<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Festival do Rio 2023 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2023/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2023/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 13 Nov 2023 19:44:57 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Festival do Rio 2023 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2023/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/mussum-o-filmis-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/mussum-o-filmis-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Nov 2023 19:44:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2023]]></category>
		<category><![CDATA[47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Ailton Graça]]></category>
		<category><![CDATA[Alcione]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Antônio Carlos Bernardes Gomes]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Cacau Protásio]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Anysio]]></category>
		<category><![CDATA[Cinebiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Clarice Paixão]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Downtown Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Estação Primeira de Mangueira]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Gramado]]></category>
		<category><![CDATA[Festival do Rio]]></category>
		<category><![CDATA[Festival do Rio 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Gero Camilo]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Mussum]]></category>
		<category><![CDATA[Mussum o Filmis]]></category>
		<category><![CDATA[Neusa Borgen]]></category>
		<category><![CDATA[Os Originais do Samba]]></category>
		<category><![CDATA[Os Trapalhões]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Cursino]]></category>
		<category><![CDATA[Renato Aragão]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Samba]]></category>
		<category><![CDATA[Silvio Guindane]]></category>
		<category><![CDATA[Thawan Lucas Bandeira]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[Vanderlei Bernardino]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<category><![CDATA[Yuri Marçal]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31833</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Mussum, o Filmis chegou às telas em uma safra fértil para as personalidades brasileiras: alguns meses depois de Nosso Sonho, junto do documentário Elis e Tom, Só Tinha de Ser com Você e Meu Nome é Gal, e pouco antes de Meu Sangue Ferve por Você. Haja cultura e diversidade em um ano &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mussum-o-filmis-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/mussum-o-filmis-critica/">Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31839" aria-describedby="caption-attachment-31839" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31839" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586.jpg" alt="" width="1280" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-800x332.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-1024x425.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-1200x498.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31839" class="wp-caption-text">Maior estreia nacional em 2023, Mussum, o Filmis integrou a programação da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou às telas em uma safra fértil para as personalidades brasileiras: alguns meses depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nosso-sonho-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, junto do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Elis e Tom, Só Tinha de Ser com Você </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eV1cJ560K2E"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Nome é Gal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e pouco antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Sangue Ferve por Você</span></i><span style="font-weight: 400;">. Haja cultura e diversidade em um ano em que, independentemente dos desempenhos individuais de cada obra, o Cinema nacional mostrou a potência que é &#8211; e que poderia ser ainda maior com </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/08/as-cotas-de-tela-sao-positivas-para-o-cinema-brasileiro-e-precisam-ser-retomadas.shtml"><span style="font-weight: 400;">políticas públicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que verdadeiramente valorizassem esse potencial. Para melhorar, a envolvente cinebiografia do sambista, ator e comediante Mussum, eternamente conhecido pelo seu papel como um dOs Trapalhões, arranca risadas fáceis e, não por menos, estreou com seis Kikitos do Festival da Gramado na bagagem, além de passagens pelo Festival do Rio 2023 e pela 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Mostra Brasil.</span></p>
<p><span id="more-31833"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">veio com um desafio: adaptar para as telas, em pouco menos de duas horas, a vida de uma personalidade polivalente, que se destacou na Música, na TV e no Cinema. Logo aqui, o roteiro de Paulo Cursino toma uma decisão importante de focar menos no extenso currículo pelo qual o profissional é conhecido e mais em Antônio Carlos Bernardes Gomes, nome real de </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/ailton-graca-explica-origem-do-apelido-mussum-e-um-peixe.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Mussum</span></a><span style="font-weight: 400;">. É por esse título (ou melhor, Carlinhos) que ele era conhecido em sua faceta artística preferida, a de sambista, e o apelido da Televisão vira coadjuvante em uma história que mostra os bastidores pessoais do Trapalhão.</span></p>
<figure id="attachment_31834" aria-describedby="caption-attachment-31834" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2.jpg" alt="" width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-31834" class="wp-caption-text">Estreando na direção de longas-metragem em Mussum, Silvio Guindane é mais conhecido por seu trabalho como ator, tendo participado Bom Dia, Verônica e É Fada (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">é pau para toda obra: entre comédia e drama, a obra entrega excelência, risadas e emoções. Além de transitar entre os dois gêneros, o longa-metragem &#8211; o primeiro de Silvio Guindane na direção -, passeia entre a </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/noticia/2023/10/22/ailton-graca-mussum-e-um-personagem-tao-grande-que-precisa-de-tres-atores-para-dar-vida.ghtml"><span style="font-weight: 400;">vida pessoal de Carlinhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde a infância até o auge da carreira na Rede Globo, esquivando até de alguns clichês. Por exemplo, a origem humilde do menino, que cresceu com uma mãe solo diarista e sem pai por perto no Rio de Janeiro, ganha tons de comédia com uma mãe mestre em arrancar sorrisos. Interpretada por Cacau Protásio em um primeiro momento, Malvina ensina o filho que estudar é o mais importante na vida e que, como jogador de futebol ou sambista, ele não vai dar certo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O erro é claro. O doce Carlinhos, até aqui vivido por um carismático Thawan Lucas Bandeira, vai para um colégio interno e vira militar. Pelo menos, isso é o que a versão jovem adulta de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/mussum-o-filmis-todo-mundo-brinca-que-foi-uma-parada-espiritual-que-o-mussum-baixou-em-mim-naquele-momento-revela-yuri-marcal/"><span style="font-weight: 400;">Yuri Marçal</span></a><span style="font-weight: 400;"> conta. Cheio de caras e bocas, o protagonista é apresentado como um sambista de primeira e, mesmo que minta para mãe sobre seu paradeiro, ganha a vida tocando junto de Elza Soares e fazendo mais dinheiro do que ele poderia imaginar, o que o faz largar o Exército e investir de vez na carreira. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">é econômico em como ele chegou até ali, mas, mais para frente, mostra que a economia na verdade era sucintez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é: a formação que tocou com a rainha da Música brasileira era </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rvuNLJX1Pt8&amp;pp=ygUZb3JpZ2luYWlzIGRvIHNhbWJhIHRlcmV6YQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">Os Originais do Samba</span></a><span style="font-weight: 400;">, grupo de Antônio Carlos que se tornou notório no gênero musical. No entanto, por mais que Carlinhos estivesse satisfeito com o título de musicista dividindo uma roda de samba com Cartola, a sorte (ou o acaso) o chamou. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra como, em uma apresentação na Rede Globo, o artista foi notado pelo diretor e, de um segundo para o outro, estava dividindo o palco com Grande Otelo e ganhando o apelido que o acompanharia pelo resto de seus dias.</span></p>
<figure id="attachment_31835" aria-describedby="caption-attachment-31835" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31835" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-4.jpg" alt="" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31835" class="wp-caption-text">O longa-metragem foi sucesso de bilheteria e, logo no dia da estreia, arrecadou R$ 640 mil, se tornando a maior estreia nacional do ano (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse momento, Carlinhos já é </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/ailton-graca-sobre-mussum-o-racismo-cria-estereotipos-para-homem-preto"><span style="font-weight: 400;">Ailton Graça</span></a><span style="font-weight: 400;">. As transições cheias de estilo, que combinam com o tom descontraído que o longa propõe, engolem alguns eventos importantes da vida de Mussum, sem um controle certo do tempo. Porém, o roteiro admite (e acerta) que não tenta abraçar o mundo com as mãos. Passagens como o primeiro e o segundo casamento do artista, sua relação com os filhos e até o início da colaboração com a </span><a href="https://oglobo.globo.com/blogs/ancelmo-gois/post/2023/10/mussum-o-filmis-sera-exibido-na-quadra-da-mangueira-grande-paixao-do-humorista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Estação Primeira de Mangueira</span></a><span style="font-weight: 400;"> passam batido, mas compensam o espectador com outros momentos igualmente emocionantes. É impossível não se emocionar com o pequeno ensinando a mãe a escrever o nome ou sentir que está vendo a história se desenrolando ao testemunhar o comediante e a cantora Alcione (</span><span style="font-weight: 400;">Clarice Paixão</span><span style="font-weight: 400;">) no mesmo quadro, ou Chico Anysio (Vanderlei Bernardino) criando o dialeto que deixou o personagem caricato na Escolinha do professor Raimundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem carrega toda essa emoção é Graça. O veterano da TV e do Cinema fecha o trio de ouro com a versão mais velha de Mussum, vivendo sua ascensão na frente das câmeras e na Música, desde a descoberta até a crise no grupo de samba e a entradas n</span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/em-1983-lucro-exorbitante-de-renato-aragao-provocou-rebeliao-em-os-trapalhoes-39202"><span style="font-weight: 400;">Os Trapalhões</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme deixa claro como o carisma e o bom humor de Antônio Carlos &#8211; e não Mussum &#8211; o alçou ao estrelato, chamando atenção inclusive de Anysio e Renato Aragão (Gero Camilo), que posteriormente o convidaria para integrar o quarteto mais famoso do domingo. Nisso, o ator igualmente carismático usa da sua maestria para preencher todos os espaços em que adentra, seja pela extravagância de sua risada, seu jeito cômico e magnético de falar ou por sua personalidade real, que o levaria a conflitos pessoais.</span></p>
<p><figure id="attachment_31837" aria-describedby="caption-attachment-31837" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31837" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-2.jpg" alt="" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31837" class="wp-caption-text">No Festival de Gramado, as atuações de Mussum, o Filmis renderam ao longa os troféus de Melhor Ator (Ailton Graça), Melhor Atriz Coadjuvante (Neusa Borges) e Melhor Ator Coadjuvante (Yuri Marçal) [Foto: Downtown Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Tais conflitos, inclusive, ganham mais ou menos importância dentro das quase duas horas. A trama elege o que prioriza, deixando um quê de dúvida sobre o que ficou de fora e o que foi </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/silvio-guindane-diz-que-fora-das-telas-mussum-nao-bebia-como-personagem-nao-era-a-parada-dele-nunca-foi.ghtml"><span style="font-weight: 400;">romantizado</span></a><span style="font-weight: 400;"> na vida de Mussum para as telas. A crise no primeiro casamento e a paternidade do artista, por exemplo, recebem menos atenção do que as brigas dentro do grupo musical ou entre Trapalhões em ascensão. Já o </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/mussum-o-filmis-quem-filma-o-preto-como-sofredor-e-o-branco-a-gente-nao-se-acha-coitado-por-isso-queria-falar-desse-amor-de-mae-e-filho-revela-o-diretor-silvio-guindane/"><span style="font-weight: 400;">racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece de forma sutil, mas a comédia não esquece do tom social: Carlinhos tem um letramento racial desde a infância, graças à mãe, e já mais velho pontua situações incômodas às quais é submetido dentro do programa de TV no domingo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa se balanceia e se redime em outros pontos. Recriando as cenas do programa na TV e das performances dOs Originais do Samba, trazendo figurinos da época e incluindo grandes nomes da cultura popular brasileira, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">acerta na nostalgia, na identificação da cultura nacional e na dinamicidade, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=d2qyEAzpBso"><span style="font-weight: 400;">deixando a própria história se contar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Afinal, até os mais novos sabem quem é Didi, Boni ou Alcione. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já um dos pontos altos da sucintez do roteiro é o foco especial entre o conflito de interesses de Antônio Carlos e a relação com a mãe. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">faz jus à carreira de sambista do comediante e mostra como ele optou continuar na TV, mas sempre sonhando em retornar ao samba. Já na relação com a matriarca, a transição da juventude para a idade adulta traz Neusa Borges como a versão mais velha de Malvina. O retrato do afeto entre mãe e filho, com </span><a href="https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2023/08/20/mussum-o-filmis-e-o-grande-vencedor-do-51o-festival-de-cinema-de-gramado.ghtml"><span style="font-weight: 400;">cenas comoventes</span></a><span style="font-weight: 400;"> toda vez que Graça e Borges contracenam, mostram que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">realmente não é sobre a carreira de Mussum, mas quem sempre esteve por trás dela.</span></p>
<p><figure id="attachment_31836" aria-describedby="caption-attachment-31836" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31836" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-3.jpg" alt="" width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-31836" class="wp-caption-text">Mussum, o Filmis foi o grande vencedor de Gramado e, além dos prêmios de atuação, levou Melhor Filme, Melhor Trilha Musical (Max de Castro) e Melhor Filme do júri popular [Foto: Downtown Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Alguns clichês são inevitáveis em todos os gêneros e, em cinebiografias, a tentativa de conectar a vida do artista retratado com o público pode enforcar a obra, criando momentos de emoção que simplesmente não vão para frente. Talvez por se tratar de uma história nacional e tão próxima de casa (ou melhor, da TV da sala), </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">tem tudo para encantar qualquer audiência &#8211; ela só tem que ser corajosa o suficiente para deixar a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> de lado e </span><a href="https://almapreta.com.br/sessao/cultura/mussum-o-filmis-tem-a-maior-estreia-no-cinema-nacional-em-2023/"><span style="font-weight: 400;">valorizar o Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> e as personalidades brasileiras. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/mussum-o-filmis-critica/">Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/mussum-o-filmis-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31833</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Here olha para o que ninguém vê</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/here-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/here-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Oct 2023 20:37:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Bas Devos]]></category>
		<category><![CDATA[Bélgica]]></category>
		<category><![CDATA[Bruxelas]]></category>
		<category><![CDATA[Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Dieter Diependaele]]></category>
		<category><![CDATA[Enconteurs]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Berlim]]></category>
		<category><![CDATA[Festival do Rio]]></category>
		<category><![CDATA[Festival do Rio 2023]]></category>
		<category><![CDATA[FIPRESCI]]></category>
		<category><![CDATA[Grimm Vandekerckhove]]></category>
		<category><![CDATA[Here]]></category>
		<category><![CDATA[imigração]]></category>
		<category><![CDATA[Liyo Gong]]></category>
		<category><![CDATA[Rediance Films]]></category>
		<category><![CDATA[Solidão]]></category>
		<category><![CDATA[Stefan Gota]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31712</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Para Bas Devos, fazer filmes é uma desculpa para ser curioso. Here, seu quarto longa-metragem, usa essa curiosidade para observar a relação de dois estranhos consigo mesmos, um com o outro e com o país que habitam, estrangeiro tanto quanto eles mesmos ali. A produção desembarcou no Brasil no 25° Festival do Rio &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/here-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Here olha para o que ninguém vê"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/here-critica/">Here olha para o que ninguém vê</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31715" aria-describedby="caption-attachment-31715" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31715" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4.png" alt="Cena do filme Here. A cena se passa em uma floresta, com o solo verde coberto por musgos e troncos de árvores ao fundo. Em um primeiro plano, os dois personagem estão mal iluminados e é possível ver, à esquerda, uma mulher adulta com cabelo preso em um coque, ajoelhada no chão, segurando uma planta na mão. À sua frente, à direita, é possível ver um homem curvado sobre uma pedra, encarando o que ela tem em mãos." width="1536" height="1012" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-800x527.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-1024x675.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-768x506.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-1200x791.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31715" class="wp-caption-text">Here venceu os prêmios de Encounters e FIPRESCI do Festival de Berlim e participou do Festival do Rio 2023 na seção Expectativa (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Bas Devos, </span><a href="http://www.sensesofcinema.com/2023/interviews/here-an-interview-with-bas-devos/"><span style="font-weight: 400;">fazer filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma desculpa para ser curioso. </span><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu quarto longa-metragem, usa essa curiosidade para observar a relação de dois estranhos consigo mesmos, um com o outro e com o país que habitam, estrangeiro tanto quanto eles mesmos ali. A produção desembarcou no Brasil no 25° </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/here"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;"> depois de conquistar dois troféus no </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2023/programme/202314178.html"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, olhando para o ordinário, torna até o comum fantástico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, o diretor belga segue Stefan (Stefan Gota), um trabalhador romeno da </span><a href="https://personaunesp.com.br/distopia-critica/"><span style="font-weight: 400;">construção civil</span></a><span style="font-weight: 400;"> morando em Bruxelas, na Bélgica. Quando a temporada de obra acaba e ele e seus colegas &#8211; igualmente estrangeiros &#8211; poderão aproveitar as férias em seus países de origem, o protagonista encontra uma mulher que o fará pensar duas vezes se deve ou não voltar. O grande porém é que ela sequer sabe o nome dele.</span></p>
<p><span id="more-31712"></span></p>
<figure id="attachment_31714" aria-describedby="caption-attachment-31714" style="width: 1380px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31714" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.jpg" alt="Cena do filme Here. A cena se passa durante a noite em um restaurante, onde é possível ver mesas e cadeiras vazias. Ao fundo, através de uma janela, é possível ver fachadas de outros restaurantes com as luzes acesas. No primeiro plano, à esquerda, vemos uma mulher branca, aparentando cerca de 40 anos, com cabelos castanhos na altura do ombro, sentada à mesa do restaurante com uma xícara de café a sua frente. Ela segura a mão do homem que está a sua frente, sentado na mesa à direita do quadro. Ele é branco, com cabelos curtos, aparenta ter cerca de 30 anos, tem uma xícara de café a sua frente e um casaco pendurado na cadeira." width="1380" height="921" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31714" class="wp-caption-text">Como em longas anteriores, Bas Devos aborda sutilmente a imigração, dessa vez de trabalhadores romenos para a Bélgica, algo que ele observou como um fenômeno no país (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encanto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Here </span></i><span style="font-weight: 400;">se faz na </span><a href="https://personaunesp.com.br/carvao-critica/"><span style="font-weight: 400;">simplicidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Stefan não pode ir para casa &#8211; neste caso, seu país de origem, não a residência onde mora &#8211; porque seu carro quebrou e ficará pronto em alguns dias. Nesse meio tempo, a preocupação do rapaz é cozinhar uma sopa com tudo que há na geladeira para que nada estrague. A segunda tarefa é distribuir o alimento para conhecidos, já que nem ele conseguirá consumi-lo antes de voltar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nessa normalidade que o roteiro &#8211; também confeccionado por Devos &#8211; se desenvolve: a relação do protagonista com a cidade e com as pessoas à sua volta é um exercício de enxergar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/paloma-critica/"><span style="font-weight: 400;">humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Filmados poeticamente por Grimm Vandekerckhove, os altos prédios de Bruxelas, as linhas de trem e a movimentação dos transportes criam uma sensação de solitude e barulho em meio ao concreto, ressoando a condição de distanciamento, como se ali ele fosse um estrangeiro em todos os sentidos. Stefan repete a si mesmo que ali é sua casa, mas nem ele parece acreditar na afirmação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal cenário é o contrário da </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-rugido-da-onca-critica/"><span style="font-weight: 400;">natureza</span></a><span style="font-weight: 400;">. O personagem principal, assim como o diretor, é um grande curioso e, com os dias livres enquanto espera seu carro, explora os arredores da cidade. Movido por sementes que encontrou no bolso, ele visita uma horta comunitária, um bosque perto do mecânico e uma pequena floresta local. Ao contrário dos momentos no âmbito urbano, nos quais as conversas são breves e o silêncio interno prevalece, em todos os encontros cercados por natureza ele se depara com pessoas e trava diálogos tão mundanos quanto as situações ali propostas. São nesses ambientes, a princípio quietos, que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><span style="font-weight: 400;">conexão humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> acontece, a grandiosidade é preenchida com vida e a sensação de pertencimento e completude impera.</span></p>
<figure id="attachment_31713" aria-describedby="caption-attachment-31713" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31713" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.jpg" alt="Cena do filme Here. A cena se passa durante o dia em uma floresta, em que é possível ver o solo marrom, coberto por musgos verdes em alguns trechos, troncos e árvores ao fundo. Em um primeiro plano, à esquerda, vemos uma homem branco, de aparentemente 30 anos, loiro de cabelo e barba curtos, vestindo uma jaqueta azul escura, um shorts roxo e uma bota preta ajoelhado no chão, observando uma planta em suas mãos. A sua frente, há um caderno aberto apoiado no chão. A direita do quadro, observando o que há nas mãos do homem, vemos uma mulher chinesa, aparentando cerca de 30 anos, com cabelos pretos presos em um coque, vestindo uma jaqueta com estampa militar, calã jeans e bota preta, sentada no chão." width="1536" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31713" class="wp-caption-text">Here é projetado em uma janela 4:3, menor do que o tradicional nos cinemas; para Devos, além de fugir ao que o espectador está acostumado, esse formato é o mais próximo de como ele vê a realidade (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo muda quando Stefan conhece Shuxiu (Liyo Gong) em um restaurante chinês na cidade. Se por lá as relações são rápidas e corriqueiras, o reencontro acidental dos dois na floresta acende uma conexão instantânea enquanto observam musgos e líquens. Ela, uma professora de microbiologia e botânica descendente de chineses, parece se sentir tão alheia a um cotidiano apático e desconexo quanto ele. Em mandarim, a personagem revela ter tido um sonho, em que de uma hora para outra esquece palavras, mostrando como se sente uma forasteira ali, como ele. Ambos parecem apenas esperar por uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/her-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conexão humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e a encontram entre seres microscópicos no solo da mata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por lá, os diálogos não são necessários para explicitar a ligação que passa a se desenvolver: os atores dão conta de expressar a diferença entre o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/"><span style="font-weight: 400;">estranhamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> inicial e a familiaridade que se estabelece aos poucos, se não com a cidade, um com o outro. Assim, partindo da grandiosidade da paisagem de Bruxelas e dos altos prédios em construção, a câmera se volta ao solo, ao micro dos organismos na base de tudo.</span></p>
<figure id="attachment_31716" aria-describedby="caption-attachment-31716" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31716" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5.jpg" alt="Cena do filme Here. Na imagem, vemos um zoom ou close-up de dois dedos de uma pessoa branca segurando um pequeno pedaço de planta verde." width="1536" height="1121" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-800x584.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-1024x747.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-768x561.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-1200x876.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31716" class="wp-caption-text">Passe um café e encare os musgos de olhos bem abertos (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A mudança do panorama macro para o micro, da vastidão para seres microscópicos, acontece de forma lenta, quase imperceptível. Porém, por mais encantador que seja, para explorar esse comum </span><a href="https://c7nema.net/entrevistas/item/119433-bas-devos-o-maior-privilegio-da-minha-vida-e-que-posso-fazer-filmes.html"><span style="font-weight: 400;">Devos</span></a><span style="font-weight: 400;"> propõem um verdadeiro exercício de paciência: se a geração atual não vive sem estímulos audiovisuais, vencer um ato completo de musgos, líquens e paisagens verdes sem nenhuma &#8211; ou pouca &#8211; troca de palavras é uma verdadeira batalha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=c-6qcdbs6os&amp;source_ve_path=MjM4NTE&amp;feature=emb_title"><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o ordinário de Bas Devos, ampliado pela fotografia de Vandekerckhove e pela montagem mansa de Dieter Diependaele, se torna completo, mas, para isso, passa por uma calmaria beirando o entediante. Ao final, Stefan e Shuxiu parecem mais conectados após uma tarde quieta na floresta do que no diálogo completo que tiveram na cidade. Ela sequer sabe o nome dele e, quem comprar o desafio de não se render à inquietude e se entregar à tranquilidade, pode encontrar o fantástico no habitual e a beleza em um encontro mais do que comum.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Here" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/c-6qcdbs6os?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/here-critica/">Here olha para o que ninguém vê</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/here-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31712</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O Desencontrar de Vidas Passadas</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/past-lives-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/past-lives-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Oct 2023 18:42:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2023]]></category>
		<category><![CDATA[A24]]></category>
		<category><![CDATA[California Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Celine Song]]></category>
		<category><![CDATA[Christopher Bear]]></category>
		<category><![CDATA[Coreia do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Rossen]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Berlim]]></category>
		<category><![CDATA[Festival do Rio]]></category>
		<category><![CDATA[Festival do Rio 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Futuro]]></category>
		<category><![CDATA[Greta Lee]]></category>
		<category><![CDATA[imigração]]></category>
		<category><![CDATA[John Magaro]]></category>
		<category><![CDATA[Ludmila Henrique]]></category>
		<category><![CDATA[Nova York]]></category>
		<category><![CDATA[Passado]]></category>
		<category><![CDATA[Past Lives]]></category>
		<category><![CDATA[Presente]]></category>
		<category><![CDATA[Seul]]></category>
		<category><![CDATA[Seung Ah Moon]]></category>
		<category><![CDATA[Seung Min Yim]]></category>
		<category><![CDATA[Shabier Kirchner]]></category>
		<category><![CDATA[Sundance Film Festival]]></category>
		<category><![CDATA[Teo Yoo]]></category>
		<category><![CDATA[Urso de Ouro]]></category>
		<category><![CDATA[Vidas Passadas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31662</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique  Na cultura sul-coreana, há um conceito conhecido como In-Yun, que pode ser lido como “destino” ou “reencarnação”. Em gênese, In-Yun é o pressentimento que nos arrebata quando entendemos que uma eventualidade estava predestinada em nossos acasos, desenhada em algum no campo cósmico, e que nada e nem ninguém, poderia ser capaz de interferir &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/past-lives-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Desencontrar de Vidas Passadas"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/past-lives-critica/">O Desencontrar de Vidas Passadas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31664" aria-describedby="caption-attachment-31664" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31664" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-3.jpg" alt="" width="736" height="368" /><figcaption id="caption-attachment-31664" class="wp-caption-text">Antes do sucesso nas telas de cinema, o longa-metragem foi aclamado pela crítica especializada no Sundance Film Festival e na 73ª edição do Berlinale (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cultura sul-coreana, há um conceito conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i><span style="font-weight: 400;">, que pode ser lido como “</span><i><span style="font-weight: 400;">destino</span></i><span style="font-weight: 400;">” ou “</span><i><span style="font-weight: 400;">reencarnação</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em gênese, </span><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o pressentimento que nos arrebata quando entendemos que uma eventualidade estava predestinada em nossos acasos, desenhada em algum no campo cósmico, e que nada e nem ninguém, poderia ser capaz de interferir naquela factualidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa de estreia da cineasta Celine Song exibido no Brasil durante a 25ª edição do </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/noticias/festival-do-rio-anuncia-primeiros-filmes-internacionais"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;">, vemos o movimento de tempo entre dois melhores amigos e a maneira que seus destinos estão entrelaçados involuntariamente com suas vidas passadas. </span></p>
<p><span id="more-31662"></span></p>
<p><a href="https://letterboxd.com/journal/missed-connections-celine-song-past-lives/"><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> segue a trajetória de Na Young (Seung Ah Moon), jovem sul-coreana, que migrou do leste asiático para o Canadá e posteriormente para os Estados Unidos para vivenciar o tão perseguido sonho americano. Antes de assimilar as decorrências de suas escolhas, Young abandonou seu primeiro amor em seu país de origem, o jovem Hae Sung (Seung Min Yim), que embora distante do seu ponto de vista, permaneceu internalizado em algum vão de sua memória. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O arco dividido em três atos no decorrer de 24 anos regressa no momento em que a protagonista, agora conhecida como Nora (Greta Lee) e oficialmente cidadã norte-americana, reencontra com a figura de Hae Sung (Teo Yoo) nas redes sociais e reiteradamente resgatam as lembranças perdidas por meio de mensagens diárias. Embora os avanços tenham desencadeado uma memória afetiva entre os dois, a diferença entre rotas e a distância impossibilitou que o romance seguisse para um caminho sólido, contribuindo para um novo afastamento. Ambos seguiram suas vidas, conheceram outras pessoas e se apaixonaram por elas, entretanto, nunca conseguiram esquecer de maneira efetiva os acontecimentos do </span><a href="https://letterboxd.com/crew/story/the-cast-of-past-lives-tell-us-about-their/"><span style="font-weight: 400;">passado</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31663" aria-describedby="caption-attachment-31663" style="width: 735px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31663 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-3.jpg" alt="Cena do filme Past Lives. Da esquerda para a direita está Hae Sung (Seung Min Yim), jovem sul coreano, de cabelo liso, curto na tonalidade preta. Ele está vestindo uma jaqueta e uma calça em diferentes tonalidades de azul e carregando uma mochila nas costas também na cor azul. Ao seu lado está Na Young (Seung Ah Moon), jovem sul coreana, de cabelos castanhos, amarrados em um rabo de cavalo. Ela está vestindo um macacão azul jeans, uma blusa vermelha de flanela e um tênis branco, ela também está carregando uma mochila vermelha nas costas. Eles estão ao ar livre, nos arredores do bairro onde eles moram. Ao fundo é perceptível algumas casas em diversas tonalidades, plantas dentros de vasos e uma escadaria de concreto. " width="735" height="395" /><figcaption id="caption-attachment-31663" class="wp-caption-text">Past Lives alcançou 97% de aprovação no Rotten Tomatoes, marcando uma classificação média de 9.1/10 (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa-metragem é, além de tudo, um filme sobre </span><a href="https://medium.com/framerated/past-lives-2023-complex-immigrant-romance-full-of-yearning-fd183115145e"><span style="font-weight: 400;">cidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobre o espaço entre elas, suas semelhanças e dessemelhanças. A fotografia de Shabier Kirchner captura a beleza de dois polos diferentes, Seoul e Nova York. Em primeiro aspecto, por ambientar a infância de Nora e Hae Sung, a capital sul-coreana é retratada essencialmente por cenários arborizados, divagando por paisagens naturais e pátios escolares. Além da ambientação, a climatização dos primeiros minutos de tela são matizados por tonalidades mais vivas e expressivas, representando não apenas a pureza desse período, mas também o florescer da conexão entre os protagonistas.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrário ao clima vivaz da juventude, Nova York parece um muro de concreto, sólido, firme e acinzentado. A metrópole é palco do turismo estadunidense, retratado como um espaço na qual as pessoas vão para visitar, fotografar seus lugares históricos e adentrar nos restaurantes noturnos. O centro representa o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v-lxn21Ng9k"><span style="font-weight: 400;">amadurecimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Nora, da mulher forte na qual ela se tornou, e que encontrou seu conforto em meio ao caos da rotina agitada na grande cidade. </span></p>
<figure id="attachment_31665" aria-describedby="caption-attachment-31665" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31665" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-3.jpg" alt="" width="736" height="414" /><figcaption id="caption-attachment-31665" class="wp-caption-text">Em 2023, Greta Lee participou de dois filmes registrados com maior audiência nos cinemas, Past Lives e Homem Aranha: Através do Aranhaverso (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nora é um espelho da própria cineasta, que também migrou da Coreia do Sul para os Estados Unidos. Assim como </span><a href="https://a24films.com/notes/2023/06/a-note-from-celine-song"><span style="font-weight: 400;">Celine Song</span></a><span style="font-weight: 400;">, a personagem mantém essa conexão entre as duas superfícies. Uma metáfora dos dois, ao mesmo tempo que nenhum deles. Ela carrega consigo suas raízes coreanas e a recordação da sua infância, mas igualmente se encontra como uma garota tipicamente estadunidense. Ela é duas metades que se completam e que compartilham desse amor mútuo entre os dois mundos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente disso, parafraseando a fala da protagonista,</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9WJELGFUG-w"><span style="font-weight: 400;"> Hae Sung</span></a><span style="font-weight: 400;"> é em sua completude, um homem sul-coreano. Ele leva em sua essência os pensamentos, ideais e princípios da cultura coreana, compondo uma personalidade tímida e observadora, extremamente respeitosa e questionadora. Hae Sung conduz uma nostalgia acolhedora para Nora, trazendo múltiplas indagações de como suas vidas poderiam ter seguido caminhos diferentes se ela tivesse permanecido na Coreia do Sul, como as coisas poderiam ter se desenhado para um novo rumo. </span></p>
<figure id="attachment_31667" aria-describedby="caption-attachment-31667" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31667" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-2.jpg" alt="" width="736" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-31667" class="wp-caption-text">Past Lives foi indicado na categoria Urso de Ouro, prêmio de maior destaque no Festival de Cinema de Berlim (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama dos personagens é sublinhada pela vasta sensação do</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">e se…</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em ritmos descompassados, a sensação de como as coisas poderiam ter sido diferentes na vida de Nora e Hae Sung domina a tela de modo pontual, emergindo nos momentos de pausa, na troca de olhares e na </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2JwAMKpwk4IolH2KhF6nPn"><span style="font-weight: 400;">sonoridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que anuncia de maneira sucinta o que esses personagens significam um para outro naquele momento. A trilha sonora de Daniel Rossen e Christopher Bear totalizam esse sentimento, com timbres que invadem a cena e atingem o espaço e as emoções dos espectadores, que também seguem na reflexão sobre as escolhas que determinaram o específico momento de suas vidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somando a ligação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IAy9WVR5BUg"><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o atual parceiro de Nora, Arthur (John Magaro), configura outro aspecto na trajetória da personagem. A inquietude dele em razão da nova aparição de Hae Sung, carrega consigo a apreensão de novas manifestações emocionais entre os antigos melhores amigos de infância. Ainda assim, mesmo que o novo homem alcance os sentimentos de Na Young pela nostalgia, Arthur é uma representação de uma realidade, de um fato. Ele configura a escolha madura de Nora, reflete um verdadeiro encontro de almas, o “</span><i><span style="font-weight: 400;">ficar</span></i><span style="font-weight: 400;">” que estava predestinado, diferente de sua convivência com o seu antigo amor, que é marcado, sobretudo, pelo passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, a maneira que Celine Song anexa o conceito de destino no interior da cinematografia é mais pertencente ao sinônimo de encontro entre almas, do que de almas gêmeas. Isso fica evidente em meio a própria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9d4ObkmCJYs"><span style="font-weight: 400;">relação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Arthur e Hae Sung, que se conectam em razão de outro vínculo comum em suas vidas, o de Nora. O caminho trilhado por ela e sua transição de espaços também precedeu para o encontro dos dois, que talvez, se não fosse por ela, nunca teriam acontecido nessa vida ou poderia ter acontecido de outra maneira. </span></p>
<figure id="attachment_31666" aria-describedby="caption-attachment-31666" style="width: 1869px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31666" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.jpg" alt="" width="1869" height="1007" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.jpg 1869w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1024x552.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1536x828.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1200x647.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31666" class="wp-caption-text">“Se você deixa algo para trás, você ganha algo também” (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama nos transporta para uma reflexão interna. Ela consegue, de maneira minuciosa, sensibilizar a audiência delicadamente e impactar a extensão mais profunda dos nossos sentimentos. A sensação que fica é de conciliação com o nosso eu anterior, com os atos que acreditamos ser erros ou acertos, e que na verdade, já estavam alinhados de maneira natural em nossa sina. </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2023/programme/202313871.html"><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme sobre amor, abandono, passado e presente. Sobre as conexões que fazemos quando criança e que moldaram nossas decisões como adultos. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/past-lives-critica/">O Desencontrar de Vidas Passadas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/past-lives-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31662</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Nada de Graceland: Priscilla mora nos detalhes</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/priscilla-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/priscilla-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Oct 2023 20:18:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[1960]]></category>
		<category><![CDATA[Adaptação Literária]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Cailee Spaeny]]></category>
		<category><![CDATA[Elvis and Me]]></category>
		<category><![CDATA[Elvis Presley]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Festival do Rio]]></category>
		<category><![CDATA[Festival do Rio 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Graceland]]></category>
		<category><![CDATA[Jacob Elordi]]></category>
		<category><![CDATA[Memphis]]></category>
		<category><![CDATA[MUBI]]></category>
		<category><![CDATA[Philipe Le Sourd]]></category>
		<category><![CDATA[Phoenix]]></category>
		<category><![CDATA[Priscilla]]></category>
		<category><![CDATA[Priscilla Presley]]></category>
		<category><![CDATA[Romance]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah Flack]]></category>
		<category><![CDATA[Sofia Coppola]]></category>
		<category><![CDATA[Thomas Mars]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31647</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez  Sofia Coppola é mestre em retratar mulheres jovens adultas enclausuradas em residências enormes sob o controle de terceiros. No entanto, se Maria Antonieta terminou com a cabeça na guilhotina, Priscilla Presley quebrou o ciclo de solidão e escapou de sua prisão em Graceland, a segunda casa mais famosa dos Estados Unidos. Em Priscilla, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/priscilla-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nada de Graceland: Priscilla mora nos detalhes"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/priscilla-critica/">Nada de Graceland: Priscilla mora nos detalhes</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31654" aria-describedby="caption-attachment-31654" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31654" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1.png" alt="Cena do filme Priscilla. A cena mostra os dois atrás de uma mesa com um bolo de casamento. Priscilla, à esquerda, veste um vestido de casamento branco. Elvis, à direita, vestre um terno preto e fuma um cigarro. Os dois olham para a câmera. " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31654" class="wp-caption-text">Priscilla chegou ao Brasil pelo Festival do Rio 2023 e foi um dos filmes exibidos na Gala de Encerramento (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sofia Coppola é mestre em retratar mulheres jovens adultas enclausuradas em residências enormes sob o controle de terceiros. No entanto, se </span><i><span style="font-weight: 400;">Maria Antonieta </span></i><span style="font-weight: 400;">terminou com a cabeça na guilhotina, Priscilla Presley quebrou o ciclo de solidão e escapou de sua prisão em Graceland, a segunda </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-64286114"><span style="font-weight: 400;">casa mais famosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma adaptação do livro de memórias </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis and Me</span></i><span style="font-weight: 400;">, a diretora e roteirista deixa o nome do Rei do Rock de lado para direcionar o olhar à personagem-título.</span></p>
<p><span id="more-31647"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já sabemos o que precisamos sobre Elvis Presley. Para além da cultura popular, a </span><span style="font-weight: 400;">recente cinebiografia</span><span style="font-weight: 400;"> indicada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Baz Luhrmann mostra a ascensão e queda do cantor, incluindo seu relacionamento com Priscilla Presley e com a fama. </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">existe no mesmo contexto, mas Coppola &#8211; </span><span style="font-weight: 400;">que esclareceu que fez o </span><a href="https://www.vogue.com/article/sofia-coppola-priscilla-instagram"><span style="font-weight: 400;">filme para ela mesma</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; procura o lado da menina que chegou perto demais do brilho de uma estrela e teve o seu próprio apagado.</span></p>
<figure id="attachment_31650" aria-describedby="caption-attachment-31650" style="width: 828px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31650" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2.png" alt="" width="828" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2.png 828w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2-800x531.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2-768x510.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31650" class="wp-caption-text">A direção de arte e departamentos de figurino e maquiagem de Priscilla fizeram de Jacob Elordi um Elvis Presley digno de estampar capas de discos e revistas (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, Elvis (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RYhCj2J4gJo"><span style="font-weight: 400;">Jacob Elordi</span></a><span style="font-weight: 400;">) conhece a protagonista &#8211; ainda então Priscilla Beaulieu (Cailee Spaeny) &#8211; na Alemanha, quando servia o exército. Na época, ele já era um astro da Música, tendo todos os olhos voltados para ele mesmo no exterior. Casualmente, a menina é convidada para um evento na casa dele e prova um pouco de sua atenção, que não seria constante pelo resto do casamento dos dois. Presley era a típica celebridade cercada de pessoas a seu dispor, dando palhinhas de seu talento e usando seu charme para questionar à protagonista qual era sua canção favorita dele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como toda adolescente dos anos 1960, Priscilla era fã de Elvis Presley e seus pôsteres na parede não a deixam mentir. Mesmo no nono ano da escola, como o cantor rapidamente descobre &#8211; e </span><a href="https://observatoriodosfamosos.uol.com.br/musica/destaques/elvis-presley-e-dixie-a-polemica-relacao-sexual-adolescente-do-rei-do-rock"><span style="font-weight: 400;">não parece ligar</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, ela ganha a afeição do artista e conhece seu lado mais frágil e carinhoso. Ele estava de luto pela mãe, precisava de companhia e não media esforços para conquistar ela e os pais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no primeiro ato, Sofia Coppola mostra um Elvis Presley apaixonado. Se a história do casal se desdobrou para um divórcio conturbado, o início não se mostrava assim. A cineasta</span> <span style="font-weight: 400;">não vê necessidade em discorrer sobre a carreira do Rei antes da entrada da protagonista em sua vida e, acertadamente, distorce o título do livro adaptado: </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis e Eu</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna apenas </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, quem quiser assistir sobre a vida completa do astro, pode procurar essa </span><a href="https://personaunesp.com.br/elvis-critica/"><span style="font-weight: 400;">história em outras obras</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, o antes, durante e depois do casamento deles se torna a trama principal e a mudança de tom no relacionamento entre os dois, o grande chamativo.</span></p>
<figure id="attachment_31652" aria-describedby="caption-attachment-31652" style="width: 818px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31652" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2.png" alt="" width="818" height="459" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2.png 818w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31652" class="wp-caption-text">O selo que detém os direitos das músicas de Elvis Presley não liberou seu uso para Priscilla; como resposta, a curadoria de Thomas Mars, vocalista da banda Phoenix e marido de Coppola, tornou o longa ainda mais original (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo de cara, é palpável a influência que Elvis Presley exerce sobre Priscilla &#8211; e, diga-se de passagem, todos a seu redor. Com uma atuação contida e inquietante de Jacob Elordi, o artista usa todo seu charme para provar à protagonista que, por trás do </span><a href="https://personaunesp.com.br/melhor-figurino-oscar-artigo/"><span style="font-weight: 400;">topete invejáve</span></a><span style="font-weight: 400;">l, bate um coração. No entanto, é só dele mesmo que Elvis sabe falar e todas as pessoas ao seu entorno parecem estar ali para meramente entretê-lo ou servi-lo, como a bizarra </span><i><span style="font-weight: 400;">Memphis Mafia </span></i><span style="font-weight: 400;">de urubus que nunca sai de perto. Ela aparenta ser a exceção, até não ser mais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para impor o desenrolar da narrativa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">se preocupa mais em contextualizar como a personagem foi parar em </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-que-aconteceu-com-graceland-famosa-mansao-de-elvis-presley.phtml"><span style="font-weight: 400;">Graceland</span></a><span style="font-weight: 400;"> e trocou o Beaulieu por Presley do que o que vem depois. Também a partir da influência do futuro marido, a menina vai e vem entre os Estados Unidos e a Alemanha, até que ele convence os pais dela a aprovarem a mudança para Memphis, sob </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/07/18/por-tras-de-elvis-presley-quem-era-colonel-tom-parker-tirano-e-psicopata.htm"><span style="font-weight: 400;">tutoria</span></a><span style="font-weight: 400;"> do pai de Elvis e estudando em uma escola católica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, como seria no restante do relacionamento, a protagonista deve se encaixar se quiser pertencer à vida do cantor. Ele está sempre entre trabalhos, seja na gravação de um filme com fofocas de envolvimento com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hzPSldehZJw"><span style="font-weight: 400;">alguma atriz da época</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou projetos musicais &#8211; e o artista faz questão de lembrá-la o quão sortuda ela é pelo privilégio de estar com o Rei do Rock. Até quando o astro não quer aprofundar a relação íntima dos dois, ele faz questão de lembrá-la que, se ela não for a mulher que ele precisa, haverão outras.</span></p>
<figure id="attachment_31655" aria-describedby="caption-attachment-31655" style="width: 1210px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31655" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1.png" alt="" width="1210" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1.png 1210w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-800x360.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-1024x460.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-768x345.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-1200x540.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31655" class="wp-caption-text">Em Priscilla, a trilha musical funciona como contadora de histórias e, segundo Thomas Mars, a canção Crimson &amp; Clover revela as emoções adolescentes de uma protagonista apaixonada (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para apresentar as nuances do relacionamento dos dois, a direção de Coppola se une ao trabalho primoroso de Cailee Spaeny e Jacob Elordi. Presley poderia ser o homem mais apaixonado do mundo, mas sua demonstração iria apenas até a página dois. Elordi incorpora a visão da cineasta em mostrar como o cantor passou a usar o carinho pela namorada como uma forma de controlá-la, dizendo a como </span><a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/ex-esposa-de-elvis-presley-entra-em-disputa-milionaria-por-heranca-da-familia"><span style="font-weight: 400;">se portar</span></a><span style="font-weight: 400;">, sentir e vestir. Em uma das cenas mais emblemáticas, Elvis convence a menina a trocar os cabelos castanhos por uma tintura preta e a maquiagem suave por um lápis escuro que destacaria os olhos, uma imagem que estamparia o álbum de casamento dos dois e as revistas da época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em menos de duas horas, o ator conduz um homem misterioso e apaixonado a um marido distante, indiferente e violento em todos os sentidos. Ao contrário de sua outra versão no Cinema, o Elvis de </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">não ganha tons extravagantes, mas uma aura de intocabilidade e fascínio envolvente, principalmente ao reconhecer seu verdadeiro caráter e assistir </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/07/11/12-mil-remedios-e-autopsia-em-segredo-os-misterios-da-morte-de-elvis.htm"><span style="font-weight: 400;">seu declínio</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><a href="https://variety.com/2023/scene/news/priscilla-cailee-spaeny-sofia-coppola-nyff-1235747399/"><span style="font-weight: 400;">Spaeny</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o contrário. De uma menina inocente que saiu de casa para doar sua vida a Presley e se gabava de namorar o ídolo na escola, Priscilla cativa ao finalmente levantar a voz, mesmo que isso signifique ser calada e repreendida. No entanto, antes disso tudo, ela se entrega à própria solidão e quietude de forma gritante, apenas no interior. Andando perdida e solitária por uma Graceland vazia na ausência de Elvis Presley ou cheia de gente indiferente em sua presença, ela é acompanhada da própria solidão e da fantasia de estar do lado de um astro, retrato que a rendeu o prêmio de </span><a href="https://www.france24.com/en/live-news/20230909-cailee-spaeny-wins-venice-best-actress-for-priscilla"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Festival de Veneza.</span></p>
<figure id="attachment_31653" aria-describedby="caption-attachment-31653" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31653" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.png" alt="" width="1999" height="1999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1536x1536.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1200x1200.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31653" class="wp-caption-text">Priscilla Presley fez parte da concepção de Priscilla; além do livro adaptado, ela participou como produtora executiva (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como é marca registrada em outras obras, Sofia Coppola abusa dos detalhes. A visão do universo feminino de uma maneira sensível se une à </span><a href="https://www.billboard.com/culture/tv-film/sofia-coppola-priscilla-movie-songs-elvis-1235439666/"><span style="font-weight: 400;">atenção</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelas pequenas coisas. Unida a uma direção de arte e uma fotografia cuidadosa &#8211; essa segunda por responsabilidade de Philipe Le Sourd -, os pôsteres nas paredes, o quarto do casal decorado pelo cantor (sem um detalhe sequer lembrando a esposa), a recriação das capas de álbuns e revistas, e as pílulas cada vez em maior quantidade ganham atenção especial da câmera, como se naquele casamento, o diabo realmente estivesse nos detalhes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a sensibilidade do retrato de </span><a href="https://www.instagram.com/reel/CyTLVQ0uGMh/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igshid=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">Priscilla Presley</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; apoiado, inclusive, pela própria celebridade, que exerceu o cargo de </span><a href="https://people.com/sofia-coppola-was-really-nervous-to-meet-priscilla-presley-exclusive-7970326"><span style="font-weight: 400;">produtora executiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme &#8211; encontra seu fraco no roteiro, também realizado por Coppola. O relacionamento dos artistas e como ambos se desenvolvem para melhor ou pior dentro dele cria a atmosfera envolvente de observar duas pessoas reais, cegadas pelos holofotes e pela atenção, em uma situação já conhecida na cultural popular, mas vista de dentro. É aliada à montagem de Sarah Flack (colaboradora da cineasta desde </span><i><span style="font-weight: 400;">Encontros e Desencontros</span></i><span style="font-weight: 400;">) que a narrativa se dedica demais a alguns pontos, enquanto esquece outros.</span></p>
<figure id="attachment_31651" aria-describedby="caption-attachment-31651" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31651" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2.png" alt="" width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31651" class="wp-caption-text">Priscilla integrou a programação do Festival de Veneza e recebeu o sinal verde para divulgar o filme no evento, mesmo em meio à greve dos atores e roteiristas (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, enquanto roteirista, </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2023/aug/27/sofia-coppola-archive-memoir-memories-book-extract-lost-translation-virgin-suicides"><span style="font-weight: 400;">Coppola</span></a><span style="font-weight: 400;"> passa mais tempo pintando o quadro de Priscilla como uma doce menina submissa do que mostrando os momentos em que a jovem cresce para além da sombra perversa do marido. Inclusive, a cineasta acena para aqueles da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">que decidiram que as cenas de sexo não agregam à narrativa como um de seus maiores pecados: depois de anos desejando a atenção do marido, quando Priscilla e Elvis finalmente concretizam o casamento, a cena que poderia ser a mais íntima e reveladora de como o matrimônio dos dois seguiria é esquecida &#8211; ou simplesmente deixada de lado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, não há espaço para interpretações errôneas e é notável o quanto, ao longo dos mais de seis anos que passaram juntos, os Presleys mudaram &#8211; inclusive um ao outro. Sem esconder os abusos físicos, verbais e psicológicos de Elvis, </span><a href="https://www.wmagazine.com/culture/sofia-coppola-priscilla-cover-story-interview"><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não romantiza, mas também não desrespeita a biografia da protagonista e passa a mensagem de que, para além de um vilão maniqueísta, Elvis fez parte de sua vida. Apesar do ponto de virada acontecer durante todo o tempo em que estiveram juntos e não do dia para a noite, ainda é amarga a sensação de que são poucos os minutos dedicados à emancipação de Priscilla, agora uma mulher junto da </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2023/07/14/lisa-marie-presley-filha-de-elvis-morreu-por-complicacoes-de-cirurgia-bariatrica.ghtml"><span style="font-weight: 400;">filha</span></a><span style="font-weight: 400;">, das garras da fama, luxo e falsidade dos jardins de Graceland, deixando um gosto de quero mais para um clímax curto demais.</span></p>
<figure id="attachment_31649" aria-describedby="caption-attachment-31649" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31649" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.png" alt="" width="1200" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-768x320.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31649" class="wp-caption-text">Cailee Spaeny foi indicada como Melhor Performance Principal ao Gotham Awards, premição que se tornou um termômetro do Oscar (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido com uma sessão lotada na Gala de Encerramento da 25ª edição do </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/priscilla"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">prova novamente e mais uma vez o talento de Sofia Coppola em tornar narrativas peculiares, universais. Sob sua visão única, até a trilha sonora encabeçada por Phoenix, que de Elvis Presley não tem nada, vira uma grande contadora de histórias. De comum os Presley não entendem, mas a cineasta sim: a solidão e o enclausuramento são os mesmo em Memphis da década de 1960 ou na França do século 18. O que muda é que, de repetido, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DBWk6BohVXk"><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não tem nem o título.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/priscilla-critica/">Nada de Graceland: Priscilla mora nos detalhes</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/priscilla-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31647</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
