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	<title>Arquivos Escrita &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Apr 2023 20:51:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori Outono. Todo encontro com o Outro revela-se como uma experiência de arrebatamento: da violência de deixar um pedaço de si e desprender-se da unidade do Eu ao movimento da alteridade de achar-se nos olhos do desconhecido. No caso da antropóloga Nastassja Martin, ressonante no livro Escute as feras, a experiência é do deslumbramento &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/escute-as-feras/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30726" aria-describedby="caption-attachment-30726" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-30726" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS-800x420.png" alt="Imagem retangular de fundo branco. No canto superior, está centralizado a logo do Persona, um olho com íris na cor cinza e pupila em preto no formato triangular de play. Ao lado da logo, está o selo “Clube do Livro” em letras transparentes colocadas sobre um fundo preto. Abaixo está escrito “Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin” em letras pretas, sendo &quot;escute as feras&quot; em letras cinzas. Mais abaixo, no canto esquerdo, há a capa do livro cujo fundo é branco. Na parte superior direita da capa, há o nome da autora Nastassja Martin escrito em letras pretas. Na parte superior esquerda, há o título do livro “Escute as Feras” escrito em letras pretas. Mais abaixo, está uma ilustração de um borrão preto com uma silhueta similar ao de um urso. Ao lado direito da imagem da capa, está o escrito &quot;Ao encontrarem-se uma no olhar da outra, a antropóloga e a ursa, próximas a um vulcão no extremo leste siberiano, marcam mutuamente os seus destinos e fundem a condição de fera e humana.&quot; em letras pretas. Abaixo do texto está escrito “Por&quot; em letras pretas e &quot;Enzo Caramori&quot; em letras cinzas." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30726" class="wp-caption-text">Nastassja Martin esteve na programação principal da 20ª Flip junto a Tamara Klink na mesa ‘‘<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Gcn42bH6IkA">Desterrando o susto</a>’’, e seu Escute as feras foi a leitura do Clube do Livro do Persona em Fevereiro (Foto: Editora 34/Arte: Ana Cegatti)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outono. Todo encontro com o Outro revela-se como uma experiência de arrebatamento: da violência de deixar um pedaço de si e desprender-se da unidade do Eu ao movimento da alteridade de achar-se nos olhos do desconhecido. No caso da antropóloga </span><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/noticias/flip/cinco-curiosidades-sobre-nastassja-martin"><span style="font-weight: 400;">Nastassja Martin</span></a><span style="font-weight: 400;">, ressonante no livro </span><a href="https://www.editora34.com.br/detalhe.asp?id=1111&amp;busca=escute%20as%20feras"><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a experiência é do deslumbramento de um beijo e da brutalidade de um ataque e contra-ataque. Ao encontrarem-se uma no olhar da outra, a antropóloga e a ursa, próximas a um vulcão no extremo leste siberiano, marcam mutuamente os seus destinos e fundem a condição de fera e humana.</span></p>
<p><span id="more-30721"></span></p>
<p><a href="https://leituras.org/escute/"><span style="font-weight: 400;">Ursa-mulher e mulher-ursa</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma foge para dentro da bruma, com pedaços de uma mandíbula e ferida por um quebra-gelo; a outra, guarda-se na neve, vermelha de seu próprio sangue. Na falta do que se doou na troca desse primal encontro, refunda-se um sistema de crenças de povos como os </span><a href="https://www.editionsladecouverte.fr/a_l_est_des_reves-9782359251241#:~:text=Apr%C3%A8s%20avoir%20travaill%C3%A9,monde%20sa%20vitalit%C3%A9."><i><span style="font-weight: 400;">evenki</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – estudados por Martin em 2015, quando é desfigurada – em que a predestinação do enlace de seus destinos é a base do exercício da vida, animal e humana, em comunidade. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras, </span></i><span style="font-weight: 400;">trazido ao Brasil pela tradução de Camila Boldrini e Daniel Lühmanné, é regido pelo atrito que a própria autora estabelece entre si mesma e sua imersão em modelos de visualização da vida vinculados ao </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1010200620.htm"><span style="font-weight: 400;">animismo</span></a><span style="font-weight: 400;">: uma união do ambiente e da existência humana e animal em um único fluxo vital. </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Miêdka”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e “</span><i><span style="font-weight: 400;">matukha”</span></i><span style="font-weight: 400;"> são termos do idioma </span><i><span style="font-weight: 400;">even</span></i><span style="font-weight: 400;"> que identificam sua condição de sobrevivência e transmutação, após o enfrentamento com o urso, à situação anormal de humanidade que lhe é atribuída. À </span><a href="https://erratanaturae.com/autores/nastassja-martin/"><span style="font-weight: 400;">antropóloga</span></a><span style="font-weight: 400;">, esse estado de pária estrutura uma mudança na maneira que enxerga a si mesma – em um espaço de excepcionalidade, um tanto </span><a href="https://www.newyorker.com/books/page-turner/learning-to-love-the-bear-that-attacked-you#:~:text=I%20assumed%20that,of%20her%20experience."><span style="font-weight: 400;">inadequado</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao seu desenvolvimento de pesquisadora –, que altera o tom etnográfico para, também, hibridizar o texto.</span></p>
<figure id="attachment_30723" aria-describedby="caption-attachment-30723" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-30723" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-800x471.jpg" alt="Foto em preto e branco da antropóloga Nastassja Martin. No primeiro plano, uma mulher branca, de cabelos loiros presos em um coque desarrumado que cai em sua nuca. Ela olha ao horizonte e está vestida com uma blusa clara e um casaco, similar a uma jaqueta, preto. Ao fundo, montanhas rochosas e um céu nebuloso." width="800" height="471" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-800x471.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-1024x602.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-768x452.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-1200x706.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1.jpg 1224w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30723" class="wp-caption-text">Orientada pelo antropólogo Philippe Descola, Nastassja Martin escreve sua tese de doutorado sobre o povo Gwich’in, do Alasca (Foto: Alexandre Lacroix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Estilisticamente, Martin constrói um registro experimental e total do que se dedicou a analisar, no exercício de sua ciência, e de suas inscrições sensíveis aos acontecimentos, meticulosamente medidas pela sua escrita. Entre a etnografia e a autobiografia, a metodologia de Martin é o cruzamento de dois cadernos de viagem, descritos como diurno e noturno. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro tem suas páginas preenchidas por notas de viagem, fragmentos do que percebe em sua imersão com os </span><i><span style="font-weight: 400;">even </span></i><span style="font-weight: 400;">e a desperta atenção, mesmo com todos os dilemas que atravessam a etnografia. O segundo é do âmbito da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D7Z6AZnD9hc"><span style="font-weight: 400;">escrita do sonho</span></a><span style="font-weight: 400;">, que evoca o íntimo e o exterior numa poética de imagens quase ritualísticas, como pinturas rupestres que reincidem um mundo do sentimento selvagem e da máxima expressão da vida, na igualdade da relação animal ou humana. São contrastes significativos tanto em sua maneira de visualização do mundo e de sua própria sobrevivência que, na narrativa, não se institui de uma moralização da violência nem de um arco de redenção; quanto de sua escrita: variável de momentos cirúrgicos de descrição a até fluxos bestiais e oníricos de prosa.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">‘‘Fantasmático do desejo próprio às florestas, aos predadores solitários, à sua raiva, ao seu orgulho e à sua vigília. Tensão de seus encontros inesperados, inconfessáveis, improváveis, em devir, no entanto. Porque sozinhos eles se perdem, porque sozinhos eles se fecham, porque sozinhos eles esquecem. O cruzamento de seus olhares os salva de si mesmos ao projetá-los na alteridade daquele que os enfrenta. O cruzamento de seus olhares os mantém vivos.’’</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Na dualidade estabelecida à estrutura de seu texto, a autora mobiliza a etnografia para a escrita de si quando desafiada a </span><a href="https://www.philomag.com/articles/nastassja-martin-je-minteresse-la-possibilite-dune-metamorphose"><span style="font-weight: 400;">redescobrir</span></a><span style="font-weight: 400;"> a si mesma – com seu rosto desfigurado, do qual a ursa tomou-lhe parte da maçã do rosto e da mandíbula –, nesse novo território tomado de tensões: o seu próprio corpo. As questões psicológicas que a atravessam durante transferências incessantes por antigos hospitais da antiga ordem soviética, onde é posta à selvageria dos procedimentos médicos e legais envolvendo nacionalidade e gênero, é onde pensa um motivo maior a seu fatal encontro, que lhe propõe um </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioconti/2021/10/antropologa-perdoa-urso-que-a-atacou-em-livro-que-iguala-homens-e-animais.shtml"><span style="font-weight: 400;">novo significado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por ainda estar viva. Portanto, no equívoco de sua epistemologia mas no exercício de uma liricidade autobiográfica, a evidente marca deixada pela espécie companheira à crença </span><i><span style="font-weight: 400;">even </span></i><span style="font-weight: 400;">é mais uma oportunidade individual de entender-se do que realmente uma maneira de debruçar-se sobre sua estrutura de pesquisa.</span></p>
<figure id="attachment_30724" aria-describedby="caption-attachment-30724" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30724" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/The-Bear.jpg" alt="Rascunho feito a grafite pelo artista expressionista Edvard Munch. Na esquerda, observa-se um vulto de uma mulher ajoelhada abraçando um urso, não preenchido, o que lhe dá a impressão de ser branco ou claro. Os traços de grafites são evidentes. À direita, observa-se uma figura parecida, no entanto a mulher está mais agachada e abraça um urso agora escuro, negro, preenchdio pelo grafite." width="800" height="607" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/The-Bear.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/The-Bear-768x583.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30724" class="wp-caption-text">‘‘Há tempos vim preparando o terreno que me levaria até a boca do urso, em direção ao seu beijo’’ (Arte: Edvard Munch)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda é tempo das mitologias. Existe, nos gestos conflitantes do enquadramento de seu encontro com a ursa — muitas vezes descrito enquanto um abraço e um beijo — uma determinada </span><a href="https://thebaffler.com/latest/bear-witness-goldman"><span style="font-weight: 400;">eroticidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que parte da percepção de uma afetação, para além de necessariamente, de afeto, na qual a violência torna-se um espaço de proximidade inigualável. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma fábula calculada nesses contrastes e escrita sobre a tradição indígena do sonho explorada por Ailton Krenak e pelas filosofias yanomami estudadas por </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/semana/sonhou-com-o-que/hanna-limulja-fala-da-cultura-yanomami-a-partir-de-seus-sonhos/"><span style="font-weight: 400;">Hanna Limulja</span></a><span style="font-weight: 400;">, sua moral naturalmente reivindica outros modos de vida, ou, como colocado pela pensadora </span><a href="https://personaunesp.com.br/eo-critica/#:~:text=pensadora%20Donna%20Haraway"><span style="font-weight: 400;">Donna Haraway</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">autre-mondialisation</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; (outra-mundialização). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o pulso ferino de primalidade toma conta da experimentação de Nastassja Martin, é pela memória que constrói um espaço conjunto e verdadeiro. Aquele que, como nas imagens feitas a dedo em escuras grutas, remonta um </span><a href="https://autonomialiteraria.com.br/sonho-de-outras-feras/"><span style="font-weight: 400;">passado mágico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e possível, por outros exercícios de fazer o mundo, onde a técnica não colocou um corpo acima do outro, uma mulher abaixo de um homem e um humano-bixo acima de outras vidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escavar o susto é, para essa </span><a href="https://12ft.io/proxy?q=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Filustrada%2F2021%2F12%2Fescute-as-feras-nos-desperta-o-desejo-de-conhecer-um-urso.shtml"><span style="font-weight: 400;">narrativa de sobrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> tomada de divagações — importantes para a composição do retrato sensível de si mesma —, encontrar sua própria essência, ao mesmo tempo que acessa a realidade antropológica da península de </span><span style="font-weight: 400;"> Kamtchátka, o lugar de</span><span style="font-weight: 400;"> seus estudos. Para a mitologia </span><i><span style="font-weight: 400;">even, </span></i><span style="font-weight: 400;">o olhar do urso em si não é perigoso pela tentativa de vingança do antropocentrismo ou do domínio de um espaço vital, mas sim pelo fato de que, nos olhos da animalidade humana, as outras formas de vida encontram-se e entendem a si próprias em sua condição de alteridade. </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/11/24/books/review-in-eye-of-wild-nastassja-martin.html"><span style="font-weight: 400;">A ursa</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tanto atacada por Nastassja – uma fera, em seus próprio papel – quanto devolve o susto, em uma metáfora da vida real sobre o misterioso assombro que é entender a si no outro.</span></p>
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		<title>O vencedor leva tudo em Bergman Island</title>
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					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori Foi na Sétima Arte que Ingmar Bergman convidou seus fantasmas mais obscuros para uma batalha taciturna de xadrez. Numa série de movimentos milimetricamente calculados, xeque, o cineasta sueco ultrapassou os limites entre o homem ordinário e o gênio do Cinema Moderno. Integrando a Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bergman-island-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O vencedor leva tudo em Bergman Island"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24293" aria-describedby="caption-attachment-24293" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24293" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem1-800x333.png" alt="Cena do filme Bergman Island. Na imagem estão Chris e Tony, em ordem. Chris, interpretada por Vicky Krieps, é uma mulher branca com cerca de 38 anos e cabelo cacheado castanho. Ela veste um suéter laranja queimado. Tony, interpretado por Tim Roth, é um homem branco com cerca de 60 anos e cabelo curto castanho claro. Ele veste uma blusa azul marinho. Ambos estão de perfil, olhando para uma janela. O fundo é uma parede branca de reboco simples." width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem1-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem1-1024x426.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem1-768x319.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem1-1536x639.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem1-1200x499.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem1.png 1650w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24293" class="wp-caption-text">Integrando a seleção da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Bergman Island teve sua estreia oficial no Festival de Cannes 2021 (Foto: IFC Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi na Sétima Arte que </span><a href="https://veja.abril.com.br/especiais/bergman-o-complicado-homem-para-alem-do-grande-cineasta/"><span style="font-weight: 400;">Ingmar Bergman</span></a><span style="font-weight: 400;"> convidou seus fantasmas mais obscuros para uma batalha taciturna de xadrez. Numa série de movimentos milimetricamente calculados, </span><i><span style="font-weight: 400;">xeque</span></i><span style="font-weight: 400;">, o cineasta sueco ultrapassou os limites entre o homem ordinário e o gênio do Cinema Moderno. Integrando a Perspectiva Internacional da 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, </span><a href="https://c7nema.net/artigos/item/105758-a-ilha-de-bergman-mia-hansen-love-livre-do-realismo.html"><span style="font-weight: 400;">Mia Hansen-Løve</span></a><span style="font-weight: 400;"> se aventura em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bergman Island</span></i><span style="font-weight: 400;">. E incubando-se da ingrata responsabilidade de homenagear tamanho legado, a diretora francesa vai para além de Bergman, refletindo acerca do amor, da desilusão e, principalmente, da recuperação artística.</span></p>
<p><span id="more-24272"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa toma espaço em </span><a href="https://oglobo.globo.com/boa-viagem/conheca-ilha-de-faro-refugio-inspiracao-de-igmar-bergman-22879880"><span style="font-weight: 400;">Fårö</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma ilha Báltica revelada a Bergman no decurso das filmagens de </span><i><span style="font-weight: 400;">Através de um Espelho</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde encontrou na paisagem idílica a materialização física de uma visão que sempre manteve consigo. Foi amor à primeira vista. Fårö tornou-se cenário de clássicos do cineasta, que vão desde</span> <i><span style="font-weight: 400;">A</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Paixão de Ana</span></i> <span style="font-weight: 400;">à </span><i><span style="font-weight: 400;">Cenas de um Casamento</span></i><span style="font-weight: 400;">, e nela, Bergman passou recluso os seus amargos últimos anos de vida.</span></p>
<figure id="attachment_24295" aria-describedby="caption-attachment-24295" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24295" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem2-800x332.png" alt="Cena do filme Bergman Island. Na imagem está Chris. Chris, interpretada por Vicky Krieps, é uma mulher branca com cerca de 38 anos e cabelo cacheado castanho. Ela está agachada tocando o mar enquanto olha para a câmera vestida de um maiô marrom. Ao fundo está o horizonte do oceano azul, o céu azul com nuvens brancas e a areia da ilha." width="800" height="332" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem2-800x332.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem2-1024x426.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem2-768x319.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem2-1536x638.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem2-1200x499.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem2.png 1718w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24295" class="wp-caption-text">Greta Gerwig, John Turturro e Owen Wilson foram alguns dos atores previamente escalados para os papéis principais do longa (Foto: IFC Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem surpresa, a ilha sueca se tornou retiro temático para cinéfilos. Lá, </span><span style="font-weight: 400;">Hansen-Løve introduz a narrativa com a chegada de um casal. Ambos cineastas, Tony (</span><span style="font-weight: 400;">Tim Roth) e </span><span style="font-weight: 400;">Chris (</span><span style="font-weight: 400;">Vicky Krieps)</span><span style="font-weight: 400;"> fixam-se em </span><span style="font-weight: 400;">Fårö, dando início à escrita de seus respectivos projetos futuros. Ele celebra os sucessos de sua estabelecida produção artística, reconhecida pelo público. Ela, através da experiência torturante que perpassa o processo criativo, luta contra a mediocridade do próprio roteiro. Assim, o casal lida com o impasse calado que navega por meio dos </span><a href="https://www.apaladewalsh.com/2021/10/mia-hansen-love-a-vocacao-tende-a-devorar-tudo/"><span style="font-weight: 400;">desalinhamentos profissionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cada um. Tudo sob a vastidão do azul deslumbrante do mar, a herança de Bergman e as memórias do passado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme a escrita do casal avança, os rumos de ambos vão divergindo. Nos detalhes de uma conversa animada ou na indiferença de uma expedição turística cômica, para Chris, ao lado de Hansen-Løve, as reafirmações da figura do marido, assim como as de Bergman, não interessam. Ao contrário, envolvida pela beleza estonteante quase opressora da paisagem, ela mergulha de cabeça nas possibilidades que surgem a partir de sua insubordinação.</span></p>
<figure id="attachment_24296" aria-describedby="caption-attachment-24296" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24296" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem3-800x332.png" alt="Cena do filme Bergman Island. Na imagem estão Amy e Joseph, em ordem. Amy, interpretada por Mia Wasikowska, é uma mulher branca com cerca de 32 anos e cabelo curto loiro. Ela veste uma camisa jeans, regata branca vazada com outra regata vermelha por baixo e calça jeans. Joseph, interpretado por Anders Danielsen Lie, é um homem branco com cerca de 42 anos e cabelo curto loiro. Ele veste uma camiseta azul marinho e calça jeans escura. Ambos estão deitados sobre um gramado sombreado por árvores. Amy está deitada para cima, olhando para a mesma direção, com a cabeça apoiada nos braços. Joseph está atrás dela, deitado de lado e olhando para cima, com a cabeça apoiada sobre os braços." width="800" height="332" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem3-800x332.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem3-1024x426.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem3-768x319.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem3-1536x638.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem3-1200x499.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem3.png 1718w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24296" class="wp-caption-text">Amy e Joseph, interpretados pela fenomenal Mia Wasikowska e por Anders Danielsen Lie (Foto: IFC Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de Chris ganha corpo, guiando o filme a uma narrativa de abismo que entrelaça diretora à protagonista à nova protagonista. Vida e Arte tornam-se uma e duas ficções se enredam quando Chris se espelha em Amy – interpretada excepcionalmente por </span><a href="https://istoe.com.br/mia-wasikowska-encarna-a-batalha-das-diretoras-de-cinema-em-a-ilha-de-bergman/"><span style="font-weight: 400;">Mia Wasikowska</span></a><span style="font-weight: 400;"> – para personificar os desejos frustrados do primeiro amor, Joseph </span><span style="font-weight: 400;">(Anders Danielsen Lie)</span><span style="font-weight: 400;">. Esse é o último capítulo dessa história fadada à ruína que se deu ora muito cedo, ora tarde demais. A ânsia desse amor proibido é agonizante, inconclusiva. Hansen-Løve nos priva da catarse e a quietude gritante de </span><span style="font-weight: 400;">Fårö parece amplificar as dores dos amantes desafortunados, bem como a nossa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na tranquilidade da paisagem, na melancolia torturante do adeus jamais dito ou ainda no êxtase de se dançar, o longa traça paralelos que unificam brilhantemente </span><a href="https://youtu.be/nrlVHVid-20"><i><span style="font-weight: 400;">Bergman Island</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/persona-silencio-fala/"><i><span style="font-weight: 400;">Persona</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://youtu.be/92cwKCU8Z5c"><i><span style="font-weight: 400;">The Winner Takes It All</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do ABBA; sugerindo que, talvez, essas três interpretações não sejam de todo opostas.</span><span style="font-weight: 400;"> Em outros termos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bergman Island</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma simples carta de amor. Nela, </span><span style="font-weight: 400;">Hansen-Løve é a vencedora que leva tudo. Libertando-se das influências imateriais frígidas do cineasta sueco, a diretora francesa reafirma deliberadamente a própria voz, junto de Chris, junto de Amy.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bergman Island - Official Trailer | HD | IFC Films" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nrlVHVid-20?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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