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	<title>Arquivos Emmy Internacional 2020 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Emmy Internacional 2020 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Hebe: a minissérie nacional é linda de viver!</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2020 20:05:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Hebe Maria Monteiro de Camargo foi uma personalidade autêntica, sua alegria e carisma marcaram a história da comunicação e da televisão brasileira. Em homenagem ao impacto da apresentadora, a minissérie Hebe, que segue a linha de projetos como Maysa e Dercy de verdade, foi lançada para a plataforma Globoplay em julho deste ano.   &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hebe-minisserie-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Hebe: a minissérie nacional é linda de viver!"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16823" aria-describedby="caption-attachment-16823" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-16823 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1-1.jpg" alt="A imagem é uma fotografia de uma cena da minissérie. Na imagem, Andréa Beltrão está caracterizada como Hebe, no palco do programa de auditório. A atriz está no centro da imagem sorrindo para a câmera. Ao fundo da imagem, há uma plateia e a equipe de filmagem em desfoque. " width="1500" height="1001" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1-1.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1-1-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1-1-1200x801.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16823" class="wp-caption-text">De origem humilde e interiorana, Hebe chegou a ter 70% da audiência do país (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hebe Maria Monteiro de Camargo foi uma personalidade autêntica, sua alegria e carisma marcaram a história da comunicação e da televisão brasileira. Em homenagem ao impacto da apresentadora, a minissérie </span><i><span style="font-weight: 400;">Hebe</span></i><span style="font-weight: 400;">, que segue a linha de projetos como </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/noticias/maysa-quando-fala-o-coracao-completa-10-anos"><i><span style="font-weight: 400;">Maysa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Dercy de verdade</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi lançada para a plataforma</span><i><span style="font-weight: 400;"> Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;"> em julho deste ano.  </span></p>
<p><span id="more-16821"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra conta com 10 capítulos escritos por </span><a href="https://gshow.globo.com/series/hebe/noticia/carolina-kotscho-conta-que-trabalhou-mais-de-cinco-anos-na-criacao-de-hebe-maior-desafio-da-vida.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Carolina Kotscho</span></a><span style="font-weight: 400;">, e é uma extensão da produção cinematográfica </span><a href="http://personaunesp.com.br/hebe-a-estrela-do-brasil-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hebe &#8211; A Estrela do Brasil</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em um recorte  mais focado na vida da artista, a série se conecta à sua pessoalidade e intimidade, desde a juventude até a trágica morte para o câncer em 2012.</span></p>
<figure id="attachment_16824" aria-describedby="caption-attachment-16824" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-16824 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1-1.jpg" alt="A imagem é uma fotografia de Andréa Beltrão caracterizada como Hebe. A atriz está sentada em um sofá com as pernas cruzadas e o braço esquerdo apoiado no encosto do sofá. A atriz está com cabelo loiro curto, e veste um vestido prateado e preto. Ela também segura um microfone em sua mão direita." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16824" class="wp-caption-text">Andréa Beltrão disse que teve muita dificuldade para interpretar Hebe na minissérie (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos primeiros minutos da produção, a representação da Hebe já demonstra a força de seus posicionamentos. Em cenas do programa ao vivo, a apresentadora se impõe sobre temas que contrariam a censura pós-ditadura e geram polêmica, como é o caso das pautas LGBTs e feministas. Esse traço de personalidade irreverente permeia toda a trama e se mantém bem aproveitado dentro da não-linearidade escolhida para contar a história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em momentos que retratam a adolescência e a juventude de Hebe, a audácia da personagem também é inegável. Desde muito nova, ser do interior de São Paulo ou ter sotaque caipira não a impedem de ser corajosa e ousada. Ao longo da narrativa, isso se mostra um aspecto positivo que a ajudou a construir sua carreira, mas, em contraponto, a fragilidade que a artista não deixa transparecer se insere de forma suave nas suas expressões e momentos íntimos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra faceta interessante e muito explorada pela minissérie é a música como grande motivadora da carreira de Hebe. Ainda na juventude, o canto a ajuda a começar a conquistar relevância, e a mistura da música e da personalidade da personagem é bastante significativa para a produção. Em uma das cenas de destaque, ela é intimidada para conseguir ser cantora de boate, e é esse tipo de atitude que explicita bem quem é Hebe.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Hebe: assista ao trailer da nova série da Globo" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3GuGhQqyHto?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Relacionamentos e amizades também são trabalhados no enredo, e se Hebe era tão apaixonada pela vida, não seria menos pelo amor. Ao longo da história é explorado que a mesma essência que a faz ganhar o Brasil, de certa forma, atrapalha seus relacionamentos amorosos. Ela nunca desiste do amor, mas enfrenta relações desastrosas que trazem muita frustração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O machismo da época não via com bons olhos uma mulher tão livre quanto a apresentadora, e os homens que passaram por sua vida não foram diferentes. Em seus relacionamentos, ela vive situações abusivas, com parceiros controladores e até agressivos. Com Lélio Ravagnani (Marco Ricca), o segundo marido e grande amor, ela também é vítima de atitudes impulsivas e violentas. Apesar de terem vivido juntos um casamento de quase três décadas, o marido se mostra extremamente incomodado com a carreira da apresentadora, e  isso  causa  muita instabilidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, nas amizades o cenário era diferente, o carisma de Hebe conquistou não só o público como muitas pessoas que passaram por sua vida. Isso fica claro com a representação das relações dela com convidados, nas cenas em que aparece festejando e comemorando com amigos, e até na convivência afetuosa que tem com o filho (Caio Horowicz) e com o sobrinho (Danton Mello). </span></p>
<figure id="attachment_16825" aria-describedby="caption-attachment-16825" style="width: 1008px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16825 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-2.jpg" alt="A imagem é uma fotografia dos bastidores da gravação da série. Nela, as atrizes Andréa Beltrão e Valentina Herszage estão abraçadas, sorrindo para a foto. Andréa está à esquerda, caracterizada como Hebe. Ela está com cabelo loiro curto, usa um par de brincos e um colar prateados, e veste um vestido vermelho com detalhes de jóias. Valentina está à direita, caracterizada como a Hebe mais jovem. Ela tem cabelos castanhos e veste uma blusa rosa xadrez, e uma saia florida. " width="1008" height="671" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-2.jpg 1008w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-2-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-2-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16825" class="wp-caption-text">&#8220;Passei a admirá-la profundamente&#8221; disse Valentina, à direita, sobre Hebe (Foto: Fábio Rocha)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As atuações da série praticamente não tem falhas, a escolha do elenco foi muito bem feita e conseguiu dar vida à história da maneira correta. Valentina Herszage interpreta perfeitamente uma versão mais jovem da Hebe, ela se parece fisicamente com a artista da vida real e consegue transmitir o roteiro de forma equilibrada e emocionante. A música é muito presente nessa fase de 14 a 25 anos e a atriz encarna muito bem a cantora Hebe, tem controle de sotaque e os gestos da apresentadora também aparecem na medida certa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A transição entre a versão menos e a mais experiente também não peca, com a falta de semelhança física entre Valentina e Andréa Beltrão sendo suprida pela atuação. As atrizes não deixam de levar a mesma Hebe ao público em nenhum momento, e, muitas vezes, é visível que elas fazem os mesmos gestos ou risada. As mudanças ficam integradas na maturidade e evolução da representação, mas a ligação construída entre as atrizes e a própria Hebe permanece. </span></p>
<figure id="attachment_16826" aria-describedby="caption-attachment-16826" style="width: 924px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16826 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-1-1.jpg" alt="A imagem é de uma cena da minissérie. Nela, Andréa está à esquerda, caracterizada como Hebe. A atriz está com cabelos loiros curtos em corte chanel, ela usa batom vermelho, colares e está com um casaco vermelho. A atriz está virada para o lado, sorrindo. Ao fundo, do lado direito, há um vaso com uma planta. " width="924" height="718" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-1-1.jpg 924w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-1-1-300x233.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-1-1-768x597.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16826" class="wp-caption-text">A equipe de figurinistas da série teve acesso a todas as roupas da Hebe que estavam guardadas em sua casa no Morumbi (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Andréa Beltrão dá um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> à parte, decepcionando quem esperava que ela fosse ser cômica demais para a personagem, ou ainda que fosse a escolha errada pela aparência. A atriz entregou Hebe como se tivesse nascido para o papel, acertando dos trejeitos às gargalhadas. Todo o dinamismo, a alegria e o drama, foram encaixados sem exageros e com uma interpretação brilhante. Em diversos momentos é fácil esquecer que Andréa não é a verdadeira apresentadora em carne e osso, e a caracterização contribuiu com ótimas escolhas de figurinos,  </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/filmes-na-tv/filme-usa-joias-reais-de-hebe-camargo-mas-da-truque-para-evitar-roubo-25280"><span style="font-weight: 400;">joias</span></a><span style="font-weight: 400;"> e maquiagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atuação não passou despercebida, e a série foi indicada para o prêmio </span><a href="https://www.diariodaregiao.com.br/cultura/2020/09/1207449-emmy-internacional-2020--brasil-recebe-sete-indicacoes.html"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy Internacional 2020</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.  </span><a href="https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2020/10/01/andrea-sobre-indicacao-ao-emmy-por-hebe-pedacinho-dela-mora-em-mim.htm"><span style="font-weight: 400;">Andréa</span></a><span style="font-weight: 400;"> estava na lista de concorrentes a Melhor Atriz, mas perdeu para a britânica Glenda Jackson. A premiação ocorreu hoje, dia 23 de novembro, e teve produções brasileiras em destaque, com 7 indicações nacionais concorrendo entre as 11 categorias principais. Além de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hebe</span></i><span style="font-weight: 400;">, a </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2020/09/24/globo-e-indicada-a-3-premios-emmy-internacional.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> emplacou mais duas obras, a novela </span><i><span style="font-weight: 400;">Órfãos da Terra</span></i><span style="font-weight: 400;">, que levou a estatueta, e a também minissérie,</span> <a href="http://personaunesp.com.br/elis-viver-e-melhor-que-sonhar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Elis &#8211; Viver é melhor que sonhar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_16822" aria-describedby="caption-attachment-16822" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16822 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-1.jpg" alt="A imagem é uma fotografia de Andréa caracterizada como Hebe, no camarim. A atriz está ao centro da imagem, sentada de lado com o olhar direcionado para a câmera. Ela está com os cabelos loiros presos, usa brinco de diamantes e veste um vestido preto. Ao fundo, é possível ver uma penteadeira e um espelho. Na mesa da penteadeira há diversos produtos de maquiagem." width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-1-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-1-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-1-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16822" class="wp-caption-text">A falta de veracidade em alguns momentos da série gerou comentários do <a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/tv,filho-de-hebe-camargo-critica-forma-como-foi-retratado-em-serie,70003398842">filho</a> e de amigos pessoais da Hebe (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os pontos negativos da produção, os cortes temporais e </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> poderiam ter sido introduzidos com mais fluidez. Muitas vezes essas passagens de um momento a outro são muito rápidas e causam certa confusão sobre o tempo em que os acontecimentos estão se passando. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hebe</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna o tipo de série que precisa de atenção aos detalhes para que os contextos não sejam perdidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span><span style="font-weight: 400;">Os exageros do roteiro também poderiam ser medidos de outra maneira. A tática de juntar momentos marcantes que aconteceram em dias diferentes comove e causa impacto, mas, nesse caso, explorar demais isso tornou alguns episódios mais agitados do que deveriam. A classificação da obra enquanto ficção permite essas mudanças, mas trazer mais leveza no lugar de episódios abarrotados de muitos acontecimentos teria sido interessante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As pequenas imperfeições não impedem</span><i><span style="font-weight: 400;"> Hebe</span></i><span style="font-weight: 400;"> de ser um belíssimo trabalho que cumpre muito bem sua proposta, o resultado é ótimo e melhora tudo que nos foi apresentado no filme. </span><i><span style="font-weight: 400;">Hebe</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o tipo de minissérie que todo brasileiro que já sentou na frente da televisão e ficou encantado pela energia da apresentadora deveria assistir, a história encanta pela lembrança e pela emoção de resgatar a vida e a despedida da mulher que tanto significa para a mídia brasileira.</span></p>
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		<title>Reviver Elis é melhor que sonhar</title>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Laura Ferreira e Raquel Dutra A trajetória da música brasileira transpassa a história do país. Os fatos, a política e o social moldaram a forma e o conteúdo dos nossos produtos culturais, que muitas vezes combateram na linha de frente os regimes abusivos, denunciaram e registraram as experiências de cada período. No nascimento de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/elis-viver-e-melhor-que-sonhar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Reviver Elis é melhor que sonhar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16725" aria-describedby="caption-attachment-16725" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16725" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1.jpg" alt="Na imagem Andréia Horta está caracterizada como Elis Regina. Ela está de lado, com a mão esquerda sobre um microfone, o qual encosta na lateral do seu rosto. Sua face está virada para a câmera e ela tem um largo sorriso estampado, olhos fechados e os cabelos castanhos escuros cortados bem curtos. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16725" class="wp-caption-text">“Porque liberdade e ar são duas coisas que a gente sente que são essenciais para a vida. Sobretudo quando fazem falta” (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Laura Ferreira e Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trajetória da música brasileira transpassa a história do país. Os fatos, a política e o social moldaram a forma e o conteúdo dos nossos produtos culturais, que muitas vezes combateram na linha de frente os regimes abusivos, denunciaram e registraram as experiências de cada período. No nascimento de um dos gêneros musicais mais brasileiros dentre os nascidos em terras tupiniquins não seria diferente, como ilustra a minissérie </span><i><span style="font-weight: 400;">Elis &#8211; Viver é Melhor que Sonhar</span></i><span style="font-weight: 400;"> e seu retrato da origem da Música Popular Brasileira protagonizada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Pimentinha</span></i><span style="font-weight: 400;"> Elis Regina. A produção indicada a Melhor Minissérie/Telefilme no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy Internacional 2020</span></i><span style="font-weight: 400;"> mergulha no cenário efervescente da música nacional entre os anos de 1960 e 1980 ao mesmo tempo em que fragmenta a gaúcha, mãe da </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">, em muitas mulheres para além da artista.</span></p>
<p><span id="more-16648"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dona de um poder vocal inigualável e de canções atemporais, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/webstories/cultura/2020/10/vida-e-obra-de-elis-regina/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina Carvalho Costa</span></a><span style="font-weight: 400;"> iniciou sua carreira ainda criança em Porto Alegre, mas foi em 1964, aos 19 anos, que atraiu a atenção de importantes empresários do meio artístico da época. É nesse momento da vida da cantora que a minissérie se inicia, contextualizando brevemente o cenário em que o país se encontrava naquele momento: o início do regime militar. Através de depoimentos de jornalistas, recortes de jornais, falas de outros artistas e da própria Elis, a minissérie baseada na vida da artista assume também um caráter documental, que falha em alguns momentos ao ilustrar levianamente a realidade difícil que o país passava na época, mas triunfa em criar um resumo do que foi a música brasileira daquele período. </span></p>
<figure id="attachment_16649" aria-describedby="caption-attachment-16649" style="width: 1381px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16649" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972.jpg" alt="Imagem em branco e preto de Elis Regina sorrindo de perfil. Ela tem a mão direita apoiando o rosto e ao fundo a imagem desfocada de uma pessoa." width="1381" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972.jpg 1381w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972-300x196.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972-1024x667.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972-768x501.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972-1200x782.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16649" class="wp-caption-text">No dia 22 de Outubro de 2020, o Ballet Stagium apresentou, no projeto Em Casa Com Sesc, o espetáculo &#8220;Sonhos Vividos&#8221; inspirado na música de Elis Regina, ex-aluna da companhia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Destacando a identidade ousada de Elis que conflitava com os gêneros musicais bem-sucedidos na época, a trama pinta a artista com a importância devida: a mãe da Música Popular Brasileira, que na contramão do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> suave da bossa nova dominante naquele tempo, cantava com </span><i><span style="font-weight: 400;">“o coração sangrando”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa divergência de estilos foi inclusive motivo de desentendimento entre a cantora e Tom Jobim e Vinícius de Moraes, &#8216;os donos&#8217; do movimento que é considerado um dos mais influentes da música brasileira, produzindo uma arte que ia de encontro aos ideais desenvolvimentistas e modernos da presidência de Juscelino Kubitschek.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os conflitos que a artista encontrava na época com o cenário musical e do próprio país e a química da cantora com a sua arte são impressos na personagem de Andréia Horta e destacados pela direção de Hugo Prata. Elis não economizava sentimentos e encontrou um povo que clamava por uma cantora de peito aberto. Junto a outros movimentos que já iam numa direção mais denunciante, como o </span><a href="https://gente.ig.com.br/cultura/2017-10-09/tropicalia.html"><span style="font-weight: 400;">Tropicalismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, é que Elis dá vida a </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando protagonizou o extremamente bem-sucedido programa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=suDRd_sJxbs"><i><span style="font-weight: 400;">Fino da Bossa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao lado de Jair Rodrigues (Ícaro Silva). Mesmo com uma passagem rápida pela série, a dupla revive a química espirituosa que os artistas transbordavam na televisão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sucesso esse que cobrou dela muito trabalho, e ainda reconstituindo as movimentações da música brasileira na época, o roteiro que o diretor escreveu junto de Vera Egito e Luiz Bolognesi relembra todas as vezes que a artista teve de se renovar. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elis &#8211; Viver É Melhor que Sonhar</span></i><span style="font-weight: 400;"> pontua a novidade da década de 60: a Jovem Guarda. O gênero nasceu do encontro da música brasileira com o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock’n’roll</span></i><span style="font-weight: 400;"> provocado por figuras como Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa e roubou a atenção das gravadoras e do povo brasileiro, forçando Elis a se reinventar e repensar sua arte e sua carreira.</span></p>
<figure id="attachment_16652" aria-describedby="caption-attachment-16652" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16652" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/unnamed.jpg" alt="Imagem da série Elis: Viver é melhor que sonhar na qual Andréia Horta, caracterizada como Elis regina aparece de braços abertos cantando em frente a um microfone antigo. Ela usa um vestido que tem a parte de cima em branco e a saia em preto, seus cabelos pretos chegam aos ombros. Ao lado dela, Ícaro Silva está caracterizado como Jair Rodrigues e usa um terno preto. Ele está de perfil com os braços abertos em direção a ela e ao fundo a imagem desfocada do baterista." width="512" height="215" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/unnamed.jpg 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/unnamed-300x126.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 512px) 85vw, 512px" /><figcaption id="caption-attachment-16652" class="wp-caption-text">Cinco décadas depois de sua última transmissão, O Fino da Bossa voltou a ser exibido em 2018 na edição especial em comemoração aos 65 anos da Record TV (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Usando os cenários externos para mergulhar na intimidade da artista, a minissérie nos dá acesso à “Elis mãe” e à “Elis esposa”. Embarcando nos altos e baixos de seu primeiro casamento com o produtor e compositor Ronaldo Bôscoli, entre os anos de 1967 e 1972, conhecemos seu emocional e suas inseguranças ao assumir aquele novo papel. Até ingênua, de certa forma, a Elis de Andréia Horta se mostra muito menos voraz e explosiva do que ela era nos palcos. Se entregando aos vários lados da multifacetada artista é que a atriz nos leva de encontro com as inseguranças e fragilidades de Regina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É em meio ao turbilhão de emoções que <em>Elis &#8211; Viver é Melhor que Sonhar</em> inicia um aprofundamento na realidade externa da bolha que contempla a cantora. Assim como Chico Buarque, Milton Nascimento e Gilberto Gil, Elis também foi alvo de censura por parte do regime militar. Pressionados pela ditadura, muitos artistas e intelectuais brasileiros foram obrigados a se </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2019/03/17/interna_diversao_arte,743311/artistas-exilados-ha-50-anos.shtml"><span style="font-weight: 400;">exilar fora do país</span></a><span style="font-weight: 400;">, como única alternativa para evitar a tortura. No caso de Regina, somos puxados para o drama ao qual sua vida é submetida quando ela se vê obrigada a cantar nas Olimpíadas do Exército de 1973, sob ameaça. Os atos de repúdio dirigidos a cantora a condenaram por se submeter ao &#8216;diálogo&#8217; com os militares, mas a série deixa claro como o medo falou mais alto naquela situação e em como ela se sentiu ao perceber que ele havia atropelado seus ideais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo após seu </span><a href="https://vermelho.org.br/2011/01/19/sergio-luz-henfil-a-ditadura-e-os-dois-enterros-de-elis-regina/"><span style="font-weight: 400;">enterro simbólico</span></a><span style="font-weight: 400;">, desenhado pelo cartunista Henfil para o semanário alternativo </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pasquim</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela se manteve em meio aos holofotes. Temos então, pela primeira vez em <em>Elis &#8211; Viver é Melhor que Sonhar</em>, o ponto de vista e a opinião do público quanto a cantora. As vaias que invadem o teatro e a abalam completamente se opõem a melodia entoada, e então a perspectiva da trama se altera completamente e migra de vez para o íntimo de Elis. Marcada pelo fim do primeiro casamento e o início da relação da artista com o pianista César Camargo Mariano, a calmaria toma conta da minissérie, que segue sem se preocupar em mostrar devidamente o frenesi que invadia o país. </span></p>
<figure id="attachment_16650" aria-describedby="caption-attachment-16650" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16650" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elis-regina-filha-maria-rita-joc3a3o-boscoli.jpg" alt="Imagem de Elis regina com seus filhos. Ela está sentada em uma cadeira e segura Maria Rita, ainda pequena, em seu colo. Ao lado dela estão seus dois filhos mais velhos." width="564" height="430" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elis-regina-filha-maria-rita-joc3a3o-boscoli.jpg 564w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elis-regina-filha-maria-rita-joc3a3o-boscoli-300x229.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 564px) 85vw, 564px" /><figcaption id="caption-attachment-16650" class="wp-caption-text">Em entrevista a GZH, Andréia Horta afirmou sobre Elis: “Uma das coisas que mais mexeram com a minha cabeça é essa noção tão clara diante da história dela, de que o corpo, o coração e a vida podem parar a qualquer momento” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A madura e sossegada relação de cumplicidade entre Regina e César ganha ainda mais veracidade graças à sintonia trazida por Andréia e Caco Ciocler. Muito mais do que apenas um casal, podemos sentir e quase tocar aquela amizade pura que é acalentada por melodias como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EIyyFyZtQzE"><i><span style="font-weight: 400;">Fascinação</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. De tão profunda, eles não tem escolha se não se entregarem de vez àquele amor construindo uma nova vida juntos. É a partir de então que a “Elis mãe” volta a aparecer, mas de uma forma bem diferente, mais serena e madura. Somos levados junto a ela em devaneios sobre seu papel como mulher e suas preocupações em fazer uma diferença real no mundo, agora que ela é mãe de </span><a href="http://personaunesp.com.br/segundo-maria-rita-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">Maria Rita</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sabe dos percalços que sua filha vai enfrentar por conta do gênero. Essa perspectiva passa a dominar outros aspectos de sua vida, como sua carreira e até mesmo sua consciência política. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa direção é que a minissérie volta a pincelar a potência política de Elis, quando chegamos na década de 70 e a ousadia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brillhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> começa a se acender em seu coração. O </span><a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra70098/falso-brilhante"><span style="font-weight: 400;">projeto</span></a><span style="font-weight: 400;"> veio num outro momento de renovação da carreira da artista, que depois de encarar duras críticas e consequências pelo episódio das Olimpíadas Militares, juntou toda sua coragem para denunciar a situação que o artista brasileiro enfrentava naquele momento. Misturando críticas sociais com a sua própria história, Regina apostou todas as suas fichas ao colocar na estrada um espetáculo circense montado a partir do disco, e Andréa Horta, mais uma vez, imprime a alegria de Elis ao ver o projeto mirabolante se transformando em um sucesso, trazendo de volta sua aura característica enquanto o hino </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2qqN4cEpPCw"><i><span style="font-weight: 400;">Como Nossos Pais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> toca ao fundo.</span></p>
<figure id="attachment_16651" aria-describedby="caption-attachment-16651" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16651" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/rita-lee-mel-lisboa-elis-regina-andreia-horta-3-.jpg" alt="Imagem da série na qual vemos Andréia Horta caracterizada de Elis. Ela está de perfil e veste um blazer preto e uma calça jeans estilo pantalona. Seus cabelos encaracolados estão soltos na altura do ombro e ela dá as mão a atriz Mel Lisboa, caracterizada como Rita Lee. A personagem de Mel está de perfil, tem os cabelos ruivos compridos e veste uma blusa vermelha e branca e uma calça marrom. " width="984" height="546" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/rita-lee-mel-lisboa-elis-regina-andreia-horta-3-.jpg 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/rita-lee-mel-lisboa-elis-regina-andreia-horta-3--300x166.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/rita-lee-mel-lisboa-elis-regina-andreia-horta-3--768x426.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16651" class="wp-caption-text">Fica claro na cena em que ela e Rita Lee se encontram que a arte de Elis excede as qualidades musicais para fazer parte de toda uma geração de artistas e mulheres que lutam por seus direitos (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas apesar das diversas facetas as quais temos acesso,</span> <i><span style="font-weight: 400;">Elis &#8211; Viver é Melhor que Sonhar</span></i> <span style="font-weight: 400;">peca em sua constante necessidade de se apresentar da forma mais polida possível. Sem adentrar a fundo nos vícios em álcool e drogas da cantora e no contexto político em que ela e o país viviam, a série busca ao máximo trazer ao espectador uma Elis idealizada, e portanto, irreal. Os esforços da produção para entregar uma narrativa suavizada e um ambiente estéril alongam o caminho entre o público e a protagonista, que só se conectam graças à interpretação surreal de Andréa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os lapsos de tempo que constroem a minissérie são ao mesmo tempo fluidos e abruptos, edificando uma estrutura episódica que nos leva até o trágico desfecho da vida da cantora. Infelizmente, até mesmo neste momento de caos e emoções exacerbadas, o roteiro se prende a sua polidez. O que por um lado retira a visceralidade da situação &#8211; que poderia ser muito bem empregada ao se ater ao realismo dos fatos &#8211; , por outro acrescenta uma poesia e um romantismo dignos de Shakespeare a conclusão da história.</span></p>
<figure id="attachment_16726" aria-describedby="caption-attachment-16726" style="width: 627px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16726" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image4.jpg" alt="A imagem em branco e preto mostra Elis Regina cantando com um largo sorriso nos lábios e os olhos fechados. Seu cabelo preto está cortado bem curto e ela segura um microfone com a mão direita, na altura da boca." width="627" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image4.jpg 627w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image4-300x191.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16726" class="wp-caption-text">A versão longa metragem da minissérie ganhou 8 categorias do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2017, entre eles Melhor Direção de Arte e Melhor Atriz para Andréia Horta (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Elis &#8211; Viver é Melhor que Sonhar</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona quase como um epílogo para a conturbada vida e carreira de Elis Regina. O recorte cintilante e envernizado entregue pela minissérie não cumpre com o acordo de veracidade firmado entre obra e espectador em seu início. A pitada de documentalismo, que é logo substituída pela licença poética, abre margem para que vejamos uma versão utópica, mas igualmente encantadora, da <em>Pimentinha do Brasil</em>, que completaria 75 anos neste ano de 2020. Mas ainda bem que nossa memória de Elis transcende qualquer retrato, se abrigando em cada verso e melodia que são até hoje criados e entoados a partir da influência de sua personalidade artística inesquecível, acendendo nossa lembrança fidedigna da artista que mudou a música brasileira para sempre. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Com humor e reflexão, Ninguém Tá Olhando mostra que a vida não é aleatória por acaso</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2020 19:05:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mauê Salina Duarte Lançada em novembro de 2019 pela Netflix e dirigida por Daniel Rezende, a série Ninguém Tá Olhando usa o humor para discutir temas existenciais, lembrando um pouco a aclamada The Good Place. No entanto, enquanto a produção americana explora a vida após a morte, a brasileira foca na vida mundana. Contando com &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ninguem-ta-olhando-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Com humor e reflexão, Ninguém Tá Olhando mostra que a vida não é aleatória por acaso"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16017" aria-describedby="caption-attachment-16017" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16017 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1-Ninguem.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1-Ninguem.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1-Ninguem-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1-Ninguem-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1-Ninguem-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16017" class="wp-caption-text">Os angelus Úli, Chun, Greta e Fred, mais a humana Miriam, vão te fazer questionar (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Mauê Salina Duarte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada em novembro de 2019 pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">e dirigida por Daniel Rezende, a série </span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém Tá Olhando </span></i><span style="font-weight: 400;">usa o humor para discutir temas existenciais, lembrando um pouco a aclamada </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-good-place-critica/#more-15047"><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">No entanto, enquanto a produção americana explora a vida após a morte, a brasileira foca na vida mundana. Contando com a atuação de nomes bem conhecidos pelos jovens, entre eles Kéfera, que interpreta a personagem Miriam e Projota, que dá vida a Richard. Entretanto, o protagonista é o carioca Victor Lamoglia, intérprete de Úli, um anjo da guarda novato do Sistema Angelus De Proteção Aos Humanos.</span></p>
<p><span id="more-16015"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de tudo, é necessário explicar como funciona o sistema mostrado na série. Esse modelo é formado por “angelus”, anjos da guarda reais, porém bem diferentes dos que imaginamos. Os angelus possuem cabelos vermelhos e asas somente de enfeite. Isso mesmo que você leu, eles não voam! São gente como a gente, até andam de transporte público. A função de cada um deles é acompanhar um humano selecionado pelo Chefe, que, por sinal, nunca foi visto. Além disso, precisam obedecer 4 regras importantíssimas: cumprir a ordem do dia, não aparecer para os humanos, não proteger humanos fora da ordem do dia e jamais entrar na sala do Chefe.</span></p>
<figure id="attachment_16018" aria-describedby="caption-attachment-16018" style="width: 680px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16018" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-2-Ninguem.jpg" alt="" width="680" height="453" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-2-Ninguem.jpg 680w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-2-Ninguem-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16018" class="wp-caption-text">Úli chega causando no sistema Angelus (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo ocorria normalmente no Sistema até a chegada de Úli, o primeiro angelus criado no distrito em 300 anos. O grande problema é que o rapaz não concorda com os códigos estabelecidos e, ao contrário dos demais, realmente queria ajudar os humanos de forma mais profunda, e acaba quebrando regras. Porém, para a surpresa dele, nada de punição. Assim, o angelus começa a acreditar que ninguém realmente os observa, e é aí que tudo sai dos trilhos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Úli decide explorar a humanidade, levando consigo os veteranos Greta (Júlia Rabello) e Chun (Danilo de Moura), e interferindo na vida de algumas pessoas. Na Terra, os três tentam desvendar a vida mundana. A atuação do trio tem muita sintonia, e é gostoso vê-los experimentando sensações tipicamente humanas. Greta se joga aos excessos e, em consequência, paga por isso. Úli conhece a paixão e suas decepções. Chun é mais cauteloso, pois tem medo de romper com as normas que sempre lhe foram postas como absolutas, ficando em um impasse.</span></p>
<figure id="attachment_16016" aria-describedby="caption-attachment-16016" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16016" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/72569312_583999902406619_5187935931680859024_n.jpg" alt="" width="1080" height="845" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/72569312_583999902406619_5187935931680859024_n.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/72569312_583999902406619_5187935931680859024_n-300x235.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/72569312_583999902406619_5187935931680859024_n-1024x801.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/72569312_583999902406619_5187935931680859024_n-768x601.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16016" class="wp-caption-text">Úli se apaixona por Miriam e, assim, resolve explorar a vida na Terra (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A reflexão principal da série gira em torno de algo como: se ninguém está olhando, podemos fazer o que quisermos e não seremos punidos? Pois é, complicado. Mas deixe para analisar isso durante os episódios. Ademais, a produção vai te fazer questionar e ver que algumas preocupações não fazem sentido algum.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de reflexiva, a história é leve e divertida. O começo é um pouco devagar, com o intuito de situar o público no contexto da obra, mas, em seguida, tudo flui perfeitamente. Com seu jeitinho despretensioso, Úli traz familiaridade, causando uma identificação imediata. Seu lema</span><i><span style="font-weight: 400;"> “a vida não é aleatória por acaso” </span></i><span style="font-weight: 400;">pode ser confuso, mas resume a história e também a realidade. A trama é irreverente e os episódios são curtos, de 20 a 30 minutos, tornando natural maratonar a série em uma tarde. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda por cima, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém Tá Olhando </span></i><span style="font-weight: 400;">é pura brasilidade, por se passar no Rio de Janeiro e retratar um cotidiano popular. O humor assemelha-se ao da </span><a href="https://www.youtube.com/user/portadosfundos"><i><span style="font-weight: 400;">Porta Dos Fundos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Parafernalha</span></i><span style="font-weight: 400;">, que já estamos acostumados. Daniel Rezende, diretor da produção, é importantíssimo para o audiovisual brasileiro. É responsável pelo recente longa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mjz_IqLtI58"><i><span style="font-weight: 400;">Turma da Mônica: Laços</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, bem como o filme </span><a href="http://personaunesp.com.br/critica-bingo/"><i><span style="font-weight: 400;">Bingo: O Rei Das Manhãs </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(2017) e alguns episódios da série </span><a href="http://personaunesp.com.br/o-mecanismo-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Mecanismo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018).</span></p>
<figure id="attachment_16019" aria-describedby="caption-attachment-16019" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16019" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-4-Ninguem.jpg" alt="" width="600" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-4-Ninguem.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-4-Ninguem-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16019" class="wp-caption-text">Ensaio de cena, na foto Kéfera, Daniel Rezende e Projota (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das qualidades, o final deixou a desejar. Para não dar </span><i><span style="font-weight: 400;">spoiler</span></i><span style="font-weight: 400;">, melhor dizer que o desfecho ficou bem vago. Ainda por cima a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">confirmou que não produzirá uma sequência para </span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém Tá Olhando, </span></i><span style="font-weight: 400;">decepcionando quem queria a continuação das aventuras de Úli e companhia. Entretanto, mesmo com apenas uma temporada, a série de Daniel Rezende foi indicada ao </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/emmy-internacional-2020-brasil-lidera-indicacoes-ao-premio/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy Internacional</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">na categoria comédia, concorrendo com </span><i><span style="font-weight: 400;">Back To Life</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Reino Unido), </span><i><span style="font-weight: 400;">Fifty</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Israel) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Four More Shots Please </span></i><span style="font-weight: 400;">(Índia). A cerimônia do evento será em Nova York e irá ao ar em 23 de novembro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para dar boas risadas, passar o tempo, refletir um pouco e, ainda por cima, dar créditos à produção audiovisual brasileira, assistir à </span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém Tá Olhando</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma ótima opção. Durante a história você vai perceber que </span><i><span style="font-weight: 400;">“o que os humanos chamam de sorte, nada mais é do que o trabalho invisível de um angelus”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="NINGUÉM TÁ OLHANDO | TRAILER OFICIAL | NETFLIX" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RXtqY3Mxhvg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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