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	<title>Arquivos Joe Newman &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Uma década depois, ainda é uma delícia se afogar em An Awesome Wave</title>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Quando o mais novo álbum do alt-J, The Dream, estava prestes a ser lançado, muito se esperava que a banda britânica voltasse às suas raízes, mais especificamente as de uma década atrás. A razão disso é que seu registro de 2012, An Awesome Wave, vencedor do Mercury Prize, prêmio de Melhor Álbum Britânico &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alt-j-an-awesome-wave-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Uma década depois, ainda é uma delícia se afogar em An Awesome Wave"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27686" aria-describedby="caption-attachment-27686" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-27686 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-1.jpg" alt="Foto da banda alt-J. Nela, os quatro membros estão em uma sala com panos brancos e uma forte luz amarela. Sobre eles, há uma luz branca quadrada, só que um pouco tombada para esquerda, de forma a fazer uma forma geométrica de cinco lados. Da esquerda para direita: Gwil Sainsbury, um homem branco e de cabelos loiros. Ele usa óculos, veste um suéter com listras horizontais e duas verticais na altura dos ombros e calça preta. Joe Newman, um homem branco de cabelos pretos cacheados. Ele veste uma jaqueta preta com uma camiseta por baixo e calça jeans preta. Gus Unger-Hamilton, um homem branco, alto de cabelos e bigode castanhos. Ele veste uma jaqueta, uma camisa xadrez e também uma calça jeans preta. Thom Green, um homem branco de cabelos e barbas castanhos claros. Ele usa um boné preto, uma camisa em cor escura e uma calça jeans também preta. Todos calçam um par de meias pretas e olham para um mesmo ponto abaixo deles." width="1200" height="822" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-1-800x548.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-1-1024x701.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-1-768x526.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27686" class="wp-caption-text">Mesmo sendo seu debut, o disco ainda é o carro chefe dos ingleses (Foto: Noah Kalina)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o mais novo álbum do alt-J, </span><a href="https://open.spotify.com/album/4OgdaAYtSaLpVKMEKFbK7C"><i><span style="font-weight: 400;">The Dream</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estava prestes a ser lançado, muito se esperava que a banda britânica voltasse às suas raízes, mais especificamente as de uma década atrás. A razão disso é que seu registro de 2012, </span><i><span style="font-weight: 400;">An Awesome Wave</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencedor do </span><a href="https://www.instagram.com/mercuryprize/"><i><span style="font-weight: 400;">Mercury Prize</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, prêmio de Melhor Álbum Britânico daquele ano, é irretocável e até hoje é o cartão de visitas do grupo, que naquela época se tornou um expoente do </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> britânico.</span></p>
<p><span id="more-27685"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo intitulada como o “</span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2012/10/25/integrantes-do-alt-j-dizem-que-banda-e-melhor-que-o-radiohead/"><span style="font-weight: 400;">novo Radiohead</span></a><span style="font-weight: 400;">” no início, a banda, desde sua formação em 2008, pouco ligava para tais rótulos da indústria. O resultado foi um álbum de estreia que a princípio é dissonante entre si, mas que conversa de forma uníssona com a proposta de alt-J: fazer Música. Essa falta de uniformidade fez com que o disco levasse o ouvinte para navegar pelos diferentes tipos de mar e pela profundidade de seus intérpretes, que ora é mais calma, ora mais revolta.</span></p>
<p><figure id="attachment_27687" aria-describedby="caption-attachment-27687" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-27687" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-2.jpg" alt="Foto da banda alt-J. Nela os quatro integrantes estão sentados em uma sala sob uma luz roxa que vem pela direita. Joe Newman e Gus Unger-Hamilton, que estão nas pontas, cruzam as pernas para sentar ao chão, enquanto Gwil Sainsbury e Thom Green, que estão ao meio, abraçam suas pernas. Joe veste uma jaqueta preta, camiseta branca, calça preta e bota, Thom veste uma jaqueta preta, camisa cinza, calça preta e bota, Gwil veste também uma jaqueta preta, camiseta preta, calça jeans e tênis preto e Gus veste uma camisa na cor cinza, uma camiseta estampada, calça preta e bota marrom." width="1200" height="812" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-2-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-2-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-2-768x520.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27687" class="wp-caption-text">O nome da banda tem origem de um atalho de Mac (alt + j) usado para se digitar um delta (∆), símbolo que o grupo também adota e assina as vezes [Foto: Noah Kalina]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O grupo se conheceu na Universidade de Leeds, e como moravam em lugares</span> <span style="font-weight: 400;">diferentes, um espaço para ensaios sempre foi um problema inicial, fazendo com que daí surgisse uma das principais assinaturas da banda, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kwa_f0c3Xqs"><span style="font-weight: 400;">o minimalismo sonoro</span></a><span style="font-weight: 400;">. E nesse registro de estreia isso é muito claro: uma bateria mais simplista, </span><i><span style="font-weight: 400;">riffs</span></i><span style="font-weight: 400;"> de guitarra isolados e contínuos que dão espaço para o teclado e os sintetizadores fazerem as pontes entre os versos e até o uso de instrumentos mais lúdicos como o xilofone. Tudo isso, adicionado à voz pouco convencional de Joe Newman, que às vezes se arrisca nas capelas e nos arpejos, se prova uma ótima mistura, que fez com que a banda, que a princípio nem queria fazer tanto barulho, ecoasse no início da década passada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E por mais simples que pareça, é a partir disso que o grupo mostra sua versatilidade ao passear por vertentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> como o </span><i><span style="font-weight: 400;">electro indie</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop folk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a psicodelia baseados nessa configuração nada ortodoxa, e ainda sim, imprimir seu DNA na obra. Momentos mais carregados e enérgicos, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Fitzpleasure </span></i><span style="font-weight: 400;">e sua linha de baixo estridente de Gwil Sainsbury </span><span style="font-weight: 400;">—</span><span style="font-weight: 400;"> que </span><a href="https://monkeybuzz.com.br/novidades/gwil-sainsbury-baixista-de-alt-j-deixa-a-banda/"><span style="font-weight: 400;">deixou a banda</span></a><span style="font-weight: 400;"> dois anos depois </span><span style="font-weight: 400;">—,</span><span style="font-weight: 400;"> conseguem viver em consonância com passagens mais doces, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ms</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou melodias mais alegres, caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dissolve Me</span></i><span style="font-weight: 400;">. E todas elas cabem muito bem no conjunto da obra, podendo até mesclar suas características vez ou outra.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="alt-J (∆) - Fitzpleasure (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/npvNPORFXpc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">As letras também são outro ponto alto do disco. Por mais que as composições  superficialmente apresentem temáticas até simples, que não fogem muitos dos términos de relacionamentos e que vez ou outra abrem brechas para assuntos mais sérios, como suicídio, a escrita desenvolve camadas. E a forma como essas esferas são tratadas demonstram um certo surrealismo, que fonética e melodicamente funciona muito bem. Outro ponto das letras desembocam para o lado mais </span><i><span style="font-weight: 400;">nerd</span></i><span style="font-weight: 400;"> da banda. Além de todo o simbolismo, o álbum é recheado de referências, começando com próprio nome do disco, que remete a uma passagem de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Dl_mVNsASfg&amp;t=41s"><i><span style="font-weight: 400;">Psicopata Americano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Já </span><i><span style="font-weight: 400;">Breezeblocks </span></i><span style="font-weight: 400;">faz homenagem a literatura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Onde Vivem os Monstros</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q06wFUi5OM8"><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é baseada na personagem do filme de Luc Besson, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Profissional </span></i><span style="font-weight: 400;">(1994).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliás, essas duas músicas são a prova de como o som do grupo em seu </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;"> envelheceu como vinho. A súplica enérgica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rVeMiVU77wo"><i><span style="font-weight: 400;">Breezeblocks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> faz dobradinha com </span><i><span style="font-weight: 400;">Fitzpleasure </span></i><span style="font-weight: 400;">e as duas volta e meia retornam como trilha sonora de alguma </span><i><span style="font-weight: 400;">trend </span></i><span style="font-weight: 400;">no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;">. Já a poesia travestida de referência de uma obra noventista deu o ar da graça recentemente </span><span style="font-weight: 400;">—</span><span style="font-weight: 400;"> também fazendo dobradinha com a envolvente e um pouco menos conhecida </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloodflood</span></i> <span style="font-weight: 400;">— </span><span style="font-weight: 400;">na trilha internacional de </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-de-mae-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Amor de Mãe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas até as que não figuraram no radar do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, caso da triangular </span><i><span style="font-weight: 400;">Tessellate </span></i><span style="font-weight: 400;">e da singela e tocante faixa sobre a fotógrafa de guerra </span><a href="https://iphotochannel.com.br/gerda-taro-a-mulher-por-tras-de-robert-capa/"><span style="font-weight: 400;">Gerda Taro</span></a><span style="font-weight: 400;">, obtiveram sucesso no cruel teste do tempo e não se dataram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso se dá por já naquela época a banda ser desprendida de qualquer tipo de rótulo imposto, o que fez o álbum se destacar na imensidão quase que homogênea do </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> britânico dos anos 2010. Som mais limpo, sonoridade mais intimista, uma identidade que mora em um limbo entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">de garagem e o </span><i><span style="font-weight: 400;">indie pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, músicas carregadas de significado. Tudo isso está presente no alt-J e ditou certo movimento nessa vertente, que foi seguido por nomes que vão de </span><a href="https://open.spotify.com/artist/3pTE9iaJTkWns3mxpNQlJV?si=U9Rq598tSH6MYLGB774MBQ"><span style="font-weight: 400;">Bombay Bicycle Club</span></a><span style="font-weight: 400;"> à </span><a href="https://open.spotify.com/artist/3iOvXCl6edW5Um0fXEBRXy?si=AatgERFxQ-quQbca2bAcFQ"><span style="font-weight: 400;">The xx</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo.</span></p>
<p><figure id="attachment_27688" aria-describedby="caption-attachment-27688" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27688 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-3.jpg" alt="Foto de um dos show da banda. Nela, o vocalista Joe Newman aparece centralizado. Ele veste uma camiseta preta e calça preta. Joe segura uma guitarra aparentemente com tampo de madeira e um detalhe em branco. Há um pedestal com um microfone bem a sua frente e o palco está com uma iluminação roxa enquanto alguns holofotes na cor branca estão dispostos no fundo." width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-27688" class="wp-caption-text">O álbum é um exercício de simbologia (e de como usá-la) [Foto: NYTimes]</figcaption></figure><i><span style="font-weight: 400;">An Awesome Wave</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma entropia de estilos, que incrivelmente se organizam em uma obra coesa em sua própria bagunça, sem precisar gastar tanta energia para isso. Aqui, a banda cria seu próprio oceano e navegar por ele, é uma experiência única a cada </span><i><span style="font-weight: 400;">play</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como o próprio ex-baixista define, é </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yjRiQKuF30o"><i><span style="font-weight: 400;">definitivamente um álbum e não uma coleção de músicas</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">e por mais diferentes que as faixas possam soar entre si, esse exercício por parte da banda de transformar tudo em uma só obra pode ser notado. Definitivamente é o ápice do grupo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo o ponto alto de suas carreiras, é lógico e natural definir os trabalhos posteriores como o começo de uma queda, e isso é real. A forte pressão da indústria e o sucesso de <em>An Awesome Wave</em> trouxe para o grupo fez com que as obras seguintes fossem reféns da expectativa alcançada, e consequentemente não desempenhassem tão bem em público e crítica. Por isso, o aguardo para o último álbum voltar às origens, na esperança de um alt-J que não ficasse mais preso dentro de suas próprias formas geométricas; cujo seu único objetivo, assim como no primeiro registro, seja apenas fazer Música e não ser parte dela.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: An Awesome Wave" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/2AxfZb5aQHIXgsB1HA6OLL?si=rWk0iuZ9SUWv0SCCHxJHaw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/alt-j-an-awesome-wave-10-anos/">Uma década depois, ainda é uma delícia se afogar em An Awesome Wave</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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