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	<title>Arquivos Ilana Casoy &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Ilana Casoy &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>O dilema de Suzane von Richthofen em A Menina Que Matou os Pais &#8211; A Confissão</title>
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		<pubDate>Fri, 03 May 2024 12:36:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Barbosa Em 2002, o caso Richthofen escandalizou o Brasil pela extrema brutalidade do crime, orquestrado por Suzane Von Richthofen e os irmãos Cravinhos. A indústria cultural, desde então, explorou diversas formas de recriar esse trágico evento, seja por meio de livros, podcasts ou no Cinema. Em 2021, dois filmes apresentaram uma nova abordagem, revelando &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-menina-que-matou-os-pais-a-confissao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O dilema de Suzane von Richthofen em A Menina Que Matou os Pais &#8211; A Confissão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33331" aria-describedby="caption-attachment-33331" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33331" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3.jpg" alt="Cena do filme A Menina Que Matou os Pais - A Confissão. O local é um cemitério, ao fundo, há algumas pessoas desfocadas e no centro, em evidência, está a atriz Carla Diaz, uma mulher branca de cabelos louros, longos e lisos. Ela usa uma calça jeans escura, um cropped preto e no ombro uma blusa de manga comprida preta. Ela está abraçando o ator Leonardo Bittencourt, um homem branco de cabelos pretos utilizando uma camisa social cinza e gravata longa preta. Ele também está utilizando uma calça social cinza escuro e um cinto preto." width="1200" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-800x467.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-1024x597.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-768x448.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33331" class="wp-caption-text">Carla Diaz e Leonardo Bittencourt novamente protagonizam a representação do crime que chocou o Brasil (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Barbosa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2002, o caso </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2023/01/12/interna_nacional,1444140/suzane-von-richthofen-relembre-o-caso-que-chocou-o-brasil-em-2002.shtml"><span style="font-weight: 400;">Richthofen</span></a><span style="font-weight: 400;"> escandalizou o Brasil pela extrema brutalidade do crime, orquestrado por Suzane Von Richthofen e os irmãos Cravinhos. A indústria cultural, desde então, explorou diversas formas de recriar esse trágico evento, seja por meio de livros, podcasts ou no Cinema. Em 2021, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-wQyssgiDh4"><span style="font-weight: 400;">dois filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentaram uma nova abordagem, revelando a perspectiva de Suzane e a de Daniel Cravinhos, seu então namorado. Dois anos depois das primeiras adaptações cinematográficas, surge um novo capítulo com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Que Matou os Pais &#8211; A Confissão</span></i><span style="font-weight: 400;">, prometendo narrar os acontecimentos desde a noite do crime até o dia em que confessaram.</span></p>
<p><span id="more-33328"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme vem para completar a história dos antecessores </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina que Matou os Pais</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Menino que Matou Meus Pais</span></i><span style="font-weight: 400;">: não há novidade no caso, a diferença fica sobre como o ocorrido é mostrado aos espectadores. O longa apresenta os dias tensos que sucederam a noite do assassinato de Manfred e Marísia, pais de Suzane. Um terceiro olhar à história exibe todo o processo de investigação da polícia para entender como as mortes aconteceram a sangue frio até a confissão dos três envolvidos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="A Menina Que Matou Os Pais: A Confissão | Trailer Oficial | Prime Video" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Nsl90coKJpk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a popularização do </span><a href="https://vogue.globo.com/Mix-n-Max/noticia/2022/07/true-crime-entenda-como-esse-fenomeno-se-popularizou-no-audiovisual.html"><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, iniciou-se uma discussão sobre a glamourização de </span><i><span style="font-weight: 400;">serial killers</span></i><span style="font-weight: 400;"> e os crimes que marcaram. O ponto principal é articular sobre até que momento o indivíduo que o cometeu está sendo colocado como sofredor, tirando o lugar daqueles que realmente são vítimas e os colocando como sujeito principal, deixando de lado sua crueldade e violência. Em casos muito famosos como </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/12/irresistivel-face-do-mal-12-diferencas-entre-filme-e-vida-de-ted-bundy.html"><span style="font-weight: 400;">Ted Bundy</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Jeffrey Dahmer, que tiveram muitas obras criadas em torno de seus crimes, essa discussão foi muito ampliada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> lançou </span><a href="https://revistas.intercom.org.br/index.php/insolita/article/download/4615/2918/12472"><i><span style="font-weight: 400;">Dahmer: Um Canibal Americano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, surgiram muitos debates sobre se realmente havia necessidade de criar mais uma retratação de um caso que afetou e marcou a vida de tantas pessoas, já que a série foi acusada de mostrar o </span><i><span style="font-weight: 400;">serial killer</span></i><span style="font-weight: 400;"> como vítima em alguns momentos. Com </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/reportagens-especiais/o-que-3-filme-sobre-suzane-von-richthofen-mostra-sobre-o-caso/#cover"><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Que Matou os Pais &#8211; A Confissão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, não seria diferente levantar o questionamento se era necessário criar mais um capítulo para uma história que foi tão cruel e sensacionalizada pela mídia. Também não é diferente afirmar que mais uma vez um crime grave e cruel foi explorado para criar uma obra cinematográfica puramente mercadológica, visto o resultado raso do filme entre atuações e desenvolvimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o lançamento, um certo clamor foi gerado com a expectativa de que a direção e atriz principal conseguissem demonstrar a </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/narcisista-manipuladora-e-perversa-os-tracos-na-personalidade-de-suzane-von-richthofen.phtml"><span style="font-weight: 400;">dissimulação</span></a><span style="font-weight: 400;">, narcisismo, manipulação e frieza</span><span style="font-weight: 400;"> de Suzane, uma pessoa tão complexa, que conseguia demonstrar muitas características em um só momento. Carla Diaz, com certa diligência, representa as emoções de Richthofen em ocasiões marcantes para o ocorrido, como no </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/08/29/caso-richthofen-quem-e-quem-foto-filme.htm"><span style="font-weight: 400;">enterro dos pais</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual ela utilizou calça jeans e um cropped preto. No terceiro ato, temos uma atuação mais contida, tornando os acontecimentos mais convincentes.</span></p>
<figure id="attachment_33330" aria-describedby="caption-attachment-33330" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33330" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2.jpg" alt="Imagem retangular. O cenário da imagem é uma delegacia, no centro, Leonardo Bittencourt, um homem branco de curtos cabelos e sobrancelhas pretas. Ele usa uma camiseta de manga comprida preta com uma estampa na frente. Ao seu lado está a atriz Carla Diaz, uma mulher branca de cabelos e sobrancelhas loiras. Ela usa uma camiseta vermelha com uma bolsa em seu ombro direito." width="600" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-33330" class="wp-caption-text">O novo longa mostra como foi o processo de confissão do caso Richthofen (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><a href="https://entretenimento.r7.com/prisma/flavio-ricco/divisor-de-aguas-diz-leo-bittencourt-sobrefilme-do-caso-richthofen-03112023"><span style="font-weight: 400;">Leonardo Bittencourt</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Allan Souza Lima, em suas representações dos irmãos Cravinhos, têm desempenhos diferentes. Bittencourt não tem muita precisão em demonstrar o nervosismo que Daniel demandava naquele momento, diferentemente do representante de Cristian Cravinhos, que tem uma das melhores performances de todo elenco ao interpretar aquele que acabou influenciando em diferentes momentos da investigação. O ápice vem no terceiro ato, próximo da confissão, quando ele mostra com muita maestria como o ser humano se comporta sob pressão e nervosismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento do enredo escrito por Ilana Casoy e </span><a href="https://www.metropoles.com/celebridades/roteirista-revela-se-suzane-von-richthofen-recebeu-por-novo-filme"><span style="font-weight: 400;">Raphael Montes</span></a><span style="font-weight: 400;"> ocorre principalmente por meio da investigação do crime. Contudo, na segunda metade do filme, percebe-se uma aceleração em direção ao clímax, resultando em uma conduta que negligencia a exploração aprofundada dos detalhes da apuração do incidente. A habilidade da polícia em conectar todas as peças de um quebra-cabeça tão difícil é bruscamente simplificada, com base em pequenos descuidos dos personagens, o que pode parecer um tanto quanto duvidoso.</span></p>
<figure id="attachment_33329" aria-describedby="caption-attachment-33329" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33329" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1.jpg" alt=" Imagem retangular. No centro está Carla Diaz, caracterizada para seu personagem como Suzane von Richthofen. Ela é uma mulher branca, de cabelos loiros escuros e olhos castanhos escuros. Ela está sentada em uma cadeira, com os joelhos apoiados na cadeira e seus braços cruzados em cima dos joelhos. Usa uma calça cinza e uma blusa de manga comprida vermelha.  Em sua mão direita segura um cigarro. Ao fundo está  um armário de cor bordô que cobre todo o fundo da atriz." width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33329" class="wp-caption-text">Suzane von Richthofen arquitetou o plano que matou os seus pais em 2002 (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Filmes baseados em </span><a href="https://revistaesquinas.casperlibero.edu.br/arte-e-cultura/cinema/crime-camera-e-acao-qual-o-desafio-etico-de-producoes-true-crime/"><span style="font-weight: 400;">histórias reais</span></a><span style="font-weight: 400;">, especialmente aqueles que abordam crimes brutais como o caso Richthofen, são muito desafiadores. A tarefa é complexa e requer uma sensibilidade competente de toda a equipe envolvida. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Que Matou Os Pais &#8211; A Confissão</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais uma abordagem comercial e midiática do que uma criação de um testemunho significativo que honre a memória das verdadeiras vítimas.</span></p>
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		<title>A Menina que Matou os Pais regurgita clichês imperdoáveis</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Oct 2021 18:23:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista A destemida ideia de transformar em ficção o crime envolvendo a família Von Richthofen não poderia ser mais ousada. O conturbado cenário do Cinema nacional, que encontra no público do país um asco à qualquer obra que fuja dos “bons costumes” ou da comédia irreverente que a Globo germinou na última década, é &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-menina-que-matou-os-pais-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Menina que Matou os Pais regurgita clichês imperdoáveis"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23506" aria-describedby="caption-attachment-23506" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23506" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1.jpg" alt="Cena do filme A Menina que Matou os Pais. Nela, vemos Carla Diaz, branca e loira, de roupa vermelha, abraçando um porta retrato. A iluminação é azulada e ela tem uma expressão vazia no rosto." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23506" class="wp-caption-text">Com ótimas atuações de Carla Diaz e Leonardo Bittencourt, A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou Meus Pais narram duas versões do crime envolvendo Suzane von Richthofen, Daniel e Cristian Cravinhos (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2021/09/carla-diaz-comenta-como-foi-viver-richthofen-em-a-menina-que-matou-os-pais"><span style="font-weight: 400;">destemida ideia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de transformar em ficção o crime envolvendo a família Von Richthofen não poderia ser mais ousada. O conturbado cenário do Cinema nacional, que encontra no público do país um asco à qualquer obra que </span><a href="https://personaunesp.com.br/bacurau-critica/"><span style="font-weight: 400;">fuja dos “bons costumes”</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou da </span><a href="https://personaunesp.com.br/verlust-critica/"><span style="font-weight: 400;">comédia irreverente</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> germinou na última década, é carente de filmes corajosos o bastante para, na mesma moeda, adereçar temas sensíveis e fazê-lo ao alcance do grande público. Com isso, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KyhQNjR7zy4"><i><span style="font-weight: 400;">A Menina que Matou os Pais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já nasceu com promessa de grandeza. </span></p>
<p><span id="more-23505"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O argumento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bom-dia-veronica-critica/"><span style="font-weight: 400;">Raphael Montes e Ilana Casoy</span></a><span style="font-weight: 400;"> veio a partir dos </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-160708/#:~:text=N%C3%A3o%2C%20Suzane%20Von%20Richthofen%20n%C3%A3o,registradas%20em%20um%20caso%20p%C3%BAblico.&amp;text=J%C3%A1%20divulgamos%20que%20nenhum%20dos%20envolvidos%20est%C3%A1%20ganhando%20dinheiro%20com%20a%20produ%C3%A7%C3%A3o."><span style="font-weight: 400;">autos do julgamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Suzane von Richthofen, Daniel e Cristian Cravinhos, condenados pelo bárbaro crime que tomou parte quatro anos antes da sentença, na noite do </span><i><span style="font-weight: 400;">Halloween </span></i><span style="font-weight: 400;">de 2002. Se tratando de dois importantes e contraditórios discursos, a equipe por trás da obra decidiu por quebrá-la ao meio, sem ordem de exibição ou cronologia, fazendo essa divisão com base na visão de cada um dos réus. </span></p>
<figure id="attachment_23507" aria-describedby="caption-attachment-23507" style="width: 1265px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23507" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2.jpg" alt="Cena do filme A Menina que Matou os Pais. Nela vemos Daniel e Cristian Cravinhos, dois homens brancos e adultos, no quarto. Daniel está no chão e Cristian está deitado na cama, com a mão na nuca do irmão. " width="1265" height="760" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2.jpg 1265w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1200x721.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23507" class="wp-caption-text">Mauricio Eça tem os dois filmes da franquia Carrossel em seu currículo, e, comandando a turma da Escola Mundial, o diretor demonstrou mais controle narrativo do que com o true crime nacional (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Manobra inédita no Cinema brasileiro, a fagulha de criatividade já foi posta à prova em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AWOxtLOHpeo"><i><span style="font-weight: 400;">Dois Lados do Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Disappearance of Eleanor Rigby, </span></i><span style="font-weight: 400;">de</span> <span style="font-weight: 400;">2014), que faz uso da difusão narrativa em prol de um casal em processo de se apaixonar. Diferente da ideia original, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina que Matou os Pais</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-wQyssgiDh4"><i><span style="font-weight: 400;">O Menino que Matou Meus Pais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são filmes irmãos, um tanto parecidos demais, mas inevitavelmente complementares e repetitivos. Tanto é que a estratégia de lançamentos nas salas de cinema buscava a ideia da compra de </span><a href="https://vejasp.abril.com.br/blog/tudo-cinema/pague-1-ingresso-e-veja-os-2-filmes-sobre-suzane-von-richthofen/"><span style="font-weight: 400;">apenas um ingresso</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas que valeria para a “sessão completa” do drama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que ninguém previu foi </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/sessoes-vazias-em-cinemas-do-brasil-mostram-que-so-vacinacao-em-massa-salvara-setor-1-25048646"><span style="font-weight: 400;">a pandemia</span></a><span style="font-weight: 400;">, que lacrou as salas e atrasou o lançamento das obras por mais de um ano. Deu tempo da estrela Carla Diaz entrar no elenco do </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-brother-brasil-21-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Big Brother Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;"> 21</span></a><span style="font-weight: 400;">, engatar um romance, ser eliminada por conta desse rolo e </span><a href="https://www.google.com/search?q=carla+diaz+entra+no+bbb+21&amp;oq=carla+diaz+entra+no+bbb+21&amp;aqs=chrome..69i57.4320j0j4&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8"><span style="font-weight: 400;">sair antes da metade do programa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Deu tempo do burburinho dos filmes chegar à </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">aumentar e diminuir, deu tempo da antecipação bater no teto e despencar até o chão. Até que, de surpresa, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;"> anunciou que daria um lar aos macabros contos do crime que chocou o Brasil no começo do milênio.</span></p>
<figure id="attachment_23508" aria-describedby="caption-attachment-23508" style="width: 818px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23508" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3.png" alt="Cena do filme A Menina que Matou os Pais. Nela vemos Carla Diaz no banco do tribunal. Ela é branca, loira e usa uma blusa azul bebê." width="818" height="460" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3.png 818w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23508" class="wp-caption-text">À fim de evitar processos por uso indevido de imagem ou lucros para os assassinos, o roteiro foi escrito à risca com base no auto dos julgamentos dos réus, por isso os filmes não tiveram liberdade criativa para fugir das palavras ditas no tribunal (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina que Matou os Pais</span></i><span style="font-weight: 400;">, somos guiados pelo depoimento de Daniel (</span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2021/09/24/a-menina-que-matou-os-pais-como-filme-sobre-suzane-von-richthofen-se-dividiu-em-dois.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Leonardo Bittencourt</span></a><span style="font-weight: 400;">), no dia do julgamento, em meados de 2006. Dessa forma, os dois filmes começam no tribunal, com o mar de gente gritando profanidades e pedindo a cabeça do trio acusado. O roteirista </span><a href="https://www.livrobingo.com.br/raphael-montes"><span style="font-weight: 400;">Raphael Montes</span></a><span style="font-weight: 400;">, que fez seu nome escrevendo </span><a href="https://www.queriaestarlendo.com.br/2018/01/resenha-suicidas.html#:~:text=Suicidas%20%C3%A9%20uma%20leitura%20que,garante%20certo%20selo%20de%20qualidade."><span style="font-weight: 400;">romances policiais</span></a><span style="font-weight: 400;">, recomendou que </span><a href="https://www.dci.com.br/dci-mais/cinema-e-tv/filme-a-menina-que-matou-os-pais-saiba-qual-a-ordem-para-assistir/182806/"><i><span style="font-weight: 400;">O Menino</span></i><span style="font-weight: 400;"> fosse assistido antes</span></a><span style="font-weight: 400;">, para que o público primeiro se habituasse com uma Suzane anestesiada e perdida, para então dar </span><i><span style="font-weight: 400;">play</span></i><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina</span></i><span style="font-weight: 400;"> e se deparar com sua versão ardilosa e cabeça-quente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que de fato não exista um manual de como mergulhar nessa história, por experiência própria, é possível afirmar que começar por </span><i><span style="font-weight: 400;">O Menino</span></i><span style="font-weight: 400;"> oferece mais nuances às interpretações do casal principal. A dupla modula muito bem as emoções nesses </span><a href="https://www.primevideo.com/detail/0RNW90VC2ECX8B71EE8CSX90W9/ref=atv_hm_hom_1_c_8o26tb_awns_3_2"><span style="font-weight: 400;">oitenta minutos iniciais</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas as extrapola verdadeiramente na </span><a href="https://www.primevideo.com/detail/0LVOTHY4HCRCWLAY1KTDR0XQNH/ref=atv_hm_hom_1_c_8o26tb_awns_3_3"><span style="font-weight: 400;">uma hora e vinte seguinte</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se centra em uma Suzane venenosa e cheia de picos de raiva, tensão e êxtase. Bittencourt se beneficia dessa maratona, pelo fato de começar a história como um manipulador e terminá-la com a mesa invertida, quase arrependido de ter deixado se levar pela namorada.</span></p>
<figure id="attachment_23509" aria-describedby="caption-attachment-23509" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23509" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4.jpg" alt="Cena do filme A Menina que Matou os Pais. Nela vemos o casal principal, Suzane e Daniel, sentados em um banco de praça. Está de dia, ela está apoiada para frente, fumando, e ele está olhando para ela." width="700" height="466" /><figcaption id="caption-attachment-23509" class="wp-caption-text">O romance não é nada atrativo, mas, com uma boa direção, os filmes poderiam inverter a lógica comum e entregar uma interpretação corajosa e atrativa da história, fugindo do clichê monótono e repetitivo apresentado (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto obra de ficção, os filmes não esbaldam tamanha </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-bundy-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">liberdade artística</span></a><span style="font-weight: 400;"> que obras estrangeiras sobre assassinos capitalizam em cima por décadas a rodo, mas a história se adequa razoavelmente bem aos moldes do tribunal. Se Charlize Theron pode </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v70pNFdsBSg"><span style="font-weight: 400;">vencer um </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao dar vida à </span><a href="https://canalcienciascriminais.jusbrasil.com.br/artigos/326648853/aileen-wuornos-a-dama-da-morte"><span style="font-weight: 400;">Aileen Wuornos</span></a><span style="font-weight: 400;">, por que então fazer Cinema em cima da história de Suzane von Richthofen é visto como um passo para além do limite do bom senso? Carla Diaz, </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/menina-que-matou-os-pais-carla-diaz-rebate-criticas-sobre-papel-de-suzane-von-richthofen/"><span style="font-weight: 400;">em um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> à parte</span></a><span style="font-weight: 400;"> e completamente imersa na psique fragilizada de sua protagonista, surpreende positivamente, e dá o nome, carregando com vigor as quase três horas de duração das obras somadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe das interpretações, o problema dos filmes reside em sua concepção de nascença. É preciso um jogo de cintura e tanto para contar uma história cujo </span><a href="https://www.opovo.com.br/noticias/brasil/2021/09/29/o-que-aconteceu-com-andreas-von-richthofen-irmao-de-suzane.html#:~:text=A%20morte%20do%20casal%20Manfred,dos%20pais%20tinha%2015%20anos.&amp;text=A%20av%C3%B3%20faleceu%20quatro%20anos%20depois%20dos%20assassinatos."><span style="font-weight: 400;">desfecho é de conhecimento de um país inteiro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Imagine, então, contar essa história duas vezes, espelhando-a da maneira mais simplória e clichê possível. Carla Diaz vira a chave entre triste, louca ou má, operando ao que lhe é comandado. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Menino</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela é meiga e aérea, mas a peruca desidratada da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zssa-tdKfBk"><span style="font-weight: 400;">Anna Wintour</span></a><span style="font-weight: 400;"> que colocaram na atriz na cena do tribunal tira qualquer credibilidade visual da direção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Direção essa a cargo de </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/e-tudo-historia/a-menina-que-matou-os-pais-o-real-e-a-ficcao-nos-filmes-sobre-suzane/"><span style="font-weight: 400;">Mauricio Eça</span></a><span style="font-weight: 400;">, que insiste em um chove, não molha desconcertante, dando alicerce aos filmes seguindo as mesmas batidas narrativas, e filmando as cenas sob duas perspectivas, ou 8, ou 80. Por isso, quando o público capta a essência do filme 2 (seja lá qual for a sua ordem de exibição), a experiência de acompanhar o </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-160704/"><span style="font-weight: 400;">mesmo enredo duplicado</span></a><span style="font-weight: 400;"> diminui o impacto. O aspecto exaurido nas produções é o enlace romântico de Suzane e Daniel, explorado de maneira simples, maniqueísta e sem uma pitada de originalidade ou relevância.</span></p>
<figure id="attachment_23510" aria-describedby="caption-attachment-23510" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23510" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/5.jpg" alt="Cena do filme A Menina que Matou os Pais. Nela vemos Carla Diaz, mulher branca e loira, usando moletom vermelho e com os braços cruzados em cima dos joelhos, com cara de malvada. Ela segura um cigarro na mão e a parede atrás dela é laranja." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/5.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23510" class="wp-caption-text">Não, não foi a maconha que matou os pais, foi uma pessoa cheia de dimensões e problemas, que acabou reduzida ao estereótipo da Barbie drogada nos filmes de Mauricio Eça (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Carla Diaz faz </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-4Wu9EwqFIw"><i><span style="font-weight: 400;">cosplay</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chiquititas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> quando interpreta uma Suzane na faixa dos 15 anos, e a progressão temporal anula qualquer desenvolvimento de personagem que o público deseja. No filme de Daniel, Suzane é a vilã, a bruxa Keka e a mandante do crime. No filme de Suzane, ela apenas é a mocinha levada ao mau caminho pelo namorado delinquente. Não há profundidade no namoro, que se estende por anos, ou na personalidade dos retratados em tela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Astrogildo (Augusto Madeira) e Nadja (Debora Duboc) aliviam o clima dos filmes, injetando vitalidade aos pais de Daniel, que recebem Suzane de braços abertos e nutrem um carinho familiar por ela. No lado oposto, as </span><a href="https://jc.ne10.uol.com.br/cultura/2021/09/13607641-filmes-do-caso-von-richthofen-quem-estava-falando-a-verdade-e-o-que-a-justica-diz-sobre-o-caso.html#:~:text=De%20acordo%20com%20os%20filmes,possibilidade%20em%20depoimento%20%C3%A0%20pol%C3%ADcia."><span style="font-weight: 400;">vítimas do crime</span></a><span style="font-weight: 400;"> são interpretadas sem qualquer respaldo ou cuidado, deixando as cenas com Manfred (Leonardo Medeiros) e Marísia (Vera Zimmermann) repetidamente derivadas. O jovem Andreas, irmão caçula de Suzane e interpretado por Kauan Ceglio, não recebe uma migalha de história, e a característica mais marcante de sua passagem pelos filmes é o cabelo ruivo tingido com papel crepom. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cristian (Allan Souza Lima) se enquadra no clichê esperado do hétero dos anos 2000, que trabalha em um bico aqui e acolá, e insiste em fazer pegadinha com o irmão mais novo, ocasionalmente envolvendo ovos. A partir do momento que ele é inserido no plano do assassinato, o texto não se preocupa em satisfazer o público e mostrar o </span><a href="https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2021/09/25/retratado-em-filme-cristian-cravinhos-teve-pena-reduzida-em-149-dias-por-trabalho-na-prisao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">elo de irmandade entre os Cravinhos</span></a><span style="font-weight: 400;">. A passagem de irmãos delinquentes para irmãos criminosos não surte efeito nenhum em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina que Matou os Pais</span></i><span style="font-weight: 400;">. Suzane, visivelmente afetada pelo que diz respeito às caras e bocas de Diaz, manda, e os homens obedecem.</span></p>
<figure id="attachment_23511" aria-describedby="caption-attachment-23511" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23511" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-scaled.jpg" alt="Cena do filme A Menina que Matou os Pais. Nela vemos 4 pessoas brancas sentadas em um sofá. Todas são adultas, perto da meia idade. Da esquerda para direita estão Manfred, Marísia, Astrogildo e Nadja. " width="2560" height="1477" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-800x462.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-1024x591.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-768x443.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-1536x886.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23511" class="wp-caption-text">A direção franzina de Eça enfraquece as performances, que tem bons destaques, mas são reféns de um comando banal por trás das câmeras (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando, enfim, os filmes chegam ao “O Dia”, a descarga é apertada, relegando o crime a menos de vinte minutos de tela, combinadas as duas rodagens. É claro que, para uma obra</span><a href="https://jovemnerd.com.br/direto-do-bunker/o-que-e-o-true-crime-e-como-ele-tem-aparecido-cada-vez-mais-na-cultura-pop/"><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></a><span style="font-weight: 400;"> ser boa, sangue nenhum precisa ser espirrado na câmera (</span><a href="https://personaunesp.com.br/mindhunter-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mindhunter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> provou isso à exaustão), mas a saída não é segurar a expectativa por quase noventa minutos, para depois dar para trás e preferir o lúdico ao real. Ao passo que a iluminação brinca com tons saturados a fim de expressar o medo, a raiva e a conclusão, os filmes de Mauricio Eça pecam pela falta de pulso firme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a arrojada abordagem de dividir o crime ao meio e narrá-lo sob mundos diferentes fosse espelhada para as demais pontas da produção, estaríamos frente a uma obra rica e multifacetada. Mas a criatividade morre no berço, tornando a maratona de quase três horas em uma vitrola arranhada, nada viril e com pouco a dizer. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina que Matou os Pais</span></i><span style="font-weight: 400;"> evoca tropos que já deveriam estar enterrados no audiovisual. Ninguém precisa </span><a href="http://personaunesp.com.br/wandavision-critica/"><span style="font-weight: 400;">assistir a ruína de uma mulher “louca”</span></a><span style="font-weight: 400;">, vingativa ou assassina, motivada por um passado difícil e um presente mais complicado ainda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ou melhor, ninguém precisa assistir a mais uma versão clichê e batida dessa mesma narrativa. Todos os anos, cineastas e roteiristas proeminentes fazem </span><a href="https://personaunesp.com.br/historia-de-um-casamento-critica/"><span style="font-weight: 400;">uso do comum</span></a><span style="font-weight: 400;"> para revitalizar uma fórmula, injetando vida a essas histórias. Se depender do tato artístico e da pegada autoral da dupla de filmes, não importa se foi </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou </span><i><span style="font-weight: 400;">O Menino</span></i><span style="font-weight: 400;"> quem matou, o gênero do </span><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser enterrado no mesmo túmulo. </span></p>
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		<title>Bom dia, Verônica: sangue se paga com sangue</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2020 18:56:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Feminicídio, necrofilia, violência doméstica e golpes virtuais. É essa série de crimes que Ilana Casoy e Raphael Montes escolhem para desenvolver o mundo do sistema penal de Verônica Torres, escrivã na Delegacia de Homicídios da cidade de São Paulo. Bom dia, Verônica, o resultado final, foi lançado pela Darkside Books em 2016, quando &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bom-dia-veronica-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bom dia, Verônica: sangue se paga com sangue"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16035" aria-describedby="caption-attachment-16035" style="width: 1620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16035" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1.jpg" alt="" width="1620" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1.jpg 1620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Veronica-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16035" class="wp-caption-text">Depois do sucesso de Bom dia, Verônica, Tainá Müller fará mais duas séries policiais (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Feminicídio, necrofilia, violência doméstica e golpes virtuais. É essa série de crimes que Ilana Casoy e </span><a href="http://personaunesp.com.br/o-vilarejo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Raphael Montes</span></a><span style="font-weight: 400;"> escolhem para desenvolver o mundo do sistema penal de Verônica Torres, escrivã na Delegacia de Homicídios da cidade de São Paulo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Bom dia, Verônica</span></i><span style="font-weight: 400;">, o resultado final, foi lançado pela </span><a href="http://personaunesp.com.br/hex-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Darkside Books</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2016, quando seus autores ainda se</span> <a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,estado-revela-quem-e-a-dupla-que-escreveu-bom-dia-veronica,70002990216"><span style="font-weight: 400;">escondiam sob o pseudônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Andrea Killmore. Identidades reveladas, não demorou muito para conseguirmos uma adaptação – e ela chegou em outubro de 2020, pelas mãos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-16034"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida de Verônica se transformou completamente depois que seu pai, o delegado Júlio Torres, foi descoberto envolvido em um esquema de corrupção e, na hora de sua captura, foi baleado junto com sua esposa. A escrivã carrega nos pulsos o efeito que esse evento causou, mesmo que, na surdina, seu pai tenha sobrevivido – em estado vegetativo. Desde então, Verônica, que é interpretada por Tainá Müller na série, passa seus dias protocolando documentos e todas as burocracias que Wilson Carvana, delegado titular e amigo íntimo de seu pai, a pede. Frustrada com o cargo, não demora muito para nossa (anti?) heroína se deparar com um caso que a arrasta para o submundo das escórias de São Paulo.</span></p>
<figure id="attachment_16036" aria-describedby="caption-attachment-16036" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16036" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/2960480.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16036" class="wp-caption-text">Wilson Carvana é interpretado pelo experiente Antonio Grassi (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O estopim ocorre logo no início da obra. Marta Campos surge na delegacia aos prantos para falar com o delegado titular. Depois de ser desacreditada e ignorada, deixando claro a ineficiência do Estado em lidar com mulheres violentadas, Marta comete suicídio bem na frente de Verônica, que resolve tomar o caso para si, com ou sem aval de seu chefe. E é logo nesse momento que visualizamos a sede de justiça da protagonista no combate ao tratamento hostil que essas vítimas são obrigadas a encarar no momento da denúncia. Mesmo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Bom dia, Verônica</span></i><span style="font-weight: 400;"> se perca em suas próprias escolhas narrativas, ambas as Verônicas – do livro e da série – tomam para si a necessidade de vingar os casos que cruzam o seu caminho, na mesma moeda em que são cometidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Com o decorrer da trama, entram em cena Janete e seu marido, Tenente Coronel Cláudio Brandão. No livro, Janete é a única que divide a narrativa com Verônica, e não seria por menos – Brandão é um </span><a href="http://personaunesp.com.br/ted-bundy-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">serial killer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tirado direto das produções </span><a href="https://exitoina.uol.com.br/noticias/cinema/ted-bundy-a-irresistivel-face-do-mal-e-outros-filmes-baseados-em-assassinos.phtml"><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Depois que sua mulher atrai com propostas de emprego garotas jovens que acabaram de chegar na rodoviária, todas vindas do Norte do país, Brandão as leva para um </span><i><span style="font-weight: 400;">bunker </span></i><span style="font-weight: 400;">no meio da Serra da Cantareira e as tortura enquanto são penduradas por ganchos direto na pele. Janete ouve tudo com uma grande caixa de madeira em sua cabeça, que só tem buracos na direção dos ouvidos. O arco do casal é o mais envolvente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bom dia, Verônica</span></i><span style="font-weight: 400;">, abrindo feridas gigantescas na memória brasileira – um país </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2019/03/08/no-brasil-uma-mulher-e-morta-a-cada-duas-horas-vitima-da-violencia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">onde</span></a><span style="font-weight: 400;">, a cada duas horas, uma mulher é morta vítima de violência.</span></p>
<figure id="attachment_16037" aria-describedby="caption-attachment-16037" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-2.jpg" alt="" width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-2.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-2-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16037" class="wp-caption-text">Janete se torna uma prisioneira dentro da própria casa, da própria vida (Foto: SUZANNA TIERIE/NETFLIX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Camila Morgado foi a escolhida para dar vida a Janete na adaptação da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigida por  Izabel Jaguaribe, Rog de Souza e José Henrique Fonseca. A submissão e o medo da esposa, que é constantemente agredida e humilhada, está em cada olhar de esguelha ou postura curvada que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j8R_iNq-hTc"><span style="font-weight: 400;">Morgado</span></a><span style="font-weight: 400;"> imprimi em tela, gerando a empatia e o desespero do espectador – ou, de forma mais íntima, da espectadora. Janete é mais uma vítima de uma sociedade machista, com um marido que a afastou de sua família e de qualquer fonte de confiança para quem ela poderia denunciar. Não é surpresa que a mulher veja Verônica como um porto seguro, repleta da paciência e sensibilidade necessárias para lidar com uma situação desse nível de perigo.</span></p>
<p><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/eduardo-moscovis-o-machismo-e-cruel-e-doloroso/"><span style="font-weight: 400;">Eduardo Moscovis</span></a><span style="font-weight: 400;"> divide as cenas com Morgado, interpretando o sádico Brandão. Sua crueldade é impressionante, e cada vez que Moscovis entra em cena, a tensão o acompanha intrinsecamente. Não há como relaxar com Brandão ao seu lado. Todo diálogo com Janete vira um jogo entre gato e rato – ele a encurrala, oprimi, diminui. A calma assustadora e controlada que cerca Brandão foi um desafio difícil para o ator, que não podia extravasar em decorrência do espectro comedido e covarde do personagem, que mal sobe o tom de voz ameaçador que dirige a esposa.</span></p>
<figure id="attachment_16039" aria-describedby="caption-attachment-16039" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16039" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2.jpg" alt="" width="1400" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2-300x171.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2-1024x585.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2-768x439.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bom-dia-veronica-920-1400x800-2-1200x686.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16039" class="wp-caption-text">A Caixa que assombra todos os pesadelos de Janete (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É com essa figura imponente da Polícia Militar que Verônica resolve bater de frente. No entanto, durante a leitura da obra, podemos ver uma policial que está mais preocupada em concluir o caso sozinha do que salvar Janete, de fato. A atitude irresponsável e egocêntrica da Verônica literária em diversas situações coloca ainda mais em risco a vida de quem ela tenta proteger a todo custo. Tainá Müller com certeza deu mais carisma para a personagem, mas a mudança foi brusca, como se para transformar a protagonista em uma versão mais “limpa” do que era, mais atrativa para os espectadores. Na adaptação, Verônica tem um bom relacionamento com a família, rejeita as investidas de companheiros de trabalho e preza, acima de tudo, pela segurança das vítimas que conhece. Atitudes que a escrivã do livro está muito longe de ter.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As obras dialogam bem entre si, com </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/fefito/2020/10/05/bom-dia-veronica-conheca-as-diferencas-entre-o-livro-e-a-serie.htm"><span style="font-weight: 400;">mudanças</span></a><span style="font-weight: 400;"> pontuais que excluíram arcos toscos e mal trabalhados. Nas páginas, Gregório, o golpista do </span><i><span style="font-weight: 400;">site Amor Ideal</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um adepto da necrofilia – fato que, de início, causa grande impacto no leitor, mas, no fim, só serve para certas escolhas serem mais fáceis e convenientes para Verônica. Colocar um assunto tão desconfortável e incômodo, sabendo que mulheres não alcançam a paz nem depois de mortas, e, depois, descartá-lo de maneira extremamente pobre sem muitas consequências é uma atitude curiosa de Casoy e Montes, ambos escritores já reconhecidos quando se trata de literatura policial e de terror.</span></p>
<figure id="attachment_16040" aria-describedby="caption-attachment-16040" style="width: 1016px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16040" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Capa-Livro.jpg" alt="" width="1016" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Capa-Livro.jpg 1016w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Capa-Livro-298x300.jpg 298w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Capa-Livro-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Bom-Dia-Capa-Livro-768x774.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16040" class="wp-caption-text">A capa original do livro, com foco nos passarinhos de Brandão (Foto: DarksideBooks)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelos méritos do roteiro, a necrofilia foi removida e a história de Gregório deixada um pouco de escanteio, com um final semelhante, mas muito mais satisfatório e inteligente. A própria trama que envolve o esquema de corrupção de diversas fontes de poder não existe no livro, mas foi uma adição bem sacada à série, que garantiu que o final dos oito episódios fosse muito mais condizente do que o final das 256 páginas. Por outro lado, Anita, interpretada pela belíssima e competente Elisa Volpatto, destoa um pouco desse lado positivo. Criada para a série, parece que a personagem só foi adicionada para, constantemente, fazer oposição a Verônica, sendo uma antagonista sem nenhuma faceta além da aparente maldade e falta de comprometimento com seu cargo de delegada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora escolhida para a trajetória da escrivã não poderia ter sido melhor. Se em </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/a-musica-serve-para-denunciar-para-gritar/"><i><span style="font-weight: 400;">Maria da Vila Matilde</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, hino contra o feminicídio, Elza Soares afirma que </span><i><span style="font-weight: 400;">cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim</span></i><span style="font-weight: 400;">, Verônica está determinada a marcar esse arrependimento em seus demônios. As músicas complementam cada final de episódio, desde </span><i><span style="font-weight: 400;">Cabeça-Dinossauro</span></i><span style="font-weight: 400;">, clássico do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">nacional dos Titãs, até a romântica </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, do mestre </span><a href="http://personaunesp.com.br/belchior-quarenta-anos-alucinacao/"><span style="font-weight: 400;">Belchior</span></a><span style="font-weight: 400;">. As faixas contam histórias em parceria com os grandes momentos que elas entoam. </span></p>
<figure id="attachment_16043" aria-describedby="caption-attachment-16043" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16043 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1600722222735.jpg" alt="" width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1600722222735.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1600722222735-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1600722222735-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1600722222735-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16043" class="wp-caption-text">Montes e Casoy na delegacia da série, ambos participaram da criação da adaptação (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada da série ainda não foi confirmada, mas, devido à grande aceitação do público, podemos esperar que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">dê uma chance para fortalecer as produções nacionais, visto que Ilana Casoy e Raphael Montes já confirmaram uma sequência para o livro. Acompanharemos uma Verônica loira e justiceira lidando com seus inimigos do próprio jeito, independente do sangue derramado. Se a continuação é necessária, cabe a cada um a resposta. Mas o cenário policial brasileiro é, com certeza, um bom palco para tramas mirabolantes de ficção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os ferrenhos defensores que acreditam que o livro é sempre melhor que sua adaptação, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bom dia, Verônica</span></i><span style="font-weight: 400;"> prova o contrário. Apesar de ser uma obra literária rica, o formato de série conseguiu deixar a narrativa mais interessante com suas mudanças e minimizar os defeitos marcantes que estão presentes em suas páginas. A violência contra a mulher é um problema de todos e deve ser combatida enfaticamente. Se você está ou conheça alguém que esteja nessa situação, denuncie. Não se cale, porque, mesmo na ficção, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2020/10/10/janete-te-deixou-com-raiva-em-bom-dia-veronica-entao-voce-nao-entendeu.htm"><span style="font-weight: 400;">Janete</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é um caso isolado. </span><a href="https://www.gov.br/pt-br/servicos/denunciar-e-buscar-ajuda-a-vitimas-de-violencia-contra-mulheres"><span style="font-weight: 400;">Disque 180</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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