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	<title>Arquivos imigração &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Ousamos Sonhar, o refúgio é a esperança</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Nov 2023 20:32:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Lutar, correr e persistir, três verbos que se encaixam perfeitamente nas rotinas de dois mundos aparentemente distantes: esporte e imigração. Ousamos Sonhar é o ponto de encontro, uma prova de que universos se fundem e são capazes de dobrar a força de qualquer palavra. No filme, dirigido por Waad al-Kateab e presente na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ousamos-sonhar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Ousamos Sonhar, o refúgio é a esperança"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31877" aria-describedby="caption-attachment-31877" style="width: 493px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31877" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Doc_WDTD1_VioletFimls.png" alt="" width="493" height="247" /><figcaption id="caption-attachment-31877" class="wp-caption-text">Trazendo à tona os desafios dos imigrantes no esporte, Ousamos Sonhar fez parte da Competição Novos Diretores da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Violet Films)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lutar, correr e persistir, três verbos que se encaixam perfeitamente nas rotinas de dois mundos aparentemente distantes: esporte e imigração. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ousamos Sonhar </span></i><span style="font-weight: 400;">é</span><i><span style="font-weight: 400;"> o</span></i><span style="font-weight: 400;"> ponto de encontro, uma prova de que universos se fundem e são capazes de dobrar a força de qualquer palavra. No filme, dirigido por Waad al-Kateab e presente na Competição Novos Diretores da 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, os sonhos ultrapassam as linhas das fronteiras territoriais. </span></p>
<p><span id="more-31873"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No documentário, cinco personagens que foram forçados a deixar seus países por diversos motivos, das economias quebradas aos movimentos opressão, expõem a realidade de lutar por um espaço no esporte nos novos locais que ocupam. Os jovens fazem parte da Equipe Olímpica de Refugiados do COI (Comitê Olímpico Internacional) que participou das </span><a href="https://www.acnur.org/portugues/2021/07/09/conheca-os-atletas-refugiados-que-competem-nos-jogos-olimpicos-e-paralimpicos-de-toquio-2020/"><span style="font-weight: 400;">Olimpíadas de Tóquio em 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, entre desafios e grandes desejos, vivem jornadas de verdadeiras reconstruções. </span></p>
<figure id="attachment_31881" aria-describedby="caption-attachment-31881" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31881" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31881" class="wp-caption-text">A Equipe Olímpica de Refugiados é uma iniciativa do COI e competiu pela primeira vez em 2016, no Rio de Janeiro, com 12 atletas (Foto: Violet Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Anjelina Nadai Lohalith, Cyrille Tchatchet II, Kimia Alizadeh, Saeid Fazloula e Wael Fawaz Al-Farraj vêm do Sudão do Sul, de Camarões, do Irã e da Síria. Suas histórias se encontram no remar contra a maré que os levou a compor a </span><a href="https://olympics.com/pt/noticias/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-equipe-olimpica-de-refugiados"><span style="font-weight: 400;">equipe</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 35 atletas refugiados, com enfoque no modo como o esforço de cada um os levou ao destaque no meio mesmo com as vidas inteiras a se recompor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de expor que essas dificuldades do choque com as culturas desconhecidas e da busca pelo acolhimento em suas novas moradas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vryDglIUkww"><i><span style="font-weight: 400;">We Dare to Dream</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – nome original da produção – tem o tom inspirador como protagonista. Ver a superação dos esportistas é, sim, lindo, mas gera sentimentos conflitantes em quem está do lado de cá da tela e enxerga as circunstâncias em maiores proporções. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo em que há beleza nas jornadas, saber que elas têm tantos conflitos pelo caminho por conta da ideia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/here-critica/"><span style="font-weight: 400;">fronteiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sequer existem verdadeiramente e são apenas invenções territorialistas, faz com que as cores se acinzentem. Em certo ponto, tudo parece romântico demais para um contexto sociopolítico que definitivamente falha a cada novo passo e continua segregando os filhos da prepotência dos falsos deuses de carne e osso.</span></p>
<figure id="attachment_31875" aria-describedby="caption-attachment-31875" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31875" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-2-800x422.jpg" alt="" width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-2-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-2.jpg 1000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31875" class="wp-caption-text">Ousamos Sonhar tem Angelina Jolie como uma de suas produtoras executivas (Foto: Violet Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, há uma espécie de admiração impossível de não existir, sobra muito de emoção nos </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> delicados e os enquadramentos perfeitamente adequados aos movimentos que envolvem as práticas esportivas dos protagonistas. Talvez seja exatamente essa escolha por parte da fotografia, conduzida por </span><a href="https://www.wouterboes.com/"><span style="font-weight: 400;">Wouter Boes</span></a><span style="font-weight: 400;">, Franklin Dow, Alexander Hackinger e Roger Singh, que deixa os doces acima dos amargos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro acerto da obra são as perspectivas. A grande equipe de profissionais, com destaque aos diversos </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/angelina-jolie-executive-producer-refugee-sports-documentary-1235511432/"><span style="font-weight: 400;">produtores</span></a><span style="font-weight: 400;">, permite que o olhar para a narrativa seja difuso. De personagens distintos a um </span><i><span style="font-weight: 400;">backstage</span></i><span style="font-weight: 400;"> igualmente diverso, o fundo semelhante das conjunturas não torna, em nenhum momento, as singularidades ocultas. Pelo contrário, aqui, a primeira pessoa do plural vive na unidade de ser humano, mas não na de ser igual. </span></p>
<figure id="attachment_31882" aria-describedby="caption-attachment-31882" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31882" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/We_Dare_to_Dream_doc.webp" alt="" width="681" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-31882" class="wp-caption-text">John Legend, além de participar da trilha sonora de Ousamos Sonhar, também está entre os produtores executivos (Foto: Violet Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais acomodado que</span> <a href="https://www.democracynow.org/2023/6/15/we_dare_to_dream_syrian_filmmaker"><i><span style="font-weight: 400;">Ousamos Sonhar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> esteja aos moldes de uma sociedade que, de tão devastada, colocou os absurdos na normalidade, seu produto se faz real, concreto e sinceramente inspirador. Valorizando a força, a coragem e a flexibilidade, fica a esperança de que independente dos destroços que envenenam os trajetos é possível chegar ao lugar ao sol. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos contrastes entre perda e recuperação, o documentário reflete uma realidade nefasta, mas que nem sempre vence. O pódio do enredo se solidifica em algo muito maior que medalhas de bronze, prata ou ouro; vencer ganha significados ampliados. Em um encaixe exato, o título se mostra mais que certeiro, sonhar é um ato de ousadia e, nas dinâmicas de um mundo complicado, é também a personificação da </span><a href="https://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/"><span style="font-weight: 400;">resistência</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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		<title>Here olha para o que ninguém vê</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Oct 2023 20:37:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Para Bas Devos, fazer filmes é uma desculpa para ser curioso. Here, seu quarto longa-metragem, usa essa curiosidade para observar a relação de dois estranhos consigo mesmos, um com o outro e com o país que habitam, estrangeiro tanto quanto eles mesmos ali. A produção desembarcou no Brasil no 25° Festival do Rio &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/here-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Here olha para o que ninguém vê"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31715" aria-describedby="caption-attachment-31715" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31715" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4.png" alt="Cena do filme Here. A cena se passa em uma floresta, com o solo verde coberto por musgos e troncos de árvores ao fundo. Em um primeiro plano, os dois personagem estão mal iluminados e é possível ver, à esquerda, uma mulher adulta com cabelo preso em um coque, ajoelhada no chão, segurando uma planta na mão. À sua frente, à direita, é possível ver um homem curvado sobre uma pedra, encarando o que ela tem em mãos." width="1536" height="1012" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-800x527.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-1024x675.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-768x506.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-1200x791.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31715" class="wp-caption-text">Here venceu os prêmios de Encounters e FIPRESCI do Festival de Berlim e participou do Festival do Rio 2023 na seção Expectativa (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Bas Devos, </span><a href="http://www.sensesofcinema.com/2023/interviews/here-an-interview-with-bas-devos/"><span style="font-weight: 400;">fazer filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma desculpa para ser curioso. </span><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu quarto longa-metragem, usa essa curiosidade para observar a relação de dois estranhos consigo mesmos, um com o outro e com o país que habitam, estrangeiro tanto quanto eles mesmos ali. A produção desembarcou no Brasil no 25° </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/here"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;"> depois de conquistar dois troféus no </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2023/programme/202314178.html"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, olhando para o ordinário, torna até o comum fantástico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, o diretor belga segue Stefan (Stefan Gota), um trabalhador romeno da </span><a href="https://personaunesp.com.br/distopia-critica/"><span style="font-weight: 400;">construção civil</span></a><span style="font-weight: 400;"> morando em Bruxelas, na Bélgica. Quando a temporada de obra acaba e ele e seus colegas &#8211; igualmente estrangeiros &#8211; poderão aproveitar as férias em seus países de origem, o protagonista encontra uma mulher que o fará pensar duas vezes se deve ou não voltar. O grande porém é que ela sequer sabe o nome dele.</span></p>
<p><span id="more-31712"></span></p>
<figure id="attachment_31714" aria-describedby="caption-attachment-31714" style="width: 1380px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31714" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.jpg" alt="Cena do filme Here. A cena se passa durante a noite em um restaurante, onde é possível ver mesas e cadeiras vazias. Ao fundo, através de uma janela, é possível ver fachadas de outros restaurantes com as luzes acesas. No primeiro plano, à esquerda, vemos uma mulher branca, aparentando cerca de 40 anos, com cabelos castanhos na altura do ombro, sentada à mesa do restaurante com uma xícara de café a sua frente. Ela segura a mão do homem que está a sua frente, sentado na mesa à direita do quadro. Ele é branco, com cabelos curtos, aparenta ter cerca de 30 anos, tem uma xícara de café a sua frente e um casaco pendurado na cadeira." width="1380" height="921" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31714" class="wp-caption-text">Como em longas anteriores, Bas Devos aborda sutilmente a imigração, dessa vez de trabalhadores romenos para a Bélgica, algo que ele observou como um fenômeno no país (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encanto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Here </span></i><span style="font-weight: 400;">se faz na </span><a href="https://personaunesp.com.br/carvao-critica/"><span style="font-weight: 400;">simplicidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Stefan não pode ir para casa &#8211; neste caso, seu país de origem, não a residência onde mora &#8211; porque seu carro quebrou e ficará pronto em alguns dias. Nesse meio tempo, a preocupação do rapaz é cozinhar uma sopa com tudo que há na geladeira para que nada estrague. A segunda tarefa é distribuir o alimento para conhecidos, já que nem ele conseguirá consumi-lo antes de voltar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nessa normalidade que o roteiro &#8211; também confeccionado por Devos &#8211; se desenvolve: a relação do protagonista com a cidade e com as pessoas à sua volta é um exercício de enxergar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/paloma-critica/"><span style="font-weight: 400;">humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Filmados poeticamente por Grimm Vandekerckhove, os altos prédios de Bruxelas, as linhas de trem e a movimentação dos transportes criam uma sensação de solitude e barulho em meio ao concreto, ressoando a condição de distanciamento, como se ali ele fosse um estrangeiro em todos os sentidos. Stefan repete a si mesmo que ali é sua casa, mas nem ele parece acreditar na afirmação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal cenário é o contrário da </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-rugido-da-onca-critica/"><span style="font-weight: 400;">natureza</span></a><span style="font-weight: 400;">. O personagem principal, assim como o diretor, é um grande curioso e, com os dias livres enquanto espera seu carro, explora os arredores da cidade. Movido por sementes que encontrou no bolso, ele visita uma horta comunitária, um bosque perto do mecânico e uma pequena floresta local. Ao contrário dos momentos no âmbito urbano, nos quais as conversas são breves e o silêncio interno prevalece, em todos os encontros cercados por natureza ele se depara com pessoas e trava diálogos tão mundanos quanto as situações ali propostas. São nesses ambientes, a princípio quietos, que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><span style="font-weight: 400;">conexão humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> acontece, a grandiosidade é preenchida com vida e a sensação de pertencimento e completude impera.</span></p>
<figure id="attachment_31713" aria-describedby="caption-attachment-31713" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31713" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.jpg" alt="Cena do filme Here. A cena se passa durante o dia em uma floresta, em que é possível ver o solo marrom, coberto por musgos verdes em alguns trechos, troncos e árvores ao fundo. Em um primeiro plano, à esquerda, vemos uma homem branco, de aparentemente 30 anos, loiro de cabelo e barba curtos, vestindo uma jaqueta azul escura, um shorts roxo e uma bota preta ajoelhado no chão, observando uma planta em suas mãos. A sua frente, há um caderno aberto apoiado no chão. A direita do quadro, observando o que há nas mãos do homem, vemos uma mulher chinesa, aparentando cerca de 30 anos, com cabelos pretos presos em um coque, vestindo uma jaqueta com estampa militar, calã jeans e bota preta, sentada no chão." width="1536" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31713" class="wp-caption-text">Here é projetado em uma janela 4:3, menor do que o tradicional nos cinemas; para Devos, além de fugir ao que o espectador está acostumado, esse formato é o mais próximo de como ele vê a realidade (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo muda quando Stefan conhece Shuxiu (Liyo Gong) em um restaurante chinês na cidade. Se por lá as relações são rápidas e corriqueiras, o reencontro acidental dos dois na floresta acende uma conexão instantânea enquanto observam musgos e líquens. Ela, uma professora de microbiologia e botânica descendente de chineses, parece se sentir tão alheia a um cotidiano apático e desconexo quanto ele. Em mandarim, a personagem revela ter tido um sonho, em que de uma hora para outra esquece palavras, mostrando como se sente uma forasteira ali, como ele. Ambos parecem apenas esperar por uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/her-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conexão humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e a encontram entre seres microscópicos no solo da mata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por lá, os diálogos não são necessários para explicitar a ligação que passa a se desenvolver: os atores dão conta de expressar a diferença entre o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/"><span style="font-weight: 400;">estranhamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> inicial e a familiaridade que se estabelece aos poucos, se não com a cidade, um com o outro. Assim, partindo da grandiosidade da paisagem de Bruxelas e dos altos prédios em construção, a câmera se volta ao solo, ao micro dos organismos na base de tudo.</span></p>
<figure id="attachment_31716" aria-describedby="caption-attachment-31716" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31716" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5.jpg" alt="Cena do filme Here. Na imagem, vemos um zoom ou close-up de dois dedos de uma pessoa branca segurando um pequeno pedaço de planta verde." width="1536" height="1121" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-800x584.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-1024x747.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-768x561.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-1200x876.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31716" class="wp-caption-text">Passe um café e encare os musgos de olhos bem abertos (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A mudança do panorama macro para o micro, da vastidão para seres microscópicos, acontece de forma lenta, quase imperceptível. Porém, por mais encantador que seja, para explorar esse comum </span><a href="https://c7nema.net/entrevistas/item/119433-bas-devos-o-maior-privilegio-da-minha-vida-e-que-posso-fazer-filmes.html"><span style="font-weight: 400;">Devos</span></a><span style="font-weight: 400;"> propõem um verdadeiro exercício de paciência: se a geração atual não vive sem estímulos audiovisuais, vencer um ato completo de musgos, líquens e paisagens verdes sem nenhuma &#8211; ou pouca &#8211; troca de palavras é uma verdadeira batalha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=c-6qcdbs6os&amp;source_ve_path=MjM4NTE&amp;feature=emb_title"><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o ordinário de Bas Devos, ampliado pela fotografia de Vandekerckhove e pela montagem mansa de Dieter Diependaele, se torna completo, mas, para isso, passa por uma calmaria beirando o entediante. Ao final, Stefan e Shuxiu parecem mais conectados após uma tarde quieta na floresta do que no diálogo completo que tiveram na cidade. Ela sequer sabe o nome dele e, quem comprar o desafio de não se render à inquietude e se entregar à tranquilidade, pode encontrar o fantástico no habitual e a beleza em um encontro mais do que comum.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Here" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/c-6qcdbs6os?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Desencontrar de Vidas Passadas</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Oct 2023 18:42:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique  Na cultura sul-coreana, há um conceito conhecido como In-Yun, que pode ser lido como “destino” ou “reencarnação”. Em gênese, In-Yun é o pressentimento que nos arrebata quando entendemos que uma eventualidade estava predestinada em nossos acasos, desenhada em algum no campo cósmico, e que nada e nem ninguém, poderia ser capaz de interferir &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/past-lives-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Desencontrar de Vidas Passadas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31664" aria-describedby="caption-attachment-31664" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31664" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-3.jpg" alt="" width="736" height="368" /><figcaption id="caption-attachment-31664" class="wp-caption-text">Antes do sucesso nas telas de cinema, o longa-metragem foi aclamado pela crítica especializada no Sundance Film Festival e na 73ª edição do Berlinale (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cultura sul-coreana, há um conceito conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i><span style="font-weight: 400;">, que pode ser lido como “</span><i><span style="font-weight: 400;">destino</span></i><span style="font-weight: 400;">” ou “</span><i><span style="font-weight: 400;">reencarnação</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em gênese, </span><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o pressentimento que nos arrebata quando entendemos que uma eventualidade estava predestinada em nossos acasos, desenhada em algum no campo cósmico, e que nada e nem ninguém, poderia ser capaz de interferir naquela factualidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa de estreia da cineasta Celine Song exibido no Brasil durante a 25ª edição do </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/noticias/festival-do-rio-anuncia-primeiros-filmes-internacionais"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;">, vemos o movimento de tempo entre dois melhores amigos e a maneira que seus destinos estão entrelaçados involuntariamente com suas vidas passadas. </span></p>
<p><span id="more-31662"></span></p>
<p><a href="https://letterboxd.com/journal/missed-connections-celine-song-past-lives/"><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> segue a trajetória de Na Young (Seung Ah Moon), jovem sul-coreana, que migrou do leste asiático para o Canadá e posteriormente para os Estados Unidos para vivenciar o tão perseguido sonho americano. Antes de assimilar as decorrências de suas escolhas, Young abandonou seu primeiro amor em seu país de origem, o jovem Hae Sung (Seung Min Yim), que embora distante do seu ponto de vista, permaneceu internalizado em algum vão de sua memória. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O arco dividido em três atos no decorrer de 24 anos regressa no momento em que a protagonista, agora conhecida como Nora (Greta Lee) e oficialmente cidadã norte-americana, reencontra com a figura de Hae Sung (Teo Yoo) nas redes sociais e reiteradamente resgatam as lembranças perdidas por meio de mensagens diárias. Embora os avanços tenham desencadeado uma memória afetiva entre os dois, a diferença entre rotas e a distância impossibilitou que o romance seguisse para um caminho sólido, contribuindo para um novo afastamento. Ambos seguiram suas vidas, conheceram outras pessoas e se apaixonaram por elas, entretanto, nunca conseguiram esquecer de maneira efetiva os acontecimentos do </span><a href="https://letterboxd.com/crew/story/the-cast-of-past-lives-tell-us-about-their/"><span style="font-weight: 400;">passado</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31663" aria-describedby="caption-attachment-31663" style="width: 735px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31663 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-3.jpg" alt="Cena do filme Past Lives. Da esquerda para a direita está Hae Sung (Seung Min Yim), jovem sul coreano, de cabelo liso, curto na tonalidade preta. Ele está vestindo uma jaqueta e uma calça em diferentes tonalidades de azul e carregando uma mochila nas costas também na cor azul. Ao seu lado está Na Young (Seung Ah Moon), jovem sul coreana, de cabelos castanhos, amarrados em um rabo de cavalo. Ela está vestindo um macacão azul jeans, uma blusa vermelha de flanela e um tênis branco, ela também está carregando uma mochila vermelha nas costas. Eles estão ao ar livre, nos arredores do bairro onde eles moram. Ao fundo é perceptível algumas casas em diversas tonalidades, plantas dentros de vasos e uma escadaria de concreto. " width="735" height="395" /><figcaption id="caption-attachment-31663" class="wp-caption-text">Past Lives alcançou 97% de aprovação no Rotten Tomatoes, marcando uma classificação média de 9.1/10 (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa-metragem é, além de tudo, um filme sobre </span><a href="https://medium.com/framerated/past-lives-2023-complex-immigrant-romance-full-of-yearning-fd183115145e"><span style="font-weight: 400;">cidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobre o espaço entre elas, suas semelhanças e dessemelhanças. A fotografia de Shabier Kirchner captura a beleza de dois polos diferentes, Seoul e Nova York. Em primeiro aspecto, por ambientar a infância de Nora e Hae Sung, a capital sul-coreana é retratada essencialmente por cenários arborizados, divagando por paisagens naturais e pátios escolares. Além da ambientação, a climatização dos primeiros minutos de tela são matizados por tonalidades mais vivas e expressivas, representando não apenas a pureza desse período, mas também o florescer da conexão entre os protagonistas.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrário ao clima vivaz da juventude, Nova York parece um muro de concreto, sólido, firme e acinzentado. A metrópole é palco do turismo estadunidense, retratado como um espaço na qual as pessoas vão para visitar, fotografar seus lugares históricos e adentrar nos restaurantes noturnos. O centro representa o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v-lxn21Ng9k"><span style="font-weight: 400;">amadurecimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Nora, da mulher forte na qual ela se tornou, e que encontrou seu conforto em meio ao caos da rotina agitada na grande cidade. </span></p>
<figure id="attachment_31665" aria-describedby="caption-attachment-31665" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31665" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-3.jpg" alt="" width="736" height="414" /><figcaption id="caption-attachment-31665" class="wp-caption-text">Em 2023, Greta Lee participou de dois filmes registrados com maior audiência nos cinemas, Past Lives e Homem Aranha: Através do Aranhaverso (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nora é um espelho da própria cineasta, que também migrou da Coreia do Sul para os Estados Unidos. Assim como </span><a href="https://a24films.com/notes/2023/06/a-note-from-celine-song"><span style="font-weight: 400;">Celine Song</span></a><span style="font-weight: 400;">, a personagem mantém essa conexão entre as duas superfícies. Uma metáfora dos dois, ao mesmo tempo que nenhum deles. Ela carrega consigo suas raízes coreanas e a recordação da sua infância, mas igualmente se encontra como uma garota tipicamente estadunidense. Ela é duas metades que se completam e que compartilham desse amor mútuo entre os dois mundos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente disso, parafraseando a fala da protagonista,</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9WJELGFUG-w"><span style="font-weight: 400;"> Hae Sung</span></a><span style="font-weight: 400;"> é em sua completude, um homem sul-coreano. Ele leva em sua essência os pensamentos, ideais e princípios da cultura coreana, compondo uma personalidade tímida e observadora, extremamente respeitosa e questionadora. Hae Sung conduz uma nostalgia acolhedora para Nora, trazendo múltiplas indagações de como suas vidas poderiam ter seguido caminhos diferentes se ela tivesse permanecido na Coreia do Sul, como as coisas poderiam ter se desenhado para um novo rumo. </span></p>
<figure id="attachment_31667" aria-describedby="caption-attachment-31667" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31667" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-2.jpg" alt="" width="736" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-31667" class="wp-caption-text">Past Lives foi indicado na categoria Urso de Ouro, prêmio de maior destaque no Festival de Cinema de Berlim (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama dos personagens é sublinhada pela vasta sensação do</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">e se…</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em ritmos descompassados, a sensação de como as coisas poderiam ter sido diferentes na vida de Nora e Hae Sung domina a tela de modo pontual, emergindo nos momentos de pausa, na troca de olhares e na </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2JwAMKpwk4IolH2KhF6nPn"><span style="font-weight: 400;">sonoridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que anuncia de maneira sucinta o que esses personagens significam um para outro naquele momento. A trilha sonora de Daniel Rossen e Christopher Bear totalizam esse sentimento, com timbres que invadem a cena e atingem o espaço e as emoções dos espectadores, que também seguem na reflexão sobre as escolhas que determinaram o específico momento de suas vidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somando a ligação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IAy9WVR5BUg"><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o atual parceiro de Nora, Arthur (John Magaro), configura outro aspecto na trajetória da personagem. A inquietude dele em razão da nova aparição de Hae Sung, carrega consigo a apreensão de novas manifestações emocionais entre os antigos melhores amigos de infância. Ainda assim, mesmo que o novo homem alcance os sentimentos de Na Young pela nostalgia, Arthur é uma representação de uma realidade, de um fato. Ele configura a escolha madura de Nora, reflete um verdadeiro encontro de almas, o “</span><i><span style="font-weight: 400;">ficar</span></i><span style="font-weight: 400;">” que estava predestinado, diferente de sua convivência com o seu antigo amor, que é marcado, sobretudo, pelo passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, a maneira que Celine Song anexa o conceito de destino no interior da cinematografia é mais pertencente ao sinônimo de encontro entre almas, do que de almas gêmeas. Isso fica evidente em meio a própria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9d4ObkmCJYs"><span style="font-weight: 400;">relação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Arthur e Hae Sung, que se conectam em razão de outro vínculo comum em suas vidas, o de Nora. O caminho trilhado por ela e sua transição de espaços também precedeu para o encontro dos dois, que talvez, se não fosse por ela, nunca teriam acontecido nessa vida ou poderia ter acontecido de outra maneira. </span></p>
<figure id="attachment_31666" aria-describedby="caption-attachment-31666" style="width: 1869px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31666" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.jpg" alt="" width="1869" height="1007" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.jpg 1869w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1024x552.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1536x828.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1200x647.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31666" class="wp-caption-text">“Se você deixa algo para trás, você ganha algo também” (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama nos transporta para uma reflexão interna. Ela consegue, de maneira minuciosa, sensibilizar a audiência delicadamente e impactar a extensão mais profunda dos nossos sentimentos. A sensação que fica é de conciliação com o nosso eu anterior, com os atos que acreditamos ser erros ou acertos, e que na verdade, já estavam alinhados de maneira natural em nossa sina. </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2023/programme/202313871.html"><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme sobre amor, abandono, passado e presente. Sobre as conexões que fazemos quando criança e que moldaram nossas decisões como adultos. </span></p>
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		<title>Joy as an Act of Resistance: Há 5 anos, IDLES revolucionava ao ser feliz</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Aug 2023 16:32:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga A felicidade incomoda, isso é fato. Outra coisa que também faz questão de desagradar é o punk-rock. O gênero que surgiu em meados dos anos 1960 e incorpora o garage rock e o proto-punk assume a roupagem de ser uma pedra no sapato do sistema, a peça que não se encaixa no quebra-cabeças. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/joy-as-an-act-of-resistance-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Joy as an Act of Resistance: Há 5 anos, IDLES revolucionava ao ser feliz"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31397" aria-describedby="caption-attachment-31397" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31397" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-1.jpg" alt="Ensaio fotográfico da banda IDLES para a revista NME. Nela temos, da esquerda para a direita, Mark Bowen, um homem branco de cabelos castanhos e bigode volumoso; Lee Kiernan, um homem branco de cabelos longos castanhos; Adam Devonshire, um homem branco careca de barba ruiva volumosa, seguido logo abaixo por Joe Talbot, um homem branco de cabelo preto ralo, barba por fazer e bigode e Jon Beavis, um homem branco de cabelos castanhos. Mark veste um macacão de trabalhos azul escuro com o escrito “HART” no peito esquerdo. Lee veste uma camisa branca por dentro da calça preta e um óculos de armação na cor vinho. Adam veste uma camisa vinho e calça preta. Joe veste uma camiseta branca, camisa florida e calça preta e Joe veste uma camiseta branca, camisa salmão com estampa em formato de losango e desenhos de uma pantera negra e calça preta. Eles estão sobre uma parede branca fazendo poses e seguram cinco balões prateados com letras que formam o nome da banda." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31397" class="wp-caption-text">A grande força da banda está em se reconhecer como frágil (Foto: Fiona Garden/NME)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A felicidade incomoda, isso é fato. Outra coisa que também faz questão de desagradar é o </span><i><span style="font-weight: 400;">punk-rock</span></i><span style="font-weight: 400;">. O gênero que surgiu em meados dos anos 1960 e incorpora o </span><i><span style="font-weight: 400;">garage rock </span></i><span style="font-weight: 400;">e o </span><i><span style="font-weight: 400;">proto-punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> assume a roupagem de ser uma pedra no sapato do sistema, a peça que não se encaixa no quebra-cabeças. Isso é notado desde seus expoentes não tão politizados como </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2023/03/01/blink-182-cancela-show-brasil/"><span style="font-weight: 400;">blink-182</span></a><span style="font-weight: 400;"> até os mais politicamente ácidos como </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/2d0hyoQ5ynDBnkvAbJKORj"><span style="font-weight: 400;">Rage Against The Machine</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Iniciado juntamente com o movimento punk, seus adeptos, por mais que não liguem para estereótipos, sempre foram caracterizados como pessoas fechadas, vestidas de preto e com uma raiva internalizada. Nesse sentido, seus ouvintes majoritariamente são vistos como indivíduos em que a alegria é seu ‘</span><a href="https://personaunesp.com.br/divertida-mente-5-anos-critica/"><span style="font-weight: 400;">divertidamente</span></a><span style="font-weight: 400;">’ mais escanteado e a seu companheiro vermelho é quem assume a sua mente. Pensando nisso, o grupo britânico IDLES, em seu segundo álbum de estúdio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Joy as an Act of Resistance. </span></i><span style="font-weight: 400;">discorre na verdade como esses dois sentimentos estão mais próximos do que se imagina.</span></p>
<p><span id="more-31394"></span></p>
<figure id="attachment_31398" aria-describedby="caption-attachment-31398" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31398" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-2.jpg" alt="Ensaio fotográfico da banda IDLES.Na imagem vemos, da esquerda para a direita, Joe Talbot, Jon Beavis, Adam Devonshire, Mark Bowen e Lee Kiernan. Joe veste uma camiseta branca, Jon veste uma camisa branca e calça preta, Adam veste uma camisa preta, cinto marrom e calça preta, Mark veste uma camisola feminina de época na cor bege e Lee veste uma camiseta preta. Todos olham para a câmera de modo que Jon está esticando um elástico com as duas mãos na direção de Adam, Mark coloca a mão direita sobre o rosto, mostrando que suas unhas estão com um esmalte vermelho e Lee abraça Mark pela cintura enquanto pousa a cabeça sobre seu ombro. Eles estão sobre uma parede de fundo amarelado." width="1000" height="666" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-2.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-2-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31398" class="wp-caption-text">O jornal inglês The Guardian definiu o quinteto como ‘a banda mais necessária do Reino Unido’ (Foto: Tom Ham)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Produzido por Space e mixado por Adam Greenspan e Nick Launay &#8211; este último que tem trabalhos com nomes como</span><a href="https://personaunesp.com.br/arcade-fire-tudo-e-nada-ao-mesmo-tempo/"><span style="font-weight: 400;"> Arcade Fire</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/4UXJsSlnKd7ltsrHebV79Q"><span style="font-weight: 400;">Nick Cave &amp; The Bad Seeds</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, o disco vem um ano após</span><i><span style="font-weight: 400;"> Brutalism</span></i><span style="font-weight: 400;">, entrondoso </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;"> do grupo. Porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">Joy as an Act of Resistance. </span></i><span style="font-weight: 400;">chega para consolidar a banda para além de mais um nome do – agora fora dos radares – gênero punk, além de servir de referência para como esse tipo de música seria trabalhado e consumido no século XXI.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, a obra revitaliza o estilo ao mesmo tempo que renova o próprio grupo. IDLES se mostra, aqui, muito consciente ao entender que o </span><i><span style="font-weight: 400;">punk-rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se porta do mesmo jeito que 40 anos atrás, quando </span><a href="https://www.rapadurarecords.com.br/post/olegadodosramones"><span style="font-weight: 400;">Ramones</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Sex Pistols reinavam. Partindo desse pressuposto, ele se atualiza para o Reino Unido atual e usa do registro para finalmente traçar um </span><i><span style="font-weight: 400;">mea culpa</span></i><span style="font-weight: 400;"> de um gênero que se moldou com </span><a href="https://nadapop.com.br/especiais/por-que-tem-tanto-punk-machista-homofobico-racista-babaca/"><span style="font-weight: 400;">doses de machismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a abordar como tema principal a masculinidade tóxica.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">A máscara</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Da masculinidade</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> É uma máscara</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Uma máscara que está me desgastando</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha da alegria, tanto no identidade como na levada rítmica, se mostra muito acertada. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/3VrfVLndSkH81aE4CqivdI"><i><span style="font-weight: 400;">Brutalism</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é extremamente literal em sua concepção, enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Joy as an Act of Resistance.</span></i><span style="font-weight: 400;">, por mais que pareça ir para o extremo inverso, na verdade externaliza a brutalidade como resultado de um processo catártico. A capa do álbum, mostrando uma pequena multidão de engravatados em um </span><i><span style="font-weight: 400;">mosh</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma festa de casamento, evidencia as intenções do registro de criar, a princípio, um </span><i><span style="font-weight: 400;">punk-rock-colarinho-branco </span></i><span style="font-weight: 400;">que, devido às amarras sociais do mundo moderno, não vê raiva e felicidade como sentimentos antagônicos, mas sim como a primeira sendo uma forma de extravasar a segunda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se engana quem pensa que esses aspectos trazem um disco mais calmo. Ele talvez seja o mais convidativo para o público geral, mas ainda assim tem a mesma pungência característica do IDLES. Suas críticas ácidas dessa vez corroem temas como imigração e o </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/total-de-britanicos-que-dizem-que-brexit-foi-erro-bate-recorde-diz-pesquisa/"><span style="font-weight: 400;">Brexit</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto se aprofundam em temáticas como solidão, o luto e a sensação de se estar completamente quebrado sentimentalmente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa dualidade de assuntos fica muito visível nos dois </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> do projeto. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5w5_sU1TWn8&amp;ab_channel=KEXP"><i><span style="font-weight: 400;">Never Fight A Man With A Perm</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mescla elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Laranja Mecânica </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Clube da Luta</span></i><span style="font-weight: 400;">, no qual o eu-lírico encontra personagens tipicamente ‘machos com M maiúsculo’ e os satiriza bestializando seus estereótipos. Já </span><i><span style="font-weight: 400;">Danny Nedelko</span></i><span style="font-weight: 400;">, que tem esse nome por conta do imigrante ucraConiano, vocalista da banda </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/07eIrj0b3z5mgvtkDmWoxo"><i><span style="font-weight: 400;">Heavy Lungs</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e amigo do </span><i><span style="font-weight: 400;">frontman</span></i> <a href="https://www.instagram.com/idlesjoe/"><span style="font-weight: 400;">Joe Talbot</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">é uma crítica a forma como a sociedade tratava esses grupos nos anos em que a crise migratória começou, principalmente ao fato do Reino Unido só ter olhos para eles quando são figuras notáveis.</span></p>
<figure id="attachment_31396" aria-describedby="caption-attachment-31396" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31396" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-4.jpg" alt="Cena do clipe Danny Nedelko, da banda IDLES. Nela vemos o personagem título, um homem branco de cabelos castanhos claros. Ele está abraçado com uma mulher negra. Ela veste uma jaqueta preta puffer, uma camiseta preta e um turbante preto. Danny veste uma camiseta branca com os escritos “NO ONE IS A ISLAND” um cinto aparentemente na cor marrom e uma calça preta. Ela abraça a mulher com a mão direita enquanto com a mão esquerda faz um sinal de ok. A imagem está em preto e branco." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31396" class="wp-caption-text">D-A-N-N-Y N-E-D-E-L-K-O C-O-M-M-U-N-I-T-Y S-O F-U-C-K Y-O-U (Foto: Youtube/IDLES)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O álbum promove uma montanha russa a partir do momento de seu </span><i><span style="font-weight: 400;">play</span></i><span style="font-weight: 400;">. A primeira metade é uma queda livre eufórica que expõe o melhor que o IDLES calcou no primeiro registro. Extremamente visceral, ele entrega potentes faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Colossus</span></i><span style="font-weight: 400;">, que versa sobre vícios e as sombras das figuras tóxicas, enquanto </span><a href="https://youtu.be/wMehItNQKAA?si=PKRf23Xvf6exuLSb&amp;t=517"><i><span style="font-weight: 400;">I’m Scum</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">expõe a escrotidão masculina e </span><i><span style="font-weight: 400;">Love Song</span></i><span style="font-weight: 400;">, misturando diferentes vertentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, subverte o ato de se apaixonar ao abordá-lo através de uma ótica suja e bagunçada da visão do que é ser homem. Nesse conjunto de músicas, Joe Talbot, com sua voz rasgada, praticamente se coloca no púlpito de uma (</span><a href="https://observatoriog.bol.uol.com.br/noticias/apos-polemicas-parada-do-orgulho-hetero-e-realizada-na-california"><span style="font-weight: 400;">não tão</span></a><span style="font-weight: 400;">) distópica parada do orgulho hétero e vocifera um discurso extremamente irônico e escrachado que não agradaria seus participantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TCORxrEgr1o&amp;ab_channel=IDLES"><i><span style="font-weight: 400;">June</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que chegamos ao ponto mais baixo da trajetória, ao mesmo tempo que se alcança o ápice do álbum. Aqui, o quinteto </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">se despe de todas as munhequeiras e </span><i><span style="font-weight: 400;">spikes</span></i><span style="font-weight: 400;"> que o gênero adotou como identidade visual e desacelera suas guitarras estridentes para entregar um doloroso episódio da vida do </span><i><span style="font-weight: 400;">frontman</span></i><span style="font-weight: 400;"> após a morte de sua filha recém-nascida. Ela engata com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=si2pZRifgIo&amp;ab_channel=IDLES"><i><span style="font-weight: 400;">Samaritans</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que juntas formam as duas músicas mais fortes liricamente do disco e guiam a segunda metade para uma nova subida, com uma alegria descontroladamente raivosa. É como se o álbum vislumbrasse um </span><i><span style="font-weight: 400;">mosh</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o planejasse justamente para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HK6rWTFRs5Q&amp;ab_channel=KEXP"><i><span style="font-weight: 400;">Rottweiler</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faixa que fecha o disco.</span></p>
<figure id="attachment_31395" aria-describedby="caption-attachment-31395" style="width: 1392px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31395" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-5.jpg" alt="Registro de um de um show do IDLES na edição 2022 do festival Glastonbury. Na imagem temos Mark, um homem branco com cabelos longos e bigode volumoso. Ele veste um vestido de alça florido enquanto segura guitarra estilizada onde parte do tampo é transparente e a parte onde ficam as distorções e o final das cordas em um tampo que simula madeira. Ele está sorrindo para a plateia enquanto o braço direito está esticado depois de tocar o instrumento." width="1392" height="884" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-5.jpg 1392w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-5-800x508.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-5-1024x650.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-5-768x488.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/IDLES-Imagem-5-1200x762.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31395" class="wp-caption-text">Sem dúvidas, o ponto alto do grupo está em suas apresentações ao vivo (Foto: Phoebe Fox/NME)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Joy as an Act of Resistance. </span></i><span style="font-weight: 400;">é o cartão de visita da banda de Bristol formada por Mark Bowen (guitarra), Lee Kiernan (guitarra), Jon Beavis (bateria), Adam Devonshire (baixo) e Joe Talbot (vocal), além de ser uma importante referência de como o </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">se rearranjou e seguiu nos anos 2010. Isso o coloca como um dos melhores discos do gênero, e para </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2018/12/18/os-melhores-discos-internacionais-2018/5/"><span style="font-weight: 400;">alguns</span></a><span style="font-weight: 400;">, um dos melhores de 2018, que com certeza semeou figuras da vertente na época, como </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/3SXwqSqAoBz9WCI9PDQzY6"><span style="font-weight: 400;">Fontaines D.C.</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/2nAKP6etu8wXNnezKXgqgg"><span style="font-weight: 400;">Viagra Boys</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/4IeWU3NYBI9mISFVhzXG8f"><span style="font-weight: 400;">Shame</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/2qnpHrOzdmOo1S4ox3j17x"><span style="font-weight: 400;">Turnstile</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele é certeiro ao reforçar que, sim, o </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">é o mesmo e vive como os pais que o fundaram: desordeiro, anárquico e pronto pro combate. No entanto, o trabalho reforça que isso não é produto de agressividade atribuída a essa parcela, mas a uma vulnerabilidade, que ele não tem a mínima vergonha de expor através de uma acidez crítica mesclada com uma sensibilidade inimaginada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que seu levante se debruce por temas que são atemporais, fica perceptível a intenção de rotular o álbum como um produto de seu tempo, seja no estilo ou na própria sociedade. E sendo um recorte de um período específico, à medida que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/idles-crawler-critica/"><span style="font-weight: 400;">IDLES</span></a><span style="font-weight: 400;"> se consolide como voz de uma geração, o desejo da banda é exatamente o contrário: que suas discussões sejam superadas. No aguardo de um mundo melhor, resta a esperança e a alegria, nas diferentes roupagens que ela pode ter.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Joy as an Act of Resistance." style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/7BbRSUBwTB37ut0Ht3yAqt?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>A vida não dá trégua nas travessias de Flee</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Mar 2022 16:37:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Rota Hilário “Vou carregar de tudo vida afora/Marcas de amor, de luto e espora/Deixo alegria e dor/Ao ir embora”. Os versos de Compasso, composição de Angela Ro Ro com Ricardo Mac Cord, podem até não aparecer na trilha sonora da produção dinamarquesa Flee (Flugt, 2021), dirigida por Jonas Poher Rasmussen; no entanto, ao serem &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/flee-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A vida não dá trégua nas travessias de Flee"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26223" aria-describedby="caption-attachment-26223" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26223" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. Ao fundo, vemos várias pessoas em uma balada gay. Amin está centralizado. Ele coloca os braços sobre o balcão do estabelecimento, veste roupas de inverno e olha para o lado direito da imagem. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26223" class="wp-caption-text">Indicado três vezes ao Oscar 2022, Flee é um documentário que ilustra uma complexa jornada de autoconhecimento (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Rota Hilário</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Vou carregar de tudo vida afora/Marcas de amor, de luto e espora/Deixo alegria e dor/Ao ir embora</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Os versos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I8Y-DqFcBnM"><i><span style="font-weight: 400;">Compasso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composição de Angela Ro Ro com </span><a href="https://extra.globo.com/tv-e-lazer/musica/angela-ro-ro-celebra-musica-em-um-lugar-ao-sol-volta-fazer-show-abre-coracao-ao-falar-de-vaidade-sexo-nova-namorada-25353398.html"><span style="font-weight: 400;">Ricardo Mac Cord</span></a><span style="font-weight: 400;">, podem até não aparecer na trilha sonora da produção dinamarquesa </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Flugt</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2021), dirigida por Jonas Poher Rasmussen; no entanto, ao serem recortados do restante da música, esses fragmentos poéticos expressam muito bem uma das inúmeras sensações que permeiam o longa-metragem estrangeiro. Afinal, em todo o filme, estamos diante de uma concretude nua e crua, e ela nunca será vivenciada da mesma forma por indivíduos minimamente diferentes.</span></p>
<p><span id="more-26222"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de qualquer coisa, não é de se espantar que uma possível tradução para </span><i><span style="font-weight: 400;">flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja fuga. Documentário elaborado em grande parte como animação, a obra de Rasmussen narra uma vida de </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-flee-animacao-indicada-ao-oscar-traz-belissima-historia-de-amizade-332128/"><span style="font-weight: 400;">deslocamentos constantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nascido no Afeganistão, o protagonista Amin precisa escapar, logo cedo, de um cenário de guerra que vai tomando conta de sua terra natal. Realocado com a mãe e irmãos na Rússia pós-comunismo, o jovem precisa tolerar com frequência a corrupção da polícia local para com os refugiados. Como a vida torna-se inviável, a família passa a enfrentar os dilemas do tráfico humano, meio pelo qual chegará a novas nações.</span></p>
<figure id="attachment_26224" aria-describedby="caption-attachment-26224" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26224" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. Ao fundo, vemos uma cozinha repleta de utensílios. O casal Kasper e Amin está no lado direito da imagem. Kasper está à esquerda, usa óculos e veste uma blusa azul. Amin está à direita, tem barba, veste uma blusa vinho e segura Kasper com o braço esquerdo. Os dois se beijam. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26224" class="wp-caption-text">Para construir um futuro ao lado de Kasper, Amin precisa aprender a lidar com as turbulências do passado (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem muitas surpresas, o destino não planejado de Amin é a Dinamarca, local onde conhecerá Rasmussen. Acontece que essa história foi, por muito tempo, um segredo </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/flee-review-1234894626/"><span style="font-weight: 400;">até mesmo para Kasper</span></a><span style="font-weight: 400;">, futuro marido do protagonista. Nesse contexto, narrar uma trajetória de vida pela primeira vez, por meio de um documentário, tendo ainda receio de expor situações tão delicadas, que colocam em xeque algumas noções de legalidade, não poderia ser algo inferior à necessidade. Justamente em proteção aos agentes desta narrativa, Rasmussen age com brilhantismo ao cobri-los com pseudônimos &#8211; como é o caso do próprio “</span><i><span style="font-weight: 400;">Amin</span></i><span style="font-weight: 400;">” -, explorando também a liberdade criativa das animações para disfarçar os traços desses indivíduos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a animação, aqui, não é somente uma camuflagem. Trata-se, ao mesmo tempo, de um </span><a href="https://www.cineset.com.br/critica-flee-jonas-poher-rasmussen/"><span style="font-weight: 400;">recurso artístico</span></a><span style="font-weight: 400;"> por meio do qual é possível reviver o passado. Recurso esse que, com traços menos intensos, indica memórias mais vagas e confusas, enquanto os acontecimentos nítidos aparecem com detalhes precisos e diversidade de cores. É, enfim, um flerte com as ferramentas da ficção, embora isso não seja, de forma alguma, uma manipulação total ou uma atenuação dos episódios experienciados por Amin &#8211; que são dramatizados com equilíbrio ao longo do filme.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Partindo dessa percepção, podemos entender que a fragilidade é um dos pontos centrais de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2Y9ZK1S7R7Q"><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Algumas coisas são difíceis de falar. Ainda é difícil, mas preciso superá-las. É o meu passado, não posso fugir dele, e não quero. Eu posso conseguir em meio ano, um ano.</span></i><span style="font-weight: 400;">”, confessa Amin nos primeiros minutos do longa. Não restam dúvidas de que, na tentativa de ser o mais fiel possível à realidade, o protagonista de uma vivência repleta de prováveis traumas assume uma fragilidade necessária para não se machucar em demasia &#8211; uma fragilidade, aliás, essencialmente humana, nítida não só na fala destacada, mas também no filme como um todo. </span></p>
<figure id="attachment_26225" aria-describedby="caption-attachment-26225" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26225" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. Ao fundo, vemos um quarto de hotel durante a noite. Rasmussen encontra-se no lado esquerdo da imagem, está de costas, sentado, tem barba e veste uma blusa preta. Amin está no lado direito da imagem, igualmente sentado, com uma leve inclinação para frente, os dedos das mãos entrelaçados, veste uma roupa cinza e também tem barba. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26225" class="wp-caption-text">Ao ir aos Estados Unidos por conta da carreira acadêmica, Amin revela a Rasmussen que está cansado de tantos deslocamentos (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É, entretanto, na contraposição ‘ser </span><i><span style="font-weight: 400;">versus</span></i><span style="font-weight: 400;"> não ser’ que se aloja um dos maiores auges do documentário. Afastando-se das recorrentes dicotomias, Rasmussen expõe as tonalidades que afetam a identidade de Amin. Já nos minutos finais do longa, esse amigo-narrador faz uma confissão: “</span><i><span style="font-weight: 400;">começo a ficar cansado de estar constantemente em movimento.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Ultrapassando os deslocamentos concretos mais recentes, o que está em jogo neste momento são os dilemas que sempre marcaram a vida do protagonista. As constantes mudanças de países, a vida enquanto refugiado, a orientação sexual reprimida, dentre inúmeros outros elementos, ou compõem &#8211; sem limitar -, ou colocam em crise uma existência humana inteira, o que faz jus à </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2022/02/13/interna_cultura,1344276/producao-dinamarquesa-flee-inova-ao-brigar-pela-triplice-coroa-no-oscar.shtml"><span style="font-weight: 400;">complexidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> inerente a qualquer sujeito não fictício.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com escolhas tão sensíveis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> curiosamente tensiona a todo momento a humanidade dos espectadores, colocando em evidência significativa, mas não exagerada, questões extremamente humanas ou desumanas. A negação da homossexualidade, por exemplo, em um </span><a href="https://observatoriog.bol.uol.com.br/noticias/mundo/lgbt-e-o-grupo-que-assumiu-poder-no-afeganistao-taliba"><span style="font-weight: 400;">país</span></a><span style="font-weight: 400;"> onde “</span><i><span style="font-weight: 400;">os homossexuais não existiam</span></i><span style="font-weight: 400;">” &#8211; isto é, eram reprimidos ao ponto de não receberem sequer uma designação &#8211; pode causar muita agonia em um primeiro momento. Por outro lado, quando alguns irmãos de Amin descobrem e aceitam essa faceta de sua realidade, incentivando uma espécie de ‘libertação’ via boate gay, certos sinais de esperança logo trazem um sorriso para os rostos outrora tensos do público.         </span></p>
<figure id="attachment_26226" aria-describedby="caption-attachment-26226" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26226" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. A imagem se passa em uma possível sala de solicitação de bens e serviços. Uma janela centralizada mostra um ambiente rural. À frente dela, vemos Amin e uma mulher sentados diante de uma mesa. Amin está no lado esquerdo, de perfil, olha para baixo, usa roupa branca e está com um copo sobre a mesa. A mulher está no lado direito, de perfil, usa óculos, roupa predominantemente azulada, segura uma caneta sobre alguns papéis e olha para Amin. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26226" class="wp-caption-text">Em um momento da vida, Amin pede remédios para não se sentir mais atraído por homens (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas nem sempre há alívio para as questões apresentadas. Quando os detalhes do tráfico humano dominam a narrativa, o nó na garganta do espectador mais sensível pode, com certeza, marcar sua presença, tendo em vista que, em décadas, pouca coisa mudou. A guerra e seus dilemas, então, dialogam intensamente com os </span><a href="https://aovivo.folha.uol.com.br/mundo/2022/02/24/6105-putin-ataca-a-ucrania-acompanhe-ultimas-noticias-sobre-a-acao.shtml"><span style="font-weight: 400;">conflitos da atualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ver vários jovens fugindo de uma obrigação desumana, ou seja, de uma luta armada, é um diálogo direto entre o filme e os </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/02/25/lei-marcial-homens-ucranianos-e-naturalizados-com-idade-de-18-a-60-anos-estao-proibidos-de-sair-da-ucrania.ghtml"><span style="font-weight: 400;">noticiários de hoje em dia</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que gera uma aflição capaz de tangenciar ao mesmo tempo a impotência e a comoção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Provavelmente, o que mais assusta em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wgj7DUEtfg0"><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é saber que o filme resgata uma história real &#8211; e que algumas décadas foram, com razão, incapazes de apagar o medo de quem um dia já viveu sem liberdades e dignidade. Ainda assim, é essencial ter esse dado em mente para que se obtenha uma experiência completa de humanização dos fatos históricos. Em aspectos técnicos, o filme abre espaços na animação predominante para inserir registros reais do passado mais distante ou dos anos mais recentes. Com sucesso, isso facilita o exercício da memória, lembrando constantemente que, antes de ser um conjunto de ilustrações, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um documentário.             </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final das contas, a obra de Rasmussen tem a duração perfeita para os recortes de vida que pretende narrar, não pecando por falta de informação ou adornos sem sentido. Alcançando um </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/flee-oscar-indicacoes"><span style="font-weight: 400;">feito histórico</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> já é memorável por ser o primeiro filme a concorrer simultaneamente a Melhor Animação, Melhor Documentário e Melhor Filme Internacional. Portanto, mesmo que não receba uma estatueta em março, a produção dinamarquesa dá continuidade à sua </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/conheca-flee-primeiro-na-historia-indicado-melhor-animacao-documentario-filme-estrangeiro-no-oscar-25385301"><span style="font-weight: 400;">jornada de respeito</span></a><span style="font-weight: 400;">, que já foi vitoriosa em eventos como o Festival de Sundance, o Festival de Annecy e os Prêmios do Cinema Europeu. E quanto a Amin? Que receba, hoje e sempre, toda a dignidade do mundo.            </span></p>
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		<title>Toda a coragem do mundo mora na sala de aula do Sr. Bachmann e Seus Alunos</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 17:00:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes Paulo Freire nos contou que para educar é necessário coragem, e ele de certo se orgulharia do desafio que Sr. Bachmann e Seus Alunos enfrentam no sistema educacional alemão. Amor e humanidade são as únicas linhas guias no documentário de Maria Speth, que acompanha uma classe de alunos por meio ano letivo, sem &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sr-bachmann-e-seus-alunos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Toda a coragem do mundo mora na sala de aula do Sr. Bachmann e Seus Alunos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24447" aria-describedby="caption-attachment-24447" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24447" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1.jpeg" alt="Cena do documentário Sr. Bachmann e Seus Alunos. A imagem mostra o professor Bachmann sentado em sua mesa na sala de aula. Ele é um senhor branco com barba rala branca, usa moletom cinza e touca preta. Na mesa dele há livros, violões encostados e ao fundo uma lousa." width="1600" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-800x384.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-1024x492.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-768x369.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-1536x737.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-1200x576.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24447" class="wp-caption-text">A classe diversa de Sr. Bachmann e Seus Alunos faz parte da seleção dos premiados no Festival de Berlim, que chega na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na seção Perspectiva Internacional (Foto: Madonnen Film)</figcaption></figure>
<p><b>Nathália Mendes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Paulo Freire </span><a href="https://jornal.unesp.br/2021/09/24/a-educacao-voltada-para-valores-humanos-de-paulo-freire-continua-atualissima/"><span style="font-weight: 400;">nos contou</span></a><span style="font-weight: 400;"> que para educar é necessário coragem, e ele de certo se orgulharia do desafio que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6eMaaDGxIPc"><i><span style="font-weight: 400;">Sr. Bachmann e Seus Alunos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> enfrentam no sistema educacional alemão. Amor e humanidade são as únicas linhas guias no documentário de Maria Speth, que acompanha uma classe de alunos por meio ano letivo, sem entrevistas ou roteiros pré-estabelecidos. E é com uma neutra observação que o longa de quase 4 horas chega à 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, para nos lembrar de que a educação não muda o mundo, a educação muda pessoas e pessoas mudam o mundo.</span></p>
<p><span id="more-24446"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da obra, podemos conhecer o professor de 65 anos, Dieter Bachmann, e seus alunos extremamente únicos, todos unidos em uma sala de aula multicultural. Do lado de Bachmann há um trabalho extraordinário de desenvolver seres humanos por diversas disciplinas, pois ele entende que o aprendizado vem da Música, das artes, de contas de matemática em grupo ou de pausas para cochilo. Mas, acima de tudo, o professor enxerga a </span><a href="https://www.bfi.org.uk/sight-and-sound/reviews/mr-bachmann-his-class-maria-speth-migrant-school-teacher-stadtallendorf-germany"><span style="font-weight: 400;">particularidade a mais</span></a><span style="font-weight: 400;"> que seus alunos ali de </span><i><span style="font-weight: 400;">Stadtallendorf</span></i> <span style="font-weight: 400;">possuem: se não são imigrantes, seus pais um dia foram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cada uma das famílias dos alunos do Sr. Bachmann passa dificuldades diferentes, no entanto, esse não é o foco principal. É de suma importância para o documentário mostrar que há muito esforço naquelas crianças para desenvolverem sua educação no meio da vida escolar, com uma língua completamente diferente e dentro de um sistema educacional </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/04/20/economia/1524221355_445266.html"><span style="font-weight: 400;">muito segregador</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por isso, o professor lindamente adota a posição de mostrar que os enxerga e estima, até fazer florescer um amor próprio dentro de cada um, e, por consequência, entre eles mesmos.</span></p>
<figure id="attachment_24448" aria-describedby="caption-attachment-24448" style="width: 1056px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24448 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-2.jpg" alt="Cena do documentário Sr. Bachmann e Seus Alunos. A imagem mostra uma sala de aula em que as crianças estão sentadas em um círculo com seu professor que está no meio deles, no canto esquerdo da imagem." width="1056" height="558" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-2.jpg 1056w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-2-800x423.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-2-1024x541.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-2-768x406.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24448" class="wp-caption-text">Em italiano “lo ti amo”, em turco “seni seviyorum”, em russo “ya tebya lyublyu” e em búlgaro “obicham te”, todos significam a mesma coisa: Sr. Bachmann ama cada um de seus alunos (Foto: Madonnen Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sr. Bachmann e Seus Alunos</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Herr Bachmann Und Seine Klasse</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original) recorda a série catalã </span><a href="https://woomagazine.com.br/conheca-merli-serie-que-mistura-filosofia-ao-universo-jovem/"><i><span style="font-weight: 400;">Merlí</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, cujo protagonista é um professor de filosofia que se envolve no crescimento de seus jovens alunos. Assim como no seriado, o longa alemão realça a falha do sistema educacional que desconsidera a humanidade dos estudantes, exemplificado pela fala especial de Bachmann </span><i><span style="font-weight: 400;">“Essas notas não refletem quem vocês são. Elas são apenas uma imagem instantânea, de coisas sem importância, como matemática e inglês.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> De fato, a Arte imita a vida &#8211; e ainda bem que professores tão poderosos existem para </span><a href="https://www.ecomuseu.com.br/os-professores-merlis-da-vida-real-que-quebram-as-regras-para-inspirar-alunos-como-na-serie-da-netflix/"><span style="font-weight: 400;">transformar</span></a><span style="font-weight: 400;"> as nossas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A câmera de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2bophjBv2QI"><span style="font-weight: 400;">Maria Speth</span></a><span style="font-weight: 400;"> é como uma coruja muito bem camuflada em uma sala de adolescentes muito diferentes. O formato escolhido por ela parte de deixar a rotina do aprendizado fluírem para guiarem a obra. Assim, a combinação desses dois aspectos compuseram uma obra extremamente natural em que os alunos e seu professor se esqueceram de que estão sendo filmados. No entanto, o resultado é um documentário negativamente extenso e cansativo já nos primeiros 60 minutos, e isso arruinou seu sucesso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Salva pelo sinal do recreio, a história real e genuína garantiu à diretora o </span><a href="https://deadline.com/2021/03/berlin-silver-bear-winner-mr-bachmann-and-his-class-sells-widely-films-boutique-1234720739/"><span style="font-weight: 400;">Urso de Prata &#8211; Prêmio do Júri</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Festival de Berlim 2021. O multiculturalismo é o esplendor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sr. Bachmann e Seus Alunos</span></i><span style="font-weight: 400;">, além da concordância com uma educação revolucionária e digna de Paulo Freire. Nem toda a minutagem do mundo seria suficiente para mostrar a profundidade dessas crianças, ou de um professor </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/mr-bachmann-and-his-class-review-1234917641/"><span style="font-weight: 400;">tão bom</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto Dieter Bachmann.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="MR BACHMANN AND HIS CLASS - Teaser" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/6eMaaDGxIPc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Filho das Monarcas tem uma herança de transformação</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2021 21:00:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra A metamorfose de Filho das Monarcas é sugerida desde sua primeira cena. Quando um pesquisador curioso rompe cuidadosamente o casulo de uma borboleta logo antes de uma voz ancestral explicar um dos muitos significados atribuídos àquele processo, Alexis Gambis sussurra ao público da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo que sua &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-filho-das-monarcas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Filho das Monarcas tem uma herança de transformação"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24434" aria-describedby="caption-attachment-24434" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24434" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-1.jpg" alt="Cena do filme Filho das Monarcas." width="2000" height="857" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-1-800x343.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-1-1024x439.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-1-768x329.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-1-1536x658.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-1-1200x514.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24434" class="wp-caption-text">A produção realizada entre México e Estados Unidos é parte da seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Wide Management)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A metamorfose de </span><i><span style="font-weight: 400;">Filho das Monarcas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sugerida desde sua primeira cena. Quando um pesquisador curioso rompe cuidadosamente o casulo de uma borboleta logo antes de uma voz ancestral explicar um dos muitos significados atribuídos àquele processo, Alexis Gambis sussurra ao público da 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo que sua história existirá em </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/son-of-monarchs-review-1235091465/"><span style="font-weight: 400;">algum lugar entre as ideias</span></a><span style="font-weight: 400;"> de modernidade e tradição, ciência e arte, natureza e tecnologia, relações e separações, mudanças e raízes.</span></p>
<p><span id="more-24433"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O gancho de </span><i><span style="font-weight: 400;">Filho das Monarcas</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e apenas ele &#8211; é simples: a obra relaciona os significados do </span><a href="https://companhiadeviagem.blogosfera.uol.com.br/2015/03/20/conheca-a-fantastica-migracao-das-borboletas-monarcas/"><span style="font-weight: 400;">processo migratório</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma espécie de borboleta repleta de sentidos para a cultura latino-americana com as experiências e ciclos da existência humana. O vetor dessa transmutação narrativa é Mendel (Tenoch Huerta Mejía), um biólogo mexicano vivendo em Nova York que precisa retornar à sua cidade natal, situada nas </span><a href="https://www.maxmilhas.com.br/blog/colunista/festa-no-ceu-do-santuario-das-borboletas-monarca-mexico"><span style="font-weight: 400;">florestas de borboletas de Michoacán</span></a><span style="font-weight: 400;">. O motivo é dizer adeus à sua avó, que foi responsável pela criação dele e de seu irmão Simón (Noé Hernández) depois da morte de seus pais em uma enchente de uma mina na região, e a consequência é enfrentar traumas do passado e lidar com o desencadear de uma profunda reflexão sobre sua identidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como alertado, a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Filho das Monarcas</span></i><span style="font-weight: 400;"> <em>(Hijo de</em> Monarcas, no original) traça um rumo ao contrário do que é esperado em obras do gênero. Antes de contextualizar a vida de Mendel como pesquisador e </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/02/28/internacional/1425159560_545362.html"><span style="font-weight: 400;">imigrante</span></a><span style="font-weight: 400;"> na metrópole estadunidense, para desenvolver gradativamente o nosso conhecimento sobre o personagem a partir de um ponto de partida, o filme nos coloca primeiro diante no momento delicado que ele vive em seu núcleo familiar, gerando um incômodo narrativo que harmoniza perfeitamente com o efeito que o filme mantém até o final.</span></p>
<figure id="attachment_24435" aria-describedby="caption-attachment-24435" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24435" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-2.jpg" alt="Cena do filme Filho das Monarcas." width="2000" height="838" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-2.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-2-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-2-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-2-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-2-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-2-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24435" class="wp-caption-text">O filme também possui contornos autobiográficos do cineasta e também biólogo Alexis Gambis, fortalecendo a vitória do filme no Alfred P. Sloan Foundation Feature Film Prize, prêmio do Festival de Sundance que reconhece retratos da Ciência no Cinema (Foto: Wide Management)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha de </span><i><span style="font-weight: 400;">Filho das Monarcas</span></i><span style="font-weight: 400;"> em mostrar primeiro os traumas do protagonista para depois apresentar a forma como ele segue a vida apesar deles é o que fortalece seu impacto. Seja na interpretação fascinante que </span><a href="https://legadodamarvel.com.br/conheca-o-polemico-tenoch-huerta-ator-que-fara-o-namor-na-marvel/"><span style="font-weight: 400;">Mejía</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz do complexo Mendel (vista nos momentos de conflitos da relação com o irmão e nas interações dele com os demais familiares e amigos) ou na riqueza metafórica do roteiro de </span><a href="https://nyuad.nyu.edu/en/academics/divisions/science/faculty/alexis-gambis.html"><span style="font-weight: 400;">Gambis</span></a><span style="font-weight: 400;"> (que atinge seu ápice quando ele faz o personagem tatuar borboletas nos braços usando a própria tinta de uma delas), a dimensão psicológica do protagonista não é nada sutil ao público, mas parecem ser despercebida pelos personagens do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Filho das Monarcas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é (des)orientado por paradoxos. Indo de uma aproximação com uma estética documental até flertes com o realismo mágico, a produção detém uma linguagem experimental e muitos cantos poéticos de reflexões sociais, filosóficas, culturais, artísticas e científicas. O encanto das imagens sobrevoa o peso do roteiro, que tenta se encaixar na leveza de seu elenco. E se a fotografia de </span><a href="https://www.instagram.com/alejandromejiadop/"><span style="font-weight: 400;">Alejandro Mejía</span></a><span style="font-weight: 400;"> perde o fôlego nas paisagens naturais, não demora a recuperá-lo na observação controlada das borboletas em microscópios, enquanto a trilha de </span><a href="https://www.cristobalmaryan.com/"><span style="font-weight: 400;">Cristóbal MarYán</span></a><span style="font-weight: 400;"> persegue um som que liga melodias eletrônicas e tecnológicas à harmonias acústicas e clássicas.</span></p>
<figure id="attachment_24436" aria-describedby="caption-attachment-24436" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24436" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-3.jpg" alt="Cena do filme Filho das Monarcas." width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-3.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/monarcas-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24436" class="wp-caption-text">O rosto de <span style="font-weight: 400;">Tenoch Huerta Mejía</span> é conhecido de Narcos: México, e em 2022, o ator poderá ser encontrado em um vilão do próximo filme do Pantera Negra (Foto: Wide Management)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fascinação do cineasta venezuelano pelos contrastes aparece também de forma mais direta no filme. O fio narrativo não é linear nem no tempo presente, e à sua construção temporal, </span><i><span style="font-weight: 400;">Filho das Monarcas</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda mistura </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> repentinos. Neles, a obra ilumina a infância de Mendel com uma criança doce e curiosa, que incomoda seu irmão mais velho com algumas questões mais difíceis da vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, de repente, saímos da frieza nova-iorquina para tomar parte de mais um rito de luto da família de Mendel, onde ele ainda encontra tempo para trazer o tema da imigração que é indissociável da história em críticas ao </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2020-06/trump-pretende-acabar-em-seis-meses-com-programa-de-imigracao-dreamers"><span style="font-weight: 400;">governo de Donald Trump</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não contente em compreender um mundo em 97 minutos, o filme também adota num ritmo lento, apostando alto em sua experiência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas pelos ciclos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Filho das Monarcas</span></i><span style="font-weight: 400;">, vale a pena esperar. É fato que o filme tem dificuldade em coordenar tantos elementos temáticos, narrativos e técnicos, mas &#8211; sem desfazer a graça de identificar as metáforas da obra &#8211; não existe outro processo a ser adotado diante de uma história repleta de poder figurativo além de abraçar tudo num casulo e observar a sua evolução.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Son of Monarchs Trailer #1 (2021) | Movieclips Indie" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/7WDk_mPU5Wc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Seremos sempre incapazes de ouvir os gritos de Listen?</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Nov 2021 16:38:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes Limpe bem seus ouvidos para assistir o drama português Listen exibido na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Nele, a surdez nada tem a ver com a falta de audição, mas com a racional ignorância daqueles que ouvem muito bem. No longa escrito e dirigido por Ana Rocha Sousa, um casal &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/listen-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Seremos sempre incapazes de ouvir os gritos de Listen?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24307" aria-describedby="caption-attachment-24307" style="width: 1152px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24307" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3.png" alt="Cena do filme Listen. Na imagem, há uma mulher e um homem sentados com uma cadeira separando os dois. Na esquerda, a mulher está sentada olhando para o lado com uma expressão de ligeira aflição; ela é branca de cabelos loiros e usa uma blusa lilás e segura um casaco roxo entre as mãos que estão entrelaçadas em cima das pernas. No canto direito, o homem também olha para o lado com atenção; ele é branco com cabelos castanhos e barba branca por fazer, usa uma camiseta azul com jaqueta verde muito desgastada por cima, uma calça cinza e segura um lápis e um papel para anotar em cima das pernas. A cadeira que os separa é em madeira clara e estofado bege. O fundo é uma parede com a metade de cima em papel de parede azul e folhagens claras, e a parte de baixo é de madeira listrada branca." width="1152" height="662" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3.png 1152w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-800x460.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-1024x588.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-768x441.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24307" class="wp-caption-text">Uma família de imigrantes sofre silenciosamente na luta contra a Segurança Social britânica em Listen, filme exibido na seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><b>Nathália Mendes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Limpe bem seus ouvidos para assistir o drama português </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hR7jyodiFQM"><i><span style="font-weight: 400;">Listen</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> exibido na 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo. Nele, a surdez nada tem a ver com a falta de audição, mas com a racional ignorância daqueles que ouvem muito bem. No longa escrito e dirigido por Ana Rocha Sousa, um casal de imigrantes portugueses tenta criar três filhos, sendo a do meio uma menina surda, e sobrevivendo de subempregos em uma dura Londres, até que o Serviço Social britânico tira as crianças de casa. É por esse duro retrato familiar que o longa pauta a silenciosa adoção forçada na Inglaterra.</span></p>
<p><span id="more-24306"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Listen</span></i><span style="font-weight: 400;"> estreou no </span><a href="https://www.magazine-hd.com/apps/wp/77o-festival-de-veneza-listen/"><span style="font-weight: 400;">77º Festival de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2020 pela seção Horizontes com a sua coragem em narrar um assunto real em 3 línguas diferentes. No entanto, mesmo que o trabalho de Ana Rocha tenha sido recompensado com o grande prêmio de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/noticias/festival-de-veneza-2020-nomadland-vence-o-leao-de-ouro-confira-todos-os-premiados/"><span style="font-weight: 400;">Leão do Futuro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o Prêmio Especial do Júri, seu filme </span><a href="https://c7nema.net/producoes/item/91754-listen-fora-dos-oscars.html"><span style="font-weight: 400;">foi vetado</span></a><span style="font-weight: 400;"> para concorrer ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Filme Internacional em 2021 por não ter mais da metade de diálogo em idiomas diferentes do inglês. Sem surpresas, dentro e fora do Cinema a língua de sinais não é bem-vinda, mesmo com uma personagem e sua atriz sendo surdas &#8211; e muito </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-43285229"><span style="font-weight: 400;">bem premiadas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24308" aria-describedby="caption-attachment-24308" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24308" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1.jpg" alt="Cena do filme Listen. Na imagem há duas crianças escondidas ao lado de um guarda-roupa. Um menino mais alto, branco de cabelos castanhos cacheados, usando óculos, camisa branca com gravata cinza e suéter preto por cima, que está atrás da irmã menor e encara com raiva. A menina menor está à frente do irmão e grudada na lateral do armário, ela é branca de cabelos loiros, usa camisa azul e suéter cinza por cima; seu rosto está metade escondido pelo guarda-roupa e sua mão esquerda segura nele. Do lado esquerdo está o guarda-roupa de madeira marrom com manchas de desgaste, e o fundo do lado direito é uma quina da parede de um lado azul e do outro com um papel de parede de dinossauros." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24308" class="wp-caption-text">Maisie Sly, que vive a personagem surda Lu em Listen, é uma atriz também surda que protagonizou o filme The Silent Child, ganhador do Oscar 2018 de Melhor Curta-Metragem (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que você faria se fosse um imigrante, morando no subúrbio de outro país e o Serviço Social arrebentasse sua porta e levasse seus filhos sob a alegação de que você os machuca fisicamente? Essa é a situação que o casal Bela (Lúcia Moniz) e Jota (Ruben Garcia) se encontram. Ambos haviam recorrido anteriormente ao Estado britânico como a saída para seus problemas financeiros. Mas eles jamais imaginariam que teriam seus filhos arrancados de casa e colocados </span><a href="https://www.sundayguardianlive.com/lifestyle/12668-uk-forced-adoptions-are-backed-big-money"><span style="font-weight: 400;">à força no sistema de adoção</span></a><span style="font-weight: 400;"> sob a alegação de violência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que toda a trama seja extremamente delicada e real ao que acontece na Inglaterra, a montagem fixa demais e o apelo emocional de um público específico são fatores que </span><a href="https://www.screendaily.com/reviews/listen-venice-review/5152697.article"><span style="font-weight: 400;">minam um pedaço</span></a><span style="font-weight: 400;"> do sucesso de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Listen</span></i><span style="font-weight: 400;">. E isso é tão verídico que, como parte do roteiro, há uma quantidade enorme de vezes em que os personagens circundam o casal dizendo que </span><i><span style="font-weight: 400;">“os entendem”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Não. Ninguém os entende. Todos somos filhos, mas nem todos temos filhos, e por mais que sejamos capazes de sentir empatia, a dor que Bela e Jota mostram &#8211; com uma bela atuação de seus atores &#8211; é o cerne da sensibilidade do longa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de pautar essa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-Hq30osekas"><span style="font-weight: 400;">realidade assustadora</span></a><span style="font-weight: 400;">, a diretora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Listen</span></i><span style="font-weight: 400;"> criou uma construção essencial através da surdez de Lu (Maisie Sly) para pautar a ignorância da sociedade. Já dentro do sistema de adoção, ninguém se comunicava com Lu, e durante uma das visitas que o casal faz aos filhos, o longa desenhou &#8211; em uma de suas melhores e mais nauseantes cenas &#8211; o desprezo pela única forma que a menina possuía em se comunicar com o mundo: a linguagem de sinais. No trecho em questão, o agente que supervisionava a família grita a plenos pulmões contra suas falas em português ou em sinais. A alegação era de que poderiam ser mensagens secretas para as crianças, mas o incômodo do homem se assemelhava à repugnância. </span></p>
<figure id="attachment_24309" aria-describedby="caption-attachment-24309" style="width: 1053px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24309" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2.jpg" alt="Cena do filme Listen. Na imagem há uma mulher abraçada com sua filha no centro, e ao fundo, em desfoque, um policial vigiando-as. A mulher é branca e de cabelos loiros, usa uma blusa de mangas compridas caramelo, está segurando firme a filha que está atrás dela pelo braço, mostrando uma proteção, e sua expressão é de pânico e raiva. A menina é branca, está com o rosto escondido atrás da mãe, é loira e usa uma camiseta azul clara. Ao fundo, o policial está de uniforme preto." width="1053" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2.jpg 1053w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24309" class="wp-caption-text">Ana Rocha Sousa precisou de muita pesquisa para encontrar as informações de como o sistema de adoção forçada funcionava na Inglaterra e quantas histórias estavam escondidas debaixo dos panos (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais um paralelo interessante foi criado para mostrar a comoção do outro diante de uma situação tão reprovável quanto tirar crianças à força de suas casas. Isso foi feito através de 3 personagens do Serviço Social: um agente completamente ordinário que reprova a família, uma outra em cima do muro entre seguir seu trabalho e sentir dó de Bela, e uma ex-agente e advogada que ajuda a família secretamente. Assim, o longa mostra como as pessoas que estão inseridas em </span><a href="https://www.connexionfrance.com/Practical/Family/uk-forced-adoption-policy-punishes-parents-who-have-committed-no-crime-campaigner-says"><span style="font-weight: 400;">sistemas desumanos</span></a><span style="font-weight: 400;"> possuem ouvidos que captam tudo, mas nem todos optam por escutar a dor de uma família destroçada. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Ela tem culpa, ela conhece o sistema, ela sabe como funciona. Todo mundo sabe”</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi a última fala de Bela, uma mãe que chega exausta ao final do filme por lutar tanto. Ela consegue Lu de volta, pois ninguém aceitou adotá-la pela surdez, e o filho mais velho Diego (James Felner) que havia fugido, mas perde sua bebê de 1 ano para o sistema de adoção britânico, que legalmente não desfaz adoções &#8211; ainda mais aquelas que foram, na verdade, crianças roubadas pelo próprio Estado. E trajando essa dura consciência, </span><i><span style="font-weight: 400;">Listen</span></i><span style="font-weight: 400;"> depositou toda sua bela simplicidade na </span><a href="https://mostraplay.mostra.org/film/listen/"><span style="font-weight: 400;">45ª Mostra de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A força que essa família exibiu ao lutar pelo que tinham de mais valioso expôs a gravidade de múltiplas realidades sufocantes, da adoção forçada ao isolamento de quem se comunica pelas mãos. Através de cenas muito particulares e com imagens detalhistas de seus personagens, nos aproximamos do sofrimento advindo de uma situação tão específica, alarmante e silenciosa. Como dito por </span><a href="https://variety.com/2020/film/global/venice-film-festival-ana-rocha-listen-1234761791/"><span style="font-weight: 400;">Ana Rocha Sousa</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">“A vida não é feita de palavras”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e nem as mais fortes gritadas com todo o poderio das cordas vocais podem mudar o mundo. Mas talvez, quem sabe, os sinais.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Listen - Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/hR7jyodiFQM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>One Day at a Time voltou para deixar mais saudades</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Feb 2021 18:56:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan O ano era 2019 e os fãs da série One Day at a Time se revoltavam no Twitter por conta do cancelamento feito pela Netflix. Após muitos pedidos para a renovação, foi entregue uma bem sucedida terceira temporada mostrando que o streaming ainda tinha força e conteúdo para continuar produzindo a queridinha &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/one-day-at-a-time-4a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "One Day at a Time voltou para deixar mais saudades"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18324" aria-describedby="caption-attachment-18324" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18324" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image2-1.jpg" alt="Fotografia promocional de One Day At a Time. No centro vemos Penélope, uma mulher latina, de cabelo ondulado na altura dos ombros. Ela veste uma jaqueta azul. Ao seu lado direito temos Alex, adolescente, filho de Penélope. Ele tem cabelo curto e castanho. Ele veste jaqueta vermelha e bege, com bolso verde e amarelo. Ao lado esquerdo de Penélope temos sua filha Elena. Ela tem cabelos longos e pretos. Veste uma jaqueta verde e óculos preto. Acima de Penélope vemos sua mãe, Lydia. Ela tem cabelo na altura da orelha e franja. Veste uma camisa vermelha de manga longa com detalhes em branco. Ao lado direito de Lydia vemos Schneider. Um homem branco, de cabelo curto. Ele tem barba, olhos azuis e usa óculos preto. Ele veste camisa branca e jaqueta jeans. Ao lado esquerdo vemos o Dr. Berkowitz. Um homem mais velho, branco e de cabelo curto. Ele veste uma camisa rosa. O fundo da imagem é azul" width="1284" height="856" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image2-1.jpg 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image2-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image2-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image2-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image2-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18324" class="wp-caption-text">Poster promocional da quarta temporada de One Day at a Time (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano era 2019 e os fãs da série </span><a href="https://personaunesp.com.br/one-day-at-time-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">One Day at a Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se revoltavam no</span> <a href="https://twitter.com/search?q=%23SaveOdaat&amp;src=typed_query"><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> por conta do cancelamento feito pela</span><i><span style="font-weight: 400;"> Netflix.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Após muitos pedidos para a renovação, foi entregue uma bem sucedida terceira temporada mostrando que o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda tinha força e conteúdo para continuar produzindo a queridinha dos assinantes. O cancelamento parecia improvável pois, além dos motivos já citados, o terceiro ano se finaliza com um gancho perfeito para uma nova temporada da série que foi abandonada.</span></p>
<p><span id="more-18320"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a tantos pedidos, o canal americano de televisão, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop TV, </span></i><span style="font-weight: 400;">se encarregou da missão de dar continuidade ao seriado que traz de forma leve assuntos como </span><a href="https://cinemacao.com/2019/03/03/5-temas-importantes-one-day-at-time/#:~:text=ODAT%20%C3%A9%20uma%20sitcom%20que,entreter%20e%20divertir%20o%20espectador."><span style="font-weight: 400;">imigração, homofobia, ansiedade, depressão e religião</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não era possível prever as mudanças, apenas aguardá-las na torcida para que a série não entrasse num trem descontrolado rumo ao abismo e ao esquecimento característicos das séries salvas.</span></p>
<figure id="attachment_18323" aria-describedby="caption-attachment-18323" style="width: 762px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18323" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image4-2.jpg" alt="Imagem de fundo azul. Nela lê-se em verde “ONE DAY AT A TIME”. Na letra “O” vemos Penélope. Na primeira letra “E” vemos Alex. Na letra “D” vemos o Dr. Berkowitz. Na terceira letra “A” vemos Schneider. Na letra “M” vemos Elena. Na última letra “E” vemos Lydia. Todos eles estão com efeito azul." width="762" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image4-2.jpg 762w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image4-2-300x220.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18323" class="wp-caption-text">Frame da nova abertura do seriado (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A quarta temporada se inicia com transformações gritantes, que vão desde a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U1tekbfDSjg"><span style="font-weight: 400;">abertura</span></a><span style="font-weight: 400;"> até a iluminação do seriado. A primeira, um dos traços mais viciantes da série, ganha cara nova e completamente diferente da original. A vinheta repleta de fotos do </span><i><span style="font-weight: 400;">cast </span></i><span style="font-weight: 400;">era cantada pela divina cantora cubana, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WWAWQmhqWGo"><i><span style="font-weight: 400;">Gloria Estefan</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que conseguia trazer a essência do programa. Já a nova abertura tem poucos segundos de duração, com cores vibrantes, quase </span><i><span style="font-weight: 400;">neon</span></i><span style="font-weight: 400;">, que não contrastam com a trama. A iluminação ganhou brilho, deixando de lado aquelas cores de tons mais terrosos, típico de representação latina, trazendo mais vida à série.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A redução na duração dos episódios desagradou apenas os entusiastas do programa que querem sempre mais e mais conteúdo. Em relação ao roteiro, o tempo foi bem utilizado, evitando que a série se arrastasse em alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">plots</span></i><span style="font-weight: 400;"> de cenário único, como o carro que foi utilizado. Os apreciadores também foram surpreendidos com a periodicidade semanal. Renovada para </span><a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-151698/"><span style="font-weight: 400;">13 episódios</span></a><span style="font-weight: 400;">, eles foram exibidos um por um ao decorrer das semanas, diferente de sua antiga casa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, que disponibilizava toda a temporada para ser maratonada em um único dia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecida por sua sagacidade e suas piadas inteligentes, </span><i><span style="font-weight: 400;">One Day at a Time </span></i><span style="font-weight: 400;">mantém a forma e tem sua grande sacada já nos primeiros segundos. Alex, filho mais novo de Penélope e um dos protagonistas da série, abre a </span><i><span style="font-weight: 400;">season</span></i><span style="font-weight: 400;"> alfinetando o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> onde a série era exibida: </span><i><span style="font-weight: 400;">“There&#8217;s nothing good on Netflix anymore”</span></i><span style="font-weight: 400;"> (É como se não tivesse mais nada que presta na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">). O caçula também se destacou por ter a melhor evolução. O seguimento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Papito</span></i><span style="font-weight: 400;"> se faz de maneira interessante, além da evolução da personagem, acompanhamos também seu crescimento, vemos ele iniciar um namoro e cometer pequenos erros comuns de adolescentes. Assistir aquele personagem que a gente possui o sentimento de ter pego no colo traz a sensação que </span><i><span style="font-weight: 400;">One Day at a Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> está envelhecendo como vinho.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="One Day at a Time - 04x01 - Trecho (Legendado)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Mgdm2-rGGZ4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma não invasiva, é tratada a solidão de Penélope e como isso a atormenta. A linha tênue entre não precisar de homens e adorar estar na companhia deles, ver os filhos crescendo, entrando em relacionamentos e planejando sair de casa para cursar a faculdade. Ela e Lydia conseguem roubar toda a quarta temporada. Dizer que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jwTduVA4WUE"><span style="font-weight: 400;">Rita Moreno</span></a><span style="font-weight: 400;"> brilhou é óbvio, porém necessário. A maneira que a atriz encarna a </span><i><span style="font-weight: 400;">Abuelita</span></i><span style="font-weight: 400;"> torna a personagem ainda mais viva e atemporal, garantindo a indicação da atriz ao </span><a href="https://www.eonline.com/br/news/1228699/a-lista-de-indicados-ao-critics-choice-awards-2021"><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Lydia, nossa queridíssima </span><i><span style="font-weight: 400;">Abuelita</span></i><span style="font-weight: 400;">, com seus comentários infames e precisos mantém o favoritismo de muitos pela irretocável personagem, </span><i><span style="font-weight: 400;">¡Dale!</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Penélope com sua narrativa concisa, consegue construir um episódio inteiro praticamente sozinha, como o segundo, que mostra a engraçada jornada na compra de um novo sofá. Há prós e contras sobre o estrelato de seu papel em </span><i><span style="font-weight: 400;">One Day at a Time</span></i><span style="font-weight: 400;">. O maior pró, sem dúvidas, foi a oportunidade de mostrar ela como uma mulher mais forte, com tempo de tela merecido para atuação. O contra foi que não conseguiram equilibrar esse tempo, deixando outras personagens importantes para o enredo de escanteio, não sendo aproveitadas em sua totalidade. Como foi o caso de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3NXhUW4IAHg"><span style="font-weight: 400;">Elena</span></a><span style="font-weight: 400;">, minimizada a um relacionamento e com a personalidade pautada, de maneira fútil, em ser LGBT+, a personagem perdeu seus importantes discursos.</span></p>
<figure id="attachment_18322" aria-describedby="caption-attachment-18322" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18322" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image3-1.jpg" alt="Cena de One Day At a Time. Na parte central da imagem vemos Lydia. Ela veste blusa de manga longa preta com flores rosa e calça branca. Seus braços estão abertos  e cada um segundo  um lado de uma cortina com detalhes azul. Ao fundo podemos ver um sofá laranja, uma estante branca e uma janela. A sua frente vemos um sofá cinza e dois personagens de forma desfocada" width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image3-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image3-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image3-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image3-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image3-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18322" class="wp-caption-text">A icônica cortina de Lydia arrancou gargalhadas do público por mais um ano (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A temporada quatro trouxe </span><i><span style="font-weight: 400;">plots</span></i><span style="font-weight: 400;"> que já haviam mostrado ter potencial mas tinham sido esquecidos por seus criadores, como é o caso do Schneider e seu namoro com Avery que seguia  a passos lentos na temporada anterior, mas prosperou de forma concreta e planejada esse ano. Uma pena </span><i><span style="font-weight: 400;">One Day at a Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> ter sido cancelada antes de ser finalizada e a evolução do casal pausar pela metade. A produção ainda conserva personagens importantes como o Berto, companheiro já falecido por quem Lydia ainda dedica, por vezes de forma cômica, todo seu amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop TV</span></i><span style="font-weight: 400;"> não seguiu exatamente aquilo que foi proposto na temporada anterior, certamente pela verba reduzida, mas isso não impediu uma continuidade otimizada. Tudo que não foi exportado da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi explicado o porquê no enredo, assim não deixando pontas soltas na história. Citações e miragens com o Max fazem público torcer para a previsível volta dele. E é graças ao acerto do canal em criar o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i><span style="font-weight: 400;"> da volta, que os encontros que Penélope teve com outros caras se tornam completamente esquecíveis.</span></p>
<figure id="attachment_18321" aria-describedby="caption-attachment-18321" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18321" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-2.jpg" alt="Cena de One Day At a  Time. Nela os personagens são representados em forma de desenho animado. Ao lado esquerdo vemos Schneider com uma blusa branca e  calça azul. À direita vemos Penélope com camisa verde e calça azul. À direita vemos Lydia com vestido branco e flores vermelhas e jaqueta azul. À direita vemos Elena com blusa cinza, jaqueta e calça azuis. Todos estão sentados num sofá azul. Em pé na parte central vemos Alex. Ele veste moletom laranja. O fundo do desenho representa a sala da família" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18321" class="wp-caption-text">“Black lives matter, trans lives matter, brown lives matter” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Acostumados a assistir tudo de uma vez, tivemos que esperar episódios semanais até vir a bomba. </span><i><span style="font-weight: 400;">One Day at a Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi cancelada antes dos 13 prometidos irem ao ar, deixando de novo o seriado sem um final digno e pra piorar, dessa vez, sem um final para as histórias que já estavam em andamento no ano. O cancelamento foi um choque, ainda mais vindo da produção que conseguiu administrar a pandemia, criando a versão animada para continuar mesmo com gravações interrompidas por conta do vírus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O episódio do desenho foi uma saída genial para o contexto de distanciamento social. Com narração feita pelos próprios atores, a série trouxe os primos já conhecidos pelo público, mas que talvez não fosse mais aparecer por conta dos cachês. Lançado em junho, saiu com um bom </span><i><span style="font-weight: 400;">timing</span></i><span style="font-weight: 400;">  para as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r4cL2tCFG5A"><span style="font-weight: 400;">eleições presidenciais dos Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, tema do episódio, que foi um dos acontecimentos mais comentados pelo mundo. O discurso final de Penélope é importante e de arrepiar, os 20 minutos são deliciosos de assistir, porém não é um final para a série.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de terem produzido uma temporada recheada de altos e baixos, </span><i><span style="font-weight: 400;">One Day at a Time </span></i><span style="font-weight: 400;">não perdeu sua essência que entra em casa, senta no sofá e faz parte da família. Talvez a quarta temporada não tenha trazido aquele fascínio que víamos na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas as diferenças foram em suma proveitosas e agregaram no enredo. Sem dúvidas foi entregue um material superior ao esperado, com diálogos familiares que conversam com o público, ajudando na identificação da vida cotidiana do telespectador.</span></p>
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