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	<title>Arquivos Green Book &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Ainda Há Tempo: não precisamos perdoar pais monstruosos</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jul 2021 18:13:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jho Brunhara Viggo Mortensen já é um rostinho conhecido em Hollywood. O ator estadunidense encarnou Ben em Capitão Fantástico, e Tony Lipp no terrível Green Book. Em Ainda Há Tempo, a primeira investida de Mortensen atrás das câmeras, somos apresentados para um filme não só dirigido por ele, mas também escrito, produzido, atuado e embalado &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ainda-ha-tempo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ainda Há Tempo: não precisamos perdoar pais monstruosos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21928" aria-describedby="caption-attachment-21928" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-21928 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354.jpg" alt="Cena do filme Ainda Há Tempo. Podemos ver o pai Willis, idoso, e seu filho, John, adulto, sentados na sala brigando. Willis está com a mão próxima da cara de John e gritando. Ambos são homens brancos de cabelos claros. A sala possui arquitetura rural dos Estados Unidos dos anos 80." width="1600" height="1052" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354-800x526.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354-1024x673.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354-768x505.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354-1536x1010.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354-1200x789.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21928" class="wp-caption-text">Ainda Há Tempo é o filme em cartaz no décimo segundo dia do Festival do Rio 2021 (Foto: Perceval Pictures)</figcaption></figure>
<p><strong>Jho Brunhara</strong><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span> <span style="font-weight: 400;">Viggo Mortensen já é um rostinho conhecido em Hollywood. O ator estadunidense encarnou Ben em </span><a href="https://personaunesp.com.br/capitao-fantastico-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Capitão Fantástico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e Tony Lipp no terrível </span><i><span style="font-weight: 400;">Green Book</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">, a primeira investida de Mortensen atrás das câmeras, somos apresentados para um filme não só dirigido por ele, mas também escrito, produzido, atuado e embalado por uma trilha sonora composta pelo mesmo. O longa chega de forma muito tardia ao Brasil por motivos pandêmicos (sua primeira exibição foi em janeiro de 2020), através do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a qualidade da produção, infelizmente, não é suficiente para compensar a demora.  </span></p>
<p><span id="more-21927"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">se parece de espírito com </span><a href="https://www.geledes.org.br/green-book-o-guia-o-filme-negro-de-brancos-para-brancos/"><i><span style="font-weight: 400;">Green Book</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em primeiro momento, a construção emocionalmente apelativa e o ótimo trabalho dos atores fisga a atenção e te faz acreditar que este é um bom filme. Mas, quanto mais se pensa, mais o vislumbre desaparece. À começar pela premissa que é um pouco enganadora: a campanha de divulgação do longa dá a entender que a história será sobre um pai homofóbico que sofre de demência e o convívio que estabelece quando passa a morar com seu filho, gay e casado com outro homem. Porém, logo percebemos que o foco é menos sobre a questão da homofobia e muito mais sobre um homem idoso detestável, que não resguarda sua ruindade apenas para questões de sexualidade, apodrecendo tudo e todos em sua volta. </span></p>
<p><figure id="attachment_21929" aria-describedby="caption-attachment-21929" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-21929" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5.jpg" alt="Cena do filme Ainda Há Tempo. O pai, Willis, está em sua fase jovem adulto. Ele está de pé encostado no batente da porta da sala e observa o ambiente, segurando um cigarro na mão." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21929" class="wp-caption-text">A tradução para português do título original (Falling) não faz sentido nenhum e não reflete o teor do longa [Foto: Perceval Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Não há problema nenhum que um filme pareça algo e, durante seu </span><span style="font-weight: 400;">desenvolvimento, se transforme em outra coisa. Porém, quando se usa da temática da homossexualidade para vender uma história, é no mínimo estranho que o produto final desvie tanto da mística construída na divulgação. Essa estranheza se acentua quando sabemos que Viggo Mortensen, até então, é um homem hétero, que interpreta um personagem homossexual em uma história desenvolvida e dirigida por ele mesmo. Quando perguntado em entrevistas, Mortensen disse </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/viggo-mortensen-nao-ve-problema-em-atores-heteros-interpretarem-personagens-homossexuais/"><span style="font-weight: 400;">não acreditar</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a sexualidade de um ator deveria ter importância para considerar a designação de um papel. É um debate complexo, mas, pelo menos aqui, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é cuidadoso o suficiente para não abusar de estereótipos ou se apresentar de forma ofensiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de forrar a barriga com a trama da homossexualidade, o longa é muito mais sobre um pai e marido horrível para todos do seu convívio, e os dilemas de como lidar com uma pessoa com demência. O segundo tema já rendeu até </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> para Anthony Hopkins esse ano, por sua incrível atuação em </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produção que teve seu lançamento muito próximo da criação de Mortensen, ambos estreantes em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sundance</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas quem levou a melhor foi Florian Zeller. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontra problemas justamente por sua concepção autoral: é a primeira vez de Viggo idealizando um filme e, consequentemente, estamos vendo sua arte de forma bruta. A direção encontra problema em construir a relação com o produto que ele quer criar, e a narrativa é disforme, sem a intenção de ser. As personagens, pelo menos, são interessantes, e ficam ainda mais com as grandes atuações. Lance Henriksen é fenomenal ao entregar o pai Willis. Escrito de forma caricata, Henriksen é tão bom que faz funcionar, e esquecemos que aquele ser repugnante não é documental. O resto do elenco interpreta rostos quase sempre muito contidos, como panelas de pressão que não podem explodir, mesmo com a fervura constante de Willis. </span></p>
<figure id="attachment_21931" aria-describedby="caption-attachment-21931" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-21931" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-scaled.jpg" alt="Fotografia das gravações do filme Ainda Há Tempo. Nela, podemos ver a atriz que interpreta a personagem Sarah e o ator que interpreta Willis sentados numa mesa de almoço se cumprimentando. Viggo Mortensen, diretor e o ator de John, está de pé com fones de ouvido, olhando para Lance." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-1536x1024.jpg 1536w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21931" class="wp-caption-text">Mortensen dedica o filme aos pais que faleceram com demência, mas a homenagem soa estranha em um longa sobre um homem odiável (Foto: Perceval Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As quase duas horas são cansativas, mas as atuações realmente sustentam a experiência. Viggo Mortensen como ator é o oposto de sua direção, e nos coloca imersos na personalidade contida de John. </span><a href="https://personaunesp.com.br/ozark-critica/"><span style="font-weight: 400;">Laura Linney</span></a><span style="font-weight: 400;">, que interpreta sua irmã mais nova, também conquista nas poucas cenas que aparece. O almoço com a família toda reunida é agoniante, mas a vergonha alheia e o desespero impressos na tela, estranhamente, não permitem desviar o olhar. Seja pela falta de filtro de Willis, seus delírios sexuais, o desconforto generalizado, ou a personalidade </span><i><span style="font-weight: 400;">no ponto</span></i><span style="font-weight: 400;"> da neta gótica Paula (Ella Jonas Farlinger), a única que permanece na mesa, representando uma geração que sempre tem o que dizer: “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu não tenho medo de você</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mortensen acerta, também, em não mostrar o momento em que John se assume gay para Willis. Ninguém aguenta mais assistir isso no cinema, já foi feito de todas as formas possíveis, e a maioria idêntica, revirando o mesmo processo horrível e doloroso, para servir apenas de ponte para a narrativa. A trama do pai se constrói por situações absurdas – como a do proctologista, cômica demais para o tom –, um milhão de </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Willis sendo misógino, racista, homofóbico e asqueroso no geral, e uma família tendo que lidar com o sentimento de impotência, afinal, quem é que vai tentar mudar a cabeça de um homem demente? </span></p>
<figure id="attachment_21934" aria-describedby="caption-attachment-21934" style="width: 1492px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21934 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2.jpg" alt="Cena do filme Ainda Há Tempo. Eric, um homem de pele amarela, está com a mão no ombro de John, seu marido, por trás. Eles estão na cozinha." width="1492" height="887" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2.jpg 1492w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2-800x476.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2-1024x609.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2-768x457.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2-1200x713.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21934" class="wp-caption-text">A ideia de que o personagem de Viggo fosse gay veio depois, originalmente esse traço de personalidade <a href="https://www.guiagaysaopaulo.com.br/noticias/cultura/viggo-mortensen-responde-com-deboche-sobre-papel-gay">não estava nos planos</a> (Foto: Perceval Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência final é a cereja podre do bolo. A colagem desnecessária é confusa e dissonante, como o beijo entre John e Eric (Terry Chen) totalmente anticlimático, e o delírio de Willis, no que parece ser a representação de sua morte. O fim da vida de forma miserável e feliz, transando com uma mulher de torso nu. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fk8IPWfaxVQ&amp;ab_channel=MovieCoverage"><i><span style="font-weight: 400;">Falling</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não se importa muito em redimir as ações de Willis, mas dá leve indicações de que ele é um ‘homem machucado’, e por isso terminou a vida com essa personalidade que apodrece tudo que se aproxima dele. Somos influenciados pela fala que seu pai era uma pessoa ruim, dando a entender que essa é a origem de sua amargura, pela cena do cervo, e no abraço doloroso com o filho após a briga explosiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É claro que, nesse caso, é impossível abandonar uma pessoa com demência, por mais horrorosa que ela seja. Mas, tudo que assistimos nos mostra que Willis sempre foi exatamente assim, desde a primeira cena que o vemos com seu filho recém nascido. Enquanto todos em sua volta tentam suportar sua personalidade, ajudá-lo e entendê-lo, ele se fecha mais e mais e se torna ainda mais cruel. Somos ensinados que família é algo que devemos aturar independente das circunstâncias, e que devemos sempre perdoar os que compartilham o nosso sangue, mas é uma </span><a href="https://medium.com/@camilanishimoto/voce-nao-e-ruim-por-se-afastar-da-familia-a89ae7071a9b"><span style="font-weight: 400;">retórica perigosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> que favorece indivíduos nojentos. </span></p>
<figure id="attachment_21935" aria-describedby="caption-attachment-21935" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21935" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4.jpg" alt="Cena do filme Ainda Há Tempo. John e seu pai Willis estão mais jovens, andando de cavalo. Willis está tentando derrubar John de seu cavalo." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21935" class="wp-caption-text">O filme conta sua história através de cenas no presente e flashbacks (Foto: Perceval Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa é uma herança da </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2021/03/o-que-e-patriarcado-e-como-ele-mantem-as-desigualdades-de-genero/"><span style="font-weight: 400;">sociedade patriarcal</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que a figura do homem detém o poder, e suas ações inconsequentes não precisam ser responsabilizadas: eles sentem que podem fazer o que bem entenderem, se julgarem que é o correto para o mundo, e assim se sentem acima de todos, independente das dores que causaram. Se distanciar não é abandonar, mas precisamos deixar para trás a culpabilização dos que desistiram de tentar consertar o vil.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fk8IPWfaxVQ&amp;ab_channel=MovieCoverage"><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">nunca chega a romantizar ou forçar o perdão de seus personagens com o pai, mas sempre deixa no ar o peso que eles têm de carregar, que é suportar a personalidade cruel e podre daquela figura paterna, e todas as dores que ela causou. É uma obrigação de perdoar imposta, silenciosa e fragmentada, que contamina as vítimas dessas violências. Não devemos nos sentir obrigados a perdoar pais monstruosos apenas pela relação de sangue. Homens adultos que não querem deixar de lado o orgulho e a maldade devem ser responsabilizados como homens adultos.</span></p>
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		<title>A Concerto Is a Conversation inspira com diálogo e música</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Apr 2021 18:20:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan &#8220;Você pode me dizer o que é um concerto?” “Então, é basicamente essa peça que tem um solista e um conjunto, uma orquestra. Os dois estão conversando”. Documentário em curta com direção de Ben Proudfoot e Kris Bowers e distribuído pelo The New York Times, A Concerto Is a Conversation toca no &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-concerto-is-a-conversation-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Concerto Is a Conversation inspira com diálogo e música"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19766" aria-describedby="caption-attachment-19766" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19766 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-concerto.jpg" alt="Foto retangular. Nela temos o rosto de Horace Browns, um homem negro de 80 anos. Ele tem cabelos brancos e usa óculos quadrado. O fundo é desfocado. No canto superior esquerdo vemos o logo do The New York Times em branco. No canto inferior esquerdo lê-se em branco &quot;OP-DOCS&quot;." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-concerto.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-concerto-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-concerto-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-concerto-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-concerto-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19766" class="wp-caption-text">Em clima familiar, A Concerto Is a Conversation concorre ao Oscar 2021 na categoria Melhor Documentário em Curta-Metragem (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Você pode me dizer o que é um concerto?”</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">“Então, é basicamente essa peça que tem um solista e um conjunto, uma orquestra. Os dois estão conversando”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Documentário em curta com direção de Ben Proudfoot e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3x3oH3h32GY"><span style="font-weight: 400;">Kris Bowers</span></a><span style="font-weight: 400;"> e distribuído pelo </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UCqnbDFdCpuN8CMEg0VuEBqA"><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4-iJ_vG_jwM"><i><span style="font-weight: 400;">A Concerto Is a Conversation</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> toca no íntimo da alma de maneira despropositada, exibindo muito afeto na conversa entre duas gerações diferentes. A história nos faz refletir sobre a importância daqueles que vieram antes de nós e do conhecimento sobre o passado.</span></p>
<p><span id="more-19765"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a ânsia de ser ouvinte vinda do neto &#8211; um dos diretores -, após descobrir o câncer do avô, toda conversa que há entre os dois durante os treze minutos de curta transborda vida. Horace Bowers ganha seu destaque como orador, narrando com orgulho a jornada que construiu. Começando por sua dura história no sul dos Estados Unidos da década de 1940 e a vida em uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/time-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">sociedade racista</span></a><span style="font-weight: 400;">. O patriarca usa a voz da experiência para dizer uma das frases mais marcantes do documentário: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nunca pense que você não deveria estar lá. Porque você não estaria lá se você não deveria estar lá.&#8221;</span></i></p>
<figure id="attachment_19767" aria-describedby="caption-attachment-19767" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19767 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-concerto.jpg" alt="Foto retangular. À esquerda vemos Horace Bowers e Kris Bowers. Horace é um homem negro de 80 anos, ele veste calça e camisa social. Seu cabelo é branco. Kris é um homem adulto negro, seu cabelo é raspado e preto. Eles estão olhando para um terno preto. Atrás há  uma camisa branca pendurada no varal e vários cabides. O ambiente é uma lavanderia com efeito azul na foto." width="1440" height="750" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-concerto.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-concerto-300x156.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-concerto-1024x533.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-concerto-768x400.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-concerto-1200x625.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19767" class="wp-caption-text">“Because I could see him as a hero” &#8211; Kris Bowers (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio tanta admiração, a produção traz o desprazer de relembrar o fatídico </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme vencido pelo problemático </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QxXJ7vkFk48"><i><span style="font-weight: 400;">Green Book</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, o filme não é citado à toa, Kris Bowers assinou a trilha sonora do longa e concorreu, em 2019, ao </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1369070191146115072"><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Compositor. Agora, em 2021, foi reconhecido pela Academia e concorre a Melhor Documentário em Curta-Metragem com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Concerto Is a Conversation</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A indicação ao prêmio mais importante do mundo cinematográfico não foi uma surpresa. A categoria que, ano a ano, traz temáticas relevantes, não deixaria de fora o compositor da trilha de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bridgerton-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bridgerton</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em uma produção grandiosa dentro de seu intimismo. Competindo ao lado dos poderosos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=l7Ind_5Bn1M"><i><span style="font-weight: 400;">Do Not Split</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.theguardian.com/world/video/2020/nov/18/colette-former-french-resistance-fighter-confronts-fascism-and-family-trauma-after-75-years"><i><span style="font-weight: 400;">Colette</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o curta pode não levar a estatueta para casa por ser um trabalho mais leve em meio às dramáticas cenas pesadas de seus concorrentes. Intuitivamente falando, o estrondoso </span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-cancao-para-latasha-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentário da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobre Latasha Harlins</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o com maior chances para o prêmio</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A CONCERTO IS A CONVERSATION (2020) | Official Teaser" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/4-iJ_vG_jwM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A câmera focada no rosto de quem está falando e a fluidez do diálogo passa a sensação daquela conversa estar correndo a três: neto, avô e telespectador. A  estrutura do filme colabora para esse sentimento de pessoalidade. Em momento algum Horace Bowers ou Kris Bowers olham diretamente para a câmera, o olhar sempre atento ao ouvinte ajuda a construir a presença de tela e a veracidade do assunto que flui de maneira natural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O jogo de cenas também é envolvente, passamos por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NDbcR0ud3mU"><span style="font-weight: 400;">fotos e gravações</span></a><span style="font-weight: 400;"> de momentos importantes da vida de ambos. Os paralelos tornam </span><i><span style="font-weight: 400;">A Concerto Is a Conversation</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda mais emocionante. O corte de </span><i><span style="font-weight: 400;">frames </span></i><span style="font-weight: 400;">do avô na lavanderia onde exerceu seu ofício de prensador para o neto sentado ao piano, o entrelace entre a conversa e o concerto é brilhante, alcançando aquilo que o documentário propõe e já sugere logo em seu título.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirador e bem orquestrado, </span><a href="https://variety.com/2021/artisans/production/concerto-is-a-conversation-composer-kris-bowers-1234940887/"><i><span style="font-weight: 400;">A Concerto Is a Conversation</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> cresce conforme  a canção toca. De maneira íntima, a música ganha histórico familiar e discurso racial, e ricamente se desenvolve em torno de suas peças principais. Os treze minutos são suficientes para nos tornar participantes da conversa e sentir a forte conexão entre Kris e seu avô. Doce e deixando o desejo de ser revisto, o concerto criado é uma belíssima homenagem a Horace Bowers.</span></p>
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