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	<title>Arquivos Johnathon Schaech &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>The Doom Generation é uma ode queer ao colapso juvenil</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 13:00:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desenhado por Cathy Cooper, o figurino é um recorte primordial da história narrada (Foto: Strand Releasing/Trimark Pictures) Victor Hugo Aguila Poucas obras dos anos 1990 captam tão bem o sentimento de perturbação juvenil quanto The Doom Generation, de Gregg Araki. Lançado em 1995 e sendo o segundo filme da chamada Trilogia do Apocalipse Adolescente, o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-the-doom-generation/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Doom Generation é uma ode queer ao colapso juvenil"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37369" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image3-2-800x450.png" alt="Três jovens estão lado a lado ao ar livre. No centro, uma mulher usa óculos de sol brancos, vestido rosa e uma capa transparente. À esquerda, um rapaz usa chapéu de cowboy e camisa aberta. À direita, outro rapaz veste uma camiseta listrada. Os três usam acessórios e roupas que remetem à moda alternativa dos anos 1990. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image3-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image3-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image3-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image3-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image3-2.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><span style="color: #686868; font-size: 13px; font-style: italic; background-color: transparent; text-align: inherit;">Desenhado por Cathy Cooper, o figurino é um recorte primordial da história narrada (Foto: Strand Releasing/Trimark Pictures)</span></p>
<p><strong>Victor Hugo Aguila</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poucas obras dos anos 1990 captam tão bem o sentimento de perturbação juvenil quanto </span><i><span style="font-weight: 400;">The Doom Generation</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://youtu.be/Nl_6j3NDZjw?is=7rd5lT7R2FOJbzNv"><span style="font-weight: 400;">Gregg Araki</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lançado em 1995 e sendo o segundo filme da chamada Trilogia do Apocalipse Adolescente, o longa acompanha Amy (Rose McGowan), Jordan (James Duval) e Xavier (Johnathon Schaech) em uma viagem sem rumo por um Estados Unidos coberto por violência, consumo e moralmente falido.</span></p>
<p><span id="more-37366"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além de uma narrativa de estrada, o filme funciona como um envoltório da quase parafilia cultural da década de 1990. Araki transforma ambientações comuns e ordinárias em cenários pop-distópicos, onde tudo é excessivamente colorido, sexual e artificial. A estética subversiva, os enquadramentos marcantes e a trilha sonora alternativa fazem com que o filme pareça a progênie perfeita entre um </span><a href="https://translate.google.com/translate?u=https://www.npr.org/2026/01/20/nx-s1-5682279/what-are-the-greatest-videos-of-mtvs-golden-era&amp;hl=pt&amp;sl=en&amp;tl=pt&amp;client=srp"><span style="font-weight: 400;">videoclipe da </span><i><span style="font-weight: 400;">MTV</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e uma alucinação pós-apocalíptica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das maiores forças da obra está na forma como ele dialoga com a cultura jovem da época. Se </span><a href="https://personaunesp.com.br/kill-bill-volume-2-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Tarantino</span></a><span style="font-weight: 400;"> brincou com a banalização do crime através da ironia com </span><i><span style="font-weight: 400;">Pulp Fiction </span></i><span style="font-weight: 400;">(1994), </span><i><span style="font-weight: 400;">The Doom Generation</span></i><span style="font-weight: 400;"> eleva essa lógica ao absurdo da maneira mais divertida e deliciosa possível. A violência surge de maneira repentina e quase de forma caricata, evidenciando a típica geração do fim do século 20: anestesiada pelo excesso de imagens, notícias e consumo.</span></p>
<figure id="attachment_37368" aria-describedby="caption-attachment-37368" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-37368" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image2-3.png" alt="Três jovens estão em um carro durante o dia. Uma mulher dirige usando óculos de sol brancos, enquanto dois rapazes estão sentados ao seu lado. O painel do carro está cheio de objetos, embalagens e enfeites espalhados. A luz do sol entra pelo para-brisa e ilumina os personagens dentro do veículo." width="728" height="410" /><figcaption id="caption-attachment-37368" class="wp-caption-text">A personalidade de Jordan se destoa do último personagem interpretado por Duval, o adolescente Andy de Totally Fuc**d Up (1993) (Foto: Strand Releasing/Trimark Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos essenciais no que tange a análise do filme parte da provocação nada eufemista do subtítulo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">A Heterosexual Movie by Gregg Araki</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Embora a trama apresente um triângulo amoroso aparentemente heterossexual, a tensão </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-elite-homoerotismo-artigo/"><span style="font-weight: 400;">homoerótica</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre Jordan e Xavier atravessa todo o roteiro. Destrinchando esse arco narrativo, é possível observar tal aspecto – apenas pelo viés da curiosidade – através das lentes da teoria de Eve Kosofsky Sedgwick, crítica norte-americana. Em seu livro Between Men (1985), Sedgwick nos mostra que muitas relações entre homens são estruturadas por uma continuidade entre amizade, rivalidade, admiração e desejo. Segundo ela, a sociedade ocidental tende a separar a heterossexualidade da homossexualidade de maneira rígida, mas, na prática, essas fronteiras são muito mais instáveis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Doom Generation</span></i><span style="font-weight: 400;">, essa ideia se materializa na relação entre os personagens de Duval e Schaech. Inicialmente, o vínculo entre os dois pode ser interpretado como uma cumplicidade construída a partir das experiências na estrada. Entretanto, à medida que a narrativa avança, a intimidade emocional e física entre eles torna-se cada vez mais evidente, o que dificulta distinguir onde termina a amizade e começa o desejo. Gregg Araki, um dos principais nomes do movimento conhecido como </span><a href="https://revistas.pucsp.br/index.php/leituraflutuante/article/view/66313/45308"><i><span style="font-weight: 400;">New Queer Cinema</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, utiliza dessa mesma ideia de ambiguidade para questionar categorias rígidas de sexualidade e identidade. </span></p>
<figure id="attachment_37367" aria-describedby="caption-attachment-37367" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37367" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image1-3-800x450.png" alt="Dois jovens estão sentados em um sofá em um ambiente iluminado por luzes vermelhas e roxas. Um deles está deitado de cabeça para baixo sobre o colo do outro, enquanto o rapaz sentado segura uma garrafa e olha para ele. A cena tem uma atmosfera tranquila e íntima, com iluminação suave e cores fortes." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image1-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image1-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image1-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image1-3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/06/image1-3.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37367" class="wp-caption-text">A escolha das cores e texturas nas cenas corroboram a tensão sexual crescente da narrativa (Foto: Strand Releasing/Trimark Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a cultura e os aspectos sociohistóricos não fogem dos detalhes. Os nomes dos protagonistas – Amy Blue, Jordan White e Xavier Red – remetem a cores da bandeira estadunidense, transformando os personagens em símbolos antagonistas ao ‘sonho de vida americano’. Ainda, a obsessão do filme por </span><i><span style="font-weight: 400;">fast food</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">slogans</span></i><span style="font-weight: 400;"> e publicidades, por exemplo, funciona como uma crítica ao capitalismo tardio típico do pós-Guerra Fria. Essa </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-todo-mundo-em-panico-6/"><span style="font-weight: 400;">sátira</span></a><span style="font-weight: 400;"> é algo presente também na obra </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicopata Americano</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2000).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das referências e do ótimo roteiro, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Doom Generation</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é para todos. Seu humor ácido e violência estilizada podem soar gratuitos ou até banais para determinados públicos. Há momentos em que o interesse de Araki recai na provocação do espectador, e não tanto em desenvolver seus personagens. Ainda assim, é justamente esse excesso que garante identidade à obra. Através do exagero e do caos, é como mergulhar na inquietação sob a estética e as cores vivas de um </span><a href="https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/10/25/os-games-e-o-cinema-quem-influencia-quem"><span style="font-weight: 400;">video game</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais de trinta anos depois, o filme</span><span style="font-weight: 400;"> ‘heterossexual’ de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/gregg-araki"><span style="font-weight: 400;">Gregg Araki</span></a><span style="font-weight: 400;"> continua com uma visão surpreendentemente atual. Em uma era marcada por crises econômicas e políticas constantes, excesso de informação e sentimentos de alienação, os protagonistas transmitem a ideia niilista e atemporal presente na sociedade capitalista: estar conectados a tudo e não pertencer a lugar algum.</span></p>
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