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	<title>Arquivos Jake Lacy &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Há 5 anos, Alta Fidelidade fala sobre amor em alto e bom som</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Feb 2026 13:00:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique  Adaptando o livro homônimo de Nick Hornby, a série acompanha a vida amorosa de Robyn Brooks (Zoë Kravitz), dona de uma pequena loja de discos de vinil no Brooklyn, Nova York. Um ano após o fim de seu último relacionamento, Rob não consegue seguir em frente com os seus sentimentos e se encontra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/5-anos-alta-fidelidade/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Alta Fidelidade fala sobre amor em alto e bom som"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36723" aria-describedby="caption-attachment-36723" style="width: 735px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-36723" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/IMAGEM-1.jpg" alt="" width="735" height="370" /><figcaption id="caption-attachment-36723" class="wp-caption-text">A atriz Zoë Kravitz é produtora executiva da série ao lado das roteiristas Veronica West e Sarah Kucserka (Foto: Hulu/Disney+)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptando o livro homônimo de Nick Hornby, a série acompanha a vida amorosa de Robyn Brooks (Zoë Kravitz), dona de uma pequena loja de discos de vinil no Brooklyn, Nova York. Um ano após o fim de seu último relacionamento, Rob não consegue seguir em frente com os seus sentimentos e se encontra no caos pós-término, contando apenas com a companhia de seus bons e velhos amigos, Simon (David H. Holmes) e Cherise (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-rejeitados-critica/"><span style="font-weight: 400;">Da’Vine Joy Randolph</span></a><span style="font-weight: 400;">), além de, obviamente, a música. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama começa pelo o seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fZUvZD_VlwU"><span style="font-weight: 400;">encerramento</span></a><span style="font-weight: 400;">. O último suspiro do laço afetivo entre Rob e Mac McCormack (Kingsley Ben-Adir), antecedendo o ato final de um relacionamento à beira do fim. Saltando um ano após do acontecimento, o seriado instiga o espectador a querer entender o que ocorreu com o casal, que anteriormente estavam noivos, para que chegassem àquele ponto de desentendimento. No exato dia em que Robyn decreta seguir em frente com a vida, ela esbarra novamente em seu antigo amor, recém-chegado de Londres para o antigo distrito. Ao recordar sentimentos passados, a cena do reencontro foi à lá </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração Valente</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1995), com as entranhas sendo expostas no final, mas sem a sensação de liberdade do protagonista. </span></p>
<p><span id="more-36720"></span></p>
<figure id="attachment_36728" aria-describedby="caption-attachment-36728" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36728" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/IMAGEM-2.jpg" alt="" width="736" height="414" /><figcaption id="caption-attachment-36728" class="wp-caption-text">Os roteiristas do filme ouviram aproximadamente 2000 músicas para serem incluídas na trilha sonora (Foto: Buena Vista Pictures)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OA9gPtWDiww"><i><span style="font-weight: 400;">High Fidelity</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (no original) também conquistou uma adaptação nas telas do cinema nos anos 2000, sendo dirigido por Stephen Frears e protagonizado pelo ator John Cusack. Seguindo a mesma premissa da série, o longa-metragem mostra Rob Gordon sofrendo igualmente com a solidão deixada por seus antigos relacionamentos. No entanto, existem doses de interpretação de uma obra para a outra. O seriado adaptado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;"> mudou pontos importantes do filme, começando pelo próprio protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora ambos sejam super criteriosos e melodramáticos em relação aos seus gostos e sentimentos, a versão de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TGAZJN3maWo"><span style="font-weight: 400;">Cusack</span></a><span style="font-weight: 400;"> configura uma característica mais cética e egoísta – por vezes machista – de suas conexões, carregando um certo desconforto ao assistir. Por outro lado, Kravitz também carrega essa personalidade individualista, colocando o próprio sentimento na frente do afeto de outras pessoas. Apesar disso, diferente do original, você não sente uma aversão completa ao personagem, conseguindo por vezes compreender e até se identificar com algumas escolhas e comportamentos da protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Obviamente a versão de Cusack foi proposital e um claro lembrete de como não agir dentro de um relacionamento. E é exatamente por isso que a sua atuação representa uma entrega espantosamente deslumbrante do ator, sendo muito enaltecida pela crítica especializada, tornando a produção um grande filme </span><a href="https://letterboxd.com/film/high-fidelity/"><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que vale a pena ser admirado e questionado ao longo dos anos. </span></p>
<p><figure id="attachment_36729" aria-describedby="caption-attachment-36729" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36729" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/IMAGEM-3.jpg" alt="" width="736" height="490" /><figcaption id="caption-attachment-36729" class="wp-caption-text">Da’Vine Joy Randolph, atriz que interpreta Cherise, ganhou destaque após conquistar o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo seu papel em Os Rejeitados (2023) [Foto: Hulu/Disney+]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A série introduz referências e homenagens claras ao filme em sua composição. A mais notável entre elas é a escolha de Zoë Kravitz como a nova protagonista, sendo que sua mãe, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sPMRl6KV9iU"><span style="font-weight: 400;">Lisa Bonet</span></a><span style="font-weight: 400;">, participou do longa-metragem atuando como Marie De Salle, uma cantora independente que recebeu uma reinterpretação no seriado através de Liam, personagem de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WgPCuiBPVR0&amp;list=RDWgPCuiBPVR0&amp;start_radio=1"><span style="font-weight: 400;">Thomas Doherty</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dick (Todd Louiso) e Barry (Jack Black) tornam-se, respectivamente, Simon e Cherise, que adquiriram uma nova roupagem e profundidade na própria trama. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se antes esses </span><a href="https://www.elle.com/culture/movies-tv/a31000722/high-fidelity-tv-show-movie-book-comparison/"><span style="font-weight: 400;">personagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> exerciam apenas o papel de suporte na história de Rob, agora eles possuem camadas e suas devidas narrativas na série. Simon, ex-parceiro de Robyn e agora seu melhor amigo, uma pessoa muito acolhedora e tranquila, vira protagonista no episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Ballad of the Lonesome Loser</span></i><span style="font-weight: 400;"> (8&#215;1), onde narra suas próprias mágoas através das melodias. Cherise, por outro lado, acompanha a mesma personalidade enérgica e carismática herdada da interpretação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1Wxf8bv9mG8"><span style="font-weight: 400;">Jack Black</span></a><span style="font-weight: 400;"> no longa, funcionando em contraste ao mau humor de Robyn, embora conquiste um lado mais sentimental ao final da temporada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alta Fidelidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> igualmente possui diversas cenas que foram gravadas e que não chegaram a ser incluídas no produto final, porém foram adaptadas para o seriado. Uma delas é o episódio</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=5Zi6we9UrNY"><i><span style="font-weight: 400;">Uptown</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (5&#215;1), onde acompanhamos uma mulher recém divorciada chamada Noreen Parker (Parker Posey), que planeja vender toda a coleção de discos de vinil de seu ex-marido por um preço bem baixo para Rob, como um sinal de vingança pelo fim do casamento. Na obra original, essa personagem foi interpretada pela atriz </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-uYKLe2lP6Q"><span style="font-weight: 400;">Beverly D’Angelo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_36731" aria-describedby="caption-attachment-36731" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36731" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/IMAGEM-4-1-800x595.png" alt="" width="800" height="595" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/IMAGEM-4-1-800x595.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/IMAGEM-4-1-1024x762.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/IMAGEM-4-1-768x571.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/IMAGEM-4-1-1200x893.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/IMAGEM-4-1.png 1371w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36731" class="wp-caption-text">Artistas nacionais como Serguei e a antiga banda de Rita Lee, Os Mutantes, aparecem na trilha sonora da série (Foto: Hulu/Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A minissérie também é ambientada em um local diferente da produção dos anos 2000, anteriormente filmada em Chicago. Embora aconteça essa mudança de cidades, a proposta da narrativa não é exatamente falar sobre o Brooklyn e a sua relevância, mas retratar sobre a vida das pessoas que habitam aquele espaço, o que gostam de ouvir e o cenário musical na qual estão inseridas. Justamente por isso a </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/film-tv/a30845138/high-fidelity-songs/"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alta Fidelidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> é tão diversificada, combinando faixas menos conhecidas de grandes intérpretes, como “</span><i><span style="font-weight: 400;">Prototype</span></i><span style="font-weight: 400;">” do </span><i><span style="font-weight: 400;">Outkast</span></i><span style="font-weight: 400;"> e “</span><i><span style="font-weight: 400;">So Blue</span></i><span style="font-weight: 400;">” do </span><i><span style="font-weight: 400;">Prince</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de apresentar ao público artistas independentes que ganham um espaço único ao longo do seriado e canções inéditas,  que seguem o mesmo nível de refinamento. O resultado é uma </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/5eZq4MSvBSHEtASbrJJrNP?si=d8deb14224f3430a&amp;nd=1&amp;dlsi=9c7dbb9b46ca4e0b"><i><span style="font-weight: 400;">playlist</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para todos os gostos, misturando</span><i><span style="font-weight: 400;"> soul music</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">mpb</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É muito interessante a maneira que os sentimentos da personagem são revelados por meio das músicas. Cada canção é inserida com um propósito, e parte da narrativa é contada através delas, mostrando a qualidade do trabalho dos supervisores musicais e dos produtores executivos, que conseguiram unir perfeitamente um elemento ao outro. Não apenas no campo musical, a série também faz grandes referências ao universo </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, como Cinema, </span><i><span style="font-weight: 400;">tv shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> e moda. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=abmHzTUOQnM"><span style="font-weight: 400;">Rob</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sua </span><i><span style="font-weight: 400;">gangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> são ponderados em relação aos seus gostos e os episódios são repletos de ‘Tops 5’: cinco melhores trilhas sonoras de filmes, cinco melhores álbuns, cinco melhores vilões de todos os tempos e por aí vai. A série é, nada mais nada menos, do que uma grande salada cultural. </span></p>
<figure id="attachment_36732" aria-describedby="caption-attachment-36732" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36732" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/IMAGEM-5.jpg" alt="" width="736" height="414" /><figcaption id="caption-attachment-36732" class="wp-caption-text">Debbie Harry, vocalista da banda Blondie, faz uma pequena aparição no seriado (Foto: Hulu/Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao esbarrar novamente com McCormack e antigos sentimentos virem à tona, Rob entra em uma jornada pessoal para compreender o verdadeiro motivo de ficar estagnada após o fim de todos os seus relacionamentos. Com isso, ela lista os “</span><i><span style="font-weight: 400;">Top 5 piores términos de todos os tempos</span></i><span style="font-weight: 400;">” e entra em contato com todos os seus ex-namorados para entender se o problema era, de fato, com ela ou outras circunstâncias. O plano estava indo muito bem até o momento do diálogo com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Tw8E2HobuHA"><span style="font-weight: 400;">Mac McCormack</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando ela percebe que o tempo passou de forma muito mais rápida na vida dele e acaba tendo uma nova recaída. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se aproximando de seu desfecho, quando descobrimos o verdadeiro motivo do término do noivado entre Rob e Mac, a série mergulha no processo de recuperação da protagonista, dialogando com letras de músicas e novos relacionamentos. E nesse contexto acontece a conexão entre a personagem e Clyde (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-white-lotus-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jake Lacy</span></a><span style="font-weight: 400;">), figura que aparece em momentos pontuais da narrativa e que apresenta uma química incrível com Robyn, nos fazendo querer assistir, cada vez mais, cenas dos dois juntos. </span></p>
<figure id="attachment_36733" aria-describedby="caption-attachment-36733" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36733" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/transferir.jpg" alt="" width="736" height="490" /><figcaption id="caption-attachment-36733" class="wp-caption-text">Assim como na obra original, a série utiliza da quebra da quarta parede para conversar diretamente com o público (Foto: Hulu/Disney+)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I6Vg5VEQRws"><i><span style="font-weight: 400;">Alta Fidelidade</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">mostra como o amor e a música andam lado a lado. Da mesma maneira que uma canção começa, alcança o seu ápice e chega ao fim, abrindo espaço para novas melodias, as relações afetivas caminham quase pelo mesmo sentido. Embora a série tenha sido cancelada logo após o lançamento da primeira temporada, há 5 anos ela segue conquistando novos públicos através de sua originalidade, narrativas reais sobre solidão e amor genuíno pela música.</span></p>
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		<title>A retórica de Apresentando os Ricardos é alienante e perversa</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Mar 2022 17:24:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Uma característica não muito sutil do roteirista Aaron Sorkin é seu longo interesse em narrativas históricas. Assinando textos desde o drama esportivo de Moneyball até a trama tecnológica e psicodélica de A Rede Social – responsável pelo seu único Oscar, em Roteiro Adaptado –, era de se esperar que, ao cineasta decidir se &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/apresentando-os-ricardos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A retórica de Apresentando os Ricardos é alienante e perversa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26755" aria-describedby="caption-attachment-26755" style="width: 1300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26755" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6.jpg" alt="Cena do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e colorida. Nela, um homem e uma mulher se encaram seriamente, como se estivessem no meio de uma discussão. O homem, Desi Arnaz, interpretado por Javier Bardem, é um homem branco, de cabelos curtos e escuros penteados em um topete, que veste uma camisa marrom. Enquanto a mulher, Lucille Ball, interpretada por Nicole Kidman, é uma mulher branca, de cabelos ruivos tingidos que se estendem até seus ombros, vestindo uma camisa verde e levantando a sua mão direita, pintada em esmalte vermelho, até a altura de seu peito, enquanto aponta para Desi. O cenário é o set de gravação de uma série." width="1300" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6.jpg 1300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-1-6-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26755" class="wp-caption-text">Nicole Kidman, Javier Bardem e J. K. Simmons, indicados nas categorias de atuação, já foram concebidos com um Oscar no passado: Kidman ganhou em 2002, por As Horas; Bardem em 2008, por Onde os Fracos Não Têm Vez; e Simmons em 2015, por Whiplash (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma característica não muito sutil do roteirista </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/aaron-sorkin/"><span style="font-weight: 400;">Aaron Sorkin</span></a><span style="font-weight: 400;"> é seu longo interesse em </span><a href="https://cm-ob.pt/13-best-historical-dramas-netflix-right-now"><span style="font-weight: 400;">narrativas históricas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assinando textos desde o drama esportivo de </span><a href="https://www.indiewire.com/2011/09/review-moneyball-leaves-the-math-on-the-bench-and-hits-a-triple-52071/"><i><span style="font-weight: 400;">Moneyball</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">até a trama tecnológica e psicodélica de </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2010/oct/14/the-social-network-review"><i><span style="font-weight: 400;">A Rede Social</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – responsável pelo seu único </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, em Roteiro Adaptado –, era de se esperar que, ao cineasta decidir se arriscar na cadeira de direção, esse padrão continuasse em voga. Assim, depois de dois filmes com recepção razoável, ele aposta no mais apelativo dos </span><a href="https://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/OscarBait"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar bait</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e dirige uma cinebiografia </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/166169-os-20-melhores-filmes-sobre-fazer-cinema.htm"><span style="font-weight: 400;">irremissivelmente metalinguística</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;">, no caso, se insere no anos 50, dentro dos bastidores da série </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7gF-g-nNWqs"><i><span style="font-weight: 400;">I Love Lucy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a mais relevante e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-good-place-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">disruptiva </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da História da Televisão americana, comentando, no processo, o próprio funcionamento de um seriado. </span></p>
<p><span id="more-26754"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes do novo longa, as empreitadas de Sorkin como diretor ocorreram no morno </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2017/dec/31/mollys-game-review-jessica-chastain-aaron-sorkin-poker"><i><span style="font-weight: 400;">Molly’s Game</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2017, que teve retorno positivo de crítica e conquistou espaço no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em Melhor Roteiro Adaptado. Já em 2020, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez uma campanha massiva para divulgar o aclamado </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, resultando em seis indicações na premiação, incluindo Melhor Filme. No entanto, apesar do sucesso de seus dois primeiros longas, Sorkin falhou em conseguir uma indicação em Melhor Direção e, migrando agora para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video </span></i><span style="font-weight: 400;">com </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi ainda mais esnobado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com a sua presença marcante em </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/globo-de-ouro-2022-veja-a-lista-completa-dos-vencedores.ghtml"><span style="font-weight: 400;">outras premiações</span></a><span style="font-weight: 400;">, a principal aposta do </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> perdeu a relevância e ficou em segundo plano entre os outros competidores. As únicas categorias em que foi citado foram as de Melhor Ator Coadjuvante para J. K. Simmons – por seu papel como William Framney –, e Melhor Atriz e Ator, para </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/dec/26/im-not-just-coasting-along-nicole-kidman-on-fame-family-and-what-keeps-her-awake-at-night"><span style="font-weight: 400;">Nicole Kidman</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/dec/17/javier-bardem-when-i-won-the-oscar-i-felt-great-but-it-didnt-make-any-sense"><span style="font-weight: 400;">Javier Bardem</span></a><span style="font-weight: 400;">, respectivamente. E, realmente, os dois últimos são os holofotes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Being the Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;">, como é chamado originalmente. Ambos vencedores do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">protagonizam a narrativa na pele de Lucille Ball e Desi Arnaz, o </span><a href="https://administradores.com.br/artigos/lucille-ball-e-desi-arnaz-o-casamento-que-mudou-hollywood"><span style="font-weight: 400;">casal icônico</span></a><span style="font-weight: 400;"> da TV, responsáveis por encarnar Lucy e Ricky Ricardo em </span><i><span style="font-weight: 400;">I Love Lucy</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, fora dos televisores de 60 milhões de estadunidenses, seu relacionamento era complicado e turbulento. </span></p>
<figure id="attachment_26757" aria-describedby="caption-attachment-26757" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-2.webp" alt="Fotografia retirada do set de gravação do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e colorida. Nela, Aaron Sorkin aponta sua mão para frente, enquanto conversa com Nicole Kidman, que está ao seu lado. Aaron Sorkin é um homem branco, de cabelos curtos, que veste uma camisa azul-clara, uma calça bege e um crachá vermelho que estampa seu rosto no pescoço. Na outra mão, ele segura alguns papéis. Já Nicole Kidman é uma mulher branca, de cabelos ruivos tingidos que se estendem até seus ombros. Ela veste uma camisa verde xadrez, uma calça preta e segura com suas duas mãos uma pasta cheia de papéis. O cenário do set é uma sala de estar." width="1600" height="1066" /><figcaption id="caption-attachment-26757" class="wp-caption-text">Em entrevista para o Hollywood Reporter, Aaron Sorkin afirmou que uma das primeiras coisas que o motivou a contar a história do relacionamento de Desi e Lucille é como “Lucille Ball não tinha nada a ver com Lucy Ricardo, e não parecia nada com Lucy Ricardo” (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história se passa em um período delicado do século XX. Em meio a </span><a href="https://www.cafehistoria.com.br/anticomunismo/"><span style="font-weight: 400;">paranoia</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Guerra Fria, o </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-foi-o-macarthismo/"><span style="font-weight: 400;">Macarthismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> passava por seu auge nos anos 50 e se instaurava uma caça às bruxas contra a esquerda no país. O senador Joseph McCarthy – que dá nome ao movimento – liderou uma controversa campanha que punia supostos comunistas no governo e em outras instituições, como a própria Hollywood. Diversos artistas e expoentes da cultura foram marcados nessa lista condenatória, quando ficavam com o nome sujo, eram detidos e perdiam toda a sua carreira. À pedido de seu avô, Lucille Ball se filiou ao Partido Comunista em 1936 e, apesar de nunca ter se engajado politicamente, foi vítima dessa perseguição 20 anos depois. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia no momento em que, depois de inocentada pelo Comitê de Atividades Antiamericanas, Lucille é </span><a href="https://www.cheatsheet.com/entertainment/being-the-ricardos-lucille-ball-really-communist.html/"><span style="font-weight: 400;">exposta</span></a><span style="font-weight: 400;"> em plena rádio nacional, colocando em risco a continuidade do programa. Porém, aquela semana guardava ainda mais surpresas. Em paralelo a esse colapso, espalhava-se pelos tabloides um suposto caso de traição de Desi que, embora negasse veementemente, colocava em cheque a fidelidade e integridade do casamento. E, ao mesmo tempo, Lucy ainda descobria uma gravidez inesperada, enlouquecendo toda a sala de roteiristas da série, já que, naquela época, era </span><a href="https://snews.pro/pt/p/i-love-lucy-a-gravidez-de-lucille-ball-foi-quase-polemica-demais-para-a-tv-14990561"><span style="font-weight: 400;">terminantemente proibido</span></a><span style="font-weight: 400;"> qualquer alusão sexual na Televisão, o que incluía também menções a gravidez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é que essas tensões efetivamente se desenrolaram na vida real. Lucille Ball foi acusada de ser comunista, ficou grávida em meio a produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">I Love Lucy</span></i><span style="font-weight: 400;"> – o que mais tarde a transformaria na </span><a href="https://www.magazine-hd.com/apps/wp/top-15-atrizes-gravidas/"><span style="font-weight: 400;">primeira mulher gravida</span></a><span style="font-weight: 400;"> a aparecer na Televisão –,  e o escândalo da traição de Desi eventualmente estourou. Entretanto, há um detalhe basilar em como esses eventos são agrupados: eles </span><a href="https://www.historyvshollywood.com/reelfaces/being-the-ricardos/"><span style="font-weight: 400;">não ocorreram</span></a><span style="font-weight: 400;"> na mesma semana. Essa foi uma escolha particular de Sorkin para aumentar a carga dramática do longa – uma característica recorrente em suas obras – e para poder aglutinar a estrutura do roteiro em sete dias, já que, no filme, todos os conflitos desencadeiam em paralelo com a gravação de um dos episódios do seriado.</span></p>
<figure id="attachment_26758" aria-describedby="caption-attachment-26758" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-scaled.jpg" alt="Cena do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e colorida. O cenário é o set de gravação de uma série, que simula a sala de estar de uma sala, com uma mesa se jantar no centro. Centralizados, vemos quatro pessoas. Duas delas seguram as duas pontas do laço de um roupão, que veste as outras duas, prendendo-as. Segurando cada ponta das cordas, estão Desi e Lucille, interpretados por Javier Bardem e Nicole Kidman. Desi segura o lado esquerdo da corda, é um homem branco, de cabelos curtos e escuros, que veste uma camisa listrada marrom e calças pretas. Já segurando o lado direito da corda, Lucille é uma mulher branca, de cabelos ruivos e tingidos que se estendem até seu ombro, que veste uma camisa verde e calça marrom. Ambos apresentam feições cômicas: Desi sorrindo e Lucille revirando os olhos. Os dois presos pelo roupão são William Framney e Vivian Vance, interpretados por J. K. Simmons e Nina Arianda. William é um homem idoso, branco, careca, que veste uma camisa verde e uma calça cinza, enquanto Vivian é uma mulher branca, loira, e veste uma camisa preta e uma calça vermelha. Os dois, que se encostam devido ao roupão, olham para lados opostos, evitando trocar olhares, e estão claramente bravos e incomodados." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-3-10-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26758" class="wp-caption-text">Apresentando os Ricardos é bem sucedido em contrastar a comédia pastelona e inofensiva da sitcom com seu próprio senso de humor sarcástico e depreciativo, marca registrada de roteiros de Aaron Sorkin (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E é a partir disso que começam a surgir as primeiras falhas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tematicamente caótico, parece que Sorkin queria fazer um comentário sobre todos os aspectos minimamente relevantes da biografia, o que torna a narrativa sem foco e confusa. Então será discutido o </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/02/album/1519982287_954136.html"><span style="font-weight: 400;">machismo na indústria</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Televisão, e como isso afeta tanto o lugar de atrizes, a partir de Lucille, quanto quem compõe a sala de roteiristas, através de Madelyn Pugh (Alia Shawkat); os casos de gordofobia e a desfeita contra Vivian Vance (Nina Arianda), a atriz responsável por interpretar Ethel; e a </span><a href="https://www.anpocs.com/index.php/encontros/papers/24-encontro-anual-da-anpocs/gt-22/gt09-12/4792-bbeserra-a-integracao/file"><span style="font-weight: 400;">xenofobia institucionalizada</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando a produção é incapaz de distinguir nomes ‘latinos’ e ‘hispânicos’. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema é que, ao atirar para todos os lados, o resultado só poderia ser superficial. Em momento algum essas temáticas se conectam, fazendo com que certos diálogos soem gratuitos, rasos, e com que, mesmo os debates que o filme estava mais apto a abordar, percam sua potência. O mesmo ocorre com a montagem do veterano </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0U9BsbBCgmQ"><span style="font-weight: 400;">Alan Baumgarten</span></a><span style="font-weight: 400;">. Desde o seu início, </span><i><span style="font-weight: 400;">Being the Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenta simular uma espécie de </span><a href="https://tv.unesp.br/edicao/1704"><i><span style="font-weight: 400;">mocumentário</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com personagens da trama, mais velhos, relatando os acontecimentos em entrevistas. Porém, a presença desse aspecto é frágil e utilizada somente para comentários expositivos e desnecessários. Além disso, a divisão da narrativa em dias úteis, que representa de maneira quase didática o processo de produção de um episódio – da leitura do roteiro à gravação final – é mal explorada e pouco conversa com os eventos da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a tamanha algazarra, é difícil identificar qual o arco principal do longa. Poderíamos supor que trata-se da perseguição que Lucille sofre da mídia e do governo americano, mas não. Apesar de ser o primeiro pontapé da narrativa, esse elemento sequer é abordado por mais de metade da sua duração, e a protagonista se preocupa mais com a traição do marido do que em ser acusada do que era, na época, considerado um crime político. Todo o suspense e tensão que o roteiro pede são suprimidos por uma direção estéril, que peca em transmitir o real impacto dos eventos retratados. É sabido, pelo contexto histórico em que somos inseridos, o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-46502709"><span style="font-weight: 400;">quão perigoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> era ter conexões com o Partido Comunista, mas o filme por si só não sustenta esse fato.</span></p>
<figure id="attachment_26759" aria-describedby="caption-attachment-26759" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26759" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-4.webp" alt="Cena do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e preto-e-branca. Nela, Lucille Ball, interpretada por Nicole Kidman, olha espantada para o lado, com a boca aberta. Ela é branca, com cabelos claros, e veste um lenço na cabeça, brincos nas orelhas e um vestido branco tomara que caia. O cenário é o quintal de uma casa." width="1200" height="675" /><figcaption id="caption-attachment-26759" class="wp-caption-text">Durante Apresentando os Ricardos, o elenco reproduz alguns dos momentos mais icônicos do seriado I Love Lucy; entre eles, a cena em que Lucy pisoteia uma bacia de uvas (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na verdade, esse não passa de um chamariz que nos distrai do verdadeiro foco temático: a rivalidade egóica de Lucille e Desi. Uma família nuclear, nos desejáveis moldes do </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/01/hollywood-paulo-cunha.html"><i><span style="font-weight: 400;">American way of life</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, personificado no amor platônico e fictício dos Ricardos, mas que, ao transbordar para a vida real, se traduz em um relacionamento mesquinho, pautado por um embate constante de ego. Os dois disputam o estrelato o tempo todo e são incapazes de reconhecer o sucesso um no outro. Quando Lucille é selecionada para o papel principal de um grande filme, Desi reclama que ela havia prometido acompanhá-lo em seus </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://hiplatina.com/latino-stereotypes-debunked/"><span style="font-weight: 400;">se incomoda</span></a><span style="font-weight: 400;"> se ela é mais reconhecida que ele em bares. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Lucille, porém, é um pouco diferente. Se o filme faz questão de reiterar a obsessão que sua verdadeira protagonista tem com o conceito de ‘lar’, seu ímpeto em formar uma família se confunde com a exibição de </span><a href="https://www.arrobanerd.com.br/documentario-sobre-lucille-ball-e-desi-arnaz-chega-em-marco-no-prime-video-com-direcao-de-amy-poehler/"><i><span style="font-weight: 400;">I Love Lucy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quando ela se mostra disposta a mergulhar na mais estereotipada e infantilizada imagem feminina apenas para manter seu </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/12/being-the-ricardos-esta-longe-de-fazer-justica-a-gloria-de-i-love-lucy.shtml"><span style="font-weight: 400;">marido por perto</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo com as negativas da produtora. Nicole Kidman prova-se mais que merecedora de </span><a href="https://www.purepeople.com.br/midia/globo-de-ouro-2022-nicole-kidman-ganhou_m3820683"><span style="font-weight: 400;">sua conquista</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Globo de Ouro ao desenhar majestosamente o contraste entre a ingenuidade e a voz ardida de Lucy Ricardo, com sua comédia física e trejeitos exagerados, e a personalidade intransigente de Lucille Ball, com sua postura severa que domina o estúdio e manda e desmanda em todos os seus colegas de </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">, incluindo o diretor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na tentativa de descobrir o porquê essa mulher, com sua presença austera e inexorável, cria tantas ficções, descobre-se uma Lucille quebrada e exausta, que diminui os outros na necessidade de ser respeitada, e que se encontra presa em uma maldição digna dos contos dos </span><a href="https://www.editorawish.com.br/blogs/novidades/quem-foram-os-irmaos-grimm"><span style="font-weight: 400;">Irmãos Grimm</span></a><span style="font-weight: 400;">: onde ela é amada e desejada pelo marido, mas somente dentro daquele único recinto. O arco de Lucille Ball comprova o caráter performático da estrutura familiar cisheteronormativa e que, no fim das contas, a expectativa posta sobre as mulheres – da constituição de um lar e dos cuidados sobre a casa e os filhos como sua função absoluta – é </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/06/politica/1488828400_402119.html"><span style="font-weight: 400;">simplesmente falsa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e fundamentalmente impossível.</span></p>
<figure id="attachment_26760" aria-describedby="caption-attachment-26760" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26760" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4.jpg" alt="Cena do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e colorida. O cenário é uma sala fechada, com cortinas vermelhas e um lustre no centro. Em foco, vemos um homem e uma mulher sentados sobre duas carteiras encostadas. Primeiro, do lado esquerdo, está Lucille Ball, interpretada por Nicole Kidman. Uma mulher branca, de cabelos ruivos tingidos que se estendem até a altura do ombro. Ela veste uma camisa cinza e um lenço da mesma cor. Ela cruza os braços sobre a mesa, e olha para o homem com seriedade. O homem trata-se de Desi Arnaz, interpretado por Javier Bardem, Ele é um homem branco, de cabelos curtos e escuros penteados em um topete lambido. Ele veste um terno e gravata beges, par de óculos no rosto, e segura a mão de Lucille, enquanto olha para ela com um sorriso reconfortante. Sobre as duas mesas, vemos duas pequenas placas brancas, cada uma referenciando um dos atores. A da direita, na mesa de Lucille, apresenta os dizeres “Lucille Ball” e, mais abaixo, “‘Lucy’”. Na mesa de Desi, à esquerda, a placa apresenta os dizeres “Desi Arnaz” e, mais abaixo, “‘Ricky’”" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-5-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26760" class="wp-caption-text">Daniel Pemberton, que também compôs músicas para Os 7 de Chicago, retorna para a trilha sonora de Apresentando os Ricardos, com uma sonoridade nostálgica mas tensa, dando um aspecto pavoroso para cenas cômicas (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a trama desenvolve Lucille com profundidade, o mesmo, infelizmente, não pode ser dito sobre Desi. Um detalhe que não foi mencionado até agora, mas que é de suma importância para compreender a conjuntura da história: </span><a href="https://www.biography.com/actor/desi-arnaz"><span style="font-weight: 400;">Desi era cubano</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seu pai, prefeito da cidade de Santiago, foi preso durante a Revolução Cubana com a </span><a href="https://www.politize.com.br/revolucao-cubana-historia/"><span style="font-weight: 400;">ascensão dos bolcheviques</span></a><span style="font-weight: 400;">, forçando sua família a </span><a href="https://stylecaster.com/how-did-desi-arnaz-die/"><span style="font-weight: 400;">fugir até Miami</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que levou o cantor e ator a, mais tarde, ser um expoente na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=luPmjsGxKCE"><span style="font-weight: 400;">popularização da Música latina</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos Estados Unidos do século XX. Então, sim, um homem cubano, em plena Guerra Fria, protagonizou um casamento interracial no seriado estadunidense mais famoso do período, que visava representar a família tradicional em seu mais puro estado. E </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos </span></i><span style="font-weight: 400;">não dá a mínima para isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, estamos falando de um cubano, pisando em solo absolutamente intolerante, que é casado com uma mulher tida como comunista. É esperado, portanto, que esse fenômeno tivesse implicações mínimas, tanto na sua figura pública quanto na sua vida. Porém, esse elemento é totalmente ignorado. Da mesma forma, sua relação com os EUA é pasteurizada e simplificada. Diferente de outras histórias que </span><a href="https://personaunesp.com.br/minari-critica/"><span style="font-weight: 400;">têm sido contadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Cinema, Desi não é um personagem que expõe as hipocrisias do </span><a href="https://www.archdaily.com.br/br/954313/quando-o-sonho-americano-se-tornou-o-pesadelo-do-planejamento-urbano"><span style="font-weight: 400;">sonho americano</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao contrário, para Sorkin, ele é a prova cabal de que o discurso meritocrático do </span><a href="https://www.justificando.com/2019/09/02/por-que-a-ideia-de-meritocracia-privilegia-quem-ja-e-rico/"><span style="font-weight: 400;">neoliberalismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é real. Desi é um verdadeiro patriota americano, que os serviu na Segunda Guerra com prazer e orgulho. E o texto valida seu amor cego pelo país, incluindo-o sem nenhuma ambiguidade ou nuance.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pior. Desi é colocado como porta-voz de </span><a href="https://www.scielo.br/j/rsocp/a/xd5DwPRsWXzTXgjNNXrxdfk/?lang=pt"><span style="font-weight: 400;">incitações anticomunistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu roteirista, descartando todas as complexidade do </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Historia/noticia/2020/08/8-fatos-para-entender-revolucao-cubana-e-seus-desdobramentos.html"><span style="font-weight: 400;">cenário político</span></a><span style="font-weight: 400;"> cubano durante a revolução, o que transforma </span><i><span style="font-weight: 400;">Being the Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;"> de uma experiência tediosa para mórbida em um instante – ainda mais hoje, quando </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-06-02/explicito-nas-ruas-bolsonarismo-neofascista-se-inspira-em-extremismo-e-anticomunismo-da-ucrania.html"><span style="font-weight: 400;">ideologias de extrema-direita</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltam a crescer. Sem contar a escolha de Javier Bardem no papel, que é espanhol, ao invés de um ator latinoamericano, expondo Sorkin como peça ativa da própria xenofobia que ele acredita criticar. E, se a investida dos guerrilheiros de Cuba é demonizada e descontextualizada, o longa tem a pachorra de, deliberadamente, aclamar a imagem de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/08/09/programa-secreto-do-fbi-coordenou-repressao-politica-nos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">J. Edgar Hoover</span></a><span style="font-weight: 400;">, consagrando-se de longe como o ato mais asqueroso de toda a trama.</span></p>
<figure id="attachment_26761" aria-describedby="caption-attachment-26761" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26761" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMAGEM-6.webp" alt="Cena do filme Apresentando os Ricardos. Imagem retangular e colorida. Nela, está Desi Arnaz, interpretado por Javier Bardem, um homem branco, de cabelos curtos escuros penteados em um topete, que veste um terno e gravata branco e preto. Ele olha impaciente para frente, enquanto levanta seus dois braços para cima, na altura de seu peito, demonstrando indignação. O cenário é a porta de uma sala de estar" width="1500" height="750" /><figcaption id="caption-attachment-26761" class="wp-caption-text">Além do retrato simplista de Aaron Sorkin, Desi é vítima de mais uma atrocidade ao incorporar, sem nenhuma veia crítica, o arquétipo pejorativo do Latin lover: o homem latino que é mulherengo e incapaz de controlar seus instintos dominativos (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo em um terreno familiar, Aaron Sorkin pisa em ovos aqui. O que salva esse desastre prenunciado do esquecimento é a atuação irretocável de Nicole Kidman, que infelizmente entra no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">como azarona. Apesar da vitória no Globo de Ouro, a competição na categoria é acirrada, e tanto no </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/sag-awards-22-vencedores"><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> quanto no </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/critics-choice-awards-2022-vencedores"><i><span style="font-weight: 400;">Critics’ Choice Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, termômetros importantes para a premiação, ela saiu de mãos atadas. Além da atuação tíbia de Javier Bardem e J. K. Simmons, que são incluídos por pura menção honrosa, essa é de longe a pior obra da filmografia do recém-diretor, e, convenhamos, não deveria nem ser cogitada em categorias de Direção ou Roteiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A única conclusão possível é que Sorkin ainda tem muito chão para andar como diretor até adquirir a capacidade de fazer seus roteiros bons filmes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobressai os vícios e manias característicos de suas obras, enquanto camufla seus méritos. Os diálogos em bate-bola frenéticos que ele adora escrever ficam ainda mais intrincados do já costumavam ser, ao passo que o clima de angústia e apreensão, que permeia grande parte de seus enredos, lastimavelmente murcha. E assim, qualquer potencial da trama é </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/being-the-ricardos"><span style="font-weight: 400;">praticamente diluído</span></a><span style="font-weight: 400;"> por uma cadência narrativa terrível e uma visão artística pior ainda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, nesse caso, nem o seu texto salva. Na busca artificializada por construir uma obra relevante aos nossos tempos, Sorkin se apropria de signos depreciativos com total irresponsabilidade para, no fim, ratificar uma retórica perversa e uma mensagem que até pensa ser valiosa, mas que se mostra seguidamente contraditória, enquanto carrega um subtexto repulsivo. Talvez, antes de criar um estudo de personagem imensurável, que </span><a href="https://scriptmag.com/interviews-features/overcoming-obstacles-an-interview-with-aaron-sorkin"><span style="font-weight: 400;">supostamente investigaria</span></a><span style="font-weight: 400;"> a origem da energia criativa da humanidade, seja hora do cineasta fazer um </span><a href="https://www.tempoparacriar.com/aaron-sorkin-um-dos-maiores-roteiristas-da-atualidade/"><span style="font-weight: 400;">autodiagnóstico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e compreender o porquê ele tanto insiste nessas histórias. Ao acreditar pretensiosamente ser um manifesto político essencial, </span><i><span style="font-weight: 400;">Apresentando os Ricardos </span></i><span style="font-weight: 400;">demonstra refletir o que há de mais alienante na atual indústria </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>The White Lotus: uma sátira social que expõe os privilégios da elite</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Sep 2021 16:33:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sabrina G. Ferreira A sátira criada e dirigida por Mike White (Enlightened, Escola de Rock), se tornou um completo sucesso em audiência desde seu lançamento pela rede americana HBO, tanto que já tem sua segunda temporada encomendada para o próximo ano, em um formato de antologia, com personagens e histórias diferentes. Toda trama de The &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-white-lotus-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The White Lotus: uma sátira social que expõe os privilégios da elite"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23307" aria-describedby="caption-attachment-23307" style="width: 890px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23307" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem1-1-1.jpg" alt="Cena da séried The White Lotus. Na imagem, vemos dois funcionários do resort. O senhor da direita é grisalho, veste um terno de cor cereja e uma camisa azul clara, e está segurando uma pasta preta nas mãos; a moça ao lado dele é uma haitiana, de cabelos compridos escuros e amarrados em um rabo de cavalo, ela veste uma camisa rosa e segura uma bandeja com algumas toalhas brancas enroladas, com um estojo preto em cima. Eles estão ao ar livre, em frente a algumas árvores,  e está de dia." width="890" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem1-1-1.jpg 890w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem1-1-1-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem1-1-1-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23307" class="wp-caption-text">Os funcionários, interpretados por Jolene Purdy e Murray Bartlett, recepcionam os hóspedes do resort em The White Lotus (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><b>Sabrina G. Ferreira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sátira criada e dirigida por </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/the-new-yorker-interview/mike-white-on-money-status-and-appearing-on-survivor"><span style="font-weight: 400;">Mike White</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2013/mar/28/enlightened-box-set-laura-dern"><i><span style="font-weight: 400;">Enlightened</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-reviews/school-rock-tv-review-874256/"><i><span style="font-weight: 400;">Escola de Rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), se tornou um completo </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/the-white-lotus-conheca-seu-criador-mike-white"><span style="font-weight: 400;">sucesso em audiência</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde seu lançamento pela rede americana </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, tanto que já tem sua segunda temporada encomendada para o próximo ano, em um </span><a href="https://variety.com/2021/tv/news/white-lotus-renewed-hbo-season-2-1235038559/"><span style="font-weight: 400;">formato de antologia</span></a><span style="font-weight: 400;">, com personagens e histórias diferentes. Toda trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">The White Lotus</span></i><span style="font-weight: 400;"> se passa num </span><i><span style="font-weight: 400;">resort </span></i><span style="font-weight: 400;">de luxo no Havaí, de mesmo nome da série, e tem como protagonistas três grupos de pessoas, com algo predominante entre elas: são todas ricas e brancas.</span></p>
<p><span id="more-23306"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, tudo parece ir às mil maravilhas. Os funcionários do </span><i><span style="font-weight: 400;">resort </span></i><span style="font-weight: 400;">dão as boas-vindas ao grupo, sempre sorridentes. Porém, o que vemos inicialmente não é a realidade. Os funcionários, de classe social inferior, entre eles se destaca o gerente Armond (</span><a href="https://www.eonline.com/br/news/1299230/murray-bartlett-fala-sobre-sua-cena-escatologica-em-white-lotus-fiquei-chocado"><span style="font-weight: 400;">Murray Bartlett</span></a><span style="font-weight: 400;">), são obrigados a deixarem seus problemas de lado, e satisfazer os caprichos dos hóspedes de classe alta, como Shane Patton (</span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/film-tv/a37246748/jake-lacy-the-white-lotus-interview/"><span style="font-weight: 400;">Jake Lacy</span></a><span style="font-weight: 400;">), recém-casado com Rachel (</span><a href="https://podcasts.apple.com/us/podcast/alexandra-daddario-interview-the-white-lotus/id1366421088?i=1000529177542&amp;l=pt"><span style="font-weight: 400;">Alexandra Daddario</span></a><span style="font-weight: 400;">), em suas condições de total servidão. Um exemplo disso é quando Belinda (</span><a href="https://www.thecut.com/2020/05/more-natasha-rothwell-please.html"><span style="font-weight: 400;">Natasha Rothwel</span></a><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.thecut.com/2020/05/more-natasha-rothwell-please.html">l</a>), gerente do </span><i><span style="font-weight: 400;">spa</span></i><span style="font-weight: 400;">, tem dor nas costas após um dia de trabalho, mas precisa massagear Tanya McQuoid (</span><a href="https://www.newyorker.com/culture/on-television/the-raw-triumph-of-jennifer-coolidge-in-the-white-lotus"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Coolidge</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma senhora rica, que vive no ócio o dia todo. A série não só trabalha em torno das personagens, mas também é notável uma crítica em torno da elite e dos explorados.</span></p>
<figure id="attachment_23308" aria-describedby="caption-attachment-23308" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23308" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-8.jpg" alt="Cena da série The White Lotus. Na imagem, vemos duas hóspedes do resort. Ambas são jovens. A moça da esquerda veste um maiô preto, é loira, de pele clara, tem os cabelos soltos na altura dos ombros, usa óculos de grau e está segurando um livro de cor branca nas mãos. A jovem da direita veste um conjunto de verão na cor verde limão, tem pele negra clara, cabelos cacheados soltos, pouco abaixo dos ombros, e está segurando um livro de cor preta nas mãos. Elas estão sentadas em cadeiras de praia de cor marrom, estão ao ar livre e está de dia." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-8.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-8-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-8-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-8-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-8-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-8-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23308" class="wp-caption-text">Sydney Sweeney e Brittany O&#8217;Grady interpretam duas hóspedes do hotel (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As personagens são muito bem elaboradas e entram em conflito simultaneamente, de modo que há uma sincronia entre suas ações e comportamentos, e tudo é acompanhado com excelência pela constante </span><a href="https://www.npr.org/2021/08/21/1029957360/music-moment-white-lotus-composer"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;">, que muda com o ritmo dos acontecimentos. Também vale salientar que muitas das ações das personagens principais causam certo desconforto no espectador, que pode se visualizar cometendo os mesmos erros deles, como quando Mark Mossbacher (Steve Zahn) pensa que os havaianos estão dançando para os hóspedes brancos durante o jantar porque querem </span><a href="https://www.vox.com/first-person/22621960/white-lotus-native-hawaiians-hbo"><span style="font-weight: 400;">honrar a cultura deles</span></a><span style="font-weight: 400;">, e que eles se sentem bem em fazer aquilo.</span></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">“Não se deve matar pessoas, roubar suas terras e depois fazê-las dançar. Sabemos disso. Mas é a humanidade. Bem-vinda a América!” </span></i></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Mark Mossbacher </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série também chama a atenção pela fluidez com que temas considerados polêmicos são abordados, tais como: relacionamento abusivo e machismo, presentes no casal Patton; alcoolismo e carência extrema, como ocorre com Tanya McQuoid; e preconceito, visíveis no comportamento de Mark Mossbacher. Outro assunto que é muito bem explorado, é a posse dos brancos sobre as terras dos havaianos no passado. Um dos funcionários do </span><i><span style="font-weight: 400;">resort</span></i><span style="font-weight: 400;">, um havaiano chamado Kai (</span><a href="https://www.elitedaily.com/entertainment/who-plays-kai-white-lotus-kekoa-scott-kekumano"><span style="font-weight: 400;">Kekoa Scott Kekumano</span></a><span style="font-weight: 400;">), conta para Paula (</span><a href="https://www.nylon.com/entertainment/brittany-ogrady-white-lotus-paula"><span style="font-weight: 400;">Brittany O&#8217;Grady</span></a><span style="font-weight: 400;">), que o hotel está construído sobre as terras de seu povo, e que os donos do local não pagaram um valor justo por elas. Agora o rapaz trabalha para o hotel, porque, segundo ele, precisa de dinheiro para viver.</span></p>
<figure id="attachment_23312" aria-describedby="caption-attachment-23312" style="width: 1431px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23312" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-6-1.jpg" alt="Cena da série The White Lotus. Na imagem, vemos um homem de cabelos claros, penteados de lado. Ele está sentado em uma mesa, com um prato branco e algumas taças de champagne à sua frente. Ele veste uma camisa azul marinho. Atrás dele, há algumas pequenas luzes. Ele está de frente, olhando para alguém, ao ar livre e está de noite." width="1431" height="794" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-6-1.jpg 1431w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-6-1-800x444.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-6-1-1024x568.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-6-1-768x426.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-6-1-1200x666.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23312" class="wp-caption-text">Mark Mossbacher e sua família durante o jantar (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos destaques na série são as duas hóspedes mais jovens, Olivia Mossbacher (</span><a href="http://personaunesp.com.br/euphoria-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sydney Sweeney</span></a><span style="font-weight: 400;">) e sua melhor amiga, e de classe social “inferior”, Paula. A princípio, as duas parecem amigas próximas, mas após alguns episódios, é evidente a competitividade de Olivia com Paula, até mesmo com o fato da moça engatar um namoro durante a viagem, e ela não. Como Paula diz: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ela é minha amiga enquanto tem mais do que eu</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A viagem para elas é puro tédio, até se darem conta de que levaram, sem perceber, uma mochila com drogas. Há ali uma denúncia de como será a nova geração de ricos, com o exemplo de Olívia, que age ao contrário de todas as frases politicamente corretas citadas por ela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A esposa de Shane, Rachel Patton, é a única hóspede dali que pertence à classe média, e a única que é possível o espectador se identificar. Vinda de uma família humilde, se deslumbra com a vida de luxo que conquistaria casando-se com um milionário. Apesar de sua carreira como jornalista, não possui emprego fixo, trabalhando esporadicamente como </span><i><span style="font-weight: 400;">freelancer. </span></i><span style="font-weight: 400;">Durante a viagem de lua de mel, se sente desconexa daquele mundo, primeiro após um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LcoDj5G8kZQ&amp;ab_channel=HBO"><span style="font-weight: 400;">encontro com Olivia e Paula</span></a><span style="font-weight: 400;"> na piscina, e após, em uma angustiante discussão com Nicole Mossbacher.</span></p>
<figure id="attachment_23309" aria-describedby="caption-attachment-23309" style="width: 1621px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23309" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem3-2.jpg" alt="Cena da série The White Lotus. Na imagem, vemos dois hóspedes do resort. Ambos são jovens. O rapaz da esquerda tem pele branca, cabelos castanhos e curtos, veste uma camisa verde, óculos de sol, e está segurando um celular acima de sua cabeça, tirando uma selfie, e tem um dos braços envolta da moça ao seu lado. A moça ao lado dele tem pele branca, cabelos castanhos, lisos, soltos na altura dos ombros; está usando óculos, sorrindo. Eles estão ao ar livre e está de dia." width="1621" height="907" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem3-2.jpg 1621w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem3-2-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem3-2-1024x573.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem3-2-768x430.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem3-2-1536x859.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem3-2-1200x671.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23309" class="wp-caption-text">Shane e Rachel Patton em passeio de barco com Tanya e Belinda (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra passagem, Shane Patton se mostra contrário à ideia de sua esposa trabalhar, ou ter uma vida sem ser </span><a href="https://thedipp.com/the-white-lotus/why-did-rachel-marry-shane-on-the-white-lotus"><span style="font-weight: 400;">subserviente a ele</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando a mãe dele, Kitty (Molly Shannon), aparece para uma visita durante a viagem de lua de mel do casal e ele expõe esse impasse do casal a ela, a mesma apoia o filho, dizendo que é mais vantajoso organizar eventos, do que trabalhar. Ou seja, não existe satisfação pessoal em ter uma </span><a href="https://forbes.com.br/colunas/2020/04/independencia-financeira-e-melhor-ter/"><span style="font-weight: 400;">vida financeira independente</span></a><span style="font-weight: 400;"> do marido, só o questionamento da falta de sentido em querer obter dinheiro com trabalho se já tem a posse dele em abundância, sem precisar disso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É surpreendente a evolução do filho caçula do casal Mossbacher, Quinn (</span><a href="https://www.polygon.com/interviews/22643928/fred-hechinger-interview-white-lotus-cast-fear-street"><span style="font-weight: 400;">Fred Hechinger</span></a><span style="font-weight: 400;">) ao longo da série. Logo nos primeiros episódios é retratado como um jovem infantilizado e alienado em jogos de celular. Após a estadia no </span><i><span style="font-weight: 400;">resort</span></i><span style="font-weight: 400;">, o jovem passa a aspirar a independência e um modo de vida mais simples, semelhante ao do seu novo grupo de amigos havaianos. A lição passada aqui é que, por mais que uma pessoa seja adaptada às mordomias que o dinheiro proporciona, não necessariamente significa que ela seja feliz.</span></p>
<figure id="attachment_23310" aria-describedby="caption-attachment-23310" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23310" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-5.jpg" alt="Cena da série The White Lotus. Na imagem, vemos dois hóspedes do resort. O da esquerda é um jovem loiro, de pele branca. Ele está vestindo uma camisa amarela, e segura um tablet nas duas mãos, enquanto olha pra ele.  Na direita tem um homem mais velho, loiro e de pele clara, com os cabelos molhados, está sem camisa. Ambos estão dentro de uma piscina, apoiados na borda. Está de dia." width="1440" height="736" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-5.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-5-800x409.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-5-1024x523.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-5-768x393.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-5-1200x613.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23310" class="wp-caption-text">Quinn e Mark Mossbacher são filho e pai em The White Lotus (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o personagem central da série, seja o gerente do </span><i><span style="font-weight: 400;">resort</span></i><span style="font-weight: 400;">, Armond, que passa por percalços desde o início, com o parto inesperado de uma funcionária em seu escritório, e após, as desavenças com o Shane Patton, por causa de um erro na reserva de uma suíte. O papel de Armond no desenrolar da trama nos faz perceber aquilo que passa no consciente de muitas pessoas que precisam servir, mas não gostam daquilo, e têm os hóspedes como secretos inimigos. Seu sorriso forçado não consegue esconder o que se passa em seu emocional, e toda a pressão do cotidiano no </span><i><span style="font-weight: 400;">resort</span></i><span style="font-weight: 400;">, viria a cobrar </span><a href="https://www.them.us/story/white-lotus-finale-murray-bartlett-armond"><span style="font-weight: 400;">um preço caro</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ele no futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há também a conexão entre Tanya e a funcionária do </span><i><span style="font-weight: 400;">spa</span></i><span style="font-weight: 400;">, Belinda. Após uma sessão de massagens, Tanya tem uma catarse, e adquire uma </span><a href="https://cinedope.com/what-are-tanyas-true-motives-towards-belinda-in-the-white-lotus/"><span style="font-weight: 400;">relação de dependência</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Belinda. Essa relação vai além, quando Tanya propõe abrir um </span><i><span style="font-weight: 400;">spa</span></i><span style="font-weight: 400;">, tendo Belinda como sócia. Após alguns dias, Tanya desenvolveu um relacionamento amoroso com um hóspede do quarto ao lado. Desse novo relacionamento, cessam as chances de parceria entre Tanya e Belinda, pois, segundo ela, voltaria ao padrão de fazer uso do dinheiro para controlar e explorar outra pessoa, e isso não seria saudável para ela.</span></p>
<figure id="attachment_23311" aria-describedby="caption-attachment-23311" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23311" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem5.jpg" alt="Cena da série The White Lotus. Na imagem, vemos uma hóspede deitada e uma funcionária do resort massageando a cabeça dela. A hóspede está deitada em uma esteira, é loira, de cabelos lisos e pele clara, está vestindo um roupão branco, e as mãos estão cruzadas sobre a barriga. A funcionária do resort é negra, com cabelos cacheados soltos sobre os ombros; ela veste um conjunto azul marinho, e uma camisa estampada com flores. Eles estão em uma sala com luminárias ao redor, um vaso de plantas atrás, outra esteira ao lado, de cor azul clara. Está de dia." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem5-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23311" class="wp-caption-text">A funcionária Belinda massageando a hóspede Tanya (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O uso recorrente de </span><a href="https://www.eonline.com/news/1288582/hbos-dark-comedy-the-white-lotus-might-have-you-rethinking-that-trip-to-hawaii"><span style="font-weight: 400;">humor ácido</span></a><span style="font-weight: 400;"> está em todas as passagens, bem como na mensagem difundida com o desfecho do enredo. Por mais que a série queira nos passar uma imagem de final feliz para alguns personagens, há a consciência de que esse final só é possível para os que pertencem a uma </span><a href="https://guides.rider.edu/c.php?g=926249&amp;p=6675323"><span style="font-weight: 400;">classe social privilegiada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já os personagens que têm um final trágico, fica a reflexão de que, caso pertencessem a uma família abastada, teriam o mesmo fim, ou seus atos seriam igualmente julgados pela lei e aceitos pela sociedade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim do sexto e último episódio, vemos algumas situações de conformismo, e outras de surpreendente transformação. Porém, chegamos a conclusão de que o mundo é desta forma, cheio de diferenças e injustiças sociais, que muitas vezes assimilamos e aprendemos a aceitar, mas para mudá-lo precisamos bem mais do que o uso de bordões politicamente corretos em conversas entre amigos, e </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/05/31/internacional/1433106323_876086.html"><span style="font-weight: 400;">discursos em redes sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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