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>PCC: Poder Secreto apresenta a irmandade envolvida entre os integrantes do Primeiro Comando da Capital</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Apr 2024 16:02:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Lavorato e Rebecca Ramos Em 1997, ao lançar o álbum Sobrevivendo no Inferno, os Racionais MC&#8217;s propuseram, pela primeira vez na grande mídia, uma reflexão acerca das dificuldades enfrentadas pelas pessoas na periferia, além de questionar o que leva certos indivíduos neste contexto ao dilacerante sistema carcerário. Embora seja incerto o número de participantes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pcc-poder-secreto-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "PCC: Poder Secreto apresenta a irmandade envolvida entre os integrantes do Primeiro Comando da Capital"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33241" aria-describedby="caption-attachment-33241" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33241" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-800x450.png" alt="A imagem foca num grupo de 9 integrantes, com camisas e shorts lisos em tons claros, em cima de um telhado, levantando uma bandeira com as iniciais da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Ao lado inferior esquerdo há o logo da série documental escrito “PCC Poder Secreto”." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33241" class="wp-caption-text">“Cadeia um cômodo do inferno, seja no outono no inverno”: PCC: Poder Secreto desdobra a história do Primeiro Comando da Capital em narrativas antes ocultadas (Foto: Max)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Lavorato e Rebecca Ramos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1997, ao lançar o álbum </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/1UzrzuOmZfBgXyS3pgKD10?si=P4y7mlYCS0WaTumxf2Y9rg"><i><span style="font-weight: 400;">Sobrevivendo no Inferno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os </span><a href="https://personaunesp.com.br/racionais-mcs-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">Racionais MC&#8217;s</span></a><span style="font-weight: 400;"> propuseram, pela primeira vez na grande mídia, uma reflexão acerca das dificuldades enfrentadas pelas pessoas na periferia, além de questionar o que leva certos indivíduos neste contexto ao </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7wglwZzZoWUr8sOECwpu6L?si=1c4fc380acfe43fb"><span style="font-weight: 400;">dilacerante</span></a><span style="font-weight: 400;"> sistema carcerário. Embora seja incerto o número de participantes de facções dentro de presídios, certamente é algo a ser discutido. O Primeiro Comando da Capital, popularmente conhecido como </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c03x57z15l6o"><span style="font-weight: 400;">PCC</span></a><span style="font-weight: 400;">, tem uma presença enorme dentro e fora das prisões, mas continua-se a ignorar este fato, uma vez que é de extrema delicadeza debater sobre como são tratados indivíduos periféricos num contexto prisional e seus efeitos na sociedade civil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A cadeia é um moedor de ser humano</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A frase dita pelo ex-agente penitenciário Diorgeres Victorio é o ponto de partida que a direção de </span><a href="https://fontesegura.forumseguranca.org.br/uma-pesquisa-que-virou-serie-sobre-pcc-poder-secreto-2/#:~:text=Nesse%20caso%2C%20a%20s%C3%A9rie%20PCC,primeiros%20documentos%20a%20ser%20consultados."><i><span style="font-weight: 400;">PCC: Poder Secreto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">  – exibida pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Max</span></i><span style="font-weight: 400;">, antiga </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> –  evidencia durante os quatro capítulos da obra. Entre Carandiru, Pedro Juan Caballero, Taubaté e Presidente Venceslau, os presídios são idênticos – não há nenhuma atividade de ressocialização; há somente o trancafiamento. E é a partir daí que começamos a entender o surgimento da facção.</span></p>
<p><span id="more-33240"></span></p>
<figure id="attachment_33242" aria-describedby="caption-attachment-33242" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33242" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/2-800x559.png" alt="A imagem foca na parte da entrada da Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, onde há um portão marrom com detalhes em prata no centro da imagem. Acima do portão, tem os dizeres sinalizando o presídio. Ao lado do portão, há duas árvores, uma para direita e outra para a esquerda, na qual há algumas pessoas sentadas em volta." width="800" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/2-800x559.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/2-768x537.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/2.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33242" class="wp-caption-text">O PCC foi criado depois de uma partida de futebol dentro do presídio (Foto: André Nieto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De que forma pode-se ressocializar grupos que nunca de fato foram inseridos numa sociedade por si só? Existe quase um misticismo acerca do motivo pelo qual as pessoas cometem crimes, ignorando completamente a individualidade, subjetividade e história de cada um que adentra este mundo. Somos seres grupais e necessitamos de validação externa, seja isso algo bom ou ruim. Espelhamo-nos na realidade mais próxima a nós mesmos. Precisamos ter um </span><a href="https://palestraemroda.com.br/a-teoria-dos-grupos-de-wilfred-bion/"><span style="font-weight: 400;">modelo de comportamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ser seguido, que nos dê esperança de algo no fim do dia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção, baseada no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Irmãos: Uma história do PCC</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://youtu.be/3UVY-BUaFAY?si=NjuVKVaPmz1PKh02"><span style="font-weight: 400;">Gabriel Feltran</span></a><span style="font-weight: 400;">, desenvolveu os capítulos a partir de fatos e não de achismos. A obra demonstra que o sistema prisional brasileiro é o motor das facções, que surgem de dentro para fora e como diz o autor, o PCC e a polícia vivem um ciclo de “ação e reação”. No final, essas reações sempre recaem sobre as regiões periféricas. </span></p>
<figure id="attachment_33243" aria-describedby="caption-attachment-33243" style="width: 334px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33243" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/3.jpg" alt="Capa do livro Irmãos: Uma história do PCC, escrito por Gabriel Feltran, e publicado pela editora Companhia das Letras. Num fundo preto, as frases “Irmãos: Uma história do PCC” são dispostas como se estivessem escritas num papel amassado." width="334" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-33243" class="wp-caption-text">Numa nova interpretação acerca de facções paulistas em comparação a de outros estados e países, a obra se faz de suma relevância no contexto nacional (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao tentarmos encontrar um sentido e significado para a própria existência, além da questão do iminente sentimento de vínculo com algo que necessitamos, entende-se porque diversas pessoas penetram a vida do crime e a sua </span><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/especial-cidadania/desconfianca-e-preconceito-da-sociedade-dificultam-ressocializacao-de-presos"><span style="font-weight: 400;">dificuldade</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ver outras possibilidades. Seja na tentativa de obtenção de direitos básicos supostamente garantidos por lei ou na idealização de uma vida longe da própria realidade, fazer parte de instituições de acolhimento, chegando até mesmo no absurdismo de uma facção criminosa, não aparenta ser algo tão incoerente assim. É sobre pertencer e somente pertencer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De Sapopemba a Ermelino Matarazzo, são mostradas imagens e depoimentos impactantes. O relato da mãe e educadora </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/miriam-duarte-pereira/"><span style="font-weight: 400;">Miriam Duarte</span></a><span style="font-weight: 400;"> é dilacerante e mostra a realidade de muitas famílias brasileiras. Dois de seus filhos foram assassinados e seu único filho vivo enfrenta as consequências das violências sofridas no presídio. O desenvolvimento da obra fortalece ainda mais o que o documentário quer apresentar: relatos pessoais sem relativização do tema.</span></p>
<figure id="attachment_33244" aria-describedby="caption-attachment-33244" style="width: 615px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33244" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/4.png" alt="Na imagem há os dizeres “paz, justiça e liberdade” escritos em branco, um embaixo do outro, e no chão. Do lado da palavra “paz” há uma bandeira do Brasil. Embaixo dos dizeres há algumas pessoas." width="615" height="300" /><figcaption id="caption-attachment-33244" class="wp-caption-text">O PCC criou o seu próprio Estatuto e tem como lema “Paz, Justiça, Liberdade, Igualdade e União acima de tudo ao Comando” (Foto: Eduardo Knapp)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário, finalista do </span><a href="https://www.instagram.com/p/CwqjZCnOr5f/?igshid=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">Grande Prêmio do Cinema Brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2023 na categoria de Melhor Série Documental Nacional, tem a trilha sonora como ponto alto. Nas passagens dos blocos, há a presença de inúmeras músicas com temáticas que envolvem o assunto e, seja de Racionais MC’s a Detentos do Rap, as composições – organizadas pela produtora LOUD+ – acompanham a trama construída de uma maneira poderosa, sensibilizando o espectador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja um irmão do PCC, </span><a href="https://noticias.uol.com.br/colunas/josmar-jozino/2021/02/12/justica-nega-beneficio-a-ex-pcc-que-ligou-da-cela-para-o-190-pedindo-ajuda.htm"><span style="font-weight: 400;">ex-integrante</span></a><span style="font-weight: 400;">, agente penitenciário, promotor ou uma mãe que perdeu seu filho, os depoimentos presentes trazem um aspecto crucial: o de querer construir o enredo e mostrar como o poder da facção foi constituído e entrelaçado para nunca se quebrar. A obra traz esse quesito específico de escutar diversas vozes e, com o acréscimo de imagens de arquivos – seja por manchetes de jornais, rebeliões, intercepções telefônicas ou fala de políticos –, constrói muito bem a cronologia do Primeiro Comando da Capital nesses 30 anos –  de lutas contra a opressão penitenciária a um dos maiores grupos de tráfico internacional. </span></p>
<figure id="attachment_33245" aria-describedby="caption-attachment-33245" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33245" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/5.png" alt="Um prédio amarelado e antigo com muitas janelas e roupas penduradas de forma desorganizada. Presos demonstram luto com cartazes após o Massacre." width="620" height="465" /><figcaption id="caption-attachment-33245" class="wp-caption-text">O massacre do Carandiru teve 111 mortos, todos detentos (Foto: Itamar Miranda)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma vez que se compreende a importância de ser reconhecido enquanto pessoa, especialmente em um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ys60iknYy9E"><span style="font-weight: 400;">contexto violento</span></a><span style="font-weight: 400;"> como pode ser o da periferia, finalmente abre-se um diálogo acerca do porquê é preciso representar, dar voz e espaço para outras narrativas num contexto geral, por mais dolorosas que sejam. De que forma acolhe-se alguém que nunca é visto, especialmente num âmbito maior do que a subjetividade individual? Constantemente esquece-se do potencial que cada indivíduo marginalizado possui, indo além do quesito trabalhista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Profissões como as de </span><a href="http://www.joinpp.ufma.br/jornadas/joinpp2019/images/trabalhos/trabalho_submissaoId_649_6495cc6faff4c535.pdf"><span style="font-weight: 400;">assistente social</span></a><span style="font-weight: 400;">, psicólogo e sociólogo, ainda que cada vez mais sucateadas, tentam constantemente construir um mundo mais igualitário para pessoas que são tão apagadas e que merecem ser levadas a sério. Acolhimento é algo coletivo e, de fato, profissionais como estes acabam por diminuir a incidência de vidas perdidas para instituições como estas.</span></p>
<figure id="attachment_33246" aria-describedby="caption-attachment-33246" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33246" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/6.png" alt="Com vista aérea, é possível ver o Complexo Penitenciário do Carandiru sendo demolido e subindo uma fumaça avermelhada pelo entorno da região." width="800" height="492" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/6.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/6-768x472.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33246" class="wp-caption-text">Carandiru foi demolido parcialmente em 2002 (Foto: João Wainer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como sugestão, </span><a href="https://apostiladecinema.com.br/justica/"><i><span style="font-weight: 400;">Justiça</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2004) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Juízo </span></i><span style="font-weight: 400;">(2007) – da diretora Maria Augusta Ramos – são produções documentais dos anos 2000 que dialogam de uma maneira narrativa muito parecida com </span><i><span style="font-weight: 400;">PCC: Poder Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;">. Colocando sobre a mesa assuntos em que todos palpitam, mas ninguém toma iniciativa, entendemos que o sistema prisional brasileiro não vai mudar. Movido por racismo, ideologias punitivistas e outros problemas sistêmicos, os relatos da década dos anos 1990 continuam os mesmos em relação à atualidade. E é isso que a obra mostra: a cadeia é realmente um moedor de ser humano.</span></p>
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