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	<title>Arquivos Jorge Luis Borges &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Ficções: a obra aberta de Jorge Luis Borges</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Jun 2021 13:37:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Nos círculos literários, os autores são geralmente mensurados por seus romances. O tempo demandado, a prosa, a estética, o intuito, tudo isso é levado em consideração. Mas diferente dos romances — e parafraseando Julio Cortázar —, os contos não vencem por pontos, e sim por nocaute. Mesmo sem nunca ter escrito um romance, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jorge-luis-borges-morte-35-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ficções: a obra aberta de Jorge Luis Borges"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21199" aria-describedby="caption-attachment-21199" style="width: 957px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-21199" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM1.jpg" alt="Foto em preto e branco do escritor Jorge Luis Borges. Ele é um homem caucasiano, de cabelos brancos, veste terno preto, camisa branca e gravata preta. Ele mantém a cabeça ereta, enquanto olha para a frente" width="957" height="918" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM1.jpg 957w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM1-800x767.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM1-768x737.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21199" class="wp-caption-text">Ficções é considerado um dos livros mais importantes na carreira do escritor argentino, que faleceu há 35 anos (Foto: Ferdinando Scianna/Magnum Photos)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos círculos literários, os autores são geralmente mensurados por seus romances. O tempo demandado, a prosa, a estética, o intuito, tudo isso é levado em consideração. Mas diferente dos romances — e parafraseando </span><a href="https://personaunesp.com.br/todos-os-fogos-o-fogo-escrita-abrasadora-cortazar/"><span style="font-weight: 400;">Julio Cortázar</span></a><span style="font-weight: 400;"> —, os contos não vencem por pontos, e sim por nocaute. Mesmo sem nunca ter escrito um romance, Jorge Luis Borges figura na lista dos maiores escritores de todos os tempos. Falecido em 14 de junho de 1986, a morte do autor completa 35 anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Borges nasceu em 24 de agosto de 1899 — fato que permitiu ao escritor classificar-se como </span><i><span style="font-weight: 400;">“um homem do século 19”</span></i><span style="font-weight: 400;"> —, em Buenos Aires. Antes de aprender o espanhol, foi alfabetizado em inglês. Começou sua carreira como poeta, publicando seu primeiro livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fervor de Buenos Aires</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 1923. Depois publicou ensaios e, mais tarde, em 1935, publicou sua primeira coleção de contos, </span><a href="https://deusmelivro.com/critica/historia-universal-da-infamia-jorge-luis-borges-15-4-2015/#.YLpq3oWSnDc"><i><span style="font-weight: 400;">História universal da infâmia</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">A obra que daria projeção internacional ao autor seria publicada em 1944, cujo nome não poderia ser mais apropriado:</span> <a href="https://recortelirico.com.br/2016/11/ficcoes-de-jorge-luis-borges/"><i><span style="font-weight: 400;">Ficções</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<p><span id="more-21197"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título do livro já demanda interpretações. Sabe-se que, em literatura, a ficção não é sinônimo de mentira. Trata-se de um relato pessoal, muitas vezes realista, sobre determinados temas e assuntos que só expressam verdade dentro do texto. Portanto, desde o início, Borges anuncia que o livro não é um relato fidedigno, mas uma alusão à forma literária. A grandiosidade dos contos de Jorge Luis Borges está justamente na habilidade de transformar em fantástico — através dos gêneros narrativos — aquilo que nos passa despercebido. A ficção em Borges está fantasiada de veracidade.</span></p>
<figure id="attachment_21201" aria-describedby="caption-attachment-21201" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-21201 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM2-683x1024.jpg" alt="Arte da capa brasileira do livro Ficções. A capa contém formas triangulares na cor preta e na cor vermelha. O título do livro, nome do autor e marca da editora estão na cor branca" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM2-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM2-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM2-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM2-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM2-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM2-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM2.jpg 1654w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-21201" class="wp-caption-text">Capa da edição brasileira, publicada pela Companhia das Letras em 2007, com tradução de Davi Arrigucci Júnior (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra de Jorge Luis Borges é, atualmente, publicada pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">, e os livros </span><i><span style="font-weight: 400;">Ficções </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="http://www.blogletras.com/2019/08/a-descoberta-da-realidade-em-o-aleph-de.html"><i><span style="font-weight: 400;">O Aleph</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(outro livro importante em sua carreira) foram traduzidos por Davi Arrigucci Jr.. O livro é constituído por 16 contos, conhecidos pela profundidade filosófica, e divididos em duas partes. A primeira, </span><i><span style="font-weight: 400;">O jardim de veredas que se bifurcam</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi publicada isoladamente em 1941. A segunda, </span><i><span style="font-weight: 400;">Artifícios, </span></i><span style="font-weight: 400;">era inédita até a publicação da coletânea em 1944. Os contos, embora distintos, oferecem certa coesão nos temas: espelhos, labirintos, memória, eternidade e o tempo. A perplexidade de Borges diante das ficções do imposto mundo real pode ser identificada logo no primeiro prólogo (Borges era conhecido por seus prólogos e chegou a publicar uma coletânea deles; </span><i><span style="font-weight: 400;">Ficções </span></i><span style="font-weight: 400;">possui dois), no qual escreve: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Desvario trabalhoso e empobrecedor o de compor vastos livros; o de espraiar em quinhentas páginas uma ideia cuja perfeita exposição oral cabe em poucos minutos”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O argentino é considerado por muitos um autor pós-moderno, e, embora não se tenha clareza, uma das problemáticas da pós-modernidade é a suposição de que não existem novidades. Há certa sensação de que tudo foi criado, e, portanto, não há mais obras originais. Nesse ponto de vista, Jorge Luis Borges se aproveita da banal realidade cotidiana e enxerga nela o mítico, acrescentando à rotina características fantásticas. Entre as muitas realidades míticas presentes nos contos borgianos, </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-tlon-uqbar-orbis-tertius-de-jorge-luis-borges/"><i><span style="font-weight: 400;">Tlön, Uqbar, Orbis Tertius</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">— primeiro conto da coletânea — questiona se algo realmente existe sem que alguém o perceba. No conto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tl</span></i><i><span style="font-weight: 400;">ön </span></i><span style="font-weight: 400;">é um mundo imaginário — encontrado por Borges em uma enciclopédia —, onde os habitantes reconhecem apenas o que é visível e negam qualquer realidade oculta. Mais do que um princípio religioso, o conto discute a percepção, pois, na obra do autor, a realidade possui uma essência onírica. </span></p>
<figure id="attachment_21198" aria-describedby="caption-attachment-21198" style="width: 1195px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-21198" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM3.png" alt="Foto em preto e branco do escritor Jorge Luis Borges. Ele é um homem de cabelos brancos, veste terno e gravata, e está sentado em uma cadeira enquanto segura uma bengala. Está com a cabeça inclinada para trás, olhando para cima" width="1195" height="1259" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM3.png 1195w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM3-759x800.png 759w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM3-972x1024.png 972w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM3-768x809.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21198" class="wp-caption-text">Borges começou a ficar cego na infância, devido a uma degeneração genética herdada do pai; esse fator foi decisivo para sua obra (Foto: Ferdinando Scianna/Magnum Photos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Adolfo Bioy Casares, escritor e amigo de Borges, escreve no prólogo de </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/antologia-da-literatura-fantastica/"><i><span style="font-weight: 400;">Antologia da Literatura Fantástica</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1940) — coletânea de contos fantásticos feita em colaboração com Silvina Ocampo e com o próprio Borges — que ele </span><i><span style="font-weight: 400;">“criou um novo gênero literário, que partilha do ensaio e da ficção”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde suas primeiras publicações, o escritor impôs o desconcerto e a dúvida, nos fazendo questionar se a obra recém-lida é realmente uma ficção ou um ensaio literário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À moda de Hemingway, os contos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ficções</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem precisão milimétrica, como se fossem encaixados peça por peça. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Biblioteca de Babel</span></i><span style="font-weight: 400;">, o autor apresenta um paradoxo. A linguagem é um instrumento universal, mas não pode resumir todas as experiências da vida, que, muitas vezes, dependem exclusivamente de nossas interpretações. A biblioteca nada mais é do que o universo, dado que, no conto, o mundo é concebido através dela. Os bibliotecários buscam alguém que consiga compreender todas as obras presentes na biblioteca, o que poderíamos enxergar como um deus. Se analisarmos pela teoria do filósofo </span><a href="https://personaunesp.com.br/obra-ficcional-umberto-eco-historia-ignorancia/"><span style="font-weight: 400;">Umberto Eco</span></a><span style="font-weight: 400;"> — que, inclusive, criou um personagem em </span><i><span style="font-weight: 400;">O nome da rosa </span></i><span style="font-weight: 400;">(1980) chamado Jorge de Burgos, em homenagem a Borges —, lembramos de seu conceito de obra aberta. Tendo como horizonte o </span><a href="https://personaunesp.com.br/bloomsday-desafio-ulysses/"><i><span style="font-weight: 400;">Finnegans Wake, </span></i><span style="font-weight: 400;">de James Joyce</span></a><span style="font-weight: 400;">, Eco diz que a obra de arte contemporânea é aberta a interpretações, e seu conceito remete justamente à noção de infinitude do texto literário. A experiência literária está refém das experiências pessoais do leitor, e não pode conceber uma interpretação exata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1961, Borges venceu com Samuel Beckett o Prêmio</span><i><span style="font-weight: 400;"> Formentor de las Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">pela publicação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ficções. </span></i><span style="font-weight: 400;">Para o autor, esse foi o momento decisivo para sua fama internacional. Fato é que sua influência na literatura é inegável, criando, para alguns críticos, um momento de ruptura — um </span><i><span style="font-weight: 400;">“antes e depois”</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sua obra. O escritor chileno Roberto Bolaño disse, em entrevista, que seus livros derivam de </span><i><span style="font-weight: 400;">“uma dívida eterna com Jorge Luis Borges e Julio Cortázar”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para </span><a href="https://personaunesp.com.br/utopia-da-realidade-horrenda-ainda-nos-restam-50-anos-de-solidao/"><span style="font-weight: 400;">Gabriel García Marquez</span></a><span style="font-weight: 400;">, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, a obra do autor o intimidava pela sua genialidade. O norte-americano </span><a href="http://personaunesp.com.br/graca-infinita-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Foster Wallace</span></a><span style="font-weight: 400;"> também foi influenciado por Borges e chegou a resenhar para o </span><a href="https://www.nytimes.com/2004/11/07/books/review/borges-on-the-couch.html"><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">sua biografia. </span></p>
<figure id="attachment_21200" aria-describedby="caption-attachment-21200" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21200" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM4-1.jpg" alt="Foto do escritor Jorge Luis Borges e do escritor Adolfo Bioy Casares. Os dois são homens caucasianos de cabelos brancos, estão sentados em cadeiras de madeira, vestem terno e gravata, e algumas pessoas estão em volta. Jorge Luis Borges veste um terno preto e segura uma bengala, enquanto Adolfo Bioy Casares veste um terno cinza claro, utiliza um suéter verde por cima da camisa e mantém o braço direito sobre uma mesa de madeira. Ao fundo, alguns livros estão em uma estante" width="1600" height="817" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM4-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM4-1-800x409.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM4-1-1024x523.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM4-1-768x392.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM4-1-1536x784.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/IMAGEM4-1-1200x613.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21200" class="wp-caption-text">Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares tinham um projeto literário extremamente racional, acompanhado de muitas correções e edições, mas que aparentava casualidade por seu ar fantástico (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro grande admirador da obra borgiana foi o crítico norte-americano </span><a href="https://personaunesp.com.br/macbeth-ambicao-sangue-furia/"><span style="font-weight: 400;">Harold Bloom</span></a><span style="font-weight: 400;">, e escreveu que, no trabalho do argentino, </span><i><span style="font-weight: 400;">“a perda foi sempre a ênfase criativa [&#8230;]: só se pode perder aquilo que nunca se teve, é esse o refrão que se encontra ao longo de toda a sua obra”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse comentário faz alusão a cegueira de Borges — um dos fatores cruciais para entender a dimensão de seus contos —, que ocorreu gradualmente em decorrência de uma doença hereditária. Aos 55 anos já estava completamente cego, e as obras publicadas após a cegueira foram narradas pelo autor e transcritas pela mãe ou pela esposa, María Kodama. Em entrevista concedida a Roberto d’Ávila para a TV brasileira, um ano antes de morrer, Borges diz que ficar cego </span><i><span style="font-weight: 400;">“é incômodo, mas sendo gradual não é trágico”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na ocasião, o escritor completa dizendo que nasceu ficando cego, e perdeu completamente a visão quando aprendeu a enxergar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas vezes, os leitores se perdem no encanto dos temas abordados por Jorge Luis Borges, e deixa-se passar que sua prosa é considerada uma das melhores do século XX — mérito defensável através do tradutor. Como o autor aponta nos dois prólogos do livro, o foco está na maneira de narrar e em suas formas. Borges anuncia que </span><i><span style="font-weight: 400;">O jardim de veredas que se bifurcam </span></i><span style="font-weight: 400;">é um conto policial, bem como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Exame da obra de Herbert Quain </span></i><span style="font-weight: 400;">encontram-se notas sobre um livro imaginário. Essa transição entre gêneros, muitas vezes dentro do mesmo conto, demonstra a maestria do autor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com mais de 75 anos desde sua publicação, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ficções </span></i><span style="font-weight: 400;">ainda cativa e estimula diversos leitores por sua dimensão filosófica e construção concisa. A obra do autor — que chegou a influenciar Michel Foucault, conforme o próprio escreveu no prefácio de </span><i><span style="font-weight: 400;">As palavras e as coisas </span></i><span style="font-weight: 400;">(1966) — continua despertando curiosidade e estranheza. Borges apontou para os caminhos que se bifurcam, e nos ensinou a questionar todas as possibilidades — ele foi todos, e nenhum.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Entrevista de Jorge Luis Borges" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/8VZ-ykJARhs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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