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	<title>Arquivos Festival de Locarno &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Entre Transamazônia e Ainda Estou Aqui, da TV ao teatro: Philipp Lavra reflete sobre sua trajetória como ator</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 15:00:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Há trajetórias de atores que se constroem menos por mudanças bruscas e mais por deslocamentos sucessivos, entre linguagens, territórios e modos de estar em cena. A de Philipp Lavra é atravessada por esse movimento constante: do teatro ao cinema, da televisão a produções independentes, sempre em busca de experiências que o tirem do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entre-transamazonia-e-ainda-estou-aqui-da-tv-ao-teatro-philipp-lavra-reflete-sobre-sua-trajetoria-como-ator/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre Transamazônia e Ainda Estou Aqui, da TV ao teatro: Philipp Lavra reflete sobre sua trajetória como ator"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36695" aria-describedby="caption-attachment-36695" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36695" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-800x450.png" alt="Close de Philipp Lavra de frente para a câmera em meio a uma floresta. Ele tem cabelos escuros, bigode e aparenta estar suado. Usa uma camisa xadrez bege sem mangas com os botões abertos. O fundo é um desfoque de folhagens verdes e luz solar filtrada." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36695" class="wp-caption-text">O ator reflete sobre o estranhamento e os desafios físicos de filmar na região amazônica (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há trajetórias de atores que se constroem menos por mudanças bruscas e mais por deslocamentos sucessivos, entre linguagens, territórios e modos de estar em cena. A de </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2025/04/7130300-artes-nao-se-afastam-se-integram-afirma-o-ator-e-fotografo-philipp-lavra.html"><span style="font-weight: 400;">Philipp Lavra</span></a><span style="font-weight: 400;"> é atravessada por esse movimento constante: do teatro ao cinema, da televisão a produções independentes, sempre em busca de experiências que o tirem do lugar confortável da repetição. Mais do que acumular papéis, sua carreira parece se organizar a partir do encontro com contextos específicos e da escuta atenta ao espaço em que cada história se inscreve.</span></p>
<p><span id="more-36691"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse desejo de atravessar linguagens e territórios se manifesta de forma especialmente nítida nos projetos que o levam para fora dos grandes centros e dos formatos mais convencionais. Ao longo dos últimos anos, Philipp tem se envolvido em produções que exigem não apenas preparo técnico, mas também disposição para lidar com o estranhamento, seja ele cultural, geográfico ou simbólico – movimento que convive, inclusive, com sua passagem recente pela televisão aberta, na novela </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/garota-do-momento/personagem/orlando/"><span style="font-weight: 400;">Garota do Momento</span></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), exibida pela Globo.</span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/no-limiar-da-denuncia-colonial-transamazonia-permanece-a-beira-do-confronto/"><span style="font-weight: 400;">Transamazônia</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge, então, como um desses encontros. Dirigido pela sul-africana, Pia Marais, o filme carrega um contraste fundamental: uma coprodução internacional que se propõe a encenar conflitos históricos, ambientais e espirituais no território brasileiro, marcado por disputas e feridas abertas. Para Philipp Lavra, que interpreta Júnior, um madeireiro envolvido nas tensões que atravessam a narrativa, a curiosidade surgiu do estranhamento.</span></p>
<h3><b>O primeiro contato com o projeto</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a proposta de Transamazônia chegou até Philipp Lavra, o primeiro sentimento foi de curiosidade. O projeto ainda estava em circulação entre testes e conversas iniciais quando ele ouviu que se tratava de </span><b>“</b><b><i>um filme gringo</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;"> ambientado na transamazônia. A combinação soou inesperada. </span><b>“</b><b><i>Um filme gringo na transamazônia? Curioso</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, lembra. O estranhamento inicial, porém, não funcionou como barreira, ao contrário, abriu espaço para o interesse em compreender melhor o que estava em jogo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que foi se aproximando do material e do contexto da produção, a desconfiança deu lugar à percepção de que aquele deslocamento fazia parte da própria natureza do filme. A história de um madeireiro inserido em uma região de conflito, atravessada por tensões políticas, ambientais e culturais, ganhou outra densidade quando Philipp entendeu também os limites concretos da realização. </span></p>
<figure id="attachment_36692" aria-describedby="caption-attachment-36692" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36692" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-800x450.png" alt="Plano médio mostra Philipp Lavra debruçado na janela de um carro, olhando para a direita. Ele usa uma camisa azul clara sem mangas e tem bigode. Ao fundo, fora de foco, o ator Rômulo Braga observa a cena com expressão séria." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36692" class="wp-caption-text">Philipp Lavra interpreta Júnior em Transamazônia, personagem marcado pela relação hierárquica e conflituosa com o irmão, vivido por Rômulo Braga (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<h3><b>Família, trabalho e ruína</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, o personagem Júnior é definido pela relação com o irmão mais velho, interpretado por </span><a href="https://gq.globo.com/artes-e-cultura/noticia/2025/05/ator-revela-como-foi-gravar-cena-de-abuso-em-filme-perguntei-se-estava-tudo-bem.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Rômulo Braga</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma dinâmica atravessada por afeto, conflito e hierarquia, tanto familiar quanto profissional. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“O nome Júnior, no Brasil, carrega um peso grande”</i></b><span style="font-weight: 400;">, observa Philipp. </span><b><i>“Ele é Júnior porque carrega o nome do pai, mas também porque é o irmão mais novo. É um duplo lugar.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse detalhe serviu como ponto de partida para a construção do personagem. </span><b>“</b><b><i>O personagem do Rômulo vive um conflito enorme, e isso faz com que a família comece a se fragmentar</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, explica. No filme, trabalho e laço familiar se confundem, reproduzindo uma lógica comum no contexto brasileiro. </span><b>“</b><b><i>A gente tentou mostrar esse ambiente familiar que está ruindo e que também é um ambiente de trabalho. Aqui, essas coisas estão muito unidas</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<h3><b>O sentimento de ser estrangeiro</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de brasileiro, Philipp descreve a experiência de filmar na Amazônia como um confronto direto com a própria ideia de pertencimento. </span><b>“</b><b><i>Eu sou sudestino, isso eu já sei. Mas quando você chega lá, você vê o tamanho da dimensão do Brasil</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, conta. Em determinado momento das filmagens, a percepção se tornou coletiva. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“O elenco internacional falava: ‘é muito difícil para a gente, porque somos estrangeiros aqui’. E eu falei: ‘eu também’. Todo mundo ali era estrangeiro.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DTajU6bDrGE/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">constatação</span></a><span style="font-weight: 400;">, longe de ser apenas geográfica, revela uma fratura simbólica: a distância entre o imaginário nacional e a realidade amazônica. </span><b>“</b><b><i>Mesmo sendo brasileiro, lá no meio a gente também parece estrangeiro</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, diz. Para ele, esse reconhecimento só foi possível a partir da vivência. </span><b>“</b><b><i>Eu não tinha entendido isso antes de estar lá</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa sensação de estrangeiridade também se materializou nas escolhas da produção. </span><b>“</b><b><i>A gente só filmou na Guiana Francesa porque dentro do território brasileiro nenhuma madeireira aceitou fazer. Ninguém aceitou que a gente filmasse dentro das madeireiras</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, relata. Além de um obstáculo logístico, a decisão expôs os limites de acesso e os interesses em jogo na região, reforçando a percepção de que Transamazônia lidava com tensões que extrapolavam a ficção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Philipp, o cuidado com o território foi um ponto central do processo. </span><b>“</b><b><i>A gente sabe que o cinema, às vezes, atropela o lugar</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, reflete. Ainda assim, ele destaca o esforço da equipe em estabelecer uma relação de </span><a href="https://forbes.com.br/forbeslife/2025/02/turismo-cinematografico-como-a-industria-do-cinema-impacta-os-destinos-de-viagem/"><span style="font-weight: 400;">respeito com o espaço</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>“</b><b><i>Achei que houve muito cuidado, uma ligação muito forte entre as equipes para fazer o melhor trabalho possível</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_36694" aria-describedby="caption-attachment-36694" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36694" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-800x450.png" alt="Plano aberto mostra uma casa de madeira desgastada sobre palafitas. No terreiro de terra batida à frente da casa, Philipp Lavra e Rômulo Braga caminham lado a lado. Há um quadriciclo verde estacionado à direita e barris azuis e rosados à esquerda." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36694" class="wp-caption-text">Os irmãos representam a ruína das relações de exploração (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<h3><b>A cena quase cortada de Ainda Estou Aqui</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio das filmagens de Transamazônia, Philipp Lavra viveu uma situação-limite que quase o afastou de uma das cenas mais emblemáticas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), dirigido por Walter Salles. A sequência do fotógrafo, que mais tarde ganharia grande repercussão nas redes, dependia de um detalhe incontrolável: a luz natural.</span> <b>“</b><b><i>Era a cena da foto, e no dia fez um dia horrível. Fechou o tempo</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, relembra. Para o diretor, a luz era inegociável. </span><b>“</b><b><i>O Walter queria muito uma luz natural, e não dava</i></b><b>”</b><b><i>.</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O impasse ganhou contornos ainda mais delicados por causa do cronograma. A cena estava prevista para uma segunda-feira, enquanto a viagem de Philipp para a Amazônia aconteceria poucos dias depois. Com a gravação cancelada, a possibilidade de refazer a cena parecia cada vez menor. </span><b>“</b><b><i>Eu já estava preparado para não fazer. Falei: ‘bom, então não vai dar, porque eu viajo no domingo’</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, conta. A equipe, no entanto, insistiu em tentar uma última alternativa. Contra as previsões, a gravação foi remarcada para o sábado seguinte. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“Tinha que ser aquele sábado. E foi um dia lindo, fez um sol maravilhoso no Rio de Janeiro. A gente conseguiu filmar. Eu viajei no dia seguinte, mas quase não fiz. Foi por muito pouco mesmo.”</i></b></p></blockquote>
<p><b>“</b><b><i>São dois filmes completamente diferentes</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, observa. </span><b>“</b><b><i>Uma produção no Rio, com toda a familiaridade que eu tenho, e a outra 100% novidade</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">No intervalo apertado entre um set e outro, o ator se viu atravessado por ritmos, linguagens e territórios opostos, uma experiência intensa, mas que ele define, sem hesitar, como </span><b>“</b><b><i>bem legal</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_36693" aria-describedby="caption-attachment-36693" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36693" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-800x450.png" alt="Philipp Lavra, à direita, sorri levemente enquanto manuseia uma câmera fotográfica antiga de médio formato sobre um tripé. Ele veste camisa azul clara. Ao seu lado, um homem negro de terno marrom observa. O cenário é um jardim ensolarado com muro branco e plantas verdes." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36693" class="wp-caption-text">A cena do fotógrafo em Ainda Estou Aqui que quase foi cancelada devido a conflitos de agenda (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<h3><b>Criar laços, mesmo sem pertencer</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao pensar no futuro, Philipp não fala em formatos específicos, mas em deslocamentos. </span><b>“</b><b><i>Eu gosto muito de viajar pelo Brasil</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;">, diz. Filmes que se debruçam sobre culturas e territórios específicos despertam seu interesse justamente pela possibilidade de troca. </span><b>“</b><b><i>Conhecer e, depois, poder passar essa palavra</i></b><b>”</b><b><i>.</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência se repetiu inclusive, no ano seguinte à Transamazônia, ele voltou à região para filmar em Cametá, no Pará. </span><b>“</b><b><i>Fiquei 40 dias na Amazônia. Você não se torna uma pessoa daquele lugar, mas cria laços com o espaço, com as pessoas. Laços afetivos</i></b><b>”</b><b><i>.</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez seja aí que o Cinema, para Philipp Lavra, encontre sua função mais honesta: não a de explicar territórios complexos, mas a de atravessá-los com atenção, reconhecendo limites, distâncias e vínculos possíveis. Porque, às vezes, estar presente, mesmo como estrangeiro, já é um gesto de escuta.</span></p>
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		<title>No limiar da denúncia colonial, Transamazônia permanece à beira do confronto</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jan 2026 17:43:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires A Amazônia, no cinema internacional, costuma surgir como superfície de projeção: um espaço onde fantasias espirituais, dilemas morais e impasses civilizatórios são encenados a partir de um olhar estrangeiro. Transamazônia, quarto longa-metragem da diretora sul-africana Pia Marais, se insere diretamente nessa tradição. Estreado no Festival de Locarno em 2024 e apresentado no Brasil &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/no-limiar-da-denuncia-colonial-transamazonia-permanece-a-beira-do-confronto/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "No limiar da denúncia colonial, Transamazônia permanece à beira do confronto"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/no-limiar-da-denuncia-colonial-transamazonia-permanece-a-beira-do-confronto/">No limiar da denúncia colonial, Transamazônia permanece à beira do confronto</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36676" aria-describedby="caption-attachment-36676" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36676" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-800x450.png" alt="Uma paisagem de floresta tropical densa, úmida e nebulosa. No centro da imagem, sobre o chão lamacento e escuro, veem-se destroços metálicos retorcidos, aparentemente de uma pequena aeronave acidentada. Raios de luz solar filtram através da neblina e das grandes folhas de palmeiras." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/35.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36676" class="wp-caption-text">A trama parte da sobrevivência de Rebecca aos destroços de um acidente aéreo (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Amazônia, no cinema internacional, costuma surgir como superfície de projeção: um espaço onde fantasias espirituais, dilemas morais e impasses civilizatórios são encenados a partir de um olhar estrangeiro. </span><i><span style="font-weight: 400;">Transamazônia</span></i><span style="font-weight: 400;">, quarto longa-metragem da diretora sul-africana Pia Marais, se insere diretamente nessa tradição. Estreado no Festival de Locarno em 2024 e apresentado no Brasil no </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/noticias/pia-marais-fala-sobre-transamazonia-filme-que-retrata-exploracao-da-fe-e-da-floresta"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;"> – onde integrou a Mostra COP 30 em 2025 –, o filme carrega consigo o peso simbólico de falar sobre fé, meio ambiente e povos indígenas a partir de uma coprodução intercontinental (França, Alemanha, Suíça, Tailândia e Brasil). Desde a gênese do projeto, inspirada livremente na história real de Juliane Koepcke – a única sobrevivente de um acidente aéreo na Amazônia peruana em 1971 –, a obra se constrói sobre deslocamentos: culturais, geográficos e narrativos.</span></p>
<p><span id="more-36669"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama acompanha Rebecca (Helena Zengel), jovem que sobrevive à queda de um avião na floresta amazônica e passa a ser vista como um milagre vivo pela comunidade religiosa pentecostal liderada por seu pai, o missionário estrangeiro Lawrence Byrne (Jeremy Xido). A partir desse ponto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Transamazônia </span></i><span style="font-weight: 400;">articula três vertentes narrativas: a relação entre pai e filha, marcada por manipulação e silêncio; a aculturação religiosa como prática histórica de dominação; e o embate entre </span><a href="https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2025/07/08/madeireiros-ilegais-lucram-com-projetos-de-credito-de-carbono-na-amazonia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">madeireiros ilegais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma comunidade indígena que protege seu território. A ambição da obra está justamente em fazer esses eixos colidirem, mas sua fragilidade aparece quando nenhum deles é aprofundado o suficiente para sustentar o peso das questões que levanta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No centro emocional da narrativa está a relação entre Rebecca e Lawrence. A ascensão da jovem como figura milagrosa, capaz de fazer pessoas voltarem a andar ou despertarem de um coma, é instrumentalizada pelo pai como capital simbólico de sua igreja. </span><a href="https://www.lagoanerd.com.br/post/a-lenda-de-ochi-fantasia-da-a24-ganha-novos-cartazes"><span style="font-weight: 400;">Helena Zengel</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrega uma performance contida, que sugere fissuras internas mais interessantes do que se é permitido explorar no roteiro, assinado por Pia Marais, Willem Droste e Martin Rosefeldt. Já Jeremy Xido constrói um Lawrence ambíguo, dividido entre fé, poder e paternidade, mas limitado por um arco dramático que frequentemente soa mal resolvido. Revelações tardias e pouco orgânicas, como segredos familiares descobertos de maneira abrupta, enfraquecem o conflito íntimo que poderia funcionar como espelho das ruínas morais provocadas pela ganância humana.</span></p>
<figure id="attachment_36675" aria-describedby="caption-attachment-36675" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36675" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-800x450.png" alt="Sob uma iluminação fria e azulada, Rebecca (Helena Zengel) e seu pai Lawrence (Jeremy Xido) estão de pé, lado a lado, segurando microfones próximos à boca. Ambos vestem roupas brancas e parecem cantar ou orar de olhos fechados ou baixos. O fundo é composto por uma cortina branca translúcida." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/34.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36675" class="wp-caption-text">A ascensão da jovem Rebecca como figura &#8220;milagrosa&#8221; é instrumentalizada pelo pai missionário como capital simbólico para sua igreja pentecostal (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob a perspectiva de Pia Marais, a aculturação religiosa surge como um costume que o Brasil conhece desde os primeiros anos da colonização. O missionarismo de Lawrence além de prática espiritual, é uma forma de reorganizar o ambiente, os corpos e as crenças locais. O filme acerta ao apontar esse mecanismo como parte de um novo colonialismo, no qual </span><a href="https://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/faltou-dizer-colunas-e-blogs/juros-aos-ceus-existe-uma-linha-tenue-entre-fe-lucro-e-manipulacao-697496/"><span style="font-weight: 400;">fé, lucro e poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> caminham juntos. No entanto, permanece no limiar da denúncia: identifica o problema, mas evita tensioná-lo até as últimas consequências, preferindo uma abordagem ambígua que nunca se transforma em confronto direto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mesmo ocorre no eixo ambiental. Filmado majoritariamente no território indígena </span><a href="https://cop.dol.com.br/belem-para/povo-asurini-lanca-plano-de-gestao-ambiental-para-terra-indigena-koatinemo/7046/"><span style="font-weight: 400;">Asurini do Xingu</span></a><span style="font-weight: 400;">, com sequências rodadas também na Guiana Francesa, em áreas liberadas para o desmatamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Transamazônia </span></i><span style="font-weight: 400;">apresenta o conflito entre madeireiros ilegais e povos originários como pano de fundo constante. Há momentos de forte presença dos personagens indígenas, como o Silas, interpretado por Hamã Sateré, descendente das etnias Tikuna e Sateré-Mawé, cuja performance se destaca justamente pela economia de palavras e intensidade corporal. Ainda assim, esses personagens raramente têm voz narrativa própria. O longa opta por observá-los à distância, reduzindo sua participação a reações de raiva ou resistência, sem lhes conceder perspectiva, discurso ou centralidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa escolha revela um problema estrutural que atravessa seus 112 minutos. O conflito se organiza, em grande medida, como o embate entre dois grupos de personagens brancos – missionários e exploradores – tendo os povos indígenas como objeto da disputa, e não como sujeitos da narrativa. O resultado é uma sensação de déjà-vu: esse conceito já foi explorado inúmeras vezes pelo Cinema, e a expectativa era por uma abordagem mais revolucionária. Em vez disso, a produção flerta perigosamente com a lógica do </span><a href="https://mundonegro.inf.br/o-complexo-do-branco-salvador-no-cinema-norte-americano/"><i><span style="font-weight: 400;">white savior</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Se a intenção era escapar dessa armadilha, o resultado final não consegue se desvencilhar dela.</span></p>
<figure id="attachment_36670" aria-describedby="caption-attachment-36670" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36670" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-800x532.jpg" alt="Um close-up na floresta mostra Silas (Hamã Sateré), um jovem indígena de cabelos escuros e colar de contas olhando seriamente para a esquerda, ao lado de Rebecca (Helena Zengel), uma jovem branca de cabelos loiros cacheados olhando para a direita. Ela usa um colar com uma pequena cruz dourada. O fundo é uma vegetação densa e desfocada." width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1200x799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1.jpg 1202w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36670" class="wp-caption-text">Os personagens indígenas, apesar de performances intensas, por vezes são observados à distância, sem centralidade narrativa (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Formalmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Transamazônia </span></i><span style="font-weight: 400;">é dirigido com segurança. A fotografia de Mathieu de Montgrand constrói uma Amazônia imersiva e atmosférica, frequentemente celebrada pela crítica por sua beleza e força sensorial. A floresta garante uma atmosfera sobrenatural, conferindo à obra um tom entre o thriller ambiental e o drama espiritual. No entanto, essa mesma atmosfera, em alguns momentos, se sobrepõe à densidade dramática: a forma engole o conflito, e o impacto estético não se converte em aprofundamento narrativo. O elenco de apoio – que inclui os brasileiros </span><a href="https://gq.globo.com/artes-e-cultura/noticia/2025/05/ator-revela-como-foi-gravar-cena-de-abuso-em-filme-perguntei-se-estava-tudo-bem.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Rômulo Braga</span></a><span style="font-weight: 400;">, com sua presença sempre sólida, e Philipp Lavra – reforça essa sensação de potencial subutilizado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Transamazônia </span></i><span style="font-weight: 400;">se revela um filme de intenções claras e execução contida. As três vertentes que estruturam a narrativa coexistem, mas não se atravessam com a força que prometem. Ainda assim, por mais que o longa não aprofunde plenamente esses tópicos, ele é suficiente para colocar holofotes sobre discussões urgentes, especialmente no contexto contemporâneo de exploração ambiental e fé lucrativa. Pia Marais entrega um retrato </span><a href="https://agenciadecomunicacao.uneb.br/primeira-escola-brasileira-do-pensamento-decolonial-inicia-atividades-na-uneb-programacao-vai-ate-30-08/"><span style="font-weight: 400;">anticolonial</span></a><span style="font-weight: 400;"> que permanece à beira de seu verdadeiro potencial: observando fissuras importantes, mas hesitando em atravessá-las.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Transamazônia - Trailer Nacional " width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/maVmquAkRs0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Qual é o preço do Pedágio?</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Nov 2023 20:12:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Vivemos em um país em que os ecos da homofobia, institucionalizada e articulada pelas principais ferramentas de poder, podem afetar até mesmo a relação de uma mãe e um filho na periferia da Baixada Santista. Um discurso que está socialmente arraigado de tal forma, que é capaz de levantar entre eles uma barreira &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pedagio-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Qual é o preço do Pedágio?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32006" aria-describedby="caption-attachment-32006" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32006 size-full" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Pedágio, da diretora Carolina Markowicz. Imagem retangular e colorida. Nela, vemos Suellen, personagem interpretada por Maeve Jinkings, com o ombro escorado na coluna de um pedágio. Suellen é uma mulher branca, de cabelos lisos e olhos castanhos, que usa brincos de argola dourados nas orelhas e veste um colete verde. Ela tem uma feição apreensiva e olha para frente." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32006" class="wp-caption-text">Antes de iniciar seu ciclo comercial, Pedágio também teve passagem na 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na categoria Mostra Brasil (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivemos em um país em que os ecos da homofobia, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2023/10/presidente-de-comissao-da-camara-quer-votar-cura-gay-ate-o-final-do-ano.shtml"><span style="font-weight: 400;">institucionalizada</span></a><span style="font-weight: 400;"> e articulada pelas principais ferramentas de poder, podem afetar até mesmo a relação de uma mãe e um filho na periferia da Baixada Santista. Um discurso que está </span><a href="https://queer.ig.com.br/2023-11-29/a-homofobia-esta-arraigada-na-sociedade-diz-diretora-de-pedagio.html"><span style="font-weight: 400;">socialmente arraigado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de tal forma, que é capaz de levantar entre eles uma barreira quase intransigível, em nome de uma luta que opera contra seus próprios interesses. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pedágio</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme nacional que chegou aos cinemas em Novembro, assume todas as facetas desse fenômeno, através de uma trama que não poderia irromper de outra forma, que não em um humor tragicamente mordaz. </span></p>
<p><span id="more-32005"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/conheca-carolina-markowicz-diretora-que-fez-de-pedagio-um-hit-dos-festivais"><span style="font-weight: 400;">Carolina Markowicz</span></a><span style="font-weight: 400;"> já ostenta uma trajetória excepcional e uma carreira tão promissora quanto consolidada. Antes de peregrinar pelo universo de longas-metragens, ela dirigiu seis curtas que percorreram o mundo, entre 2007 e 2019, recebendo exibições em eventos como </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-internacional-de-cinema-de-toronto/"><span style="font-weight: 400;">TIFF</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Festival Internacional de Cinema de Toronto), </span><a href="https://www.abc.net.au/news/2023-10-12/what-is-sxsw-sydney-how-to-get-involved/102938006"><span style="font-weight: 400;">SXSW</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">South by Southwest</span></i><span style="font-weight: 400;">) e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-de-locarno/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Locarno</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sua maior premiação veio em 2018, quando conquistou o </span><a href="https://www.sortiraparis.com/pt/o-que-fazer-em-paris/cinema-serie/articles/294212-festival-de-cannes-2023-palma-queer-atribuida-a-monstro-de-kore-eda"><i><span style="font-weight: 400;">Queer Palm</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – prêmio do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> destinado ao audiovisual LGBTQIA+ – pelo curta-metragem </span><a href="https://vimeo.com/377193784"><i><span style="font-weight: 400;">O Órfão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32008" aria-describedby="caption-attachment-32008" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32008" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-scaled.jpg" alt="Cena do filme Pedágio, da diretora Carolina Markowicz. Imagem retangular e colorida. Nela, as personagens Suellen, interpretada por Maeve Jinkings, Tiquinho, interpretado por Kauan Alvarenga, estão um de frente para o outro, iluminados por luzes coloridas de discoteca. Suellen é uma mulher branca, de cabelos lisos e olhos castanhos, e Tiquinho é um garoto negro, de cabelo crespo curto e olhos escuros, vestindo uma camiseta azul com a estampa de um unicórnio. Os dois desviam os olhares, evitando encarar um ao outro. O cenário é o banheiro de uma residência." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32008" class="wp-caption-text">Em Setembro, Carolina Markowicz se tornou a primeira brasileira da história a receber o Tribute Awards, no Festival de Toronto (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançando seu segundo longa-metragem, Markowicz aposta em mais uma narrativa </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém a partir de lentes antagônicas. Desta vez, acompanhamos Suellen (</span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/maeve-jinkings-de-os-outros-fala-de-fase-feliz-no-amor-nunca-havia-me-apaixonado-por-mulher.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Maeve Jinkings</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma humilde cobradora de pedágio em Cubatão, São Paulo, que precisa conciliar suas longas jornadas de trabalho com os cuidados de seu filho adolescente, Tiquinho (</span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/kauan-alvarenga-se-inspirou-em-pabllo-vittar-para-papel-em-pedagio"><span style="font-weight: 400;">Kauan Alvarenga</span></a><span style="font-weight: 400;">). Contudo, prestes a completar 18 anos, o garoto apresenta cada vez mais comportamentos afeminados, desafiando a mentalidade ignorante da mãe, que decide ir até as últimas consequências para financiar sua ida a um exorbitante curso de um pastor gringo, com a ostensiva promessa de ‘</span><a href="https://s3.amazonaws.com/s3.allout.org/images/All_Out_Instituto_Matizes_Relatorio_Completo_Entre_Curas_E_Terapias.pdf"><span style="font-weight: 400;">cura gay</span></a><span style="font-weight: 400;">’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma premissa centralizada em uma retórica tão abjeta, este drama familiar encontra porto-seguro na humanidade que transborda de seus atores. Não é à toa que a obra foi a mais premiada do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2023/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2023, levando </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/festival-do-rio-2023-premiados"><span style="font-weight: 400;">três das quatro categorias</span></a><span style="font-weight: 400;"> de interpretação. Maeve Jinkings – que já havia trabalhado com a diretora em </span><a href="https://personaunesp.com.br/carvao-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022) – dá vida a uma Suellen melindrosa, que apesar do incontestável amor que sente pelo filho, não consegue se desvencilhar de seus preconceitos. Por outro lado, a sensibilidade de Kauan Alvarenga – protagonista do curta </span><i><span style="font-weight: 400;">O Órfão –</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz com que o público sinta cada uma das frustrações de um garoto que, independentemente das tentativas, nunca será o suficiente para sua mãe. Uma premissa difícil, sim, mas </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/diversidade/com-26-formatos-no-brasil-cura-gay-e-tortura-alertam-especialistas/"><span style="font-weight: 400;">inevitavelmente ordinária</span></a><span style="font-weight: 400;"> e profundamente identificável.</span></p>
<figure id="attachment_32007" aria-describedby="caption-attachment-32007" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32007" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Pedágio, da diretora Carolina Markowicz. Imagem retangular e colorida. Nela, o personagem Tiquinho, interpretado por Kauan Alvarenga, levanta os braços e dança sorridente em uma residência tradicional. Ele é um garoto negro, de olhos escuros. Ele usa uma maquiagem brilhante nos olhos e veste uma fantasia vermelha, cheia de penas que se assemelham a um pássaro, e um chapéu com uma grande aba preta, que lembra um bico." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-3-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32007" class="wp-caption-text">Pedágio esteve presente na lista de finalistas para representar o Brasil na corrida pela indicação de Melhor Filme Internacional, no Oscar 2024 (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de arte de Vicente Saldanha, também reconhecida pelo Festival do Rio, cria imagens belíssimas a partir de uma visão corriqueira no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/47a-mostra-internacional-de-cinema/"><span style="font-weight: 400;">Cinema nacional independente</span></a><span style="font-weight: 400;">, com composições secas em um tom melancólico, elevado por longos silêncios e cortes bruscos entre cenas. A fotografia de Luis Armando Arteaga brinca com imagens naturalistas, peliculares e uma gradação acinzentada, que passeia esporadicamente por cores vibrantes. O destaque, todavia, está em uma narrativa que demonstra como essa estética, aparentemente sóbria e realista, não passa de um cenário absolutamente patético.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Markowicz, que também assina o roteiro, foge da batida história </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> calcada em violências para, em uma absoluta quebra de expectativas, entregar uma verdadeira sátira. A linguagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pedágio</span></i><span style="font-weight: 400;"> é cínica, amarga, espelhando a </span><a href="https://www.dicionarioinformal.com.br/p%C3%B3s%20ironia/"><span style="font-weight: 400;">pós-ironia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma geração que, ao se ver enfiada nos cenários mais apocalipticamente absurdos, não consegue parar de rir. Uma diegese que certamente bebe do </span><a href="https://medium.com/@_eusouyuri/manifesto-afro-surreal-preto-%C3%A9-o-novo-preto-um-manifesto-do-s%C3%A9culo-xxi-4b984c995b65"><span style="font-weight: 400;">afrossurrealismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao usar da própria realidade para expor o discurso homofóbico-religioso ao completo ridículo. É impossível assistir à cena de um grupo de jovens em roda moldando órgãos genitais com massinha colorida, por ordem de um pastor </span><i><span style="font-weight: 400;">hippie</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sotaque excessivamente português, e não se ver instantaneamente dentro de um episódio de </span><a href="https://personaunesp.com.br/atlanta-3-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Atlanta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32009" aria-describedby="caption-attachment-32009" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32009" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Pedágio, da diretora Carolina Markowicz. Imagem retangular e colorida. Nela, os personagens Tiquinho, interpretado por Kauan Alvarenga, e Rick, interpretado por Caio Machado, estão sentados em cima de uma grande estátua de sereia, com uma cauda verde, cabelos vermelhos e uma expressão agressiva. Tiquinho é um garoto negro, de cabelo crespo curto e olhos escuros, que veste uma camiseta polo verde e azul, enquanto Rick é um garoto branco, com barba por fazer, vestindo uma camiseta azul estampada e um boné verde-musgo. Tiquinho olha para frente enquanto Rick olha para baixo, e ambos têm um olhar melancólico." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/IMAGEM-4-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32009" class="wp-caption-text">Levantamento feito pelo Instituto Matizes e All Out, em 2023, identificou 26 formatos de terapia de conversão sexual vigentes no Brasil hoje; o método é proibido pelo Conselho Federal de Psicologia desde 1999 (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, é a partir dessas caricaturas múltiplas que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pedágio</span></i><span style="font-weight: 400;"> dá vazão para que as nuances de seus dois protagonistas se manifestem. Como a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jnF7r-toE5c"><span style="font-weight: 400;">própria Jinkings define</span></a><span style="font-weight: 400;">, Suellen é um reflexo do brasileiro médio. Uma mulher que se agarra a uma religiosidade menos por convicções pessoais, e mais pela falta de contato com qualquer outra perspectiva. Uma mãe solo que, ao ver seu filho trilhar um caminho tão distinto do seu, acredita que errou. E, em busca da resolução de um problema estruturalmente fabricado, trilha um caminho de escuridão, até que se veja obrigada a pagar um preço que sequer lhe pertencia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, a esperança em meio a este contexto catastrófico se expressa em Tiquinho. Em paralelo e oposição a sua mãe, acompanhamos o amadurecimento do garoto que, mesmo com todas as probabilidades contra si, faz com que rosas floresçam do asfalto. Porém, mesmo assim, o longa rejeita a utopia. No seu momento de maior catarse, o personagem é arrebatado de volta à realidade, no mais ácido retrato de sua condição. Essa é a única alternativa honesta que Markowicz encontra para tratar de uma perversidade que </span><a href="https://www.poder360.com.br/brasil/morre-karol-eller-36-anos-influenciadora-lesbica-pro-bolsonaro/"><span style="font-weight: 400;">vitima</span></a><span style="font-weight: 400;"> pessoas LGBTQIA+ até hoje. A superação é </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/politica/apos-a-morte-de-karol-eller-erika-hilton-propoe-lei-para-equiparar-cura-gay-ao-crime-de-tortura/"><span style="font-weight: 400;">um processo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nossa disputa está longe de acabar.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pedágio | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XfKBMN2RJqg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A violência é o combustível que incendeia a Regra 34</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Dec 2022 18:30:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Uma máxima da internet, a Regra 34 pressupõe que tudo existente na web tem sua versão pornográfica. Seja desenhos animados ou cenas cotidianas, qualquer elemento pode virar ponto de partida para o prazer. Em Regra 34, longa-metragem da carioca Júlia Murat presente no Festival do Rio e na 46ª Mostra Internacional de Cinema &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/regra-34-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A violência é o combustível que incendeia a Regra 34"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29383" aria-describedby="caption-attachment-29383" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29383" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-3.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29383" class="wp-caption-text">Quinto longa-metragem da diretora Júlia Murat foi exibido na seção Mostra Brasil da Mostra de São Paulo (Foto: Imovision)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma máxima da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, a Regra 34 pressupõe que tudo existente na </span><i><span style="font-weight: 400;">web</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem sua versão pornográfica. Seja desenhos animados ou cenas cotidianas, qualquer elemento pode virar ponto de partida para o prazer. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Regra 34</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa-metragem da carioca Júlia Murat presente no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;"> e na 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, as contradições entre a liberdade do prazer e a sua raíz na sociedade borram as linhas entre consentimento e abuso. Na obra, uma coprodução Brasil e França, a violência é o combustível que incendeia a vida de Simone, confrontada com os frágeis limites que impõe ao próprio corpo.</span></p>
<p><span id="more-29381"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como a sinopse entrega, ela, estudante de Direito e defensora pública, paga seus estudos com o lucro dos conteúdos como </span><i><span style="font-weight: 400;">camgirl </span></i><span style="font-weight: 400;">no </span><i><span style="font-weight: 400;">site</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Chaturbate</span></i><span style="font-weight: 400;">. De tabela na curiosidade de uma amiga, começa a se questionar sobre as práticas do </span><a href="https://labioslivres.com/afinal-o-que-e-bdsm-e-o-que-quer-dizer/"><span style="font-weight: 400;">BDSM</span></a><span style="font-weight: 400;">: de início, o prazer a partir da violência e dos corpos amarrados, sujeitos a situações de submissão, soa estrutural demais, um mecanismo de degradação mascarado por tesão. Para Simone, </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-166082/"><span style="font-weight: 400;">mulher negra</span></a><span style="font-weight: 400;">, orgulhosa em debater seus valores feministas e em se pronunciar em prol de pautas anti-racistas e de inclusão, reforçar um </span><a href="https://mulhernocinema.com/entrevistas/lucia-murat-acredito-realmente-que-este-horror-vai-terminar/"><span style="font-weight: 400;">imaginário popular</span></a><span style="font-weight: 400;"> de subordinação e erotização é, a princípio, impensável. Até não ser mais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gradativamente, Simone dá vazão à curiosidade. Interpretada visceralmente por </span><a href="https://noticiapreta.com.br/sol-miranda-regra34/"><span style="font-weight: 400;">Sol Miranda</span></a><span style="font-weight: 400;">, a protagonista quebra seus próprios conceitos prévios sobre o BDSM e, progressivamente, avança no que está disposta a experimentar. A prática sexual, porém, não se restringe às quatro paredes de seu quarto: porta afora, o cotidiano de Simone é o do abuso e da violação, que se chocam com a noção de escolha presentes ali. Se como defensora pública, focando sua atuação em casos de agressões contra a mulher, a personagem é testemunha de relatos de violências físicas e psicológicas diariamente, </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/regra-34-locarno"><i><span style="font-weight: 400;">Regra 34</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">passa longe de alienar para a relação intrincada entre o prazer e a vida real.  </span></p>
<figure id="attachment_29384" aria-describedby="caption-attachment-29384" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-1.jpeg" alt="" width="2560" height="1381" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-1.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-1-800x432.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-1-1024x552.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-1-768x414.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-1-1536x829.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-1-2048x1105.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-1-1200x647.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29384" class="wp-caption-text">Regra 34 foi premiado com o Leopardo de Ouro, honraria máxima do tradicional Festival de Locarno; a única outra obra brasileira a já ter conquistado o feito foi Terra em Transe, de Glauber Rocha, em 1967 (Foto: Imovision)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A pornografia é tema perigoso e a </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><span style="font-weight: 400;">glamurização</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o risco a ser levado em conta, mas roteiro a oito mãos de Júlia Murat, Gabriela Capello, Rafael Lessa e Roberto Winter não assume um só lado do discurso &#8211; não o repele, tampouco se rende a um liberalismo irresponsável. Sem um posicionamento pronto, as contradições e hipocrisias de Simone, tão dividida entre um desejo instintivo e um posicionamento racional quanto qualquer pessoa não fictícia poderia estar, movem o argumento da obra. Ela, confrontada por sua amiga e amante Lucia (Lorena Comparato) &#8211; quem a provocou para o BDSM em primeiro lugar -, sobre o perigo das práticas e dinâmicas de relação que passava a assumir, dispara: “</span><i><span style="font-weight: 400;">E se eu estiver reproduzindo o que a indústria sexual me ensinou, e daí? Sinto muito se meu tesão não é suficientemente político pra você</span></i><span style="font-weight: 400;">.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na reta final dos 100 minutos de duração, a frase soa como apenas uma externalização do que o longa discutiu até ali. No contexto mais didático possível, </span><i><span style="font-weight: 400;">Regra 34 </span></i><span style="font-weight: 400;">se manifesta justamente em sala de aula: o que Simone reproduz no quarto se sobrepõe ao que debate junto aos colegas, estudantes de Direito, sobre a origem dos problemas sociais e das dinâmicas de dominação e poder, e ao que vê no dia a dia na defensoria pública. Discutir punitivismo, as brechas do sistema legal e os mecanismos de repressão estruturais do Legislativo em uma turma majoritariamente branca e masculina, quase </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/11/20/mourao-lamenta-assassinato-de-homem-negro-em-mercado-mas-diz-que-no-brasil-nao-existe-racismo.ghtml"><span style="font-weight: 400;">desconectada do mundo real</span></a><span style="font-weight: 400;"> senão pelos lapsos de veracidade vindos de outros alunos &#8211; mulheres e pessoas negras -, parece raso demais para mensurar a profundidade do universo em que Simone se insere.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre dois mundos, os âmbitos pessoal e profissional da protagonista se revelam antagônicos. Se durante o dia ela discute e presencia a violência submetendo corpos femininos e, em sua maioria, pretos a situações de abuso, durante a noite se coloca em ocasiões similares por espontânea vontade. Aqui, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9FXrXRT9N2k&amp;feature=emb_title"><i><span style="font-weight: 400;">Regra 34</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">também discute o </span><a href="https://mashable.com/article/bdsm-therapy-sexual-trauma"><span style="font-weight: 400;">BDSM</span></a><span style="font-weight: 400;">: diferentemente da vida real, na doutrina da prática, o consentimento e o diálogo são chave. Nas relações entre Simone e Coiote (Lucas Andrade), seu companheiro de turma, amigo e amante com quem ela explora as dinâmicas sexuais, linhas são traçadas, mas, conforme ambos ultrapassam os próprios combinados, os limites são rapidamente deixados para trás. Afinal, qual é o limite se Simone é quem os impõe e logo os descarta?</span></p>
<figure id="attachment_29385" aria-describedby="caption-attachment-29385" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-2.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29385" class="wp-caption-text">Júlia Murat é filha de Lúcia Murat, importante cineasta brasileira, e se pronuncia abertamente sobre a influência da mãe em seus trabalhos e na perseverança em lutar pelo Cinema no país (Foto: Imovision)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra não acena a uma responsabilidade moral. Com as explícitas contradições de sua grandiosa protagonista, graças ao intenso trabalho de Miranda, </span><i><span style="font-weight: 400;">Regra 34</span></i><span style="font-weight: 400;"> pouco diz sobre o contexto de </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/seguranca/audio/2022-06/tres-mulheres-morrem-por-dia-no-brasil-por-feminicidio"><span style="font-weight: 400;">violência das mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; especialmente negras &#8211; no Brasil e menos ainda sobre o BDSM. Aqui, ambos subtextos parecem conduzir o foco a um quadro maior: a relação entre o prazer e a sua raíz estrutural. Se as relações de poder e submissão, de dominação e dominado, permeiam todas as esferas do país, aparecendo até em relacionamentos românticos e familiares, por que no sexo seria diferente? O filme não responde os questionamentos que suscita. Simone, que se aventurou a ponto de arriscar sua própria integridade física, vida e carreira, tampouco desvenda. Que cada um reflita por si.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Regra 34 | Teaser Oficial [HD] - 2022 | Imovision" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/9FXrXRT9N2k?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Objetos de Luz materializa a reflexão dos raios</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 22:47:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Para a Física, a luz é uma onda eletromagnética com frequência suficiente para ser visível aos olhos humanos. Em Objetos de Luz, ela ganha esse e outros milhões de significados incabíveis em definições exatas e numerológicas. No documentário, dirigido por Acácio de Almeida e Maria Carré, a luz é o ponto que amarra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/objetos-de-luz-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Objetos de Luz materializa a reflexão dos raios"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29157" aria-describedby="caption-attachment-29157" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29157 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1.jpeg" alt="Cena do filme Objetos de Luz. Na imagem, o Homem da Luz colocando a mão em frente a um projetor de imagens. O personagem é um homem branco de barba branca, seu rosto apresenta algumas rugas. Ele veste uma blusa de mangas longas na cor cinza, além de um boné preto e óculos arredondados. O projetor exibe partículas de brilho amarelas e laranjas" width="1800" height="1013" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1.jpeg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29157" class="wp-caption-text">Documentando as luzes cinematográficas, Objetos de Luz fez parte da Competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a Física, a luz é uma onda eletromagnética com frequência suficiente para ser visível aos olhos humanos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela ganha esse e outros milhões de significados incabíveis em definições exatas e numerológicas. No documentário, dirigido por Acácio de Almeida e Maria Carré, a luz é o ponto que amarra o início e o fim. Pertencente à Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o filme nos dá a certeza de que a luz nos eterniza.</span></p>
<p><span id="more-29154"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário não poderia ser mais metalinguístico: uma produção cinematográfica construída em meio a pilhas e mais pilhas de bobinas de vídeo. Os retroprojetores indicam a que vieram e se tornam protagonistas de uma narrativa singular. </span><a href="https://46.mostra.org/filmes/objetos-de-luz"><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é, entre muitas coisas, um filme sobre memória. Lembranças guardadas uma a uma por lentes que captam imagens além do tempo e as sintetizam em maquinários para o futuro.</span></p>
<figure id="attachment_29156" aria-describedby="caption-attachment-29156" style="width: 1570px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29156 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2.jpg" alt="Cena do filme Objetos de Luz. Na imagem, uma das pessoas do filme em frente a uma tela de cinema. O personagem é um homem branco com cabelos brancos que apresenta algumas rugas. Ele veste uma camisa cinza de mangas longas. Atrás há uma imagem preta e branca do mesmo homem mais jovem" width="1570" height="883" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2.jpg 1570w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29156" class="wp-caption-text">Objetos de Luz ou Objectos de Luz – nome original – é uma obra portuguesa, e a estreia de Maria Carré como diretora (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção ganha uma voz, o Homem da Luz. Enquanto a fotografia – também responsabilidade de </span><a href="https://comunidadeculturaearte.com/entrevista-acacio-de-almeida-em-objectos-de-luz-estao-coisas-do-meu-passado-mas-tambem-esta-o-passado-do-filme/"><span style="font-weight: 400;">Acácio de Almeida</span></a><span style="font-weight: 400;"> – desemboca em uma viagem a múltiplos destinos, o narrador expõe reflexões mais plurais ainda. Assim, a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i><span style="font-weight: 400;"> se dedica a esclarecer os intimismos da iluminação. São citados os fótons, as estrelas, os reflexos e tudo que há de teórico na função da luz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, o destaque fica para aquilo que não é teórico, as partes difíceis de mensurar em qualquer conceito pronto. Do dar à luz ao ir para a mesma, a existência humana é atravessada por raios presentes até na formação das imagens a partir da </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-olhos-de-tammy-faye-critica/"><span style="font-weight: 400;">visão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os efeitos que transformam nossas vivências em cenas vívidas transgredindo para todos os aspectos de ser humano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No </span><a href="https://personaunesp.com.br/cinema-almanac-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, a luz faz parte do processo da captação da imagem, ilumina os rostos que dão vida aos roteiros e é dimensionada em um objeto que precisa dela para reproduzir o que gravou. Um ciclo capaz de congelar o tempo em imagens incapazes de serem vividas novamente, mas passíveis de serem assistidas infinitas vezes e causar efeitos em todas as histórias que as cruzarem.</span></p>
<figure id="attachment_29158" aria-describedby="caption-attachment-29158" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29158 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3-.jpg" alt="Descrição de imagem: Cena do filme Objetos de Luz. Na imagem, uma das personagens do filme olhando no espelho. Ela é uma mulher branca mais velha, tem cabelos curtos em castanho escuro. A mulher veste um vestido claro com detalhes transparentes. A sua frente há uma imagem dela mais jovem. No reflexo do espelho aparece a figura da morte em vestes pretas." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3-.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3--800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3--1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3--768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3--1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29158" class="wp-caption-text">O filme foi exibido esse ano no Festival de Locarno (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa se dispõe a muitas coisas; com certeza, homenagear o </span><a href="https://www.brasilparalelo.com.br/artigos/por-que-o-cinema-e-a-setima-arte"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma delas. Assim, suas montagens imprimem em imagens cinéticas a capacidade brilhante dos enredos memoriais como um dos mais importantes produtos da luz. Sejam interpretadas ou fruto da espontaneidade, tudo que é gravado e abrigado em um filme ganha uma passagem para a vida eterna. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mostrar essa fascinação à luminescência das produções audiovisuais retoma uma questão muito pessoal para Acácio de Almeida, já que sua trajetória na fotografia cinematográfica é de longa data. O português tem um histórico vasto em colaborações com diretores como António da Cunha Telles, Paulo Rocha e Rita Azevedo Gomes, e agora traz sua esposa, a atriz </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/filmes/a-vinganca-de-uma-mulher/"><span style="font-weight: 400;">Maria Carré</span></a><span style="font-weight: 400;">, à espreita desses holofotes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é essa intimidade que faz </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i><span style="font-weight: 400;"> perder a força nos interesses dos telespectadores. A obra é uma ode às contemplações, mas se perde nos subjetivismos de </span><a href="https://novaresearch.unl.pt/en/publications/the-role-of-directors-of-photography-in-cinema-interview-with-aca"><span style="font-weight: 400;">Acácio</span></a><span style="font-weight: 400;">. São precisos poucos minutos para ficar óbvio que o filme é muito mais relevante para ele e seu universo pessoal do que para quem chega de surpresa procurando uma narrativa por passatempo. Dessa forma, nos sentimos de fora, invasores de pensamentos particulares demais.</span></p>
<figure id="attachment_29155" aria-describedby="caption-attachment-29155" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29155 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-4.jpg" alt="Cena do filme Objetos de Luz. Na imagem, pequenas partículas de brilho em tons de vermelho e laranja passam por um buraco escuro." width="1024" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-4.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-4-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-4-768x480.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29155" class="wp-caption-text">“O que somos então, em relação à luz?” (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem diálogos corridos e uma disposição temporal lógica, a proposta é incitar algum pensamento – talvez até fazer o público enxergar a luz de novas maneiras. Em cerca de uma hora, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-noiva-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> esmiúça cada partícula da iluminação em suas singularidades e infinitudes. Aquilo que vemos e o que não, fundidos em imagens colocadas lado a lado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i><span style="font-weight: 400;"> fosse um filme apaixonante, mas carrega consigo sinceridade e delicadeza. O retrato é sensível e nos coloca para pensar na luz para além das lâmpadas. Seja no nascer ou no </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-era-um-homem-comum-critica/"><span style="font-weight: 400;">morrer</span></a><span style="font-weight: 400;">, nossas vidas não passam de raios luminosos caminhando de um lado a outro na espera de algo que nos torne imortais.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="OBJECTOS DE LUZ | LOVE LIGHTS - TRAILER" src="https://player.vimeo.com/video/706158024?dnt=1&amp;app_id=122963" width="840" height="473" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write"></iframe></div>
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