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	<title>Arquivos Harry Belafonte &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Noite que Mudou o Pop: um encontro imperfeito, mas emocionante</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Aug 2024 17:32:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner O cenário é o estúdio de uma clássica gravadora em Los Angeles. No ambiente, as espumas nas paredes evidenciam o cantarolar de uma voz familiar e icônica; Michael Jackson ensaia We Are The World sozinho, enquanto Lionel Richie orquestra, nos bastidores do American Music Awards, o que pode ser considerado o mais importante &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-noite-que-mudou-o-pop-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Noite que Mudou o Pop: um encontro imperfeito, mas emocionante"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33851" aria-describedby="caption-attachment-33851" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33851" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-4.png" alt="Cena de A Noite que Mudou o Pop. Na imagem, parte dos 45 artistas convocados para cantar aparecem posicionados em um estúdio de gravação. Em frente a todos eles está Quincy Jones, um homem negro, produtor da música We Are The World. Ele veste roupas casuais e usa um fone de ouvido. O cenário é composto por tons amarronzados, espumas nas paredes e um telão ao fundo dos cantores." width="980" height="655" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-4.png 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-4-800x535.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-4-768x513.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33851" class="wp-caption-text">O documentário estreou em primeiro lugar na lista de produções mais assistidas da Netflix (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário é o estúdio de uma clássica gravadora em Los Angeles. No ambiente, as espumas nas paredes evidenciam o cantarolar de uma voz familiar e icônica; Michael Jackson ensaia </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s3wNuru4U0I"><i>We Are The World</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> sozinho, enquanto Lionel Richie orquestra, nos bastidores do </span><span style="font-weight: 400;"><i>American Music Awards</i></span><span style="font-weight: 400;">, o que pode ser considerado o mais importante encontro da história da Música. Seguindo o embalo de tantas vozes que marcaram gerações, </span><span style="font-weight: 400;"><i>A Noite que Mudou o Pop</i></span><span style="font-weight: 400;"> emociona, ainda que seja um documentário tão imperfeito quanto a tentativa de unir timbres diferentes em uma só faixa e atenuar egos inflados em prol de uma causa humanitária: a fome no continente africano.</span></p>
<p><span id="more-33849"></span><br />
<span style="font-weight: 400;">Através das lentes de Bao Nguyen – diretor veterano de documentários, como a biografia de Bruce Lee, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JSTy5EMrQA8"><i>Be Water</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> (2020) –, o público assiste à registros e depoimentos inéditos do encontro entre as 45 maiores estrelas da década de 1980, enquanto contempla Lionel Richie se reencontrar com as memórias de uma noite inesquecível. O intérprete de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gIbw0OkC9po"><i>Say You, Say Me</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> age como um ‘fanfarrão’ e aproveita de sua aura de apresentador nato para tentar transformar o filme em algo apoteótico. Por vezes, a narração soa exagerada e redundante, porém, é difícil julgá-lo por isso, afinal, qualquer mero mortal também passaria uma eternidade se gabando caso fosse o responsável por tamanha façanha.</span></p>
<figure id="attachment_33850" aria-describedby="caption-attachment-33850" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33850" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1.jpg" alt="Cena de A Noite que Mudou o Pop. Da esquerda para a direita na imagem, Cyndi Lauper e Bruce Springsteen estão sentados no estúdio de gravação. Lauper, uma mulher branca de cabelos loiros e coloridos, veste uma camiseta branca e muitos acessórios enquanto segura um papel com os versos de We Are The World. Já Springsteen, um homem branco de cabelos escuros, veste jaqueta de couro preta sobre uma blusa azul enquanto olha para a cantora. Ao fundo, o cenário apresenta tons amarronzados." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33850" class="wp-caption-text">Cyndi Lauper quase desistiu de participar do projeto porque seu namorado na época duvidou do sucesso da canção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O contexto dessa missão quase impossível é explorado por </span><span style="font-weight: 400;"><i>The Greatest Night In Pop</i></span><span style="font-weight: 400;"> (no original), que faz questão de relembrar cada passo e demonstrar como ela atravessou o </span><span style="font-weight: 400;"><i>AMA’s</i></span><span style="font-weight: 400;">, tradicional premiação da indústria musical estadunidense. Richie, que estava celebrando um ótimo ano na carreira, precisava coordenar aqueles astros sentados na plateia para o estúdio de gravação. Todos foram inicialmente convidados por Harry Belafonte, músico e ativista idealizador da iniciativa que se assemelhava ao </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j3fSknbR7Y4"><i>Band Aid</i></a></span><span style="font-weight: 400;">; união dos artistas britânicos e irlandeses. Ao seu lado, Quincy Jones é referenciado, no longa, como a peça fundamental para extrair o melhor do supergrupo </span><span style="font-weight: 400;"><i>USA For Africa.</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o documentário, o telespectador acaba se identificando com um ou outro artista e, até mesmo, se surpreendendo com a postura de outros. No campo dos que conquistam a audiência, a irreverência de Cyndi Lauper, o estilo de vocalização único de Bruce Springsteen – alerta: </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EPhWR4d3FJQ"><i>Born In The USA</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> gruda mais na mente do que </span><span style="font-weight: 400;"><i>We Are The World</i></span><span style="font-weight: 400;"> –, o sorriso genuíno de Diana Ross e a timidez de Bob Dylan preenchem a tela. Por outro lado, a falta de paciência de Waylon Jennings com um Stevie Wonder muito animado, e a ausência de Prince, que venceu vários prêmios da noite em categorias que </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/michael-jackson-thriller-resenha/">Michael Jackson</a></span><span style="font-weight: 400;"> também concorria, somaram-se como pontos desagradáveis de acompanhar.</span></p>
<figure id="attachment_33852" aria-describedby="caption-attachment-33852" style="width: 1118px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33852" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3.jpg" alt="Cena de A Noite que Mudou o Pop. Da esquerda para a direita na imagem, Michael Jackson e Lionel Richie estão sentados no estúdio de gravação. Jackson, um homem negro de cabelos escuros, veste roupas escuras enquanto segura um papel com os versos de We Are The World. Já Richie, um homem negro de cabelos escuros, veste jaqueta de couro preta sobre uma blusa branca enquanto folheia o mesmo papel. Ao fundo, o cenário apresenta tons amarronzados." width="1118" height="708" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3.jpg 1118w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-800x507.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-1024x648.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-768x486.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33852" class="wp-caption-text">We Are The World foi escrita por Michael Jackson e Lionel Richie, e produzida por Quincy Jones e Michael Omartian (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicada em três categorias do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2024/"><i>Emmy</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2024/"> 2024</a></span><span style="font-weight: 400;">, a produção da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/netflix/"><i>Netflix</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> é uma concorrente forte pela estatueta de Melhor Documentário ou Especial de Não-Ficção e Melhor Edição de Som em Reality ou Programa de Não-Ficção, assinada por Richard Gallagher. O diretor, Bao Nguyen, ainda enfrenta nomes consolidados pelo prêmio de Melhor Direção em Documentário ou Programa de Não-Ficção. </span><span style="font-weight: 400;"><i>A Noite que Mudou o Pop</i></span><span style="font-weight: 400;"> mira na </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/euphories-critica/">nostalgia</a></span><span style="font-weight: 400;"> de tempos que não voltam mais e acaba, consequentemente, celebrando Lionel Richie como um dos grandes nomes da época. Embora tenha altos e baixos, exatamente como a faixa que arrecadou 60 milhões de dólares em fundos para a África, a emoção deixa a última e boa impressão.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Greatest Night in Pop | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/MD3oU1gowu4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Circuito Cineclube Sesc &#8211; Infiltrado na Klan e as veias abertas da América racista</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Apr 2023 15:47:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Em 2017, quando aconteceu a passeata de Charlottesville, Infiltrado na Klan provavelmente estava finalizando seu processo de pesquisa e escrita ou começando suas filmagens. Talvez Spike Lee não esperasse que sua história, apesar de latente na sociedade contemporânea, se manteria tão atual. Muito além de apenas tocar na ferida do racismo, a obra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/infiltrado-na-klan-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Circuito Cineclube Sesc &#8211; Infiltrado na Klan e as veias abertas da América racista"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/infiltrado-na-klan-critica/">Circuito Cineclube Sesc &#8211; Infiltrado na Klan e as veias abertas da América racista</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30631" aria-describedby="caption-attachment-30631" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30631 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos os personagens Ron, um homem negro de cabelo black power e barba cheia e Patrice, uma mulher negra de cabelo black power. Ron veste uma camisa vermelha e um relógio na mão direita. Patrice veste uma espécie de poncho, com algumas pedrarias em seus dois punhos. Os dois apontam uma arma para a câmera. Eles estão em um corredor de apartamentos e a fotografia está granulada." width="1200" height="503" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1-768x322.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30631" class="wp-caption-text">A exibição do longa no Sesc Bauru encerrou a Mostra “Cinema é Direito”, e contou com a participação do Prof. Dr. Juarez Xavier, referência no ativismo antirracista, no debate após a apresentação do filme (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2017, quando aconteceu a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-40913908"><span style="font-weight: 400;">passeata de Charlottesville</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> provavelmente estava finalizando seu processo de pesquisa e escrita ou começando suas filmagens. Talvez Spike Lee não esperasse que sua história, apesar de latente na sociedade contemporânea, se manteria tão atual. Muito além de apenas tocar na ferida do racismo, a obra também assumiu o papel de estancar um sangramento que, em sua esmagadora maioria, continua derramando sangue negro. De acordo com a mensagem que antecede o logo do filme, “</span><i><span style="font-weight: 400;">essa parada é baseada em merdas reais pra caralho</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa, que no seu aniversário de cinco anos encerrou a Mostra </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-cinema-e-direito/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema é Direito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><a href="https://www.instagram.com/p/CpN2Cb7uTur/"><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> no Sesc Bauru</span></a><span style="font-weight: 400;">, conta a história de </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-ron-stallworth-o-policial-negro-se-que-infiltrou-na-ku-klux-klan.phtml"><span style="font-weight: 400;">Ron Stallworth</span></a><span style="font-weight: 400;"> (John David Washington), um policial negro da extremamente branca cidade de Colorado Springs. No local, em um momento de ebulição social americana, ele descobre uma célula da Ku Klux Klan ativa na cidade e decide se infiltrar na organização, dividindo sua identidade com o detetive branco ‘Flip’ Zimmerman (Adam Driver). Mas é no teor dessa mesma mensagem que está escondida a intenção de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/spike-lee"><span style="font-weight: 400;">Spike Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> de, na verdade, trazer um meio termo entre fato e ficção para transmitir a ótica do diretor para o público. Tal aspecto transforma </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma das obras mais conscientes e contundentes da extensa carreira do cineasta.</span></p>
<p><span id="more-30628"></span></p>
<figure id="attachment_30632" aria-describedby="caption-attachment-30632" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30632 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos um discurso feito em uma associação de estudantes negros. Nela temos o personagem Stokely Carmichael, um homem negro de cabelo curto. Ele veste um terno preto uma camisa branca e um óculos preto. Ao seu lado direito, está Patrice, uma mulher negra de cabelo black power. Ela veste uma jaqueta de couro preta, um vestido preto e um óculos. Ao lado dos dois, há mais duas pessoas negras, mas somente uma é visível: um homem que veste uma jaqueta verde e uma camiseta preta. No palco, há um púlpito com os dizeres “POWER” e ao fundo, um cartaz escrito “COLORADO COLLEGE BLACK STUDENT UNION”. Todos estão com o punho erguido." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30632" class="wp-caption-text">“Todo o poder para todas as pessoas” (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra, ao mesmo tempo que retoma as raízes do idealizador, que levou referências do Cinema </span><a href="https://darkside.blog.br/o-que-e-blaxploitation-veja-5-exemplos-de-filmes-do-genero/"><i><span style="font-weight: 400;">blaxploitation</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para Hollywood com </span><a href="https://ultraverso.com.br/garimpo-faca-a-coisa-certa/"><i><span style="font-weight: 400;">Faça a Coisa Certa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1989), revitaliza o diretor. A ideia é de Jordan Peele, que um ano antes despontava como o novo e excelente nome do Cinema negro, mas que, diante de uma absurda história real, repleta de meandros factíveis com a atualidade, só via um nome capaz de traduzir essa crítica para as telas: Spike Lee.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Stallworth, de fato, existiu, assim como o execrável </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45874344"><span style="font-weight: 400;">simpatizante de certos políticos</span></a><span style="font-weight: 400;"> brasileiros, David Duke. ‘Flip’ Zimmerman, detetive parceiro de Ron nas telas, na verdade é Chuck. Não se tem noção se ele realmente era judeu, mas nessa história fazia total sentido atribuir ao personagem cético de Adam Driver à parcela étnico-religiosa que também era odiada pelo grupo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história também tem um choque de datas: Ron só se infiltrou na organização seis anos após se tornar policial, em 1978, diferente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan </span></i><span style="font-weight: 400;">(<em>BlacKkKlansman</em>, no original)</span><span style="font-weight: 400;">, em que toda a narrativa se passa em 1972. Porém, era essencial atribuir um período que tanto a Ku Klux Klan como o Movimento Negro Americano estavam marginalizados, para, assim, traçar um paralelo de origem e suas ressonâncias atualmente. Por tais aspectos, a obra é uma pérola de adaptação, que não a toa rendeu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Melhor Roteiro Adaptado, sendo também um respiro de esperança na lamentável edição da premiação em 2019, que premiou o &#8211; antirracista até a página dois &#8211; </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/02/por-que-green-book-e-criticado-por-ativistas-e-familiares-de-don-shirley.html"><i><span style="font-weight: 400;">Green Book</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Filme.</span></p>
<figure id="attachment_30629" aria-describedby="caption-attachment-30629" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30629 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos Ron Stallworth, interpretado por John David Washington, um homem negro,d e cabelo black power e barba cheia. Ele veste uma jaqueta marrom em couro e uma camisa listrada branca. Ao seu fundo,há uma parede de madeira e um mapas cidade de Colorado Springs" width="1400" height="787" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30629" class="wp-caption-text">O longa venceu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2018 (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece que a sensação que </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> quer provocar é aquela de quando rimos de algo questionável e o riso, a princípio de alegria, se transforma em nervosismo. Ele começa flertando com a comédia sarcástica e termina na crítica, justamente para evidenciar que esses formatos de ódio, assim como as fantasias brancas e pontudas, são tão repugnantes que passam por períodos em disfarces. Quando os indivíduos ali sentirem-se seguros, se exibem sem pudor. E com o cineasta tendo mesclado esses dois gêneros durante toda sua filmografia, nesse longa, mais uma vez ele se sente em casa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A genialidade tanto do diretor como do roteiro, encabeçado por Lee e acompanhado de Kevin Willmott, David Rabinowitz e Charlie Wachtel, são traduzidos em tela através de uma montagem espetacular, guiadas por </span><a href="https://www.instagram.com/barryalexanderbrown/"><span style="font-weight: 400;">Barry Alexander Brown</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela abusa do </span><i><span style="font-weight: 400;">blaxploitation</span></i><span style="font-weight: 400;"> para dar vida à ideia das mentes criadoras e desenvolver um ritmo delicioso de se acompanhar, intercalando passagens mais calmas com o desenvolvimento dos personagens, de cortes rápidos e cheios de invencionismos como telas divididas ou inserção de pôsteres. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses aspectos nos presenteiam com cenas lindas, como a da Associação de Estudantes Negro do Colorado, na qual o discurso sobre a beleza negra é sobreposto com </span><i><span style="font-weight: 400;">closes</span></i><span style="font-weight: 400;"> da plateia atenta acompanhando. Mas a passagem que resume o primor da montagem é o momento em que Jerome, interpretado por Harry Belafonte (</span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Destacamento Blood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) conta a história do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51657141"><span style="font-weight: 400;">Linchamento de Waco</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1916. Nesse momento, a cena é divida com a Ku Klux Klan se preparando para assistir uma sessão de </span><a href="https://incinerrante.com/textos/o-nascimento-de-uma-nacao-estetica-ideologia-mascaras/"><i><span style="font-weight: 400;">O Nascimento de uma Nação</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme de 1915 (um ano antes da tragédia) que é uma das bases simbólicas da KKK e do movimento supremacista americano.</span></p>
<figure id="attachment_30633" aria-describedby="caption-attachment-30633" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30633 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos, da esquerda para a direita, David Duke, um homem branco de cabelos e bigode castanho claro e olhos azuis. Ele veste um terno marrom, um colete preto, uma camisa branca e uma gravata listrada em preto. Ele segura uma taça de espumante. Ron Stallworth, um homem branco de cabelo black power e barba cheia está abraçado em Duke. Ele veste uma camisa jeans e uma camiseta preta. Ao seu lado há um homem branco de cabelos castanhos. Ele veste um suéter preto e uma camisa marrom. Os três posam para uma foto, de forma que os dois brancos estão visivelmente incomodados pelo abraço do homem negro." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30633" class="wp-caption-text">A cena em que o verdadeiro Ron Stallworth é designado para fazer a segurança de David Duke realmente aconteceu (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo o primor do longa por trás das câmeras consegue ser replicado à frente delas. O grande nome que carregava o longa era do próprio Spike Lee, porém o elenco entrou afiadíssimo no projeto. John David Washington (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Malcolm &amp; Marie</span></i><span style="font-weight: 400;">), filho de Denzel Washington, emula perfeitamente o deslocamento de uma figura que não é bem-vinda em seus espaços, seja a polícia da época (uma espécie de Klan) ou a Ku Klux Klan. Já Adam Driver, que ganhava relevância com a nova trilogia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-despertar-da-forca-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais um na sua sequência de escolhas acertadas. Ele é um retrato preciso da branquitude que, por muito tempo, escanteou o problema da propagação de ódio por acreditar não ser afetada, e sutilmente demonstra um ódio genuíno por fazer parte daquele grupo e perceber sua negligência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do lado da organização nefasta, Topher Grace (</span><i><span style="font-weight: 400;">That ‘70s Show</span></i><span style="font-weight: 400;">) impressiona pela semelhança com David Duke, desde sua postura assustadoramente serena e até mesmo pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6Yx3c0i5Fyk&amp;ab_channel=APArchive"><span style="font-weight: 400;">voz</span></a><span style="font-weight: 400;"> do supremacista ter timbres de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=65p80XAMxhw&amp;ab_channel=That%2770sShow"><span style="font-weight: 400;">Eric Forman</span></a><span style="font-weight: 400;">. Jasper Pääkkönen (</span><a href="https://personaunesp.com.br/vikings-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vikings</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Ryan Eggold (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hjw_QTKr2rc&amp;ab_channel=FocusFeatures"><i><span style="font-weight: 400;">Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) também são extremamente convincentes e cada um atribui uma persona típica desse tipo de grupo: o primeiro, um lunático imprevisível, enquanto o segundo, uma figura “boa pinta” que pontualmente destila ódio.</span></p>
<figure id="attachment_30630" aria-describedby="caption-attachment-30630" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30630 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos uma reunião da Ku Kux Klan. Há um certo número de homens sentados com a fantasia do grupo: uma túnica branca e um chapéu branco pontudo. Todos estão sentados e seguram uma vela. No meio deles. de costas para a câmera, há seu líder, com a roupa branca, sem o chapéu e com uma túnica azul nas costas. Há também uma espécie de altar, com velas e cálices dourados." width="1440" height="596" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-800x331.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-1024x424.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-768x318.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-1200x497.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30630" class="wp-caption-text">No Brasil, grupos neonazistas e simpatizantes da Ku Klux Klan tiveram um crescimento de <a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/01/16/grupos-neonazistas-crescem-270percent-no-brasil-em-3-anos-estudiosos-temem-que-presenca-online-transborde-para-ataques-violentos.ghtml">270%</a> nos últimos anos (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse museu de grandes novidades, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> constata que, mais uma vez, o futuro está repetindo o passado, sem deixar de explicitar que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VYOjWnS4cMY&amp;ab_channel=ChildishGambinoVEVO"><span style="font-weight: 400;">essa é a América</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma nação arrebatadora que expropria de qualquer minoria para estabelecer seu conceito de supremacia, nos sentidos mais asquerosos da palavra. Por isso Spike Lee, conhecido pelo Cinema crítico, inverte os papéis, e mesmo assim consegue abordar as dores do povo negro. Mas aqui, a queima de cruzes troca lugar com uma reflexão que cauteriza à força uma ferida que insistimos em deixar aberta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra renova os estudos de </span><a href="https://www.palmares.gov.br/?p=49121"><span style="font-weight: 400;">W. E. B. Du Bois</span></a><span style="font-weight: 400;">, primeiro negro a se tornar PhD em Harvard. Du Bois, através de seu livro </span><i><span style="font-weight: 400;">As Almas da Gente Negra </span></i><span style="font-weight: 400;">(1903), discutiu a dificuldade existencial das minorias, desenvolvendo o conceito de “dupla consciência”, ou a necessidade de entender como tais grupos se enxergam e como o mundo os enxerga; o longa tem êxito ao tratar essa dualidade. Além disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan </span></i><span style="font-weight: 400;">é um grito de ‘não’ e ‘basta’: NÃO podemos aceitar essa formas de ódio, e BASTA de racismo. Mais do que isso, o filme é um lembrete de que somente não ser racista, não basta.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Infiltrado Na Klan - Trailer 1 (Universal Pictures) HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/bbOJwWSEUmo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/infiltrado-na-klan-critica/">Circuito Cineclube Sesc &#8211; Infiltrado na Klan e as veias abertas da América racista</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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