<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Emilio Dantas &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/emilio-dantas/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/emilio-dantas/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Sat, 21 Feb 2026 00:56:17 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.2</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Emilio Dantas &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/emilio-dantas/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Na pele de Marjorie Estiano, Ângela Diniz não pede para ser amada, mas exige liberdade – assim como todas as mulheres</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/critica-angela-dinizassassinada-e-condenada/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/critica-angela-dinizassassinada-e-condenada/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 13:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[2025]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Andrucha Waddington]]></category>
		<category><![CDATA[Antônio Fagundes]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Camila Mardila]]></category>
		<category><![CDATA[Elena Soarez]]></category>
		<category><![CDATA[Emilio Dantas]]></category>
		<category><![CDATA[HBO Max]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo Pies]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Bezerra]]></category>
		<category><![CDATA[Marjorie Estiano]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Perazzo]]></category>
		<category><![CDATA[Renata Gaspar]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Thais Tavares]]></category>
		<category><![CDATA[Thiago Lacerda]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=36801</guid>

					<description><![CDATA[<p>Mariana Bezerra O final de 2025 foi marcado por um clima de luto. Enquanto as festividades se aproximavam, as histórias de alguns nomes femininos começaram a ocupar as redes sociais e ganharam mais tempo de audiência nos jornais. Infelizmente, os comentários e matérias não se tratavam do sucesso profissional dessas mulheres, ou de alguma história &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-angela-dinizassassinada-e-condenada/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Na pele de Marjorie Estiano, Ângela Diniz não pede para ser amada, mas exige liberdade – assim como todas as mulheres"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-angela-dinizassassinada-e-condenada/">Na pele de Marjorie Estiano, Ângela Diniz não pede para ser amada, mas exige liberdade – assim como todas as mulheres</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36802" aria-describedby="caption-attachment-36802" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36802" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-800x450.jpg" alt="Cena de Ângela Diniz: Assassinada e Condenada. Ângela, uma mulher de pele clara aparece em ambiente externo, durante o dia. Ela tem cabelo castanho ondulado e solto. Ela sorri enquanto ergue um dos braços, parecendo estar dançando. Na outra mão, segura uma taça com Champagne. Usa um vestido bege com listras brilhosas, sem mangas e com decote profundo, além de brincos grandes e um cordão. Ao fundo, há outras pessoas desfocadas e árvores e plantas que compõem a paisagem." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36802" class="wp-caption-text">A série foi inspirada na história de Ângela Diniz, a socialite a frente de seu tempo vítima de feminicídio (Fonte: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Bezerra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final de 2025 foi marcado por um clima de luto. Enquanto as festividades se aproximavam, as histórias de alguns nomes femininos começaram a ocupar as redes sociais e ganharam mais tempo de audiência nos jornais. Infelizmente, os comentários e matérias não se tratavam do sucesso profissional dessas mulheres, ou de alguma história curiosa ou cativante de suas vidas; não ouvimos sobre o brilho delas ou sobre suas paixões. Isso só foi ouvido depois, e das bocas dos amigos e familiares que, em busca de justiça, relembram a coragem, os sorrisos e sonhos daquelas mulheres que tiveram as vidas roubadas pelo </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/12/01/brasil-tem-mais-de-mil-casos-de-feminicidio-registrados-em-2025.ghtml"><span style="font-weight: 400;">feminicídio</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-36801"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No mesmo período, estreou</span><i><span style="font-weight: 400;"> Ângela Diniz: Assassinada e Condenada</span></i><span style="font-weight: 400;">. A série retrata a história da </span><i><span style="font-weight: 400;">socialite</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileira conhecida como ‘A Pantera de Minas’, que nos anos 1970 ocupava os tabloides com narrativas sobre a sua beleza avassaladora e seu jeito livre de ser. A produção é baseada no podcast </span><a href="https://radionovelo.com.br/originais/praiadosossos/"><i><span style="font-weight: 400;">Praia dos Ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da Rádio Novelo, cujo título carrega o nome do local onde o brilho de Ângela (Marjorie Estiano) chegou ao fim. Em 30 de dezembro de 1976, ela foi assassinada pelo namorado Raul Fernando do Amaral Street (Emílio Dantas) com quatro tiros na Praia do Ossos, na Armação de Búzios, no Rio de Janeiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Pantera teve sua história interrompida pela maldade e possessividade do companheiro, mas, ainda que não parecesse ter consciência disso, construiu um legado eterno; a lembrança de sua figura irreverente foi marcante no julgamento do crime: mais determinado a condená-la por seu estilo de vida do que em punir de forma efetiva o seu assassino. Sem metáforas ou eufemismos: em um tribunal cujo juiz era homem, os advogados eram homens e a maior parte do júri também, a defesa, baseado na legislação da época, afirmou que Doca matou Ângela em um ato de </span><a href="https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/tese-da-legitima-defesa-da-honra-e-inconstitucional/"><span style="font-weight: 400;">legítima defesa de sua honra</span></a><span style="font-weight: 400;">, como se ela fosse a verdadeira culpada.</span></p>
<figure id="attachment_36804" aria-describedby="caption-attachment-36804" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36804" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-800x450.jpg" alt="Cena de Ângela Diniz: Assassinada e condenada. Ângela, uma mulher de pele clara está próxima a uma porta azul. Ela tem cabelo castanho escuro, veste um biquíni e apresenta uma expressão tensa, olhando para um homem à sua frente. Doca, de costas para a câmera, tem cabelo escuro e veste uma camisa marrom escuro. O cenário inclui alguns móveis e objetos ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36804" class="wp-caption-text">O roteiro faz um bom trabalho ao criar uma narrativa completa sobre a relação violenta de Ângela e seu assassino, afim de esclarecer a sequência de abusos que termina em tragédia (Fonte: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco décadas depois, pensando com otimismo, era de se esperar que a série ressoasse como um olhar ao passado, uma lembrança do que não se pode repetir. No entanto, o luto e a revolta que ainda levam milhares de mulheres às ruas, especialmente nos últimos meses de 2025, mostraram que a misoginia enfrentada por Ângela – ainda em vida e após a sua morte – segue mais viva do que nunca. Diante disso, a pertinência da produção seria suficiente para instigar os espectadores, contudo, além disso, de antemão, o elenco da obra agregou um grande valor a ela. Mais uma vez, Marjorie Estiano entrega uma performance da mais alta qualidade, acompanhada de nomes como Emílio Dantas, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/foi-dificil-dormir-a-noite-diz-atriz-de-angela-diniz/"><span style="font-weight: 400;">Camila Mardila</span></a><span style="font-weight: 400;">, Renata Gaspar, Thiago Lacerda e Antônio Fagundes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série, dividida em 6 episódios, é absolutamente honesta, não deixa nada de fora; as polêmicas, as atitudes intempestivas, as festas, os casos, o divórcio e a sede por diversão e liberdade de Ângela. Ao fazer isso, o roteiro de Elena Soárez, Pedro Perazzo e Thais Tavares e a direção de Andrucha Waddington – que dirigiu Marjorie no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Sob Pressão</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016) – constroem uma narrativa extremamente coerente, que nos fazem compreender todo o contexto que tornava a protagonista </span><i><span style="font-weight: 400;">persona non grata</span></i><span style="font-weight: 400;"> no imaginário social coletivo </span><a href="https://youtu.be/UIA2V7W8a3c?si=4D9sLtqtbmF9V0Z9&amp;t=136"><span style="font-weight: 400;">conservador</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tradicional da época. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no primeiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quero Me Separar</span></i><span style="font-weight: 400;">, é retratado o divorcio da protagonista, que representou uma significativa ruptura dos padrões da época. Para Ângela, não era importante manter as aparências, mas sim ser genuinamente feliz, e é claro que ela pagou as consequências emocionais e sociais pelo pensamento à frente de seu tempo. Nesse sentido, a ambientação e as discussões trazidas foram delicadamente pensadas para construírem a atmosfera do período e a complexidade de Ângela, sem deixar que a sua imagem caísse no discurso estereotipado que assassina repetidamente as vítimas de violência de </span><a href="https://personaunesp.com.br/maid-critica/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> mesmo após a sua morte.</span></p>
<figure id="attachment_36805" aria-describedby="caption-attachment-36805" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36805" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-800x390.jpg" alt="Cena de Ângela Diniz: Assassinada e Condenada. Duas mulheres estão em um ambiente interno bem iluminado, com quadros pendurados na parede ao fundo. À esquerda, Ângela, uma mulher de pele clara e cabelo castanho ondulado preso lê um livro, olhando para baixo. Ela usa um vestido azul-marinho sem mangas. À direita, um pouco mais ao fundo, outra mulher de pele clara e cabelos castanhos curtos observa a leitura. Ela usa óculos e veste uma camisa clara com um colete em tons de vermelho e laranja. No fundo, aparece uma parede branca com quadros pendurados. " width="800" height="390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-800x390.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-1024x500.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-768x375.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4.jpg 1178w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36805" class="wp-caption-text">Renata Gaspar interpreta Gilda Ribeiro, uma amiga de Ângela, intelectual e feminista, que representa a diferenca entre uma suposta imagem militante com a verdadeira figura da protagonista (Fonte: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela era livre, e também era uma mãe, filha e amiga apaixonada; ela era tudo isso, e, ao mesmo tempo, também era intempestiva e, pode ser vista como insensível pelas esposas dos homens casados com os quais se envolveu. Era independente, no entanto, também foi refém de uma relação essencialmente abusiva. Ângela é uma revolução, que vivia sua sexualidade livremente, como queria e com quem queria, mas não era uma </span><a href="https://elle.com.br/cultura/marjorie-estiano-angela-diniz"><span style="font-weight: 400;">feminista</span></a><span style="font-weight: 400;"> convicta, não se importava com a teoria, ou com as intelectuais que discutiam o porque mulheres como ela mesma podiam viver como viviam. Apenas queria viver conforme desejasse.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A genialidade do roteiro, diga-se de passagem, é acompanhada de uma curadoria musical feita a dedo, que embala a narrativa assertivamente. Além disso, o figurino (</span><a href="https://www.imdb.com/name/nm1315505/?ref_=ttfc_fcr_10_1"><span style="font-weight: 400;">Marcelo Pies</span></a><span style="font-weight: 400;">) também merece destaque. Desde o glamour das festas no Rio de Janeiro até a funebridade do julgamento de Doca – ou de Ângela. Tudo colabora para que essa seja uma produção primorosa e quase resolutiva para a protagonista e para todas as mulheres: criou-se uma imagem poderosa e repleta de camadas para a personagem de Marjorie, contudo, nunca pejorativa, e ainda, sem se dar ao trabalho de forjar uma figura imaculada. O que </span><i><span style="font-weight: 400;">Ângela Diniz: Assassinada e Condenada</span></i><span style="font-weight: 400;"> diz, ou melhor, grita tão alto quanto as vítimas de violência é: por que a sua régua moral determina se eu </span><a href="https://auniao.pb.gov.br/noticias/colunistas/sandra-raquew-azevedo/estereotipo-e-feminicidio"><span style="font-weight: 400;">merecia</span></a><span style="font-weight: 400;"> morrer ou não?</span></p>
<figure id="attachment_36803" aria-describedby="caption-attachment-36803" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36803" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-800x539.jpg" alt="Cena de Ângela Diniz: Assassinada e Condenada. Grupo de mulheres reunidas em protesto em frente a um prédio com colunas. Ao fundo, uma grande faixa com os dizeres &quot;Quem ama não mata&quot;. No centro, uma mulher abraça outra emocionada. Algumas manifestantes aplaudem e uma segura um cartaz escrito ‘Eu não quero ser a próxima’ em vermelho." width="800" height="539" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-800x539.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-1024x690.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-768x518.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36803" class="wp-caption-text">A série recria cenas de protestos organizados nos anos 1980 (Fonte: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Doca Street saiu do Tribunal de Cabo Frio após o primeiro julgamento em 1979, o fez como um homem livre, pois já havia cumprido um terço da pena decretada pelo juiz. Cinco anos depois, o Ministério Público recorreu e Doca e o novo </span><span style="font-weight: 400;">veredicto</span><span style="font-weight: 400;"> foi uma pena de 15 anos que foi cumprida em sua totalidade. Nessa época, o movimento feminista, fortemente atuando e em processo de organização, foi essencial para essa decisão. Elas carregavam o lema “</span><a href="https://catarinas.info/quem-ama-nao-mata-40-anos-de-luta/"><i><span style="font-weight: 400;">Quem ama, não mata</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, uma referência à tese jurídica do crime passional. Na série, Camila Márdila e Renata Gaspar entregam performances emocionantes, carregadas de dor e revolta, como amigas de Ângela que estariam à frente de manifestações. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Angela Diniz: Assassinada e Condenada</span></i><span style="font-weight: 400;"> – e os boletins de ocorrência brasileiros – escancaram que, na realidade em que vivemos, toda e qualquer mulher pode ser considerada merecedora de sofrimento e que não há nenhuma tentativa de rendição aos padrões que possa salvá-la. </span><a href="https://personaunesp.com.br/capitu-e-o-capitulo-critica/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">Machado de Assis</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1899, no clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Dom Casmurro</span></i><span style="font-weight: 400;">, já nos alertava sobre isso: em uma história narrada por homens, é fácil criar a imagem da “</span><i><span style="font-weight: 400;">cigana dos olhos de ressaca</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Ou seja, é urgente celebrar a liberdade, parar de tentar justificar o injustificável e tomar as rédeas do ponto de vista.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ângela Diniz: Assassinada e Condenada | Trailer | Nova Série | HBO Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3AUUI4sejs8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-angela-dinizassassinada-e-condenada/">Na pele de Marjorie Estiano, Ângela Diniz não pede para ser amada, mas exige liberdade – assim como todas as mulheres</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/critica-angela-dinizassassinada-e-condenada/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">36801</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Solar e emocionante, Vai na Fé não tem medo de ser novela</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/vai-na-fe-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/vai-na-fe-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Dec 2023 17:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[2023]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Ângelo Paes Leme]]></category>
		<category><![CDATA[Bella Campos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Caio Manhente]]></category>
		<category><![CDATA[Carla Cristina Cardoso]]></category>
		<category><![CDATA[Carolina Dieckmann]]></category>
		<category><![CDATA[Che Morais]]></category>
		<category><![CDATA[Clara Moneke]]></category>
		<category><![CDATA[Claudia Ohana]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Emilio Dantas]]></category>
		<category><![CDATA[Fabrício Santiago]]></category>
		<category><![CDATA[Felipe Nunes]]></category>
		<category><![CDATA[José Loreto]]></category>
		<category><![CDATA[Mário Viana]]></category>
		<category><![CDATA[Mel Maia]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Silvestrini]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Alvarenga]]></category>
		<category><![CDATA[Priscila Sztejnman]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Globo]]></category>
		<category><![CDATA[Regiane Alves]]></category>
		<category><![CDATA[Renata Corrêa]]></category>
		<category><![CDATA[Renata Sofia]]></category>
		<category><![CDATA[Renata Sorrah]]></category>
		<category><![CDATA[Rosane Svartman]]></category>
		<category><![CDATA[Sabrina Rosa]]></category>
		<category><![CDATA[Samuel de Assis]]></category>
		<category><![CDATA[Sheron Menezzes]]></category>
		<category><![CDATA[Vai na Fé]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=32282</guid>

					<description><![CDATA[<p>Felipe Nunes A jornada de uma mulher evangélica que vende marmitas para sustentar a família é o retrato de diversas brasileiras. A trama poderia ser capaz de fisgar a atenção do público pela representação e, ao mesmo tempo, se perder em um marasmo de clichês e monotonias? Com certeza, caso não tivesse explorado a modernidade &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/vai-na-fe-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Solar e emocionante, Vai na Fé não tem medo de ser novela"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/vai-na-fe-critica/">Solar e emocionante, Vai na Fé não tem medo de ser novela</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32290" aria-describedby="caption-attachment-32290" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32290" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe-800x450.jpg" alt="Foto de Sheron Menezzes como a personagem Sol, de Vai na Fé. A personagem sorri, tem cabelos cacheados em tons castanhos e veste uma blusa vermelha, além de um par de brincos e um colar. O cenário da foto é a entrada de uma casa e um portão." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32290" class="wp-caption-text">Folhetim é o mais lucrativo da faixa das sete na história da Globo, de acordo com a Folha de S. Paulo (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Felipe Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A jornada de uma mulher evangélica que vende marmitas para sustentar a família é o </span><a href="https://labdicasjornalismo.com/noticia/12308/-vai-na-fe--e-a-novela-que-reflete-a-historia-de-muitas-brasileiras"><span style="font-weight: 400;">retrato de diversas brasileiras</span></a><span style="font-weight: 400;">. A trama poderia ser capaz de fisgar a atenção do público pela representação e, ao mesmo tempo, se perder em um marasmo de clichês e monotonias? Com certeza, caso não tivesse explorado a modernidade de forma tão livre. Lançada em Janeiro de 2023, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xQQgyMbLohc"><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">surge em uma era dificultosa para a teledramaturgia, que, aos trancos e barrancos, não retornou ao lugar magistral que ocupava na vida dos espectadores televisivos antes do contexto pandêmico. Subestimada inicialmente, a produção superou as expectativas de todos, incluindo da própria </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-32282"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trunfo da superação é de </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/rosane-svartman/"><span style="font-weight: 400;">Rosane Svartman</span></a><span style="font-weight: 400;">, que sabe bem como transformar narrativas consideradas simples em situações profundas e cativantes. Afinal, toda história, até mesmo a mais disruptiva e inovadora, parte de um lugar-comum e trivial. O encanto não é gerado apenas pelo conteúdo – na verdade, é, em grande parte, ocasionado por quem conta essas histórias e, também, por quem as interpreta. Nesse caso, pela sintonia de Svartman e Sheron Menezzes, que brilharam juntas ao longo dos 179 capítulos. O texto escrito pela novelista conflui ao tom da interpretação dada pela atriz e o sucesso da obra se deve muito a isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos poucos, a trajetória de Sol (Menezzes) se mostra bem mais peculiar do que a apresentada na sinopse inicial. Perder o esposo, Carlão (Che Moais); virar dançarina do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballet</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Lui Lorenzo (José Loreto); reencontrar o grande amor, Benjamin (Samuel de Assis); revisitar os </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2023/07/24/novela-vai-na-fe-muda-retrato-da-violencia-contra-a-mulher-na-teledramaturgia"><span style="font-weight: 400;">traumas do abuso</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sofreu de Theo (Emilio Dantas); e descobrir que a primogênita, Jennifer (Bella Campos), é resultado de um estupro, são arcos intensos e super importantes na construção da personagem. Menezzes passeou com destreza por todas essas fases, mostrando que há tempos merecia um </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/vai-na-fe/noticia/sheron-menezzes-celebra-primeira-protagonista-e-representatividade-em-vai-na-fe-sol-e-encantadora.ghtml#:~:text=H%C3%A1%20quase%2021%20anos%2C%20Sheron,%2C%20e%20a%20personagem%2C%20J%C3%BAlia."><span style="font-weight: 400;">papel de destaque</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32289" aria-describedby="caption-attachment-32289" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32289" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-Vai-na-Fe-800x500.jpeg" alt="Cena de Vai na Fé. Sol (Sheron Menezzes), que veste blusa preta e tem cabelos castanhos cacheados com luzes loiras, abraça Jennifer (Bella Campos), que tem cabelos castanhos cacheados e veste blusa amarela." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-Vai-na-Fe-800x500.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-Vai-na-Fe-768x480.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-Vai-na-Fe.jpeg 990w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32289" class="wp-caption-text">Mãe e filha na ficção, Sheron Menezzes e Bella Campos vivenciaram o tema mais sensível, que versou sobre o abuso sexual que Sol sofreu e do qual Jenifer foi gerada (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Torcer pela ‘mocinha’ não foi um sacrifício como acontece frequentemente em produções que colocam as protagonistas como figuras bobas repletas de ações pautadas em bondades hiperbólicas, burras e irreais. Sol não é ingênua. Pelo contrário, é forte, combatente, decidida e corajosa. Acompanhá-la, nos momentos bons ou ruins, é como procurar notícias de uma velha amiga. A mescla entre ganhos e perdas também é um fator considerável, porque mostra como a vida é: cheia de reviravoltas. A trama quebra o paradigma constante de que um personagem principal precisa sofrer do início ao fim. Em gêneros longos como novelas, isso, na verdade, é torturante. É por esse motivo que foi tão emocionante ver </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/vai-na-fe/personagem/sol/"><span style="font-weight: 400;">Sol</span></a><span style="font-weight: 400;"> conquistando um sonho de cada vez ao decorrer da obra, mesmo que enfrentasse percalços.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O carisma da mocinha, além da entrega de Menezzes, foi gestado já pelo texto de Svartman e de sua equipe de colaboradores: </span><span style="font-weight: 400;">Sabrina Rosa, Fabrício Santiago, Renata Sofia, Mário Viana, Renata Corrêa e Pedro Alvarenga. Inquestionavelmente, a multiplicidade de vozes de cada colaborador foi impressa no roteiro, tornando-o fresco. A concentração textual novelística em apenas um autor foi realidade nos antigos folhetins, mas </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/televisao/noticia/2023/07/12/autora-de-vai-na-fe-rosane-svartman-nao-sonha-com-a-novela-das-21h-estou-fazendo-o-que-gosto.ghtml"><span style="font-weight: 400;">a colaboração é o futuro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com ela, os temidos furos não são tão recorrentes e as sequências ganham novas roupagens. Monotonia passa longe quando diversos olhares estão envolvidos na contação de uma história, e o alcance do folhetim foi alicerçado nesse pilar.</span></p>
<p><a href="https://mundonegro.inf.br/representatividade-e-autenticidade-de-vai-na-fe-novela-protagonizada-por-sheron-menezzes-conquistam-o-brasil/"><span style="font-weight: 400;">Representativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé</span></i><span style="font-weight: 400;"> contou não apenas com protagonistas pretos, mas com grande parte do elenco como um todo. De acordo com </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/01/18/samuel-de-assis-comemora-representatividade-em-vai-na-fe-globo.htm"><span style="font-weight: 400;">Samuel de Assis</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsável pelo advogado e galã Benjamin, 70% dos atores da novela são pretos. A representação transcende o eixo temático do racismo, que, embora tenha sido abordado na narrativa, não foi o único – o que é uma enorme conquista. Tratar do tema é essencial, porém os personagens pretos não estão lá apenas para essa função. Diante disso, acompanhá-los em outros dramas do cotidiano e vê-los em posição de destaque na história foi um ponto positivo que quebra os </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/podcasts/2021/09/podcast-discute-racismo-na-teledramaturgia-e-a-novela-nos-tempos-do-imperador.shtml"><span style="font-weight: 400;">estigmas impregnados na teledramaturgia</span></a><span style="font-weight: 400;"> – a qual, por muito tempo, deu espaço aos intérpretes negros somente para coadjuvantes, ou em papéis de empregados e ladrões.</span></p>
<figure id="attachment_32288" aria-describedby="caption-attachment-32288" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32288" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe-800x450.jpg" alt="Parte do elenco de atores pretos da novela Vai na Fé. Na foto há intérpretes como Sheron Menezzes, Samuel de Assis, Jean Paulo Campos, Isacque Lopes, Jê Soares, Clara Moneke e Orlando Caldeira, que aparecem sorrindo para a foto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32288" class="wp-caption-text">Personagens pretos bem construídos e em destaque foram a maior conquista da novela, sem sombra de dúvidas (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O minucioso trabalho da escalação de elenco foi a mola propulsora para essa representatividade. Antes nunca vista em folhetins, </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2023/07/30/sucesso-em-vai-na-fe-conheca-a-trajetoria-de-clara-moneke-muito-orgulho-de-ter-comecado-em-um-curso-de-teatro-gratuito.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Clara Moneke</span></a><span style="font-weight: 400;"> é, de longe, uma grata revelação e exemplo da importância da negritude em obras culturais audiovisuais. Coube a ela vivenciar a engraçada, intensa, sensível e carismática </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=A5YVDkAPDTM"><span style="font-weight: 400;">Kate</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda que como coadjuvante, ganhou maior tempo de tela e se consolidou como uma das melhores personagens. O mesmo vale para Carla Cristina Cardoso como Bruna, mãe de Kate na ficção. Isso porque, se no início ela era apenas o apoio de Sol, nos desdobramentos do arco maternal pôde brilhar através da relação construída com a filha e teve, enfim, uma trama para chamar de sua.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, vale ressaltar que veteranos também foram ‘revelados’ outra vez. É o caso de </span><a href="https://revistaquem.globo.com/entretenimento/tv-e-novelas/vai-na-fe/noticia/2023/07/carolina-dieckmann-sobre-lumiar-em-vai-na-fe-pessoas-passaram-pano-para-as-maiores-loucuras.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Carolina Dieckmann</span></a><span style="font-weight: 400;">, que viveu seu melhor papel na teledramaturgia brasileira como Lumiar Lorenzo. Eternizada como a Lindalva, de </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/entretenimento/novelas/senhora-do-destino/"><i><span style="font-weight: 400;">A Senhora do Destino</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e Camila, de </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/entretenimento/novelas/lacos-de-familia/"><i><span style="font-weight: 400;">Laços de Família</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a atriz se consagrou entre as complexidades da dúbia, porém profunda, professora universitária e advogada Lumiar. É característico de Rosane Svartman criar esse tipo de personagem, com camadas que misturam as piores e as melhores facetas da humanidade: egoísmo, arrogância e crueldade entrelaçadas com bondade, intensidade e passionalidade. Também criada pela autora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé</span></i><span style="font-weight: 400;"> com Paulo Halm, </span><a href="https://tvhistoria.com.br/carolina-castilho-foi-a-melhor-personagem-de-totalmente-demais/"><span style="font-weight: 400;">Carolina Castilho (Juliana Paes)</span></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/totalmente-demais/"><i><span style="font-weight: 400;">Totalmente Demais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ilustra essa tipologia de personagem e se assemelha ao papel defendido por Dieckmann.</span></p>
<figure id="attachment_32287" aria-describedby="caption-attachment-32287" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32287" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-Vai-na-Fe-800x500.jpg" alt="Cena de Totalmente Demais, novela das sete de Rosane Svartman para a Globo. Na direita, está a atriz Juliana Paes como a personagem Carolina Castilho, a vilã da novela. A personagem tem cabelos pretos castanhos, usa batom vermelho escuro e um roupão marrom. Na cena, ela sorri." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-Vai-na-Fe-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-Vai-na-Fe-768x480.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-Vai-na-Fe.jpg 990w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32287" class="wp-caption-text">Carolina Castilho e Lumiar são criadas a partir da mesma receita: contraditórias, intensas, dúbias, emocionais e, sobretudo, humanas (Fotos: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, os arcos, de forma geral, são bem equilibrados. É como se, além da narrativa central, micronarrativas ganhassem espaço a cada bloco de capítulos semanais, garantindo que cada parte do elenco tenha seu momento de esplendor. Regiane Alves como a volátil Clara; </span><a href="https://gente.ig.com.br/tvenovela/2023-06-20/caio-manhente-fala-de-tecnicas-para-interpretar-caio-em-vai-a-fe.html"><span style="font-weight: 400;">Caio Manhente</span></a><span style="font-weight: 400;"> na pele do traumatizado Rafa; Claudia Ohana na interpretação da bondosa Dora; e Renata Sorrah, que representou a atriz decadente Wilma Campos, balanceiam a trama sem invadir o espaço do enredo principal. Essa ampliação escancara o talento dos atores, é óbvio, mas não deixa de demonstrar a destreza da autora e dos colaboradores em não se perderem nos núcleos paralelos, o que acontece com outras produções novelísticas, como em </span><a href="https://labdicasjornalismo.com/noticia/12105/todas-as-flores-reforca-a-importancia-do-anticapacitismo-na-teledramaturgia"><i><span style="font-weight: 400;">Todas as Flores</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que estreou na TV aberta após ser disponibilizada no </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As sequências também foram embaladas com uma </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/1afCc1xdNSmnxO6wG52IEW?si=3fdb39504f1c4989"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> irretocável; aliás, a Música foi um dos fios condutores de todas as histórias. A abertura com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=spkM__G1iLI"><i><span style="font-weight: 400;">Vai Dar Certo (Vai na Fé)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na voz de Negra Li e MC Liro é um espetáculo à parte e virou </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;">, assim como as canções de Lui e Sol. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=svUp8isgmes&amp;pp=ygUiYXBlbmFzIG1haXMgdW1hIGRlIGFtb3IgdmFpIG5hIGbDqQ%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Apenas Mais uma de Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://labdicasjornalismo.com/noticia/13132/aos-70-anos-lulu-santos-celebra-inicio-de-novo-ciclo-com-lancamento-de-sua-nova-turne-baritono-"><span style="font-weight: 400;">Lulu Santos</span></a><span style="font-weight: 400;">; </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v8DOybU8eEM&amp;pp=ygUPaGVsbG8gc3Vuc2hpbmUg"><i><span style="font-weight: 400;">Hello Sunshine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Aretha Franklin; e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Wi5pah0DYpM&amp;pp=ygUVbHVtaWFyIHJvYmVydGEgY2FtcG9z"><i><span style="font-weight: 400;">Lumiar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Roberta Campos, também imperam na trama. Contudo, é impossível não citar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p70o2XWlZ7A&amp;pp=ygUQZ2Fyb3RhIG5vdGEgMTAwIA%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Garota Nota 100</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hUj_hwsIrSU&amp;pp=ygUQZ2Fyb3RhIG5vdGEgMTAwIA%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">reinterpretada por Ludmilla</span></a><span style="font-weight: 400;"> e cantada originalmente pelo pioneiro no funk MC Marcinho. A faixa, responsável pelos momentos românticos do casal principal, fica eternizada como uma homenagem ao funkeiro, que, após sofrer uma parada cardíaca, </span><a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2023/08/26/mc-marcinho-o-principe-do-funk-morre-no-rio-aos-45-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">morreu, aos 45 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, no dia 26 de agosto, duas semanas após o fim da novela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fora a competência dos atores, a direção de Paulo Silvestrini é outro acerto que equilibrou a novela. Conhecido pelos trabalhos em obras de sucesso na emissora, como </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/entretenimento/novelas/a-favorita/"><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/avenida-brasil-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Avenida Brasil</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor entregou cenas catárticas e emocionantes na bela parceria com a autora da produção. Dentre elas, destacam-se o término de Lumiar e Ben; a morte de Dora; a prisão de Kate; a </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/televisao/2023/08/vai-na-fe-renata-sorrah-e-disputada-por-gloria-perez-joao-emanuel-e-walcyr-carrasco-e-emociona-web.shtml"><span style="font-weight: 400;">reunião</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Wilma Campos com os novelistas João Emanuel Carneiro, Gloria Perez e Walcyr Carrasco; o incêndio promovido por Theo; e o casamento dos protagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_32286" aria-describedby="caption-attachment-32286" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32286" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-5-Vai-na-Fe.png" alt="Carla Cristina Cardoso e Clara Moneke caracterizadas como as personagens Bruna e Kate, de Vai na Fé. Bruna, com expressão séria, usa camiseta preta e tem cabelos pretos trançados. Já Kate, que faz bico para a foto, usa uma blusa estampada nas cores amarela, azul e rosa. Ela tem cabelos pretos longos cacheados. As personagens estão em uma sala de estar." width="600" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-32286" class="wp-caption-text">Do humor ao drama, Carla Cristina Cardoso e Clara Moneke ganharam espaço na narrativa devido a imensa popularidade que conquistaram com o público (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/vai-na-fe/noticia/vai-na-fe-viaje-por-dentro-da-cidade-cenografica-da-novela-das-7.ghtml"><span style="font-weight: 400;">núcleo do Icaes</span></a><span style="font-weight: 400;">, faculdade fictícia da trama, também mostra a familiaridade do diretor e da escritora com tramas juvenis. Nesse enredo paralelo, a dupla abordou com profundidade eixos temáticos relacionados a cotas universitárias, desigualdades sociais, racismo e sexualidade. Silvestrini trabalhou em </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/malhacao-viva-a-diferenca/"><i><span style="font-weight: 400;">Malhação: Viva a Diferença</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ganhadora do </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/emmy/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> Kids</span></i><span style="font-weight: 400;"> Internacional como </span><a href="https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2019/04/09/malhacao---viva-a-diferenca-vence-emmy-awards-maior-premio-de-tv-mundial.htm"><span style="font-weight: 400;">Melhor Série</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já Svartman é responsável pelas célebres temporadas: </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/malhacao-2012/"><i><span style="font-weight: 400;">Malhação: Intensa como a Vida</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/televisao/2021/02/malhacao-sonhos-relembre-quem-e-quem-na-novela.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Malhação Sonhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio de tantas bonanças e acertos, a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé </span></i><span style="font-weight: 400;">é manchada pela </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/o-que-ha-por-tras-da-censura-ao-beijo-lesbico-em-vai-na-fe"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;"> da direção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Uma das subtramas mais potentes, a de Clara, que após anos de abuso do marido se apaixona pela </span><i><span style="font-weight: 400;">personal trainer</span></i><span style="font-weight: 400;"> Helena (Priscila Sztejnman), foi subalternizada. Cenas homoafetivas de beijos das personagens foram </span><a href="https://gente.ig.com.br/celebridades/2023-06-20/globo-censurou-5-beijos-homoafetivos-vai-na-fe-revoltou-publico.html.ampstories"><span style="font-weight: 400;">cortadas inúmeras vezes</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que prejudicou o folhetim e mostrou o retrocesso da emissora em retratar narrativas LGBTQIAP+. </span><a href="https://gente.ig.com.br/tvenovela/2023-05-26/regiane-alves-expoe-reacao-censura-beijo-vai-na-fe-senti-baque.html"><span style="font-weight: 400;">Regiane Alves</span></a><span style="font-weight: 400;">, que deixou a empresa televisiva</span> <span style="font-weight: 400;">após a novela, não se isentou frente ao conservadorismo e à censura. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Um passo de cada vez para a construção de um futuro onde todas as formas de amor possam ser aceitas e celebradas</span></i><span style="font-weight: 400;">”, escreveu via </span><a href="https://x.com/RegianeAlves/status/1656425698192416770?s=20"><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a pressão popular, tendo em vista as inúmeras desaprovações dos espectadores, críticos especializados e do próprio elenco, novas cenas foram gravadas e liberadas. No entanto, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/08/01/reta-final-de-vai-na-fe-nao-faz-jus-ao-que-sol-merece.htm"><span style="font-weight: 400;">outros erros</span></a><span style="font-weight: 400;"> se somam ao que não foi tão bom na novela. As famigeradas ‘barrigas’ – períodos em que nada catártico acontece e as tramas parecem monótonas – dominaram a obra. Do meio ao final, a história se tornou cansativa. O interminável julgamento de Theo durou quase um mês e é o maior exemplo, assim como as situações envolvendo o exame de DNA de Jenifer, a gravidez de Guiga (Mel Maia) e muitas outras.</span></p>
<figure id="attachment_32285" aria-describedby="caption-attachment-32285" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32285" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-6-Vai-na-Fe.jpg" alt="Cena do beijo de Clara (Regiane Alves) e Helena (Priscila Sztejnman). Helena, que está do lado esquerdo, tem cabelos castanhos curtos e veste uma blusa com listras brancas e verdes. Clara, que está do lado direito e tem cabelos loiros, veste uma blusa roxa. As personagens estão se beijando em uma sala." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-32285" class="wp-caption-text">Adesão popular foi fundamental para que as cenas de beijos homoafetivos das personagens Clara e Helena fossem liberadas (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se por um lado o folhetim ficou lento, por outro, alguns arcos foram concluídos com superficialidade e correria. A carreira musical de Sol, infelizmente, é um desses casos. Depois de uma longa jornada como cozinheira e dançarina, a protagonista alcançou o sonho de ser cantora solo somente na reta final da trama e, como outras situações também precisavam ser abordadas, a trajetória profissional foi jogada para escanteio. A inserção de Ângelo Paes Leme como um novo </span><a href="https://gente.ig.com.br/tvenovela/2023-07-31/novo-vilao-entra-em-vai-na-fe.html#:~:text=Os%20cap%C3%ADtulos%20finais%20de%20%E2%80%9CVai,de%20Sol%20(Sheron%20Menezzes)."><span style="font-weight: 400;">vilão</span></a><span style="font-weight: 400;"> não foi bem aproveitada pelo pouco tempo destinado ao enredo, por exemplo. Na pele de Mauro Vieira, um empresário abusador, Paes Leme poderia ter trazido frescor ao folhetim caso sua entrada não tivesse sido tão tardia, visto que ele integrou o elenco somente na última semana da novela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mudança na linearidade é uma das inovações do folhetim. </span><i><span style="font-weight: 400;">Flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> são pouco usados nas novelas e quando aparecem são breves, padrão que </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé</span></i><span style="font-weight: 400;"> rompeu. De forma geral, a fase atual é mais presente, mas isso não impediu que a narrativa principal estivesse totalmente </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/vai-na-fe/noticia/conheca-as-versoes-mais-jovens-de-samuel-de-assis-e-sheron-menezzes-em-vai-na-fe.ghtml"><span style="font-weight: 400;">interligada com o passado</span></a><span style="font-weight: 400;">. O relacionamento de Sol e Ben, inclusive, não caiu no clichê de amor à primeira vista e foi construído, principalmente, na fase jovem dos personagens, assumidos por Jê Soares e Isacque Lopes. A escalação e a caracterização foram condizentes. Em diversas cenas passado e presente se misturam, recurso narrativo que reflete a modernidade de Rosane Svartman para escrever novelas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessas sequências temporais, Ben e Theo se destacam em ambas as fases. A relação conturbada por eles é percebida logo nos primeiros capítulos. Entretanto, quando o rompimento – motivado pela revelação do estupro do vilão contra Sol – acontece no meio da novela, a obsessão do personagem de Emilio Dantas é aprofundada. O ator vivenciou o </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/dissimulado-dubio-e-aterrorizante-como-theo-virou-o-vilao-perfeito-da-tv-104360"><span style="font-weight: 400;">pior vilão da faixa das sete</span></a><span style="font-weight: 400;">. Desprezível, nojento, abusador e cruel são características rasas para definir o que ele representa. Já Ben é o exato oposto, o contraponto que liquefaz a maldade. Samuel de Assis sustentou o carisma do galã sem perder as complexidades e representatividades que o personagem carregava. Ele e Dantas fizeram uma ótima dupla.</span></p>
<figure id="attachment_32284" aria-describedby="caption-attachment-32284" style="width: 730px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32284" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-7-Vai-na-Fe.jpg" alt="Cena de Vai na Fé. Emilio Dantas, que está ao lado esquerdo, é segurado por Samuel de Assis. Emilio é branco, tem cabelos e barbas loiras e veste uma camisa azul escura. Samuel de Assis está de costas para a câmera, é negro, tem cabelos pretos e veste uma blusa azul clara, enquanto segura o personagem de Emilio Dantas. Os personagens estão em uma rua." width="730" height="430" /><figcaption id="caption-attachment-32284" class="wp-caption-text">Obcecado, Theo atormentou Ben até o último capítulo (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Leve e, ao mesmo tempo, intensa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé</span></i><span style="font-weight: 400;"> marca a teledramaturgia da </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> como um dos </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/televisao/2023/08/vai-na-fe-supera-recorde-de-cheias-de-charme-e-se-torna-o-maior-faturamento-da-globo-as-19h.shtml"><span style="font-weight: 400;">maiores fenômenos novelísticos do horário</span></a><span style="font-weight: 400;">. A particularidade em retratar temas sérios sem perder a essência clássica dos folhetins mostra que, embora seja composta por um texto moderno, a produção não tem medo de ser novela e é o que se cumpre a ser. Ao longo de 179 capítulos, retrata histórias profundas e reais, com o apoio de uma direção e um elenco em total sintonia. Ancorada na musicalidade, a obra, que tropeçou na reta final, reforça a importância de seguir em frente e ir na fé, até mesmo quando fazer isso pode parecer uma missão impossível em meio às turbulências da vida. Sucesso estrondoso, a trama mostra que, sim, os brasileiros amam novelas; mais do que isso: eles sempre vão amar.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/vai-na-fe-critica/">Solar e emocionante, Vai na Fé não tem medo de ser novela</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/vai-na-fe-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">32282</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Os 5 anos de Além do Tempo e a renovação de Elizabeth Jhin</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/alem-do-tempo-5-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/alem-do-tempo-5-anos/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Mar 2021 17:06:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[2016]]></category>
		<category><![CDATA[5 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Além do Tempo]]></category>
		<category><![CDATA[Alinne Moraes]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Elizabeth Jhin]]></category>
		<category><![CDATA[Emilio Dantas]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritismo]]></category>
		<category><![CDATA[Marina Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Novela]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Vasconcelos]]></category>
		<category><![CDATA[Rafael Cardoso]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Globo]]></category>
		<category><![CDATA[Reencarnação]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Telenovela]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=18529</guid>

					<description><![CDATA[<p>Marina Ferreira “Quando um amor é mais forte do que a própria vida, ele não cabe numa só história”. Era o que dizia a primeira chamada da novela Além do Tempo, no ano de 2015, logo de início chamando a atenção do público, de forma sutil, à seu formato inovador e até mesmo revolucionário. Em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alem-do-tempo-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os 5 anos de Além do Tempo e a renovação de Elizabeth Jhin"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/alem-do-tempo-5-anos/">Os 5 anos de Além do Tempo e a renovação de Elizabeth Jhin</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_18555" aria-describedby="caption-attachment-18555" style="width: 1326px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18555" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1.jpg" alt="Texto alternativo: Há um casal na foto. Um homem branco, loiro, de barba está a esquerda, com uma camisa xadrez azul e vermelha. A seu lado está uma mulher branca, loira, com um blazer azul. Ela está abraçando o homem de lado." width="1326" height="928" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1.jpg 1326w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-300x210.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-1024x717.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-768x537.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-1200x840.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18555" class="wp-caption-text">Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso), os protagonistas da trama [Foto: Divulgação]</figcaption></figure><b>Marina Ferreira</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Quando um amor é mais forte do que a própria vida, ele não cabe numa só história”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Era o que dizia a primeira chamada da novela <em>Além do Tempo</em>, no ano de 2015, logo de início chamando a atenção do público, de forma sutil, à seu formato inovador e até mesmo revolucionário. Em seus 161 capítulos, a novela da seis, escrita por </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/elizabeth-jhin/"><span style="font-weight: 400;">Elizabeth Jhin</span></a><span style="font-weight: 400;"> e dirigida por </span><a href="http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-621267/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Vasconcelos</span></a><span style="font-weight: 400;">, cumpriu sua missão em contar uma grandiosa história de amor, dividida em duas fases muito distintas entre si, que se comunicavam em excelentes sacadas de texto, um enredo muito bem amarrado e uma montagem de tirar o fôlego.</span></p>
<p><span id="more-18529"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada no sul do país, inicialmente na fictícia cidade de Campo Belo, no final do século XIX, <em>Além do Tempo</em> nos conta a história de Lívia e Felipe, dois jovens de condições sociais diferentes, unidos por um inexplicável laço de amor à primeira vista. Ele, um conde vindo da capital do país, sobrinho da poderosa condessa Vitória Castellini (</span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/perfil/irene-ravache/"><span style="font-weight: 400;">Irene Ravache</span></a><span style="font-weight: 400;">), e ela, uma noviça, filha da humilde dona de taverna &#8211; e saltimbanco &#8211; Emília Diffiori (</span><a href="https://gshow.globo.com/artistas/ana-beatriz-nogueira/"><span style="font-weight: 400;">Ana Beatriz Nogueira</span></a><span style="font-weight: 400;">). Esse amor é proibido desde o primeiro momento, por diversos impedimentos da vida. Felipe é noivo da mimada Melissa (</span><a href="https://gshow.globo.com/artistas/paolla-oliveira/"><span style="font-weight: 400;">Paolla Oliveira</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Livia é fruto do casamento secreto de Emilia e Bernardo (</span><a href="https://gshow.globo.com/artistas/felipe-camargo/"><span style="font-weight: 400;">Felipe Camargo</span></a><span style="font-weight: 400;">), o filho da condessa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tramas que dialogam com facilidade, apoiadas por um excelente elenco secundário &#8211; grandes nomes como </span><a href="https://gshow.globo.com/artistas/luis-melo/"><span style="font-weight: 400;">Luis Melo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://gshow.globo.com/artistas/carolina-kasting/"><span style="font-weight: 400;">Carolina Kasting</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/perfil/nivea-maria/"><span style="font-weight: 400;">Nívea Maria</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://gshow.globo.com/artistas/louise-cardoso/"><span style="font-weight: 400;">Louise Cardoso</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://gshow.globo.com/artistas/luiz-carlos-vasconcelos/"><span style="font-weight: 400;">Luiz Carlos Vasconcelos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outros &#8211; a primeira fase discorre a partir dos conflitos entre Lívia e Melissa, pelo amor do conde, o ódio entre Vitória e Emilia, que perdura há mais de duas décadas, além da busca incessante da saltimbanco pelo amor de sua vida, desaparecido há muito tempo e a relação singela e ao mesmo tempo conflitante entre Lívia e Vitória. Há também Pedro (</span><a href="https://gshow.globo.com/artistas/emilio-dantas/"><span style="font-weight: 400;">Emilio Dantas</span></a><span style="font-weight: 400;">), o grande antagonista da novela, e Ariel (</span><a href="https://gshow.globo.com/artistas/michel-melamed/"><span style="font-weight: 400;">Michel Melamed</span></a><span style="font-weight: 400;">), o cocheiro da cidade que na verdade é um anjo, responsável por observar e cuidar dos moradores dali, ajudando a encurtar os tormentos daqueles que não merecem sofrer.</span></p>
<figure id="attachment_18556" aria-describedby="caption-attachment-18556" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18556" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem2-1-1.jpg" alt="Uma mulher branca, idosa, de cabelos brancos, vestida com um casaco de pele preto e um chapéu pequeno." width="640" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem2-1-1.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem2-1-1-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18556" class="wp-caption-text">Irene Ravache como Condessa Vitória Castellini na primeira fase (Foto: Divulgação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Numa novela com tantos personagens que poderiam ser considerados conhecidos ou até mesmo óbvios, por já terem sido vistos em tantas outras produções de época, com grandes romances proibidos e tramas perigosas, a obviedade passa longe e abre espaço para um desenvolvimento sensível e surpreendente de tramas que contam com início, meio e fim, sem pontas soltas ou perguntas não respondidas. Nos 87 capítulos da fase inicial, acompanhamos de olhos fixos à tela uma história sem barrigas, pois não há a sensação de estarmos perdendo tempo, a trama se mantém constante, com novas reviravoltas e subtramas que se amarram perfeitamente ao grande enredo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Temos o desenvolvimento completo de personagens, que crescem em arcos heroicos, lidam com conflitos narrados de forma humana e verdadeira e cenas que arrancam o fôlego por diálogos dignos de prêmios, ditos com toda entrega por figuras grandiosas da TV. Emoções também não faltam em momento algum, pontuadas com excelência por um trilha sonora instrumental composta por </span><a href="http://www.musimagembrasil.com/socios/br/29/rodolpho-rebuzzi"><span style="font-weight: 400;">Rodolpho Rebuzzi</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aos poucos, nos guia ao grande ápice da primeira fase. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A morte de protagonistas já foi um tema explorado anteriormente em novelas do mesmo gênero espiritualista, como é o caso de </span><em><a href="https://memoriaglobo.globo.com/entretenimento/novelas/a-viagem/"><span style="font-weight: 400;">A Viagem</span></a></em><span style="font-weight: 400;"> (1975 e 1994). Na trama de </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/perfil/ivani-ribeiro/"><span style="font-weight: 400;">Ivani Ribeiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, os personagens principais Otávio e Diná, marcados por um amor trazido de outras vidas, fazem a passagem em um curto espaço de tempo um do outro e vivem esse amor no pós vida. Mas em <em>Além do Tempo</em>, vemos algo jamais trabalhado na teledramaturgia brasileira. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Além do Tempo: abertura da novela da Globo das seis; veja" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/h0Nsf5ZzIDE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">No capítulo 87, completamente construído com ares de final de novela, o que deixou o espectador em estado de dúvida. Afinal, havia o sentimento de que a obra havia durado pouco, vemos os finais felizes e infelizes dos personagens, que por suas escolhas e caminhos chegaram a esses desfechos e somos tomados por um alívio momentâneo pela felicidade do casal principal, que tanto havia lutado para alcançar os momentos de paz que enfim viviam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Qual não foi a surpresa, quando em uma cena pacífica, puramente romântica, de declarações e uma bela paisagem, fomos surpreendidos pela presença do vilão Pedro, que desafiou o mocinho para um duelo de vida ou morte. Maior ainda foi a surpresa ao termos a aparição da outra vilã da trama, Melissa &#8211; abandonada e ofendida por Felipe &#8211; que surge como um carrasco tomado de ódio, empurrando Lívia pela borda de um penhasco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma eletrizante sequência, com momentos de tirar o fôlego, temos o destino selado de 3 protagonistas, de forma visceral. Transtornado por acreditar que Melissa havia matado seu grande amor, Pedro a atravessa com um florete e se aproxima da beirada do penhasco, onde Felipe e Lívia se penduram juntos, agarrados à uma última esperança de vida. Num ato de crueldade, o vilão acerta Felipe no peito com a mesma espada e o casal cai no rio, afundando juntos para a morte certa e dando início à mais uma sequência memorável. </span></p>
<figure id="attachment_18531" aria-describedby="caption-attachment-18531" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18531 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem2-2.jpg" alt="Fotografia com três pessoas, de pé, em um espaço aberto, com grama e pedras. À esquerda, há um homem branco, de pé, segurando um florete em cada mão. Uma das espadas está apontando na direção de um casal à sua frente. Está vestindo botas marrons, calça comprida, colete e camisa, todos na cor cinza, e tem um lenço vermelho no pescoço. A sua frente, há um casal se beijando. Ela é branca, tem os cabelos compridos e está vestindo um vestido longo e lilás. O homem é branco, está vestindo uma calça bege, botas marrom escuro, um colete vermelho e camisa branca." width="640" height="529" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem2-2.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem2-2-300x248.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18531" class="wp-caption-text">Pedro, Felipe e Lívia em cena final da primeira fase (Foto: Divulgação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse momento que entendemos a genialidade da dupla responsável pela novela. Aqui, os planos de Elizabeth Jhin se tornam claros, ao realizar uma passagem de 150 anos na trama e o olhar afiado de Pedro Vasconcelos nos dá uma transição linda, ao som de </span><a href="https://open.spotify.com/track/15y44uyGiDqQWLlhc1Rj9l?si=MuXGzVs2RUqVHqejoI04ZA"><i><span style="font-weight: 400;">Together</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da banda inglesa </span><span style="font-weight: 400;">The XX</span><span style="font-weight: 400;"> e um </span><i><span style="font-weight: 400;">voiceover</span></i><span style="font-weight: 400;">, com um dos diálogos mais marcantes da primeira fase. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto os corpos de Lívia e Felipe afundam pelo rio, ouvimos as batidas incessantes do relógio da música e um som alto, quase ensurdecedor é aos poucos adicionado à cena: o conhecido, moderno e implacável som dos trens correndo sobre os trilhos do metrô. De forma arrebatadora, a cena nos situa em 2015, no Rio de Janeiro, na estação da Carioca, onde minutos depois, Lívia e Felipe se reencontram nesta nova vida, dando início ao que os kardecistas chamam de resgate. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;"> Você sabe rezar? Reza comigo, tem que ter fé! “<br />
</span><span style="font-weight: 400;">“Não acredito em um Deus que parece se divertir com o sofrimento humano”<br />
</span><span style="font-weight: 400;">“Eu sei o quanto está sofrendo, eu sinto muito, me dói muito vê-lo assim. Eu queria tanto que fosse diferente, que tudo fosse diferente.”<br />
</span><span style="font-weight: 400;">“Que Deus é esse Lívia? Ele parece se divertir, permite que os que se amam se separem. Permite que você que eu amava&#8230;. E que eu nunca deixei de amar&#8230; “</span></p></blockquote>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Além do Tempo: vem aí a nova fase da novela da Globo das seis" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/HfSUowZQObg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Na teoria kardecista, o </span><a href="https://espiritaonline.com/blogsecolunas/como-entender-o-resgate-de-vidas-passadas"><span style="font-weight: 400;">resgate</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a forma como o espírito evolui, se eleva moralmente e amarra as pontas soltas de outras vidas. Nessa segunda fase, temos de volta os mesmos personagens. Mesmos nomes, rostos e relações, porém, novas personalidades, passados e destinos. Lívia e Felipe agora inverteram os papéis. Ela é a herdeira de uma vinícola bem sucedida, é novamente filha de Emília e noiva de Pedro. Felipe é um simples dono de uma vinícola familiar no Rio Grande do Sul, casado com Melissa e pai de Alex &#8211; seu filho na outra vida. Seus caminhos mais uma vez são atravessados pelo irrefreável acaso, embora Ariel, que antes havia feito de tudo para ajudá-los, agora age com desconfiança em relação ao amor dos dois, pois perdeu a fé, assim como suas asas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto, na primeira fase da novela, as histórias de Lívia e Felipe eram costuradas juntamente às subtramas, tomando para si a maior parte da emoção dos acontecimentos, na segunda fase temos um grande destaque à uma trama secundária lindíssima, estrelada pelas ilustres Irene Ravache e Ana Beatriz Nogueira. Se no final do século XIX, vemos o ódio entre as duas, alimentado pela arrogância da condessa Vitória, que desaprovava o romance entre o filho e a saltimbanco, e a ira de Emilia, por ter sido separada de Bernardo por obra da malvada nobre, em 2015 temos puramente o ressentimento e a incompreensão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na nova vida, Vitória e Emilia são mãe e filha, separadas há mais de 40 anos, por uma decisão apaixonada da mais velha, que abandonou a casa e a família para viver um grande amor. Protagonizando cenas de orgulho e desprezo, a personagem de Ana Beatriz Nogueira é o exato reflexo de tudo aquilo que odiava na vida anterior. É a implacável dona da Vinícola Beraldini, que não mede esforços para conseguir sua vingança contra a mãe que a abandonou e não a reconhece, chegando à extremos de rebaixá-la publicamente.</span></p>
<figure id="attachment_18557" aria-describedby="caption-attachment-18557" style="width: 690px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18557" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem4.jpg" alt="Duas mulheres estão sentadas, se abraçando. Uma delas está em primeiro plano, vestindo uma blusa azul celeste. Tem os cabelos presos e alguns fios de eletrônicos sobre seu braço. A outra mulher é idosa, tem os cabelos grisalhos e está com as mãos nas costas da primeira mulher." width="690" height="595" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem4.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem4-300x259.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18557" class="wp-caption-text">Ana Beatriz Nogueira e Irene Ravache em cena da emocionante reconciliação (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu contraponto é a personagem de Irene Ravache, que se mostra em uma de suas faces mais dual, entregando um desenvolvimento de personalidade como não estamos acostumados a ver. Temos a desconstrução da figura arrogante de Vitória, que abre completamente o coração para as mudanças que sua vida sofreu e que consegue inclusive sentir compaixão por Emilia, apesar das constantes brigas e humilhações. Em uma das cenas mais marcantes de toda a trama, já próximo ao final da novela, temos o confronto definitivo entre Vitória e Emília, onde a dona da vinícola revela à mais velha que é sua filha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ali, temos a entrega completa das atrizes. Podemos ver o absoluto desespero no olhar de Ravache e o ódio e confusão espalhados por todo o rosto de Nogueira. É uma das tantas cenas que, em uma série norte-americana, seria marcada por uma indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, para as duas atrizes que se doaram por completo, para a execução impecável de uma revelação que mudou os rumos finais da trama, culminando no fechamento do ciclo de perdão entre as duas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o princípio do resgate em mente, conseguimos apontar exatamente onde cada uma das tramas da novela se fecha, resolvendo questões que foram trazidas da outra vida, até chegarmos no grande momento, onde enfim temos o embate final entre os quatro protagonistas: Lívia, Felipe, Pedro e Melissa. Ao longo da segunda fase, o relacionamento de Felipe e Melissa se desgasta e chega ao fim, dando início a uma série de loucuras da mulher, assim como o noivado de Pedro e Lívia, que também encontra um ponto final. Ao contrário das tramas escandalosas da vilã, Pedro age de formas sutis, através de planos que antagonizam e buscam minar aos poucos o amor dos protagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_18532" aria-describedby="caption-attachment-18532" style="width: 690px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18532" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem3.jpg" alt="" width="690" height="595" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem3.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem3-300x259.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18532" class="wp-caption-text">Pedro, Felipe e Lívia, no desfecho dos protagonistas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em mais uma jogada de mestre, entre tantas ao longo da novela, Jhin coloca os personagens exatamente no mesmo lugar em que estavam no primeiro desfecho: à beira de um penhasco, confrontados pelo vilão, com suas vidas em risco. Dessa vez, não há o cavalheirismo de Pedro, não há oferta de duelo, apenas um revólver, apontado para os dois protagonistas e a ameaça pairando sobre eles, entre palavras de ódio e uma atuação impecável de Emílio Dantas, que parece aos poucos perder a sanidade na trama. A cena vem carregada de expectativa, a tensão de novamente termos um destino mórbido ao casal que tanto merece a felicidade, assim como sabemos inconscientemente que, um quarto elemento está faltando na cena e que a qualquer momento poderá mudar o rumo de todas as coisas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse quarto elemento é a personagem de Paolla Oliveira, que aparece para dar início ao clímax da cena, numa luta corporal com o personagem de Emilio, onde os dois rolam pelo chão e disputam a arma que antes ameaçava os mocinhos. A direção de Pedro Vasconcelos nessa sequência é primorosa, pois nos mostra cenas do passado e presente, em uma alternância que aumenta ainda mais a expectativa pelo fatídico fim e ao ouvirmos o disparo do revólver, prendemos a respiração por alguns instantes, até sabermos quem foi o atingido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse momento se encerra o primeiro resgate de Melissa, que fechou um ciclo ao deixar o corpo sem vida de Pedro no chão e o segundo se inicia ao se aproximar da beira do precipício, onde se penduravam Felipe e Lívia, puxando-os de volta com a ajuda divina &#8211; e invisível &#8211; do anjo Ariel e dessa forma, salvando as vidas de quem havia ajudado a condenar na encarnação anterior.  Temos então um final digno de Elizabeth Jhin, que em sua toda sua trajetória de novelas anteriores &#8211; <em>Eterna Magia</em>, <em>Escrito nas Estrelas</em> e <em>Amor Eterno Amor</em>, por exemplo &#8211; veio construindo uma linguagem própria, de personagens reais, falhos e complexos.</span></p>
<figure id="attachment_18558" aria-describedby="caption-attachment-18558" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18558" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem6.jpg" alt="Uma mulher branca, de cabelos castanho claro e curtos. Está vestindo uma blusa azul clara, sentada em um sofá branco com almofadas coloridas e está sorrindo." width="640" height="424" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem6.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem6-300x199.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18558" class="wp-caption-text">A autora de Além do Tempo, Elizabeth Jhin (Foto: João Miguel Junior)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com todas as suas histórias contadas de forma particular, com pequenezas que somente a autora consegue trabalhar com tanto primor, <em>Além do Tempo</em> nos oferece reflexões que extrapolam o âmbito espiritual e filosófico, pois são feitas de formas sutis, que dialogam diretamente com as experiências de vida dos espectadores, tratando de assuntos que por vezes se tornam secundários para outros autores &#8211; como a compaixão, a fé, o perdão e o amor, não apenas romântico, mas como o amor fraterno e incondicional &#8211; mas que para Jhin, são os pontos focais de sua trama. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abro agora um espaço para me corrigir, pois anteriormente disse que em 161 capítulos, foi contada </span><em>uma</em><span style="font-weight: 400;"> grandiosa história de amor, dividida em duas fases, quando o mais correto seria dizer que: em 161 capítulos de uma grandiosa história de amor, que atravessou o tempo e venceu barreiras, duas novelas foram exibidas, com tramas independentes e complexas, com enredos e desfechos que foram na contra mão dos grandes clichês familiares e encerrando com uma mensagem de paz que reverberou, abrindo o caminho para a nova fase de trabalhos da autora, uma fase marcada pela coragem da inovação, renovando a carreira já consolidada da experiente e sempre relevante Elizabeth Jhin.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Fica permitido aos novos tempos dizer “Eu te amo”… Uma vez pela manhã, uma pela tarde e uma pela noite. Fica estabelecida a lei do amor, fica permitida conhecer a verdade da vida a ausência da morte a eternidade da alma. Fica permitido dizer obrigado, por favor, com licença. Fica permitido entender que o erro é estágio da evolução. Fica totalmente permitido perdoar e se perdoar. Ficam permitidos o bem, a paz, a compaixão e a caridade. E revogam-se todas as permissões contrárias!”</span></p></blockquote>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/alem-do-tempo-5-anos/">Os 5 anos de Além do Tempo e a renovação de Elizabeth Jhin</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/alem-do-tempo-5-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">18529</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
