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	<title>Arquivos Joel Kinnaman &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O Esquadrão Suicida atira primeiro e pergunta depois</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Sep 2021 20:12:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caio Machado O primeiro Esquadrão Suicida foi lançado em 2016, ainda numa tentativa de construir um universo cinematográfico dos personagens da DC Comics para rivalizar com a Marvel. O filme dirigido por David Ayer foi um sucesso de bilheteria, mas um fracasso de crítica. Em 2018, o diretor James Gunn, conhecido pelos dois Guardiões da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-esquadrao-suicida-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Esquadrão Suicida atira primeiro e pergunta depois"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23277" aria-describedby="caption-attachment-23277" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-23277" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-1.jpg" alt="Cena do filme O Esquadrão Suicida exibe várias pessoas paradas no meio da selva. O homem no canto direito veste uma camiseta vermelha e azul colada ao corpo, bastante chamativa, usa uma calça branca e um capacete prateado na cabeça. À esquerda, há um homem negro com cabelo muito curto vestindo uma armadura, um tubarão humanoide e uma mulher branca também protegida por uma armadura e com uma máscara de gás na cabeça. Além disso, vemos uma mulher branca, com cabelo preto longo e preso, vestindo uma regata verde-musgo. Atrás dela, dois homens negros observam, como se vissem algo fora do comum. Por último, vemos um homem branco musculoso e com uma tatuagem no braço esquerdo. Ele tem cabelo curto e usa uma camiseta amarela, estampada com o desenho de um coelho segurando uma placa. " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-1-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23277" class="wp-caption-text">O Esquadrão Suicida foi lançado simultaneamente nos cinemas e no HBO Max nos Estados Unidos (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Machado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro </span><a href="https://personaunesp.com.br/esquadrao-suicida-machismo-super-vilao/"><i><span style="font-weight: 400;">Esquadrão Suicida</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi lançado em 2016, ainda numa tentativa de construir um universo cinematográfico dos personagens da </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics</span></i><span style="font-weight: 400;"> para rivalizar com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">. O filme dirigido por David Ayer foi um sucesso de bilheteria, mas um fracasso de crítica. Em 2018, o diretor James Gunn, conhecido pelos dois </span><i><span style="font-weight: 400;">Guardiões da Galáxia, </span></i><span style="font-weight: 400;">foi </span><a href="https://www.vox.com/2018/10/9/17957026/james-gunn-suicide-squad-2-sequel"><span style="font-weight: 400;">contratado</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Warner </span></i><span style="font-weight: 400;">para fazer um novo filme do grupo de supervilões, com liberdade criativa para tomar rumos diferentes da obra de Ayer. Na época, a contratação ocorreu depois da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">ter demitido Gunn da direção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Guardiões da Galáxia Vol. 3 </span></i><span style="font-weight: 400;">devido à polêmica envolvendo </span><a href="https://www.vox.com/2018/7/20/17596506/disney-fired-james-gunn-guardians"><i><span style="font-weight: 400;">tweets </span></i><span style="font-weight: 400;">antigos do cineasta</span></a><span style="font-weight: 400;"> que faziam piadas de mau gosto envolvendo estupro e pedofilia. Em 2019, Gunn foi recontratado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas o diretor já estava envolvido na produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Esquadrão Suicida.</span></i></p>
<p><span id="more-23276"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, em 2021, o filme finalmente foi lançado e acerta em tudo que seu antecessor tinha falhado. Na trama, o governo dos Estados Unidos envia a equipe dos criminosos mais perigosos do planeta para a ilha remota de Corto Maltese, repleta de inimigos. Armados e acompanhados pelo Coronel Rick Flag (Joel Kinnaman), eles viajam pela selva numa perigosa </span><a href="https://personaunesp.com.br/supernatural-critica/"><span style="font-weight: 400;">missão</span></a><span style="font-weight: 400;"> para destruir um laboratório que abriga um experimento capaz de ameaçar o mundo como conhecemos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://personaunesp.com.br/enola-holmes-critica/"><span style="font-weight: 400;">diferença</span></a><span style="font-weight: 400;"> principal entre </span><i><span style="font-weight: 400;">O Esquadrão Suicida </span></i><span style="font-weight: 400;">e o filme de 2016 está no tom. Aqui, há um deboche e ironia muito maiores. A direção de James Gunn, sempre inquieta com seus giros de câmera e </span><a href="https://www.primeirofilme.com.br/site/o-livro/movimentos-no-quadro-da-camera-e-da-objetiva/#:~:text=Quando%20%E2%80%9Caproxima%E2%80%9D%20a%20imagem%20temos,permitindo%20que%20voc%C3%AA%20filme%20melhor."><i><span style="font-weight: 400;">zoom-ins</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">bruscos, evidencia um contraste entre a bobagem e a seriedade ao colocar seus personagens para cometerem assassinatos violentos a mando do governo, vestidos com roupas tão chamativas que parecem prontos para o Carnaval e se comportando como adolescentes nervosos. O humor mais sujo, para combinar com a censura alta do filme, serve para deixar clara a consciência que Gunn tem do quanto os personagens e a situação na qual estão inseridos são ridículos e convida o público para rir deles também.</span></p>
<figure id="attachment_23278" aria-describedby="caption-attachment-23278" style="width: 804px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-23278" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-2.jpeg" alt="Cena do filme O Esquadrão Suicida exibe cinco pessoas andando na chuva. No canto direito, vemos um homem com armadura que o cobre dos pés à cabeça. À esquerda, vemos um homem branco careca com vários parafusos ao redor da cabeça, uma mulher branca loira, usando um vestido vermelho e apoiando uma lança enorme no ombro esquerdo; um homem vestindo uma camiseta vermelha e azul colada ao corpo, bastante chamativa, com uma calça branca e um capacete prateado na cabeça e um homem branco musculoso, que veste uma camiseta amarela, calça preta com joelheiras e apoia uma escopeta no ombro direito. " width="804" height="452" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-2.jpeg 804w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-2-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-2-768x432.jpeg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23278" class="wp-caption-text">Logo nos primeiros minutos, o filme deixa claro que não será tão sombrio quanto os outros da DC (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para contrapor com a sujeira, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Esquadrão Suicida </span></i><span style="font-weight: 400;">também faz alguns desvios na rota, desacelerando o ritmo e demonstrando uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/klara-e-o-sol-critica/"><span style="font-weight: 400;">sensibilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> maior quando não está acontecendo um banho de sangue na tela. É através desses momentos banais, como uma conversa num ônibus durante a noite ou uma gargalhada num barzinho, que o filme deixa de lado um cinismo maldoso para dar lugar à emotividade, oferecendo um vislumbre do passado dos membros do Esquadrão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessas cenas tocantes, sabemos mais da vida difícil da Caça-Ratos 2 (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v8anMAE6Sl4"><span style="font-weight: 400;">Daniela Melchior</span></a><span style="font-weight: 400;">) nas ruas, a relação abusiva de Sanguinário (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=onhidXJGAQk"><span style="font-weight: 400;">Idris Elba</span></a><span style="font-weight: 400;">) com o pai e o grande trauma que o excêntrico Bolinha (David Dastmalchian) tem com a mãe, o que faz com que a veja em todos os lugares. Até mesmo Nanaue, o tubarão humanoide meio bobão (e de poucas palavras) dublado por Sylvester Stallone, tem seu momento de humanização. Esse breve aprofundamento faz com que nos importemos com eles por exporem seu lado mais frágil, fora das demonstrações de força que o combate exige. No fundo, eles são resultados de ambientes hostis que não os favoreceram de jeito nenhum. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em relação aos outros “heróis” da equipe, Arlequina (Margot Robbie) tem sua própria aventura, separada do grupo em boa parte do longa. Carregado de amor, decepção, cores e violência, o percurso percorrido pela personagem funciona como uma emancipação do </span><a href="https://www.thedailybeast.com/suicide-squads-retrograde-misogyny-the-trials-of-margot-robbies-harley-quinn"><span style="font-weight: 400;">olhar machista</span></a><span style="font-weight: 400;"> que esteve sobre ela no primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Esquadrão</span></i><span style="font-weight: 400;">. É um arco narrativo que acabou combinando por acaso com o filme anterior da personagem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aves de Rapina, </span></i><span style="font-weight: 400;">já que o diretor </span><a href="https://screenrant.com/suicide-squad-2-birds-prey-james-gunn-unaware/"><span style="font-weight: 400;">não sabia de sua produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto ele escrevia o roteiro. </span></p>
<figure id="attachment_23279" aria-describedby="caption-attachment-23279" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-23279 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-3-1024x1024.jpg" alt="Cena do filme O Esquadrão Suicida exibe quatro pessoas no meio da selva. No canto direito, vemos uma mulher branca vestida somente com roupas pretas, luvas marrons e botas. Ela tem cabelo preto na altura dos ombros. Depois, vemos um homem negro, com cabelo muito curto, uma armadura que protege seu corpo e uma arma em mãos. Em seguida, vemos um homem branco que veste uma camiseta vermelha e azul colada ao corpo, bastante chamativa, com uma calça branca, botas azuis e um capacete prateado na cabeça. Ele carrega uma pistola enorme na mão direita. Por último, vemos um homem que veste uma malha branca repleta de bolinhas coloridas. Ele está usando óculos e braceletes. " width="840" height="840" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-3-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-3-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-3-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-3-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-3.jpg 1800w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23279" class="wp-caption-text">Na selva, os membros do Esquadrão Suicida parecem ter saído diretamente de uma festa de Halloween (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Harley só é inserida de vez na dinâmica do grupo pouco antes da ação final, que é onde James Gunn não poupa ninguém dessa equipe que aprendemos a gostar. A sequência violenta logo no início, que conta com atores conhecidos, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OI2o99rbxPc"><span style="font-weight: 400;">Pete Davidson</span></a><span style="font-weight: 400;">, Nathan Fillion e Michael Rooker, já deixava claro o quanto os supercriminosos são facilmente descartáveis e o clímax reforça isso ainda mais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao ver um personagem sendo fuzilado, outro colidindo com paredes como se estivesse num episódio dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Looney Tunes </span></i><span style="font-weight: 400;">e um terceiro sendo esmagado sem misericórdia, parece que Gunn os pune por terem feito escolhas erradas na vida e terem acabado ali, no lugar errado e na hora errada. Esse </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-silencio-das-filhas-critica/"><span style="font-weight: 400;">sadismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> incomoda, mas aparece em cenas tão divertidas de acompanhar, carregadas de exibicionismo e uma câmera lenta que deixa tudo parecendo um grande videoclipe, que acaba passando despercebido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto onde </span><i><span style="font-weight: 400;">O Esquadrão Suicida </span></i><span style="font-weight: 400;">causa incômodos é em relação à sua trama </span><a href="https://personaunesp.com.br/cria-cuervos-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">política</span></a><span style="font-weight: 400;">. O roteiro, escrito também por Gunn, deixa claro o caráter intervencionista da missão: a equipe está indo para lá com o objetivo de destruir um projeto que prejudica os “interesses norte-americanos”.</span></p>
<figure id="attachment_23280" aria-describedby="caption-attachment-23280" style="width: 890px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23280" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-5.jpg" alt="Cena do filme O Esquadrão Suicida exibe um homem negro, de cabelo muito curto e utilizando uma armadura que protege seu corpo. Ao lado direito, vemos um tubarão humanoide com a boca entreaberta, mostrando um pouco dos dentes. Ao fundo, vemos ruínas de um prédio e o céu branco por causa da fumaça." width="890" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-5.jpg 890w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-5-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/esquadrao-5-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23280" class="wp-caption-text">É numa fala de Sanguinário que o filme deixa escapar sua mensagem política subentendida (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais tarde, quando descobre-se que o verdadeiro objetivo é uma queima de arquivo, o filme acrescenta mais tensão à situação e mostra que existe a possibilidade dos segredos do governo estadunidense vazarem para a grande imprensa. Porém, no fim de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Suicide Squad</span></i><span style="font-weight: 400;">, isso é jogado no lixo quando opta-se por manter as informações escondidas. Uma fala de Sanguinário para a Caça-Ratos 2 resume bem a mensagem intimidadora de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Esquadrão Suicida: </span></i><span style="font-weight: 400;">manter a reputação dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/sem-remorso-critica/"><span style="font-weight: 400;">Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;"> é essencial e quem ousar questioná-la pode ser punido ou com a prisão ou com uma morte sem misericórdia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns podem argumentar que isso funciona como uma crítica à dominação norte-americana, mas como? Pela forma como aparece no filme, personificada na figura do Pacificador (</span><a href="https://www.arrobanerd.com.br/serie-da-hbo-max-sobre-o-peacemaker-ganha-cartaz-e-teremos-novidades-no-dcfandome-2021/"><span style="font-weight: 400;">John Cena</span></a><span style="font-weight: 400;">), parece mais uma tentativa torpe de agradar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/1-contra-todos-critica/"><span style="font-weight: 400;">todos</span></a><span style="font-weight: 400;">, seja qual for sua posição política. Se esconde atrás de piadinhas bobas e do deboche para disfarçar o quanto é reacionário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em relação a outros filmes da </span><i><span style="font-weight: 400;">DC</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Esquadrão Suicida </span></i><span style="font-weight: 400;">oferece um caminho interessante a ser seguido. Abraça o exagero das histórias em quadrinhos e entrega uma experiência divertida, colorida e de uma humanidade inesperada. No entanto, por mais que tente, sua atitude irônica não consegue esconder uma mensagem política bem problemática diante do </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/08/23/eua-podem-prolongar-estadia-de-soldados-no-afeganistao-apos-a-data-prevista-diz-joe-biden.ghtml"><span style="font-weight: 400;">contexto mundial</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso não dá para ignorar.</span></p>
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		<title>In Treatment: você precisa de terapia, e a Uzo Aduba também</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Sep 2021 21:00:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Uzo Aduba é maior do que podemos imaginar. Nascida no dia 10 de fevereiro de 1981, em Boston, Uzoamaka Nwaneka Aduba é filha de imigrantes nigerianos. Criada em Medfield, ela se formou na Medfield High School, em 1999. Apesar de ter crescido com o sonho de se tornar advogada, seus rumos começaram a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/in-treatment-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "In Treatment: você precisa de terapia, e a Uzo Aduba também"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23215" aria-describedby="caption-attachment-23215" style="width: 1296px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23215" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2.jpg" alt="A imagem é uma cena da série In Treatment. Na imagem, Uzo Aduba, que interpreta Brooke Taylor, está atrás de uma porta de vidro, em que é possível ver reflexos de luzes da cidade. Brooke é uma mulher negra, de cabelos pretos, lisos e acima dos ombros; ela veste uma blusa preta e um kimono estampado. É possível ver dos seus seios para cima. " width="1296" height="730" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2.jpg 1296w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23215" class="wp-caption-text">Produzida pela HBO e indicada ao Emmy 2021, a quarta temporada de In Treatment é um reboot da própria série, após um hiatus de mais de 10 anos (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uzo Aduba é maior do que podemos imaginar. Nascida no dia 10 de fevereiro de 1981, em Boston, Uzoamaka Nwaneka Aduba é filha de imigrantes nigerianos. Criada em Medfield, ela se formou na Medfield High School, em 1999. Apesar de ter crescido com o sonho de se tornar advogada, seus rumos começaram a mudar quando uma professora a incentivou a cantar mais, e, após performar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3JWTaaS7LdU"><i><span style="font-weight: 400;">I Will Always Love You</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em uma audição, Aduba passou a considerar um futuro mais artístico. Assim veio sua formação em canto lírico, pela Boston University. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos 21 anos de idade, em 2003, a norte-americana subiu de vez aos palcos teatrais. Dois anos depois, ela debutou no meio cinematográfico, pelo curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Notes.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Mas a carreira de Uzo Aduba iria, de fato, se iniciar para o grande público apenas em 2013, ao dar vida à </span><a href="http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/06/orange-new-black-ela-nao-e-louca-pra-mim-diz-atriz-de-crazy-eyes.html"><span style="font-weight: 400;">personagem Crazy Eyes</span></a><span style="font-weight: 400;">, em uma das primeiras produções originais da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/oitnb-temp-final/"><i><span style="font-weight: 400;">Orange is the New Black</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ao interpretar a divertida e complicada Suzanne, Uzo cravou seu nome em Hollywood, conseguindo se destacar em meio ao conturbado presídio de Litchfield. A concretização de seu sucesso viria com sua primeira indicação e vitória no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, como Melhor Atriz Convidada em Série de Comédia. </span></p>
<p><span id="more-23214"></span></p>
<figure id="attachment_23216" aria-describedby="caption-attachment-23216" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23216" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2.jpeg" alt="A imagem é uma cena da série In Treatment. Na imagem, Uzo Aduba, que interpreta Brooke Taylor, está sentada em uma poltrona laranja na sua sala de estar. Brooke é uma mulher negra, de cabelos pretos, lisos e acima dos ombros; ela veste uma blusa e calça pretas, e um blazer verde-marinho. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23216" class="wp-caption-text">Apesar de Crazy Eyes ter servido como uma luva para Uzo, anteriormente ela havia feito o teste para interpretar Janae, a atleta, em OITNB (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir de algumas mudanças dentro da cerimônia, na segunda temporada, a série passou a ser considerada na categoria de Drama, assim como Uzo se tornou Atriz Coadjuvante, e conquistou mais uma estatueta. Com esse feito, ela é a única a vencer </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmys</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Comédia e Drama pela mesma personagem, e não apenas isso: das </span><a href="https://www.emmys.com/shows/orange-new-black"><span style="font-weight: 400;">quatro vitórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Orange is the New Black</span></i><span style="font-weight: 400;"> na premiação, duas pertencem à ela. Após o fim da produção, em 2019, poderia se pensar que esse também seria um breve adeus à presença de Aduba nas telas, mas, muito pelo contrário. No ano seguinte, ela engatou em</span> <a href="https://personaunesp.com.br/mrs-america-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mrs. America</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, minissérie do </span><i><span style="font-weight: 400;">FX on Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;">, como Shirley Chisholm, primeira mulher negra a se candidatar à presidência dos EUA. Não surpreendendo mais a ninguém, Uzo Aduba levou para casa o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Atriz Coadjuvante em Minissérie ou Telefilme pelo papel. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pandemia de covid-19 mudou os planos de boa parte do globo terrestre, e o meio cinematográfico foi um dos grande atingidos. Em meio às dificuldades em se promover gravações devido às medidas sanitárias adotadas, a</span><i><span style="font-weight: 400;"> HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> decidiu reviver um de seus nomes de maior sucesso:</span><i><span style="font-weight: 400;"> In Treatment</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/temporadas/8216-in-treatment-8217-ganha-versao-brasileira/"><span style="font-weight: 400;">Adaptação da produção israelense</span><i><span style="font-weight: 400;"> BeTipul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a série estreou em 2008, e se tornou uma das principais criações do canal, acumulando </span><a href="https://www.emmys.com/shows/treatment"><span style="font-weight: 400;">sete indicações ao</span><i><span style="font-weight: 400;"> Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> e duas vitórias</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao longo de suas três temporadas. A narrativa acompanhava as sessões do doutor Paul Weston, psicoterapeuta interpretado por Gabriel Byrne, com seus pacientes. </span></p>
<figure id="attachment_23217" aria-describedby="caption-attachment-23217" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23217" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1.jpeg" alt=" A imagem é uma cena da série In Treatment. Nela, Quintessa Swindelle, que interpreta Laila, está sentada no lado esquerdo de um sofá em uma sala de estar, ao lado direito está Charlayne Woodard, que interpreta Rhonda. Laila é uma jovem negra de pele clara, com cabelos cacheados e acima dos ombros; ela veste uma blusa rosa, um moletom preto estilo college e calças amarelas. Rhonda é uma senhora negra, de cabelos pretos cacheados na altura nos ombros, ela veste um conjunto de saia e blazer brancos." width="2000" height="1330" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1.jpeg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1-800x532.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1-1024x681.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1-768x511.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1-1536x1021.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1-1200x798.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23217" class="wp-caption-text">A produção israelense ganhou uma adaptação em terras brasileiras também, a série Sessão de Terapia, atualmente protagonizada e dirigida por Selton Mello (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A última temporada até então foi lançada em 2010, sem muitas previsões de retorno. No entanto, em função dos empecilhos do atual contexto e a facilidade em se produzir a série, devido ao seu formato simples e com poucos atores em cena, ela foi resgatada como um </span><i><span style="font-weight: 400;">reboot </span></i><span style="font-weight: 400;">para uma quarta temporada. Sem Gabriel Byrne voltando para o papel, a protagonista agora é a Dra. Brooke Taylor, interpretada por ninguém mais, ninguém menos, que Uzo Aduba. Seguindo o mesmo formato de antes, o novo ano da trama acompanha as sessões da terapeuta com quatro pacientes: Eladio (Anthony Ramos, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/hamilton-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hamilton</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Colin (John Benjamin Hickey, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/quando-mulheres-tornam-protagonistas-historias/"><i><span style="font-weight: 400;">Jessica Jones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Laila (Quintessa Swindelle, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e, por fim, ela mesma. A narrativa segue 6 semanas de consulta com esses personagens, que totalizam 24 episódios. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma dinâmica diferente do que estamos acostumados, </span><i><span style="font-weight: 400;">In Treatment </span></i><span style="font-weight: 400;">conduz a sessão de terapia na sua forma nua e crua, ambientada na sala da casa de Taylor. Resumida quase por completo apenas aos diálogos, descobrimos aos poucos as dores de cada paciente, que vão sendo minuciosamente dissecados pelo tratamento da personagem de Uzo, abrindo uma gaveta de pensamentos conturbados e complexos de cada personalidade. Eladio é um imigrante colombiano, bissexual, diagnosticado com um transtorno de bipolaridade e cuidador de um rapaz de uma família rica. Colin é um homem branco, milionário, recém-saído da prisão por um crime de colarinho branco, que tem que passar por sessões de terapia obrigatórias. E Laila é a representação da </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2021/07/04/quem-decidiu-o-que-e-millennial-o-que-e-geracao-z-o-que-e-boomer.ghtml"><span style="font-weight: 400;">geração Z</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma adolescente de 18 anos, rebelde, que é obrigada pela avó (Charlayne Woodard) a fazer o tratamento para deixar de ser lésbica. </span></p>
<figure id="attachment_23218" aria-describedby="caption-attachment-23218" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23218" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1.jpg" alt="A imagem é uma cena da série In Treatment. Na imagem, Uzo Aduba, que interpreta Brooke Taylor, está sentada ao lado de Joel Kinnaman, que interpreta Adam, apoiada em seu ombro direito. Brooke é uma mulher negra, de cabelos pretos, lisos e acima dos ombros; ela veste uma blusa rosa de mangas compridas e uma calça jeans escura. Adam é um homem branco, de cabelo e barba loiros; ele veste uma blusa cinza de mangas compridas e calça jeans." width="1600" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23218" class="wp-caption-text">Joel Kinnaman, o Rick Flag do Esquadrão Suicida, também integra o elenco, como o ex-namorado de Brooke que retorna para sua vida (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A tarefa aqui não é fácil, mas Brooke Taylor consegue contornar muito bem a situação de cada um, e navegar pelas profundezas de seus traumas. Em meio a um roteiro com </span><a href="https://www.coxinhanerd.com.br/joshua-allen-in-treatment/"><span style="font-weight: 400;">diálogos metodicamente ardilosos e teatrais</span></a><span style="font-weight: 400;">, observamos que, de fato, estamos em uma sessão de terapia, até nos pequenos comentários e distrações de cada paciente. E, como todo bom atendimento, ao longo dos minutos, eles vão se despindo de suas carcaças, apresentando suas piores versões e concepções pessoais. Diante da teimosia e dos comportamentos difíceis e reativos, a doutora se vê em um verdadeiro campo de guerra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não apenas gravada no contexto pandêmico, a quarta temporada de</span><i><span style="font-weight: 400;"> In Treatment</span></i><span style="font-weight: 400;"> também acompanha a realidade do mundo real, em que é ambientada com o fim da pandemia de covid-19, com os personagens ainda retomando aos poucos para a “vida normal”. A escolha do cenário provoca uma sensação de identificação imensa com os problemas dos pacientes, em que vemos sentimentos à flor da pele e uma série de complicações potencializadas por esse trágico momento. Na figura de Eladio, que ainda tem que passar por atendimentos</span><i><span style="font-weight: 400;"> online</span></i><span style="font-weight: 400;"> devido ao fato de cuidar de uma pessoa com comorbidades, notamos as limitações que as telas nos trazem diante dos diálogos e expressões de nossos sentimentos, além das </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/04/ha-um-nome-para-seu-mal-estar-na-pandemia-chama-se-definhamento.shtml"><span style="font-weight: 400;">perturbações do isolamento social</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23221" aria-describedby="caption-attachment-23221" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23221 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Colin.jpg" alt="A imagem é uma cena da série In Treatment. Na imagem, John Benjamin Hickey, que interpreta Colin, está sentado em um sofá azul-marinho. Colin é um homem branco, de cabelo e barba grisalhos; ele veste uma camiseta rosa claro, um casaco cinza e calça jeans clara. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Colin.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Colin-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Colin-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Colin-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23221" class="wp-caption-text">Para o processo criativo da Dra. Brooke, houve o apoio de uma psicoterapeuta que está na ativa, o que ajudou a construir o talento profissional da personagem, equilibrado com o carisma de Aduba (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final de cada semana, saímos da sala de terapia para adentrar à vida da doutora. Além de ter que cavar as problemáticas de cada um de seus pacientes, Brooke também lida com suas próprias angústias. Com a morte recente do seu pai, ela passa por um duro estágio de luto, que a faz reviver o alcoolismo já presente em sua vida. Tal momento se encontra com o histórico da própria atriz, que </span><a href="https://epipoca.com.br/uzo-aduba-criou-uma-identificacao-com-seu-papel-em-em-terapia/"><span style="font-weight: 400;">perdeu sua mãe</span></a><span style="font-weight: 400;"> para uma luta difícil contra o câncer, 10 dias antes de iniciar as gravações da série. Mesmo fora dos uniformes de presidiária, e também em uma figura muito mais contida que Crazy Eyes, a observamos com a mesma sinceridade e força de Suzanne, e nisso Uzo Aduba dá um</span><i><span style="font-weight: 400;"> show</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante dessas quatro jornadas que acompanhamos, vemos em cada semana as melhorias e recaídas individuais. Em boa parte, os problemas de Taylor acabam se cruzando com o de seus pacientes, em que toma uma licença poética para se mostrar humana, muito além do pedestal profissional que é colocado à ela. Por mais que aparente ser difícil acompanhar quase 30 minutos de puro diálogo, ficamos hipnotizados pela presença de Uzo Aduba em cena, sua linguagem corporal e o confronto que trava em suas palavras.</span><i><span style="font-weight: 400;"> In Treatment </span></i><span style="font-weight: 400;">acaba nos levando a debates mais que essenciais sobre </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/tema-racial-na-serie-in-treatment-e-oportuno-e-nao-so-para-americanos.shtml"><span style="font-weight: 400;">questões raciais</span></a><span style="font-weight: 400;">, o movimento </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-09-07/black-lives-matter-o-rumo-incerto-do-grande-movimento-antirracista.html"><i><span style="font-weight: 400;">Black Lives Matter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aceitação pessoal, sexualidade, luta de classes e privilégios. </span></p>
<figure id="attachment_23220" aria-describedby="caption-attachment-23220" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23220" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6.jpg" alt="A imagem é uma cena da série In Treatment. Na imagem, Uzo Aduba, que interpreta Brooke Taylor, está sentada em uma poltrona laranja em uma sala de estar, virada de costas, em direção a Anthony Ramos, que interpreta Ladio, que está sentado no sofá azul-marinho em sua frente. Brooke é uma mulher negra, de cabelos pretos, lisos e acima dos ombros, ela veste um blazer e uma calça beges, não é possível ver seu rosto. Eladio é um jovem moreno, de cabelos cacheados e curtos; ele veste uma camiseta branca, um agasalho xadrez e calça jeans. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23220" class="wp-caption-text">Uzo Aduba submeteu o episódio 20, Brooke &#8211; Semana 5, para consideração no Emmy 2021 (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo em meio a problemas tão particulares, é impossível não se encontrar na imensidão de obstáculos que o quarteto principal enfrenta. Seja pela luta de Eladio em se descobrir e se desprender das amarras da família de ricaços que o abriga, ou pela tentativa de Laila em correr para sua liberdade e superar as vivências de uma criação familiar difícil. Até mesmo nas complexidades do babaca do Colin, que se vê na busca constante pela aprovação dos outros. As conversas sinceras de Brooke com sua amiga Rita (Liza Colón-Zayas) divagam pela similaridade com essas e outras questões, ao passo que a protagonista passa a aceitar cada vez mais o abalo deixado pela vivência com seus pais e suas perdas ao longo da vida. Ao final, desejamos apenas que cada um se encontre em sua própria jornada, e é isso que recebemos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A performance estonteante como Brooke Taylor não veio à toa, e Uzo Aduba garantiu a única indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série, como Melhor Atriz em Drama. Ao interpretar seu primeiro papel principal na televisão, a atriz concretiza de vez, ou mais uma vez, que não está aqui para brincadeira, e se encontra na dura missão de derrubar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">coroa pesada</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Emma Corin ou </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">a força</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Mj Rodriguez (para quem seria uma honra perder qualquer coisa). O fim da quarta temporada de</span><i><span style="font-weight: 400;"> In Treatmen</span></i><span style="font-weight: 400;">t deixa um sentimento de satisfação e afago profundos, além da vontade imensa de poder acompanhar e admirar Uzo Aduba aonde quer que ela vá. </span></p>
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