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	<title>Arquivos HEX &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>HEX triunfa sobre a atemporalidade do ser humano</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2020 20:36:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Caroline Campos]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Darkside]]></category>
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		<category><![CDATA[Thomas Olde Heuvelt]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos “Isto é o quanto basta para as pessoas mergulharem na insanidade: uma noite a sós consigo mesmas e o que mais temem.” Desde que o primeiro homem condenou a primeira mulher por bruxaria, as bruxas são personagens constantes nas histórias de terror e seus mitos apavoram crianças há gerações. As mulheres condenadas por &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hex-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "HEX triunfa sobre a atemporalidade do ser humano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_14517" aria-describedby="caption-attachment-14517" style="width: 1046px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-14517" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-1.png" alt="" width="1046" height="520" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-1.png 1046w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-1-300x149.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-1-1024x509.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-1-768x382.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14517" class="wp-caption-text">A vertiginosa capa de HEX, em tons de verde neon, preto e branco (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">“Isto é o quanto basta para as pessoas<br />
</span></i><i><span style="font-weight: 400;">mergulharem na insanidade: uma noite a sós<br />
</span></i><i><span style="font-weight: 400;">consigo mesmas e o que mais temem.”<br />
</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde que o primeiro homem condenou a primeira mulher por bruxaria, as bruxas são personagens constantes nas histórias de terror e seus mitos apavoram crianças há gerações. As mulheres condenadas por serem, supostamente, seguidoras de Satã e assassinas de bebês eram queimadas, afogadas ou enforcadas ao som de aplausos e vivas, mas juravam vingança a seus inquisidores enquanto suas almas deixavam o corpo já apodrecido. Mais recentemente, a História nos mostrou que as verdadeiras bruxas não eram tão más assim, mas o estigma continua a existir.</span></p>
<p><span id="more-14516"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, e se uma delas, depois de sua execução, continuasse rondando, corpóreamente, os descendentes de seus assassinos? É isso que </span><i><span style="font-weight: 400;">HEX</span></i><span style="font-weight: 400;">, obra escrita pelo holandês </span><a href="https://www.oldeheuvelt.com/"><span style="font-weight: 400;">Thomas Olde Heuvelt</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos propõe: Katherine van Wyler, condenada à fogueira em 1664, vaga acorrentada e com olhos e boca costurados pela cidade de Black Spring há quase 350 anos, e quem se aproxima dela é acometido por seu sussurro de morte. Publicado no Brasil em 2018 pela </span><a href="https://www.darksidebooks.com.br/"><i><span style="font-weight: 400;">Darkside Books</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e traduzido por Fábio Fernandes, </span><i><span style="font-weight: 400;">HEX</span></i><span style="font-weight: 400;"> recebeu elogios de grandes nomes como Stephen King e George R. R. Martin pela sua originalidade e tensão ao longo de toda a trama. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para acompanhar os passos da chamada “</span><i><span style="font-weight: 400;">bruxa de Black Rock</span></i><span style="font-weight: 400;">”, os habitantes de Black Spring criam uma agência de controle, a HEX, com câmeras de vigilância pela cidade, figurantes para afugentar Forasteiros e até um aplicativo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">HEXapp</span></i><span style="font-weight: 400;">, que mostra o último local em que a bruxa esteve &#8211; tudo para manter em segredo a tão antiga maldição. Rondam boatos de que até a Casa Branca sabe do que se passa no lugar, mas tudo é enterrado à sete palmos do chão, para evitar o pânico generalizado envolvendo essa pacata cidade dos Estados Unidos. Katherine faz percursos padronizados, aparece em casas no meio da noite e assusta animais e crianças. No entanto, a bruxa não se aproxima, nada faz. Apenas observa à distância, desafiando qualquer um a chegar perto e ouvir seus sussurros &#8211; após isso, a morte é inevitável.</span></p>
<figure id="attachment_14518" aria-describedby="caption-attachment-14518" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-14518" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-2.jpg" alt="" width="700" height="466" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-2.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-2-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-14518" class="wp-caption-text">O holandês Thomas Olde Heuvelt (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De longe, a bruxa é a personagem mais interessante na história. Caracterizada como uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">bomba-relógio paranormal</span></i><span style="font-weight: 400;">”, todos acreditam que ela está lá por vingança e nada mais. A curiosidade a respeito da história de Katherine movimenta quase toda a primeira parte do livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">#APEDREJAMENTO</span></i><span style="font-weight: 400;">, e cada capítulo deixa o leitor esperando uma quebra nos seus movimentos ou um ataque fora do comum. Katherine foi morta sob acusação de ter trazido o filho de volta à vida através da adoração ao Diabo, mas ninguém nunca soube se o acontecimento era verídico ou mais uma invenção dos religiosos da colônia holandesa, na época chamada de New Beeck. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o protagonismo da obra não pertence só à errante: a família Grant, moradores de Black Spring, tem um relacionamento harmônico até os primeiros impactos da narrativa. Steve, pai de Tyler e Matt e casado com Jocelyn, é um professor embebido por senso de justiça e por um amor mais que especial por seu filho mais velho, Tyler. A relação dos dois é o cerne da parte dois,</span><i><span style="font-weight: 400;"> #MORTE</span></i><span style="font-weight: 400;">, e seu desenvolvimento vai ficando cada vez mais gritante, furioso, intenso. E aí que está a perfeição na escrita de Olde Heuvelt &#8211; seus personagens têm lados extremos, recebendo do leitor momentos de julgamento e momentos de compaixão. Afinal, toda a vida na cidade é pautada em esconder e aprender a conviver com uma bruxa acorrentada, sem nunca poder ir embora por conta da maldição. Todos vivem em estado de fúria crepitante, mas contida, contra si mesmos e contra onde moram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Black Spring é como uma entidade atemporal que parece não ter avançado no tempo. O autor fez um trabalho magnífico em mostrar como, no final das contas, o pódio de vilão não pertence exclusivamente à Katherine, já que os moradores continuam julgando, apedrejando e linchando qualquer um que estremeça a paz tão frágil de suas vidas, da mesma forma violenta que seus ancestrais fizeram em 1664. A temência a Deus só perde para a temência à Katherine, e Black Spring pode ser vista como a grande personagem desiludida e aterrorizada da obra. A cada capítulo, experimentamos altos e baixos, arrepios no pescoço e uma pausinha para respirar e absorver os fatos recém-descobertos.</span></p>
<figure id="attachment_14519" aria-describedby="caption-attachment-14519" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-14519" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3.jpeg" alt="" width="1280" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3-300x240.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3-1024x819.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3-768x614.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3-1200x960.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14519" class="wp-caption-text">Katherine van Wyler em ilustração na contra-capa (Foto: Caroline Campos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto forte do livro é a utilização de tecnologia. Vivendo no século XXI, o melhor jeito de manter algo em rastreio é por meio de um aplicativo. Assim, todos sabem por onde Katherine anda, mesmo que seja proibido fotografar ou filmá-la. Esse último leva a uma consequência ainda mais interessante: a inconformidade da juventude. Os adolescentes da nova geração não toleram o fato de sua </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">e sua liberdade de expressão serem restringidas. Eles querem mudança, e é isso que buscam durante a trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A medida que o medo aumenta e se espalha, a cidade vai ruindo aos poucos, caminhando em direção a autodestruição decorrente de seu fanatismo. E, novamente, somos agraciados por um clímax caótico, que nos deixa excitados e confusos. Tudo, de repente, desmorona, e somos levados a um espaço de pessoas desesperadas enfrentando sua própria natureza selvagem. Famílias, vizinhos, a comunidade em si &#8211; ninguém mais se reconhece. Há apenas o medo (o nosso incluído). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, com suas 368 páginas, </span><i><span style="font-weight: 400;">HEX</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos deixa aterrorizados &#8211; mais com nós mesmos do que com historinhas de bruxas e espíritos. A loucura humana é explorada em todas as suas fases, e o leitor enlouquece junto. O ser humano realmente mudou através dos séculos? Ou apenas esconde sua verdadeira índole: um interior de pura histeria? Thomas Olde Heuvelt e Katherine van Wyler podem nos esclarecer um pouco. </span><a href="https://www.darksidebooks.com.br/hex-por-thomas-olde-heuvelt/p"><i><span style="font-weight: 400;">HEX</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em sua catarse, reforça: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Foram vocês que as queimaram. Agora, queimarão &#8211; uns aos outros”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_14520" aria-describedby="caption-attachment-14520" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14520" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-4.jpeg" alt="" width="1000" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-4.jpeg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-4-300x240.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-4-768x614.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14520" class="wp-caption-text">Um cartaz que podia estar facilmente nas imediações da floresta de Black Rock (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dica: Se estiver passando por Black Spring, dê uma olhada na cidade. Visite o festival de Halloween e veja a queima da Mulher de Palha, mas volte para a casa. Faça uma trilha pelo Monte Misery e veja o Hudson lá do alto. Mas cuidado com o anoitecer, florestas são perigosas. E lembre-se: não provoque a bruxa de Black Rock.</span></p>
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