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	<title>Arquivos Goiás &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Não há nada de vazio em um Domingo à Tarde</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Nov 2023 12:15:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal A metalinguagem é uma das formas de se contar histórias no audiovisual. A partir dela, discussões sobre a arte dentro da arte são inúmeras e não possuem uma maneira específica de abordagem. Por exemplo, em Pânico 3, os personagens gravam um filme slasher enquanto vivenciam o subgênero em suas vidas pessoais. As &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-vazio-de-domingo-a-tarde-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Não há nada de vazio em um Domingo à Tarde"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31803" aria-describedby="caption-attachment-31803" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31803" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1.png" alt="Cena do filme O Vazio de Domingo à Tarde. Na imagem, Gisele Frade, uma mulher branca que interpreta Mônica, retira a  maquiagem em frente a um espelho com moldura branca. Ao lado direito do espelho, há fotos do rosto de Mônica com hematomas. Além disso, há uma taça de vidro e um demaquilante para a remoção da maquiagem na mesa em que a personagem está. " width="1999" height="961" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1-800x385.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1-1024x492.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1-768x369.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1-1536x738.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1-1200x577.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31803" class="wp-caption-text">O longa-metragem, presente na 47ª Mostra Internacional de Cinema, marca a estreia de Gisele Frade como atriz nas telonas (Foto: André Carvalheira)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A metalinguagem é uma das formas de se contar histórias no audiovisual. A partir dela, discussões sobre a arte dentro da arte são inúmeras e não possuem uma maneira específica de abordagem. Por exemplo, em </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-6-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;"> 3</span></a><span style="font-weight: 400;">, os personagens gravam um filme </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;"> enquanto vivenciam o subgênero em suas vidas pessoais. As narrativas autorreferenciais são importantes porque tiram o foco do exterior e priorizam o processo de criação em detrimento à finalidade dele. É nesse lugar que </span><i><span style="font-weight: 400;">O Vazio de Domingo à Tarde</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por </span><a href="https://www.gustavogalvao.com/"><span style="font-weight: 400;">Gustavo Galvão</span></a><span style="font-weight: 400;">, se encontra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa, que estreou na seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, acompanha a história de Mônica (Gisele Frade), uma atriz conturbada com a sua carreira e vida pessoal, que se entrelaçam e a tornam uma só. Tendo como ponto de partida a sua relação com o trabalho, a personagem trava uma batalha interna entre o seu eu pessoal e o lugar de prestígio que ocupa no imaginário daqueles que a admiram. Nesse sentido, ao mesmo tempo em que a protagonista passa por essa jornada, Kelly (Ana Eliza Chaves), uma adolescente que almeja o estrelato, possui a artista como inspiração e fará de tudo para entrar no mundo da atuação.</span></p>
<p><span id="more-31801"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao concentrar o foco narrativo em duas tramas, Gustavo Galvão e </span><a href="https://mulhernocinema.com/entrevistas/cristiane-oliveira-sobre-a-primeira-morte-de-joana-me-interessa-investigar-o-que-se-da-na-intimidade/"><span style="font-weight: 400;">Cristiane Oliveira</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritores do filme, discutem as perspectivas da fama em diferentes etapas da vida. Mônica está cansada dos roteiros genéricos que recebe: a comédia pastelão e o melodrama exacerbado em novelas não são mais agradáveis ao seu olhar. Ela quer um divisor de águas em sua carreira, algo que a afirme como atriz. De maneira semelhante, a jovem do interior de Goiás é metaforicamente a versão crua e despreparada da veterana, mostrando aos espectadores o lado obscuro e nada romantizado do que é ser ator.</span></p>
<figure id="attachment_31805" aria-describedby="caption-attachment-31805" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31805" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4.png" alt="Cena do filme O Vazio de Domingo à Tarde. Na imagem, Ana Eliza Chaves, mulher branca e intérprete da personagem Kelly, está apreensiva e sentada de frente para uma pessoa em um galpão abandonado. " width="750" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-31805" class="wp-caption-text">O Vazio de Domingo à Tarde é o primeiro filme da carreira promissora de Ana Eliza Chaves, graduanda em Audiovisual pela Universidade de Brasília (UNB) (Foto: André Carvalheira)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientado no centro-oeste brasileiro, o longa ganha destaque por sair do eixo São Paulo-Rio e, dessa forma, levar o público a conhecer uma outra faceta do </span><a href="https://www.itaucultural.org.br/secoes/colunistas/cinema-brasileiro-desafio-chegar-grande-publico"><span style="font-weight: 400;">Cinema nacional</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com a produção também realizada aos arredores da região, a fotografia de André Carvalheira capta com maestria tanto as paisagens naturais &#8211; a vegetação do cerrado, por exemplo &#8211; quanto às locações urbanas: Brasília, mais especificamente a Universidade de Brasília (UNB), que serviu como cenário para a trama. Além disso, os momentos de aflição vividos pelas protagonistas são devidamente compreendidos através do jogo de cores </span><i><span style="font-weight: 400;">neon</span></i><span style="font-weight: 400;"> que compõem a direção de arte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">O Vazio de Domingo à Tarde</span></i><span style="font-weight: 400;"> tão único no tema que aborda é a sua independência, dentro e fora das câmeras. Os roteiristas não poupam críticas aos acontecimentos que marcaram o país nos últimos anos: a </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/09/30/gestao-da-cultura-do-governo-bolsonaro-e-considerada-a-pior-das-ultimas-decadas-dizem-artistas"><span style="font-weight: 400;">desvalorização</span></a><span style="font-weight: 400;"> da cultura no governo de Jair Bolsonaro, uma piada inteligente com o jeito Record de contar histórias e o modo como as gravações de uma novela são exaustivas para os atores são algumas das feridas que o longa toca em 94 minutos. Pela sua autonomia, tais reflexões tiram o espectador da sua concepção do que é o audiovisual brasileiro. Assim, a metalinguagem assume um papel de fio-condutor da história, mas também serve como um chamariz para despertar curiosidade em uma trama inicialmente simples, mas substancial em sua totalidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que seja um filme essencialmente dramático, a obscuridade e a morbidez dão um tom especial para o gênero ao ter cenas desconfortáveis e angustiantes, o caracterizando como uma espécie de suspense a partir das experiências traumáticas pelas quais as personagens passam. Por esse lado, no terceiro ato, Mônica atinge o ápice do seu desgaste artístico ao ser colocada em um </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/05/10/atriz-do-filme-azul-e-a-cor-mais-quente-diz-que-gravacoes-foram-insanas.htm"><span style="font-weight: 400;">método desumano</span></a><span style="font-weight: 400;"> de atuação por um diretor sádico, mas ‘talentoso’. Interpretado por Roberto Salerno de Oliveira, o personagem mostra que, para estar no topo, esse mundo exige o abandono da individualidade em nome da arte. O problema é que, no final do dia, antes de serem ícones, personagens, todos possuem limites. E a falta deles implica, infelizmente, na perda de sua humanidade.</span></p>
<figure id="attachment_31802" aria-describedby="caption-attachment-31802" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31802" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1.png" alt="Cena do filme O Vazio de Domingo à Tarde. Na imagem, Gisele Frade, uma mulher branca que interpreta Mônica e Erom Cordeiro, homem branco que interpreta Celso, estão cabisbaixos. Ele olha tristemente para baixo enquanto ela o conforta, com as mãos em seus ombros." width="1999" height="999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1-1200x600.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31802" class="wp-caption-text">Nem a relação com o marido Celso (Erom Cordeiro) consegue fazer com que Mônica se afaste da obsessão pela carreira (Foto: André Carvalheira)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apostando em um protagonismo 100% feminino, as atuações são o ponto de maior destaque do longa-metragem. A partir do trabalho de Gisele Frade (</span><i><span style="font-weight: 400;">Chiquititas</span></i><span style="font-weight: 400;">), o inferno vivido no consciente de uma estrela consagrada é analisado sob uma perspectiva real e condizente com as desvantagens que a exposição midiática traz. Carismática, agenciada por um bom profissional de relações públicas e amável não são modos de caracterizar a personagem principal, e isso é bom, pois desmistifica </span><a href="https://doutorjairo.com.br/leia/fa-ou-obsessao-entenda-sindrome-de-adoracao-celebridades/"><span style="font-weight: 400;">o culto à imagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> do artista. Ao mesmo tempo em que a câmera é o lugar de evidência do talento de um ator, ela também é o registro diário de todos os seus atos, sejam eles morais ou não, levando ao questionamento interno de Mônica: “</span><i><span style="font-weight: 400;">o que sou eu e o que é a minha personagem?</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a inocência de Kelly cruza com o caminho obscuro do jogo de poder típico da relação entre produtores e atores em começo de carreira. As atitudes da jovem possuem um objetivo final: ser aclamada como uma grande estrela. Toda a exaustão de Mônica com as injustiças do meio cultural são equiparados à determinação da adolescente em adentrar ao mesmo cenário. É como se a menina a entendesse e desejasse tudo aquilo que a veterana lutou tanto para ter. Se ao assistir a </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pearl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fica claro que Maxine é uma extensão de Pearl, em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Vazio de Domingo à Tarde</span></i><span style="font-weight: 400;">, o efeito é parecido. Unidas por um bem maior (o prestígio), a ambição de uma complementa a da outra, retroalimentando esse beco sem saída, ou melhor, as dificuldades de ser um artista.</span></p>
<figure id="attachment_31804" aria-describedby="caption-attachment-31804" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31804" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3.png" alt="Foto de uma cena do filme O Vazio de Domingo à Tarde. Na imagem, Gisele Frade, uma mulher branca, está gravando uma cena de sua personagem Mônica." width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3.png 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31804" class="wp-caption-text">Enquanto uma não aguenta mais a câmera, a outra faz de tudo para ser vista (Foto: Thaís Mallon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Domingos acontecem em todas semanas, mas são passageiros. A sua serenidade convive lado a lado ao frenesi de uma rotina a ser seguida nos dias posteriores, assim como, indubitavelmente, a vida de uma estrela. A calmaria não faz parte do mundo dessas pessoas e tampouco ajudará em seu trabalho. Na verdade, ela pode até aparecer, mas será passageira. Em uma visão mais pessimista, poucos irão alcançar o estado de plenitude e o estrelato, pois são ideias contrastantes. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Vazio de Domingo à Tarde</span></i><span style="font-weight: 400;"> de forma alguma é raso. Pelo contrário, ele possui </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2023/10/5135671-cinema-brasiliense-e-destaque-em-festivais-e-em-premiacoes.html"><span style="font-weight: 400;">identidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, cara e coração.</span></p>
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		<title>Apague a luz se for chorar: a (in)conformidade da existência</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Mar 2021 17:06:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos O Persona é oficialmente um parceiro da Companhia das Letras &#8211; parte do Time de Leitores 2021. As resenhas dos livros selecionados sairão gradualmente, de acordo com o recebimento das obras. Em março, homenageando o mês da mulher, a obra escolhida para a parceria foi Apague a luz se for chorar, da goiana &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/apague-a-luz-se-for-chorar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Apague a luz se for chorar: a (in)conformidade da existência"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19371" aria-describedby="caption-attachment-19371" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19371 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Livro-apague-a-luz.png" alt=" A imagem tem um formato retangular com um plano de fundo azul. Podem ser vistos cinco exemplares do livro em posições aleatórias, ocupando grande parte da imagem. Atrás de todos os livros existe um sombreado em roxo. O livro possui uma cor base e de fundo alaranjado meio bege, com diversas imagens parecidas com galhos de árvore de cores, formatos e posições variadas. O título está centralizado e acima escrito em branco com letras maiúsculas e vazadas, enquanto o nome da autora está centralizado abaixo escrito em branco com letras maiúsculas e um pouco menores. No canto superior esquerdo está o logo do persona, um olho aberto com um triângulo ao invés da pupila e com uma cor vermelha. No canto inferior direito está o selo do time de leitores da Companhia das Letras, um selo azul, com uma circunferência branca no meio escrito em azul “time de leitores 2021” e dentro um círculo azul escrito “Companhia das Letras” em branco. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Livro-apague-a-luz.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Livro-apague-a-luz-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Livro-apague-a-luz-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Livro-apague-a-luz-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Livro-apague-a-luz-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Livro-apague-a-luz-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19371" class="wp-caption-text">O romance é ambientado entre Brasília e Pirenópolis, cidadezinha no interior de Goiás (Foto: Caroline Campos)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><b>Persona </b><span style="font-weight: 400;">é oficialmente um parceiro da </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; parte do Time de Leitores 2021. As resenhas dos livros selecionados sairão gradualmente, de acordo com o recebimento das obras. Em março, homenageando o mês da mulher, a obra escolhida para a parceria foi </span><a href="https://epoca.globo.com/coluna-livros-da-quarentena-jogos-duplos-24881516"><i><span style="font-weight: 400;">Apague a luz se for chorar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da goiana </span><a href="https://comoeuescrevo.com/fabiane-guimaraes/"><span style="font-weight: 400;">Fabiane Guimarães</span></a><span style="font-weight: 400;">, que integra a </span><i><span style="font-weight: 400;">#CompartilheLeiturasFemininas</span></i><span style="font-weight: 400;">. O romance de estreia da autora é uma declaração de amor, cheia de afeto, às nuances da vida e aos vínculos familiares, mesmo os excepcionalmente desgastantes. </span></p>
<p><span id="more-19370"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Capítulo sim, capítulo não, conhecemos os capitães do barco: Cecília, que acaba de perder os pais ao mesmo tempo, e João, pai de um menino com paralisia cerebral. A narrativa de Cecília é contada por ela mesma, em primeira pessoa. A jovem veterinária que </span><i><span style="font-weight: 400;">não acreditava em Deus, odiava música sertaneja, não dançava forró, estava desempregada e era vegetariana </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma confusão intensa de sentimentos e paranoias, o ponto crucial que engata o livro de Guimarães &#8211; ela acredita que seus pais foram assassinados com base unicamente em suas convicções.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se de início achamos as teorias mirabolantes de Cecília engraçadas e malucas, não demora muito para sermos contagiados. Alguma coisa com certeza aconteceu. Na sua cabeça, a personagem vai encontrando provas cada vez mais confiáveis e certeiras, levando o mero leitor a acompanhá-la na acusação. A situação fica insustentável quando Caio, seu meio-irmão renegado por anos, aparece. Agora, Cecília encontrou seu assassino. Só faltam, bem, as provas.</span></p>
<figure id="attachment_19373" aria-describedby="caption-attachment-19373" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19373 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/fabiane-guimaraes-1024x683-1.jpg" alt="A foto é retangular e centraliza a autora Fabiane Guimarães. Fabiane é uma mulher de 30 anos com cabelo crespo e castanhos, com as pontas mais claras. Ela usa uma blusa e um blazer brancos e uma calça rosé. Ela está com as pernas cruzadas e uma mão apoiada no joelho. Ela está sentada em um banco de concreto amarelo, olhando diretamente para a câmera. Ao fundo, o cenário é bege, paredes e piso. No canto direito, há o início de uma parede branca com padrões azuis. " width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/fabiane-guimaraes-1024x683-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/fabiane-guimaraes-1024x683-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/fabiane-guimaraes-1024x683-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19373" class="wp-caption-text">Fabiane Guimarães, também jornalista, é uma aposta fora do eixo Rio-São Paulo para se ficar de olho (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o arco da jovem é obsessivo e investigativo, a história de João pende mais para uma melancolia extrema. Seu filho Adam foi fruto de uma traição &#8211; a esposa o abandonou e, logo depois, foi a vez da mãe do garoto. O homem, também veterinário, passou muito tempo sem se conectar com o filho, se recusando a aceitar a responsabilidade que estava no seu colo. Até que, finalmente, percebeu: Adam tinha alma. Ele estava lá. Podia ver a ternura nos olhos da criança, que correspondia ao afeto do pai do jeito que conseguia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E assim, João passou a dedicar todos os seus esforços para encontrar um jeito de curar o garoto. O foco era um tratamento experimental chinês que custava os cem mil reais que ele (ainda) não tinha. João é bruto, perdido em mágoas e culpas, evitando pensar em arrependimentos. Diferente de Cecília, sua jornada é contada em terceira pessoa, como se não pudéssemos nos aproximar demais de sua vida conturbada e arisca. Os dilemas éticos que o veterinário enfrenta perpassam pelo começo, meio e fim das 175 páginas escritas por </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/literatura/radicada-em-brasilia-autora-estreia-com-suspense-que-se-passa-na-capital"><span style="font-weight: 400;">Fabiane Guimarães</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado sob o selo </span><i><span style="font-weight: 400;">Alfaguara</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/romance-de-estreia-de-fabiane-guimaraes-retrata-o-interior-do-pais/"><i><span style="font-weight: 400;">Apague a luz se for chorar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> caminha ferozmente até o entrelaçamento das duas histórias. Certo momento até nos desprendemos de esperar uma conexão quando ela é, enfim, jogada cruamente na nossa cara. Ambas as histórias se apoiam na confusão emocional que é fazer parte de um núcleo familiar, cada uma abordando o luto a partir do jeito peculiar de quem o conta. O ritmo, cruel e revigorante, é o que você precisa para ser fisgado do poço da ressaca literária, contanto que esteja ciente das feridas profundas que a autora cutuca em seu desenrolar.</span></p>
<figure id="attachment_19372" aria-describedby="caption-attachment-19372" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19372 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/152035959_2602417653351357_7146444366867164862_n.jpg" alt="A imagem é quadrada e fotografa dois exemplares do livro Apague a luz se for chorar. O livro da direita está na frente, levemente virado para a esquerda. O título do livro possui uma fonte branca e vazada, e a capa é alaranjada com desenhos de galhos coloridos. O livro da esquerda está mais para trás, virado para a direita. Eles estão de pé em uma mesa branca e a parede ao fundo é laranja." width="1080" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/152035959_2602417653351357_7146444366867164862_n.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/152035959_2602417653351357_7146444366867164862_n-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/152035959_2602417653351357_7146444366867164862_n-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/152035959_2602417653351357_7146444366867164862_n-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/152035959_2602417653351357_7146444366867164862_n-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19372" class="wp-caption-text">O livro foi publicado no dia 12 de fevereiro de 2021 pela Companhia das Letras (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O sofrimento vicia</span></i><span style="font-weight: 400;">, principalmente quando o usamos como muleta para evitar seguir em frente. Cecília tinha pais um pouco mais velhos que o restante, e isso a deixou com o pavor de perdê-los, com o pavor da data de validade. Esse medo a impediu de visualizar que a vida vale, sim, a pena de ser vivida, mas também de ser morrida. Afinal, como valorizar uma coisa se nunca irá perder? E no fim das contas, o encerramento de uma existência propiciou a tentativa do início de outra.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escrita sensível de Guimarães nos faz flutuar pelas questões mais primitivas que assombram a consciência humana. As justificativas contraditórias que embalam a parte final da obra só deixam em evidência o quão despreparados nós estamos para reaprender a viver sem alguém querido. </span><i><span style="font-weight: 400;">A gente carrega conosco as pessoas, mesmo as mortas, mesmo as desconhecidas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para Raul e Margarete, o percurso não importava se fosse acompanhado de quem se ama. Quem ficou para trás que siga em frente, chorando e sorrindo pelos que rumaram ao desconhecido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto João e Adam se aventuram em um novo capítulo internacional, Cecília apenas… segue em frente. Do jeito que é para ser. Arriscando e construindo e superando. </span><i><span style="font-weight: 400;">Apague a luz se for chorar </span></i><span style="font-weight: 400;">é sobre os pequenos passos, que podem resultar em quedas grandes e subidas ainda maiores. Fabiane Guimarães brinca com a nossa imaginação e entende a impotência humana diante da finitude da vida, aprofundando seus personagens na medida certa. Para o livro, não há dúvidas: se for chorar, que seja na luz clara e corajosa do dia.</span></p>
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