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	<title>Arquivos Episódios &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>A 2ª temporada de Hunters aproveita as brechas da liberdade criativa</title>
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		<pubDate>Tue, 09 May 2023 16:19:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Há três anos estreava a dualista primeira temporada de Hunters. Aos que conseguiram terminá-la, hoje podem apreciar o segundo – e maior – ato do enredo, desenvolvido por David Weil, Mark Bianculli, Nikki Toscano e David Rosen, que divide opiniões. Com um exímio elenco, a série traz Al Pacino de volta às telas, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hunters-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A 2ª temporada de Hunters aproveita as brechas da liberdade criativa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30858" aria-describedby="caption-attachment-30858" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-30858 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-2-800x557.jpg" alt="Texto Alternativo: Cena da série Hunters. Nele estão 4 pessoas. Dois homens e duas mulheres.Estão andando com roupas de gala em um salão ornamental. A esquerda, um homem e uma mulher brancos, vestem um terno vermelho e amarelo e um vestido prateado respectivamente. A direita, um homem branco e uma mulher negra. Vestem um terno vermelho de veludo e um vestido marrom" width="800" height="557" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-2-800x557.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-2-1024x713.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-2-768x535.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-2-1200x836.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-2.jpg 1429w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30858" class="wp-caption-text">David Weil, showrunner de Hunters, subiu ao estrelato com a série que o representa pessoalmente por ser neto de sobreviventes do Holocausto (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há três anos estreava a dualista primeira temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hunters</span></i><span style="font-weight: 400;">. Aos que conseguiram terminá-la, hoje podem apreciar o segundo – e maior – ato do enredo, desenvolvido por David Weil, Mark Bianculli, Nikki Toscano e David Rosen, que divide opiniões. Com um exímio elenco, a série traz Al Pacino de volta às telas, já que seu último papel em uma produção para televisão foi em 2003, em </span><a href="https://www.revistabula.com/56472-angels-in-america-e-o-guia-para-entender-o-atual-conflito-religioso-no-mundo/"><i><span style="font-weight: 400;">Angels in America</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Agora, o ator interpreta Meyer Offerman, um líder de caçadores nazistas à procura de fechar as feridas deixadas pela Segunda Guerra Mundial.</span></p>
<p><span id="more-30857"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longa, lenta e detalhada, a obra constrói personalidades profundas cheias de motivações, histórias e nuances. Porém, apenas na segunda temporada a conexão entre essa profundidade e a narrativa deslumbra seu público. Como acontece em um filme de origem, a morte da avó de Jonah Heidelbaum (Logan Lerman) é o ponto de ignição que incentiva o jovem da primeira geração </span><a href="https://personaunesp.com.br/lista-schindler-mil-nomes-mil-vidas/"><span style="font-weight: 400;">pós-guerra</span></a><span style="font-weight: 400;"> a procurar o assassino que tirou a única família conhecida por ele. Infelizmente, o desenrolar do roteiro apresenta uma transição gradativa e confusa para relacionar as motivações pessoais à causa maior, mas, aos quarenta e cinco do segundo tempo, as lacunas se complementam esplendorosamente.</span></p>
<figure id="attachment_30859" aria-describedby="caption-attachment-30859" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-30859" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-800x360.png" alt="Texto Alternativo: Cena da série Hunters. Na imagem a peça central é um largo sofá atrás de uma mesa. Nele estão sentadas quatro pessoas, três mulheres e um homem. Ao fundo está um homem debruçado em uma parede de vidros e a frente outro homem em uma poltrona. Todos encaram a frente." width="800" height="360" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-800x360.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1024x460.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-768x345.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1200x540.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2.png 1210w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30859" class="wp-caption-text">Al Pacino concorreu a Melhor Ator em Série de Drama no Globo de Ouro 2021 pela primeira temporada de Hunters, mas a série não levou nenhum prêmio (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Produzida por </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jordan Peele</span></a><span style="font-weight: 400;">, a série desenvolve elementos que percorrem uma linha tênue entre o encaixe perfeito de peças totalmente diferentes e o completo caos. Assim, ela permanece intacta do começo ao fim, desde a fotografia  saturada, assinada por John Lindley Asc, em referência direta a </span><a href="https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/30119-bastardos-inglorios"><i><span style="font-weight: 400;">Bastardos Inglórios</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, até a ambientação da época, por Toscano e Weil, que, ironicamente, remete aos </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/a-carreira-de-al-pacino-em-dez-filmes,0969a334ed0075ccb3743ad84ae8c0eertdxsv3t.html"><span style="font-weight: 400;">filmes de ação protagonizados por Al Pacino</span></a><span style="font-weight: 400;"> na década de 1970. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A apresentação da série como dualista – ou até multifacetada – não se dá somente por quesitos técnicos. A coexistência do teor reacionário em que a temática ficcional trabalha e a realidade na qual se baseia também é um ingrediente capaz de refletir questões sociais complexas nas quais a arte está inserida. O </span><a href="https://www.theauschwitztours.com/pt/auschwitz-birkenau-memorial-and-museum/"><span style="font-weight: 400;">Museu de Auschwitz</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, criticou a criação de um tabuleiro de xadrez humano representado na obra após o lançamento e popularização do episódio, mencionando que honram as vítimas preservando a precisão factual e inventar um falso jogo não é apenas uma “</span><a href="https://twitter.com/AuschwitzMuseum/status/1231536705624322050"><i><span style="font-weight: 400;">tolice perigosa e uma caricatura, mas também dá boas-vindas aos futuros negacionistas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30860 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-800x463.png" alt="Texto Alternativo: Cena da série Hunters. A imagem apresenta um tabuleiro de xadrez gigante, em que suas divisões são a grama alta e a grama cortada. Suas peças são representadas por pessoas reais." width="800" height="463" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-800x463.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1024x592.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-768x444.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1536x888.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1200x694.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption class="wp-caption-text">Em entrevista a EW, Weil menciona: “Levo incrivelmente a sério esse relacionamento com o público e esse feedback. A segunda temporada é, para mim, uma bela evolução da história de Hunters” (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que o criador descreva </span><i><span style="font-weight: 400;">Hunters</span></i><span style="font-weight: 400;"> como “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CVDiLY-AJTI"><i><span style="font-weight: 400;">uma carta de amor à sua avó materna</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, a polêmica difundida pelo Museu gerou diversas divergências entre o público. Mesmo assim, não é possível negar que a expressão de determinadas cenas e construções – ainda que fictícias – transgride e minimiza diretamente os pilares da resistência construídos pelos sobreviventes do </span><a href="https://personaunesp.com.br/anne-frank-vidas-paralelas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Holocausto</span></a><span style="font-weight: 400;"> em memória à identidade judaica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda com as problemáticas bem expressas e válidas, a obra provoca uma imersão desde o começo, sendo possível elaborar um quadro de pistas com todas as conexões e pontos centrais da trama. A série trabalha com reviravoltas constantes e coesas, refletidas em uma cadeia de objetivos. descritos por Joshua Rivera, do </span><a href="https://www.theverge.com/2020/2/19/21143083/hunters-review-jordan-peele-nazi-hunting-show-al-pacino-amazon-prime#:~:text=It%20wants%20to%20be%20a%20harrowing%20remembrance%20of%20the%20suffering%20of%20the%20Holocaust%2C%20a%20satisfying%20revenge%20fantasy%2C%20a%20sensational%20period%20piece%2C%20and%20a%20dark%20comedy."><i><span style="font-weight: 400;">The Verge</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma lembrança angustiante do sofrimento do Holocausto, uma fantasia de vingança satisfatória, uma peça de época sensacional e uma comédia de humor ácido</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Tudo isso é representado e introduzido de um jeito caótico pelo primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">teaser</span></i><span style="font-weight: 400;"> da produção, exibido no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pILCn6VO_RU&amp;ab_channel=NFL"><i><span style="font-weight: 400;">SuperBowl</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2020</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30861" aria-describedby="caption-attachment-30861" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30861" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-800x468.png" alt="Texto Alternativo: Cena da série Hunters. Ao centro está uma mulher negra de cabelos curtos e lisos que encara sua frente com temor. Interpretada pela atriz Jerrika Hinton. A mulher está com um colar curto prateado e camiseta de manga longa. A imagem apresenta apenas a visão de seus ombros à cabeça." width="800" height="468" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-800x468.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-1024x599.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-768x449.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-1200x702.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4.png 1349w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30861" class="wp-caption-text">Em Hunters, a agente do FBI Millie Morris (Jerrika Hinton) encontra uma cientista da NASA assassinada, que faz referência às infiltrações nazistas em instituições americanas (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A temática não se restringe a </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/nazistas-na-nasa-o-real-e-a-ficcao-na-serie-hunters/"><span style="font-weight: 400;">fatos documentais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tampouco a ficções distantes e questões reflexivas. Desde o simples fato de existir, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hunters</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenta seguir uma onda de lançamentos de obras históricas que criticam o retrocesso com a recente alta da extrema-direita na mídia, o neofascismo em instituições governamentais e os discursos de ódio. Mas sua referência não é tão bem integrada quanto seus aspectos técnicos e roteiro. Críticas por críticas não promovem reflexão. Além de tudo, sua referenciação histórica é rasa e não desenvolvida, e está entre a lembrança do Holocausto e uma fantasia corajosa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por si só, a obra indiscutivelmente apresenta um âmago curioso, imprevisível e ainda instigante. Seja pela produção de Peele, produtor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Corra</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Não! Não Olhe!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; pelo elenco hipnotizante com </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-vantagens-de-ser-invisivel-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lerman</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-poderoso-chefao-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Pacino</span></a><span style="font-weight: 400;">, Tiffany Boone, Jennifer Jason Leigh e muitos outros caçando nazistas – o que poderia ter dado errado? -; ou pela estonteante fotografia e direção de câmera. Mas, acima de tudo, pela imprevisibilidade de um roteiro coeso e bem construído.</span></p>
<figure id="attachment_30863" aria-describedby="caption-attachment-30863" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30863" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-1-800x440.jpg" alt="Texto Alternativo: Cena da série Hunters. Na imagem a peça central é uma casa de cimento coberta por plantas. Seu telhado é coberto de grama e suas portas e janelas de madeira clara. Ao redor um vasto campo verde e florestas ao fundo. A frente uma passarela de pedras que segue até a rua." width="800" height="440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-1-800x440.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-1-1024x564.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-1-768x423.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-1-1200x660.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-1.jpg 1339w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30863" class="wp-caption-text">A revista Veja realizou uma análise de veracidade e um dos fatos 100% verdadeiros é a infiltração de nazistas em instituições americanas de renome, como a NASA e o FBI<br />(Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O penúltimo episódio da temporada performa tudo aquilo que a produção poderia ser: majestosa, intensa, angustiante e representativa. O grande acerto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hunters</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi entregue em seu sétimo episódio, </span><a href="https://www.tvfanatic.com/2023/01/hunters-season-2-episode-7-review-the-home/"><i><span style="font-weight: 400;">The Home</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com performances, cenários e um roteiro de invejar longas-metragens durantes seus hipnotizantes 40 minutos. As referências sutis, em que cada cena aparenta ser milimetricamente pensada, o transformaram em um quebra-cabeças de mil peças, em que mesmo a satisfação provocada por concluí-lo é seguida pela tristeza da imagem formada e da história contada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim, o segundo ano se resume a um desenvolvimento inicial clichê, mas capaz de preencher todos os requisitos de uma boa série que reúne a turma na </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/hunters-temporada-final-trailer"><span style="font-weight: 400;">última temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; agora, com um objetivo maior deixando todo seu desenvolvimento cada vez mais imprevisível. Caminhando para seu encerramento programado, a obra não poderia abrir brechas para quaisquer pontas soltas e seu público sabe disso. Se tratando de uma temática de época, cabe ao contemporâneo refletir sobre o que a história pode nos ajudar a prevenir.</span></p>
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		<title>1899 tenta, mas está longe de superar Dark</title>
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		<pubDate>Fri, 05 May 2023 17:25:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Felipe Nunes Drama, artefatos misteriosos que moldam a realidade, o espaço e o tempo, ficção científica e um casal alemão que revolucionou a história da Netflix ao lançar uma das séries de língua não inglesa mais consumidas na plataforma. Essa é a receita de Dark e quase foi a do novo lançamento do streaming, 1899. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/1899-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "1899 tenta, mas está longe de superar Dark"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30841" aria-describedby="caption-attachment-30841" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30841" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-800x423.jpg" alt="Cena da série 1899. Nela, há um homem branco com cabelos pretos vestindo sobretudo preto olhando para a esquerda, lado em que está na foto. No centro, há uma mulher branca com cabelos ruivos e que veste um vestido na cor marsala. À direita, está um homem branco, com cabelo castanho liso e barba. Ele veste um colete preto sobre uma camisa de manga cinza. O fundo da cena é desfocado." width="800" height="423" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-800x423.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-1024x542.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-768x406.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-1200x635.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1.jpg 1523w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30841" class="wp-caption-text">Em 1899, Baran bo Odar e Jantje Friese repetem fórmula na tentativa de se consagrarem novamente com uma das séries mais assistidas da gigante do streaming (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Felipe Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Drama, artefatos misteriosos que moldam a realidade, o espaço e o tempo, ficção científica e um casal alemão que revolucionou a história da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao lançar uma das séries de língua não inglesa mais consumidas na plataforma. Essa é a receita de </span><a href="https://personaunesp.com.br/dark-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e quase foi a do novo lançamento do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">1899</span></i><span style="font-weight: 400;">. As comparações são sempre injustas, mas o tempo de produção e investimento superior para a segunda obra de Baran bo Odar e Jantje Friese fez o seriado</span> <span style="font-weight: 400;">prometer mais do que podia cumprir. A associação é inevitável. </span></p>
<p><span id="more-30839"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhuma trama parte do mesmo lugar e traça um processo de criação idêntico para que possa ser confrontada com outra de forma justa. Contudo, após a história complexa e instigante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark </span></i><span style="font-weight: 400;">envolver os espectadores</span> <span style="font-weight: 400;">ao longo de três sequências, é impossível não se perguntar o que aconteceu para que tudo fosse ladeira abaixo em uma nova série. A produção era tida pelos fãs e críticos especializados como </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-1000003391/"><span style="font-weight: 400;">certa para uma renovação</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas o resultado surpreendeu e o cancelamento foi anunciado logo no primeiro ano. Os criadores lamentaram, pois os planos eram para não apenas uma, mas sim duas outras temporadas, como aconteceu com sua primogênita.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">1899</span></i><span style="font-weight: 400;"> é iniciada com Emily Beecham dando vida à complexa e misteriosa médica Maura Franklin. A protagonista é um convite para desconfianças. Às vezes, parece ser heroína, outras, vilã, e essa mescla de padrões é um dos pontos altos do enredo. Em um navio, a doutora vive uma confusão mental que extrapola a ficção e deixa quem assiste tão confuso quanto ela. </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/256763-1899-8-detalhes-voce-ter-nao-percebido-serie-netflix.htm"><span style="font-weight: 400;">Na história</span></a><span style="font-weight: 400;">, Maura está em busca de seu irmão, desaparecido em uma embarcação que nunca chegou ao destino final em Nova Iorque. Além dela, há diversos imigrantes com distintos segredos sombrios, porém com um objetivo em comum: ter uma vida melhor na alta elite da sociedade nova-iorquina.</span></p>
<figure id="attachment_30845" aria-describedby="caption-attachment-30845" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30845" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30845" class="wp-caption-text">1899 é o primeiro produto audiovisual da Netflix filmado completamente em estúdio virtual (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Semelhante aos longas </span><i><span style="font-weight: 400;">Fratura</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">As Linhas Tortas de Deus</span></i><span style="font-weight: 400;">, a série brinca com o que é realidade, ilusão e simulação na vida de seus personagens. Ao decorrer dos primeiros episódios, é difícil saber o gancho central de tudo. São sonhos? Algo sobrenatural? Ciência? Impossível responder, mas deliciosamente possível </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/11-filmes-para-exercitar-o-seu-cerebro/"><span style="font-weight: 400;">teorizar</span></a><span style="font-weight: 400;">. É esse o grande feito de </span><i><span style="font-weight: 400;">1899</span></i><span style="font-weight: 400;">: deixar os espectadores curiosos, pensativos e até mesmo confusos. As dúvidas não são por conta de falhas no roteiro de Baran bo Odar e Jantje Friese, é tudo premeditado. Como se fosse uma cebola, a cada capítulo mais uma camada é explicada. Com isso, os arcos se encaixam e ganham forças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se por um lado a narrativa instiga e prende o telespectador nos desdobramentos da história, por outro os personagens não se aproximam do público. Há um vasto núcleo de intérpretes com um tempo de tela muito mal administrado. Com exceção da história principal, todos os outros desenvolvimentos são jogados para o esquecimento. Contar com um </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/255319-1899-serie-netflix-boa-mesmo-narrativa-destaca-critica.htm"><span style="font-weight: 400;">elenco tão diversificado</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi um trunfo e é uma pena que isso não tenha sido bem trabalhado. Os episódios são longos e poderiam deixar de explicar o óbvio e dirigir a atenção à trajetória dos papéis centrais. Embora tenha tentado trazer dramas e sofrimentos particulares, isso foi feito de forma superficial e </span><i><span style="font-weight: 400;">1899</span></i><span style="font-weight: 400;"> falhou em encantar. Por exemplo, o sentimento de torcer pela destemida Maura, pela sensível Tove (Clara Rosager) ou sentir raiva do pai da protagonista, Henry Singleton (Anton Lesser), tido como vilão, é praticamente inexistente. Esses anseios não são explorados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco é quem eleva a obra. Além de Clara Rosager, Mathilde Ollivier (Clémence), Yann Gael (Jérome), Isabella Wei (Ling Yi), Fflyn Edwards (Elliot) e Miguel Bernardeau (Ángel) são excelentes e fazem jus aos eventos que vivenciam, ainda que tenham pouquíssimos momentos de profundidade com os personagens que interpretam. A carga dramática de Tove escancara esse descaso e, mesmo sendo uma das reviravoltas mais emocionantes, tem pouco destaque, tal qual acontece com os demais arcos que não envolvam diretamente a dupla Maura e Eyk Larsen. Os dois quase formam um casal e a construção não é ruim, muito pelo contrário. Contudo, é insuficiente para manter a atenção que a </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/filmes-series/fracasso-1899-criadores-dark-serie-netflix/"><span style="font-weight: 400;">narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> precisava despertar em quem assiste.</span></p>
<figure id="attachment_30844" aria-describedby="caption-attachment-30844" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30844" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-800x450.jpg" alt="Cena da série 1899. Nela, na esquerda, há uma jovem branca com cabelos pretos lisos, ela veste um Kimono em tons de vermelho e laranja. Ao seu lado, na direita, há um rapaz branco, com cabelos loiros, ele veste um uniforme bege, que está manchado com carvão. O lábio do rapaz está sangrando. O fundo da foto é desfocado e apresenta o salão de um navio." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3.jpg 1450w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30844" class="wp-caption-text">Com pluralidade idiomática, 1899 destaca várias línguas e apresenta personagens de diversas nacionalidades, como japoneses, alemães, franceses e noruegueses (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por ser a irmã mais nova de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i><span style="font-weight: 400;">, o lançamento já era esperado pelos fãs do gênero e dos criadores. Uma polêmica, no entanto, causou uma verdadeira reviravolta na recepção dos espectadores, principalmente os brasileiros. Logo após ter sido lançada, a </span><span style="font-weight: 400;">série </span><span style="font-weight: 400;">foi alvo de uma </span><a href="https://labdicasjornalismo.com/noticia/12243/-1899-a-nova-serie-da-netflix-traz-polemicas-sobre-plagio-na-cultura-cinematografica"><span style="font-weight: 400;">acusação de plágio</span></a><span style="font-weight: 400;"> por uma quadrinista brasileira, Mary Cagnin. De acordo com ela, elementos narrativos de uma de suas obras, a HQ</span><i><span style="font-weight: 400;"> Black Silence,</span></i><span style="font-weight: 400;"> estavam sendo copiados. Réplicas e tréplicas foram feitas negando as denúncias. Contudo, muitos consumidores não aceitaram as declarações e reforçaram o apoio à artista, deixando de ver e recomendar o conteúdo audiovisual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre o cenário, os efeitos visuais e a trilha sonora, é válido enfatizar que estes atuam como personagens à parte e abrilhantam com maestria todo o conjunto narrativo, um reflexo do </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/criticas/1899-sacrifica-personagens-mas-cativa-com-misterio-viciante"><span style="font-weight: 400;">orçamento da produção</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esses elementos são tão bem encaixados que parecem ser a alma da obra e, na verdade, de fato são. Cada aspecto conversa entre si, tem sua razão de ser e seu motivo para estar ali, naquele molde e naquele momento. Nada sobra ou parece faltar, o que é uma dificuldade e tanto na indústria cinematográfica.</span></p>
<figure id="attachment_30843" aria-describedby="caption-attachment-30843" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30843" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-800x446.jpg" alt="Cena da série 1899. Nela, há uma mulher branca, com cabelos loiros, que é focalizada na imagem. Ela está suada e faz uma expressão de espanto." width="800" height="446" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-800x446.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-1024x571.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-768x428.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-1200x669.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4.jpg 1449w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30843" class="wp-caption-text">Clara Rosager brilhou dando vida à complexa Tove e merecia mais destaque e profundidade em 1899 (Foto:Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande </span><a href="https://www.techtudo.com.br/noticias/2022/11/1899-veja-explicacao-para-o-final-e-os-maiores-plot-twists-da-serie-streaming.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é a revelação do que de fato faz os navios não chegarem ao seu destino final, a grande dúvida que prende os espectadores ao decorrer dos oito episódios. E o plural de navios abarca bem mais do que Kerberos e Prometheus, já que é contado que diversas embarcações já se perderam nessa expedição marítima e nunca chegaram a Nova Iorque. Na conclusão e explicação da motivação central da série, os elementos são conectados de uma forma fluída, sem desconexões, e o roteiro vence o maior desafio de enredos que se pautam na ficção científica: os temidos furos, que, além de prejudicarem a compreensão do seriado, mostram descuido com o texto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A filosofia ainda ganha espaço no universo ficcional. Um dos assuntos que percorrem as explicações das fatídicas situações é o </span><i><span style="font-weight: 400;">Mito da Caverna</span></i><span style="font-weight: 400;">, do livro </span><i><span style="font-weight: 400;">A República</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito pelo célebre filósofo Platão. Na </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/1899-quem-e-o-menino-misterioso-do-novo-fenomeno-da-netflix.phtml"><span style="font-weight: 400;">narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, o mito é abordado em diversos momentos e cria uma rede de apoio com as experiências antropológicas, psicológicas, emocionais e sensoriais de todos os que participam das simulações dentro dos navios. A princípio, a mistura das ciências exatas com a área filosófica parece não combinar, mas, ao decorrer da série, elas formam um par excêntrico e acoplado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da área humanística adentrar a abordagem científico-filosófica, o destaque continua sendo a física quântica. O texto se debruçou sobre as </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/televisao/1899-e-baseada-em-fatos-reais-descubra-a-verdade-por-tras-da-serie"><span style="font-weight: 400;">teorias</span></a><span style="font-weight: 400;"> e antecipou problemas de compreensão que poderiam ter acontecido com lacunas, que estiveram presentes em </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outro ponto importante foi a contagem de todos os fatos. Isso porque, ainda que esperassem uma renovação, grande parte dos arcos foi concluída com os desfechos da primeira temporada. E é por isso, que os diretores mostraram que aprenderam a lição quando o assunto é entregar um </span><i><span style="font-weight: 400;">script</span></i><span style="font-weight: 400;"> conectado, cuidadoso e, sobretudo, bem escrito.</span></p>
<figure id="attachment_30842" aria-describedby="caption-attachment-30842" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30842" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30842" class="wp-caption-text">Maura é a conexão de todos os arcos e tramas construídos ao longo da obra (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao terminar a série, a sensação é de que </span><i><span style="font-weight: 400;">1899</span></i><span style="font-weight: 400;"> tentou, mas não conseguiu alcançar os feitos da antecessora, mesmo com tudo conspirando para isso: o maior tempo de produção, o orçamento e a própria experiência do casal que criou a série. A profundidade dos arcos foi um desequilíbrio gigantesco, tanto que, quando o anúncio do cancelamento foi feito, não houveram tantas mobilizações – algo que aconteceu com outras produções da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/anne-with-an-e-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Anne with an E</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Clube da Meia-noite</span></i><span style="font-weight: 400;">. O público não se apegou aos dramas alternativos dos personagens e os atores tinham total competência para isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Permeada por polêmicas envolvendo plágio e com ressalvas sobre superficialidades já supracitadas, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hxGXPirkFGU"><span style="font-weight: 400;">obra</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem um roteiro intrigante, misterioso e atrativo. A linearidade temporal é bem trabalhada, usando </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao seu favor e revelando uma nova faceta a cada capítulo. </span><i><span style="font-weight: 400;">1899 </span></i><span style="font-weight: 400;">é, definitivamente, bem construída com a proposta que almeja desenvolver ao entrelaçar temas filosóficos, científicos e tecnológicos. Talvez seu maior erro tenha sido nascer depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark </span></i><span style="font-weight: 400;">e não antes.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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