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	<title>Arquivos Irene &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Irene &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Red Velvet Happiness Diary: My Dear, ReVe1uv celebra 10 anos de uma explosão de cores inesquecível</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Apr 2025 18:24:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Não há algo tão agridoce quanto relembrar os tempos da adolescência e, definitivamente, nada é intenso e suave quanto Red Velvet – não estamos falando de sabores de bolo, mas sim de cinco meninas que definiram a terceira geração do K-pop. Irene, Seulgi, Wendy, Joy e Yeri dividem uma trajetória marcada por hits &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/red-velvet-happiness-diary-my-dear-reve1uv-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Red Velvet Happiness Diary: My Dear, ReVe1uv celebra 10 anos de uma explosão de cores inesquecível<br />"</span></a></p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image_editor_output_image1000168127-1743704128859791330569578117490-1024x683.jpg" alt="Cena do filme Red Velvet Happiness Diary: My Dear, ReVe1uv. A composição da cena mostra Seulgi, Yeri, Irene, Wendy e Joy em poses relaxadas e sorridentes, posicionadas em uma formação aproximada, mas não exatamente alinhada. As mulheres parecem envolvidas em uma interação amigável, provavelmente em um show ou performance, de acordo com a presença de luzes de fã nas mãos. A imagem captura um momento específico durante o espetáculo, que é o de interação entre as integrantes. A iluminação e a composição sugerem um ambiente de palco, ou outro local com cenário específico para entretenimento." class="wp-image-35092" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image_editor_output_image1000168127-1743704128859791330569578117490-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image_editor_output_image1000168127-1743704128859791330569578117490-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image_editor_output_image1000168127-1743704128859791330569578117490-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image_editor_output_image1000168127-1743704128859791330569578117490-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image_editor_output_image1000168127-1743704128859791330569578117490-1200x801.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image_editor_output_image1000168127-1743704128859791330569578117490.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption class="wp-element-caption">O longa foi filmado durante a turnê 2024 Red Velvet FANCON TOUR &lt;HAPPINESS : My Dear, ReVe1uv&gt; (Foto: Sato Company)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nathalia Tetzner</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Não há algo tão agridoce quanto relembrar os tempos da adolescência e, definitivamente, nada é intenso e suave quanto <a href="https://www.youtube.com/watch?v=FyG21rXCxlY">Red Velvet</a> – não estamos falando de sabores de bolo, mas sim de cinco meninas que definiram a terceira geração do <em>K-pop</em>. Irene, Seulgi, Wendy, Joy e Yeri dividem uma trajetória marcada por <em>hits</em> e visuais impecáveis, porém, também muita incerteza; fator comum de uma indústria musical que busca renovação a todo momento, conhecida por levar seus <em>idols</em> à exaustão.<br><br>Completando dez anos desde o <em>debut</em> com <em>Happiness</em>, as garotas, agora mulheres independentes que se consagraram em suas próprias carreiras solo, abrem as portas para as memórias de um passado recente, que já deixam muita saudade. <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dCNSYcX2SxA">Red Velvet Happiness Diary: My Dear, ReVe1uv</a></em> utiliza gravações da turnê mais recente do grupo para montar um documentário que prova: “<em>Se você precisa de paz em seu coração e quer sentir alegria, volte quando quiser. Estamos sempre aqui</em>”. </p>



<span id="more-35096"></span>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image33975177232578173613-1024x683.jpg" alt="Cena do filme Red Velvet Happiness Diary: My Dear, ReVe1uv. A composição da imagem é simples e focada, com Yeri centralizada no enquadramento. A mulher está posicionada de frente, com os seus olhos diretamente voltados para a câmera, transmitindo um ar de naturalidade. A iluminação é suave e uniforme, sem sombras fortes ou contrastes acentuados. Não há elementos adicionais além da mulher, o que concentra a atenção no seu rosto e expressão." class="wp-image-35094" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image33975177232578173613-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image33975177232578173613-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image33975177232578173613-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image33975177232578173613-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image33975177232578173613-1200x801.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image33975177232578173613.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption class="wp-element-caption">Yeri entrou para o grupo de K-pop com apenas 17 anos de idade coreana e 16, internacionalmente (Foto: Sato Company)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br>A estrela do longa acaba sendo Kim Ye-rim. É extremamente emocionante, tanto para as membros mais experientes, quanto para qualquer ‘ReVeluv’ – nome do fandom de Red Velvet – assistir como a <em>maknae</em> amadureceu. Na turnê <em>2024 Red Velvet FANCON TOUR &lt;HAPPINESS : My Dear, ReVe1uv&gt;</em>, é recriado o momento em que ela se junta às meninas antes do lançamento do mini-álbum icônico <a href="https://www.youtube.com/watch?app=desktop&#038;v=T2E5PeoyXF0&#038;t=0s"><em>Ice Cream Cake</em></a>. Nesse instante, é quase impossível segurar as lágrimas.<br><br>De fato, o diretor Oh Yoon-dong, acostumado a gravar eventos de <a href="https://personaunesp.com.br/exist-critica/"><em>K-pop</em></a>, consegue trazer um diferencial para a película: aqui, há bastante espaço para a expressão dos sentimentos conflitantes de Irene, Seulgi, Wendy, Joy e Yeri; o que acaba, por vezes, sufocando o espetáculo. Contudo, o que é Red Velvet senão “<em>uma mistura de conto de fadas e elementos assustadores?</em>”. Ainda que algumas declarações sejam como um <em>cupcake</em> amargo decorado com <em>glitter</em>, as cinco continuam iluminando por onde passam.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image25129757266193122567-1024x683.jpg" alt="Cena do longa Red Velvet Happiness Diary: My Dear, ReVe1uv. A composição da cena é organizada em uma formação de quatro linhas horizontais, com as mulheres posicionadas em intervalos regulares ao longo do palco. O foco está centrado no grupo de mulheres, com o restante do ambiente desfocado. Há um padrão geométrico distinto no palco, com luzes e formas geométricas que parecem criar setores e linhas que guiam o olhar para o grupo central de mulheres." class="wp-image-35095" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image25129757266193122567-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image25129757266193122567-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image25129757266193122567-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image25129757266193122567-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image25129757266193122567-1200x801.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image25129757266193122567.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption class="wp-element-caption">Red Velvet debutou em 2014, com o single Happiness (Foto: Sato Company)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Muito desse lado difícil de engolir surge das próprias ações da <a href="https://revistakoreain.com.br/2024/06/sm-entertainment-abre-processo-contra-chen-baekhyun-e-xiumin-exo-para-execucao-de-contratos/"><em>SM Entertainment</em></a>. A empresa que detém os direitos de Red Velvet sempre esteve envolvida em incontáveis polêmicas e processos a respeito da forma maquiavélica que cria e desenvolve grupos de <em>K-pop</em>. Isso fica nítido em uma declaração de Yeri: “<em>Me disseram que eu era como a cor vermelho vibrante, porque eu pensei que tudo iria melhorar depois da estreia. Depois que eu estreei, eu fiquei mais opaca. Talvez, até deixado de lado meu autoconhecimento</em>”.<br><br>Embora se trate de um filme que deixa uma certa nostalgia no ar, <em>Red Velvet Happiness Diary: My Dear, ReVe1uv</em> alcança o objetivo de celebrar dez anos de uma explosão de cores inesquecível: o debut de um dos grupos sul-coreanos mais distinguíveis de todos. Assim como Irene, quando menciona a canção <a href="https://www.youtube.com/watch?v=kyoQ4OAN7Pc"><em>Candy (사탕)</em></a> no documentário, ficamos com a sensação de que “<em>Se eu não te conhecesse, como eu teria rido desse sentimento sombrio?</em>”.</p>



<figure class="wp-block-embed is-provider-youtube wp-block-embed-youtube"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Red Velvet Happiness Diary: nos Cinemas | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/4L7X1VGj5T0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Os 45 anos de Cría Cuervos perpetuam uma narrativa melancólica, psicológica e política</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2021 19:00:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti O corvo é uma ave comumente apresentada como algo negativo. Na Espanha, por exemplo, a frase “cría cuervos y te sacarán los ojos”, utilizada para designar ingratidão, é muito conhecida. Nesse raciocínio, o diretor Carlos Saura faz alusão ao dito popular em Cría Cuervos, que conta a história de três irmãs criadas pela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cria-cuervos-45-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os 45 anos de Cría Cuervos perpetuam uma narrativa melancólica, psicológica e política"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_22323" aria-describedby="caption-attachment-22323" style="width: 630px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22323" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-4.jpg" alt="A imagem apresenta Ana Torrent, uma criança branca, de cabelos castanhos, lisos e curtos, usando um casaco vermelho. Um pouco atrás, mais para a esquerda da foto está Geraldine Chaplin, uma mulher branca, de cabelos castanhos, lisos, na altura dos ombros, que usa uma vestimenta verde. A expressão de ambas é neutra e o fundo exibe uma parede cinza." width="630" height="378" /><figcaption id="caption-attachment-22323" class="wp-caption-text">Carlos Saura mistura o passado e o presente da personagem Ana em Cría Cuervos (Foto: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas S.L.)</figcaption></figure></p>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O corvo é uma ave comumente apresentada como algo </span><a href="https://meusanimais.com.br/o-corvo-na-cultura-popular/"><span style="font-weight: 400;">negativo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na Espanha, por exemplo, a frase “</span><a href="https://www.imer.mx/tropicalisima/cria-cuervos-y-te-sacaran-los-ojos/"><i><span style="font-weight: 400;">cría cuervos y te sacarán los ojos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, utilizada para designar ingratidão, é muito conhecida. Nesse raciocínio, o diretor Carlos Saura faz alusão ao dito popular em </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos</span></i><span style="font-weight: 400;">, que conta a história de três irmãs criadas pela tia após o falecimento dos pais. O longa, de 1976, foi lançado no período da redemocratização espanhola, após 36 anos sob domínio da Ditadura Franquista. Esse contexto histórico serviu de inspiração para Saura na produção do filme. </span></p>
<p><span id="more-22322"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa, que se constrói de forma não-linear, narra a vida de Irene (Conchita Pérez), Ana (Ana Torrent) e Maite (Mayte Sanchez), que passam a ser criadas pela tia Paulina (Mónica Randall) após o falecimento do pai (Héctor Alterio). A trama se alterna entre o presente com </span><a href="https://vounoflash.com.br/2021/01/12/o-que-e-o-flashback/"><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de quando a mãe (Geraldine Chaplin) ainda estava viva e depoimentos de Ana (Geraldine Chaplin) já adulta refletindo sobre sua infância triste.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ambiente familiar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos </span></i><span style="font-weight: 400;">também era habitado por outras duas pessoas. A avó (Josefina Diaz), é uma idosa com a saúde debilitada e muda, que passa seus dias contemplando com nostalgia suas fotos, de um passado feliz e próspero. A outra moradora é Rosa (Florinda Chico), empregada da casa, à quem Ana recorre para sanar suas dúvidas sobre a vida de sua mãe.</span></p>
<p><figure id="attachment_22324" aria-describedby="caption-attachment-22324" style="width: 713px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22324" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-4.jpg" alt="Cena do filme Cría Cuervos em que a família está sentada à mesa se alimentando. A tia Paulina, que é uma mulher branca, de cabelos castanhos claros e curtos, aparece usando uma camisa rosa claro, sentada de costas para a imagem. Irene, a irmã mais velha, que é branca, de cabelos castanhos, lisos, na altura dos ombros, aparece comendo no fundo da foto. Rosa, uma mulher branca de cabelos castanhos claros e curtos, que usa um vestido rosa florido e um avental branco, serve água à Maite, a irmã mais nova, que é branca de cabelos castanhos e curtos. No canto bem a direita está Ana, branca, de cabelos castanhos, lisos e curtos. No centro está a mesa, repleta de taças e pratos com comida e no fundo há um abajur, uma cortina e uma lâmpada fixada na parede." width="713" height="428" /><figcaption id="caption-attachment-22324" class="wp-caption-text">A primeira vista, Cría Cuervos se apresenta apenas como uma narrativa psicológica sobre uma família ceifada pela morte dos pais (Foto: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas S.L.)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas cenas de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashback</span></i><span style="font-weight: 400;">, é possível perceber a angústia que a mãe vivia dentro do matrimônio. O pai, por sua vez, é um militar que trai sua esposa até mesmo dentro de casa. O falecimento prematuro da mãe, com quem Ana tinha uma relação estreita, fez com que a criança passasse a desenvolver uma fascinação pela morte. Tudo se complica no momento em que as três irmãs passam para a tutela da tia Paulina, por quem a filha do meio possui grande desconfiança e ingratidão. As ordens da nova tutora transformam o ambiente familiar em uma convivência intragável, pela qual Ana relembra na vida adulta como a </span><a href="https://epocanegocios.globo.com/Vida/noticia/2017/09/estudo-mostra-qual-e-fase-mais-triste-da-vida.html"><span style="font-weight: 400;">fase mais triste</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mostra ainda mais complexa no momento em que a narrativa se divide em duas interpretações da obra. A primeira e mais óbvia é a psicológica. O filme se desenvolve com uma história que analisa os efeitos psicológicos da </span><a href="https://bebe.abril.com.br/familia/luto-infantil-como-falar-sobre-morte-com-criancas-pequenas/"><span style="font-weight: 400;">morte</span></a><span style="font-weight: 400;"> na vida de uma criança. A mãe sofre com os rumos do seu casamento, se mostrando sentimental e triste. O pai, por sua vez, é insensível, grosseiro e se importa apenas consigo mesmo. O desenrolar mostra a tentativa de adaptação das irmãs à nova realidade, focando no lado emocional e desmistificando a infância como a fase mais feliz da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, ao considerar os aspectos políticos e históricos, o longa apresenta sua segunda narrativa, mais profunda e complexa. Desse modo, todos os personagens seriam alegorias representando grupos da história espanhola no crepúsculo da </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/francisco-franco.htm"><span style="font-weight: 400;">Ditadura Franquista</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seguindo esse raciocínio, Ana seria a própria Espanha, que olha para o seu passado triste em que foi submetida ao governo de Francisco Franco. Agora adulta, ela compreende sua trajetória e pode seguir sua vida, porém as cicatrizes de seu passado serão permanentes. A mãe, por sua vez, representa o povo espanhol, o pai, o governo ditatorial, e a tia, a elite interesseira que ameniza os erros cometidos pelo gestor tirano. A avó emudecida é a população madura, que lembra do passado rico e silencia com a opressão do presente.</span></p>
<p><figure id="attachment_22325" aria-describedby="caption-attachment-22325" style="width: 1793px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22325" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4.jpg" alt="Cena do filme Cría Cuervos exibe Ana, uma criança branca, de cabelos castanhos, lisos e curtos, empurrando sua avó, uma idosa branca, de cabelos curtos grisalhos, na cadeira de rodas. Elas estão em um jardim repleto de árvores, em que há uma piscina vazia e embolorada." width="1793" height="1076" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4.jpg 1793w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-1536x922.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22325" class="wp-caption-text">O silêncio da avó debilitada diz muito (Foto: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas S.L.)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para desenvolver essa narrativa rica com interpretações dualistas, Saura utiliza diversos recursos audiovisuais. Nos monólogos, em que Ana já adulta discorre sobre seu passado, ocorre a </span><a href="https://www.spescoladeteatro.org.br/noticia/o-que-e-quarta-parede"><span style="font-weight: 400;">quebra da quarta parede</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso, os </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> presentes em toda a narrativa permitem ao telespectador um vislumbre das memórias da criança, demonstrando que alguns fatos de seu passado estão falhos na sua mente. Esses efeitos de montagem não-linear, realizados brilhantemente por Pablo del Amo, que embaralham a percepção, favorecem a dramaticidade da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre essas idas e voltas no tempo, o que chama atenção é a trilha sonora do filme. Em diversos momentos da vida de Ana, a canção </span><a href="https://youtu.be/TjUhXbGdLYo"><i><span style="font-weight: 400;">Porque te vas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://joseluisperales.net/"><span style="font-weight: 400;">José Luis Perales</span></a><span style="font-weight: 400;"> interpretada por </span><a href="https://www.mgtradio.net/artista/jeanette"><span style="font-weight: 400;">Jeanette</span></a><span style="font-weight: 400;">, é repetida incansavelmente. A melodia chiclete servia como um refúgio para a triste infância da criança, que ouvia a música enquanto brincava com suas irmãs.</span></p>
<p><figure id="attachment_22326" aria-describedby="caption-attachment-22326" style="width: 998px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22326" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-3.jpg" alt="Cena do filme Cría Cuervos em que Maite, uma criança branca, de cabelos castanhos, lisos e curtos, se inclina para beijar o cadáver do pai, que é branco e careca. O homem está deitado em um caixão." width="998" height="599" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-3.jpg 998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-3-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-3-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22326" class="wp-caption-text">De um ímpeto, Ana se recusa a beijar o corpo do pai falecido (Foto: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas S.L.)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um longa bem elaborado assim, só poderia ser assinado por um diretor experiente, assim como Carlos Saura. O cineasta acumulou admiradores ao longo de sua carreira, como </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/stanley-kubrick-o-cineasta-das-obras-primas/"><span style="font-weight: 400;">Stanley Kubrick</span></a><span style="font-weight: 400;">, grande apreciador dos filmes </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-peppermint-frappe/"><i><span style="font-weight: 400;">Peppermint Frappé</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://cms.hojeemdia.com.br/preview/www/2.917/2.918/1.494513"><i><span style="font-weight: 400;">Bodas de Sangue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso, como veterano na indústria do Cinema, Saura ganhou diversos prêmios, como o </span><a href="https://www.berlinale.de/en/home.html"><span style="font-weight: 400;">Urso de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nOu1MuxC_Pc&amp;t=5s"><span style="font-weight: 400;">Prémio Goya de Melhor Realizador</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o grande feito em sua carreira. O filme foi indicado ao </span><a href="https://agora.folha.uol.com.br/sao-paulo/2021/04/conheca-a-historia-do-oscar-de-melhor-filme-estrangeiro.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Estrangeiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao </span><a href="https://www.bfi.org.uk/"><i><span style="font-weight: 400;">London Film Festival</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e ganhou o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2019/05/25/como-o-juri-do-festival-de-cannes-escolhe-seus-vencedores.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Grande Prêmio do Júri no Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dentre outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da direção exitosa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos</span></i><span style="font-weight: 400;"> é formado por um grande elenco. </span><span style="font-weight: 400;">A interpretação de </span><a href="https://www.alohacriticon.com/cine/actores-y-directores/ana-torrent/"><span style="font-weight: 400;">Ana Torrent</span></a><span style="font-weight: 400;"> guia os telespectadores pela mente conturbada da protagonista Ana enquanto criança</span><span style="font-weight: 400;">. A atriz já havia brilhado no longa </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-o-espirito-da-colmeia/"><i><span style="font-weight: 400;">O Espírito da Colmeia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que conta a história de duas irmãs que, após assistirem ao filme </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-frankenstein-1931/"><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ficam obcecadas pelo monstro. Outro destaque de atuação vai para </span><a href="https://cinemaclassico.com/biografias/biografia-de-geraldine-chaplin/"><span style="font-weight: 400;">Geraldine Chaplin</span></a><span style="font-weight: 400;">, filha do renomado </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/relembre-trajetoria-de-charlie-chaplin-maior-ator-do-cinema-mudo/"><span style="font-weight: 400;">Charlie Chaplin</span></a><span style="font-weight: 400;">, que interpretou Ana adulta e a mãe. Sua interpretação reflete a angústia das personagens, principalmente no caso da filha, que depois de crescida  relembra sua infância melancólica.</span></p>
<p><figure id="attachment_22327" aria-describedby="caption-attachment-22327" style="width: 998px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22327" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-5.jpg" alt="Cena do filme Cría Cuervos que mostra Ana, Maite e Irene ouvindo os conselhos da Tia Paulina. O fundo da imagem é o quarto das meninas." width="998" height="599" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-5.jpg 998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-5-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-5-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22327" class="wp-caption-text">Sob punhos de ferro, tia Paulina dá continuidade a educação autoritária das irmãs (Foto: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas S.L.)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda essa construção permitiu com que Saura, através de uma narrativa pouco convencional, construísse uma metáfora da Ditadura Franquista como uma infância triste. A temática do governo tirano também foi abordada pelo diretor em </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ana-e-os-lobos/"><i><span style="font-weight: 400;">Ana e os Lobos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-mamae-faz-100-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Mamãe faz Cem Anos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que, juntos com </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos</span></i><span style="font-weight: 400;">, formam uma trilogia sobre as relações familiares ceifadas pelo autoritarismo de Francisco Franco. Entre analogias e simbolismos, Carlos Saura construiu um filme emblemático e único com uma história contada sob o ponto de vista de uma criança.</span></p>
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