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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Quem são as mães das filhas perdidas?</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Mar 2022 15:40:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Dos tipos de representações que temos em relação à maternidade no Cinema e na TV, podemos citar vários. A mãe superprotetora, a mandona, a descolada, e, é claro, a clássica mãe que abdica de todas as suas vivências pessoais pelas conquistas dos filhos, ou até mesmo para encontrá-los no mundo. Pense em quantas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-filha-perdida-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quem são as mães das filhas perdidas?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26968" aria-describedby="caption-attachment-26968" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-26968" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-800x450.jpg" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, a atriz Jessie Buckley, que interpreta Leda, está abraçando duas meninas, em que não é possível ver seus rostos. Jessie é uma mulher branca, de cabelos castanhos claros. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956.jpg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26968" class="wp-caption-text">Após levar o Leão de Ouro de Melhor Roteiro em Veneza, A Filha Perdida garantiu 3 indicações no Oscar 2022 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Silva</b></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Dos tipos de representações que temos em relação à maternidade no Cinema e na TV, podemos citar vários. A mãe superprotetora, a mandona, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/gilmore-girls-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">descolada</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, é claro, a clássica mãe que abdica de todas as suas vivências pessoais pelas conquistas dos filhos, ou até mesmo para </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-de-mae-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontrá-los no mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Pense em quantas personagens mães você conhece, e quantas delas não estão associadas diretamente ao papel materno que as nutre. E, quando o renegam, na maior parte das vezes são movidas por uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">maldade sobrenatural</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou pela construção de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/enrolados-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">aspecto vilanesco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua personalidade. Afinal, que tipo de mãe não amaria seus filhos incondicionalmente?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Transpondo para a realidade, a retórica continua a mesma. Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a misteriosa Elena Ferrante mergulha por inteiro neste que é apenas um dos papéis da feminilidade presentes em sua Literatura. E Maggie Gyllenhaal decide abraçar a mesma narrativa para construir o que seria a sua primeira obra na direção. A trama do filme homônimo segue Leda, interpretada pela magnífica </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><span style="font-weight: 400;">Olivia Colman</span></a><span style="font-weight: 400;">, que decide passar um período em uma ilha paradisíaca da Grécia, após deixar suas duas filhas, Bianca e Martha, com o ex-marido no Canadá.</span></p>
<p><span id="more-26967"></span></p>
<figure id="attachment_26974" aria-describedby="caption-attachment-26974" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-26974" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2-800x453.jpg" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, a atriz Olivia Colman, que interpreta Leda, está olhando para trás, por cima do seu ombro direito. Leda é uma mulher branca de meia-idade, de cabelos castanhos curtos; ela veste um maiô azul-marinho. " width="800" height="453" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2-800x453.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2-1024x580.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2-768x435.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26974" class="wp-caption-text">Olivia Colman é uma das atrizes da atualidade que carrega uma das melhores carreiras pós-vitória no Oscar, somando 3 indicações e 1 vitória nos últimos 4 anos de premiação (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aproveitando o tempo consigo mesma, suas pacatas férias acabam sendo tomadas por lembranças antigas apenas pela súbita chegada de uma família no local. Nela, conhece Nina (Dakota Johnson) e sua filha Elena (Athena Martin Anderson), que de imediato desencadeiam memórias da protagonista em relação a sua própria experiência materna, o que a leva a uma estranha obsessão pela jovem mãe. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sinopse ou o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s63AZRGzUtc"><i><span style="font-weight: 400;">trailer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do filme podem enganar, por também não ser simples traduzir em poucas palavras ou minutos a </span><a href="https://azmina.com.br/colunas/elena-ferrante-por-que-so-se-fala-nela/"><span style="font-weight: 400;">hipnotizante experiência que Elena Ferrante criou</span></a><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">. Assim como o livro, a produção não tem grandes ganchos narrativos, que prendem a atenção pelo desfecho ou em acompanhar as conquistas da personagem. Aliás, o que a obra mais faz é deixar finais de seus capítulos em aberto, o que foi fidelizado nas cenas do longa. Se podemos definir o que de fato fixa nossos olhos na tela, só poderia ser o trabalho de Olivia Colman. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/retrato-omelete-olivia-colman-de-diarista-a-rainha-elizabeth-nas-telas"><span style="font-weight: 400;">vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> compõe a peculiar Leda de forma que parecemos estar lendo letra por letra das descrições de Ferrante. Unida à atuação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estou-pensando-em-acabar-com-tudo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jessie Buckley</span></a><span style="font-weight: 400;">, que interpreta a versão mais jovem da protagonista, criam, juntas, um dualismo perfeito das mudanças sofridas nas fases da vida da professora. Tudo isso não seria possível sem a condução de Gyllenhaal, tanto pelas lentes quanto pela escrita do roteiro, que consegue traduzir até mesmo as entrelinhas da obra da escritora napolitana em frente aos nossos olhos. O que não é uma tarefa nem um pouco fácil, tendo em vista a composição de fluxos de consciência em que a história original foi construída. </span></p>
<figure id="attachment_26972" aria-describedby="caption-attachment-26972" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-26972" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-800x475.jpg" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, está a atriz Dakota Johnson, que interpreta Nina, deitada em uma espreguiçadeira na praia, olhando para o lado. Nina é uma mulher branca, de cabelos escuros e compridos; ela veste um maiô colorido." width="800" height="475" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-800x475.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-1024x608.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-768x456.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-1536x912.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-1200x712.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter.jpg 1654w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26972" class="wp-caption-text">Enquanto Colman foi deixada para escanteio, Buckley conseguiu uma indicação ao BAFTA como Melhor Atriz Coadjuvante (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não demora muito para a aproximação entre Leda e Nina ter uma virada de chave, quando a protagonista decide roubar a boneca da pequena Elena. E, assim, engata no acontecimento que perdura como pano de fundo durante toda a produção. A recepção para quem assiste </span><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode vir como uma avalanche de quebras de expectativas, talvez por esperar que a família de Toni (</span><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/"><span style="font-weight: 400;">Oliver Jackson-Cohen</span></a><span style="font-weight: 400;">), marido de Nina, apontada como perigosa por motivos nunca declarados, fosse realizar algum ato direto contra a personagem; alguma filha fosse ser, de fato, perdida, ou qualquer outra reviravolta que em concepções gerais seja considerada crucial para o desenrolar da narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o resultado final não poderia ser outro. Tanto a obra de Ferrante quanto de Gyllenhaal é composta por dosagens significativas de simbolismos, que, no cerne da palavra, não precisam ser entregues de bandeja. Diante disso, a provocação pela busca de respostas é gritante. Afinal, por que Leda decidiu roubar a boneca? Foi por inveja da relação de Nina com Elena? Como forma de ensinamento por a jovem ter cometido os mesmos erros que ela durante seu casamento? Ou até mesmo para tirar de Elena a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G3yLgETnBBo"><span style="font-weight: 400;">imposição do anseio materno</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ela tanto negou durante a vida? </span></p>
<figure id="attachment_26975" aria-describedby="caption-attachment-26975" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26975" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-800x450.jpeg" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, vemos uma boneca, que está sendo segurada pelas mãos de Leda. A boneca é branca, com cabelos castanhos claros e veste um vestido azul claro." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26975" class="wp-caption-text">Maggie Gyllenhaal já havia sido indicada ao careca dourado anteriormente, mas por sua atuação em Coração Louco, em que interpreta uma mãe solo (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sentir qualquer empatia ou apego pela história da protagonista não é algo natural quando analisamos a narrativa apenas pelo que ela nos entrega explicitamente. Mesmo que com a frieza amenizada pela interpretação de Colman, Leda não é agradável, quem dirá simpática. Não podemos esperar qualquer afeição positiva por uma mulher de meia-idade que decide viajar sozinha apenas para gozar de sua liberdade. Ao decorrer da história, também descobrimos que afeto nenhum poderia vir por uma mãe que abandonou suas filhas por três anos e sentiu que </span><i><span style="font-weight: 400;">“foi maravilhoso”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo que seu ex-marido tivesse realizado feito semelhante somando os finais de semana que precisava viajar a trabalho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A regra é clara, e a personagem Nora Fanshaw, que rendeu um </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">para Laura Dern em </span><a href="https://personaunesp.com.br/historia-de-um-casamento-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">História de um Casamento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, resume bem: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nós os amamos (os pais) por suas falhas, mas as pessoas absolutamente não aceitam essas mesmas falhas nas mães. Não a aceitamos estruturalmente e não a aceitamos espiritualmente. Porque a base da nossa baboseira judaico-cristão é Maria, Mãe de Jesus, e ela é perfeita”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Se formos avaliar a cinematografia como um todo, a figura da mulher adulta é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kkM_kbZbRVY"><span style="font-weight: 400;">inerente à questão materna</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se ela não tem filhos, por que não quer ter? E, se tem, onde eles estão?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que isso, é algo intocável. E, é claro, que o mesmo não é comparável aos pais. Na Televisão, basta contestar o fato do porquê costumam estranhar a falta dos comentários ou ações de Midge (Rachel Brosnahan) em relação aos seus filhos em </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-marvelous-mrs-maisel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Marvelous Mrs. Maisel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto personagens masculinos como Kendall Roy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jeremy Strong</span></a><span style="font-weight: 400;">), de </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i><span style="font-weight: 400;">, sequer são lembrados como pai ou contestados por sua presença nada paterna. Mesmo com todas as suas questões, Bianca e Martha continuam sendo a principal referência de Leda para qualquer aspecto. Quando conversa com Will (</span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;">) e ele conta a sua idade, a primeira coisa que ela faz é associar a de sua filha. O papel materno que lhe foi empurrado goela abaixo a vida inteira continua sendo intrínseco a ela. </span></p>
<figure id="attachment_26973" aria-describedby="caption-attachment-26973" style="width: 1400px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26973" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-lost-daughter-dancing-1.webp" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, Leda, interpretada por Olivia Colman, está dançando em uma festa com Lyle, interpretado por Ed Harris. Leda é uma mulher branca de meia-idade, com cabelos castanhos curtos e escuros, ela usa um vestido rosa de mangas compridas. Lyle é um senhor branco, ele usa uma boina marrom, um casaco marrom escuro, e calças bege claro. É possível ver outros casais dançando ao redor deles. " width="1400" height="700" /><figcaption id="caption-attachment-26973" class="wp-caption-text">Essa edição marca a primeira vez que duas atrizes concorrem ao Oscar pela mesma personagem em um mesmo filme (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua estreia, o que Maggie Gyllenhaal faz é digno de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar+2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A primazia com que transpôs a narrativa de Ferrante, e até deu novos significados a ela, ganhou sua merecida indicação em Roteiro Adaptado. A profundidade de Leda em tela também, em dose dupla, com Olivia Colman, que já virou figurinha carimbada na premiação, e Jessie Buckley estreando na categoria. No circuito independente, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Lost Daughter</span></i><span style="font-weight: 400;"> levou a melhor nas principais premiações do meio, o </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-162650/"><i><span style="font-weight: 400;">Spirit</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://ew.com/awards/2022-gotham-awards-winners-list/"><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No </span><a href="https://www.omelete.com.br/festival-de-veneza/festival-veneza-vencedores"><span style="font-weight: 400;">Festival de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;">, a diretora ainda ganhou Melhor Roteiro, sinalizando um vindouro reconhecimento da indústria para seu trabalho atrás das câmeras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A genialidade da narrativa nós deixamos para Ferrante, mas o trabalho sagrado de popularizar ela tem o mérito total de Gyllenhaal. Das representações maternas que temos culturalmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das únicas que encara a questão com sinceridade e respeito a quem ocupa aquele lugar. Apesar da falta de representatividade no audiovisual, Leda está em todos os lugares, com as imperfeições, traumas e dificuldades que carrega. Daí a coragem de Olivia, Jessie, Dakota, Maggie e Elena em conseguirem retratar uma figura com tanta honestidade. De mães, e também filhas perdidas. </span></p>
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		<title>História de um Casamento é quase um pesadelo</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Dec 2019 23:30:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista O novo filme de Noah Baumbach pode ser caracterizado como o reflexo honesto de um grande pavor do ser humano: o de acabar ciclos. A grande estrutura familiar que desmorona, a mudança entre cidades e o fim de uma relação que se constrói em diversas facetas e camadas, aqui temos amor, amizade, dor, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/historia-de-um-casamento-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "História de um Casamento é quase um pesadelo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_13175" aria-describedby="caption-attachment-13175" style="width: 1342px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13175" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/1-1.jpg" alt="" width="1342" height="644" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/1-1.jpg 1342w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/1-1-300x144.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/1-1-768x369.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/1-1-1024x491.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/1-1-1200x576.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13175" class="wp-caption-text">O filme é uma das grandes apostas da Netflix para a temporada de premiações (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo filme de Noah Baumbach pode ser caracterizado como o reflexo honesto de um grande pavor do ser humano: o de acabar ciclos. A grande estrutura familiar que desmorona, a mudança entre cidades e o fim de uma relação que se constrói em diversas facetas e camadas, aqui temos amor, amizade, dor, medo. O diretor cria um </span><i><span style="font-weight: 400;">‘pesadelo’</span></i><span style="font-weight: 400;"> à luz do dia quando conta o </span><a href="https://www.nytimes.com/2019/11/27/movies/marriage-story-noah-baumbach.html"><span style="font-weight: 400;">fim do matrimônio</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre Nicole (Scarlett Johansson) e Charlie (Adam Driver). </span><i><span style="font-weight: 400;">História de um Casamento</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, acima de tudo, sobre como lidamos com sentimentos que não cabem mais onde estavam.</span></p>
<p><span id="more-13174"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Noah Baumbach (</span><i><span style="font-weight: 400;">Frances Ha</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mistress America</span></i><span style="font-weight: 400;">) </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2019/11/jennifer-jason-leigh-likes-marriage-story-according-to-noah-baumbach"><span style="font-weight: 400;">encerrou em 2013</span></a><span style="font-weight: 400;"> sua relação com a atriz Jennifer Jason Leigh, com quem teve um filho. E, mesmo que o cineasta negue o fator autobiográfico da obra, ele admite que </span><i><span style="font-weight: 400;">História de um Casamento</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Marriage Story</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original) é um trabalho pessoal. E como isso </span><a href="https://scarlettjohanssonbrasil.com/entrevista-elenco-de-marriage-story-fala-sobre-a-criacao-do-filme/"><span style="font-weight: 400;">significa muito mais</span></a><span style="font-weight: 400;">. A filmografia de Baumbach, como um todo, sempre estudou as relações interpessoais de casais norte-americanos à flor da juventude. Por mais que as problemáticas abordadas agora possam soar superficiais ou desprovidas de pesos, o filme ilustra muito bem uma leitura franca de amor e frustração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A começar pelo tom que ele dá início ao filme. Uma colagem de momentos, uma narração em </span><i><span style="font-weight: 400;">off </span></i><span style="font-weight: 400;">que lista o que um cônjuge ama no outro. Enquanto Baumbach nos apresenta seus dois protagonistas, por trás das cortinas ele mostra por onde foi se </span><a href="http://scarlettjohanssonbrasil.com/marriage-story-noah-baumbach-conta-sobre-como-seu-filme-extremamente-pessoal-se-tornou-seu-mais-ambicioso/"><span style="font-weight: 400;">esvaindo</span></a><span style="font-weight: 400;"> o sentimento que uma vez os uniu. Quando o plano finalmente corta para o presente, Adam Driver e Scarlett Johansson estão distantes. Tanto física quanto emocionalmente. Separados por sofás pastéis e pela luz incólume da fria Nova Iorque que inunda o consultório médico em que se encontram, eles estão separados, também, por um terapeuta que lida com divórcios.</span></p>
<figure id="attachment_13176" aria-describedby="caption-attachment-13176" style="width: 1700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13176" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/2-1.jpg" alt="" width="1700" height="1022" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/2-1.jpg 1700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/2-1-300x180.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/2-1-768x462.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/2-1-1024x616.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/2-1-1200x721.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13176" class="wp-caption-text">Baumbach e sua atual parceira, Greta Gerwig, são concorrentes esse ano na temporada de prêmios; ela é a diretora de Adoráveis Mulheres (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na escolha de fisgar o espectador com resquícios de uma relação amorosa em seu auge, o diretor (que também assina o roteiro do filme) dá as cartas da produção que está por vir: para olharmos e entendermos uma união, seu fim é tão primordial quanto seu início. Muito pode ser dito e ouvido sobre casamentos no momento </span><a href="https://www.indiewire.com/2019/11/noah-baumbach-says-ex-wife-jennifer-jason-leigh-likes-marriage-story-1202191821/"><span style="font-weight: 400;">que acabam</span></a><span style="font-weight: 400;">. A advogada Nora (Laura Dern) é essencial para comprovar essa máxima, abrindo os olhos de Nicole ao oferecer uma visão de fora para toda a situação. Um filme com </span><a href="https://www.diariodecanoas.com.br/noticias/regiao/2019/12/05/scarlett-johansson-faz-drama-em-um-dos-melhores-filmes-que-voce-vai-ver-em-2019.html"><span style="font-weight: 400;">várias interpretações e olhares</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">História de um Casamento</span></i><span style="font-weight: 400;"> em momento algum se mostra imparcial ou cinzento quanto a que lado tomar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com a preferência do pequeno Henry (Azhy Robertson) pela mãe,</span><i><span style="font-weight: 400;"> ‘he’s in a mommy phase, sorry’</span></i><span style="font-weight: 400;"> pontua Nicole a certo momento, o filme parece sempre pender para o lado de Charlie. Embora tratando-se de uma abordagem masculina e pessoal de uma história quase baseada em fatos, a produção nunca vilaniza a personagem de Johansson ou coloca uma auréola no de Driver, todavia, o espectador tem a oportunidade de ponderar sobre as atitudes dos personagens. Esse pequeno elemento só realça uma vontade de conferir essa mesma crônica </span><span style="font-weight: 400;">sob a <a href="https://www.goldderby.com/article/2019/greta-gerwig-little-women-noah-baumbach-marriage-story-best-director-oscar/">ótica </a>da mulhe</span><span style="font-weight: 400;">r; quem sabe um dia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a chegada da temporada de premiações, os filmes concorrentes podem ser divididos em seletos grupos. Existem as produções carregadas em </span><a href="http://personaunesp.com.br/o-irlandes-critica/"><span style="font-weight: 400;">atuação</span></a><span style="font-weight: 400;">, as pautadas em </span><a href="http://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">roteiro e direção</span></a><span style="font-weight: 400;"> e aquelas que se esbaldam nos setores técnicos do cinema, como fotografia, </span><a href="http://personaunesp.com.br/rocketman-critica/"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção. </span><i><span style="font-weight: 400;">História de um Casamento</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode se alavancar em qualquer uma dessas designações. O peso do elenco é o que dá sustância às duas horas e quinze minutos de duração. O roteiro e a direção de Noah Baumbach são assertivos ao pentearem uma narrativa brutal e injusta, mas sempre dosando humor e leveza em pequenos momentos. E todo o aparato técnico estrala excelência. </span></p>
<figure id="attachment_13177" aria-describedby="caption-attachment-13177" style="width: 1131px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13177" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3-1.jpg" alt="" width="1131" height="645" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3-1.jpg 1131w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3-1-300x171.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3-1-768x438.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3-1-1024x584.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13177" class="wp-caption-text">Quando Baumbach convidou Johansson para participar do projeto, a atriz também estava passando por um divórcio (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Scarlett Johansson é uma atriz de teatro que sempre viveu à sombra do marido diretor. A construção de sua Nicole é cirúrgica ao não demonstrar essa sensação de segundo plano logo de cara. Apenas quando ela marca a reunião com a advogada que as linhas se ligam e ela percebe o tamanho da ferida que cauterizou ao longo dos anos de casamento. Ferida essa que se abre quando ela recebe a oportunidade de voltar a morar em Los Angeles para estrelar um seriado. A atriz </span><a href="https://www.goldderby.com/feature/greatest-20-living-actresses-never-nominated-oscar-scarlett-johansson-emily-blunt-1203032396/"><span style="font-weight: 400;">remói sentimentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> afogados, amarga palavras não ditas e ainda consegue convencer ao gritar com Charlie, mas é sincera também ao ouvi-lo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão geográfica Los Angeles e Nova Iorque é o que mais machuca Charlie. Sem considerar a guarda de Henry, é claro. Adam Driver, que foi um ator em ascensão anos atrás, agora </span><a href="https://exitoina.uol.com.br/noticias/famosos/adam-driver-e-uma-das-apostas-para-finalmente-vencer-o-oscar-2020.phtml"><span style="font-weight: 400;">reafirma seu talento</span></a><span style="font-weight: 400;">. Multifacetado, sem dúvidas ele é merecedor de receber a estatueta de Melhor Ator no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">do ano que vem. Seu diretor de teatro Charlie, por outro lado, passeia entre o individualismo e a negação. </span><i><span style="font-weight: 400;">‘We’re a New York family</span></i><span style="font-weight: 400;">’, ele repete uma porção de vezes. Um personagem como Charlie é duro de trabalhar por alguns motivos. O primeiro é cair no comodismo ou numa performance barata e fora de tom. A outra dificuldade é a de construir uma ponte que una empatia e julgamento, tanto para o público que assiste o filme quanto para os personagens que o vive. E Adam Driver se sai bem na demonstração de um homem que não consegue mais estar no controle da situação. Se, no teatro, era ele quem dava as cartas, agora na vida real, as variáveis se complicam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre Charlie e Nicole, amorosa e profissional, é amálgama poderosa das pessoas que eles são no presente. E a inevitável ruptura dessa unidade reverbera em frontes distintas. A cena da brincadeira com a faca é precisa ao ilustrar o estado que um fica sem o outro. Longe de Nicole, Charlie é desatento e suscetível a se machucar. O filme metaboliza quase uma representação cartunesca do casamento entre eles. O inverso da </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Kryptonita"><i><span style="font-weight: 400;">kryptonita</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e do </span><i><span style="font-weight: 400;">Superman</span></i><span style="font-weight: 400;">, sem a esposa, sua vulnerabilidade aflora. E ele faz de tudo para que Henry não pesque nenhum desses elementos. Talvez nas nuances entre suas reações ao mundo lá fora <em>versus</em> seu comportamento com o filho, Driver é uma força da natureza. Ele encontra espaço até para cantar, numa sequência sem cortes, crua e que diz muito sobre evolução, sobre seguir em frente e também sobre como lidar com pesadelos.</span></p>
<figure id="attachment_13178" aria-describedby="caption-attachment-13178" style="width: 1846px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13178" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/4.png" alt="" width="1846" height="1077" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/4.png 1846w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/4-300x175.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/4-768x448.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/4-1024x597.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/4-1200x700.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13178" class="wp-caption-text">Adam Driver já trabalhou com Baumbach nos filmes Frances Ha e Enquanto Somos Jovens (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">‘This will be all over soon’</span></i><span style="font-weight: 400;">, o advogado vivido por Alan Alda assegura a Charlie. A frase dita sobre o processo de divórcio do casal, também se adequa aos </span><a href="https://www.megacurioso.com.br/ciencia/104755-por-que-temos-pesadelos.htm"><span style="font-weight: 400;">pesadelos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que experienciamos. O diretor opta por narrar sua melancólica crônica sem diálogos expositivos ou uma passagem de tempo mastigada para a audiência. Esses ‘respiros’ entre as cenas vem na base um leve </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kChufwXcOKo"><i><span style="font-weight: 400;">fade-out</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span></a><span style="font-weight: 400;"> que apaga e tela e a acende logo em seguida. Quase como um fuga, uma espécie de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-41747085"><span style="font-weight: 400;">retomada da consciência</span></a><span style="font-weight: 400;"> para então depois voltar ao estado de sonolência. Essa escolha narrativa-estética denota um inconsciente de Noah Baumbach, que todos os acontecimentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">História de um Casamento</span></i><span style="font-weight: 400;"> poderiam facilmente caracterizar um sonho ruim. E o pior de tudo é que não há escapatória, é apenas a vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cinematografia de Robbie Ryan realça o lado onírico do filme ao filmar estático os cenários coloridos em tons pastéis. Uma sensação de latência ecoa pelos ângulos abertos, quase pinturas, que anestesiam quem assiste. A iluminação repercute a limpeza e a nitidez dos fatos roteirizado por Baumbach, existe um afinco ao construir sequências claras, tanto técnica quanto artisticamente. A porção do filme que mostra uma </span><a href="https://ew.com/movies/2019/12/07/marriage-story-noah-baumbach-fight-scene/"><span style="font-weight: 400;">longa briga</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Nicole e Charlie é filmada numa tacada só, num vai-e-vem pela locação interna da residência do diretor. Esses caprichosos atributos dão todo o palco necessário para a dupla de protagonistas elevarem o nível dramático do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E Laura Dern faz o mesmo. A veterana de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood </span></i><span style="font-weight: 400;">e verdadeira estrela de </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-little-lies-s2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Big Little Lies</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sai na frente na corrida pela estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sua performance como a advogada de Nicole, Nora, pode soar descompassada à primeira conferida. Um tanto fora do eixo central do filme, Nora se beneficia do magnetismo de sua intérprete, acrescido do autêntico texto de Baumbach, que sempre entrega a ela </span><a href="https://inews.co.uk/culture/film/laura-dern-interview-marriage-story-release-noah-baumbach-986776"><span style="font-weight: 400;">monólogos inspiradores e extremamente memoráveis</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo é justificado quando o ponto do filme é compreendido: Nora (e Dern, em conjunto) é complementar à trama, sua participação no filme é toda voltada a fornecer as melhores deixas para os protagonistas se iluminarem por completo, validando sua atuação como componente crucial para a veracidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">História de um Casamento</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_13179" aria-describedby="caption-attachment-13179" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13179" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5.png" alt="" width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13179" class="wp-caption-text">Baumbach escolhe o Halloween, com seus pesadelos e fantasmas, para dar temporalidade à trama (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os sentimentos conflitantes no fim da relação ajudam a conceber pequenos momentos que tornam críveis as </span><a href="https://www.americamagazine.org/arts-culture/2019/11/08/marriage-story-review-great-movie-you-may-never-want-see-again"><span style="font-weight: 400;">dificuldades e incertezas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o filme transmite. Quando Charlie fecha a porta dos armários, quando ele apaga as luzes ou quando procura um barbeiro para cortar seu cabelo. São essas breves piscadelas que emocionam. Os sorrisos ao lembrar do passado, e a dor de sair da </span><a href="https://www.esquire.com/entertainment/movies/a30141890/marriage-story-lists-lesson-adam-driver-scarlett-johansson/"><span style="font-weight: 400;">zona de conforto</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">História de um Casamento</span></i><span style="font-weight: 400;"> um simples ato como amarrar os cadarços é gatilho para um torrencial de lágrimas a seguir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até mesmo as extravagâncias do roteiro e da direção de Noah Baumbach ornam no conjunto da obra. Os momentos musicais, o sangue que não estanca de maneira nenhuma e as fantasias de </span><i><span style="font-weight: 400;">Halloween </span></i><span style="font-weight: 400;">apoiam e suportam os </span><a href="https://www.nytimes.com/2019/11/05/movies/marriage-story-review.html"><span style="font-weight: 400;">medos e os amores</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">História de um Casamento</span></i><span style="font-weight: 400;">. Olhando em retrospecto, essa produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> é latente ao versar sobre como, por mais utópico que pareça, o amor carrega um caráter transformativo e metamorfo. E não há nada de errado nisso.</span></p>
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