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	<title>Arquivos Javier Bardem &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Oscar 2026: onde vestir é posicionar-se</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 13:30:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com looks mais contidos, porém cheios de significado, a passarela revela a memória do cinema e destrincha sobre identidade Livia Queiroz  Ao tratar de uma cerimônia como o Oscar, é impossível não dissertar sobre o mundo fashion que à envolve. Sem figurino, o cenário não se concretiza. Sem glamour, o tapete vermelho desbota. Este é &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/oscar-2026-fashion/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Oscar 2026: onde vestir é posicionar-se"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="font-weight: 400;">Com </span><span style="font-weight: 400;">looks</span><span style="font-weight: 400;"> mais contidos, porém cheios de significado, a passarela revela a memória do cinema e destrincha sobre identidade</span></em></p>
<figure id="attachment_37134" aria-describedby="caption-attachment-37134" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37134" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/06_EXPORTACAO_ARTE_LIVIA_COLORIDO-800x450.jpg" alt="Na colagem de base dourada com textura semelhante a uma pintura com pincel, é possível identificar ao fundo o ícone do Persona, um olho com íris em formato de ‘play’, pintado de dourado, e a palavra ‘fashion’ contornada em branco translúcido. Em destaque, ícones femininas posam com diferentes facetas. Da esquerda para a direita temos Teyana Taylor em um vestido Chanel preto translúcido no abdômen, com penas na saia e detalhes brancos horizontais; Demi Moore usando um vestido tubo formado por penas preta em toda sua extensão; Chase Infiniti em um vestido reto com saia bufante com camadas; Mia Goth vestida em um traje branco simples com detalhes bordados a mão; Chloé Zhao, com um conjunto de blazer e saia metalizados em preto e um véu da mesma cor cobrindo da cabeça ao tronco e Odessa A’zion em um conjunto preto com recortes semelhantes a um quimono." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/06_EXPORTACAO_ARTE_LIVIA_COLORIDO-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/06_EXPORTACAO_ARTE_LIVIA_COLORIDO-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/06_EXPORTACAO_ARTE_LIVIA_COLORIDO-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/06_EXPORTACAO_ARTE_LIVIA_COLORIDO-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/06_EXPORTACAO_ARTE_LIVIA_COLORIDO-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/06_EXPORTACAO_ARTE_LIVIA_COLORIDO.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37134" class="wp-caption-text">Apesar da ausência de manifestações, as mulheres do Oscar se destacam na ousadia e diversidade (Foto: Maria Fernanda Cabrera)</figcaption></figure>
<p><b>Livia Queiroz </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao tratar de uma cerimônia como o </span><a href="https://www.vogue.com/tag/event/oscars"><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></a><span style="font-weight: 400;">, é impossível não dissertar sobre o mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">fashion</span></i><span style="font-weight: 400;"> que à envolve. Sem figurino, o cenário não se concretiza. Sem </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour</span></i><span style="font-weight: 400;">, o tapete vermelho desbota. Este é o lema que encaixa perfeitamente ao momento vivido, com pouco </span><a href="https://www.absurdintelligence.com/fashion-is-political/"><i><span style="font-weight: 400;">political fashion</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e maior referência a suas obras indicadas. A cerimônia apresentou emoção e manifestação, mas será que podemos afirmar o mesmo sobre o</span><i><span style="font-weight: 400;"> red carpet</span></i><span style="font-weight: 400;">? A resposta é sim, porque até onde não há intenção há expressão, formando personalidade, identidade e, consequentemente, a moda. </span></p>
<p><span id="more-37121"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em conjunto, parte do casting de </span><a href="https://www.elle.com/culture/celebrities/a70746672/sinners-cast-photos-red-carpet-photos-oscars-2026/"><i><span style="font-weight: 400;">Sinners</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025), vencedor de quatro prêmios, chegou para o evento com trajes diversos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Louis Vuitton</span></i><span style="font-weight: 400;">, coordenada pelo diretor criativo Pharrell Williams. </span><a href="https://www.dailymail.co.uk/video/tvshowbiz/video-3620067/Video-Sinners-Jack-OConnell-wore-vampire-fangs-2026-Oscars.html"><span style="font-weight: 400;">Jack O’ Connell</span></a><span style="font-weight: 400;">, para destacar seu papel dentro da obra, aparece na passarela com próteses de presas cobertas de sangue, semelhantes aos vampiros do filme. Indo além da roupa que se veste, o diretor do filme, </span><a href="https://www.elle.com/beauty/hair/a70749428/ryan-coogler-braids-photos-oscars-2026/"><span style="font-weight: 400;">Ryan Coogler</span></a><span style="font-weight: 400;">, se manifesta por meio de suas tranças, feitas por Tyzanna B., formando duas guitarras, mais especificamente, do gênero musical </span><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i><span style="font-weight: 400;">. O elenco, sem dúvidas, soube ousar na quietude e prestou seu carinho e gratidão pela cultura e arte negra durante a temporada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A moda brasileira também se fez presente e brilhou. Alice Carvalho, atriz de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-agente-secreto-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Agente Secreto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025), surge na passarela em um vestido bege – infelizmente um pouco fora do caimento ideal –, da </span><a href="https://www.normando.co/pages/sobre-a-normando-1"><span style="font-weight: 400;">Normando</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma marca amazônica desenhada por Marco Normando e Emídio Contente. Para acrescentar ainda mais a composição, usa uma bolsa com estatueta dourada, do </span><i><span style="font-weight: 400;">designer</span></i><span style="font-weight: 400;"> catarinense Jay Boggo e um broche representando a América na língua do povo Kuna, originários do Panamá.</span></p>
<blockquote><p><b>“</b><b><i>O tecido escolhido foi uma mistura de duas fibras cultivadas na Amazônia, a juta e a malva amazônica. Fibras cultivadas por diversas famílias nos estados do Amazonas e do Pará, sem uso de agrotóxicos e pesticidas e com irrigação natural dos rios e igarapés da região, e tecidas pela @somoscastanhal no estado do Pará, na cidade de Castanhal, o processo é sustentável e 100% orgânico e da Amazônia brasileira</i></b><b>” –</b> <span style="font-weight: 400;">Normando</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_37123" aria-describedby="caption-attachment-37123" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37123" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/amy-mandigan-800x533.jpg" alt="A foto destaca no centro Amy Madigan, atriz branca de meia idade com os cabelos loiros. Ela usa óculos escuros com lentes marrons, joias cintilantes pratas que contrastam com seu blazer customizado por Dior, simulando escamas em preto e dourado claro. Em sua mão, a mulher segura uma estatueta em ouro apoiada em um base preta. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/amy-mandigan-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/amy-mandigan-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/amy-mandigan-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/amy-mandigan-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/amy-mandigan-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/amy-mandigan-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37123" class="wp-caption-text">40 anos após sua última indicação, Amy Madigan é indicada e venceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Foto: Chris Pizzello)</figcaption></figure>
<p><b>O vintage sempre volta</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As tradicionais nunca saem de moda.</span><i><span style="font-weight: 400;"> Chanel</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Louis Vuitton</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dior</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Armani</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Valentino</span></i><span style="font-weight: 400;">; essas são as marcas não só mais vistas este ano como desde que Hollywood é o palco do luxo e da alta costura. Porém, o que mais encanta são as </span><a href="https://www.vogue.com/slideshow/best-vintage-2026-oscars"><span style="font-weight: 400;">homenagens ao </span><i><span style="font-weight: 400;">vintage</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">looks</span></i><span style="font-weight: 400;"> de seus arquivos sendo usados novamente em diferentes modos, silhuetas e ocasiões. Desta vez, as referências foram usadas pelas atrizes e por personalidades fora da passarela cinematográfica, como </span><a href="https://www.vogue.co.uk/gallery/amelia-dimoldenberg-oscars-2026"><span style="font-weight: 400;">Amelia Dimoldenberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, que teve uma escolha sólida e minimalista, mas elegante, com um </span><i><span style="font-weight: 400;">Ralph Lauren</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">fall</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2007. A figurinista Miyako Bellizzi, representante de sua categoria por </span><a href="https://stealthelook.com.br/o-filme-mais-fashion-do-ano-entenda-o-impacto-do-figurino-de-marty-supreme/"><i><span style="font-weight: 400;">Marty Supreme</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025), ousou com o vermelho vibrante e assimétrico de John Galliano para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Dior</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 1999. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vencedora do prêmio de Melhor Atriz, </span><a href="https://personaunesp.com.br/hamnet-a-vida-antes-de-hamlet-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jessie Buckley</span></a><span style="font-weight: 400;"> optou por um vestido </span><i><span style="font-weight: 400;">Chanel</span></i><span style="font-weight: 400;"> que glorificava e rememorava o mesmo utilizado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UcUWAJD4D9w"><span style="font-weight: 400;">Grace Kelly</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1956, vencedora do Oscar de sua mesma categoria, naquele ano. A atriz homenageia o amor, visto que esse vestido marca o encerramento da carreira de Grace que viria a casar-se com o príncipe de Mônaco, Rainier III. Na festa da Vanity Fair, mais tarde, Anna Taylor-Joy aparece em um macacão curto preto que, novamente, é assinado por John Galliano para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Dior</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 1994. O movimento</span><i><span style="font-weight: 400;"> vintage</span></i><span style="font-weight: 400;"> aplaude, então, homenagens ao passado que ressignificam o presente.</span></p>
<figure id="attachment_37124" aria-describedby="caption-attachment-37124" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37124" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/colagem-2-800x450.jpg" alt="A colagem representa as mulheres que levaram o nome da Chanel ao topo das pesquisas durante a noite do Oscar. Em um fundo de cores neutras com vários letreiros destacando o nome “Oscar” e um tapete vermelho, da esquerda para a direita é possível identificar Nicole Kidman, mulher branca com cabelos loiros, em um vestido branco rosado conforme desce para a saia e com detalhes em pedras cinza e pretas bordadas em um modelo ‘tomara que caia’ com a saia tubo; ao lado, Jessie Buckley, mulher branca e de cabelo loiro curto, usando um vestido rosa bebê e tecido vermelho abraçando o peitoral; e Teyana Taylor, mulher negra de cabelo curto. Ela usa um vestido preto translúcido com saia penada e detalhes em branco." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/colagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/colagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/colagem-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/colagem-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/colagem-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/colagem-2.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37124" class="wp-caption-text">A Chanel foi a marca destaque do evento, subindo seu power ranking para 28, 5 milhões de dólares em engajamento (Arte: Livia Queiroz)</figcaption></figure>
<p><b>Quem veste a política? </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É inegável que, na ignorância, se encontra a paz. Nesse sentido, apesar da maior parte dos trajes da noite seguir um padrão de referência às obras indicadas e retratar o mundo fantasioso do audiovisual, é prazeroso analisar esta moda que ousa para dentro daquilo que o evento homenageia: o cinema. Porém, visto o </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/"><span style="font-weight: 400;">cenário global</span></a><span style="font-weight: 400;">, em especial envolvendo os </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cdr56r2r88wt"><span style="font-weight: 400;">Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, deveria ser esperado que os figurinos apresentassem e falassem – nem que fosse de forma velada – mais sobre as opiniões que acercam pessoas influentes como são os presentes, afinal, a moda sempre foi um espaço de impacto para manifestações políticas sem a necessidade de fala. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este, com certeza, não é o caso de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c78j27xpp73o.amp"><span style="font-weight: 400;">Javier Bardem</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, desde o início de sua carreira, se mostra disposto a verbalizar e estilizar-se conforme o que pensa. Em situações semelhantes, o ator espanhol revive seu </span><i><span style="font-weight: 400;">look </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2003, usando o mesmo broche para pedir o fim da guerra com o Oriente Médio e um novo para a liberdade da Palestina. Além dele, Saja Kilani, atriz palestina de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Voice of Hind Rajab </span></i><span style="font-weight: 400;">(2025), veste</span> <a href="https://www.ziyadbuainain.com/about"><i><span style="font-weight: 400;">Ziyad Buainain</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, designer saudito que revigora a moda feminina com um luxo consciente, além de destacar cor em seu único broche, pedindo o cessar-fogo em Gaza. Rei Ami, cantora vencedora em Melhor Canção Original, assim como nos </span><a href="https://personaunesp.com.br/fashion-grammy-2026/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammys</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2026</span></a><span style="font-weight: 400;">, reforça a cultura asiática com um conjunto de vestido e boleira longa com pavões bordados em dourado de </span><a href="https://rahulmishra.in/"><span style="font-weight: 400;">Rahul Mishra</span></a><span style="font-weight: 400;">, designer indiano que busca a sustentabilidade étnica.  </span></p>
<blockquote><p><b>“</b><b><i>Não à guerra e Palestina livre</i></b><b>” – </b><span style="font-weight: 400;">Javier Bardem</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_37125" aria-describedby="caption-attachment-37125" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37125" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Foto-oscar-800x450.jpg" alt="A colagem apresenta alguns trajes no tapete vermelho do Oscar, descrito em um letreiro ao fundo nas cores bege claro e ferrugem. Compondo o primeiro plano da imagem, da esquerda para a direita, estão Saja Kilani em um vestido preto desenhado e drapeado em camadas finas e translúcidas de tecido, Javier Bardem em um terno marrom escuro e gravata borboleta, com dois broches amostra, “Palestina Livre” e “Não à guerra”, Rei Ami, em um vestido que faz referência a cultura coreana, mesclando uma capa preta com detalhes em dourado bordados assim como seu vestido, Chloé Zhao em um conjunto de blazer e saia metalizados em preto e um véu da mesma cor cobrindo da cabeça ao tronco e Michael B. Jordan, usando alta-costura alfaiataria da Louis Vuitton, all black." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Foto-oscar-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Foto-oscar-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Foto-oscar-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Foto-oscar-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Foto-oscar-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Foto-oscar.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37125" class="wp-caption-text">O preto dominou o tapete vermelho como manifestação política no Oscar 2026 (Arte: Livia Queiroz)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2026 fica marcado por um </span><i><span style="font-weight: 400;">red carpet</span></i><span style="font-weight: 400;"> diverso porém pouco colorido, ressaltando a ideia de cores como movimento, solidez artística e adequação social. No fim, o evento prova que a moda nunca é silenciosa, é um espaço que carrega a intensidade estética e narrativa juntos. Não se trata apenas de vestir-se, mas também a posição que revela. Mesmo faltando ousadia, segue impressionando com </span><i><span style="font-weight: 400;">looks</span></i><span style="font-weight: 400;"> glamourosos, </span><i><span style="font-weight: 400;">vintages</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou minimalistas, porque, afinal, a versatilidade e atemporalidade de como se veste e porquê se veste permanece. </span></p>
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		<title>Em um deserto de expectativas, Duna: Parte 2 é um milagre de adaptação</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Aug 2024 19:25:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: Lisan al Gaib profetiza que haverá spoilers no texto a seguir Íris Ítalo Marquezini e Nathan Sampaio Um dos exemplos mais utilizados em escolas para representar o conceito de uma história épica é A Odisseia, de Homero. A trama de voltar para casa, ficar distante da família e reclamar dos sacrifícios que são de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/duna-parte-2-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em um deserto de expectativas, Duna: Parte 2 é um milagre de adaptação"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="font-weight: 400;"><strong>Aviso:</strong> Lisan al Gaib profetiza que haverá spoilers no texto a seguir</span></em></p>
<figure id="attachment_33675" aria-describedby="caption-attachment-33675" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33675" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-1-800x452.jpg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Paul Atreides, interpretado por Timothée Chamalet, caminha sobre as areais do deserto de Arrakis em direção à câmera. Paul é um jovem branco de cabelo curto liso. Na cena, ele utiliza um trajestilador, uma roupa cinzenta e justa com cabos e placas lisas que cobrem o corpo inteiro. Paul utiliza um capuz preto e uma capa cinzenta translúcida. O personagem está no centro da imagem com um sol batendo acima dele e montanhas atras de si. O céu é de um amarelo quase bege e não há nuvens. Os olhos de Paul nesta imagens são azuis." width="800" height="452" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-1-800x452.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-1-768x434.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-1.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33675" class="wp-caption-text">O universo de Duna revolucionou a Literatura de ficção científica e, agora, revoluciona o Cinema do gênero (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Íris Ítalo Marquezini e Nathan Sampaio</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos exemplos mais utilizados em escolas para representar o conceito de uma história épica é </span><i><span style="font-weight: 400;">A Odisseia</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Homero. A trama de voltar para casa, ficar distante da família e reclamar dos sacrifícios que são de heróis por direito fundou muito do que se entende pelo ocidente hoje. Acontece que não só de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OmPvpDXox2Y"><span style="font-weight: 400;">histórias monumentais</span></a><span style="font-weight: 400;"> viviam os gregos. As tragédias, compostas por pessoas paralisadas pelas teias do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kVgxQJlgDAQ&amp;list=PLIRc6UmLbMO0uTtFYzuH2QhmxOre_XrHw&amp;index=3"><span style="font-weight: 400;">destino</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de erros fatais irreparáveis, colocavam a audiência na linha tênue entre entretenimento e choque pelo que era representado nos palcos dos teatros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ésquilo, em </span><a href="https://www.metopera.org/discover/education/educator-guides/elektra/house-of-atreus/"><i><span style="font-weight: 400;">A Casa de Atreus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, demonstra um exemplo de como determinadas crenças, ganância e crueldade podem condenar gerações de uma família a sofrer um ciclo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yaLvkqZ4VZc"><span style="font-weight: 400;">violência interminável</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua a mostrar a tragédia que acomete essa mesma linhagem dezenas de milhares de anos depois. A graça do filme é o diretor Denis Villeneuve somar o épico e o trágico igualmente, de uma forma que, como alguns diriam anos atrás, seria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oJOUHEJTmrc"><span style="font-weight: 400;">impossível</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para uma história com tanto peso na religião, </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">faz a audiência acreditar que é possível ir ao cinema para presenciar um milagre.</span></p>
<p><span id="more-33663"></span></p>
<p><figure id="attachment_33676" aria-describedby="caption-attachment-33676" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33676" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-2-800x422.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Paul entra em um duelo de facas com Feyd Rautha. Em ambos cantos da imagem é possível ver a silhueta de alguns Fremen em frente a uma janela translúcida que bloqueia a luz do sol forte no centro da imagem. À esquerda é possível ver Feyd de pé em uma posição ereta. Feyd um homem careca e albino utilizando uma armadura inteiramente preta, exceto pela cabeça que está desprotegida. Paul está de frente a Feyd em uma posição de guarda para a luta. Ambos seguram facas nas respectivas mãos direitas. É possível ver somente as silhuetas pretas desses personagens em frente a grande janela amarelada pelo sol ao fundo." width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-2-800x422.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-2-768x405.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-2.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33676" class="wp-caption-text">Duna: Parte 2 é o Império Contra-Ataca (Star Wars) da saga de Frank Herbert [Foto: Warner Bros. Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A sequência começa imediatamente após o final anticlimático do primeiro filme: com Paul Atreides (Timothée Chalamet) e Lady Jessica (Rebecca Ferguson) após terem sido atacados. Depostos pela Casa Harkonnen e deixados para morrer no deserto, a dupla se adapta à vivência com os </span><a href="https://br.ign.com/dune/92230/preview/duna-conheca-tudo-sobre-os-fremen"><i><span style="font-weight: 400;">fremen</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o povo nativo do planeta </span><i><span style="font-weight: 400;">Arrakis</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde o início, a relação entre esses personagens e a cultura de um mundo diferente é cercada de desconfianças e manipulações muito bem construídas. É a partir de diálogos bastante diretos que as maquinações pensadas por cada família ficam claras no universo gigante fundado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yhYU4ZbLmmk"><span style="font-weight: 400;">Frank Herbert</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1965. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, apesar de ser uma adaptação bastante fiel ao livro, decide focar principalmente em um único tema. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0pdqxSyro_M"><span style="font-weight: 400;">ecologia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do planeta é deixada de lado no roteiro, para se debruçar totalmente no tópico do fanatismo religioso em um contexto colonialista. A história avança fazendo com que a audiência se impressione com a escala grandiosa dos eventos, mas tudo é feito para deixar uma ‘pulga atrás da orelha’ de quem assiste. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o primeiro longa, apresentam-se uma grande variedade de personagens – centrais e coadjuvantes – que não servem apenas para compor cena, pois todos se relacionam com algum aspecto importante do universo criado por Herbert. Porém, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/"><span style="font-weight: 400;">filme de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> falha em desenvolver toda essa gama de indivíduos, tornando-os desinteressantes e, em alguns casos, sem propósitos narrativos, o que prejudica o envolvimento do público. Felizmente, o roteiro de Denis Villeneuve e </span><a href="https://mashable.com/article/dune-part-two-jon-spaihts-interview-dune-messiah"><span style="font-weight: 400;">Jon Spaihts</span></a><span style="font-weight: 400;"> amadureceu com o tempo – algo que trouxe arcos melhor estruturados, atrelados a personalidades únicas e marcantes.</span></p>
<figure id="attachment_33674" aria-describedby="caption-attachment-33674" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33674" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-800x450.jpg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Lady Jessica, uma mulher branca de olhos azuis e cabelos escuros e lisos encara um ponto fora da tela. A câmera está focada no rosto dela coberto de tatuagens de hieróglifos. Jessica utiliza uma roupa característica das Bene Gesserit. A roupa se trata de um capuz marrom-avermelhado com detalhes dourados ao redor do capuz. Há um lenço amarelo embaixo do capuz e cobrindo a cabeça de Jessica. O visual ainda conta com um chapéu redondo que cobre inteiramente o cabelo e topo da cabeça da personagem. Desse chapéu, descem tiras douradas que forma linhas em frente ao rosto de Jessica presas por um enfeite retangular." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-1200x676.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33674" class="wp-caption-text">Para o figurino de Lady Jessica foram usadas referências da cultura Touareg do Marrocos, com linho e cores claras (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><a href="https://youtu.be/tNcsWDc4w2o?si=L0NViSjyCgpUfT8-"><span style="font-weight: 400;">Paul Atreides</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o personagem que apresenta a melhor evolução, não só entre os filmes, mas também dentro desta sequência. O protagonista começa humilde, empático e concessivo, o que contrasta com a postura mais autoritária e messiânica que surge ao longo da narrativa. E como se não bastasse só o texto bem escrito, a performance de </span><a href="https://youtu.be/TJL2ul-RXGI?si=zEAKNj1jnM1EY_jp"><span style="font-weight: 400;">Timothée Chalamet</span></a><span style="font-weight: 400;"> é genial, captando todas as nuances da transformação de Atreides para </span><i><span style="font-weight: 400;">Muad’dib</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além disso, o ator faz com que as suas falas sejam impactantes, mesmo aquelas que estão em um idioma fictício. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos melhores e mais importantes arcos dentro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dune: Part Two</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original)</span> <span style="font-weight: 400;">é o de Lady Jessica Atreides, que se aprofunda tanto na mitologia do povo do deserto – os </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen</span></i><span style="font-weight: 400;"> – quanto nas intenções políticas da ordem das </span><a href="https://editoraaleph.com.br/a-sociedade-matriarcal-em-duna-e-as-bene-gesserit/"><i><span style="font-weight: 400;">Bene Gesserit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A personagem tem relação direta com o tema principal da trama: a religião e como ela pode ser um instrumento muito poderoso de manipulação de massas. Jessica, mãe de Paul Atreides, entende essa questão e é exatamente por isso que decide usá-la ao seu favor, mesmo que isso vá de encontro com as vontades do seu filho. Nesse papel, </span><a href="https://youtu.be/b_Z1FCukLps?si=KeAVL37MYLpLYRJF"><span style="font-weight: 400;">Rebecca Ferguson</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrega uma performance complexa, pesada, que flerta com a vilania, mas que nunca deixa de ser cativante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Villeneuve e Spaihts souberam muito bem adaptar o material original por não se prenderem apenas em transpor o livro para a tela, mas se desafiarem a alterar acontecimentos e personagens em prol de fortalecer sua narrativa. Lady Jessica, no material base, critica constantemente o caminho messiânico e violento tomado por Paul; enquanto em </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">a </span><i><span style="font-weight: 400;">Reverenda Madre</span></i><span style="font-weight: 400;"> está bem confortável com a ideia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vLhrS5rag_o"><span style="font-weight: 400;">manipular</span></a><span style="font-weight: 400;"> os mais fracos e vulneráveis.</span></p>
<figure id="attachment_33673" aria-describedby="caption-attachment-33673" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33673" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-800x450.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Chani encara Paul, que está fora do enquadramento, com um semblante irritado. A personagem é uma jovem negra de cabelo crespos e curtos e olhos inteiramente azuis. A personagem utiliza uma armadura cinza com textura áspera que cobre todo o corpo, exceto a cabeça. Atrás dela, é possível ver alguns fremen desfocados." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4.png 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33673" class="wp-caption-text">De coadjuvante a papel central, Chani é uma das personagens mais influentes em Duna: Parte 2 (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No romance de Frank Herbert, </span><a href="https://youtu.be/9_EEraYR-qo?si=44AWXWNQa6iD31wf"><span style="font-weight: 400;">Chani</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Zendaya) é passiva e se limita em aceitar as decisões do protagonista, o que a torna tanto amante como seguidora do </span><a href="https://open.spotify.com/episode/2Qov5o8JCvflGpZPKCE7mN?si=031b746a51664caf"><i><span style="font-weight: 400;">Lisan al Gaib</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Por outro lado, a </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen</span></i><span style="font-weight: 400;"> aparece para a audiência nas duas partes da adaptação</span> <span style="font-weight: 400;">como uma bússola moral. O longa a transforma em uma descrente das profecias, e essa convicção, unida a sua personalidade segura de si, criam pontos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EWQIvegIYEQ"><span style="font-weight: 400;">conflito</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre ela e Paul Atreides. Tal decisão torna a interpretação de Zendaya mais interessante e ajuda a engajar o espectador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os antagonistas apresentam um desenvolvimento mais fraco se comparado aos protagonistas, já que todos os Harkonnen compartilham de traços de personalidade similares, como violência, impiedade e sede de poder. O que os torna únicos é o visual absurdo empregado em cada um deles: se não fosse a estética requintada alinhada à interpretação imponente de </span><a href="https://youtu.be/l5nLONCv6Kg?si=hyOzyXXMNOA_TilC"><span style="font-weight: 400;">Stellan Skarsgård</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Barão Vladimir, e </span><a href="https://youtu.be/kwwDznO3EMQ?si=5DaXMzyY49NEIT-G"><span style="font-weight: 400;">Austin Butler</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Feyd-Rautha, os personagens poderiam se tornar genéricos, mas há pinceladas de individualidade o suficiente que os tornam ameaçadores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As demais interpretações estão alinhadas com os propósitos da narrativa. Stilgar Ben Fifrawi (</span><a href="https://youtu.be/Rj9BT0THWLE?si=2QYPeRA0X16OZWgX"><span style="font-weight: 400;">Javier Bardem</span></a><span style="font-weight: 400;">) personifica os </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen </span></i><span style="font-weight: 400;">que ainda acreditam no Messias cegamente, o que faz com que ele transite entre a figura cômica e aquele irracional pela própria fé incondicional. Já a Princesa Irulan Corrino (</span><a href="https://youtu.be/0YQHYM17wkg?si=SEIHHMX9YO12x_o8"><span style="font-weight: 400;">Florence Pugh</span></a><span style="font-weight: 400;">), serve para vislumbrarmos as consequências políticas do primeiro filme, além de atiçar o público para a sequência. As performances mais fracas ficam por conta de </span><a href="https://youtu.be/_Ibvk_oAbpU?si=65QFfOlgZ6pb8rtr"><span style="font-weight: 400;">Christopher Walken</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Imperador Shaddam IV, e </span><a href="https://youtu.be/AkxguPOSDxA?si=xgi861NAvEc05r-B"><span style="font-weight: 400;">Josh Brolin</span></a><span style="font-weight: 400;">, que retorna como Gurney Halleck, por causa do menor tempo de tela e pela desconexão com a trama.</span></p>
<figure id="attachment_33672" aria-describedby="caption-attachment-33672" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33672" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5-800x414.jpg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Paul, à esquerda, encara o céu. Chani, à direita, segura uma bazuca com as duas mãos e à leva ao ombro para mirar em direção à câmera. A personagem mantém um dos olhos fechados para mirar. A arma utilizada por Chani é retangular e possui uma tela cinzenta apagada também retangular nas laterais. Ambos os personagens utilizam os trajestiladores cinzas, mas com um capacete redondo e uma máscara facial que cobrem o rosto inteiro exceto os olhos." width="800" height="414" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5-800x414.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5-1024x530.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5-768x397.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5-1200x621.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33672" class="wp-caption-text">O design dos maquinários dos Harkonnen se baseia em aracnídeos para reforçar sua ameaça (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A conclusão da trama também melhora no novo capítulo, pois como o primeiro longa deixou um gancho para a sequência, havia a sensação da história parecer incompleta e </span><a href="https://youtu.be/oI464xDu3KU?si=fgeHJuc0ruPbXe5B"><span style="font-weight: 400;">sem final</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já a segunda parte parece mais inteira, pois possui uma linha narrativa melhor desenvolvida – com início, meio e fim bem delimitados e satisfatórios – tirando o gosto amargo deixado pela experiência anterior. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comparado com o primeiro filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta um ritmo muito melhor. O </span><a href="https://youtu.be/uBKH8WaMWSo?si=AtOP4O5vKQw-z3Uj"><span style="font-weight: 400;">longa de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> adapta um trecho introdutório do livro original, e apresenta conceitos básicos do universo – o que faz a trama demorar, tornando a narrativa insossa. Já a sequência se beneficia da transposição do clímax da publicação </span><i><span style="font-weight: 400;">sci-fi </span></i><span style="font-weight: 400;">para as telonas: a direção de Denis Villeneuve consegue aproveitar bem isso, e faz a história ser impressionante, trágica, intensa, angustiante e, acima de tudo, deslumbrante</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os pontos positivos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Parte 1</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mantiveram neste novo capítulo. O </span><a href="https://www.elledecor.com/life-culture/a38066050/dune-set-design/"><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> feito por Patrice Vermette – </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/filmes/oscar-2022-duna-premiacoes-tecnicas"><span style="font-weight: 400;">vencedor do Oscar</span></a><span style="font-weight: 400;"> por </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2022 – continua impecável e encantadora. Nesta segunda parte, mergulhamos ainda mais na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que permitiu ao diretor de Arte mergulhar ainda mais nas referências de culturas do Oriente Médio somadas às identidades visuais de civilizações Incas e Astecas. A confluência de referenciais foi essencial para criar uma personalidade única e reconhecível ao universo de Herbert.</span></p>
<figure id="attachment_33671" aria-describedby="caption-attachment-33671" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33671" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-6-800x450.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Feyd-Rautha encara o Barão Harkonnen, que está fora do enquadramento. O personagem está no centro da imagem olhando para cima, de forma que a câmera o vê de baixo. O personagem utiliza uma armadura preta que deixa o peito, pescoço e braços levemente expostos. Feyd está com um semblante raivoso." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-6.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33671" class="wp-caption-text">Os fogos de artifício que aparecem na cena de Giedi Prime foram inspirados em imagens de células cancerígenas (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos momentos mais deslumbrantes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">é a sequência em </span><i><span style="font-weight: 400;">Giedi Prime</span></i><span style="font-weight: 400;">, planeta natal dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Harkonnen</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, por decisões estéticas de Villeneuve, foi toda feita em preto e branco, o que remete ao caráter colonizador da dinastia. Dessa forma, Vermette se inspirou em </span><a href="https://www-dezeen-com.translate.goog/2024/03/19/dune-part-two-production-design-patrice-vermette-interview/?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR&amp;_x_tr_pto=sc"><span style="font-weight: 400;">visuais plásticos e oleosos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que lembram o petróleo, e o resultado é um cenário opressor, repulsivo e nojento, características que se encaixam perfeitamente no grupo de antagonistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cinematografia também possui muitos méritos por essa sequência, pois o diretor de Fotografia, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=39p8wPkhmtM"><span style="font-weight: 400;">Greig Fraser</span></a><span style="font-weight: 400;"> – que retorna à sequência após ter ganhado o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> pelo primeiro capítulo –, se desafia ainda mais neste longa. Para passar a sensação do sol negro que ilumina </span><i><span style="font-weight: 400;">Giedi Prime</span></i><span style="font-weight: 400;">, usaram-se câmeras infravermelhas e dessaturação, o que proporcionou às cenas um tom mais natural e opressivo ao mesmo tempo, ajudando a diferenciar a ecologia de cada planeta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que haja muitos elementos fantasiosos em cena, Fraser e Denis </span><span style="font-weight: 400;">Villeneuve buscaram manter um viés realista nas filmagens e enquadramentos. Todo o segmento de Paul montado pela primeira vez no </span><a href="https://youtu.be/7E6AcXUKSVA?si=Wj2dPH_FJL_ESmod"><span style="font-weight: 400;">verme</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi inspirado em vídeos de pessoas mergulhando e enfrentando vendavais, e o referencial mais próximo da realidade junto de </span><i><span style="font-weight: 400;">closes </span></i><span style="font-weight: 400;">mais intensos faz com que o espectador se sinta na pele de </span><i><span style="font-weight: 400;">Muad’Dib</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_33670" aria-describedby="caption-attachment-33670" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33670" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-7-800x480.jpeg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Paul Atreides monta o verme-de-areia shai-hulud que está indo para a direita da imagem. O personagem está em frente ao sol em uma posição que tenta manter o equilíbrio. Paul está com o corpo inteiramente coberto pelo trajestilador e um capuz alaranjado na cabeça que esvoaça com o vento. O personagem é visto de lado e ele segura duas cordas com ambas as mãos que se conectam em um ponto fora do enquadramento. É possível ver apenas um pedaço do verme com pele cinzenta e áspera e cheia de elevações." width="800" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-7-800x480.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-7-1024x614.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-7-768x461.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-7.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33670" class="wp-caption-text">A cena do verme demorou semanas para ser gravada, pois necessitava de vários ângulos diferentes (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de Villeneuve do segundo capítulo consegue entregar cenas de ação ainda mais empolgantes que o primeiro, dando o tom épico que </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">merecia. A batalha final é grandiosa e espetacular, e é um deleite para quem se permitiu imergir naquele mundo. O deserto parece mais vivo, e o diretor se inspira em</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=HxejohkhRuQ"><i><span style="font-weight: 400;">Lawrence da Arábia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1962) para filmar e transformar aquele cenário em um personagem vivo e atuante na trama, algo perceptível durante toda a projeção, principalmente nas interações entre os </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Arrakis</span></i><span style="font-weight: 400;">, que parecem pertencer a uma mesma tribo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O único ponto negativo da cinematografia, também presente na </span><i><span style="font-weight: 400;">Parte 1</span></i><span style="font-weight: 400;">, é que a sensação de calor do deserto nunca é transmitida para o espectador. Jamais vemos Paul Atreides, Lady Jessica, Stigar ou qualquer soldado Harkonnen sofrer com o sol. Ter essa percepção auxiliaria na construção do mundo, pois os </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen </span></i><span style="font-weight: 400;">pareceriam mais ameaçadores por viver naquelas condições, além de demonstrar ao público como aquela terra é inóspita. Isso é algo que pode ser melhor visto em outros filmes, como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/mad-max-estrada-da-furia-o-reboot-da-distopia/"><i><span style="font-weight: 400;">Mad Max: Estrada da Fúria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015).</span></p>
<figure id="attachment_33669" aria-describedby="caption-attachment-33669" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33669" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-8-800x420.jpeg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Paul Atreides encara o shai-hulud que irá montar. A câmera está em plano detalhe destacando os olhos do personagem, que nesta cena ainda são verdes. O personagem utiliza uma máscara e capacete de trajestilador e um lenço laranja cobrindo o restante da cabeça." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-8-800x420.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-8-1024x538.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-8-768x403.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-8.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33669" class="wp-caption-text">Os linguistas David J. Peterson e Jessie Peterson criaram a Chakobsa, a linguagem usada pelos fremen (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Hans Zimmer retorna para a trilha sonora da sequência, reutilizando muito do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=93A1ryc-WW0"><span style="font-weight: 400;">primeiro filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sem deixar de expandir o que já foi feito. As músicas aqui servem não só para demonstrar a grandeza e o aspecto único da história, mas também para dar um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r5SE6VOIwnc"><span style="font-weight: 400;">toque funesto</span></a><span style="font-weight: 400;"> às consequências dos atos dos protagonistas. Reconhecer algumas melodias não incomoda, pois se tem a experiência de ver </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;"> criar uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TXD-ypn_g0c"><span style="font-weight: 400;">identidade sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> própria, bem distante das orquestras sinfônicas europeias que Zimmer conseguiu, com sucesso, se afastar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As músicas </span><i><span style="font-weight: 400;">Water of Life</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Worm Ride </span></i><span style="font-weight: 400;">são semelhantes a </span><i><span style="font-weight: 400;">Gom Jabbar </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Ripples in the Sand </span></i><span style="font-weight: 400;">do primeiro filme, mas possuem diferenças cruciais. Uma das maiores novidades é o ritmo completamente frenético das composições utilizadas pelas cenas de ação, em que o </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> da juventude de Hans Zimmer é abraçado, como na trilha </span><i><span style="font-weight: 400;">Harvester Attack</span></i><span style="font-weight: 400;">. A brilhante </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/who-is-the-dune-score-singer-hans-zimmer-loire-cotler#:~:text=Singer%20Loire%20Cotler%2C%20who%20describes,the%20Last%20Dragon%2C%20as%20well"><span style="font-weight: 400;">Loire Cotler</span></a><span style="font-weight: 400;"> retorna para fazer o já icônico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_j5GgGdSwjE"><span style="font-weight: 400;">vocal gutural</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, ao mesmo tempo, alienígena para as novas faixas.</span></p>
<figure id="attachment_33668" aria-describedby="caption-attachment-33668" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33668" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-800x413.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Chani, à esquerda, e Paul, à direita, estão sentados em uma duna de areia observando o restante do deserto de Arrakis. A imagem é um plano aberto que coloca os personagens fora de foco e destaca a imensidão de Dunas de areia em frente a eles. No horizonte, é possível ver somente um céu amarelado." width="800" height="413" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-800x413.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-1024x528.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-768x396.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-1536x793.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-2048x1057.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-1200x619.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33668" class="wp-caption-text">Hans Zimmer e a equipe modificaram instrumentos para trazer melodias únicas à Arrakis (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora aparece em </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tVX2ZWsejLs"><span style="font-weight: 400;">humanizar</span></a><span style="font-weight: 400;"> os sentimentos dos personagens. O primeiro filme falha em não apresentar esse lado emocional e utiliza as faixas principalmente para ambientar o planeta </span><i><span style="font-weight: 400;">Arrakis</span></i><span style="font-weight: 400;">. Já a sequência se beneficia muito da </span><i><span style="font-weight: 400;">soundtrack</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">que coloca as famílias e os povos apresentados sob a luz de uma série de espectros emotivos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior destaque fica para a belíssima </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7lG5m4JN0exualOkghSNXq?si=bf1276246d0645b9"><i><span style="font-weight: 400;">A Time of Quiet Between Storms</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, utilizada como rima sonora para o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JGLEVXJoetU&amp;list=PLIRc6UmLbMO0uTtFYzuH2QhmxOre_XrHw&amp;index=17"><span style="font-weight: 400;">romance</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre Chani e Paul. A música foi composta por Zimmer com o intuito de representar o conceito de amor – e é possível dizer que o compositor conseguiu. A trilha complementa, por meio do som da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9B8quqDC_MM"><span style="font-weight: 400;">flauta duduk</span></a><span style="font-weight: 400;">, as belezas do cenário desértico do planeta </span><i><span style="font-weight: 400;">Arrakis</span></i><span style="font-weight: 400;">, além da relação ingênua e inocente entre os personagens naquele cenário hostil. </span></p>
<figure id="attachment_33667" aria-describedby="caption-attachment-33667" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33667" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10-800x450.png" alt="Imagem de uma Apresentação ao vivo do compositor Hans Zimmer: À esquerda, Loire Cotler grita no microfone enquanto Hans Zimmer, à direita, fora de foco e atrás dela, toca guitarra. Cotler é uma mulher branca de cabelo loiro e um semblante raivoso. A cantora utiliza um vestido marrom e um lenço amarelado ao redor do pescoço. Hans Zimmer utiliza uma camisa branca e possui um semblante alegre no rosto. Atrás deles é possível ver outros músicos fora de foco." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10.png 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33667" class="wp-caption-text">Loire Cotler é descrita por Hans Zimmer como dona de uma voz de banshee (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A recontextualização da mesma melodia no final do filme, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Kiss the Ring</span></i><span style="font-weight: 400;">, só reitera as tristes mudanças sofridas por Chani e Paul até o desfecho da história. É possível ouvir sons ao fundo que lembram um martelador, mas se tratam de um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AkZBjK69VcE"><span style="font-weight: 400;">coração batendo</span></a><span style="font-weight: 400;">. A principal impressão que a produção</span> <span style="font-weight: 400;">deixa é justamente a de que a direção de Denis Villeneuve finalmente encontrou um caminho que faça a audiência se importar de vez e se maravilhar com o que é apresentado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo assim, Hans Zimmer não rouba o espaço de Richard King, o editor de som de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os sons de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eWV3Om6oHCM"><i><span style="font-weight: 400;">Arrakis</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são tão bem inseridos na trama que fica fácil esquecer, por alguns segundos, que estamos em 2024 e não a 10 mil anos no futuro. Essa impressão aparece seja pelo barulho das usinas colheitadeiras operando e explodindo, ou pelo rugido jurássico do </span><i><span style="font-weight: 400;">shai-hulud</span></i><span style="font-weight: 400;"> para os personagens.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Dune: Part Two (Original Motion Picture Soundtrack)" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/1PeYjDmxcRNvxLd5mGHuCC?si=5dklBOMYQSm_RL_LHzfIkg&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos melhores usos de som na narrativa é a característica quase fantasmagórica da </span><a href="https://www.omelete.com.br/duna/duna-bene-gesserit-quem-sao"><span style="font-weight: 400;">Voz</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto no primeiro filme vemos apenas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=l9fvEDpub8M"><span style="font-weight: 400;">breves momentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do uso da habilidade das </span><i><span style="font-weight: 400;">Bene Gesserit</span></i><span style="font-weight: 400;"> de controlar a mente das pessoas, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> possibilita ver muitas aplicações criativas desse método. Vale menção tanto ao uso dela pela Lady Jessica quanto pelas breves aparições com toque </span><i><span style="font-weight: 400;">femme fatale </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zxuz2o1uKf4"><span style="font-weight: 400;">Lady Fenring</span></a><span style="font-weight: 400;">, interpretada por Léa Seydoux. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, as combinações sonoras não param apenas nas características alienígenas e futurísticas interagindo de forma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Gkf_rdROyWw"><span style="font-weight: 400;">plausível</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a areia. A mistura entre a cinematografia de uma epopeia e o som de outro planeta nos ajuda a entender o número chocante de seguidores que Paul Atreides conseguia conforme o avançar da história. Ouvir o puxar coletivo das centenas de milhares de </span><a href="https://open.spotify.com/episode/49778nkGPfMUfp9yrlDhOg?si=65d8579ee7434433"><i><span style="font-weight: 400;">dagacrises</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e sussurros que evoluem para gritos de guerra fiéis ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Lisan al Gaib</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma experiência inesquecível para os ouvidos de qualquer um. </span></p>
<figure id="attachment_33666" aria-describedby="caption-attachment-33666" style="width: 688px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33666" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-11.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Lady Fenring caminha em um corredor cinzento em forma de tubo com linhas destacando-se com um relevo arredondado. Lady Fenring é uma mulher jovem e branca de cabelos loiros. A personagem está no centro da imagem e é vista de perfil. A mulher utiliza um um vestido azul com um tecido parecido com veludo. Lady Fenring retira uma capa completamente preta com uma textura quase plástica. A personagem possui um semblante calmo e com os olhos fechados." width="688" height="581" /><figcaption id="caption-attachment-33666" class="wp-caption-text">As sombrias e misteriosas Bene Gesserit retornam para o seriado Dune: Prophecy (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O saldo geral da segunda parte inspirada no clássico de Frank Herbert é de expansão, tanto do primeiro filme quanto do próprio </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vgEG0GW5a0A"><span style="font-weight: 400;">livro original</span></a><span style="font-weight: 400;">, embora muito da obra fique de fora. Além do maior destaque dado para as Casas </span><i><span style="font-weight: 400;">Harkonnen</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/280534-duna-2-conheca-seis-casas-faccoes-principais-filmes.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Corrino</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e para o universo que cerca essas famílias, em comparação ao longa de 2021, </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> aprofunda a cultura dos </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen</span></i><span style="font-weight: 400;">, fazendo uma distinção entre os povos do norte e do sul. Essa decisão é acertada, pois demonstra as diferenças de ideias entre as pessoas daquele povo. </span></p>
<p><strong><span style="font-weight: 400;">A melhor decisão da adaptação de Denis Villeneuve é justamente mostrar, sem rodeios para a audiência, o quanto a história proposta é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=68ZPO402dqo"><span style="font-weight: 400;">subversiva</span></a><span style="font-weight: 400;">. Embora </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">tenha muitos arquétipos de histórias de ficção científica – como um herói clássico super poderoso e um povo nativo para supostamente ser salvo –, é a partir da crítica sobre esses tropos narrativos, somada a um olhar questionador à religião e ao colonialismo, que a obra original se tornou clássica.</span></strong></p>
<figure id="attachment_33665" aria-describedby="caption-attachment-33665" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33665" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12-800x450.jpg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2. No centro da imagem, aparecendo apenas o rosto, está Stilgar. Ele é um homem branco, seus olhos são azuis e ele tem uma barba preta. Ele veste o trajestilador e possui um tubo que sai da nuca, segue pelo lado direito do rosto e se conecta ao nariz. Ele também usa um lenço na cabeça. Seu olhar é de espanto. Atrás dele está o deserto e alguns fremen em desfoque." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33665" class="wp-caption-text">“Lisan al Gaib!” (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Villeneuve claramente não quis correr o risco da audiência não entender essa mensagem sobre o perigo de figuras messiânicas, mesmo que não pudesse escapar de uma estética </span><a href="https://www.politize.com.br/orientalismo/"><i><span style="font-weight: 400;">techno</span></i><span style="font-weight: 400;">-oriental</span></a><span style="font-weight: 400;"> presente desde as raízes da </span><a href="https://newlinesmag.com/review/dune-frank-herbert-the-republican-salafist/"><span style="font-weight: 400;">proposta</span></a><span style="font-weight: 400;"> elaborada por Herbert. Nessa perspectiva, são poucos os personagens com </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/uk/entertainment/a60007426/dune-2-middle-east-north-africa-muslim-influence-erasure/"><span style="font-weight: 400;">ascendência árabe</span></a><span style="font-weight: 400;"> presentes com destaque nos acontecimentos, mesmo que palavras como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=124xCHfVUk4"><i><span style="font-weight: 400;">Lisan al Gaib</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Mahdi </span></i><span style="font-weight: 400;">sejam repetidas à exaustão, tornando-se até fontes para incontáveis </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I9Jhy0NeEDg&amp;t=113s"><i><span style="font-weight: 400;">memes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que os </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen </span></i><span style="font-weight: 400;">não sejam um povo necessariamente árabe na obra original, uma maior </span><a href="https://www.vulture.com/2021/10/dune-has-a-desert-problem.html"><span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> à frente e atrás das câmeras seria mais benéfica para </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;">. A resistência em não deixar a humanidade se extinguir é um dos temas principais do livro </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rIqnuBOtYFA"><i><span style="font-weight: 400;">Imperador-Deus de Duna</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e da saga inteira em geral. Nesse sentido, focar em narrativas de um povo da vida real que </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/uk/reports/a46597986/why-muslim-women-wear-the-hijab/"><span style="font-weight: 400;">sobrevive</span></a><span style="font-weight: 400;"> – apesar de todas as circunstâncias –, em não deixar a própria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G1j_Q_JraL0"><span style="font-weight: 400;">cultura</span></a><span style="font-weight: 400;"> morrer, faria todo o sentido dentro da lógica do universo proposto.</span></p>
<figure id="attachment_33664" aria-describedby="caption-attachment-33664" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33664" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-800x450.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2. No centro da imagem está Chani, ela veste o trajestilador e está com o cabelo preso. Ela encara Paul. Ao redor dela estão os fremen, todos estão desfocados, mas a maioria é barbado, são negros, usam o trajestilador e um leço ao redor da cabeça." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-2048x1152.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33664" class="wp-caption-text">As ações de Chani são um dos fatores que mais empolgam para um possível ‘Messias de Duna’ (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda parte da epopeia de Denis Villeneuve supera o antecessor e abre portas para uma </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/a-unica-condicao-de-denis-villeneuve-para-dirigir-duna-3/"><span style="font-weight: 400;">sequência</span></a><span style="font-weight: 400;"> que conclua a jornada de todos essesP personagens, bem como o fechamento do tema sobre as figuras messiânicas. O romance escrito por Frank Herbert </span><a href="https://www.omelete.com.br/duna/duna-influencia-ficcao-cientifica#:~:text=Mesmo%20ap%C3%B3s%20in%C3%BAmeras%20mudan%C3%A7as%20no,literal%20a%20trama%20de%20Duna."><span style="font-weight: 400;">inspirou</span></a><span style="font-weight: 400;"> centenas de histórias de ficção científica e de fantasia, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">promete influenciar muitas obras que ainda virão. A franquia está alcançando o imaginário popular através de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-BsXtS09XZg"><span style="font-weight: 400;">temas relevantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, um universo muito bem estruturado e um elenco marcante. A soma de todos esses fatores resulta em uma aventura de outra galáxia, que torna a experiência de ir ao cinema inesquecivelmente épica. </span></p>
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		<title>A Pequena Sereia de Halle Bailey comove e ensina como adaptar uma animação</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Jul 2023 12:42:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal Em 2019, foi anunciado o elenco do live-action de A Pequena Sereia, tendo a atriz Halle Bailey como a protagonista Ariel, o que incomodou diversos fãs da animação original. Possíveis argumentos que poderiam ser levantados &#8211; mesmo sem um material promocional da obra sequer ter sido divulgado até aquele momento &#8211; deram &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-pequena-sereia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Pequena Sereia de Halle Bailey comove e ensina como adaptar uma animação"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31252" aria-describedby="caption-attachment-31252" style="width: 995px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31252" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-2.png" alt=" Cena do filme A Pequena Sereia. Nela, observa-se a personagem Ariel dentro do mar olhando o seu reflexo através da água." width="995" height="766" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-2.png 995w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-2-800x616.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image2-2-768x591.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31252" class="wp-caption-text">O longa amplia a relação de Ariel com a sua liberdade, conceito até então desconhecido pela protagonista (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2019, foi anunciado o elenco do</span><i><span style="font-weight: 400;"> live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pequena Sereia</span></i><span style="font-weight: 400;">, tendo a atriz Halle Bailey como a protagonista Ariel, o que incomodou diversos fãs da animação original. Possíveis argumentos que poderiam ser levantados &#8211; mesmo sem um material promocional da obra sequer ter sido divulgado até aquele momento &#8211; deram lugar a uma enxurrada de comentários racistas pela </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. A cantora, da dupla Chloe x Halle, sofreu ataques desumanos devido a sua cor de pele: o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">teaser </span></i><span style="font-weight: 400;">do filme foi bombardeado por </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2022/09/12/com-halle-bailey-como-ariel-teaser-de-a-pequena-sereia-recebe-serie-de-dislikes-apos-lancamento.ghtml"><span style="font-weight: 400;">um alto número de </span><i><span style="font-weight: 400;">dislikes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o que mostra uma certa resistência &#8211; no caso, puramente racismo &#8211; do público para sua versão da Ariel. Agora, após a estreia, finalmente podemos avaliar de uma forma justa: Bailey fez jus à icônica sereia conhecida em 1989?</span></p>
<p><span id="more-31251"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa pergunta não poderia ser respondida de outra forma: a artista é, de fato, a Ariel que precisávamos. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jsMtFCiZrDA"><span style="font-weight: 400;">Com a sua voz angelical e única</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela confere à personagem um traço de identificação ainda maior do que o presenciado na animação. A escolha da promissora atriz mostra que, quando quer, os estúdios </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> entregam ao público uma adaptação digna e que não compromete de forma alguma o seu material base. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O retrato da icônica sereia é feito de uma forma extremamente cuidadosa, uma vez que a personagem, pelo seu carisma, precisava ter a sua história contada de uma maneira que transpusesse da animação para o real a sua singularidade, a qual captou fãs pelo mundo inteiro. Com a escalação da artista para o elenco, esse legado foi levado adiante, ainda mais ao se observar o número de garotas pretas que puderam se sentir, pela primeira vez em um </span><a href="https://animateriastudios.com/afinal-o-que-e-live-action/"><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">uma princesa de um conto de fantasias.</span></p>
<figure id="attachment_31253" aria-describedby="caption-attachment-31253" style="width: 1214px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31253" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-1.png" alt="Foto da atriz Halle Berry durante a premiere de A Pequena Sereia. Ela está com um vestido azul e está sorrindo, em frente a um fundo azul com o logotipo do filme." width="1214" height="811" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-1.png 1214w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-1-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-1-1024x684.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-1-768x513.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image3-1-1200x802.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31253" class="wp-caption-text">Com a atuação de Halle Bailey, a sereia Ariel tem o seu legado mantido e expandido para as novas gerações (Foto: Don Arnold)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por Rob Marshall (</span><i><span style="font-weight: 400;">Chicago</span></i><span style="font-weight: 400;">), </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pequena Sereia demonstra</span></i><span style="font-weight: 400;"> todo o cuidado do cineasta na construção do projeto: com o objetivo de colocar em tela a realidade, ele optou pela </span><a href="https://www.eonline.com/br/photos/36182/10-segredos-revelados-dos-bastidores-de-a-pequena-sereia"><span style="font-weight: 400;">técnica fotorrealista</span></a><span style="font-weight: 400;"> na hora de retratar o fundo do mar. Certamente, em algumas cenas específicas em que apenas o cenário abaixo da terra é mostrado, pode-se perceber que o distanciamento da fotografia do filme de 1989 foi colocado em prática pela equipe de produção, uma vez que é notável a forma como o lar de Ariel é retratado. Além disso, com os designs criados para o próprio longa, o trabalho de John Myhre evidencia um frescor no que se relaciona ao </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i><span style="font-weight: 400;"> de adaptações </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; diferentemente do de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Rei Leão</span></i><span style="font-weight: 400;">, já que o público, ao ver o resultado final do filme, consegue acreditar que aquele cenário existe na vida real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um ponto que deve ser ressaltado e elogiado em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pequena Sereia </span></i><span style="font-weight: 400;">são os atores. Devido a sua excelente bagagem como comediante, Melissa McCarthy expressa uma Úrsula, a vilã, ao mesmo tempo assustadora e divertida. A maquiagem da personagem, que na animação é inspirada na arte da cultura das </span><a href="https://gizmodo.uol.com.br/quem-foi-divine-drag-queen-que-inspirou-vila-ursula-de-a-pequena-sereia/"><i><span style="font-weight: 400;">drag queens</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">no </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action </span></i><span style="font-weight: 400;">não possui esse fator, o que pode ser um problema para os fãs mais apegados. No entanto, a caracterização de McCarthy não atrapalha o andamento da personagem e muito menos a afasta dos espectadores. Outro acerto é Javier Bardem, como o temido Rei Tritão. A roupagem dada pelo ator humaniza o pai de Ariel, que é extremamente protetor com a sua família e respeitado como o líder dos mares.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliás, a vontade da protagonista aqui é mostrada de uma forma bem clara: ela quer ser humana porque quer a sua liberdade. Antes mesmo de conhecer Eric (Jonah Hauer-King), a adolescente já possui o sonho de se aventurar pelo mundo terrestre. Com a canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kf7Dss2gCe0"><i><span style="font-weight: 400;">Part of Your World</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, solo poderoso da princesa, o público entende o porquê o fundo do mar não ser seu único lar, além de se emocionar com os vocais tocantes de Halle Bailey que, nesse número, mostra a capacidade e a facilidade com que domina o papel. Por outro lado, o melhor amigo da sereia, Linguado (Jacob Tremblay), é um dos pontos fracos: todo o carisma do personagem não é captado e colocado no </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">, tirando o interesse acerca do seu arco. Isso é algo que não acontece com Sebastião (Daveed Diggs), que serve como alívio cômico e obtém na versão de 2023 um maior tempo de tela, sendo assim o mais importante </span><a href="https://thecinemaholic.com/best-movie-sidekicks/"><span style="font-weight: 400;">companheiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Ariel.</span></p>
<figure id="attachment_31255" aria-describedby="caption-attachment-31255" style="width: 927px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31255" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5.png" alt="Cena do filme A Pequena Sereia. Nela, observa-se a personagem Úrsula realizando um feitiço. É possível ver uma espécie de fogo, sobre o qual a vilã está fazendo o feitiço." width="927" height="791" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5.png 927w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5-800x683.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image5-768x655.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31255" class="wp-caption-text">Melissa Mccarthy, icônica comediante, acerta no tom de Úrsula no live-action de A Pequena Sereia (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o</span><i><span style="font-weight: 400;"> live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi anunciado, a seguinte pergunta foi feita: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quem seria capaz de interpretar o príncipe Eric?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O cantor Harry Styles, inclusive, </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/diretor-de-a-pequena-sereia-revela-por-que-harry-styles-recusou-papel,1da1c620a4f45108e78b994fb060eb06ig4jtcli.html"><span style="font-weight: 400;">quase</span></a><span style="font-weight: 400;"> pegou o papel do par romântico de Ariel, mas foi Hauer-King quem levou a melhor. Entretanto, no momento em que se compara a atuação de King com o nível entregado por sua co-protagonista, percebe-se que a adaptação de Eric não foi um dos acertos do filme, visto que o seu solo, a música </span><i><span style="font-weight: 400;">Wild Uncharted Waters</span></i><span style="font-weight: 400;">, é completamente desnecessária dentro das 2 horas e 20 minutos pelas quais o longa caminha, além de não acrescentar camadas para o personagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por esse lado, a trilha sonora composta por Alan Menken, que participou da curadoria e produção da animação de 1989 e da adaptação, consegue fazer com que o fã saia da sala de cinema correndo para os agregadores de música a fim de ouvir o álbum completo. Com a adição de quatro novas canções, dentre elas um novo solo da protagonista, chamado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8CSI9DP55r4"><i><span style="font-weight: 400;">For The First Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e a engraçada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=N4ovRhX8XIM"><i><span style="font-weight: 400;">The Scuttlebutt</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; ambas escritas por Lin Manuel Miranda (</span><a href="https://personaunesp.com.br/em-um-bairro-de-nova-york-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Em Um Bairro de Nova York</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) em parceria com Menken &#8211; a trilha sonora é, com toda certeza, um dos pontos altos dessa nova versão. As faixas originais, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3a8LVTchUDk"><i><span style="font-weight: 400;">Kiss The Girl</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Wbv_huklr5E"><i><span style="font-weight: 400;">Under The Sea</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, continuam tão divertidas de se assistir e, com exceção do design do personagem Linguado, todo o resto é representado de uma forma crível e real. </span></p>
<figure id="attachment_31254" aria-describedby="caption-attachment-31254" style="width: 1029px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31254" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image4.png" alt="Cena do filme A Pequena Sereia. Nela, há a personagem Ariel escondida e olhando para um lugar específico." width="1029" height="736" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image4.png 1029w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image4-800x572.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image4-1024x732.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image4-768x549.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31254" class="wp-caption-text">No filme de 2023, fica mais claro o que há de comum entre Ariel e Eric: ambos querem sair das amarras de seus respectivos mundos e terem a sua liberdade conquistada (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Pequena Sereia</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta problemas de narrativa: mesmo com um tempo gigantesco, se comparado aos 83 minutos da animação, o filme não sabe se prioriza o desenvolvimento de personagem ou se prefere recriar cenas idênticas às do longa de 1989. Todo o terceiro ato é corrido e resolvido rapidamente, o que afasta seu público, dado que, pelo fato de as resoluções terem sido resolvidas em questão de segundos, o medo e o pânico são inúteis devido à falta de seriedade dos problemas gerados. Talvez se o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BiRgpDIGY8k&amp;feature=youtu.be"><span style="font-weight: 400;">solo de Eric</span></a><span style="font-weight: 400;"> e as outras duas músicas novas fossem cortadas, teria mais tempo para focar estritamente no desenvolvimento dos enredos que a trama apresenta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, no geral o saldo de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pequena Sereia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais positivo do que negativo. Com a ótima direção de Marshall, alinhada ao comprometimento dos atores de entregarem um excelente trabalho, é possível se emocionar com o mais novo (não por muito tempo) </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">. Embora o filme tenha seus acertos, mais uma vez é preciso reforçar: a guinada de adaptações de obras que já existem para o Cinema evidenciam a crise que esse setor está passando, porque a existência de longas adaptados de animações é </span><a href="https://cinepop.com.br/por-que-as-adaptacoes-em-live-action-de-desenhos-classicos-sao-tao-ruins-420797/"><span style="font-weight: 400;">desnecessária</span></a><span style="font-weight: 400;">. Até o momento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aladdin</span></i><span style="font-weight: 400;"> é considerado pelo público geral o melhor filme adaptado da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas a história de Ariel</span> <span style="font-weight: 400;">vem logo atrás e, mais precisamente, por conta da belíssima atuação que Bailey entregou.</span></p>
<figure id="attachment_31256" aria-describedby="caption-attachment-31256" style="width: 1192px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31256 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1.png" alt="Cena do filme A Pequena Sereia. Nela, estão os personagens Eric (à esquerda) e Ariel (à direita) olhando para um mapa. Ele está com uma camisa de manga longa branca, com uma espécie de jaqueta marrom por cima, enquanto ela usa um vestido branco e uma faixa rosa na cabeça. O ambiente é iluminado com as velas presentes." width="1192" height="762" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1.png 1192w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-800x511.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-1024x655.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/image1-768x491.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31256" class="wp-caption-text">Os atores, que são próximos na vida real, transpuseram para as telas a sua química (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, é necessário o </span><a href="https://trecobox.com.br/primeiras-reacoes-a-pequena-sereia-halle-bailey/"><span style="font-weight: 400;">reconhecimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> da atriz novata nesse papel. Ela interpretou uma personagem muito querida pelos fãs aficionados, o que não justifica de forma alguma todo o preconceito sofrido pela artista. Espera-se, aliás, que a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;"> aprenda duas coisas: primeiro, deixar de criticar o filme antes do lançamento e, segundo, parar de cometer crimes e disfarçá-los como opiniões. A protagonista é uma mulher forte e determinada, algo que transparece na intérprete no momento em que você a vê em cena. Dito isso, é importante exaltar </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pequena Sereia</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2023, pois é esse o projeto que apresenta ao mundo o talento incomparável de Halle Bailey.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: The Little Mermaid (Original Motion Picture Soundtrack)" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/40tsP3taBOC9HqNaLCZZKP?si=O8fDIYCUSZOBrmoUjya5Ig&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>A retórica de Apresentando os Ricardos é alienante e perversa</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Mar 2022 17:24:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Uma característica não muito sutil do roteirista Aaron Sorkin é seu longo interesse em narrativas históricas. Assinando textos desde o drama esportivo de Moneyball até a trama tecnológica e psicodélica de A Rede Social – responsável pelo seu único Oscar, em Roteiro Adaptado –, era de se esperar que, ao cineasta decidir se &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/apresentando-os-ricardos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A retórica de Apresentando os Ricardos é alienante e perversa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26755" aria-describedby="caption-attachment-26755" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26755" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6.jpg" alt="Cena do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e colorida. Nela, um homem e uma mulher se encaram seriamente, como se estivessem no meio de uma discussão. O homem, Desi Arnaz, interpretado por Javier Bardem, é um homem branco, de cabelos curtos e escuros penteados em um topete, que veste uma camisa marrom. Enquanto a mulher, Lucille Ball, interpretada por Nicole Kidman, é uma mulher branca, de cabelos ruivos tingidos que se estendem até seus ombros, vestindo uma camisa verde e levantando a sua mão direita, pintada em esmalte vermelho, até a altura de seu peito, enquanto aponta para Desi. O cenário é o set de gravação de uma série." width="1300" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26755" class="wp-caption-text">Nicole Kidman, Javier Bardem e J. K. Simmons, indicados nas categorias de atuação, já foram concebidos com um Oscar no passado: Kidman ganhou em 2002, por As Horas; Bardem em 2008, por Onde os Fracos Não Têm Vez; e Simmons em 2015, por Whiplash (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma característica não muito sutil do roteirista </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/aaron-sorkin/"><span style="font-weight: 400;">Aaron Sorkin</span></a><span style="font-weight: 400;"> é seu longo interesse em </span><a href="https://cm-ob.pt/13-best-historical-dramas-netflix-right-now"><span style="font-weight: 400;">narrativas históricas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assinando textos desde o drama esportivo de </span><a href="https://www.indiewire.com/2011/09/review-moneyball-leaves-the-math-on-the-bench-and-hits-a-triple-52071/"><i><span style="font-weight: 400;">Moneyball</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">até a trama tecnológica e psicodélica de </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2010/oct/14/the-social-network-review"><i><span style="font-weight: 400;">A Rede Social</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – responsável pelo seu único </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, em Roteiro Adaptado –, era de se esperar que, ao cineasta decidir se arriscar na cadeira de direção, esse padrão continuasse em voga. Assim, depois de dois filmes com recepção razoável, ele aposta no mais apelativo dos </span><a href="https://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/OscarBait"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar bait</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e dirige uma cinebiografia </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/166169-os-20-melhores-filmes-sobre-fazer-cinema.htm"><span style="font-weight: 400;">irremissivelmente metalinguística</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;">, no caso, se insere no anos 50, dentro dos bastidores da série </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7gF-g-nNWqs"><i><span style="font-weight: 400;">I Love Lucy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a mais relevante e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-good-place-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">disruptiva </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da História da Televisão americana, comentando, no processo, o próprio funcionamento de um seriado. </span></p>
<p><span id="more-26754"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes do novo longa, as empreitadas de Sorkin como diretor ocorreram no morno </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2017/dec/31/mollys-game-review-jessica-chastain-aaron-sorkin-poker"><i><span style="font-weight: 400;">Molly’s Game</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2017, que teve retorno positivo de crítica e conquistou espaço no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em Melhor Roteiro Adaptado. Já em 2020, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez uma campanha massiva para divulgar o aclamado </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, resultando em seis indicações na premiação, incluindo Melhor Filme. No entanto, apesar do sucesso de seus dois primeiros longas, Sorkin falhou em conseguir uma indicação em Melhor Direção e, migrando agora para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video </span></i><span style="font-weight: 400;">com </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi ainda mais esnobado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com a sua presença marcante em </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/globo-de-ouro-2022-veja-a-lista-completa-dos-vencedores.ghtml"><span style="font-weight: 400;">outras premiações</span></a><span style="font-weight: 400;">, a principal aposta do </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> perdeu a relevância e ficou em segundo plano entre os outros competidores. As únicas categorias em que foi citado foram as de Melhor Ator Coadjuvante para J. K. Simmons – por seu papel como William Framney –, e Melhor Atriz e Ator, para </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/dec/26/im-not-just-coasting-along-nicole-kidman-on-fame-family-and-what-keeps-her-awake-at-night"><span style="font-weight: 400;">Nicole Kidman</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/dec/17/javier-bardem-when-i-won-the-oscar-i-felt-great-but-it-didnt-make-any-sense"><span style="font-weight: 400;">Javier Bardem</span></a><span style="font-weight: 400;">, respectivamente. E, realmente, os dois últimos são os holofotes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Being the Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;">, como é chamado originalmente. Ambos vencedores do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">protagonizam a narrativa na pele de Lucille Ball e Desi Arnaz, o </span><a href="https://administradores.com.br/artigos/lucille-ball-e-desi-arnaz-o-casamento-que-mudou-hollywood"><span style="font-weight: 400;">casal icônico</span></a><span style="font-weight: 400;"> da TV, responsáveis por encarnar Lucy e Ricky Ricardo em </span><i><span style="font-weight: 400;">I Love Lucy</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, fora dos televisores de 60 milhões de estadunidenses, seu relacionamento era complicado e turbulento. </span></p>
<figure id="attachment_26757" aria-describedby="caption-attachment-26757" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2.webp" alt="Fotografia retirada do set de gravação do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e colorida. Nela, Aaron Sorkin aponta sua mão para frente, enquanto conversa com Nicole Kidman, que está ao seu lado. Aaron Sorkin é um homem branco, de cabelos curtos, que veste uma camisa azul-clara, uma calça bege e um crachá vermelho que estampa seu rosto no pescoço. Na outra mão, ele segura alguns papéis. Já Nicole Kidman é uma mulher branca, de cabelos ruivos tingidos que se estendem até seus ombros. Ela veste uma camisa verde xadrez, uma calça preta e segura com suas duas mãos uma pasta cheia de papéis. O cenário do set é uma sala de estar." width="1600" height="1066" /><figcaption id="caption-attachment-26757" class="wp-caption-text">Em entrevista para o Hollywood Reporter, Aaron Sorkin afirmou que uma das primeiras coisas que o motivou a contar a história do relacionamento de Desi e Lucille é como “Lucille Ball não tinha nada a ver com Lucy Ricardo, e não parecia nada com Lucy Ricardo” (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história se passa em um período delicado do século XX. Em meio a </span><a href="https://www.cafehistoria.com.br/anticomunismo/"><span style="font-weight: 400;">paranoia</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Guerra Fria, o </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-foi-o-macarthismo/"><span style="font-weight: 400;">Macarthismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> passava por seu auge nos anos 50 e se instaurava uma caça às bruxas contra a esquerda no país. O senador Joseph McCarthy – que dá nome ao movimento – liderou uma controversa campanha que punia supostos comunistas no governo e em outras instituições, como a própria Hollywood. Diversos artistas e expoentes da cultura foram marcados nessa lista condenatória, quando ficavam com o nome sujo, eram detidos e perdiam toda a sua carreira. À pedido de seu avô, Lucille Ball se filiou ao Partido Comunista em 1936 e, apesar de nunca ter se engajado politicamente, foi vítima dessa perseguição 20 anos depois. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia no momento em que, depois de inocentada pelo Comitê de Atividades Antiamericanas, Lucille é </span><a href="https://www.cheatsheet.com/entertainment/being-the-ricardos-lucille-ball-really-communist.html/"><span style="font-weight: 400;">exposta</span></a><span style="font-weight: 400;"> em plena rádio nacional, colocando em risco a continuidade do programa. Porém, aquela semana guardava ainda mais surpresas. Em paralelo a esse colapso, espalhava-se pelos tabloides um suposto caso de traição de Desi que, embora negasse veementemente, colocava em cheque a fidelidade e integridade do casamento. E, ao mesmo tempo, Lucy ainda descobria uma gravidez inesperada, enlouquecendo toda a sala de roteiristas da série, já que, naquela época, era </span><a href="https://snews.pro/pt/p/i-love-lucy-a-gravidez-de-lucille-ball-foi-quase-polemica-demais-para-a-tv-14990561"><span style="font-weight: 400;">terminantemente proibido</span></a><span style="font-weight: 400;"> qualquer alusão sexual na Televisão, o que incluía também menções a gravidez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é que essas tensões efetivamente se desenrolaram na vida real. Lucille Ball foi acusada de ser comunista, ficou grávida em meio a produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">I Love Lucy</span></i><span style="font-weight: 400;"> – o que mais tarde a transformaria na </span><a href="https://www.magazine-hd.com/apps/wp/top-15-atrizes-gravidas/"><span style="font-weight: 400;">primeira mulher gravida</span></a><span style="font-weight: 400;"> a aparecer na Televisão –,  e o escândalo da traição de Desi eventualmente estourou. Entretanto, há um detalhe basilar em como esses eventos são agrupados: eles </span><a href="https://www.historyvshollywood.com/reelfaces/being-the-ricardos/"><span style="font-weight: 400;">não ocorreram</span></a><span style="font-weight: 400;"> na mesma semana. Essa foi uma escolha particular de Sorkin para aumentar a carga dramática do longa – uma característica recorrente em suas obras – e para poder aglutinar a estrutura do roteiro em sete dias, já que, no filme, todos os conflitos desencadeiam em paralelo com a gravação de um dos episódios do seriado.</span></p>
<figure id="attachment_26758" aria-describedby="caption-attachment-26758" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-scaled.jpg" alt="Cena do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e colorida. O cenário é o set de gravação de uma série, que simula a sala de estar de uma sala, com uma mesa se jantar no centro. Centralizados, vemos quatro pessoas. Duas delas seguram as duas pontas do laço de um roupão, que veste as outras duas, prendendo-as. Segurando cada ponta das cordas, estão Desi e Lucille, interpretados por Javier Bardem e Nicole Kidman. Desi segura o lado esquerdo da corda, é um homem branco, de cabelos curtos e escuros, que veste uma camisa listrada marrom e calças pretas. Já segurando o lado direito da corda, Lucille é uma mulher branca, de cabelos ruivos e tingidos que se estendem até seu ombro, que veste uma camisa verde e calça marrom. Ambos apresentam feições cômicas: Desi sorrindo e Lucille revirando os olhos. Os dois presos pelo roupão são William Framney e Vivian Vance, interpretados por J. K. Simmons e Nina Arianda. William é um homem idoso, branco, careca, que veste uma camisa verde e uma calça cinza, enquanto Vivian é uma mulher branca, loira, e veste uma camisa preta e uma calça vermelha. Os dois, que se encostam devido ao roupão, olham para lados opostos, evitando trocar olhares, e estão claramente bravos e incomodados." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26758" class="wp-caption-text">Apresentando os Ricardos é bem sucedido em contrastar a comédia pastelona e inofensiva da sitcom com seu próprio senso de humor sarcástico e depreciativo, marca registrada de roteiros de Aaron Sorkin (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E é a partir disso que começam a surgir as primeiras falhas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tematicamente caótico, parece que Sorkin queria fazer um comentário sobre todos os aspectos minimamente relevantes da biografia, o que torna a narrativa sem foco e confusa. Então será discutido o </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/02/album/1519982287_954136.html"><span style="font-weight: 400;">machismo na indústria</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Televisão, e como isso afeta tanto o lugar de atrizes, a partir de Lucille, quanto quem compõe a sala de roteiristas, através de Madelyn Pugh (Alia Shawkat); os casos de gordofobia e a desfeita contra Vivian Vance (Nina Arianda), a atriz responsável por interpretar Ethel; e a </span><a href="https://www.anpocs.com/index.php/encontros/papers/24-encontro-anual-da-anpocs/gt-22/gt09-12/4792-bbeserra-a-integracao/file"><span style="font-weight: 400;">xenofobia institucionalizada</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando a produção é incapaz de distinguir nomes ‘latinos’ e ‘hispânicos’. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema é que, ao atirar para todos os lados, o resultado só poderia ser superficial. Em momento algum essas temáticas se conectam, fazendo com que certos diálogos soem gratuitos, rasos, e com que, mesmo os debates que o filme estava mais apto a abordar, percam sua potência. O mesmo ocorre com a montagem do veterano </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0U9BsbBCgmQ"><span style="font-weight: 400;">Alan Baumgarten</span></a><span style="font-weight: 400;">. Desde o seu início, </span><i><span style="font-weight: 400;">Being the Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenta simular uma espécie de </span><a href="https://tv.unesp.br/edicao/1704"><i><span style="font-weight: 400;">mocumentário</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com personagens da trama, mais velhos, relatando os acontecimentos em entrevistas. Porém, a presença desse aspecto é frágil e utilizada somente para comentários expositivos e desnecessários. Além disso, a divisão da narrativa em dias úteis, que representa de maneira quase didática o processo de produção de um episódio – da leitura do roteiro à gravação final – é mal explorada e pouco conversa com os eventos da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a tamanha algazarra, é difícil identificar qual o arco principal do longa. Poderíamos supor que trata-se da perseguição que Lucille sofre da mídia e do governo americano, mas não. Apesar de ser o primeiro pontapé da narrativa, esse elemento sequer é abordado por mais de metade da sua duração, e a protagonista se preocupa mais com a traição do marido do que em ser acusada do que era, na época, considerado um crime político. Todo o suspense e tensão que o roteiro pede são suprimidos por uma direção estéril, que peca em transmitir o real impacto dos eventos retratados. É sabido, pelo contexto histórico em que somos inseridos, o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-46502709"><span style="font-weight: 400;">quão perigoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> era ter conexões com o Partido Comunista, mas o filme por si só não sustenta esse fato.</span></p>
<figure id="attachment_26759" aria-describedby="caption-attachment-26759" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26759" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4.webp" alt="Cena do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e preto-e-branca. Nela, Lucille Ball, interpretada por Nicole Kidman, olha espantada para o lado, com a boca aberta. Ela é branca, com cabelos claros, e veste um lenço na cabeça, brincos nas orelhas e um vestido branco tomara que caia. O cenário é o quintal de uma casa." width="1200" height="675" /><figcaption id="caption-attachment-26759" class="wp-caption-text">Durante Apresentando os Ricardos, o elenco reproduz alguns dos momentos mais icônicos do seriado I Love Lucy; entre eles, a cena em que Lucy pisoteia uma bacia de uvas (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na verdade, esse não passa de um chamariz que nos distrai do verdadeiro foco temático: a rivalidade egóica de Lucille e Desi. Uma família nuclear, nos desejáveis moldes do </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/01/hollywood-paulo-cunha.html"><i><span style="font-weight: 400;">American way of life</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, personificado no amor platônico e fictício dos Ricardos, mas que, ao transbordar para a vida real, se traduz em um relacionamento mesquinho, pautado por um embate constante de ego. Os dois disputam o estrelato o tempo todo e são incapazes de reconhecer o sucesso um no outro. Quando Lucille é selecionada para o papel principal de um grande filme, Desi reclama que ela havia prometido acompanhá-lo em seus </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://hiplatina.com/latino-stereotypes-debunked/"><span style="font-weight: 400;">se incomoda</span></a><span style="font-weight: 400;"> se ela é mais reconhecida que ele em bares. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Lucille, porém, é um pouco diferente. Se o filme faz questão de reiterar a obsessão que sua verdadeira protagonista tem com o conceito de ‘lar’, seu ímpeto em formar uma família se confunde com a exibição de </span><a href="https://www.arrobanerd.com.br/documentario-sobre-lucille-ball-e-desi-arnaz-chega-em-marco-no-prime-video-com-direcao-de-amy-poehler/"><i><span style="font-weight: 400;">I Love Lucy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quando ela se mostra disposta a mergulhar na mais estereotipada e infantilizada imagem feminina apenas para manter seu </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/12/being-the-ricardos-esta-longe-de-fazer-justica-a-gloria-de-i-love-lucy.shtml"><span style="font-weight: 400;">marido por perto</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo com as negativas da produtora. Nicole Kidman prova-se mais que merecedora de </span><a href="https://www.purepeople.com.br/midia/globo-de-ouro-2022-nicole-kidman-ganhou_m3820683"><span style="font-weight: 400;">sua conquista</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Globo de Ouro ao desenhar majestosamente o contraste entre a ingenuidade e a voz ardida de Lucy Ricardo, com sua comédia física e trejeitos exagerados, e a personalidade intransigente de Lucille Ball, com sua postura severa que domina o estúdio e manda e desmanda em todos os seus colegas de </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">, incluindo o diretor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na tentativa de descobrir o porquê essa mulher, com sua presença austera e inexorável, cria tantas ficções, descobre-se uma Lucille quebrada e exausta, que diminui os outros na necessidade de ser respeitada, e que se encontra presa em uma maldição digna dos contos dos </span><a href="https://www.editorawish.com.br/blogs/novidades/quem-foram-os-irmaos-grimm"><span style="font-weight: 400;">Irmãos Grimm</span></a><span style="font-weight: 400;">: onde ela é amada e desejada pelo marido, mas somente dentro daquele único recinto. O arco de Lucille Ball comprova o caráter performático da estrutura familiar cisheteronormativa e que, no fim das contas, a expectativa posta sobre as mulheres – da constituição de um lar e dos cuidados sobre a casa e os filhos como sua função absoluta – é </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/06/politica/1488828400_402119.html"><span style="font-weight: 400;">simplesmente falsa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e fundamentalmente impossível.</span></p>
<figure id="attachment_26760" aria-describedby="caption-attachment-26760" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26760" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4.jpg" alt="Cena do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e colorida. O cenário é uma sala fechada, com cortinas vermelhas e um lustre no centro. Em foco, vemos um homem e uma mulher sentados sobre duas carteiras encostadas. Primeiro, do lado esquerdo, está Lucille Ball, interpretada por Nicole Kidman. Uma mulher branca, de cabelos ruivos tingidos que se estendem até a altura do ombro. Ela veste uma camisa cinza e um lenço da mesma cor. Ela cruza os braços sobre a mesa, e olha para o homem com seriedade. O homem trata-se de Desi Arnaz, interpretado por Javier Bardem, Ele é um homem branco, de cabelos curtos e escuros penteados em um topete lambido. Ele veste um terno e gravata beges, par de óculos no rosto, e segura a mão de Lucille, enquanto olha para ela com um sorriso reconfortante. Sobre as duas mesas, vemos duas pequenas placas brancas, cada uma referenciando um dos atores. A da direita, na mesa de Lucille, apresenta os dizeres “Lucille Ball” e, mais abaixo, “‘Lucy’”. Na mesa de Desi, à esquerda, a placa apresenta os dizeres “Desi Arnaz” e, mais abaixo, “‘Ricky’”" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26760" class="wp-caption-text">Daniel Pemberton, que também compôs músicas para Os 7 de Chicago, retorna para a trilha sonora de Apresentando os Ricardos, com uma sonoridade nostálgica mas tensa, dando um aspecto pavoroso para cenas cômicas (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a trama desenvolve Lucille com profundidade, o mesmo, infelizmente, não pode ser dito sobre Desi. Um detalhe que não foi mencionado até agora, mas que é de suma importância para compreender a conjuntura da história: </span><a href="https://www.biography.com/actor/desi-arnaz"><span style="font-weight: 400;">Desi era cubano</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seu pai, prefeito da cidade de Santiago, foi preso durante a Revolução Cubana com a </span><a href="https://www.politize.com.br/revolucao-cubana-historia/"><span style="font-weight: 400;">ascensão dos bolcheviques</span></a><span style="font-weight: 400;">, forçando sua família a </span><a href="https://stylecaster.com/how-did-desi-arnaz-die/"><span style="font-weight: 400;">fugir até Miami</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que levou o cantor e ator a, mais tarde, ser um expoente na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=luPmjsGxKCE"><span style="font-weight: 400;">popularização da Música latina</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos Estados Unidos do século XX. Então, sim, um homem cubano, em plena Guerra Fria, protagonizou um casamento interracial no seriado estadunidense mais famoso do período, que visava representar a família tradicional em seu mais puro estado. E </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos </span></i><span style="font-weight: 400;">não dá a mínima para isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, estamos falando de um cubano, pisando em solo absolutamente intolerante, que é casado com uma mulher tida como comunista. É esperado, portanto, que esse fenômeno tivesse implicações mínimas, tanto na sua figura pública quanto na sua vida. Porém, esse elemento é totalmente ignorado. Da mesma forma, sua relação com os EUA é pasteurizada e simplificada. Diferente de outras histórias que </span><a href="https://personaunesp.com.br/minari-critica/"><span style="font-weight: 400;">têm sido contadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Cinema, Desi não é um personagem que expõe as hipocrisias do </span><a href="https://www.archdaily.com.br/br/954313/quando-o-sonho-americano-se-tornou-o-pesadelo-do-planejamento-urbano"><span style="font-weight: 400;">sonho americano</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao contrário, para Sorkin, ele é a prova cabal de que o discurso meritocrático do </span><a href="https://www.justificando.com/2019/09/02/por-que-a-ideia-de-meritocracia-privilegia-quem-ja-e-rico/"><span style="font-weight: 400;">neoliberalismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é real. Desi é um verdadeiro patriota americano, que os serviu na Segunda Guerra com prazer e orgulho. E o texto valida seu amor cego pelo país, incluindo-o sem nenhuma ambiguidade ou nuance.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pior. Desi é colocado como porta-voz de </span><a href="https://www.scielo.br/j/rsocp/a/xd5DwPRsWXzTXgjNNXrxdfk/?lang=pt"><span style="font-weight: 400;">incitações anticomunistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu roteirista, descartando todas as complexidade do </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Historia/noticia/2020/08/8-fatos-para-entender-revolucao-cubana-e-seus-desdobramentos.html"><span style="font-weight: 400;">cenário político</span></a><span style="font-weight: 400;"> cubano durante a revolução, o que transforma </span><i><span style="font-weight: 400;">Being the Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;"> de uma experiência tediosa para mórbida em um instante – ainda mais hoje, quando </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-06-02/explicito-nas-ruas-bolsonarismo-neofascista-se-inspira-em-extremismo-e-anticomunismo-da-ucrania.html"><span style="font-weight: 400;">ideologias de extrema-direita</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltam a crescer. Sem contar a escolha de Javier Bardem no papel, que é espanhol, ao invés de um ator latinoamericano, expondo Sorkin como peça ativa da própria xenofobia que ele acredita criticar. E, se a investida dos guerrilheiros de Cuba é demonizada e descontextualizada, o longa tem a pachorra de, deliberadamente, aclamar a imagem de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/08/09/programa-secreto-do-fbi-coordenou-repressao-politica-nos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">J. Edgar Hoover</span></a><span style="font-weight: 400;">, consagrando-se de longe como o ato mais asqueroso de toda a trama.</span></p>
<figure id="attachment_26761" aria-describedby="caption-attachment-26761" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26761" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-6.webp" alt="Cena do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e colorida. Nela, está Desi Arnaz, interpretado por Javier Bardem, um homem branco, de cabelos curtos escuros penteados em um topete, que veste um terno e gravata branco e preto. Ele olha impaciente para frente, enquanto levanta seus dois braços para cima, na altura de seu peito, demonstrando indignação. O cenário é a porta de uma sala de estar" width="1500" height="750" /><figcaption id="caption-attachment-26761" class="wp-caption-text">Além do retrato simplista de Aaron Sorkin, Desi é vítima de mais uma atrocidade ao incorporar, sem nenhuma veia crítica, o arquétipo pejorativo do Latin lover: o homem latino que é mulherengo e incapaz de controlar seus instintos dominativos (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo em um terreno familiar, Aaron Sorkin pisa em ovos aqui. O que salva esse desastre prenunciado do esquecimento é a atuação irretocável de Nicole Kidman, que infelizmente entra no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">como azarona. Apesar da vitória no Globo de Ouro, a competição na categoria é acirrada, e tanto no </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/sag-awards-22-vencedores"><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> quanto no </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/critics-choice-awards-2022-vencedores"><i><span style="font-weight: 400;">Critics’ Choice Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, termômetros importantes para a premiação, ela saiu de mãos atadas. Além da atuação tíbia de Javier Bardem e J. K. Simmons, que são incluídos por pura menção honrosa, essa é de longe a pior obra da filmografia do recém-diretor, e, convenhamos, não deveria nem ser cogitada em categorias de Direção ou Roteiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A única conclusão possível é que Sorkin ainda tem muito chão para andar como diretor até adquirir a capacidade de fazer seus roteiros bons filmes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobressai os vícios e manias característicos de suas obras, enquanto camufla seus méritos. Os diálogos em bate-bola frenéticos que ele adora escrever ficam ainda mais intrincados do já costumavam ser, ao passo que o clima de angústia e apreensão, que permeia grande parte de seus enredos, lastimavelmente murcha. E assim, qualquer potencial da trama é </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/being-the-ricardos"><span style="font-weight: 400;">praticamente diluído</span></a><span style="font-weight: 400;"> por uma cadência narrativa terrível e uma visão artística pior ainda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, nesse caso, nem o seu texto salva. Na busca artificializada por construir uma obra relevante aos nossos tempos, Sorkin se apropria de signos depreciativos com total irresponsabilidade para, no fim, ratificar uma retórica perversa e uma mensagem que até pensa ser valiosa, mas que se mostra seguidamente contraditória, enquanto carrega um subtexto repulsivo. Talvez, antes de criar um estudo de personagem imensurável, que </span><a href="https://scriptmag.com/interviews-features/overcoming-obstacles-an-interview-with-aaron-sorkin"><span style="font-weight: 400;">supostamente investigaria</span></a><span style="font-weight: 400;"> a origem da energia criativa da humanidade, seja hora do cineasta fazer um </span><a href="https://www.tempoparacriar.com/aaron-sorkin-um-dos-maiores-roteiristas-da-atualidade/"><span style="font-weight: 400;">autodiagnóstico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e compreender o porquê ele tanto insiste nessas histórias. Ao acreditar pretensiosamente ser um manifesto político essencial, </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos </span></i><span style="font-weight: 400;">demonstra refletir o que há de mais alienante na atual indústria </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>O Duna de Villeneuve reanima a ficção científica com suas próprias raízes</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Dec 2021 20:26:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ernesto Rangel A mais nova adaptação da obra-prima Duna, escrita por Frank Herbert, chegou aos cinemas com uma grande responsabilidade em suas mãos: agradar aos fãs do livro, de 1965; corrigir os erros da primeira adaptação cinematográfica, de 1984; e ainda conquistar um novo público que nunca ouviu falar da saga em 2021, apesar de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Duna de Villeneuve reanima a ficção científica com suas próprias raízes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25220" aria-describedby="caption-attachment-25220" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25220" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-3.png" alt="Cena do filme Duna de 2021. Nela vemos Paul em destaque no centro, cabisbaixo, enquanto está cercado por soldados Atreides. Ao seu lado e um pouco mais a frente, uma figura dá contraste à imagem devido as cores de suas vestes esvoaçantes." width="1024" height="410" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-3.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-3-800x320.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-3-768x308.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25220" class="wp-caption-text">Duna chega finalmente às telonas com nomes de peso envolvidos na produção (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Ernesto Rangel</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mais nova adaptação da obra-prima </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrita por Frank Herbert, chegou aos cinemas com uma grande responsabilidade em suas mãos: agradar aos fãs do livro, de 1965; corrigir os erros da </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/602376/critica-duna-1984-criatividade-esmagada/"><span style="font-weight: 400;">primeira adaptação cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;">, de 1984; e ainda conquistar um novo público que nunca ouviu falar da saga em 2021, apesar de sua contribuição massiva para a ficção científica. Uma avaliação do filme deve se estender por esses três aspectos, nos quais o longa se apresenta: como adaptação de uma obra literária renomada; como </span><i><span style="font-weight: 400;">remake </span></i><span style="font-weight: 400;">de um filme falho; e como uma nova produção, lutando por espaço na cultura atual. É necessário ainda dedicar algumas passagens às qualidades necessárias para todo bom longa-metragem.</span></p>
<p><span id="more-25211"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se trata de transportar para a telona a trama de livros renomados, os desafios são muitos. Primeiramente existem os fãs que, em suas leituras, idealizam os cenários e as personagens dentro de suas perspectivas pessoais, fazendo com que seja quase impossível agradar a mais do que uma pequena quantidade deles simultaneamente. Existe ainda a questão da arte: o diretor, como artista, deve priorizar a fidelidade com a obra original ou a sua originalidade própria? Além disso, não podemos esquecer da </span><a href="https://variety.com/2019/artisans/news/oscars-tech-nuanced-vfx-1203388900/"><span style="font-weight: 400;">tecnologia da época</span></a><span style="font-weight: 400;">, que pode ser insuficiente (e era, na primeira adaptação oficial para as telonas) para apresentar a realidade retratada em um livro (veículo que se limita apenas pela imaginação).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até mesmo títulos que conseguiram se tornar referência no quesito, como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Senhor dos Anéis</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Tolkien, ainda apresentam derivados (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Hobbit</span></i><span style="font-weight: 400;">) que deixam a desejar. Além disso, existem uma gama de </span><a href="https://www.guiadasemana.com.br/literatura/galeria/15-livros-que-ganharam-adaptacoes-terriveis-nos-cinemas"><span style="font-weight: 400;">exemplos desastrosos</span></a><span style="font-weight: 400;"> disponíveis para a apreciação de todos aqueles dispostos, como as aventuras na telona de </span><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson,</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Rick Riordan, ou ainda a tragédia em vinte e quatro quadros que foi a saga de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Torre Negra</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Stephen King, nas telas de cinema.</span></p>
<figure id="attachment_25221" aria-describedby="caption-attachment-25221" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25221" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-2-1.gif" alt="Gif de uma cena do filme A Torre Negra, de 2017. Em uma perspectiva vista de cima temos o Homem de Preto esticando os braços e direcionando as palmas das mãos em direção a câmera. Ao mesmo tempo uma chuva de cacos de vidros que parecem surgir de trás da câmera são parados pelo movimento." width="1000" height="412" /><figcaption id="caption-attachment-25221" class="wp-caption-text">Nem o Homem de Preto de Matthew McConaughey foi capaz de segurar a chuva de críticas da adaptação de A Torre Negra (GIF: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os fãs podem respirar aliviados, pois por ser ele mesmo um deles, Denis Villeneuve foi extremamente fiel à obra original. É discutível se a materialização feita por ele foi aquela que agrada ao maior número de espectadores. As </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/cultura-geek/229539-duna-100-milhoes-bilheteria-quebra-recorde.htm"><span style="font-weight: 400;">bilheterias</span></a><span style="font-weight: 400;"> foram soberbas (mesmo com o lançamento simultâneo nos cinemas e nos serviços de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;">, que canibaliza os números angariados) e, juntamente com o </span><i><span style="font-weight: 400;">feedback</span></i><span style="font-weight: 400;"> que podemos encontrar nas redes sociais, é possível inferir que </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;"> atingiu uma grande aceitação entre o grande público, inclusive os fãs.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para essa adaptação em específico o diretor, com certeza, precisou evitar produzir um filme que parecesse uma cópia dos títulos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Guerra nas Estrelas</span></i><span style="font-weight: 400;">, que hoje são referência no gênero da ficção científica. </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;">, de fato, compartilha a temática com essas produções, porém, é ancestral delas. George Lucas é um fiel discípulo de Frank Herbert e se inspirou profundamente no livro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;"> para a criação de seus longas, e podemos citar muitos paralelos entre as obras, como: Arrakis, o planeta que dá o nome a </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Tatooine, o planeta natal de Anakin, são ambos desérticos; Paul Atreides e Luke Skywalker, são superficialmente ambos os </span><a href="https://www.gamespot.com/articles/dunes-paul-atreides-isnt-luke-skywalker-despite-what-the-new-movie-may-have-you-believe/1100-6497869/"><span style="font-weight: 400;">escolhidos</span></a><span style="font-weight: 400;">; O Imperium, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;">, e o Império Galáctico, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i><span style="font-weight: 400;">; entre muitos outros. Por sorte, ou mérito do diretor, Duna escapa de parecer uma cópia, mas as comparações serão inevitáveis.</span></p>
<p><figure id="attachment_25222" aria-describedby="caption-attachment-25222" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25222 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-11.jpg" alt="Imagem retangular horizontal. Montagem simples. Nela vemos, na esquerda, Paul Atreides, um homem jovem branco, e na direita, Luke Skywalker, também um homem jovem branco. Podemos ver o busto de ambos olhando para frente." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-11.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-11-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-11-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-11-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25222" class="wp-caption-text">Paul Atreides (à esquerda) e Luke Skywalker (à direita) são ambos os escolhidos que ameaçam o império em seus respectivos universos [Foto: Warner Bros./Disney]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Na trama tecida por </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2020/10/conheca-trajetoria-do-escritor-frank-herbert-autor-de-duna.html"><span style="font-weight: 400;">Frank Herbert</span></a><span style="font-weight: 400;">, temos uma ficção científica repleta de complexidade, com relações religiosas, sociais e políticas únicas. Assim como são vastas as realidades de Nárnia e Westeros, também é a de Arrakis. O livro que inspirou o filme é massivo, fazendo com que comportar a apresentação adequada de todos os componentes do universo fantasioso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;"> em um filme de duas horas e meia de duração seja uma tarefa, no mínimo, trabalhosa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama gira em torno do, já mencionado, Paul Atreides. Herdeiro de sua casa, ele acompanha a mudança da sede de seu reino (original do planeta Caladan, um paraíso tropical) para Arrakis, um planeta onde a água é tão escassa que seus habitantes desenvolveram costumes associados à mais otimizada preservação de água. A falta da substância essencial à vida humana é compensada pela abundância em mélange, também conhecido como “especiaria” (</span><i><span style="font-weight: 400;">spice</span></i><span style="font-weight: 400;">), uma substância psicoativa, coletada exclusivamente na superfície do planeta deserto, e que serve como combustível das </span><a href="https://dune.fandom.com/wiki/Category:Organizations_and_Groups"><span style="font-weight: 400;">diferentes organizações</span></a><span style="font-weight: 400;"> que controlam e exercem sua atividade através do universo. </span></p>
<figure id="attachment_25223" aria-describedby="caption-attachment-25223" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25223" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-1.jpeg" alt="Ilustração feita por Marc Simonetti. Mostra uma cena nas típicas dunas de Arrakis, na parte inferior direita vemos um conjunto de figuras vestindo mantos especiais para o clima. Mais a frente deles, vindo do horizonte, ocupando a parte superior direita da imagem vemos um verme de areia gigante mostrando seus dentes." width="1366" height="665" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-1.jpeg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-1-800x389.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-1-1024x499.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-1-768x374.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-1-1200x584.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25223" class="wp-caption-text">A belíssima ilustração de Marc Simonetti estampa a capa do livro e nos situa no ecossistema de Duna (Foto: Marc Simonetti)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A breve descrição do enredo acima deixa de fora uma série de elementos cruciais ao universo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;">, como os gigantes Vermes de Areia, as Bene Gesserit, a Guilda Espacial, os Harkonnen, os Sardaukar, entre muitos outros. A primeira adaptação, dirigida por </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/melhores-filmes-david-lynch-181247/"><span style="font-weight: 400;">David Lynch</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos 80, assumiu a responsabilidade de adaptar todo o primeiro livro em um só filme, o que foi desastroso: um roteiro confuso e mal estruturado (sendo justo, cortes na duração e no orçamento foram os culpados por esse resultado), o que reforçou o senso de que a obra de Herbert estava além da possibilidade para adaptação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No novo filme, pela felicidade dos fãs, os roteiristas Jon Spaihts, Denis Villeneuve e Eric Roth não cometeram o mesmo erro e adaptaram para as telonas apenas por volta da metade inicial do primeiro livro. Frank Herbert escreveu e publicou duas trilogias e um conto sobre o universo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que já é muito, mesmo não considerando os outros nove livros e quatro contos escritos por seu </span><a href="https://www.wired.com/story/dune-brian-herbert-q-and-a/"><span style="font-weight: 400;">filho</span></a><span style="font-weight: 400;"> após a morte do pai em 1986. Essa decisão foi acertada e permite um desenvolvimento mais cuidadoso da trama. Mesmo assim, uma crítica muito comum a essa nova produção é como ela deixa o espectador sem entender muito bem o que está acontecendo. Isso é natural e esperado, pois (e aqueles que leram o livro sabem) até mesmo a obra escrita apresenta essa barreira de entrada.</span></p>
<p><figure id="attachment_25224" aria-describedby="caption-attachment-25224" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25224" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-5.png" alt="Fotografia em preto e branco do autor de Duna, Frank Herbert. Homem branco, barbudo e calvo, apesar do cabelo alongado. Nariz aquilino e olhos pequenos e juntos. Na foto o autor posa sentado em um sofá, com a mão esquerda, que veste um relógio, apoiada no joelho erguido." width="1140" height="712" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-5.png 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-5-800x500.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-5-1024x640.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-5-768x480.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25224" class="wp-caption-text">O grande autor Frank Herbert (na foto) não poupou maestria em suas obras [Foto: Reprodução]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A escolha do elenco é outro ponto a favor da obra. Principalmente por selecionar atores que possuem características físicas fundamentais aos </span><a href="https://www.omelete.com.br/duna/duna-lista-quem-e-quem"><span style="font-weight: 400;">personagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; como os traços aquilinos (finos, retangulares e que guardam muita perspicácia) de Paul Atreides (vivido por Timothée Chalamet). Mesmo assim, ainda contamos com muitas figurinhas carimbadas de Hollywood, como Zendaya, no papel de Chani, e Jason Momoa, no papel de Duncan Idaho. Esse pode ser um ponto negativo ou positivo, dependendo de quem se pergunta. Mas o fato é que a bilheteria que acompanha esses atores deveria ser muito bem vinda pelos fãs que torcem para que a obra prospere no cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Oscar Isaac como Duque Leto Atreides é uma das melhores atuações de todo o longa. A postura que o ator evoca ao vestir a pele do duque mais respeitado do Landsraad (o corpo formado pelas grandes casas) deixa os que assistem arrepiados em diversos momentos do filme. Rebecca Ferguson e Timothée Chalamet também merecem seu destaque. Através da tremenda atuação de Ferguson temos a sensação de ver Lady Jéssica se personificar das páginas do livro para a tela. Coroando essa demonstração das belas artes, temos Chalamet no papel de Paul, uma das escolhas mais acertadas do elenco. O próprio diretor não poupa elogios em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lCPzTNTvlAs"><span style="font-weight: 400;">entrevistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a atuação do ator protagonista.</span></p>
<p><figure id="attachment_25225" aria-describedby="caption-attachment-25225" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25225" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-6-3.jpg" alt="Foto de parte do elenco durante as gravações. Podemos ver da esquerda para direita: Rebecca Ferguson (Lady Jessica), Zendaya (Chani), Javier Bardem (Stilgar) e Timothée Chalamet (Paul Atreides), todos vestindo os trajes fremen de reciclagem de água, um ao lado do outro, olhando para a mesma direção, em frente a uma parede de pedras extremamente irregular." width="960" height="540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-6-3.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-6-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-6-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25225" class="wp-caption-text">Da esquerda para direita: Rebecca Ferguson (Lady Jessica), Zendaya (Chani), Javier Bardem (Stilgar) e Timothée Chalamet (Paul Atreides) são parte do grande elenco do filme [Fonte: Warner Bros.]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O diretor do longa, Denis Villeneuve, manteve nessa adaptação o seu estilo característico, carimbado por filmes como </span><i><span style="font-weight: 400;">A Chegada</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016) e </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/critica-blade-runner-2049-netflix-172366/"><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner 2049</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019). Inclusive, é muito oportuno comparar </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">com a continuação da história do caçador de androides, visto que ambos são novas instâncias de obras cultuadas e possuem temáticas abstratamente semelhantes: um futuro distópico interplanetário, que esconde em seu cerne o aviso de uma sociedade disfuncional e levanta questões ideológicas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na direção a semelhança é ainda maior, ambos os filmes são contemplativos, o que pode ser um ponto negativo para aqueles que vão ao cinema esperando por mais uma dose de ação, como foi normalizado pela popularização dos filmes de super-herói. O foco de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">não são as cenas de ação (apesar de conter algumas de altíssima qualidade), mas sim a apresentação do extenso universo e dos acontecimentos que se passam com Paul Atreides, que levantam questões extremamente relevantes, como religião e </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/entenda-as-mensagens-ecologicas-de-duna-classico-do-sci-fi-que-chega-aos-cinemas/"><span style="font-weight: 400;">ecologia</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_25226" aria-describedby="caption-attachment-25226" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25226" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-7.gif" alt="Gif de uma cena do filme. Primeiramente vemos, de cima, os dentes gigantes de um verme da areia engolindo uma Lagarta (um veículo do tamanho de uma fábrica que se move e extrai especiaria das superfícies de Arrakis). Os dentes parecem ser os de um buraco no chão, visto que o verme está enterrado, pois se locomove abaixo da superfície. No momento seguinte, temos um close no rosto de Paul que segura a mão de Gurney após escaparem por pouco de serem comidos pelo verme, levantando voo momentos antes do chão sucumbir." width="1000" height="422" /><figcaption id="caption-attachment-25226" class="wp-caption-text">O primeiro encontro de Paul com um verme da areia, ou apenas os dentes de um deles, é um momento memorável do filme (GIF: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o auxílio do </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/o-que-e-a-fotografia-de-um-filme"><span style="font-weight: 400;">cinematógrafo</span></a><span style="font-weight: 400;"> Greig Fraser (responsável pela fotografia de títulos semelhantes, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars: Rogue One</span></i><span style="font-weight: 400;">, e alguns episódios da série </span><a href="https://collider.com/the-mandalorian-technology-explained-greig-fraser-interview/"><i><span style="font-weight: 400;">The Mandalorian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), o diretor optou pelas cenas que não economizam na hora de impressionar. Com lindos visuais e a medida certa de cenas com enquadramentos afastados que dão ao espectador a noção da grandeza dos elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor nos fascina: as massivas naves utilizadas em viagens interestelares e os gigantes vermes de areia que aterrorizam o deserto são visões para nos deixar de boca aberta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra ainda é coroada pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8A3epBE1yjo"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora de Hans Zimmer</span></a><span style="font-weight: 400;">, que já emplacou uma série de grandes obras musicais em ótimos filmes, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Interstellar</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i><span style="font-weight: 400;">, e muitos outros. O músico, desta vez, nos presenteia novamente com suas trilhas que destacam e ampliam muito bem o sentimento evocado pelas cenas, com músicas sutis e intensas, sempre quando necessário. Além disso, as sinfonias servem muito bem à temática, visto que tiram, assim como a obra original (e o filme por consequência), inspiração das culturas do Oriente Médio.</span></p>
<p><figure id="attachment_25227" aria-describedby="caption-attachment-25227" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25227" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-8-1.jpg" alt="Fotografia colorida de Hans Zimmer durante apresentação.Vemos, sentado em frente a um piano, um homem branco, calvo, de idade avançada e vestindo um terno Em sua frente, sobre o piano vemos uma taça e um misturador de bebidas. Ele olha levemente para cima e sorri." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-8-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-8-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-8-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25227" class="wp-caption-text">O músico Hans Zimmer (na imagem) nos presenteia mais uma vez com uma trilha sonora memorável [Foto: Reprodução]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Por último, mas não menos importante, os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uIKupTibxKQ"><span style="font-weight: 400;">efeitos especiais</span></a><span style="font-weight: 400;"> são de cair o queixo. Um dos grandes defeitos de muitos </span><i><span style="font-weight: 400;">CGIs</span></i><span style="font-weight: 400;"> (inclusive os milionários dos </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;">) é a falta de cuidado com a iluminação. Quando os personagens em cena são iluminados de uma maneira estranha aos olhos em relação ao fundo cheio de explosões, a cena pode parecer artificial. E não é uma questão de capacidade dos estúdios, mas a crença de que o público não liga e não percebe, o que faz que esse seja um investimento superficial, para os investidores. Esse é um dos grandes desafios da computação gráfica nas telonas. Nesse quesito, e em outros relacionados a efeitos especiais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">mais uma vez nos surpreende com sua qualidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por esses e outros motivos </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">de 2021 merece ser assistido múltiplas vezes. Um filme sensacional para quem é fã do livro ou até mesmo do diretor. Uma produção refrescante para quem se decepcionou com o primeiro filme, e ainda uma ótima maneira para se gastar algumas horas, se o espectador quiser apenas o entretenimento de um filme casual. Resta agora ficar na espera da </span><a href="https://www.esquire.com/entertainment/movies/a38040674/dune-2-sequel-details/"><span style="font-weight: 400;">segunda parte</span></a><span style="font-weight: 400;">, programada para iniciar sua produção em 2022 e chegar às telonas em outubro de 2023, e nos certificarmos se toda a nova franquia vai ter o mérito da boa adaptação ou vai acompanhar, ao </span><i><span style="font-weight: 400;">hall</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos infames, os desastres de franquias como </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/divergente-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Divergente</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e</span> <a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/instrumentos-mortais-cidade-dos-ossos-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Os Instrumentos Mortais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/">O Duna de Villeneuve reanima a ficção científica com suas próprias raízes</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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