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	<title>Arquivos European Film Awards &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Robot Dreams, o pesadelo é o descarte das relações</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Mar 2024 20:54:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Jamily Rigonatto “Agora eu sei que tenho um coração, porque ele está doendo” é uma das frases mais populares do universo do audiovisual. Emitida pelo Homem de Lata em O Mágico de Oz, a citação marcou o futuro das produções cinematográficas quando o assunto é abordar a relação dos robôs com o ato de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/robot-dreams-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Robot Dreams, o pesadelo é o descarte das relações"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_32604" aria-describedby="caption-attachment-32604" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-32604" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/robo_topo-800x420.png" alt="Cena de Robot Dreams. Na imagem, o robô e o cachorro estão com os pés na beira da praia. Os dois são cinzas. O robô veste uma boia de braço rosa e o cachorro um short nas cores azul, amarelo e laranja. Ao fundo há areia e diversas barraquinhas de praia." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/robo_topo-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/robo_topo-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/robo_topo-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/robo_topo.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32604" class="wp-caption-text">Meu Amigo Robô foi lançado em 2023 e concorre ao Oscar de Melhor Animação (Foto: Wild Bunch)</figcaption></figure>
<p><strong>Jamily Rigonatto</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Agora eu sei que tenho um coração, porque ele está doendo</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span> <span style="font-weight: 400;">é uma das frases mais populares do universo do audiovisual. Emitida pelo Homem de Lata em</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AP2vrDQOfCU"><i><span style="font-weight: 400;"> O Mágico de Oz</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a citação marcou o futuro das produções cinematográficas quando o assunto é abordar a relação dos robôs com o ato de sentir. Certamente, a inspiração recaiu na realização de </span><i><span style="font-weight: 400;">Robot Dreams</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme lançado em 2023 sob a direção do espanhol</span> <span style="font-weight: 400;">Pablo Berger. Nas linhas doces da animação, a quebra de um vínculo se mostra mecânica e lancinante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa-metragem conta a história de um cachorro que vive em um universo sem humanos, povoado apenas por animais que agem como tais. Cansado de estar sozinho, seu movimento é similar aos da geração da <a href="https://rhpravoce.com.br/colab/geracao-waze-a-tecnologia-esta-deixando-o-ser-humano-perdido/">tecnologia</a>: procurar em uma máquina a fuga de realidade. É assim que ele adquire um robô, com o qual logo desenvolve, impressionantemente, uma amizade sincera, que em pouco se desmonta em reviravoltas. </span></p>
<p><span id="more-32595"></span></p>
<figure id="attachment_32602" aria-describedby="caption-attachment-32602" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-32602" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/meu-amigo-robo4-800x450.jpg" alt="Cena de Robot Dreams. Na imagem, o cachorro e o robô andam pela neve. Ambos são cinzas e estão de mãos dadas. Ao fundo, há diversos prédios cinzas. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/meu-amigo-robo4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/meu-amigo-robo4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/meu-amigo-robo4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/meu-amigo-robo4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/meu-amigo-robo4.jpg 1300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32602" class="wp-caption-text">Robot Dreams é classificado como uma comédia, mas nos dilacera em tristeza (Foto: Wild Bunch)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">São em cenas delicadas, acompanhadas apenas pela trilha sonora – já que o filme não tem nenhuma fala –, que o enredo, também assinado pelo diretor, nos leva por um caminho leve, cheio de momentos divertidos que imprimem a sensação de que as coisas seguirão até um final feliz. No entanto, é em um desses momentos de acalento e doçura que o cão e o robô se deparam com a dor das <a href="https://personaunesp.com.br/close-critica/">rupturas</a>. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na praia, tomados por espírito livre e companheirismo, uma fatalidade acontece e as peças metálicas do melhor amigo de lata são molhadas, impedindo que o cachorro consiga o tirar da areia e tenha que ir embora sem ele. A partir desse momento, os papéis se invertem e quem precisa buscar uma forma de fugir de uma realidade desoladora e vazia é o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=RYnfz2ey3iU">maquinário</a>, agora abandonado e sem perspectivas. </span></p>
<figure id="attachment_32601" aria-describedby="caption-attachment-32601" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-32601" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Captura_de_Tela_222-800x420.png" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Captura_de_Tela_222-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Captura_de_Tela_222-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Captura_de_Tela_222-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Captura_de_Tela_222.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32601" class="wp-caption-text">O filme se passa na década de 1980, mas cabe perfeitamente para a atualidade (Foto: Wild Bunch)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os eventos se tornam distintos. Para um, há a tentativa de resgate do amigo, mas também a possibilidade de encontrar socialização, diversão e muito mais em um espaço da vida real. O outro, fica à mercê de algo que sequer sabíamos que um objeto robotizado poderia ter: a imaginação. Nesta, a existência mantém a força em sonhar com a beleza e desejar que a existência não se resuma a espera pelo momento de parar de vez. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro se estabelece em uma dualidade e é impossível não comparar o cachorro com os seres humanos. O abandono, mesmo que não intencional, coloca em cheque o quanto as relações podem ser descartáveis, seja com pessoas, máquinas, animais de estimação e o que mais houver. Assim, a humanidade no cão se revela poderosa, o suficiente para que seus sentimentos estejam acima de qualquer coisa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a similaridade não é feita de acaso. A cada passo, os movimentos parecem se aproximar de uma alegoria à contemporaneidade, juntando a dependência tecnológica e a era dos amores líquidos em uma tacada só. Nessas condições, uma empatia pelo robô se esgueira pelas pontas e fica impossível não sentir um gosto amargo nas reações do cão. Ele poderia fazer mais, mas será que nós faríamos?  </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/0CHV_ZDlhrA?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto ao visual, </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Amigo Robô </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; como foi traduzido no Brasil – tem traços realmente adoráveis que remetem às animações clássicas dos anos 2000. Moldado no tradicional 2D, o filme tem ilustrações sutis e pouco marcadas, mas extremamente expressivas. É isso que contribui para uma narrativa limpa e clara, fácil de ser entendida sem a presença dos diálogos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, como nem tudo são flores, assistir à produção parece nos levar para um ciclo em alguns momentos. É claro que todo o cerne é bem trabalhado, mas não há necessidade de se desenvolver em longas 01h30, que em certo ponto parecem minutos demais para história de menos. Com certa economia de tempo, o resultado seria mais dinâmico e não entregaria o massante de esperar e esperar por um clímax com final feliz que nunca virá.</span></p>
<figure id="attachment_32599" aria-describedby="caption-attachment-32599" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32599" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/57269-800x424.png" alt="" width="800" height="424" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/57269-800x424.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/57269-768x407.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/57269.png 1002w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32599" class="wp-caption-text">Robot Dreams é a adaptação audiovisual da graphic novel homônima, assinada por Sara Varon (Foto: Wild Bunch)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que com ressalvas, é inegável que a produção surpreende e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2024 não pensa diferente. O filme concorre na categoria de Melhor Animação ao lado dos gigantes </span><i><span style="font-weight: 400;">Nimona</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/elementos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Elementos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-atraves-do-aranhaverso-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha Através do Aranhaverso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-menino-e-a-garca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Menino e a Garça</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sua narrativa doce e amarga conquistou os corações dos críticos desde a estreia no </span><span style="font-weight: 400;">76º Festival de Cinema de Cannes, ocorrido em Maio de 2023.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de fazer parte de uma das principais programações de Cinema do mundo,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Robot Dreams</span></i><span style="font-weight: 400;"> conquistou o prêmio de Melhor Animação no <a href="https://europeanfilmawards.eu/?p=1">European Film Awards</a>, uma das nomeações mais importantes do setor europeu. O título ainda foi reconhecido na mesma categoria pelo Prêmio Goya 2024, no qual também foi lembrado como Melhor Roteiro Adaptado.</span></p>
<figure id="attachment_32597" aria-describedby="caption-attachment-32597" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32597" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-w1280-1.webp" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-w1280-1.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-w1280-1-768x432.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32597" class="wp-caption-text">“Nossos corações estavam tocando no tom que nossas almas cantavam” (Foto: Wild Bunch)</figcaption></figure>
<p>A vida segue, mesmo que não do jeito que esperamos. Essa é a lição deixada por um longa-metragem cheio de emoção, no qual os rompimentos são cortantes, mas não impedem que o tempo passe e a vida siga. Os rumos podem parecer injustos, porém, extremamente embebidos de realidade, o que impede que tenhamos em nós uma verdadeira revolta.</p>
<p>Robot Dreams nos faz pensar. Refletir sobre quem somos e como tratamos as coisas que compõem o nosso redor, talvez realmente as descartemos cedo demais. Ainda assim, comprar a companhia de alguém soa verdadeiramente egoísta e igualmente solitário; não parece possível colocar na balança. Nos sonhos de um robô que sente demais, o que dói é se identificar tanto com o cruel despropositado dos encontros.</p>
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		<title>Folhas de Outono é uma comédia romântica sem paixão</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Nov 2023 20:42:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Em um dia cinza, uma trabalhadora de um supermercado é demitida por furtar uma refeição vencida, que iria para o lixo. Pouca diferença faz, já que um serviço tão mecânico poderia ser melhor aplicado em qualquer outro lugar. Na mesma cidade, mas aparentemente sem conexão nenhuma, um homem alcoólatra é dispensado por beber &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/folhas-de-outono-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Folhas de Outono é uma comédia romântica sem paixão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31892" aria-describedby="caption-attachment-31892" style="width: 1847px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31892" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-6.jpg" alt="" width="1847" height="1039" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-6.jpg 1847w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31892" class="wp-caption-text">Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes, Folhas de Outono integrou a seção Perspectiva Internacional da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dia cinza, uma trabalhadora de um supermercado é demitida por furtar uma refeição vencida, que iria para o lixo. Pouca diferença faz, já que um serviço tão mecânico poderia ser melhor aplicado em qualquer outro lugar. Na mesma cidade, mas aparentemente sem conexão nenhuma, um homem alcoólatra é dispensado por beber no trabalho. Para ele, a mesma coisa: com exceção do salário no fim do mês, pouco importa. É nesse cenário de desilusão e desesperança total que ambos se encontram, e </span><a href="https://47.mostra.org/filmes/fallen-leaves-47a"><i><span style="font-weight: 400;">Folhas de Outono</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">mostra que é possível fazer comédia romântica sem nenhuma paixão ou graça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Presente na 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e no Festival de Cannes, o longa do finlandês Aki Kaurismäki parte de um lugar comum: uma demissão &#8211; ou melhor, duas demissões. No entanto, com a constante frieza do trabalho assombrando o dia a dia, as risadas se fazem no absurdo e na solidão compartilhada entre dois protagonistas que igualmente buscam por conexão humana (ou animal) em meio a um cotidiano de sobrevivência.</span></p>
<p><span id="more-31891"></span></p>
<figure id="attachment_31894" aria-describedby="caption-attachment-31894" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31894" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-4.jpg" alt="" width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-4.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31894" class="wp-caption-text">Kaurismäki é adepto a colocar cães em seus longas e dessa vez foi a vez de Chaplin roubar a cena (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O rádio toca notícias da guerra na Ucrânia, dois elementos quase contraditórios. No primeiro encontro de Ansa (<a href="https://www.vogue.com/article/fallen-leaves-alma-poysti-interview">Alma Pöysti</a>) e Holappa (Jussi Vatanen), os dois assistem a </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Mortos não Morrem</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2019, e a ex-atendente de mercado anota seu número de celular em um pedaço de papel para dar ao alcoólatra. Depois, ela procura emprego em uma </span><i><span style="font-weight: 400;">lan house</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para além dessa sequência de elementos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fallen Leaves</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece existir em uma realidade semelhante à nossa, mas que não é exatamente igual. Com um design de produção que mistura o </span><i><span style="font-weight: 400;">vintage</span></i><span style="font-weight: 400;"> a referências contemporâneas, o longa cria um tempo próprio, ao passo que se mostra universal e atemporal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso porque o trabalho e a solidão não são experiências individuais. Se a Finlândia foi eleita o país mais feliz do mundo, o cenário em que as vidas de Ansa e Holappa se cruzam são tudo, menos repletas de felicidade. Na verdade, a ânsia de ambos por conexão ultrapassa o limite da tela e contamina o espectador, rendendo risadas a partir de diálogos absurdos, que nem de longe seriam ideias para dois protagonistas interessados um no outro. O <a href="https://www.filmcomment.com/blog/cannes-2023-dog-days-justine-triet-anatomy-of-a-fall-wes-anderson-asteroid-city-review/">afeto</a> não existe, muito menos a paixão, mas a vontade de que o casal ache alento em meio a um cotidiano cinza prevalece.</span></p>
<figure id="attachment_31893" aria-describedby="caption-attachment-31893" style="width: 2362px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31893" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-5.jpg" alt="" width="2362" height="1577" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-5.jpg 2362w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-5-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-5-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-5-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-5-1536x1026.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-5-2048x1367.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-5-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31893" class="wp-caption-text">No European Film Awards, os protagonistas concorrem nas categorias de Melhor Atriz e Melhor Ator (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso, Alma Pöysti e Jussi Vatanen têm grande parte. O <a href="https://personaunesp.com.br/conversas-pela-noite-critica/">casal protagonista</a> encara o marasmo do dia a dia sem um sorriso no rosto e demonstra interesse um pelo outro em gestos quase despercebidos. Em alguns momentos, como quando Holappa está em coma no hospital e acorda sem sequer mudar de expressão após um beijo de Ansa, é possível sentir o humor despontando da ausência e do distanciamento. Se os finlandeses são conhecidos pela racionalidade e frieza, </span><i><span style="font-weight: 400;">Folhas de Outono </span></i><span style="font-weight: 400;">parece zombar disso, mas sem fazer nada para mudar essa percepção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inclusive, além da atuação, é a junção da direção e do roteiro do veterano Aki Kaurismäki com a fotografia de Timo Salminen que extrai o <a href="https://personaunesp.com.br/carvao-critica/">cômico do rotineiro</a>. Desde a técnica sóbria do filme, destacando cenários cinzentos e repletos de outras pessoas igualmente solitárias, até a falta de expressividade e dureza na entrega das falas dos atores, toda a aura da obra corrobora com o ar de desesperança. Curiosamente, é o absurdo do contraste entre essa frieza à necessidade de quebrá-la que rendem os momentos mais encantadores e, para uma sessão lotada da 47ª Mostra de São Paulo, altas risadas. </span></p>
<figure id="attachment_31895" aria-describedby="caption-attachment-31895" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31895" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-3.png" alt="" width="2560" height="1379" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-3.png 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-3-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-3-1024x552.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-3-768x414.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/fallen-leaves-3-1536x827.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31895" class="wp-caption-text">Aki Kaurismäki disputa Melhor Diretor e Melhor Roteirista no European Film Awards; Fallen Leaves foi indicado como Melhor Filme Europeu (Foto: O2 Play)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fallen Leaves </span></i><span style="font-weight: 400;">mostra que o romance, assim como a comédia, vem do corriqueiro. Se o dia a dia é repetitivo, o longa aproveita dessa constância para crescer nos momentos de quebra de rotina e expectativa, arrancando, no mínimo, surpresa. Abocanhando cinco indicações no </span><a href="https://x.com/mubi/status/1721840957010702573?s=46"><i><span style="font-weight: 400;">European Film Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, importante premiação do Cinema europeu, a obra caminha na direção oposta da dramaticidade e destitui da paixão o que ela realmente é: busca por conexão.</span></p>
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