<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Lirismo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/lirismo/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/lirismo/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 27 Jun 2023 23:15:58 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Lirismo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/lirismo/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/escute-as-feras/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/escute-as-feras/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Apr 2023 20:51:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[20ª Flip]]></category>
		<category><![CDATA[Ailton Krenak]]></category>
		<category><![CDATA[Alasca]]></category>
		<category><![CDATA[alteridade]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[animismo]]></category>
		<category><![CDATA[antropocentrismo]]></category>
		<category><![CDATA[antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[Autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Clube do Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica Cultural]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica literária]]></category>
		<category><![CDATA[Donna Haraway]]></category>
		<category><![CDATA[Enzo Caramori]]></category>
		<category><![CDATA[Escrita]]></category>
		<category><![CDATA[Escute as feras]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona Fevereiro de 2022]]></category>
		<category><![CDATA[etnografia]]></category>
		<category><![CDATA[even]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Flip]]></category>
		<category><![CDATA[Hanna Limulja]]></category>
		<category><![CDATA[Kamtchátka]]></category>
		<category><![CDATA[Lirismo]]></category>
		<category><![CDATA[Nastassja Martin]]></category>
		<category><![CDATA[Philippe Descola]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[sibéria]]></category>
		<category><![CDATA[Sonho]]></category>
		<category><![CDATA[tamara klink]]></category>
		<category><![CDATA[tese]]></category>
		<category><![CDATA[Ursa]]></category>
		<category><![CDATA[urso]]></category>
		<category><![CDATA[Yanomami]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=30721</guid>

					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori Outono. Todo encontro com o Outro revela-se como uma experiência de arrebatamento: da violência de deixar um pedaço de si e desprender-se da unidade do Eu ao movimento da alteridade de achar-se nos olhos do desconhecido. No caso da antropóloga Nastassja Martin, ressonante no livro Escute as feras, a experiência é do deslumbramento &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/escute-as-feras/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/escute-as-feras/">Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30726" aria-describedby="caption-attachment-30726" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-30726" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS-800x420.png" alt="Imagem retangular de fundo branco. No canto superior, está centralizado a logo do Persona, um olho com íris na cor cinza e pupila em preto no formato triangular de play. Ao lado da logo, está o selo “Clube do Livro” em letras transparentes colocadas sobre um fundo preto. Abaixo está escrito “Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin” em letras pretas, sendo &quot;escute as feras&quot; em letras cinzas. Mais abaixo, no canto esquerdo, há a capa do livro cujo fundo é branco. Na parte superior direita da capa, há o nome da autora Nastassja Martin escrito em letras pretas. Na parte superior esquerda, há o título do livro “Escute as Feras” escrito em letras pretas. Mais abaixo, está uma ilustração de um borrão preto com uma silhueta similar ao de um urso. Ao lado direito da imagem da capa, está o escrito &quot;Ao encontrarem-se uma no olhar da outra, a antropóloga e a ursa, próximas a um vulcão no extremo leste siberiano, marcam mutuamente os seus destinos e fundem a condição de fera e humana.&quot; em letras pretas. Abaixo do texto está escrito “Por&quot; em letras pretas e &quot;Enzo Caramori&quot; em letras cinzas." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30726" class="wp-caption-text">Nastassja Martin esteve na programação principal da 20ª Flip junto a Tamara Klink na mesa ‘‘<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Gcn42bH6IkA">Desterrando o susto</a>’’, e seu Escute as feras foi a leitura do Clube do Livro do Persona em Fevereiro (Foto: Editora 34/Arte: Ana Cegatti)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outono. Todo encontro com o Outro revela-se como uma experiência de arrebatamento: da violência de deixar um pedaço de si e desprender-se da unidade do Eu ao movimento da alteridade de achar-se nos olhos do desconhecido. No caso da antropóloga </span><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/noticias/flip/cinco-curiosidades-sobre-nastassja-martin"><span style="font-weight: 400;">Nastassja Martin</span></a><span style="font-weight: 400;">, ressonante no livro </span><a href="https://www.editora34.com.br/detalhe.asp?id=1111&amp;busca=escute%20as%20feras"><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a experiência é do deslumbramento de um beijo e da brutalidade de um ataque e contra-ataque. Ao encontrarem-se uma no olhar da outra, a antropóloga e a ursa, próximas a um vulcão no extremo leste siberiano, marcam mutuamente os seus destinos e fundem a condição de fera e humana.</span></p>
<p><span id="more-30721"></span></p>
<p><a href="https://leituras.org/escute/"><span style="font-weight: 400;">Ursa-mulher e mulher-ursa</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma foge para dentro da bruma, com pedaços de uma mandíbula e ferida por um quebra-gelo; a outra, guarda-se na neve, vermelha de seu próprio sangue. Na falta do que se doou na troca desse primal encontro, refunda-se um sistema de crenças de povos como os </span><a href="https://www.editionsladecouverte.fr/a_l_est_des_reves-9782359251241#:~:text=Apr%C3%A8s%20avoir%20travaill%C3%A9,monde%20sa%20vitalit%C3%A9."><i><span style="font-weight: 400;">evenki</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – estudados por Martin em 2015, quando é desfigurada – em que a predestinação do enlace de seus destinos é a base do exercício da vida, animal e humana, em comunidade. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras, </span></i><span style="font-weight: 400;">trazido ao Brasil pela tradução de Camila Boldrini e Daniel Lühmanné, é regido pelo atrito que a própria autora estabelece entre si mesma e sua imersão em modelos de visualização da vida vinculados ao </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1010200620.htm"><span style="font-weight: 400;">animismo</span></a><span style="font-weight: 400;">: uma união do ambiente e da existência humana e animal em um único fluxo vital. </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Miêdka”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e “</span><i><span style="font-weight: 400;">matukha”</span></i><span style="font-weight: 400;"> são termos do idioma </span><i><span style="font-weight: 400;">even</span></i><span style="font-weight: 400;"> que identificam sua condição de sobrevivência e transmutação, após o enfrentamento com o urso, à situação anormal de humanidade que lhe é atribuída. À </span><a href="https://erratanaturae.com/autores/nastassja-martin/"><span style="font-weight: 400;">antropóloga</span></a><span style="font-weight: 400;">, esse estado de pária estrutura uma mudança na maneira que enxerga a si mesma – em um espaço de excepcionalidade, um tanto </span><a href="https://www.newyorker.com/books/page-turner/learning-to-love-the-bear-that-attacked-you#:~:text=I%20assumed%20that,of%20her%20experience."><span style="font-weight: 400;">inadequado</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao seu desenvolvimento de pesquisadora –, que altera o tom etnográfico para, também, hibridizar o texto.</span></p>
<figure id="attachment_30723" aria-describedby="caption-attachment-30723" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-30723" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-800x471.jpg" alt="Foto em preto e branco da antropóloga Nastassja Martin. No primeiro plano, uma mulher branca, de cabelos loiros presos em um coque desarrumado que cai em sua nuca. Ela olha ao horizonte e está vestida com uma blusa clara e um casaco, similar a uma jaqueta, preto. Ao fundo, montanhas rochosas e um céu nebuloso." width="800" height="471" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-800x471.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-1024x602.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-768x452.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-1200x706.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1.jpg 1224w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30723" class="wp-caption-text">Orientada pelo antropólogo Philippe Descola, Nastassja Martin escreve sua tese de doutorado sobre o povo Gwich’in, do Alasca (Foto: Alexandre Lacroix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Estilisticamente, Martin constrói um registro experimental e total do que se dedicou a analisar, no exercício de sua ciência, e de suas inscrições sensíveis aos acontecimentos, meticulosamente medidas pela sua escrita. Entre a etnografia e a autobiografia, a metodologia de Martin é o cruzamento de dois cadernos de viagem, descritos como diurno e noturno. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro tem suas páginas preenchidas por notas de viagem, fragmentos do que percebe em sua imersão com os </span><i><span style="font-weight: 400;">even </span></i><span style="font-weight: 400;">e a desperta atenção, mesmo com todos os dilemas que atravessam a etnografia. O segundo é do âmbito da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D7Z6AZnD9hc"><span style="font-weight: 400;">escrita do sonho</span></a><span style="font-weight: 400;">, que evoca o íntimo e o exterior numa poética de imagens quase ritualísticas, como pinturas rupestres que reincidem um mundo do sentimento selvagem e da máxima expressão da vida, na igualdade da relação animal ou humana. São contrastes significativos tanto em sua maneira de visualização do mundo e de sua própria sobrevivência que, na narrativa, não se institui de uma moralização da violência nem de um arco de redenção; quanto de sua escrita: variável de momentos cirúrgicos de descrição a até fluxos bestiais e oníricos de prosa.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">‘‘Fantasmático do desejo próprio às florestas, aos predadores solitários, à sua raiva, ao seu orgulho e à sua vigília. Tensão de seus encontros inesperados, inconfessáveis, improváveis, em devir, no entanto. Porque sozinhos eles se perdem, porque sozinhos eles se fecham, porque sozinhos eles esquecem. O cruzamento de seus olhares os salva de si mesmos ao projetá-los na alteridade daquele que os enfrenta. O cruzamento de seus olhares os mantém vivos.’’</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Na dualidade estabelecida à estrutura de seu texto, a autora mobiliza a etnografia para a escrita de si quando desafiada a </span><a href="https://www.philomag.com/articles/nastassja-martin-je-minteresse-la-possibilite-dune-metamorphose"><span style="font-weight: 400;">redescobrir</span></a><span style="font-weight: 400;"> a si mesma – com seu rosto desfigurado, do qual a ursa tomou-lhe parte da maçã do rosto e da mandíbula –, nesse novo território tomado de tensões: o seu próprio corpo. As questões psicológicas que a atravessam durante transferências incessantes por antigos hospitais da antiga ordem soviética, onde é posta à selvageria dos procedimentos médicos e legais envolvendo nacionalidade e gênero, é onde pensa um motivo maior a seu fatal encontro, que lhe propõe um </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioconti/2021/10/antropologa-perdoa-urso-que-a-atacou-em-livro-que-iguala-homens-e-animais.shtml"><span style="font-weight: 400;">novo significado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por ainda estar viva. Portanto, no equívoco de sua epistemologia mas no exercício de uma liricidade autobiográfica, a evidente marca deixada pela espécie companheira à crença </span><i><span style="font-weight: 400;">even </span></i><span style="font-weight: 400;">é mais uma oportunidade individual de entender-se do que realmente uma maneira de debruçar-se sobre sua estrutura de pesquisa.</span></p>
<figure id="attachment_30724" aria-describedby="caption-attachment-30724" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30724" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/The-Bear.jpg" alt="Rascunho feito a grafite pelo artista expressionista Edvard Munch. Na esquerda, observa-se um vulto de uma mulher ajoelhada abraçando um urso, não preenchido, o que lhe dá a impressão de ser branco ou claro. Os traços de grafites são evidentes. À direita, observa-se uma figura parecida, no entanto a mulher está mais agachada e abraça um urso agora escuro, negro, preenchdio pelo grafite." width="800" height="607" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/The-Bear.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/The-Bear-768x583.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30724" class="wp-caption-text">‘‘Há tempos vim preparando o terreno que me levaria até a boca do urso, em direção ao seu beijo’’ (Arte: Edvard Munch)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda é tempo das mitologias. Existe, nos gestos conflitantes do enquadramento de seu encontro com a ursa — muitas vezes descrito enquanto um abraço e um beijo — uma determinada </span><a href="https://thebaffler.com/latest/bear-witness-goldman"><span style="font-weight: 400;">eroticidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que parte da percepção de uma afetação, para além de necessariamente, de afeto, na qual a violência torna-se um espaço de proximidade inigualável. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma fábula calculada nesses contrastes e escrita sobre a tradição indígena do sonho explorada por Ailton Krenak e pelas filosofias yanomami estudadas por </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/semana/sonhou-com-o-que/hanna-limulja-fala-da-cultura-yanomami-a-partir-de-seus-sonhos/"><span style="font-weight: 400;">Hanna Limulja</span></a><span style="font-weight: 400;">, sua moral naturalmente reivindica outros modos de vida, ou, como colocado pela pensadora </span><a href="https://personaunesp.com.br/eo-critica/#:~:text=pensadora%20Donna%20Haraway"><span style="font-weight: 400;">Donna Haraway</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">autre-mondialisation</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; (outra-mundialização). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o pulso ferino de primalidade toma conta da experimentação de Nastassja Martin, é pela memória que constrói um espaço conjunto e verdadeiro. Aquele que, como nas imagens feitas a dedo em escuras grutas, remonta um </span><a href="https://autonomialiteraria.com.br/sonho-de-outras-feras/"><span style="font-weight: 400;">passado mágico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e possível, por outros exercícios de fazer o mundo, onde a técnica não colocou um corpo acima do outro, uma mulher abaixo de um homem e um humano-bixo acima de outras vidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escavar o susto é, para essa </span><a href="https://12ft.io/proxy?q=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Filustrada%2F2021%2F12%2Fescute-as-feras-nos-desperta-o-desejo-de-conhecer-um-urso.shtml"><span style="font-weight: 400;">narrativa de sobrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> tomada de divagações — importantes para a composição do retrato sensível de si mesma —, encontrar sua própria essência, ao mesmo tempo que acessa a realidade antropológica da península de </span><span style="font-weight: 400;"> Kamtchátka, o lugar de</span><span style="font-weight: 400;"> seus estudos. Para a mitologia </span><i><span style="font-weight: 400;">even, </span></i><span style="font-weight: 400;">o olhar do urso em si não é perigoso pela tentativa de vingança do antropocentrismo ou do domínio de um espaço vital, mas sim pelo fato de que, nos olhos da animalidade humana, as outras formas de vida encontram-se e entendem a si próprias em sua condição de alteridade. </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/11/24/books/review-in-eye-of-wild-nastassja-martin.html"><span style="font-weight: 400;">A ursa</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tanto atacada por Nastassja – uma fera, em seus próprio papel – quanto devolve o susto, em uma metáfora da vida real sobre o misterioso assombro que é entender a si no outro.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/escute-as-feras/">Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/escute-as-feras/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">30721</post-id>	</item>
		<item>
		<title>5 anos de Dua Lipa: com quanta ousadia se faz Música pop?</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/dua-lipa-5-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/dua-lipa-5-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Aug 2022 15:31:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2017]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Andrew Wyatt]]></category>
		<category><![CDATA[Axident]]></category>
		<category><![CDATA[Bad Together]]></category>
		<category><![CDATA[Be The One]]></category>
		<category><![CDATA[Begging]]></category>
		<category><![CDATA[Bill Rahk]]></category>
		<category><![CDATA[Calvin Harris]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dua Lipa]]></category>
		<category><![CDATA[Genesis]]></category>
		<category><![CDATA[Grades]]></category>
		<category><![CDATA[Greg Wells]]></category>
		<category><![CDATA[Hotter Than Hell]]></category>
		<category><![CDATA[Ian Kirkpatrick]]></category>
		<category><![CDATA[Jack Tarrant]]></category>
		<category><![CDATA[James Flannigan]]></category>
		<category><![CDATA[Jay Reynolds]]></category>
		<category><![CDATA[Jon Levine]]></category>
		<category><![CDATA[Lirismo]]></category>
		<category><![CDATA[Lost In Your Light]]></category>
		<category><![CDATA[Miguel]]></category>
		<category><![CDATA[MNEK]]></category>
		<category><![CDATA[Música Pop]]></category>
		<category><![CDATA[No Goodbyes]]></category>
		<category><![CDATA[Rankin]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Self-titled Era]]></category>
		<category><![CDATA[Stephen Kozmeniuk]]></category>
		<category><![CDATA[Ten Ven]]></category>
		<category><![CDATA[TMS]]></category>
		<category><![CDATA[Verse Simmonds]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Vulcano]]></category>
		<category><![CDATA[Warner Bros Records]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=28303</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Vulcano O ano de 2017 foi marcado pelo início da mais recente reviravolta a atingir o berço de Lady Gaga em cheio. Dialogando com uma crise de identidade, ou surfando na onda de reinvenções prostradas, o gênero que aprendeu a fazer história dominando o topo das paradas vivia uma representação insossa, desmedidamente guiada pelo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dua-lipa-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos de Dua Lipa: com quanta ousadia se faz Música pop?"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/dua-lipa-5-anos/">5 anos de Dua Lipa: com quanta ousadia se faz Música pop?</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28310" aria-describedby="caption-attachment-28310" style="width: 2601px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28310 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-2.png" alt="A imagem mostra a cantora Dua Lipa, uma mulher branca e jovem. Seus cabelos longos e castanhos estão soltos e molhados. Ela usa batom rosa suave nos lábios e veste uma jaqueta preta, estampada com escamas e de colarinho recortado. A mão esquerda de Dua segura a parte frontal da roupa, enquanto seu braço direito se apoia inteiramente em seu queixo. Ela olha fixamente para o foco da fotografia. No canto inferior central da imagem, está escrito “DUA LIPA” com letras vazadas e de cor branca. Ao fundo, um degradê que varia entre roxo e azul." width="2601" height="2601" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-2.png 2601w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-2-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-2-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-2-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-2-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-2-1536x1536.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28310" class="wp-caption-text">Terceiro álbum mais transmitido da história do Spotify, o debut da britânica é o primeiro trabalho de uma artista feminina a contabilizar 9 bilhões de streams (Foto: Warner Bros. Records/Rankin)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano de 2017 foi marcado pelo início da mais recente reviravolta a atingir o berço de </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-gaga-10-anos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lady Gaga</span></a><span style="font-weight: 400;"> em cheio. Dialogando com uma </span><a href="https://portalpopline.com.br/musica-pop-passa-por-crise-de-identidade-e-grammy-e-sintomatico-diz-billboard/"><span style="font-weight: 400;">crise de identidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou surfando na onda de reinvenções prostradas, o gênero que aprendeu a fazer história </span><a href="https://www.insider.com/every-no-1-song-debut-billboard-hot-100#24-hello-by-adele-24"><span style="font-weight: 400;">dominando</span></a><span style="font-weight: 400;"> o topo das paradas vivia uma representação insossa, desmedidamente guiada pelo instantâneo e fragilmente centrada no sucesso de personalidades masculinas. Então, </span><a href="https://www.vulture.com/2017/12/the-year-rap-overtook-pop.html"><span style="font-weight: 400;">quando o </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> assumidamente superou o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, todos sabiam que não era questão de longevidade; mas, sim, de poder popular.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Manifestada como frescor musical, Dua Lipa foi um dos dezenas de nomes designados para aguar o tal deserto criativo. Os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mgI_pH8TOVY&amp;t=100s"><span style="font-weight: 400;">primeiros</span><i><span style="font-weight: 400;"> singles</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da inglesa já agitavam as rádios europeias um ano antes, investindo em experimentações que uniam metáfora à melodia. Só que mudar &#8211; ainda que minimamente &#8211; as rédeas da derrocada do ritmo chiclete exigia se colocar para jogo além do compromisso de nivelar sua estreia na indústria sonora. A típica exploração visual e lírica do pertencimento, responsável por estruturar </span><a href="https://app.uff.br/riuff/handle/1/21624"><span style="font-weight: 400;">personas novatas nos acordes</span></a><span style="font-weight: 400;">, dependia da precisão tomada no processo. Curiosamente, entre </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-%C3%B7-divide-ed-sheeran/"><span style="font-weight: 400;">formas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/katy-perry-witness-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">testemunhas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a caloura Lipa decidiu pela coragem de se </span><a href="https://open.spotify.com/album/01sfgrNbnnPUEyz6GZYlt9?si=qFsba1inSBCXzT3yKgFrEA"><span style="font-weight: 400;">autointitular</span></a><span style="font-weight: 400;"> a nova via do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-28303"></span></p>
<figure id="attachment_28306" aria-describedby="caption-attachment-28306" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28306 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-5-scaled.jpg" alt="A imagem mostra a cantora Dua Lipa, uma mulher branca, jovem e de cabelos longos e castanhos. Seu corpo está voltado para frente, enquanto sua cabeça se direciona para trás, olhando fixamente para a fotografia. Dua tem glitter prateado e adesivos de estrela na mesma tonalidade por todo seu rosto, além de vestir uma jaqueta que mescla roxo e dourado. Ao fundo, uma estrada com montanhas de tons terrosos, trailers de viagem e muitas paisagens verdes." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-5-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-5-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28306" class="wp-caption-text">No início de sua carreira, Dua chegou a ser classificada como “nova Lana Del Rey” (Foto: Nicole Nodland)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento artístico surgiu inspirado na instabilidade do contexto, da humanidade e da própria cantora. Independente e multidisciplinar, a filha do </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2021/02/25/dua-lipa-iron-maiden/"><i><span style="font-weight: 400;">rockeiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> Dukagjin</span></a><span style="font-weight: 400;"> reverberava Música </span><a href="https://www.standard.co.uk/culture/music/dua-lipa-talks-about-her-teen-years-in-kosovo-and-why-it-s-tough-for-new-music-artists-to-break-through-a3307341.html"><span style="font-weight: 400;">desde a flor da idade</span></a><span style="font-weight: 400;">, e não tinha papas na ambição de projetar uma fluidez de arromba, abrangendo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/j-cole-the-off-season-critica/"><span style="font-weight: 400;">J. Cole</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Nelly Furtado. Nesse avançar deslumbrado, o plano custou um repertório relevante e bem ardiloso: ao todo, 160 canções nasceram para o primeiro álbum da artista, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dua Lipa</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">e seu lançamento sofreu </span><a href="https://www.irishtimes.com/culture/music/will-dua-lipa-s-first-release-be-the-album-of-the-summer-1.3097685"><span style="font-weight: 400;">penosos adiamentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> no fuzuê de moldar uma </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;"> coesa, próspera e original.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Transitando no espaço igualmente desafiado pela pressão interna da </span><i><span style="font-weight: 400;">Warner Bros. Records</span></i><span style="font-weight: 400;">, que fincava o pé na urgência de possuir uma estrela feminina global, Lipa revisitou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MmjLJzby5I0&amp;t=49s"><span style="font-weight: 400;">os calos e as delícias de suas composições</span></a><span style="font-weight: 400;"> repetidas vezes. Além da euforia de se fidelizar nos rascunhos e </span><i><span style="font-weight: 400;">demos</span></i><span style="font-weight: 400;">, a britânica tentava vingar seu talento frente a um leque de </span><a href="https://dualipa.fandom.com/wiki/Dua_Lipa_(album)#Personnel_and_credits"><span style="font-weight: 400;">40 produtores</span></a><span style="font-weight: 400;">, até então desconhecidos por ela. Escancarada no minidocumentário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zxZPR4jxOM4&amp;list=PLPH2E2Ybj9J7TCw-yGzdsVk_DGwDrDQ6H&amp;t=545s"><i><span style="font-weight: 400;">See In Blue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a ambientação se blinda da hostilidade quando encontramos o empenho caloroso da leonina e passamos a sonhar com ela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse clima agridoce, restaurando a </span><a href="https://www.nme.com/blogs/nme-blogs/dua-lipa-profile-5370"><span style="font-weight: 400;">sede performática</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a colocou no radar, a artista transformou os indícios de perdição em sua própria resistência. Pela carne e pelos ossos, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/future-nostalgia-critica/"><span style="font-weight: 400;">nostálgica futurista</span></a><span style="font-weight: 400;"> permaneceu se desarmando para sentir as incontáveis camadas do cotidiano. Mais do que lidar com o mundano, ela escolheu seus dogmas. Inadmissível seria não chorar por redenção, restituir sua autoconfiança, ter fé no divino, volta e meia dançar com o diabo. Assimilando o perverso &#8211; </span><a href="https://genius.com/a/dua-lipa-s-self-titled-debut-is-full-of-biblical-references"><span style="font-weight: 400;">e por que não o angelical?</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; do além-túmulo, Lipa, enfim, expurgou o fracasso do estúdio se sagrando onipotência de um universo nada maniqueísta e completamente honesto.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Dua Lipa - Hotter Than Hell (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/fEOyePhElr4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">No princípio, Deus criou o céu e a Terra</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nAQ77H7Fzfw"><i><span style="font-weight: 400;">Genesis</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> inglesa pretende fazer o esforço servir. Longe de se limitar às </span><a href="http://abub.org.br/compartilhe/noticias/genesis-e-o-estranho-inicio-de-tudo"><span style="font-weight: 400;">referências bíblicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a introdução usa a simbologia intensa para conduzir um aguardado recomeço: a adolescente </span><a href="https://www.dailytelegraph.com.au/entertainment/sydney-confidential/dua-lipa-has-no-regrets-for-giving-up-modelling-to-concentrate-on-music/news-story/7b438488655d092357ddd0cbf6886728"><span style="font-weight: 400;">temporariamente garçonete e modelo</span></a><span style="font-weight: 400;"> morreu; vida se forma para a presente artista. Aquele empurrão para tornar a premonição, profecia. Tanta energia traz dimensões largas de tato e ritmo, constantes na aura do CD e que ajudam no despontar, em sequência, de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r-AuLm7S3XE"><i><span style="font-weight: 400;">Lost In Your Light</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hotter Than Hell</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Be The One</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A salada emocional da tríade, integrante do compilado de oito </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> da era, denuncia, sobretudo, a interessante translação de sonoridade que Dua lutou para construir ao lado de Axident, Digital Farm Animals e Ian Kirkpatrick &#8211; contribuintes chaves da produção. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gkXncMvr9gM"><span style="font-weight: 400;">lirismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Lipa se desenha pela atmosfera astral de um </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> cunhado na </span><a href="https://pitchfork.com/features/lists-and-guides/best-progressive-pop-music-2021/"><span style="font-weight: 400;">progressão de melodias</span></a><span style="font-weight: 400;">, fonte intimamente guiada pelo timbre único da britânica. Inversa às imitações frágeis e </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/como-dua-lipa-virou-a-maior-novidade-do-pop-em-2017-dividida-entre-choro-danca-e-empoderamento.ghtml"><span style="font-weight: 400;">caixinhas</span></a><span style="font-weight: 400;">, até nos </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/musica/dua-lipa-revela-como-criticas-sobre-video-dancando-impactaram-na-carreira/"><span style="font-weight: 400;">tropeços</span></a><span style="font-weight: 400;"> como iniciante a cantora pretende apagar qualquer camuflagem de si mesma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Combinadas à exploração de variantes musicais, as alegorias feitas para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PLDIhqMWH00"><span style="font-weight: 400;">noites</span></a><span style="font-weight: 400;">, porres e amantes se refugiam em um diário não-linear e revelam o importante caráter do disco homônimo. Agraciada na montanha russa da </span><a href="https://www.nytimes.com/2017/05/31/arts/music/dua-lipa-interview.html"><span style="font-weight: 400;">fama repentina</span></a><span style="font-weight: 400;">, a co-autora de 21 das 25 faixas do projeto administrava o auge de seus vinte e primeiros anos. Ninguém se prepara para viver no alcance mundial, e ela só queria aprender a crescer (traço notável, principalmente, na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Nz-dPOjK1gQ"><span style="font-weight: 400;">evolução</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1nydxbGhgv8"><span style="font-weight: 400;">filmografia</span></a><span style="font-weight: 400;">). Na distribuição sazonal de suas </span><i><span style="font-weight: 400;">mid-tempos</span></i><span style="font-weight: 400;">, Dua, então, usa o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RLlZHvAcUxM"><span style="font-weight: 400;">palco</span></a><span style="font-weight: 400;"> para incorporar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ShdcBipqVD0"><span style="font-weight: 400;">destino</span></a><span style="font-weight: 400;">, se entendendo pessoa pública, jovem e enérgica. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Dua Lipa</span></i><span style="font-weight: 400;">, no amor e na tragédia: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lwZqbQL4H4Q"><span style="font-weight: 400;">o que vale, afinal, é extravasar</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28307" aria-describedby="caption-attachment-28307" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28307 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-5-scaled.jpg" alt="A imagem mostra a cantora Dua Lipa, uma mulher branca, jovem e de cabelos longos e castanhos. Ela está se apresentando em um palco que, ao fundo, projeta seu nome com letras em vermelho neon. Ela veste um sutiã azul marinho com detalhes em renda preta e uma saia lilás, amarrada na frente do tronco da cantora. Seu braço esquerdo está levemente se direcionando para a frente de seu corpo, enquanto seu braço direito está levantado pela metade e segura um microfone na mão direita. O olhar de Dua inspira confiança e está voltado para a esquerda da imagem." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-5-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-5-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28307" class="wp-caption-text">Entre 2016 e 2018, enquanto Lipa era o ato de abertura das turnês de Coldplay, Troye Sivan e Bruno Mars, quatro tours solo promoveram mundialmente a <a href="https://dualipa.fandom.com/wiki/The_Self-Titled_Tour">Self-titled Era</a> (Foto: Xavi Torrent)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A técnica narrativa da cantora se materializa em cada gancho da obra, refletindo uma alma que ora teme, ora escolhe se ancorar na consciência. Dramaticamente dançantes em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-sf44_qbdmo"><i><span style="font-weight: 400;">Begging</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e destinando batidas amargas à pungente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZbJFDG6O8zM"><i><span style="font-weight: 400;">No Goodbyes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os pensamentos recaem na disposição para juntar as tralhas e arruaçar em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9K7OdsyxW3E"><i><span style="font-weight: 400;">Bad Together</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Porque, querido, eu tenho sido má, mas os céus me perdoaram</span></i><span style="font-weight: 400;">”. E é ousando nesse persistente embalo místico que a transparência de Dua se vicia em esbarrar nas alegrias e feridas da realidade, aproximando o conflito entre o contraditório e o vulnerável.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">New Rules</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QT9shyeTQIw"><i><span style="font-weight: 400;">Blow Your Mind (Mwah)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mgfe5tIwOj0"><i><span style="font-weight: 400;">IDGAF</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> explosivos da era, investigam justamente o potencial passional do dilema. De carona nas boas e velhas canções de superação romântica, o </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i><span style="font-weight: 400;"> tramado foi estratégico: enquanto os arrozes de festa </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> estendiam a visibilidade e o impacto da inglesa nos </span><a href="https://www.billboard.com/pro/dua-lipa-new-rules-interview-no-1s-2017/"><i><span style="font-weight: 400;">charts</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, versões </span><i><span style="font-weight: 400;">Deluxe</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/album/0obMz8EHnr3dg6NCUK4xWp?si=fuhaG18xRuyHlef_7q7dbg"><i><span style="font-weight: 400;">Complete Edition</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de seu disco eram criadas. Em sua maioria pontos reluzentes do trabalho, as faixas adicionais de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dua Lipa </span></i><span style="font-weight: 400;">investem ainda mais no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i2qV1h7rgY0"><span style="font-weight: 400;">dinamismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> como marca da estreia da artista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compartilhando da identidade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AX3Bsiq-13k"><span style="font-weight: 400;">BLACKPINK</span></a><span style="font-weight: 400;">, Martin Garrix e Sean Paul, a inglesa balanceou com destreza a sonoridade </span><i><span style="font-weight: 400;">dark </span></i><span style="font-weight: 400;">predominante em suas </span><i><span style="font-weight: 400;">b-sides</span></i><span style="font-weight: 400;"> e os </span><i><span style="font-weight: 400;">feats</span></i><span style="font-weight: 400;"> promissores alçados nos horizontes eletrônicos. Foi, inclusive, com a sutileza da variação </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/musica/tropical-house-influenciou-a-musica-pop-e-se-tornou-o-estilo-de-2016?amp"><i><span style="font-weight: 400;">tropical house</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que a consolidação internacional de Dua continuou forte. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DkeiKbqa02g"><i><span style="font-weight: 400;">One Kiss</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produção de Calvin Harris, pegou firme no gosto mundial e anda rendendo, na atualidade, como </span><a href="https://www.goal.com/br/not%C3%ADcias/one-kiss-de-dua-lipa-o-hino-nao-oficial-do-liverpool-em/blt131ebf5204af8e3f"><span style="font-weight: 400;">hino alternativo do Liverpool</span></a><span style="font-weight: 400;">. No mesmo espectro, o destaque ficou com a irmã mais velha </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q4-jOuHO-z4"><i><span style="font-weight: 400;">Electricity</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que garantiu a vitória da cantora, ao lado de Silk City, em Melhor Gravação </span><i><span style="font-weight: 400;">Dance</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy </span></i><span style="font-weight: 400;">2019.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Dua Lipa - New Rules (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/k2qgadSvNyU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Versando do caos à integridade e desenrolando-se por </span><a href="https://www.varsity.co.uk/music/23884"><span style="font-weight: 400;">quatro anos nos holofotes</span></a><span style="font-weight: 400;">, o nascimento oficial de Dua Lipa na Música não foi revolucionário. Nada na ascensão da britânica era realmente estranho aos olhos e ouvidos de um consumidor ávido, ou ainda casual do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. E o maior trunfo do processo é não precisar bater nenhuma dessas pretensões. Em uma época recheada de quases, as </span><a href="https://genius.com/Dua-lipa-new-rules-lyrics"><span style="font-weight: 400;">novas regras</span></a><span style="font-weight: 400;"> da declarada </span><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/dua-lipa-ganha-pr%C3%AAmio-de-melhor-artista-do-grammy-e-alfineta-portnow-1.319169"><span style="font-weight: 400;">Artista Revelação</span></a><span style="font-weight: 400;"> foram </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NZKXkD6EgBk"><span style="font-weight: 400;">parte</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><a href="https://www.billboard.com/music/pop/taylor-swift-reputation-best-album-8527988/"><span style="font-weight: 400;">êxito</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/"><span style="font-weight: 400;">salvou</span></a><span style="font-weight: 400;"> as boas intenções que norteavam o inferno musical de 2017. A perspicácia de revitalizar o passado com o ritmo de um futuro só seu. Por fim, ela é coroada </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2017/dec/05/how-dua-lipa-became-the-most-streamed-woman-of-2017-new-rules"><span style="font-weight: 400;">a cantora mais reproduzida daquele ano</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Meia década depois, o </span><a href="https://portalpopline.com.br/musica-pop-volta-a-dominar-billboard-hot-100/"><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> voltou a morar nos pódios</span></a><span style="font-weight: 400;"> junto de muitos nomes </span><a href="https://personaunesp.com.br/after-hours-critica/"><span style="font-weight: 400;">profissionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/sour-olivia-rodrigo-critica/"><span style="font-weight: 400;">harmônicos</span></a><span style="font-weight: 400;">, e Dua continua figurando entre eles; agora, com o saudosismo audaz de </span><a href="http://emvoga.com.br/future-nostalgia-de-dua-lipa-completa-um-ano-e-quebra-recordes/"><i><span style="font-weight: 400;">Future Nostalgia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Seguindo a linha de sonorizar de cabo a rabo múltiplos mundos e sensações, munida de conceitos implícitos e escancarados, a inglesa conserva o dom da inquietude e da reinvenção lúcida que desejamos cada vez mais nos alto-falantes. Simplesmente porque provar de quem sabe a que veio é especial. Passe o tempo que for, do purgatório ao paraíso, sempre é um prazer cantar </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2022/may/07/dua-lipa-o2-london-review-world-tour-a-pop-star-for-the-ages"><i><span style="font-weight: 400;">Dua Lipa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Dua Lipa (Complete Edition)" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/0obMz8EHnr3dg6NCUK4xWp?si=vpzfG6mQTiCKrvRHF2WeVg&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/dua-lipa-5-anos/">5 anos de Dua Lipa: com quanta ousadia se faz Música pop?</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/dua-lipa-5-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">28303</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
