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	<title>Arquivos Jorge Quintela &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Ubu, Shakespeare, o Teatro e a Comédia</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Oct 2024 19:00:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes A adaptação da peça Ubu Rei, distribuída pela Medeia Filmes Cinemas, chegou sem muito alarde na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo  como parte da seção Perspectiva Internacional, captando poucas pessoas para suas sessões. No entanto, aqueles que deram a chance para a obra de Paulo Abreu viram um dos filmes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ubu-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ubu, Shakespeare, o Teatro e a Comédia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34223" aria-describedby="caption-attachment-34223" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34223" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/UBU-1-800x450.jpg" alt="Cena do filme Ubu. Imagem em preto e branco. A fotografia capta apenas dos ombros para cima de Ubu. Ubu está no centro vestindo uma armadura. Ele está usando o elmo, mas está com a sua frente levantada, expondo o rosto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/UBU-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/UBU-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/UBU-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/UBU-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/UBU-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/UBU-1.jpg 2048w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34223" class="wp-caption-text">O filme é uma adaptação da peça Ubu Rei, de Alfred Jarry (Foto: Uma Pedra no Sapato)</figcaption></figure>
<p><strong>Guilherme Moraes</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A adaptação da peça </span><a href="https://select.art.br/ubu-rei-um-tratado-sobre-nossos-tempos/"><i><span style="font-weight: 400;">Ubu Rei</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, distribuída pela Medeia Filmes Cinemas,</span> <span style="font-weight: 400;">chegou sem muito alarde na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">  como parte da seção Perspectiva Internacional, captando poucas pessoas para suas sessões. No entanto, aqueles que deram a chance para a obra de Paulo Abreu viram um dos filmes mais divertidos do evento. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ubu </span></i><span style="font-weight: 400;">fez a sessão gargalhar com a teatralidade cômica satírica e escrachada, que flerta com o teatro Shakespeariano.</span></p>
<p><span id="more-34222"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, a obra se parece muito com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jxizq3H6mE0"><i><span style="font-weight: 400;">Hamlet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://portalconteudoaberto.com.br/clique-literario/william-shakespeare/"><span style="font-weight: 400;">Shakespeare</span></a><span style="font-weight: 400;">, pela traição ao Rei, a aparição de fantasmas e a promessa de vingança do filho com a morte do pai. Todavia, ele subverte a lógica e foca seu olhar no vilão, para mostrá-lo como uma caricatura. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ubu</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma representação debochada dos aristocratas; transforma essas figuras poderosas em toscas, burras e ridículas. Pode até parecer que isso é uma mera galhofa ou uma crítica vazia, mas a verdade é que essas representações eram uma das poucas formas de retaliação do povo. A série </span><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones </span></i><span style="font-weight: 400;">também conseguiu transmitir muito bem essa ideia, ao retratar um teatro que parodiava a própria realeza e suas intrigas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A teatralidade que Paulo Abreu emprega no filme dá a tônica à toda a obra. As atuações afetadas de Miguel Loureiro e Isabel Abreu carregam a comicidade através da tosquice que tenta disfarçar uma elegância real. Lembra bastante as atuações em </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/almanaque/comedia-lendaria-10-fatos-inusitados-sobre-monty-python-em-busca-do-calice-sagrado.phtml"><i><span style="font-weight: 400;">Monty Python</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com personagens que falam de uma maneira muito fina, contudo, em seu conteúdo, são carregados de bobagens. Os atores são muito expressivos tanto em suas fisionomias, quanto com seus corpos, o que só reforça essa raiz teatral.</span></p>
<figure id="attachment_34224" aria-describedby="caption-attachment-34224" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34224" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Ubu-2-800x450.jpg" alt="Cena do filme Ubu. A imagem mostra um espelho que reflete Ubu e a Senhora Ubu. Ela está com um chapéu e uma manta preta que cobre todo o seu corpo, deixando de fora, apenas, o seu rosto. Ubu está com uma manta preta aberta no meio, e por dentro uma roupa branca. Ele está colocando a coroa em si mesmo, enquanto ela observa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Ubu-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Ubu-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Ubu-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Ubu-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Ubu-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Ubu-2.jpg 2048w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34224" class="wp-caption-text">Paulo Abreu já trabalhou com Jorge Quintela anteriormente (Foto: Uma Pedra no Sapato)</figcaption></figure>
<p><a href="https://tribunadocinema.com/ubu-de-paulo-abreu-sai-um-epico-de-tamanho-xs/"><span style="font-weight: 400;">Abreu</span></a><span style="font-weight: 400;"> é muito sarcástico até na escolha dos elementos do filme. A opção por uma fotografia em preto e branco não é aleatória; ela carrega por si só o estereótipo de filme </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;">. Contudo, o fotógrafo do filme, Jorge Quintela, dá um passo a mais ao aumentar o contraste das imagens, tornando mais expressiva, mas também dando contornos mais épicos ao protagonista, algo que irá se contrapor com o jeito galhofa do filme e o comportamento bobo do Ubu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode parecer fácil fazer um filme assumidamente tosco, no entanto é preciso ter muito cuidado para não cair numa ‘bobajada’ sem sentido que busca apenas o riso fácil. O longa ainda consegue lidar com os </span><a href="https://www.todamateria.com.br/texto-teatral/#:~:text=A%20linguagem%20teatral%20%C3%A9%20expressiva,resolvido%20no%20decorrer%20dos%20fatos"><span style="font-weight: 400;">aspectos do teatro</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem esquecer que está se encarregando de uma linguagem diferente. Se diferenciando da maioria dos filmes da Mostra, que são densos, sérios e lentos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ubu </span></i><span style="font-weight: 400;">é o Cinema galhofa, dinâmico, sem deixar de ser requintado em sua forma cinematográfica.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="UBU de Paulo Abreu (2023) – trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/eHtLvmzVdNc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O outro lado do Mar Infinito atormenta uma geração</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Oct 2021 20:21:02 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24225" aria-describedby="caption-attachment-24225" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24225 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-3.jpg" alt="Cena do filme Mar Infinito. Na imagem, o personagem Miguel está debaixo d’água e conectado por um aparelho de oxigênio que sai do lado esquerdo da imagem. Ele é um homem branco de cabelos castanhos, está sem camisa e com o corpo e braços flutuando sozinhos, virado de lado. A máscara de oxigênio está presa no alto e lados de sua cabeça" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-3.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24225" class="wp-caption-text">Jorge Quintela fotografa um jovem abandonado pela própria espécie através de lentes precisamente calmas, na produção que integra a Competição Novos Diretores na 45ª Mostra Internacional de São Paulo (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><b>Nathália Mendes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Submerso nas águas de uma piscina qualquer, Pedro Miguel (Nuno Nolasco) abre os olhos e enxerga um azul sem fim. A vastidão do desconhecido é iluminada por feixes de luzes brilhantes vindas de um mundo acima do seu, enquanto as bolhas de seu oxigênio flutuam ao redor e ele só está ali, existindo. Não há como imaginar que esse momento é mais uma tentativa do protagonista em enfrentar sua aquafobia, mas sim que o mesmo estaria tão intrinsecamente conectado com a premissa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=61QkMbIVBcg&amp;t=1s"><i><span style="font-weight: 400;">Mar Infinito</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O longa estreou na Competição Novos Diretores na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo como um filme de ficção intergalático em que um jovem luta por um lugar com a humanidade fora do planeta, mas é, na verdade, a solidão de uma geração sem rumo, afogada por uma incerteza esmagadora.</span></p>
<p><span id="more-24223"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse é o primeiro longa-metragem escrito e dirigido por </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/carlos-amaral"><span style="font-weight: 400;">Carlos Amaral</span></a><span style="font-weight: 400;">, conhecido pelo curta </span><a href="https://vimeo.com/69633406"><i><span style="font-weight: 400;">Longe do Éden</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A sua produção portuguesa transformou o baixo orçamento, que nunca alcançaria um audiovisual mediano de viagem pelo universo, em uma reflexão sobre a parcela da sociedade que é deixada de fora quando os </span><a href="https://g1.globo.com/google/amp/inovacao/noticia/2021/09/15/spacex-de-elon-musk-faz-1o-voo-orbital-com-civis-no-espaco.ghtml"><span style="font-weight: 400;">ricos aventureiros</span></a><span style="font-weight: 400;"> decidem saltar para fora do planeta Terra. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinite Sea</span></i><span style="font-weight: 400;">, Pedro Miguel tenta </span><i><span style="font-weight: 400;">hackear</span></i><span style="font-weight: 400;"> o sistema que o reprovou por fobia de água, para, assim, poder embarcar na </span><i><span style="font-weight: 400;">Proxima Centauri </span></i><span style="font-weight: 400;">e se juntar à colonização de um astro desconhecido. Sua rotina monótona mostra um mundo completamente habitável e saudável, mas abandonado, e os humanos que ficaram vivem em um ciclo de desesperança e melancolia. Depois de tantos meses frustrado, o protagonista conhece Eva (Maria Leite) e, compartilhando um desgaste existencial, a jovem se torna a única motivação para continuar.</span></p>
<figure id="attachment_24224" aria-describedby="caption-attachment-24224" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24224" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-3.jpg" alt="Cena do filme Mar Infinito. Na imagem, Miguel e Eva estão abraçados em pé, em um trecho de areia em meio ao mar. Miguel está à esquerda, é um homem branco com cabelos castanhos enrolados e bigode e veste um macacão bege. Eva está à direita virada de lado, com os braços em volta de Miguel e a cabeça encostada em seu ombro. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho curto, e veste macacão bege." width="1920" height="804" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-3-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-3-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-3-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-3-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1-3-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24224" class="wp-caption-text">A propaganda do programa Proxima Centauri utiliza a frase “Você é o futuro” e, mesmo assim, os jovens não foram escolhidos para fazer parte (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhado de uma trilha sonora prazerosa e esporádica, o filme desenha uma obra de solidão completa. O casal não desiste de alcançar o futuro na </span><i><span style="font-weight: 400;">Proxima Centauri</span></i><span style="font-weight: 400;">, e, no ritmo deles, assistimos o mundo numa paleta de tons azuis e violetas, com personagens mais velhos enfurnados em buracos abandonados e afirmando que suas existências foram descartadas. Persistindo, o casal descobre-se a si próprio e ao outro, como, por exemplo, quando Eva ensina Miguel a nadar e ele a ensina a andar de bicicleta, conhecimentos simples que pertencem à infância. Isso mostra a proporção do sentimento de abandono que ambos apresentam, uma contrapartida com os </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-chegada-extraterrestres/"><span style="font-weight: 400;">filmes futuristas famosos</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personagem de Eva é consistida na pura adição de frases narrativas sobre o peso existencial, todas clichês, e, ainda assim, dolorosas ao peito. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Às vezes sinto que já fomos embora e estamos a caminho, flutuando no espaço enquanto sonhamos com a vida no destino” </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma das falas na voz deleitável de </span><a href="https://www.vogue.pt/maria-leite-entrevista"><span style="font-weight: 400;">Maria Leite</span></a><span style="font-weight: 400;"> que são um soco no estômago, pois exemplifica como a </span><a href="https://www.businessinsider.com/millennials-mental-health-burnout-lonely-depressed-money-stress"><span style="font-weight: 400;">geração </span><i><span style="font-weight: 400;">millennial</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> parece se encontrar: andando num infinito espaço-tempo, sem a certeza de, se ao cruzar a ponte, encontrará alguma vida.  Em conjunto com isso, Miguel entende que eles são descartáveis; os escolhidos possuem seu lugar, mas há futuro para eles?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após os jovens conseguirem embarcar no programa, o longa mostra o seu tom mais reflexivo e confuso. O casal entra em um sono induzido debaixo d’água até chegar ao destino prometido, mas quando acordam Miguel está sozinho. Ele segue seu caminho em uma terra lamacenta, se mantendo com a promessa de procurar Eva </span><i><span style="font-weight: 400;">“depois do mar infinito”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e sua realidade mistura-se ao devaneio. Não sabemos se toda a trajetória realmente aconteceu, ou se Eva é a voz na mente de Miguel que o compele a não desistir em um futuro que mais se assemelha a um pesadelo. Assim, com uma estética visual perfeita e um tom calmo demais que anda e não chega em lugar algum, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mar Infinito</span></i><span style="font-weight: 400;"> pauta na </span><a href="https://45.mostra.org/filmes/mar-infinito"><span style="font-weight: 400;">Mostra de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> o temor paralisante em ver o mundo avançando, mas tudo o que se enxerga do lado de cá é um horizonte aguado, sem esperança de alcançar terra firme. É como se estivéssemos submersos, assistindo o resto do mundo num azul infinito.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="MAR INFINITO de Carlos Amaral (2021) – trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/61QkMbIVBcg?start=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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