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	<title>Arquivos Joaquin Phoenix &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>25 anos de Gladiador: Quando o Cinema reviveu Roma e nos lembrou que até impérios podem sangrar</title>
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		<pubDate>Thu, 22 May 2025 23:58:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcos Henrique Sabe quando tomamos uma decisão que, à primeira vista, parecia extremamente difícil, mas que, depois de feita, começa a se mostrar a escolha óbvia e certa? Essa é a história de Ridley Scott com o roteiro de Gladiador (2000), filme que marcou a virada do século com o retorno do gênero épico aos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gladiador-25-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos de Gladiador: Quando o Cinema reviveu Roma e nos lembrou que até impérios podem sangrar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35274" aria-describedby="caption-attachment-35274" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-35274 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/movie-gladiator-wallpaper-preview.jpg" alt="Cena do filme Gladiador.Na imagem, o personagem Maximus aparece de costas, do lado direito da imagem, caminhando pelos campos dourados em direção à sua família, que o aguarda ao fundo da imagem. Ele veste sua armadura de gladiador e está nos Campos Elíseos, representando sua passagem para o pós-vida. Máximus é um homem adulto, de pele branca e cabelos pretos. " width="728" height="410" /><figcaption id="caption-attachment-35274" class="wp-caption-text">“O que fazemos em vida ecoa na eternidade” (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Marcos Henrique</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabe quando tomamos uma decisão que, à primeira vista, parecia extremamente difícil, mas que, depois de feita, começa a se mostrar a escolha óbvia e certa? Essa é a história de Ridley Scott com o </span><a href="https://www.curioteca.com.br/2022/05/20-curiosidades-sobre-o-filme-gladiador-2000.html#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2000), filme que marcou a virada do século com o retorno do gênero épico aos cinemas e nos apresentou a poética e grandiosa jornada de Maximus Decimus Meridius (Russell Crowe).</span><span id="more-35272"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A princípio, o diretor não aprovou a ideia de dirigir a produção, pois estava focado em trabalhar nas sequências de outras franquias, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/alien-romulus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Alien</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/blade-runner-2049-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, em uma visita a Roma, ao vislumbrar a arquitetura da cidade e as pinturas de gladiadores em combate, sua decisão tomou um rumo diferente. Após este contato profundo com a cultura greco-romana, Ridley Scott aceitou fazer o longa.</span></p>
<figure id="attachment_35275" aria-describedby="caption-attachment-35275" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-35275" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/on-the-set-of-gladiator-behind-the-scenes-2000-v0-mda1dlmqfg9a1.png" alt="Cena de bastidores do filme GladiadorNa imagem, Russell Crowe, caracterizado como Maximus com roupas sujas e ferimentos cenográficos no ombro, conversa e sorri com o diretor Ridley Scott nos bastidores do filme. Scott, um homem mais velho de barba branca e boné vermelho, gesticula com as mãos enquanto fala. A cena se passa em um set ao ar livre, com figurantes ao fundo. " width="640" height="359" /><figcaption id="caption-attachment-35275" class="wp-caption-text">Ridley Scott e Russell Crowe, embora discutissem constantemente nos bastidores, formaram uma das parcerias mais marcantes do Cinema (Foto: Variety)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">25 anos após o lançamento, ainda podemos nos emocionar com a história do escravo que desafiou um império. </span><i>Gladiador </i><span style="font-weight: 400;">nos conta a jornada de Maximus, o maior general de Roma e braço direito de </span><a href="https://estoicismopratico.com/blog/quem-foi-marco-aurelio-o-imperador-filosofo"><span style="font-weight: 400;">Marco Aurélio</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Richard Harris), o imperador da época. Ao longo das conquistas do império, o general se tornou uma figura extremamente importante e essencial para a glória da cidade, o que o tornou o sucessor perfeito para o trono. Porém, </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/historia-quem-foi-o-imperador-comodo-filho-de-marco-aurelio.phtml"><span style="font-weight: 400;">Cômodo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Joaquin Phoenix), filho do imperador e herdeiro do trono, não aceita o desprezo do próprio pai e o assassina a sangue frio, assumindo o título de imperador e ordenando a execução de Maximus e sua família. Mas ele sobrevive e, após ver sua família morta, passa o resto de seus dias em busca de vingança.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A direção de Ridley Scott, somado à fotografia de John Mathieson e o impecável design de produção liderado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jE9Iajvm0vo"><span style="font-weight: 400;">Arthur Max</span></a><span style="font-weight: 400;">, remontam a Roma Antiga até nos mínimos detalhes, desde os figurinos ornamentados até a grandiosidade do Coliseu. Uma curiosidade interessante é a de que não foi permitido fazer as gravações na capital da Itália, onde o enredo se passa. Por isso, a produção decidiu explorar outras extensões do </span><a href="https://rotunnocidadania.com.br/blog/imperio-romano/"><span style="font-weight: 400;">Império Romano</span></a><span style="font-weight: 400;"> antes de sua queda. Um bom exemplo foi a réplica do anfiteatro erguida em Malta, feita de madeira compensada e gesso. A fotografia retrata uma Roma grandiosa e transmite, de forma assertiva, a aura do império tal como ele era imaginado. No entanto, em termos históricos, a narrativa não compactua com a realidade e se permite contar uma jornada original, com personagens que nem sequer existiram na vida real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Historiadores de todo o mundo criticam o filme pela péssima precisão histórica. Entretanto, esquecem que </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, acima de tudo, uma obra de ficção, sem compromisso com a realidade, o que não o diminui como Arte. Não se trata de um livro de história ou de um documentário sobre a Roma Antiga, mas de uma jornada de vingança, que busca envolver o público por meio de personagens fortemente inspirados em grandes figuras romanas. O protagonista, por exemplo, foi inspirado em </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/287178-gladiador-filme-iconico-anos-2000-baseado-historia-real.htm"><span style="font-weight: 400;">Narciso</span></a><span style="font-weight: 400;">, um atleta romano historicamente conhecido por ter matado o imperador Cômodo em 192 d.C.</span></p>
<figure id="attachment_35277" aria-describedby="caption-attachment-35277" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35277" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/469263991_1083871893219296_7276898956452254921_n-800x568.jpg" alt=" Cena do filme Gladiador. Na imagem, o imperador Cômodo, interpretado por Joaquin Phoenix, encara o gladiador Maximus dentro da arena. Cômodo veste uma armadura negra ornamentada com detalhes dourados e pratas, com uma coroa de louros, enquanto Máximus usa uma armadura prateada danificada e está ferido. Ao fundo, guardas romanos armados com escudos observam a cena. Phoenix é um homem branco, jovem e de cabelos pretos. " width="800" height="568" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/469263991_1083871893219296_7276898956452254921_n-800x568.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/469263991_1083871893219296_7276898956452254921_n-1024x727.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/469263991_1083871893219296_7276898956452254921_n-768x545.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/469263991_1083871893219296_7276898956452254921_n.jpg 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35277" class="wp-caption-text">Mais de 10.000 trajes foram criados pela equipe de figurino para vestir o elenco e os figurantes (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/o-exorcismo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Russell Crowe</span></a><span style="font-weight: 400;">, no papel de Maximus, entrega um dos melhores trabalhos de sua carreira. O roteiro é ótimo ao nos fazer simpatizar com a causa do personagem, mas é Crowe quem nos conquista a cada olhar e fala. Fazia apenas quatro meses que o ator havia ganhado 40 kg para seu papel no filme “</span><i><span style="font-weight: 400;">O</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Informante” (1999)</span></i><span style="font-weight: 400;">. E foi preciso que ele perdesse todo esse peso para interpretar Maximus. Seu personagem é cheio de pérolas de sabedoria, incluindo frases de Marco Aurélio, que, além de imperador, foi um grande pensador romano.</span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Joaquin Phoenix</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Cômodo, é nojento e assustador. O ator encarna um personagem oposto ao protagonista, é possível notar pela própria </span><a href="https://signsalad.com/our-thoughts/what-is-semiotics/"><span style="font-weight: 400;">semiótica</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos figurinos: Maximus, no início do filme, usa vestes em tons avermelhados, enquanto Cômodo está sempre com cores mais frias, como o azul. O personagem é um retrato da ambição, inveja e ganância, remetendo a vários outros tiranos que o mundo já conheceu. O ator, como já fez muitas vezes em sua carreira, quase desistiu de seu papel no filme, mas Ridley Scott </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/gladiador-joaquin-phoenix-tentou-largar-filme-relembra-diretor/#:~:text=De%20acordo%20com%20o%20diretor,%2C%20'Isso%20%C3%A9%20extremamente%20anti%C3%A9tico."><span style="font-weight: 400;">não permitiu</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o convenceu a continuar no projeto.</span></p>
<figure id="attachment_35278" aria-describedby="caption-attachment-35278" style="width: 468px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35278" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/gladiator-4.jpg" alt=" Cena do filme Gladiador. Na imagem, Maximus está em uma arena romana, sob a luz intensa do sol. Ele está ao centro da imagem, gritando com expressão de fúria. Enquanto segura uma espada na mão direita e mantém o braço esquerdo estendido em desafio. Usa uma armadura de couro escura e está cercado pela grandiosidade da arena. " width="468" height="286" /><figcaption id="caption-attachment-35278" class="wp-caption-text">“Vocês não estão entretidos?!” (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem uma carga política relevante até os dias de hoje. A famosa estratégia do </span><a href="https://dicas.vestibulares.com.br/politica-do-pao-e-circo/"><span style="font-weight: 400;">“pão e circo”</span></a><span style="font-weight: 400;">, usada em Roma como forma de manipular as massas, é explorada na obra com um subtexto bem interessante. O circo ganha vida no Coliseu, com as batalhas entre gladiadores, onde os romanos esquecem os abusos do império ao se entreterem com o sangue derramado na arena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cidade sempre foi fascinada por essa brutalidade, isso se reflete não apenas em seu circo, mas também em sua própria </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-antiga/imperio-romano.htm"><span style="font-weight: 400;">história</span></a><span style="font-weight: 400;">. Roma é fruto dessa violência, e é nisso que eles acreditam. O próprio Senado, embora lute pela queda do Império, entende que o verdadeiro coração pulsante da cidade nunca foi o mármore de seus palácios, mas sim a areia do Coliseu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Maximus, guiado pelo ódio e pelo desejo de vingança, torna-se a principal atração deste espetáculo romano, sendo peça fundamental em estratégias políticas. No entanto, o general não se limita ao puro ódio, pois se lembra de um sonho, tão frágil que apenas poderia ser sussurrado. O sonho de uma Roma livre do império, uma </span><a href="https://www.scielo.br/j/topoi/a/NGKCsSP96cXgKmmfWSrDQpB/"><span style="font-weight: 400;">república</span></a><span style="font-weight: 400;"> próspera e justa. Esse era o ideal de Marco Aurélio, e cabia a Máximus, com os dias que lhe restavam, a missão de realizá-lo.</span></p>
<figure id="attachment_35279" aria-describedby="caption-attachment-35279" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35279" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/derek-jaocobi-gladiator-673f71d92f5e1-800x600.jpg" alt="Cena do filme Gladiador.Na imagem, dois senadores romanos, Gracco e Falco, observam atentamente uma batalha na arena. Ambos usam túnicas brancas e acessórios dourados, como pulseiras e anéis. Gracco (à esquerda), de pele branca e cabelos grisalhos, transmite seriedade; Falco (à direita), um homem pardo de meia-idade com cabelos pretos, parece mais contido. Ao fundo, o Coliseu aparece cheio, sob a luz do dia. " width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/derek-jaocobi-gladiator-673f71d92f5e1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/derek-jaocobi-gladiator-673f71d92f5e1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/derek-jaocobi-gladiator-673f71d92f5e1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/derek-jaocobi-gladiator-673f71d92f5e1.jpg 1086w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35279" class="wp-caption-text">“O coração batendo de Roma não é o mármore do Senado, é a areia do Coliseu. Ele vai trazê-los a morte, e eles vão amá-lo por isso” (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, a icônica cena em que o gladiador pergunta ao público se eles estão entretidos marca o momento em que o personagem entende a posição em que está e como pode usá-la para alertar Roma sobre sua distração. Uma cena curiosa, que parece flertar com a ideia de quebrar a quarta parede e nos fazer perguntar: será que o filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i><span style="font-weight: 400;">, enquanto grande obra do entretenimento atual, também faz parte dessa política e tenta nos alertar de que o </span><a href="https://estuda.com/arte-ou-entretenimento-o-cinema-como-uma-ferramenta-cultural/#:~:text=Assim%2C%20podemos%20dizer%20perfeitamente%20que,%C3%A9%20oferecer%20lazer%20%C3%A0s%20pessoas."><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, principalmente </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiano</span></i><span style="font-weight: 400;">, pode ser um mecanismo de controle que nos distrai das questões importantes?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hollywood vem, há quase 100 anos, dominando o </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> do audiovisual e ocupando todas as salas de cinema em diversos países. Muitas de suas produções seguem um padrão que parece buscar, acima de tudo, a maior bilheteria possível. Trata-se de um Cinema que, pouco a pouco, perde sua expressão e autenticidade, preso a objetivos puramente comerciais que sufocam </span><a href="https://www.em.com.br/emfoco/2025/03/08/cinema-independente-vs-hollywood-saiba-como-filmes-independentes-estao-conquistando-grandes-premios/"><span style="font-weight: 400;">produções independentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e controlam um público que, de sessão em sessão, busca cegamente por ‘entretenimento’. </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador </span></i><span style="font-weight: 400;">faz parte do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Hollywood, mas o utiliza de forma inteligente, tal como Maximus usou a ferramenta de controle do império como arma de destruição do mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é que o filme</span> <span style="font-weight: 400;">se consolidou como um marco na história do Cinema, conquistando cinco estatuetas no</span> <a href="https://www.oscars.org/oscars/ceremonies/2001/memorable-moments"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: Melhor Filme, Melhor Figurino, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Som e Melhor Ator para Russell Crowe. Além disso, gerou um movimento apelidado de “efeito </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador”,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que aumentou as vendas de livros sobre a Roma antiga e pavimentou o caminho para que filmes como </span><i><span style="font-weight: 400;">Tróia (2004), Rei Arthur (2004), 300 (2006)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e outros épicos pudessem surgir. </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma obra grandiosa, emocionante e sensível, um épico cujos ensinamentos ainda ressoam e continuarão a ecoar pela eternidade.</span></p>
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		<title>Coringa: Delírio a Dois foi o fiasco que o primeiro filme não merecia</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jan 2025 17:52:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Lucas Barbosa Cinco anos após o primeiro filme, Coringa: Delírio a dois não correspondeu às altíssimas expectativas que pesavam sobre o longa-metragem que carrega a continuação da história problemática e exotérica de um dos maiores seres vilanescos do universo dos quadrinhos. Sendo a sombra de uma das melhores películas de 2019, garantindo até Oscar de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/coringa-delirio-a-dois-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Coringa: Delírio a Dois foi o fiasco que o primeiro filme não merecia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34749" aria-describedby="caption-attachment-34749" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34749" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Coringa-1-800x360.png" alt="Cena do filme Coringa: Delírio a dois. Joaquim Phoenix, que interpreta Coringa, é um homem branco, com cabelo de cor verde, e maquiagem de palhaço e veste um terno vermelho Ele está ao lado de Lady Gaga, que interpreta Haarlem Quinzel Ela é uma mulher branca, de pele clara, cabelos loiros e um vestido colorido, os dois estão com uma perna levantada cada, aparentemente dançando." width="800" height="360" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Coringa-1-800x360.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Coringa-1-768x345.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Coringa-1.png 987w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34749" class="wp-caption-text">O corte de algumas cenas da versão final gerou descontentamento dos fãs (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Lucas Barbosa</b></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cinco</span></a><span style="font-weight: 400;"> anos após o primeiro filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa: Delírio a dois</span></i><span style="font-weight: 400;"> não correspondeu às altíssimas expectativas que pesavam sobre o longa-metragem que carrega a continuação da história problemática e exotérica de um dos maiores seres vilanescos do universo dos quadrinhos. Sendo a sombra de uma das melhores películas de 2019, garantindo até </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de melhor Ator para o </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar-2021/joaquin-phoenix-melhor-ator-coringa"><span style="font-weight: 400;">Joaquim Phoenix</span></a><span style="font-weight: 400;">, a continuação deixou lacunas mal resolvidas, questionamentos desnecessários sobre a história e aquele velho pensamento se uma continuação de uma obra amplamente premiada é realmente necessária.</span></p>
<p><span id="more-34746"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro do longa, a continuação é historicamente correta. Arthur Fleck (Joaquim Phoenix) está preso dentro do Asilo Arkham, esperando seu julgamento que o sentenciará a morte. Com o desenrolar da história, acaba conhecendo dentro do asilo a personagem interpretada pela <a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/lady-gaga-como-harley-quinn-em-filme-popstar-ou-vila">Lady Gaga</a>, Harleen Lee Quinzel, que é completamente apaixonada pelo protagonista, e assim a história se desenrola entre o amor dos dois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um destaque positivo é a Fotografia, </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/coringa-2-e-um-filme-bastante-arriscado-e-surpreendente-segundo-diretor-de-fotografia/"><span style="font-weight: 400;">Lawrence Sher </span></a><span style="font-weight: 400;">novamente deixa o ar </span><i><span style="font-weight: 400;">noir </span></i><span style="font-weight: 400;">de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">Gotham City</span></i><span style="font-weight: 400;"> devastada pela violência e desigualdade social, que era um ponto positivo do primeiro filme, e consegue ser primoroso nas cenas que Coringa e a Harleen estavam em evidência. A trilha sonora também merece elogios. As canções interpretadas pelos protagonistas e as trilhas, feitas pela compositora Hildur Guðnadóttir, complementam e aliviam a tensão de toda a jornada do casal do filme.</span></p>
<figure id="attachment_34748" aria-describedby="caption-attachment-34748" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34748" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-3-800x360.jpg" alt="Joaquin Phoenix está vestido como o Coringa. Ele está sentado em frente a uma mesa dentro de um tribunal, atrás dele está o público que assiste a audiência." width="800" height="360" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-3-800x360.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-3-1024x460.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-3-768x345.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-3-1200x540.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-3.jpg 1210w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34748" class="wp-caption-text">Todd Phillips queria distanciar o Coringa do atributo de herói no segundo filme (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Gaga e Joaquim Phoenix tentam ao máximo trazer bons momentos de atuação dentro do filme, até mesmo nas sequências de musical, onde conseguem explorar de uma ótima forma a história de amor e loucura dos dois personagens. Entretanto, mesmo com todas as qualidades dos atores, o roteiro fica apenas rodeando entre o psicótico amor entre os dois e deixa de explorar outros bons personagens que o filme introduz, como o </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/quem-e-harvey-dent-personagem-que-aparece-em-coringa-2-e-batman/"><span style="font-weight: 400;">Harvey Dent</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Harry Lawtey) – o Duas Caras –, que é utilizado apenas nas cenas do julgamento do Arthur e poderia ter mais tempo de tela, mesmo em contato com o Coringa. Outra ótima atuação é de Catherine Keener, interpretando a advogada </span><span style="font-weight: 400;">Maryanne Stewart que, acima de tudo, tentou, minimamente, dar humanidade ao protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com a sequência da fuga do julgamento, que foi a melhor, os momentos finais deixam não apenas um sentimento de dúvida para quem assiste, como também criam uma sensação de desconexão entre as cenas desse longa e do primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i><span style="font-weight: 400;">, que é aflorado ainda com os últimos momentos do filme. É até possível distinguir em algumas partes se é Arthur ou seu alter-ego falando, entretanto, quando discorre o relacionamento com a Harleen e a percepção de que, mesmo com o julgamento, o seu futuro já está praticamente decretado, o real e a ilusão da personalidade do </span><a href="https://artmed.com.br/artigos/coringa-o-que-a-psiquiatria-tem-a-dizer-sobre-a-saude-mental-do-personagem"><span style="font-weight: 400;">protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> entram em conflito. </span></p>
<p><a href="https://br.ign.com/coringa-2/130945/news/ninguem-liga-mais-para-o-arthur-todd-phillips-explica-grande-final-de-coringa-delirio-a-dois-e-desmo"><span style="font-weight: 400;">Todd Phillips</span></a><span style="font-weight: 400;">, em Outubro de 2024, deu uma declaração dizendo que Arthur Fleck nunca foi realmente o Coringa, ele era apenas um ícone involuntário que não queria mais toda aquela farsa, e esse é um problema que o roteiro não consegue sustentar por completo, principalmente quando o relacionamento do Arthur e da Harleen começa. A força dele é o desejo de Lee pelo vilão e, assim, o alter-ego do protagonista toma conta durante certo tempo. A cena da demissão da advogada é o ápice da imprevisibilidade e insanidade do protagonista, e no momento que ela vai embora do tribunal, é quando a personalidade do Arthur retorna, se tornando um personagem fraco, solitário e dependente de qualquer tipo de amor.</span></p>
<figure id="attachment_34747" aria-describedby="caption-attachment-34747" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34747" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-2-800x533.jpg" alt="O Coringa está atrás de uma cela, encostando nariz com nariz Haarlem Quinzel." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-2.jpg 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34747" class="wp-caption-text">“Eu vou te dizer o que mudou, eu não estou mais sozinho.” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Arthur Fleck se mistura com o seu alter ego psicótico em certos momentos do filme, onde a solidão e a ruptura dos valores morais e sociais entram em colapso. O Coringa está isolado mesmo com o apoio da multidão e Arthur é solitário pelas suas próprias dificuldades que o seu próprio universo impõe. Quando ocorre essas misturas, é exatamente o momento que as necessidades emocionais dele são supridas, e as loucuras do Coringa são exploradas. O amor por Harleen aflora o </span><a href="https://ipqhc.org.br/2024/10/01/delirio-a-dois-sindrome-que-da-nome-ao-filme-do-coringa-existe-na-vida-real/"><span style="font-weight: 400;">delírio</span></a><span style="font-weight: 400;"> dele, e os diálogos com a Dra. Stewart, tentam explorar a humanidade e as fraquezas do réu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme chegou às plataformas de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/coringa-2-onde-assitir-filme-completo-internet-max-"><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> norte-americanas menos de um mês depois  de sair dos cinemas. A estimativa de prejuízo foi de US$ 200 milhões de dólares. As notas ruins nos sites de críticas e o destaque dentro do </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2025/01/21/framboesa-de-ouro-2025-coringa-2-madame-teia-megalopolis-reagan-e-borderlands-concorrem-como-piores-do-ano.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Framboesa de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, com simplesmente 7 indicações, deixam uma triste realidade. Infelizmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa: Delírio a dois</span></i><span style="font-weight: 400;"> não correspondeu às expectativas e, mesmo com decentes atuações de seu elenco, o roteiro frágil deixa diversas pontas soltas – que devem ser utilizadas para um </span><i><span style="font-weight: 400;">spin-off</span></i><span style="font-weight: 400;"> dentro deste universo – que nunca terão soluções. Dessa forma, se consagra o longa entre uma das mais fracas continuações do universo </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>5 anos atrás, Todd Phillips escavou a filmografia de Scorsese na construção do Coringa</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Dec 2024 18:15:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Ainda que o Cinema de blockbusters não esteja tão aberto a olhar para o audiovisual e sua história como matéria prima, isso é algo essencial na construção de um filme. George Lucas idealizou Star Wars (1977) a partir das obras de samurai japonesas do meio do século XX; Tim Burton se inspirou no &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/coringa-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos atrás, Todd Phillips escavou a filmografia de Scorsese na construção do Coringa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34593" aria-describedby="caption-attachment-34593" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34593" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Coringa-1.jpg" alt="No centro está o Coringa, com cabelos verdes, a cara pintada de branca, a boca pintada de vermelha, assim como a ponta no nariz. Os olhos estão pintados de azul e acima deles há um risco em vermelho. O personagem está com uma roupa vermelha e está de lado para a câmera, com um olhar de irritação." width="700" height="467" /><figcaption id="caption-attachment-34593" class="wp-caption-text">Joaquin Phoenix ganhou o Oscar de Melhor Ator por seu papel em Coringa (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que o Cinema de </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;"> não esteja tão aberto a olhar para o audiovisual e sua história como </span><a href="https://medium.com/calebelopes/o-cinema-sem-passado-9b5cc1968d00"><span style="font-weight: 400;">matéria prima</span></a><span style="font-weight: 400;">, isso é algo essencial na construção de um filme. </span><a href="https://canaltech.com.br/celebridade/george-lucas/"><span style="font-weight: 400;">George Lucas</span></a><span style="font-weight: 400;"> idealizou </span><a href="https://www.omelete.com.br/star-wars/star-wars-disney-remove-filme-2026"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1977)</span> <span style="font-weight: 400;">a partir das obras de samurai japonesas do meio do século XX; Tim Burton se inspirou no </span><a href="https://www.aicinema.com.br/expressionismo-alemao-movimentos-cinematograficos/"><span style="font-weight: 400;">expressionismo alemão</span></a><span style="font-weight: 400;"> para dar vida a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dgC9Q0uhX70"><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1989). Enquanto isso, na atualidade, as grandes franquias e as superproduções se sentem satisfeitas em apenas utilizar suas referências como um artifício de satisfação pessoal para o público que irá entender o significado, além de que, normalmente, eles se auto-referenciam, não explorando o que há de melhor na arte. Por sorte, Todd Phillips entendeu o quão rico pode ser vasculhar a história da linguagem e dialogar com ideias originais. Dessa forma, há cinco anos, ele escavou a filmografia de Martin Scorsese e construiu sua própria versão do </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa.</span></i></p>
<p><span id="more-34592"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O idealizador vai atrás de alguns dos longas mais intimistas de Scorsese: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7hnlueXFh7k"><i><span style="font-weight: 400;">Taxi Driver</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1976)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-o-rei-da-comedia/"><i><span style="font-weight: 400;">O Rei da Comédia</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1982). Obras que são protagonizadas por personagens problemáticos que surgem da violência, caos, opressão e isolamento das metrópoles. Nesse sentido, o diretor pensa em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LpYpn2Bx2Ug"><span style="font-weight: 400;">Gotham</span></a><span style="font-weight: 400;"> como uma Nova Iorque nas décadas de 1970 e 1980, e associa tais protagonistas com o Coringa, pois compreende o palhaço como um fruto desse meio urbano conturbado, assim como Travis Bickle (</span><i><span style="font-weight: 400;">Taxi Driver</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Rupert Pupkin (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Rei da Comédia</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se olharmos para as outras representações do personagem – </span><a href="https://ovicio.com.br/10-fatos-sobre-o-coringa-de-jack-nicholson/"><span style="font-weight: 400;">Jack Nicholson</span></a><span style="font-weight: 400;"> com toques de mafioso e o terrorista de </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2023/heath-ledger-historia-morte-precoce-batman-cavaleiro-das-trevas.html"><span style="font-weight: 400;">Heath Ledger</span></a><span style="font-weight: 400;">  –, vemos que existe um aspecto político por trás, mesmo que não esteja tão bem definido. Apesar de não ser um personagem politizado, existe uma essência crítica e ideológica em sua própria existência, especialmente por ser fruto do lixo de Gotham. A nova versão do vilão explora isso mais a fundo, centrada no ser e como ele se transforma em um símbolo da revolução e anarquia. O grito de violência de Arthur Fleck reverbera por toda cidade, que entende como um ato de rebeldia contra a burguesia local. Ainda que não fosse intencional, a reação popular mostra como qualquer ato de retaliação e sobrevivência é uma ação  política e revolucionária na Capital do Crime.</span></p>
<figure id="attachment_34594" aria-describedby="caption-attachment-34594" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34594" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/coringa-2-800x450.jpg" alt="No centro está o Coringa. Ele veste uma camisa laranja por dentro do terno vermelho e uma roupa verde por dentro da amarela. Ele está dentro de um elevador e com os olhos fechados." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/coringa-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/coringa-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/coringa-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/coringa-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/coringa-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/coringa-2.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34594" class="wp-caption-text">Coringa foi um dos filmes mais indicados ao Oscar de 2020, somando um total de 11 indicações (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode até parecer que o longa vai para um lado heroico do vilão, que se põe frente ao sistema corrupto e desumano, mas isso não poderia estar mais errado. Os assassinatos são frios e, ao mesmo tempo, ferozes, com muita graficidade e sanguinolência, o que lembra bastante alguns filmes de crime de Scorsese, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EJXDMwGWhoA"><i><span style="font-weight: 400;">Cassino</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1995)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2ilzidi_J8Q"><i><span style="font-weight: 400;">Os Bons Companheiros</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1990). Dessa maneira, o diretor nos lembra que estamos falando sobre o Palhaço do Crime, evitando o discurso moralista de vítima da sociedade e sempre buscando uma área cinzenta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">como um todo, vem seguindo essa linhagem mais complexa em seus filmes e séries do universo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rsQEor4y2hg"><span style="font-weight: 400;">Batman</span></a><span style="font-weight: 400;"> (ainda que </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa </span></i><span style="font-weight: 400;">não seja canônico). Os protagonistas têm uma natureza própria, como também são completamente influenciados pelo meio. Olhando para as últimas produções desse universo, é possível ver como o Coringa, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sfJG6IiA_s8"><span style="font-weight: 400;">Pinguim</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o Batman resolvem tudo na base da brutalidade, e isto está relacionado a barbaridade de Gotham. No entanto, eles se comportam de maneiras distintas, lidam com os seus problemas e com a violência de forma própria, pois existem diferenças gritantes em seus traços de personalidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/quentin-tarantino-exalta-coringa-delirio-a-dois-todd-phillips-e-o-verdadeiro-coringa,3c8d63834b0e4407a5545a5206fcd35bhb2kvrj2.html#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">Todd Phillips</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lPDbLJFumS8"><span style="font-weight: 400;">Scott Silver</span></a><span style="font-weight: 400;"> opta por inserir </span><a href="https://dcextendeduniverse.fandom.com/pt-br/wiki/Thomas_Wayne"><span style="font-weight: 400;">Thomas Wayne</span></a><span style="font-weight: 400;"> na história e faz isso de maneira interessante, colocá-lo como uma figura problemática e mantenedora da desordem e do caos, totalmente oposto do que os filmes do morcego costumam fazer. Ademais, ele é parte da loucura de Arthur, sendo um dos maiores responsáveis pela criação do Palhaço Assassino. Todavia, o patriarca da família Wayne também é uma vítima do protagonista, pois é perseguido, assim como sua família. Contudo, se a inserção de Thomas é bem feita, a de Bruce parece apenas uma exigência do estúdio para satisfazer a cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">nerd</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34596" aria-describedby="caption-attachment-34596" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34596" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/CORINGA-BANHEIRO-800x438.png" alt="No centro da imagem está o Coringa. Sua maquiagem está desbotada e seu nariz está sangrando. Ele veste uma camisa branca por dentro do colete amarelo. Ele usa uma gravata vinho com bege. Ele está em um banheiro sujo, com pichações na parede. Ele está com os braços abertos e os olhos fechados. Ele está dançando." width="800" height="438" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/CORINGA-BANHEIRO-800x438.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/CORINGA-BANHEIRO-768x420.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/CORINGA-BANHEIRO.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34596" class="wp-caption-text">Até o ano de 2024, Coringa era o filme de classificação +18 com maior bilheteria (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção visual da cidade, feita pelo cenografista </span><a href="https://www.indiewire.com/influencers/joker-production-designer-mark-friedberg/"><span style="font-weight: 400;">Mark Friedberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do fotógrafo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=th9pG9Q6Kuo"><span style="font-weight: 400;">Lawrence Sher</span></a><span style="font-weight: 400;">, são muito inspirados em </span><i><span style="font-weight: 400;">Taxi Driver </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EeU53zjYxIA"><i><span style="font-weight: 400;">After Hours</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1985)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">com tons acinzentados de dia, que ressaltam a sujeira e a poluição, e a escuridão da noite, com pontos de iluminação muito específicos e cores saturadas e desfocadas. Assim, a metrópole se transforma em um ambiente desolador, que aliena os cidadãos e torna um lugar permissivo para o surgimento de figuras exóticas, como o protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa marginalidade cênica que constitui o tema principal da obra: a violência urbana. É dentro dele que surgem </span><a href="https://arthurtuoto.com/2019/10/09/coringa/"><span style="font-weight: 400;">Coringas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esse em questão não é formado a partir de um evento único que vai mudá-lo para sempre, mas a partir de diversos traumas ao longo da vida, até encontrar, na violência, um modo de liberdade e, na barbárie e loucura, enxergar uma versão de si mesmo que ele não se envergonha, muito pelo contrário, se orgulha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa em si é muito musicado e dançante, o que serve cada vez mais para reforçar a excentricidade do protagonista. A cena que mais chama atenção nesse sentido, é a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Tl5zk46i0Bs"><span style="font-weight: 400;">dança na escada</span></a><span style="font-weight: 400;">, já vestido como o Palhaço do Crime, pronto para assumir de vez esse lado no programa do Murray. Portanto, é um filme que se passa, em grande parte, na mente de Arthur Fleck. De maneira parecida com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Rei da Comédia</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">nós não somos meros </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeurs</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sua jornada, pois não estamos vendo de uma visão privilegiada, mas sim, dentro de sua cabeça, acompanhando seus delírios de perto.</span></p>
<figure id="attachment_34597" aria-describedby="caption-attachment-34597" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34597" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/coringa-4.webp" alt="O cenário é de uma escada. Toda a imagem é bem acinzentada, contrastando com o Coringa no centro dela. Ele está com os braços para cima, dançando e fumando. Ele usa cores vibrantes." width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-34597" class="wp-caption-text">Martin Scorsese disse à BBC que considerou dirigir o filme (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VdfgiEQeceM"><span style="font-weight: 400;">dança no banheiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, combinada com a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8z5-Wum2enQ"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.instagram.com/hildur_gudnadottir/"><span style="font-weight: 400;">Hildur Guðnadóttir</span></a><span style="font-weight: 400;"> é fundamental na transição de Arthur Fleck para o Coringa. As notas são melódicas e tristes, evidenciando a transformação. No entanto, ao invés de idealizar o ato, elas transformam em algo triste. A interpretação de Joaquin Phoenix eleva a loucura de seu personagem, que dança de maneira leve e com um olhar vago, como se estivesse nas nuvens, porém, Lawrence Sher faz questão de mostrar onde ele realmente está: em um banheiro sujo de Gotham. No que seria o momento de glória de Arthur, a compositora faz questão de destacar a tragicidade, enquanto o fotógrafo se encarrega de ilustrar que o indivíduo é apenas mais uma criatura excêntrica, criada da podridão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um filme de personagem, é esperado que ele seja dependente da atuação do ator principal e é isso o que acontece. Os trejeitos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qiiWdTz_MNc"><span style="font-weight: 400;">Joaquin Phoenix</span></a><span style="font-weight: 400;"> são fundamentais para compreender a transição de Arthur Fleck para o Coringa. Apesar de ser muito inspirado em Rupert Pupkin de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Rei da Comédia</span></i><span style="font-weight: 400;">, Phoenix opta por uma atuação menos performática e mais expressiva. A loucura e a psicopatia são manifestadas por baixo de uma fisionomia triste e cansada. No entanto, a cada assassinato, a melancolia vai dando espaço para traços que estavam inicialmente escondidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das qualidades, o longa sofreu com o seu legado. Parecido com o que aconteceu com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bWZbMjq8rOA"><i><span style="font-weight: 400;">Tropa de Elite</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2007), </span><a href="https://sampi.net.br/piracicaba/noticias/2862759/artigos/2024/10/coringa-nosso-capitao-nascimento-de-maquiagem"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">foi compreendido por muitas pessoas como uma idealização do vilão. Sempre existiu um caráter anarquista e anti-sistêmico no personagem, mas depois da obra de Todd Phillips, os chamados </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-58300599"><i><span style="font-weight: 400;">incels</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> o alçaram à condição de </span><a href="https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/psicologa-forense-traca-perfil-de-homem-bomba-queria-ser-o-coringa"><span style="font-weight: 400;">herói</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos oprimidos. Nesse contexto, o diretor decidiu fazer um segundo filme para explicar o primeiro e </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/como-o-coringa-se-tornou-erroneamente-um-simbolo-reacionario"><span style="font-weight: 400;">desmistificar</span></a><span style="font-weight: 400;"> o personagem central, assim como fez José Padilha com o Capitão Nascimento.</span></p>
<figure id="attachment_34598" aria-describedby="caption-attachment-34598" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/1682141-800x450.webp" alt="O Coringa está a direita da tela, se olhando no espelho. No espelho está escrito em vermelho a frase “Put on a happy face”." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/1682141-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/1682141-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/1682141-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/1682141-1200x675.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/1682141.webp 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34598" class="wp-caption-text">Em contraste com o primeiro filme, a sequência não fez muito sucesso de bilheteria (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As polêmicas acerca da obra não são atoa, afinal, </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i><span style="font-weight: 400;"> é muito inspirado no Cinema de </span><a href="https://uruatapera.com/o-cinema-de-martin-scorsese/"><span style="font-weight: 400;">Martin Scorsese</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor que, até hoje, é reconhecido por sua filmografia controversa. Todavia, a película não é apenas o que os </span><i><span style="font-weight: 400;">incels </span></i><span style="font-weight: 400;">enxergam nela, existe muito valor, principalmente por não ter medo de suas discordâncias. A fita consegue se aprofundar na essência de um personagem que era tratado como um vilão caótico, mas que agora, começa a ganhar outras roupagens. As análises acerca do Coringa, vão além da interpretação de Joaquin Phoenix, chegando ao de Heath Ledger e Jack Nicholson. Todd Phillips, não apenas bebe de fontes diferentes do que os filmes de heróis da atualidade, como também escolhe um caminho mais interessante, nos presenteando com um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">preocupado com a sua forma.</span></p>
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		<title>Mesmo que se passem 10 anos, sempre haverá um pedaço dEla em você</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Oct 2023 18:35:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Leticia Stradiotto Estamos cansados de saber sobre o avanço da influência artificial e seus impactos na realidade cotidiana – não soa incomum se apaixonar por alguém que conhecemos através de uma tela virtual. Por mais que pareça a um primeiro olhar, o filme Ela não foca na evolução tecnológica e seus efeitos nas interações humanas. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/her-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mesmo que se passem 10 anos, sempre haverá um pedaço dEla em você"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_31646" aria-describedby="caption-attachment-31646" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31646" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-800x432.jpeg" alt="Cena do filme Ela. Ao fundo da imagem existem prédios com janelas e algumas luzes acesas, está de noite. No canto direito, tem uma mulher com vestido preto e sapatilha preta, com um cone laranja de trânsito na cabeça. Em sua frente tem um homem de roupa social marrom, com calça preta e sapato preto, também está com um cone laranja de trânsito na cabeça. Ambos estão no meio de uma rua vazia." width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-800x432.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-1024x553.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-768x414.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-1536x829.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-1200x648.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1.jpeg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31646" class="wp-caption-text">“Ás vezes eu olho para as pessoas e tento senti-las [&#8230;], imagino o quão profundamente elas se apaixonaram ou por quanto sofrimento elas passaram” (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure><b>Leticia Stradiotto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos cansados de saber sobre o </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/261353-ha-10-anos-her-imagivana-futuro-ia-cada-vez-real.htm"><span style="font-weight: 400;">avanço da influência artificial</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus impactos na realidade cotidiana – não soa incomum se apaixonar por alguém que conhecemos através de uma tela virtual. Por mais que pareça a um primeiro olhar, o filme </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hX09Kz7BAlU"><i><span style="font-weight: 400;">Ela</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não foca na evolução tecnológica e seus efeitos nas interações humanas. De fato, o diretor </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/her-joaquin-phoenix-e-a-ideia-maluca-de-spike-jonze"><span style="font-weight: 400;">Spike Jonze</span></a><span style="font-weight: 400;"> deu vida a um romance entre humanos e máquinas, mas ao finalizar a experiência da obra, é possível notar que esse não é o seu tema principal. </span><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) nada mais é do que um retrato subjetivo da solidão, sentimento esse compartilhado por todo e qualquer ser humano.</span></p>
<p><span id="more-31641"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando 10 anos de lançamento em 2023, o longa que levou o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Roteiro Original em 2014 cutuca aquela ferida dolorosa que, por algum motivo, não consegue cicatrizar: a ausência daquilo que ainda permanece. O enredo se ampara na história do personagem Theodore (Joaquin Phoenix, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), um homem solitário que vive em uma Los Angeles futurista, está na casa dos 40 e lida com a tristeza ocasionada pelo seu divórcio. O emprego de Theo, por si só, também é uma sátira à sua realidade. Ele escreve cartas manuscritas para clientes que desejam enviar mensagens à pessoa amada; assim, fica claro que a sociedade desaprende a se relacionar de forma </span><a href="https://newronio.espm.br/a-nostalgia-futurista-de-her/"><span style="font-weight: 400;">espontânea</span></a><span style="font-weight: 400;">. Logo, a solidão ganha espaço na vida do protagonista quando as suas necessidades não são mais atendidas pela quantidade e qualidade das relações sociais dentro de seu convívio.</span></p>
<figure id="attachment_31645" aria-describedby="caption-attachment-31645" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31645" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-800x420.jpg" alt="Cena do filme Ela. Ao fundo existem vários prédios com luzes acesas, está de noite. A frente está o personagem principal, Theodore, um homem branco de óculos, cabelo marrom e bigode, ele veste uma blusa social vermelha e está olhando para um monitor de computador branco que ilustra uma tela vermelha operando. Essa tela é o sistema operacional, Samantha. O computador está em cima de uma mesa de escritório marrom com vários papéis bagunçados e canetas." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31645" class="wp-caption-text">“É difícil, com certeza, mas existe algo tão bom em compartilhar sua vida com alguém” (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Claro, como seres humanos, precisamos de um ambiente social seguro para sobreviver. De maneira simples, após seu divórcio, Theodore se envolve emocionalmente com um sistema operacional chamado Samantha (com a voz de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2013/11/scarlett-johansson-recebe-premio-de-melhor-atriz-por-sua-voz-em-her.html"><span style="font-weight: 400;">Scarlett Johansson</span></a><span style="font-weight: 400;">), que tem a habilidade de desenvolver </span><a href="https://blog.hsm.com.br/o-que-o-filme-her-pode-nos-ensinar/"><span style="font-weight: 400;">personalidade e consciência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de acordo com seu tempo de uso. Essa inteligência artificial também experimenta o florescimento de emoções humanas. No entanto, ela tem a capacidade de se relacionar com milhares de indivíduos simultaneamente, o que amplia suas possibilidades de se apaixonar. Quando questionada sobre a quantidade de pessoas que ela ama, Samantha menciona que está ‘amando’ 641 pessoas ao mesmo tempo, incluindo Theo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A paleta de cores é um elemento visual fundamental que contribui significativamente para a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pnk06an1upg"><span style="font-weight: 400;">atmosfera e as emoções</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme. Com a predominância de cores quentes, mas também em tons pastéis, são evocadas sensações de conforto e familiaridade em meio a um </span><a href="https://virgula.me/tvecinema/spike-jonze-mistura-romantismo-e-modernidade-em-seu-novo-filme-her/"><span style="font-weight: 400;">cenário tecnologicamente avançado</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os ângulos da câmera realizados pelo diretor de fotografia  Hoyte van Hoytema também são escolhidos cuidadosamente para destacar a solidão de Theodore. Muitas vezes, ele é enquadrado no centro da tela, destacando mais ainda a dimensão de seu isolamento perante os outros personagens da trama.</span></p>
<figure id="attachment_31644" aria-describedby="caption-attachment-31644" style="width: 740px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31644" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her3.png" alt="Cena do filme Ela, em que o protagonista Theodore está olhando fixamente para frente, ele é um homem branco de cabelo marrom, bigode, olhos azuis e usa óculos redondos." width="740" height="401" /><figcaption id="caption-attachment-31644" class="wp-caption-text">A atmosfera imagética tem predominância de cores quentes, quase nunca utilizando o azul, o que garante proximidade dos sentimentos do personagem ao telespectador (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> martela um constante questionamento: o quão verdadeiramente estamos sozinhos? As pessoas deixam marcas em nós, quase como tatuagens emocionais que nunca desaparecem. Como ao fim em que Theo, em contrapartida com seu emprego de escrever mensagens de amor para desconhecidos, expressa em uma carta para sua ex-esposa Catherine (Rooney Mara, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Ghost Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;">): &#8220;</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dkGJRAFvw_Q"><i><span style="font-weight: 400;">Haverá um pedaço de você em mim, sempre</span></i></a><span style="font-weight: 400;">&#8220;. É quase impossível se relacionar com alguém e não carregar consigo algum </span><a href="https://bemditojor.com/a-ficcao-do-amor-em-her/"><span style="font-weight: 400;">vestígio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de amor, alegria ou mesmo mágoa. O que arde é o processo de aceitação desses tantos resquícios permanentes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas cicatrizes emocionais e resquícios de relacionamentos passados são representados de maneira poderosa no longa. Apesar de Theodore estar incomodado com a lembrança de um casamento fracassado, ele não consegue superar os vestígios dessa relação. O protagonista acaba tentando preencher o desconforto com distrações e gratificações momentâneas, como seu </span><a href="https://cinema.uol.com.br/noticias/efe/2013/10/13/joaquin-phoenix-se-apaixona-por-sistema-de-computador-no-filme-her.htm"><span style="font-weight: 400;">relacionamento com Samantha</span></a><span style="font-weight: 400;">, que oferece um refúgio temporário para a solidão.</span></p>
<figure id="attachment_31643" aria-describedby="caption-attachment-31643" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31643" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her4.jpg" alt="Cena do filme Ela. Os personagens de Theodore e sua melhor amiga estão em um terraço de costas observando a cidade com muitos prédios com algumas luzes acesas em um fim de tarde com cores predominantes azuis." width="750" height="392" /><figcaption id="caption-attachment-31643" class="wp-caption-text">É um privilégio viver tendo a experiência e a sorte de encontrar um amor verdadeiro – mesmo que ele não seja para sempre (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, não tem como fugir da realidade – ela está presente e explode constantemente na alma do personagem. </span><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> insiste em recordar o quão frágeis e medrosos ainda somos quando temos que lidar com as próprias emoções de maneira real: Theo se perde em prazeres efêmeros ao invés de enfrentar o doloroso processo de aceitação, e isso fica claro quando o protagonista rememora lembranças da paixão em seu casamento. Logo, ele descobre que relacionamentos superficiais não podem preencher o vazio deixado por quem já sentiu o que é o amor. E que o mesmo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FEqBwKvBtnA"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> jamais será sentido novamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa realização, porém, não é motivo para desesperança. Ele compreende que teve a sorte de conhecer de perto o que é amar e, embora nunca possa reviver o amor que compartilhou com sua ex-parceira, ainda existe a possibilidade de encontrar outros amores em sua jornada. Amizades e novos relacionamentos também podem ser significativos de maneiras diferentes dentro da imensidão desse sentimento, e enquanto estiver nesse momento breve que é a vida, ele deve </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oU3D-iybwm8"><span style="font-weight: 400;">permitir-se sentir a felicidade</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31642" aria-describedby="caption-attachment-31642" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31642" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-800x434.jpg" alt="Cena do filme Ela. O personagem principal, Theodore, um homem branco de óculos redondos, cabelo marrom e bigode está olhando para seu reflexo na janela do metrô que tem predominância de tons claros com um leve sorriso." width="800" height="434" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-800x434.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-1024x556.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-768x417.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5.jpg 1172w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31642" class="wp-caption-text">“O passado é apenas uma história que contamos a nós mesmos” (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo após uma década de seu lançamento, mantém uma relevância notável por ressoar profundamente com os sentimentos mais </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/critica-ela-162476/"><span style="font-weight: 400;">intrínsecos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vida humana. A obra é um lembrete atemporal de que, apesar de todas as mudanças externas em nosso mundo, as questões essenciais da vida e da humanidade ainda são muito pertinentes para a compreensão da racionalidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme captura de forma sensível a busca universal pela conexão e pelo significado nas relações humanas e nos relembra que, apesar dos avanços tecnológicos, nossa necessidade de amar, compreender e pertencer permanece inalterada. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ela</span></i><span style="font-weight: 400;"> instiga uma reflexão sobre o que realmente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v5IjF_vxsS8"><span style="font-weight: 400;">significa ser humano</span></a><span style="font-weight: 400;"> e como as complexas emoções, desafios e alegrias que experimentamos nas relações ainda são tão relevantes hoje.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra transcende as expectativas convencionais sobre a relação entre humanos e tecnologia, afinal, estamos todos familiarizados com a crescente influência da inteligência artificial em nossas vidas diárias. Contudo, </span><a href="https://pordentrodatela.com.br/o-diversificado-cinema-de-spike-jonze/"><span style="font-weight: 400;">Spike Jonze</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos conduz a uma jornada emocional profunda que vai muito além do mero avanço tecnológico. </span><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, acima de tudo, um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0uKfhchqKvI"><span style="font-weight: 400;">espelho</span></a><span style="font-weight: 400;"> de nossas próprias solidões e anseios, um retrato sincero do humanismo que reside em todos nós. No desfecho do filme, a pergunta fundamental de Jonze não parece mais ser se as máquinas podem um dia amar, mas sim se elas poderão ser </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VAuXLu0gRwg"><span style="font-weight: 400;">mais capazes </span></a><span style="font-weight: 400;">de amar do que um ser humano.</span></p>
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		<title>C’mon C’mon: é preciso olhar para trás para seguir em frente</title>
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		<pubDate>Fri, 06 May 2022 19:04:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Larissa Silva “Como você imagina o futuro?&#8221;. Essa é a pergunta feita em C’mon C’mon ou Sempre em Frente, no título nacional, lançado em 2021 pela já consagrada produtora A24. No entanto, é o passado e a construção da memória que parecem permear o desenvolvimento da trama. O novo longa de Mike Mills dá continuidade &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cmon-cmon-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "C’mon C’mon: é preciso olhar para trás para seguir em frente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27496" aria-describedby="caption-attachment-27496" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27496" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-1-800x400.jpg" alt="Cena do filme C’mon C’mon. A cena mostra Johnny, interpretado por Joaquin Phoenix, é barbudo, tem cabelo grande e com mechas levemente onduladas e veste uma camisa social. Ele está olhando para o sobrinho, uma criança vestida de pijama que retorna o olhar enquanto segura um livro. Ambos estão sentados na cama do quarto enquanto conversam." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-1-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-1-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-1-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-1-1200x600.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-1.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27496" class="wp-caption-text">No Brasil, C&#8217;mon C&#8217;mon teve sua estreia nos cinemas em 10 de fevereiro de 2022 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Larissa Silva</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Como você imagina o futuro?&#8221;. </span></i><span style="font-weight: 400;">Essa é a pergunta feita em</span> <a href="https://a24films.com/films/cmon-cmon"><i><span style="font-weight: 400;">C’mon C’mon</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Sempre em Frente</span></i><span style="font-weight: 400;">, no título nacional, lançado em 2021 pela já consagrada produtora </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;">. No entanto, é o passado e a construção da memória que parecem permear o desenvolvimento da trama. O novo longa de </span><a href="https://collider.com/mike-mills-interview-cmon-cmon-joaquin-phoenix/"><span style="font-weight: 400;">Mike Mills</span></a><span style="font-weight: 400;"> dá continuidade à sua assinatura cinematográfica de teor sentimental, poético e autobiográfico. Enquanto filmes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rXUFUp6vsxg"><i><span style="font-weight: 400;">Toda Forma de Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6JnFaltqnAY"><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres do Século 20</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são inspirados, respectivamente, nas figuras paterna e materna do diretor e roteirista, </span><i><span style="font-weight: 400;">C’mon C’mon</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasce de sua experiência cuidando do próprio filho.</span></p>
<p><span id="more-27495"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a interpretação de um </span><a href="https://www.abc.net.au/news/2022-02-20/cmon-cmon-movie-review-joaquin-phoenix-mike-mills/100836788"><span style="font-weight: 400;">Joaquin Phoenix</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais leve e introspectivo, vemos a contraposição do protagonista com a intensidade do papel que garantiu seu primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2020/noticia/2020/02/10/joaquin-phoenix-ganha-o-oscar-2020-de-melhor-ator-por-coringa.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Johnny é um jornalista de rádio em Nova York que está levantando depoimentos de crianças de diferentes localidades sobre o futuro e recebe o desafio de cuidar do excêntrico, porém cativante, sobrinho de 9 anos, Jesse (Woody Norman), durante a ausência da mãe para acompanhar a reabilitação do marido bipolar. </span></p>
<figure id="attachment_27497" aria-describedby="caption-attachment-27497" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27497" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-2-800x483.jpg" alt="Cena do filme C’mon C’mon. É o reflexo de Johnny, interpretado por Joaquin Phoenix, em uma janela de vidro. Sua aparência é de um homem barbudo, já com cabelo branco e leves rugas no rosto. Está com um agasalho e mochila nas costas. Seu olhar é melancólico e contemplativo. " width="800" height="483" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-2-800x483.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-2-1024x619.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-2-768x464.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-2-1200x725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-2.jpg 1486w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27497" class="wp-caption-text">C&#8217;mon C&#8217;mon é o primeiro filme de Joaquin Phoenix após a vitória do Oscar de Melhor Ator com Coringa (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto as entrevistas registram uma memória coletiva a respeito do </span><a href="https://www.blogs.unicamp.br/muitoalemdoverde/2018/05/02/criseambiental/"><span style="font-weight: 400;">contexto de desigualdades e problemáticas socioambientais</span></a><span style="font-weight: 400;">, bem como o impacto nas inseguranças sobre o futuro, a trajetória de Johnny e Jesse transita na formação da memória individual. Seja na desconstrução do hábito de reprimir os sentimentos por parte do menino, no que se refere às dificuldades omitidas pela família, ou pelo enfrentamento das antigas desavenças de Johnny com a irmã, a jornada entre os dois proporciona efeitos benéficos e com novas perspectivas para ambos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cinematografia em preto e branco, dirigida por Robbie Ryan, flerta com a melancolia na dramaticidade das situações impostas aos personagens, porém volta para a sensação de acolhimento no enfoque das conexões humanas e no sentimentalismo do dia a dia. </span><span style="font-weight: 400;">Tal ambientação pode ser vista de maneira desfavorável para o telespectador que deseja escapar da realidade para um mundo completamente diferente do seu, ao passo que outro perfil de público pode suprir sua necessidade por identificação ou ao menos na percepção sobre as relações humanas a partir de um enquadramento específico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora composta pelos irmãos </span><a href="https://shop.a24films.com/products/cmon-cmon-original-motion-picture-soundtrack"><span style="font-weight: 400;">Aaron e Bryce Dessner</span></a><span style="font-weight: 400;"> agrega um intimismo em meio a planos abertos de paisagens urbanísticas de Detroit, Nova York, Los Angeles e Nova Orleans. </span><span style="font-weight: 400;">Há, com isso, uma dualidade entre o plano geral e o particular, do mesmo modo com quais as temáticas abordadas pelas entrevistas são perpassadas pelos dilemas pessoais de Johnny e Jesse. </span></p>
<figure id="attachment_27498" aria-describedby="caption-attachment-27498" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27498" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-3-800x450.jpg" alt="Cena do filme C’mon C’mon. É um plano geral com destaque para a arquitetura de Nova York. Johnny e Jesse estão parados debaixo de uma ponte, bem distantes da câmera. Há um espaço vazio ao redor, com uma região cercada e construções ao fundo. Johnny é um homem mais velho que está agasalhado em frente ao Jesse, uma criança também agasalhada, segurando o microfone do equipamento de captação de som. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-3.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27498" class="wp-caption-text">Para Mike Mills, as imagens em preto e branco trazem uma qualidade de fábula para cenas que tratam de uma aproximação da realidade (Fonte: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir da mescla de ficção, autobiografia e documentário, Mike Mills trabalha com o levantamento de depoimentos espontâneos, feitos por j</span><span style="font-weight: 400;">ovens atores não treinados da Geração Z, para contribuir à criação de um longa mais genuíno em sua composição, refletido na produção e atuação. </span><span style="font-weight: 400;">Essa espontaneidade entre os entrevistados integrada à trama versa com um roteiro que, embora fictício, apresenta diretamente raízes em memórias e pessoas reais.</span><span style="font-weight: 400;"> As entrevistas foram agendadas pelo diretor com a consultoria da jornalista de rádio </span><a href="https://www.npr.org/2021/11/18/1056761922/mike-mills-cmon-cmon-joaquin-phoenix-a-24"><span style="font-weight: 400;">Kaari Pitkin</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ajudaram a manter a essência autêntica do filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O material utilizado em </span><i><span style="font-weight: 400;">C’mon C’mon</span></i><span style="font-weight: 400;"> abrange relatos verdadeiramente humanos de crianças sobre as problemáticas de teor socioambiental como meio de conscientização, bem como reflexões gerais sobre a vida. Ao mesmo tempo, vemos na ficção como os depoimentos particulares de Johnny ao decorrer da convivência com o sobrinho, acrescido da leitura de </span><a href="https://www.goldderby.com/article/2021/cmon-cmon-trailer-joaquin-phoenix/"><span style="font-weight: 400;">trechos literários</span></a><span style="font-weight: 400;"> como forma de contextualização, garantem uma delicadeza lúdica característica dos trabalhos de Mills. </span></p>
<figure id="attachment_27499" aria-describedby="caption-attachment-27499" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27499" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-4-800x533.jpg" alt="Bastidores do filme C’mon C’mon. O diretor Mike Mills está de pé, agasalhado com casaco, cachecol e touca. Ele usa óculos e olha para um pedaço de papel em mãos. Em frente, está o ator Joaquin Phoenix sentado, com uma camisa de manga longa e cabelo penteado para trás. Ele está olhando em direção diferente da de Mills. Atrás dos dois, há uma porta." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-4-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-4-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-4-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-4.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27499" class="wp-caption-text">Durante as gravações, Mike Mills reescreveu o roteiro diversas vezes e incentivou os atores a contribuírem com suas perspectivas para as falas (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Jesse, durante a maior parte da experiência, se recusa a ouvir e a expressar suas inseguranças. Isso fica evidente com a relutância do menino em pensar e relatar sua percepção sobre o futuro como as demais crianças, já que suas noções sobre o futuro tomam os assuntos familiares inacabados do passado como base, em vez de um maior contexto de impacto comum e público como a degradação do meio ambiente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A própria dinâmica do filme encontra refúgio no passado, conforme os </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks </span></i><span style="font-weight: 400;">retomam os mesmos momentos como na tentativa de recuperar algo dessas memórias. Vemos Johnny e a irmã Viv (Gaby Hoffmann) cuidando da mãe doente e discutindo entre si, Jesse brincando com o pai e ouvindo música clássica com sua mãe e entre outras situações que parecem permear a base desses relacionamentos.</span></p>
<figure id="attachment_27504" aria-describedby="caption-attachment-27504" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27504" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/06_05_2022_15_48_23-800x533.jpg" alt="Cena do filme C’mon C’mon. A cena mostra duas pessoas: o menino Jesse, de cabelo longo, camisa e calça, sentando em frente ao seu pai, que tem cabelo curto e barba curta, vestido com uma camisa social. Os dois estão na sala de estar, mobiliada com um piano atrás, poltrona logo ao lado, mesinha de canto na parte superior esquerda do cômodo, uma parte visível do sofá e quadros na parede. Ambos estão sentados em cima do tapete e fazem caretas enquanto mexem o rosto com as duas mãos." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/06_05_2022_15_48_23-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/06_05_2022_15_48_23-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/06_05_2022_15_48_23.jpg 950w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27504" class="wp-caption-text">O orçamento do longa foi de US$ 8,3 milhões, sendo considerado um filme independente (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No presente, as lembranças servem para ressignificar, contextualizar e trazer um novo olhar sobre a identidade de cada personagem. Do mesmo modo, o registro oral pelas gravações com desabafos e relatos pessoais de Johnny durante as situações episódicas com a criança trazem uma seletividade para a construção de uma memória que possa ser consultada em fases posteriores da vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A preocupação com o esquecimento se faz nos diálogos da dupla, que vêem no registro e no compartilhamento da </span><a href="https://collider.com/mike-mills-cmon-cmon-themes-explained/"><span style="font-weight: 400;">memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> como formas de reviver e ressignificar os aprendizados capazes de continuar a contribuir com cada um em seus diferentes rumos. Para seguir em frente, é preciso saber por onde passou, enfrentar os fantasmas do passado e reconhecer e reconstruir sua individualidade em meio à imensidão da dimensão coletiva.</span></p>
<figure id="attachment_27505" aria-describedby="caption-attachment-27505" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27505" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-6-800x479.jpg" alt="Cena do filme C’mon C’mon. A cena mostra Johnny, que está com o cabelo curto e a barba por fazer, vestindo uma camisa social e uma bolsa com o equipamento de gravação. Seu sobrinho, Jesse, está montando como &quot;cavalinho&quot; nele. Ambos estão em meio a uma multidão com trajes específicos da passarela do festival. " width="800" height="479" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-6-800x479.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-6-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-6-768x460.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-6.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27505" class="wp-caption-text">C’mon C’mon conquistou mais de 90% de aprovação entre os críticos no Rotten Tomatoes (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">C’mon C’mon</span></i><span style="font-weight: 400;"> não apresenta grandes reviravoltas, não coloca obstáculos tangíveis e nem faz uso de alegorias visuais, mas esses não parecem ser o objetivo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XM5Ixgk8S0U&amp;t=222s"><span style="font-weight: 400;">Mike Mills</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em sua simplicidade artística, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sempre em Frente</span></i><span style="font-weight: 400;"> convida o telespectador a emergir na vida desses personagens e seus respectivos relacionamentos como uma forma de autorreflexão e confirmação da complexidade da vida cotidiana.</span></p>
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		<title>Coringa: A sociedade desperta o monstro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Oct 2019 21:20:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[DC]]></category>
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		<category><![CDATA[Joaquin Phoenix]]></category>
		<category><![CDATA[Joker]]></category>
		<category><![CDATA[Todd Phillips]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Gabriel Soldeira O Coringa é um dos vilões mais importantes das histórias em quadrinhos, o caos e a loucura que envolvem a psique do personagem o tornam curiosamente cativante. Ele foi eternizado por interpretações memoráveis, principalmente a de Heath Ledger que no cultuado &#8220;Batman: Cavaleiro das Trevas&#8221; (2008), cuja performance pareceu ser o rosto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/coringa-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Coringa: A sociedade desperta o monstro"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_12979" aria-describedby="caption-attachment-12979" style="width: 714px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-12979 " src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-1.jpg" alt="" width="714" height="401" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-1.jpg 1777w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-12979" class="wp-caption-text">O filme pode conter gatilhos, cuidado (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Gabriel Soldeira</strong></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Coringa é um dos vilõ</span><span style="font-weight: 400;">es mais importantes das histórias em quadrinhos, o caos e a loucura que envolvem a psique do personagem o tornam curiosamente cativante. Ele foi eternizado por interpretações memoráveis, principalmente a de <a href="https://www.aficionados.com.br/curiosidades-coringa-heath-ledger/">Heath Ledger</a> que no cultuado &#8220;Batman: Cavaleiro das Trevas&#8221; (2008), cuja performance pareceu ser o rosto definitivo do palhaço do crime. Coube agora a Joaquin Phoenix deixar sua marca, mas dessa vez o vilão protagoniza um filme solo. Dirigido e co-roteirizado por Todd Phillips, “Coringa” é um profundo estudo de personagem. O filme adentra a insanidade do palhaço na forma de um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">psicológico, e <a href="https://personaunesp.com.br/shazam-critica/">é mais um</a> que se afasta do <a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-carece-de-tracos-autorais-e-cai-no-ordinario/">falido universo da DC</a> nos cinemas.</span></p>
<p><span id="more-12978"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa chega em um momento que as adaptações de quadrinhos estão extremamente saturadas e uma produção original que segmenta o “gênero de super-heróis” é muito bem-vinda. O filme dá nome e sobrenome para a misteriosa identidade do vilão, Arthur Fleck, que mora com a mãe doente e ganha a vida como palhaço enquanto tenta seguir seu sonho de ser comediante. Fleck sofre de vários problemas psiquiátricos dentre eles uma risada patológica que o atinge em momentos de tensão. Vemos então </span>na decadente sociedade de Gotham, como um homem perturbado se torna o Coringa.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas Joaquin Phoenix realmente rouba a cena. Sua fisicalidade transcende o <a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/tv,joaquin-phoenix-emagreceu-23-quilos-para-interpretar-coringa,70002989390">emagrecimento</a>, sua postura e movimentos carregam o peso de ser esse personagem ingênuo e perturbado pela cidade doente em que habita. Mas certamente a marca registrada da atuação são os risos de Arthur: o riso forçado de quem não entende as interações sociais, o <a href="https://saude.ig.com.br/2019-10-05/riso-incontrolavel-sindrome-do-coringa-afeta-pessoas-na-vida-real-entenda.html">riso patológico</a> descontrolado e doloroso nas piores situações possíveis e a forma que esse riso muda quando enfim ele entende e abraça sua insanidade. O roteiro dá muito para ser trabalhado, mas se o projeto caísse nas mãos de outro ator, dificilmente teríamos um resultado tão bom quanto o apresentado aqui. Justamente pelas nuances do personagem serem bem mais expressas pela forma que as coisas são feitas e não apenas por mera exposição do script.</span></p>
<figure id="attachment_12982" aria-describedby="caption-attachment-12982" style="width: 1620px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-12982 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-2.jpg" alt="" width="1620" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-2.jpg 1620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-2-300x185.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-2-768x474.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-2-1024x632.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-2-1200x741.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12982" class="wp-caption-text">O desespero do riso ainda causa frio na espinha (Foto:Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme coloca a própria Gotham como antagonista, a cidade está viva e respira violência e injustiça. Arthur é constantemente atingido por isso e o roteiro trabalha de forma que sua gradual transformação é quase justificável. Digo “quase” justamente por você entender as motivações que levam à maldade do personagem, mas ao mesmo tempo suas ações violentas estão longe de serem tratadas apenas como punição catártica aos poderosos da cidade. Na verdade o enredo faz o espectador se sentir mal por Arthur, justamente por sua forma de lidar com as injustiças serem reprováveis. É de desnortear a bússola moral de qualquer um.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de Todd Phillips é eficiente em mostrar Arthur sofrendo em sua própria mente e como isso afeta suas relações e vice-versa. A câmera segue o personagem como um amigo, e vê o mundo pela perspectiva dele. Mas, ao mesmo tempo mostra sem censura seus momentos de agressividade e como a violência que ele pratica também é suja. Porém, a forma que Todd conta a história é muito parecida com longas da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Hollywood">Hollywood pós-moderna</a> dos anos 70, talvez parecida demais. A homenagem à filmes clássicos de <a href="https://www.ign.com/articles/2019/09/25/joker-how-martin-scorsese-helped-out-the-dc-movie">Martin Scorsese</a> como <a href="https://personaunesp.com.br/taxi-driver-completa-40-anos-permanece-extremamente-atual/"><em>Taxi Driver</em></a> (1976) e <a href="https://observatoriodocinema.bol.uol.com.br/filmes/2019/04/robert-de-niro-afirma-que-coringa-tem-conexao-com-o-rei-da-comedia">O Rei da Comédia</a> (1982) vai longe a ponto de sentirmos falta de um pouco mais de personalidade na voz de Phillips. Porém, não dá pra negar o valor de se fazer um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">comparável aos clássicos do renomado diretor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A música é outro ponto forte do filme. Cordas graves acompanham momentos de tensão, trazendo uma certa claustrofobia induzida. É o filme avisando que algo está prestes a explodir mas nem sempre a explosão vem. De outra forma, a variação entre músicas <a href="http://www.blog.365filmes.com.br/2017/07/o-som-diegetico-no-cinema_10.html">diegéticas e não diegéticas</a> é usada de forma irônica, em momentos quase catárticos do protagonista que, vez parece estar ouvindo em sua mente a música que apenas o público escuta e vez dança a música totalmente ausente dos ouvidos da audiência. Essa metalinguagem curiosa também dá mais créditos para Joaquin Phoenix que expressa diferentes momentos do personagem com a forma que a música é absorvida pelo seus movimentos e expressões.</span></p>
<figure id="attachment_12983" aria-describedby="caption-attachment-12983" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-12983 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-3-real.jpg" alt="" width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-3-real.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-3-real-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-3-real-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-3-real-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-3-real-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12983" class="wp-caption-text">&#8220;I use to think that my life was a tragedy, but now I realize&#8230; it&#8217;s a comedy&#8221; (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa toca vários temas importantes e foi alvo de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zDLBAwz_pg0">várias polêmicas</a>, porém, o que se sobressai certamente é a discussão social que envolve o enredo. Arthur só abraça seu lado vilanesco, pois a sociedade falhou e ignorou seus problemas. Suas atitudes só atiçam a população pois eles também foram esquecidos pela elite de Gotham. Elite essa que se diz a única salvação para a decadência da cidade. O filme não defende a violência como meio de se conseguir direitos, mas sim como consequência da falta deles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Coringa” é um filme perturbador que tem muito a dizer, e faz isso de forma singular para os tempos de hoje. O longa não tem medo de se soltar das amarras que engessam os filmes baseados em quadrinhos, e de quebra conta com uma das melhores atuações da década. Parece que o Coringa de Heath Ledger finalmente encontrou alguém à altura.</span></p>
<figure id="attachment_12992" aria-describedby="caption-attachment-12992" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-12992 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-4.jpg" alt="" width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-4.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/imagem-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12992" class="wp-caption-text">Não esqueça de sorrir (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
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