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	<title>Arquivos Joker &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Coringa: A sociedade desperta o monstro</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Oct 2019 21:20:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Gabriel Soldeira O Coringa é um dos vilões mais importantes das histórias em quadrinhos, o caos e a loucura que envolvem a psique do personagem o tornam curiosamente cativante. Ele foi eternizado por interpretações memoráveis, principalmente a de Heath Ledger que no cultuado &#8220;Batman: Cavaleiro das Trevas&#8221; (2008), cuja performance pareceu ser o rosto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/coringa-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Coringa: A sociedade desperta o monstro"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_12979" aria-describedby="caption-attachment-12979" style="width: 714px" class="wp-caption alignleft"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-12979 " src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-1.jpg" alt="" width="714" height="401" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-1.jpg 1777w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-12979" class="wp-caption-text">O filme pode conter gatilhos, cuidado (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Gabriel Soldeira</strong></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Coringa é um dos vilõ</span><span style="font-weight: 400;">es mais importantes das histórias em quadrinhos, o caos e a loucura que envolvem a psique do personagem o tornam curiosamente cativante. Ele foi eternizado por interpretações memoráveis, principalmente a de <a href="https://www.aficionados.com.br/curiosidades-coringa-heath-ledger/">Heath Ledger</a> que no cultuado &#8220;Batman: Cavaleiro das Trevas&#8221; (2008), cuja performance pareceu ser o rosto definitivo do palhaço do crime. Coube agora a Joaquin Phoenix deixar sua marca, mas dessa vez o vilão protagoniza um filme solo. Dirigido e co-roteirizado por Todd Phillips, “Coringa” é um profundo estudo de personagem. O filme adentra a insanidade do palhaço na forma de um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">psicológico, e <a href="https://personaunesp.com.br/shazam-critica/">é mais um</a> que se afasta do <a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-carece-de-tracos-autorais-e-cai-no-ordinario/">falido universo da DC</a> nos cinemas.</span></p>
<p><span id="more-12978"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa chega em um momento que as adaptações de quadrinhos estão extremamente saturadas e uma produção original que segmenta o “gênero de super-heróis” é muito bem-vinda. O filme dá nome e sobrenome para a misteriosa identidade do vilão, Arthur Fleck, que mora com a mãe doente e ganha a vida como palhaço enquanto tenta seguir seu sonho de ser comediante. Fleck sofre de vários problemas psiquiátricos dentre eles uma risada patológica que o atinge em momentos de tensão. Vemos então </span>na decadente sociedade de Gotham, como um homem perturbado se torna o Coringa.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas Joaquin Phoenix realmente rouba a cena. Sua fisicalidade transcende o <a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/tv,joaquin-phoenix-emagreceu-23-quilos-para-interpretar-coringa,70002989390">emagrecimento</a>, sua postura e movimentos carregam o peso de ser esse personagem ingênuo e perturbado pela cidade doente em que habita. Mas certamente a marca registrada da atuação são os risos de Arthur: o riso forçado de quem não entende as interações sociais, o <a href="https://saude.ig.com.br/2019-10-05/riso-incontrolavel-sindrome-do-coringa-afeta-pessoas-na-vida-real-entenda.html">riso patológico</a> descontrolado e doloroso nas piores situações possíveis e a forma que esse riso muda quando enfim ele entende e abraça sua insanidade. O roteiro dá muito para ser trabalhado, mas se o projeto caísse nas mãos de outro ator, dificilmente teríamos um resultado tão bom quanto o apresentado aqui. Justamente pelas nuances do personagem serem bem mais expressas pela forma que as coisas são feitas e não apenas por mera exposição do script.</span></p>
<figure id="attachment_12982" aria-describedby="caption-attachment-12982" style="width: 1620px" class="wp-caption alignleft"><img decoding="async" class="wp-image-12982 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-2.jpg" alt="" width="1620" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-2.jpg 1620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-2-300x185.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-2-768x474.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-2-1024x632.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-2-1200x741.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12982" class="wp-caption-text">O desespero do riso ainda causa frio na espinha (Foto:Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme coloca a própria Gotham como antagonista, a cidade está viva e respira violência e injustiça. Arthur é constantemente atingido por isso e o roteiro trabalha de forma que sua gradual transformação é quase justificável. Digo “quase” justamente por você entender as motivações que levam à maldade do personagem, mas ao mesmo tempo suas ações violentas estão longe de serem tratadas apenas como punição catártica aos poderosos da cidade. Na verdade o enredo faz o espectador se sentir mal por Arthur, justamente por sua forma de lidar com as injustiças serem reprováveis. É de desnortear a bússola moral de qualquer um.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de Todd Phillips é eficiente em mostrar Arthur sofrendo em sua própria mente e como isso afeta suas relações e vice-versa. A câmera segue o personagem como um amigo, e vê o mundo pela perspectiva dele. Mas, ao mesmo tempo mostra sem censura seus momentos de agressividade e como a violência que ele pratica também é suja. Porém, a forma que Todd conta a história é muito parecida com longas da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Hollywood">Hollywood pós-moderna</a> dos anos 70, talvez parecida demais. A homenagem à filmes clássicos de <a href="https://www.ign.com/articles/2019/09/25/joker-how-martin-scorsese-helped-out-the-dc-movie">Martin Scorsese</a> como <a href="https://personaunesp.com.br/taxi-driver-completa-40-anos-permanece-extremamente-atual/"><em>Taxi Driver</em></a> (1976) e <a href="https://observatoriodocinema.bol.uol.com.br/filmes/2019/04/robert-de-niro-afirma-que-coringa-tem-conexao-com-o-rei-da-comedia">O Rei da Comédia</a> (1982) vai longe a ponto de sentirmos falta de um pouco mais de personalidade na voz de Phillips. Porém, não dá pra negar o valor de se fazer um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">comparável aos clássicos do renomado diretor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A música é outro ponto forte do filme. Cordas graves acompanham momentos de tensão, trazendo uma certa claustrofobia induzida. É o filme avisando que algo está prestes a explodir mas nem sempre a explosão vem. De outra forma, a variação entre músicas <a href="http://www.blog.365filmes.com.br/2017/07/o-som-diegetico-no-cinema_10.html">diegéticas e não diegéticas</a> é usada de forma irônica, em momentos quase catárticos do protagonista que, vez parece estar ouvindo em sua mente a música que apenas o público escuta e vez dança a música totalmente ausente dos ouvidos da audiência. Essa metalinguagem curiosa também dá mais créditos para Joaquin Phoenix que expressa diferentes momentos do personagem com a forma que a música é absorvida pelo seus movimentos e expressões.</span></p>
<figure id="attachment_12983" aria-describedby="caption-attachment-12983" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-12983 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-3-real.jpg" alt="" width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-3-real.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-3-real-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-3-real-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-3-real-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-3-real-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12983" class="wp-caption-text">&#8220;I use to think that my life was a tragedy, but now I realize&#8230; it&#8217;s a comedy&#8221; (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa toca vários temas importantes e foi alvo de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zDLBAwz_pg0">várias polêmicas</a>, porém, o que se sobressai certamente é a discussão social que envolve o enredo. Arthur só abraça seu lado vilanesco, pois a sociedade falhou e ignorou seus problemas. Suas atitudes só atiçam a população pois eles também foram esquecidos pela elite de Gotham. Elite essa que se diz a única salvação para a decadência da cidade. O filme não defende a violência como meio de se conseguir direitos, mas sim como consequência da falta deles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Coringa” é um filme perturbador que tem muito a dizer, e faz isso de forma singular para os tempos de hoje. O longa não tem medo de se soltar das amarras que engessam os filmes baseados em quadrinhos, e de quebra conta com uma das melhores atuações da década. Parece que o Coringa de Heath Ledger finalmente encontrou alguém à altura.</span></p>
<figure id="attachment_12992" aria-describedby="caption-attachment-12992" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-12992 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-4.jpg" alt="" width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-4.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12992" class="wp-caption-text">Não esqueça de sorrir (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
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