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	<title>Arquivos Kim Min-hee &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Através do Fluxo encontra a beleza da vida por meio da casualidade</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Nov 2024 17:01:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Hong Sang-soo é considerado um dos grandes cineastas contemporâneos por conseguir trazer profundidade em meio a diálogos, aparentemente, banais, uma condução discreta e histórias simples. Em Através do Fluxo, filme que fez parte da seção Perspectiva Internacional na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, ele encontra a beleza da vida por &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/atraves-do-fluxo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Através do Fluxo encontra a beleza da vida por meio da casualidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34377" aria-describedby="caption-attachment-34377" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Atraves-do-fluxo-1.jpg" alt="O cenário é uma mesa de um restaurante. Três personagens estão em cena. Na direita está o personagem de Kwon Hae-hyo com uma roupa preta e com a mão no queixo. Na esquerda está Kim Min-hee com uma roupa cor de bege. No centro está Jo Yun-hee com uma blusa rosa. As duas olham para o personagem de Kwon Hae-hyo. Existem três taças na mesa na frente de cada um. Eles estão bebendo alguma bebida alcoólica." width="768" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-34377" class="wp-caption-text">Hong Sang-soo é reconhecido por lançar um filme por ano e por ter uma filmografia muito regular (Foto: Jeonwonsa Film)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=38y-jQNrYU0"><span style="font-weight: 400;">Hong Sang-soo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é considerado um dos grandes cineastas contemporâneos por conseguir trazer profundidade em meio a diálogos, aparentemente, banais, uma condução discreta e histórias simples. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Através do Fluxo</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme que fez parte da seção Perspectiva Internacional na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele encontra a beleza da vida por meio da casualidade.</span></p>
<p><span id="more-34376"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma mesa de bar, de um restaurante ou até de uma casa, a câmera estática capta os diálogos mundanos, que vão levar a algum lugar sem necessariamente falar sobre eles. Essa é uma das características mais marcantes do Cinema de Hong Sang-soo. Enquanto o audiovisual norte-americano usa muito do plano e contraplano nas interações, o cineasta apenas posiciona a filmadora e deixa seus personagens serem espontâneos. Foi assim em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m5tjH4Di7AE"><i><span style="font-weight: 400;">Na Água</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.chippu.com.br/criticas/in-our-day-hong-sang-soo-quinzaine-cannes-critica-kim-min-hee"><i><span style="font-weight: 400;">Em Nossos Dias</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(filmes que fizeram parte da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/47a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">) e também é assim em </span><i><span style="font-weight: 400;">Suyoocheon.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Novamente, <a href="https://www.instagram.com/kimminheearchive/">Kim Min-hee</a> é a protagonista do longa, dessa vez, interpretando uma professora que reencontra o seu tio depois de muitos anos e o contrata para dirigir uma peça da faculdade. O interessante da obra é como ela fala de amor em suas várias formas, por meio de pequenos gestos e conversas. É sobre o amor entre dois parentes que já não se veem há muito tempo; o carinho construído entre professores e alunos, em que ambos se ensinam para além do acadêmico; o surgimento de um romance. Tudo isso é feito cotidianamente.</span></p>
<figure id="attachment_34378" aria-describedby="caption-attachment-34378" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Atraves-do-fluxo-2.jpg" alt="Personagem de Kim Min-hee está sentada, sozinha em um degrau. Ela veste uma blusa vermelha por dentro, e por fora uma outra blusa rosada. Ela usa uma calça marrom e tênis preto. Ela está olhando para baixo e anotando algo em um caderno." width="768" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-34378" class="wp-caption-text">Kim Min-hee é casada com Hong Sang-soo e protagoniza a maioria de seus filmes (Foto: Jeonwonsa Film)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O </span></i><span style="font-weight: 400;">filme simula tanto a realidade que, por vezes, nem parece ficcional. Os planos médios e estáticos, que enquadram todos os personagens, valorizam esse aspecto, assim como a dilatação do tempo. Dessa forma, é possível enxergar as relações sendo construídas, casualmente, pelos gestos de cada um. Não existe nem mesmo um direcionamento de como o público deve reagir a cada ação. A diretora da faculdade (</span><a href="https://www.instagram.com/mixnutcookie/"><span style="font-weight: 400;">Jo Yun-hee</span></a><span style="font-weight: 400;">) ‘dando em cima’ do diretor da peça (Kwon Hae-hyo) pode causar o riso da plateia, como também o desconforto. No final das contas, a beleza está exatamente no fato de não existir um caminho pré-definido, tudo se constrói naturalmente, assim como a vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hong Sang-soo, caracterizado por suas narrativas pouco convencionais e, de maneira geral, até mesmo desinteressado pela complexidade da trama, vem se tornando um dos grandes nomes do Cinema mundial, enchendo as salas nas últimas duas Mostras em São Paulo, e sendo comparado até com </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/morre-o-cineasta-frances-eric-rohmer"><span style="font-weight: 400;">Éric Rohmer</span></a><span style="font-weight: 400;">. Talvez, ele não tenha a filmografia mais fácil de digerir, pela falta de acontecimentos e dilatação do tempo – mesmo com filmes tão curtos –, mas, com certeza, é um dos diretores mais interessantes quando se acostuma com o seu preciosismo pela vida mundana e pela Sétima Arte.</span></p>
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		<title>Os mil tentáculos de A Criada</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jun 2022 17:50:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Oito longos tentáculos presos no aquário de um medonho porão: o polvo nunca foi uma figura tão imponente quanto em A Criada (2017), filme sul-coreano assinado por Park Chan-Wook. Inspirado no romance Na Ponta dos Dedos, da escritora Sarah Waters, o longa traz o protagonismo lésbico da Era Vitoriana britânica para o contexto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-criada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os mil tentáculos de A Criada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28003" aria-describedby="caption-attachment-28003" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28003" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-3.jpg" alt="Cena do filme A Criada. Na imagem da esquerda para a direita, Sook-hee e Hideko, duas mulheres asiáticas de cabelos escuros. Sook-hee veste cinza e Hideko veste branco. Hideko segura Sook-hee pelos braços. Ao fundo, a mata verde com flores." width="1920" height="808" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-3-800x337.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-3-1024x431.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-3-768x323.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-3-1536x646.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-3-1200x505.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28003" class="wp-caption-text">A Criada tem mil tentáculos que enlaçam o público e a história de suas duas protagonistas (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Oito longos tentáculos presos no aquário de um medonho porão: o polvo nunca foi uma figura tão imponente quanto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=itj7Huv4Q-s"><i><span style="font-weight: 400;">A Criada</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017)</span></a><span style="font-weight: 400;">, filme sul-coreano assinado por Park Chan-Wook. Inspirado no romance </span><a href="https://g1.globo.com/globonews/jornal-globonews-edicao-das-10/video/a-criada-e-inspirado-no-livro-na-ponta-dos-dedos-de-sarah-waters-5575177.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Na Ponta dos Dedos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">da escritora Sarah Waters, o longa traz o protagonismo lésbico da Era Vitoriana britânica para o contexto da Coreia ocupada por japoneses. Erótico e poético, o espectador perde o fôlego com as cenas menos sensuais enquanto se esquiva das leituras fetichizadas, acompanhadas por xilogravuras lascivas como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Sonho da Mulher do Pescador</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que a forma feminina é sexualmente devorada por dois moluscos marinhos. </span></p>
<p><span id="more-28001"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acostumado a pintar as telas de Cinema com o vermelho da violência e da vingança, Chan-Wook continua cruel como em </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/oldboy-park-chan-wook-resenha-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oldboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2005)</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas deixa o sangue de lado para explorar o azul da prisão interna e externa das personagens Sook-Hee e Hideko. Com a beleza da </span><a href="https://www.majesticjournal.com/dissects-handmaiden"><span style="font-weight: 400;">fotografia impecável</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Chung-hoon Chung, ele alcança o perfeito equilíbrio entre o sagaz e o sensível. A sinopse não diz nada sobre o desenrolar do enredo, porém, o diretor respeita a sua audiência com reviravoltas que fazem sentido e gentilmente brincam com os pressupostos gerados pela primeira parte da narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_28005" aria-describedby="caption-attachment-28005" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28005" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-3.jpg" alt="Cena do filme A Criada. Na imagem, Sook-hee e Hideko, duas mulheres asiáticas de cabelos escuros se abraçam. Sook-hee está de costas para a lente da câmera, ela veste laranja. Hideko está de frente para a lente da câmera, ela veste roxo. Ao fundo, Fujiwara observa a cena. Ele é um homem asiático de cabelos escuros que veste um terno em tom pastel. Ao lado dele, um carro com um motorista. O cenário é a entrada de um sanatório com paisagens verdes e cinzentas" width="1920" height="808" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-3-800x337.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-3-1024x431.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-3-768x323.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-3-1536x646.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-3-1200x505.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28005" class="wp-caption-text">O roteiro brinca com os diferentes pontos de vista das personagens (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ler a descrição de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=whldChqCsYk"><i><span style="font-weight: 400;">The Handmaiden </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Agassi</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao menos contribui para o entendimento da atmosfera de traições e mentiras. Em resumo, Sook-hee (Kim Tae-ri) é contratada por um farsante, o Conde Fujiwara (Ha Jung-woo), para ajudá-lo a furtar a herança de Hideko (Kim Min-hee), sobrinha de um coreano que auxiliou a invasão japonesa em troca de uma mina de ouro. O tio Kouzuki (Jo Jin Woong), alimenta a sua obsessão por livros raros e pretende se casar com a jovem de mesma linhagem, a quem treinou desde a infância para realizar leituras carnais frente a plateias masculinas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Três partes dividem o constante jogo mental da película. De início, a ingenuidade do público causada pela montagem do filme permite descobrir como uma vigarista se tornou a criada de uma herdeira nipônica. Segundamente, os planos de Sook-Hee em contribuir ativamente com o roubo da fortuna de Lady Hideko viram de ponta-cabeça quando a infância da mulher solitária é abordada ao lado da proposta original de Conde Fujiwara em libertá-la. Já no terceiro ato, a sequência de </span><i><span style="font-weight: 400;">plot-twists</span></i><span style="font-weight: 400;"> atinge o seu apogeu com um final digno da </span><a href="https://open.spotify.com/album/0mzJHO9z7mbZaN9JKLHIAk"><span style="font-weight: 400;">paixão tempestuosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre as duas protagonistas. </span></p>
<figure id="attachment_28006" aria-describedby="caption-attachment-28006" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28006" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-4.jpg" alt="Cena do filme A Criada. Na imagem da esquerda para a direita, Hideko, uma mulher asiática de cabelos escuros está sentada ao pé do seu tio Kouzuki. Ele é um homem asiático de cabelos grisalhos. Ela veste branco e ele veste preto. O cenário é uma biblioteca." width="1920" height="808" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-4-800x337.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-4-1024x431.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-4-768x323.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-4-1536x646.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-4-1200x505.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28006" class="wp-caption-text">A sensação de aprisionamento das mulheres no contexto da ocupação japonesa da Coreia é uma constante no longa (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando tudo parecia estar morto e nada mais podia florescer, a intensidade e ambição de uma criada encontrou o seu lar na calma e no contentamento de uma herdeira. </span><i><span style="font-weight: 400;">“A filha de um ladrão lendário, que costurava casacos de inverno com bolsas roubadas. Ela mesma uma ladra, batedora de carteiras, vigarista. A salvadora que veio para mudar a minha vida. </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VzWHU3NvVj4"><i><span style="font-weight: 400;">Minha Sook-hee</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> O carisma e a sintonia das duas jovens são os fatores responsáveis pelo filme continuar  interessante durante todos os momentos das suas quase duas horas e meia de exibição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como os tentáculos da xilogravura </span><i><span style="font-weight: 400;">O Sonho da Mulher do Pescador</span></i><span style="font-weight: 400;">, publicada em 1814, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Criada</span></i><span style="font-weight: 400;"> também enlaça e sufoca quem assiste. O medo e o clima mórbido da época, marcada pela ocupação do território coreano pelo Japão, tomam conta até mesmo dos cenários mais floridos. Não há diferença entre o </span><a href="https://m.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/01/1849054-sul-coreano-park-chan-wook-troca-violencia-por-erotismo-em-a-criada.shtml"><span style="font-weight: 400;">sadismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> da biblioteca do tio Kouzuki e a paisagem de uma cerejeira esplêndida, uma vez que o ponto de vista do filme cruelmente representa o sentimento de aprisionamento que a Lady Hideko sente em todos os cantos da grande propriedade.</span></p>
<figure id="attachment_28007" aria-describedby="caption-attachment-28007" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28007" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-3.jpg" alt="Cena do filme A Criada. Na imagem, Hideko, uma mulher asiática de cabelos escuros aparece se pendurando no galho de uma cerejeira. Ela veste laranja. Ao fundo, o cenário verde contempla o rosa das flores da árvore" width="1920" height="808" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-3-800x337.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-3-1024x431.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-3-768x323.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-3-1536x646.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-3-1200x505.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28007" class="wp-caption-text">Os cenários deslumbrantes guardam os piores segredos em The Handmaiden (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja no tormento do suícidio da tia da herdeira nipônica, ou seja nos próprios limites e estereótipos impostos pela sociedade do seu tempo, o longa tenta cavar cada vez mais fundo rumo ao sensível que permeia o entrelace do casal de jovens. Tenta, pois as lentes masculinas não são capazes de captar por completo a complexidade do feminino em cena. Park Chan-Wook, no entanto, faz um ótimo trabalho quando comparado com a vasta maioria de diretores homens que propagam a hiperssexualização típica do </span><a href="https://www.instagram.com/p/CbYiO4FuLv5/"><i><span style="font-weight: 400;">male gaze</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a exemplo do </span><a href="https://podtail.com/no/podcast/historia-no-pandemonio/-13-azul-nao-e-a-cor-mais-quente-male-gaze/"><span style="font-weight: 400;">olhar deturpado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Abdellatif Kechiche em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lU5jrPnGAjU"><i><span style="font-weight: 400;">Azul é a Cor Mais Quente</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2013)</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jz79nU0Bhr0"><i><span style="font-weight: 400;">The Handmaiden</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a fetichização acontece apenas quando o roteiro demanda. No caso, o maior desconforto ocorre quando os olhares de uma dezena de homens se voltam para Hideko, obrigada por seu tio a realizar a leitura e a encenação de obras graficamente ilustradas. Por outro lado, o sexo entre a Lady e Sook-hee não perde a doçura para a explicitidade e não se prolonga por mais tempo do que o necessário. Com uma representação genuína do amor lésbico, a película se aventura pelo desconhecido e traz a sensibilidade para uma comunidade acostumada a ser bruscamente pintada nas telas de Cinema.</span></p>
<figure id="attachment_28008" aria-describedby="caption-attachment-28008" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28008" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-1.jpg" alt="Cena do filme A Criada. Na imagem da esquerda para a direita, Hideko e Sook-hee, duas mulheres asiáticas de cabelos escuros, correm enquanto sorriem. Ambas vestem preto. Ao fundo, uma imensidão verde." width="1200" height="503" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-1-768x322.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28008" class="wp-caption-text">O amor entre Sook-hee e Hideko é doce e genuíno (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Favorita das listas de obras para assistir durante o Mês do Orgulho, a película </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-box-critica/"><span style="font-weight: 400;">sul-coreana</span></a><span style="font-weight: 400;"> desponta como uma narrativa concisa e surpreendente. Não à toa, o longa de Chan-Wook concorreu à Palma de Ouro do </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/the-handmaiden-longa-sul-coreano-do-festival-de-cannes-ganha-teaser-e-imagens"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2016 e foi contemplado como o </span><a href="https://www.soompi.com/article/1127241wpp/handmaiden-becomes-1st-korean-film-ever-win-bafta-film-awards"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme Estrangeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">British Academy Film Awards </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">). O ambiente de infinitas possibilidades e interpretações permite constatar que </span><i><span style="font-weight: 400;">A Criada</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um suspiro em meio aos clichês datados. Imponente como o polvo no porão do tio Kouzuki, a história de Sook-hee e Lady Hideko possui mil tentáculos que simbolizam as ramificações e o acolhimento do seu amor.</span></p>
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		<title>A Mulher que Fugiu retorna à praia, sozinha</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2021 13:34:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori “Se ele apenas se repete, como pode ser sincero?”. Entre galinhas, conversas, álcool, carne, maçãs, gatos, câmeras de vigilância, montanhas, salas de cinema e até o oceano, Hong Sang-soo inaugura mais um capítulo de sua contínua série cinematográfica com A Mulher que Fugiu, presente na Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-mulher-que-fugiu-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Mulher que Fugiu retorna à praia, sozinha"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24395" aria-describedby="caption-attachment-24395" style="width: 1499px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24395" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1.png" alt="Cena do filme A Mulher que Fugiu. Gam-hee, interpretada por Kim Min-hee, é uma mulher coreana de cabelo curto preto com cerca de 39 anos. Ela veste uma blusa preta de gola alta e está sentada dentro de uma sala de cinema vazia. As poltronas da sala de cinema são vermelhas." width="1499" height="805" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1.png 1499w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1-800x430.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1-1024x550.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1-768x412.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1-1200x644.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24395" class="wp-caption-text">Premiado com Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim 2020, A Mulher que Fugiu compõe a seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Jeonwonsa Film)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Se ele apenas se repete, como pode ser sincero?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Entre galinhas, conversas, álcool, carne, maçãs, gatos, câmeras de vigilância, montanhas, salas de cinema e até o oceano, Hong Sang-soo inaugura mais um capítulo de sua contínua série cinematográfica com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher que Fugiu</span></i><span style="font-weight: 400;">, presente na Perspectiva Internacional da 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo. Acompanhando a crônica contemporânea de Gam-hee, uma mulher que decide visitar três amigas nos arredores de Seul, são nas variações, simples ou não, que o cineasta </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">sul-coreano</span></a><span style="font-weight: 400;"> encontra recurso para remodelar sutilmente cada nova história, ao mesmo tempo que caminha por repetições</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24390"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher que Fugiu</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Domangchin Yeoja</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original) é construída por três blocos e três visitas: Young-soon (Seo Young-hwa), divorciada que gosta de jardinagem e vive com uma colega; Su-young (Song Seon-mi), artista amarrada por dois romances desventurados; e Woo-jin (Kim Sae-byuk), uma amiga distante que trabalha em um pequeno cinema. A protagonista é Gam-hee – interpretada pela extraordinária </span><a href="https://www.thenation.com/article/archive/hong-sang-soo-kim-min-hee-hotel-by-the-river-grass-movies-new/"><span style="font-weight: 400;">musa do diretor, Kim Min-hee</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, uma esposa aparentemente feliz que pela primeira vez, após 5 anos de casamento, passa três dias distante do marido que viaja a negócios.</span></p>
<p><figure id="attachment_24392" aria-describedby="caption-attachment-24392" style="width: 1650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24392" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2.png" alt="Cena do filme A Mulher que Fugiu. Gam-hee, interpretada por Kim Min-hee, é uma mulher coreana de cabelo curto preto com cerca de 39 anos. Ela veste uma blusa preta de gola alta e saia comprida cinza. Ela está de costas para a câmera, olhando o exterior através de uma janela com moldura branca. No fundo está uma parede branca, mesa de jantar de madeira, cadeiras de madeira e cadeiras verde musgo em volta, além de entulhos no canto esquerdo. Acima da mesa estão dois pratos brancos, duas taças com vinho branco, uma garrafa verde de vinho e uma caneca cinza." width="1650" height="888" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2.png 1650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2-1024x551.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2-768x413.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2-1536x827.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2-1200x646.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24392" class="wp-caption-text">Escrito, produzido e realizado por Hong Sang-soo, o drama investiga paulatinamente as contrariedades das relações humanas, através dos (des)encontros [Foto: Jeonwonsa Film]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A princípio, a narrativa parece simples – até demais. As personagens são comuns, os eventos ordinariamente corriqueiros. Paira sobre o drama um naturalismo improvisado que preserva a autoria consagrada do </span><a href="http://revistadecinema.com.br/2021/07/retrospectiva-hong-sang-soo/"><span style="font-weight: 400;">Cinema de Sang-soo</span></a><span style="font-weight: 400;">. E, através de um enquadramento minimalista, põe-se em foco duas pessoas dialogando frente a frente, numa perspectiva que quase torna o espectador parte das cenas, como um observador inapto desse universo silenciosamente acinzentado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, por trás dos três longos diálogos, inicialmente banais, são aflorados uma sucessão de autoavaliações suavemente exteriorizadas pelas expressões faciais da protagonista. </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas apaixonadas devem permanecer juntas</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221;, ela afirma repetidamente para as amigas e, de certa maneira, para si mesma enquanto encara vagamente o vazio. Nada é declarado. Seja por meio de um toque de mão singelo, seja mediante um sorriso torto compartilhado, é na delicadeza das performances que </span><span style="font-weight: 400;">são transmitidos ternos momentos de conexão humana genuína, ainda que breve.</span></p>
<figure id="attachment_24393" aria-describedby="caption-attachment-24393" style="width: 1650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24393 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3.png" alt="Cena do filme A Mulher que Fugiu. Na cena estão Gam-hee e Woo-jin, em ordem. Gam-hee, interpretada por Kim Min-hee, é uma mulher coreana de cabelo curto preto com cerca de 39 anos. Ela veste uma blusa preta de gola alta. Woo-jin, interpretada por Kim Sae-byuk, é uma mulher coreana de cabelo longo preto, preso por um rabo de cavalo baixo, com cerca de 35 anos. Ela veste uma blusa preta de gola alta. Ambas estão sentadas frente a frente numa mesa de café. A mesa de café é de madeira e sobre ela está uma xícara branca, dois blocos de papel e duas canetas. No fundo está uma grande janela de vidro que permite ver a vegetação exterior." width="1650" height="887" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3.png 1650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3-800x430.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3-1024x550.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3-768x413.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3-1536x826.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3-1200x645.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24393" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Um dos principais expoentes do novo Cinema sul-coreano, o método de produção de Sang-soo se decorre </span></i><i><span style="font-weight: 400;">por </span></i><i><span style="font-weight: 400;">baixos orçamentos e estruturas mínimas à beira da indústria cinematográfica local (Foto: </span></i><i><span style="font-weight: 400;">Jeonwonsa Film</span></i><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses instantes sublimes ainda são revestidos por camadas humorísticas de um </span><i><span style="font-weight: 400;">zoom </span></i><span style="font-weight: 400;">dramático impagável que dilata as dimensões das relações expostas em tela e, gradativamente, reforça a densidade presente nas </span><a href="https://expresso.pt/cultura/2021-01-10-A-Mulher-que-Fugiu-de-Hong-Sang-soo.-O-abismo-das-coisas-simples"><span style="font-weight: 400;">simplicidades da vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessas mulheres. Assim, extraindo sentido das situações triviais do cotidiano, o caráter insólito de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Woman Who Ran</span></i><span style="font-weight: 400;"> enfrenta as realidades de seu tempo, oferecendo retiro no familiar e, simultaneamente, nas estranhezas, encantando e surpreendendo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como descendente devoto do universo íntimo de Sang-soo, o drama continua ensaiando furtivamente as relações humanas, ao servir-se da mesma temática e estética formal comum do cineasta sul-coreano. O silêncio e a ausência de cor permanecem até os últimos momentos do filme, quando Gam-hee, ou melhor, Kim Min-hee, pessoa, encara o horizonte do oceano no ecrã – primeiro preto e branco, agora, colorido. E mirando os </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/na-praia-a-noite-sozinha-o-escandalo-e-o-sentimento-por-tras-do-destaque-da-berlinale/"><span style="font-weight: 400;">fantasmas do passado</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher que Fugiu</span></i> <a href="https://youtu.be/XdXE-MC9qwM"><span style="font-weight: 400;">retorna à praia, sozinha</span></a><span style="font-weight: 400;">; dessa vez, com a quietude pacífica do mar, das cores, do som.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Woman Who Ran - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3ge6f3bDmWM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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