<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Embaúba Filmes &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/embauba-filmes/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/embauba-filmes/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Sun, 14 Sep 2025 21:02:21 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Embaúba Filmes &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/embauba-filmes/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Em Nada, Adriano Guimarães transforma o invisível em presença</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/em-nada-adriano-guimaraes-transforma-o-invisivel-em-presenca/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/em-nada-adriano-guimaraes-transforma-o-invisivel-em-presenca/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Aug 2025 13:00:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Adriano Guimarães]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Caires]]></category>
		<category><![CDATA[Bel Kowarick]]></category>
		<category><![CDATA[Cabine]]></category>
		<category><![CDATA[Cabine de Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Denise Stutz]]></category>
		<category><![CDATA[Embaúba Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Nada]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=35513</guid>

					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Com seu olhar intensamente sensorial, o experiente diretor de teatro brasiliense, Adriano Guimarães, estreia na ficção com Nada, um filme que aposta em pausas e silêncios de uma presença quase tátil. Distribuído pela Embaúba Filmes, o longa já passou por diversos festivais internacionais e foi premiado no Festival de Brasília nas categorias de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/em-nada-adriano-guimaraes-transforma-o-invisivel-em-presenca/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Nada, Adriano Guimarães transforma o invisível em presença"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/em-nada-adriano-guimaraes-transforma-o-invisivel-em-presenca/">Em Nada, Adriano Guimarães transforma o invisível em presença</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35517" aria-describedby="caption-attachment-35517" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35517" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4-800x533.jpg" alt="Imagem do filme Nada. A cena é observada do exterior de uma casa, através de uma janela retangular dividida por duas colunas de madeira pintadas de azul vivo. No interior, três mulheres estão reunidas em torno de uma mesa coberta por uma toalha estampada com motivos florais vermelhos e verdes. Uma lâmpada incandescente pendurada no teto ilumina a cena. À esquerda, uma mulher com cabelos curtos e óculos veste um casaco vinho sobre uma blusa clara. Ao centro, de costas para o observador, outra mulher com cabelos castanhos curtos veste um suéter branco texturizado. À direita, uma terceira mulher com cabelos escuros presos veste uma camisa listrada em tons de rosa e branco e parece estar escrevendo ou lendo algo sobre a mesa. Sobre a mesa, notam-se objetos como copos, jarras e um recipiente com alimento." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35517" class="wp-caption-text">Silêncios, gestos mínimos e atmosferas carregadas constroem a narrativa subjetiva de Nada (Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><b></b><span style="font-weight: 400;">Com seu olhar intensamente sensorial, o experiente diretor de teatro brasiliense, Adriano Guimarães, estreia na ficção com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada</span></i><span style="font-weight: 400;">, um filme que aposta em pausas e silêncios de uma presença quase tátil. Distribuído pela </span><a href="https://www.jwave.com.br/2025/07/nada-de-adriano-guimaraes-ganha-pre-estreia-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Embaúba Filmes</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa já passou por diversos festivais internacionais e foi premiado no Festival de Brasília nas categorias de Melhor Direção, Melhor Direção de Arte e Melhor Edição de Som. </span></p>
<p><span id="more-35513"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Propondo uma experiência contemplativa que rejeita narrativas tradicionais, a obra acompanha o reencontro entre duas irmãs após décadas afastadas, em uma fazenda onde o tempo parece suspenso e o real se dilui sob a presença da misteriosa Antena. Em vez de respostas, </span><a href="https://meioamargo.com/critica-nada-adriano-guimaraes-2024/"><span style="font-weight: 400;">Guimarães</span></a><span style="font-weight: 400;"> oferece sensações, e faz do estranhamento uma chave para acessar memórias, lutos e aquilo que nos escapa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado em referências literárias como Manoel de Barros e Samuel Beckett,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Nada</span></i><span style="font-weight: 400;"> se distancia da linearidade convencional para se entregar a uma incursão profunda na subjetividade das personagens. Com roteiro de Emanuel Aragão, o filme não busca fechar tramas ou explicar eventos, mas sim explorar as fragilidades emocionais e a poética do silêncio e do invisível. O </span><a href="https://geekpopnews.com.br/critica-nada/"><span style="font-weight: 400;">enredo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é menos um caminho com destino certo e mais uma travessia abstrata, onde a percepção e o tempo se dilatam, pedindo que o espectador contemple o que geralmente fica nas entrelinhas.</span></p>
<figure id="attachment_35516" aria-describedby="caption-attachment-35516" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35516" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-800x450.jpg" alt="Imagem do filme Nada. Uma mulher de meia-idade, com cabelos curtos e grisalhos, veste um vestido claro com pequenas estampas florais e está sentada na beirada de uma cama coberta por um tecido vermelho intenso. Suas mãos estão repousadas no colo e seu olhar é fixo. Ela está no centro de um quarto com paredes pintadas em um tom terroso avermelhado, iluminado por uma única lâmpada pendente no teto, criando sombras suaves. À sua esquerda, sobre uma pequena prateleira fixada na parede, há uma imagem sacra, um pequeno frasco e um objeto não identificável. À direita da cama, uma porta de madeira escura está parcialmente visível. A composição da cena é fortemente simétrica, com a mulher no ponto focal. Um elemento decorativo branco em formato floral adorna a parede acima da cabeceira da cama." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3.jpg 1344w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35516" class="wp-caption-text">A composição simétrica e os planos estáticos criam uma sensação de paralisia e confinamento (Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de arte é um dos pilares que sustentam sua atmosfera única. Ambientado em uma fazenda rural de Goiânia, o longa utiliza planos cuidadosamente compostos, muitas vezes simétricos e estáticos, que reforçam a impressão de tempo suspenso e confinamento emocional. A câmera permanece majoritariamente imóvel, funcionando como um observador distante, o que intensifica o </span><a href="https://jornaldebrasilia.com.br/viva/cinema/misterio-e-memoria-se-entrelacam-em-longa-de-adriano-guimaraes/"><span style="font-weight: 400;">sentimento de paralisia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e estranhamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a câmera se move, geralmente em momentos de tensão ou incerteza, esse movimento causa alerta, rompendo a rigidez visual e mergulhando em um desconforto sutil. Em um plano-sequência memorável, a câmera assume o ponto de vista subjetivo de Ana, que sai à procura de sinal de celular, aproximando-nos ainda mais da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O design sonoro de Guile Martins é uma peça fundamental na construção do universo de </span><a href="https://www.pretessencias.com.br/cinema/primeiro-longa-metragem-de-adriano-guimaraes-nada-memorias-e-ausencias/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A ambientação, rica em sons naturais da fazenda – o vento, os insetos, os passos sobre a terra – cria uma textura que envolve o espectador. O silêncio, por sua vez, não é vazio, mas um elemento ativo da história, capaz de revelar o oculto e carregar um peso emocional. Nesse jogo entre som e quietude, o filme revela seu ritmo próprio, onde cada ruído mínimo ganha significado, transformando-se quase em um personagem essencial para sustentar o clima de suspense e inquietação.</span></p>
<figure id="attachment_35514" aria-describedby="caption-attachment-35514" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35514" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-800x450.jpg" alt="Imagem do filme Nada. Duas mulheres estão em um vasto campo arado, com terra de coloração avermelhada e pouca vegetação visível ao fundo. A mulher à esquerda, com cabelos curtos e óculos, veste uma blusa azul clara e uma saia cinza, e está sentada em um pequeno banco de madeira escura, olhando para a mulher à sua frente. A mulher à direita, com cabelos curtos castanhos e vestindo uma camiseta cinza escura, calças jeans azuis e botas marrons, está sentada em outro banco de madeira, posicionada atrás de uma câmera profissional montada em um tripé preto. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35514" class="wp-caption-text">Ana e Tereza, duas irmãs separadas pelo tempo, reencontram-se em um espaço carregado de silêncio e passado (Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No centro da narrativa está o reencontro delicado entre as irmãs Ana (</span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-806600/biografia/"><span style="font-weight: 400;">Bel Kowarick</span></a><span style="font-weight: 400;">), artista plástica que vive na cidade, e Tereza (</span><a href="https://www.panoramafestival.com/denise-stutz-so/"><span style="font-weight: 400;">Denise Stutz</span></a><span style="font-weight: 400;">), que permanece na fazenda da infância, marcada por uma doença e estados alterados de consciência. Décadas de afastamento moldaram uma relação feita de silêncios, gestos truncados e uma comunicação marcada pela ausência de palavras explícitas. Essa conexão distante, mas profundamente enraizada, é revelada com sutileza, evitando explicações óbvias e nos convidando a sentir as tensões imateriais que permeiam seu vínculo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O contraste entre o que foi vivido e o que permanece não dito cria um espaço para a fragilidade e o mistério que permeiam esse vínculo. A decisão de Ana de documentar os eventos estranhos por meio de entrevistas gravadas adiciona uma camada metalinguística e reflexiva, tensionando as fronteiras entre o real, o ficcional e o subjetivo.</span></p>
<figure id="attachment_35515" aria-describedby="caption-attachment-35515" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35515" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-800x450.jpg" alt="Imagem do filme Nada. Em um interior de paredes brancas e rústicas, com vigas de madeira escura aparentes no teto, uma mulher de cabelos curtos e escuros está sentada à mesa. Ela veste uma blusa magenta e parece estar comendo em uma tigela branca. Ao seu lado, à esquerda, um grande cachorro preto está com a cabeça abaixada dentro de outra tigela, também comendo. A luz ambiente é fraca, proveniente de uma lâmpada incandescente pendurada no teto. A mesa, coberta por uma toalha clara com uma estampa discreta, contém outros objetos como um pano branco, um copo e um pote. Ao fundo, parcialmente visível, há uma pintura emoldurada pendurada na parede e uma porta de madeira escura." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35515" class="wp-caption-text">O cenário rural reforça o estranhamento e a atmosfera suspensa do filme (Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A presença enigmática da Antena, instalada pelo governo e sem uma explicação clara, é o núcleo simbólico que permeia </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ela atua como uma força intangível que distorce a realidade e afeta os moradores da região de formas diferentes e inexplicáveis. A Antena se torna metáfora para o imaterial – algo que não se vê, mas se sente, como diz um personagem morador das redondezas: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não vê o vento, mas o vento existe. A gente está falando de energia. Tudo é energia</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Essa reflexão sobre o invisível eleva a produção a uma esfera quase metafísica, onde o mistério e a tensão psicológica se entrelaçam, lembrando o clima de paranoia e desestabilização presente em </span><a href="https://personaunesp.com.br/mae-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mother!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa de Adriano Guimarães é um convite a escutar os silêncios, perceber o desconhecido e aceitar que nem tudo precisa ser explicado para existir. Repleto de pausas, ruídos mínimos e emoções suspensas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada </span></i><span style="font-weight: 400;">exige entrega e paciência – e oferece como recompensa uma reflexão sobre memória, ausência e o tempo que escapa. É uma obra que transforma o vazio em presença e a ausência em conexão, revelando que, às vezes, aquilo que parece faltar é justamente o que nos une.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Nada | trailer oficial | hoje nos cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/jcrCwZL-lWY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/em-nada-adriano-guimaraes-transforma-o-invisivel-em-presenca/">Em Nada, Adriano Guimarães transforma o invisível em presença</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/em-nada-adriano-guimaraes-transforma-o-invisivel-em-presenca/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">35513</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Você pisa em território indígena e O Estranho expõe isso</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/o-estranho-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/o-estranho-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jun 2024 19:00:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[73º Festival de Cinema de Berlim]]></category>
		<category><![CDATA[Aeroporto de Guarulhos]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Galizia]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Antônia Franco]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Camila Freitas]]></category>
		<category><![CDATA[Embaúba Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Cinema de Berlim]]></category>
		<category><![CDATA[Festival Internacional de Curitiba]]></category>
		<category><![CDATA[Filhos Desta Terra]]></category>
		<category><![CDATA[Flora Dias]]></category>
		<category><![CDATA[Guarulhos]]></category>
		<category><![CDATA[Gustavo Zysman Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[João Marcos de Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[Juruna Mallon]]></category>
		<category><![CDATA[Larissa Siqueira]]></category>
		<category><![CDATA[Laysa Costa]]></category>
		<category><![CDATA[Léo Bortolin]]></category>
		<category><![CDATA[Marcela Lavorato]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Som]]></category>
		<category><![CDATA[O Estranho]]></category>
		<category><![CDATA[Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Patricia Saravy]]></category>
		<category><![CDATA[Queer Art Lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Rômulo Braga]]></category>
		<category><![CDATA[Thiago Calixto]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Moraes]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=33624</guid>

					<description><![CDATA[<p>Marcela Lavorato Qual seria o seu sentimento se, ainda criança, tivesse o território invadido, a casa demolida e a vida inteiramente mudada, para sempre, para dar lugar a um aeroporto? O Estranho se apresenta dessa forma, como uma ficção, mas entrega um caráter mais documental pelo motivo de que essa é a história de muitas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-estranho-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Você pisa em território indígena e O Estranho expõe isso"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-estranho-critica/">Você pisa em território indígena e O Estranho expõe isso</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33627" aria-describedby="caption-attachment-33627" style="width: 1728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33627" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-7.png" alt="Cena do filme O Estranho. Ao fundo, vemos um avião no lado direito da imagem. Em primeiro plano, uma grade divide o aeroporto das duas mulheres que estão do lado de fora da grade. Ao lado esquerdo, Sílvia está apoiada na grade. Utiliza uma tiara colorida, uma blusa vermelha com uma abertura nas costas e calça jeans. Mais a direita, Alê está de braços cruzados. Utiliza uma camisa cinza, calça jeans e seu cabelo está amarrado com uma trança." width="1728" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-7.png 1728w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-7-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-7-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-7-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-7-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-7-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33627" class="wp-caption-text">Ao longo de 1 hora e quarenta minutos, vemos a história de Guarulhos por diversas perspectivas (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Lavorato</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Qual seria o seu sentimento se, ainda criança, tivesse o território invadido, a casa demolida e a vida inteiramente mudada, para sempre, para dar lugar a um aeroporto? </span><a href="https://www.rfi.fr/br/cultura/20230219-berlinale-2023-longa-brasileiro-o-estranho-relaciona-conflitos-de-identidade-a-intrus%C3%B5es-em-territ%C3%B3rios-ind%C3%ADgenas"><i><span style="font-weight: 400;">O Estranho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se apresenta dessa forma, como uma ficção, mas entrega um caráter mais documental pelo motivo de que essa é a história de muitas pessoas que são afetadas pela colonização, seja a de 500 anos atrás ou a de ontem. </span></p>
<p><span id="more-33624"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama, exibida no 73º Festival de Cinema de Berlim, acompanha Alê (Larissa Siqueira) e a sua jornada para trabalhar no Aeroporto de Guarulhos, em cima do lugar onde já foi sua casa, em </span><a href="https://medium.com/@dasnarrativas/aldeia-ind%C3%ADgena-filhos-desta-terra-a89102d394d4"><span style="font-weight: 400;">território indígena</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dentro dessa atmosfera, somos envolvidos no drama da personagem, partindo do dia a dia no emprego até suas abstrações sobre a sua vida – como ela é ou como poderia ser. Caminhamos com Alê e somos invadidos pelas suas emoções quando a mesma relembra o seu passado, que é muito sentido no presente. Por se tratar de um tema tão atual em nossa história, a obra afirma-se nessa capacidade do Cinema de reverberar questões sociais através do espaço-tempo, sem ser simplista.</span></p>
<figure id="attachment_33625" aria-describedby="caption-attachment-33625" style="width: 1728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33625" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-7.png" alt="Cena do filme O Estranho. Quatro fotos estão sobre a cama. Em cada foto, há pelo menos uma pedra de diferentes formatos, cores e materiais. Uma mão está no centro da imagem colocando um objeto sobre as fotos." width="1728" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-7.png 1728w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-7-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-7-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-7-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-7-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-7-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33625" class="wp-caption-text">O longa ecoa sua potência, atravessando seus telespectadores (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Trazendo atores e amadores, como a personagem Antônia (Antônia Franco), </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estranho</span></i><span style="font-weight: 400;"> se enriquece com essa troca de experiências e vivências. A atuação de todo o elenco e os núcleos que se misturaram é essencial para ambientar o clima do filme, com destaque para: Larissa Siqueira, Rômulo Braga, Antonia Franco, Thiago Calixto, Laysa Costa e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-felicidade-das-coisas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Patrícia Saravy</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os atores foram capazes de extrair potência nos fatos do cotidiano, como na cumplicidade do relacionamento </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> entre </span><a href="https://lesbocine.com/filme-o-estranho-destaque-no-ultimo-festival-de-berlim-chega-aos-cinemas-nacionais/"><span style="font-weight: 400;">Alê e Sílvia</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Patrícia Saravy). Além de tratar sobre a preservação do território indígena, vemos também a questão da precarização do trabalho no aeroporto, a rotina do sagrado, o translado ao retornar do emprego, o contato com a natureza e a procura por pertencer a um lugar de representatividade, que acaba sendo destruído a medida em que seu território é invadido. Tudo isso, de uma maneira pujante, que nos leva a experimentar o filme para além dele mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Encaminhado a partir de uma pesquisa sobre os diversos pontos da história de Guarulhos, a dupla de </span><a href="https://meioamargo.com/o-estranho-entrevista-flora-dias-juruna-mallon-berlinale/"><span style="font-weight: 400;">diretores</span></a><span style="font-weight: 400;"> Flora Dias e Juruna Mallon – que já trabalharam juntos em</span> <i><span style="font-weight: 400;">O Sol nos Meus Olhos</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2013) –, assinam uma produção evidentemente necessária para a atualidade. Idealizando o projeto desde 2014, os cineastas não pecam em apresentar algo que, em suas próprias palavras, o próprio movimento indígena vem há décadas reclamando: o </span><a href="https://www.solopretoeindigena.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Brasil é território indígena</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">Em certo momento do filme, a ficção passa a ser realmente documental por causa das entrevistas com os indígenas da Aldeia multiétnica </span><a href="https://www.instagram.com/filhosdestaterra/"><span style="font-weight: 400;">Filhos Desta Terra</span></a><span style="font-weight: 400;">, que mostram as suas culturas, ancestralidades e a resistência para garantir os seus territórios por direito. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Estranho</span></i><span style="font-weight: 400;"> produz uma narrativa – assinada também pelos diretores – muito fluida, que não necessariamente precisa apresentar desfechos para se mostrar como completa. As histórias individuais das protagonistas, mesmo não concluídas, se inteiram, pois estão entrelaçadas nessa comunhão de trabalho, casal e amizade. A porosidade do enredo é como se fosse uma lençol freático: a medida em que nos é introduzido um novo relato, o acúmulo da narrativa vai se compondo até preencher um espaço dentro de nós que nunca estará completo, pois o filme se constrói também através de mostrar, para os espectadores, que eles também têm de ‘ir atrás’ dessa </span><a href="https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/119012/116402"><span style="font-weight: 400;">história</span></a><span style="font-weight: 400;">, tão invisibilizada e ignorada por tanto tempo. </span></p>
<figure id="attachment_33626" aria-describedby="caption-attachment-33626" style="width: 1728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33626" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-7.png" alt="Cena de O Estranho. Ao fundo, um túnel em volta de uma floresta. Em primeiro plano, uma mulher indígena, do povo Pankararu, caminha pela estrada fumando um cachimbo. Ela veste uma blusa cinza, uma saia de palha com listras vermelhas e utiliza colares." width="1728" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-7.png 1728w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-7-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-7-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-7-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-7-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-7-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33626" class="wp-caption-text">O filme mostra uma parcela da história de Guarulhos, que é tão negligenciada (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A sonoridade do filme, direcionada por Gustavo </span><span style="font-weight: 400;">Zysman Nascimento, Léo Bortolin e Vitor Moraes, é uma questão muito pulsante:</span><span style="font-weight: 400;"> turbinas de avião, rodinhas das malas de viagem, cantos sagrados, rio, correnteza, pássaros e cachoeiras. Tudo é muito sentido não só pela escuta, mas também pela eficácia das imagens – com direção de Camila Freitas e assistência de </span><span style="font-weight: 400;">Ana Galizia</span><span style="font-weight: 400;"> –, que se juntam com os sons, como a cena do </span><a href="https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/turismo/o-estranho-e-olhar-ancestral-sobre-o-aeroporto-de-guarulhos,0f3c6dd79a23285fa076bf4ba81da0ebap23kcsn.html"><span style="font-weight: 400;">Rio Baquirivu</span></a><span style="font-weight: 400;">; às vezes com leveza, como a chuva, ou com brutalidade, representada pelas aterrissagens. Com transições através de sobreposições de imagens e sons, o silêncio se apresenta como parte importante para a composição, desenhando uma textura própria do longa que podemos experimentar a partir da montagem feita por </span><span style="font-weight: 400;">João Marcos de Almeida</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com isso, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estranho –</span></i><span style="font-weight: 400;"> vencedor de diversos prêmios, entre eles, </span><span style="font-weight: 400;">Melhor Som e Melhor Fotografia no Festival Internacional de Curitiba, Olhar de Cinema, e Melhor Filme no </span><i><span style="font-weight: 400;">Queer Art</span></i><span style="font-weight: 400;"> Lisboa –,</span> <span style="font-weight: 400;">mostra que quem é o estranho ali da situação é o aeroporto. O território, antes de tudo, era constituído por famílias e amigos; vidas que foram levadas para longe de onde pertenciam. A construção do Aeroporto de Guarulhos toca em uma ferida aberta há muito tempo e o filme traz essa denúncia através de uma trajetória que, mesmo sendo individual e particular, é a de muitas pessoas e de </span><a href="https://lugaresdememoria.com.br/saracura-quilombo-no-coracao-de-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">muitos territórios</span></a><span style="font-weight: 400;"> nesse Brasil.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O estranho | trailer oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/zttvMreqbZA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-estranho-critica/">Você pisa em território indígena e O Estranho expõe isso</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/o-estranho-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">33624</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Longe do humor, A Filha do Palhaço se ancora em dramas familiares</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/a-filha-do-palhaco-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/a-filha-do-palhaco-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Jun 2024 19:00:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[A Filha do Palhaço]]></category>
		<category><![CDATA[Amanda Pontes]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Luiza Rios]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Cine Ceará]]></category>
		<category><![CDATA[Cozilos Vitor]]></category>
		<category><![CDATA[Demick Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Embaúba Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Felipe Nunes]]></category>
		<category><![CDATA[Jesuíta Barbosa]]></category>
		<category><![CDATA[João Victor Barroso]]></category>
		<category><![CDATA[Jupyra Carvalho]]></category>
		<category><![CDATA[Lis Sutter]]></category>
		<category><![CDATA[Marevolto Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Michelline Helena]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra de Cinema de Gostoso]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra de Tiradentes]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Diogenes]]></category>
		<category><![CDATA[Pique-Bandeira Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Valéria Vitoriano]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=33484</guid>

					<description><![CDATA[<p>Felipe Nunes Em A Filha do Palhaço, o título engana e que bom por isso. A história, inicialmente simples sobre mais uma relação paternal problemática, se transforma em uma trama catártica cheia de reviravoltas que te prende do início ao fim e está longe de ser um drama clichê. É com Renato (Demick Lopes) e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-filha-do-palhaco-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Longe do humor, A Filha do Palhaço se ancora em dramas familiares"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-filha-do-palhaco-critica/">Longe do humor, A Filha do Palhaço se ancora em dramas familiares</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33486" aria-describedby="caption-attachment-33486" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33486" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2.jpg" alt="Cena do filme A Filha do Palhaço. os atores Demick Lopes e Lis Sutter, que interpretam, respectivamente, Renato e Joana, estão presentes. Renato está no canto esquerdo, usando luvas de manga longa douradas, um colar com contas coloridas e um sutiã com enchimento. Ele está maquiado como parte da caracterização da drag Silvanelly, que interpreta todas as noites. No lado direito, encontra-se Joana. Com os cabelos amarrados, a jovem de 14 anos segura uma bolsa e sorri para o pai. Ela veste uma blusa de manga curta cinza com a estampa de um cachorro e, por baixo, uma blusa de manga longa com listras rosas e pretas. Pai e filha estão na frente de um carro." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33486" class="wp-caption-text">A produção nacional teve sua primeira exibição no Cine Ceará, o Festival Ibero-americano de Cinema (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Felipe Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=53r_7P06mG4"><i><span style="font-weight: 400;">A Filha do Palhaço</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o título engana e que bom por isso. A história, inicialmente simples sobre mais uma relação paternal problemática, se transforma em uma trama catártica cheia de reviravoltas que te prende do início ao fim e está longe de ser um drama clichê. É com Renato (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=flAGifgZNbM"><span style="font-weight: 400;">Demick Lopes</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Joana (Lis Sutter) que vemos uma disfuncional relação entre pai e filha abrir portas para a polissemia da cinematografia. Da maternidade solo ao abandono parental, a obra passeia por temas delicados com uma abordagem fiel ao que se propõe. O mérito é do excelente roteiro assinado por Amanda Pontes, Michelline Helena e Pedro Diogenes.</span></p>
<p><span id="more-33484"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, acompanhamos Renato e Joana se esforçando para reconstruir um vínculo que nunca existiu. Embora tentem, são estranhos um para o outro e qualquer diálogo soa tão constrangedor quanto conversas de elevador. O </span><a href="https://personaunesp.com.br/gemeas-morbida-semelhanca-critica/"><span style="font-weight: 400;">parentesco biológico</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é capaz de suprir o descaso afetivo e é com essa premissa que todas as subtramas são ligadas. Se, por um lado, entendemos as mágoas de uma </span><a href="https://revistaft.com.br/abandono-afetivo-de-criancas-e-adolescentes-consequencias-juridicas-e-reparacoes-de-danos/#:~:text=abandonada%20pelos%20genitores.-,O%20abandono%20afetivo%20%C3%A9%20a%20aus%C3%AAncia%20de%20afeto%2C%20cuidado%2C%20prote%C3%A7%C3%A3o,autoestima%20e%20dificuldade%20de%20relacionamento."><span style="font-weight: 400;">adolescente negligenciada</span></a><span style="font-weight: 400;">, por outro, conhecemos os motivos que fizeram o patriarca jogar tudo para o ar e viver ao lado do grande amor – mesmo que isso signifique não estar na vida da primogênita. </span></p>
<figure id="attachment_33489" aria-describedby="caption-attachment-33489" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33489" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5.jpg" alt="Cena do filme A Filha do Palhaço. Joana está no ateliê do pai, que conta com diversas luzes coloridas, enfeites e fotos. No centro, a jovem, que está de perfil, olha para um mural de fotos. Ela é branca e tem cabelos ondulados pretos. O fundo da cena está desfocado." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33489" class="wp-caption-text">Novata, a atriz que dá vida à protagonista nunca tinha trabalhado com artes cênicas antes do longa (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pele de uma jovem de 14 anos, Lis Sutter concentra toda a narrativa em si. A protagonista enfrenta os triviais dilemas dessa faixa etária, como a busca pela popularidade escolar e as inseguranças do primeiro amor. Seria o clássico enredo de qualquer </span><a href="http://personaunesp.com.br/de-volta-aos-15-critica/"><span style="font-weight: 400;">comédia romântica </span><i><span style="font-weight: 400;">teen</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se ela não tivesse sido abandonada pelo pai quando era uma criança e descobrisse, anos depois, que ele deixou ela e a mãe para viver um </span><a href="http://personaunesp.com.br/o-segredo-de-brokeback-mountain-critica/"><span style="font-weight: 400;">romance</span></a><span style="font-weight: 400;"> com outro homem. Vencedor da Mostra de Cinema de Gostoso e também do Prêmio de Público na Mostra de Tiradentes, o longa-metragem se consagra por destrinchar todas essas situações a partir da aproximação da ressentida menina com o pai ausente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, Renato transita por várias versões de si próprio nos três atos. Em uma espécie de </span><a href="http://personaunesp.com.br/panico-6-critica/"><span style="font-weight: 400;">metalinguagem satírica</span></a><span style="font-weight: 400;">, o personagem, que é ator na trama, interpreta a </span><a href="https://personaunesp.com.br/drag-race-holland-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">drag</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Silvanelly, um alter ego capaz de extravasar tudo o que ele sente e não tem coragem de dizer, principalmente para a filha. Com Renato, apatia, vergonha e medo imperam, ao passo que, com Silvanelly, energia, extroversão e audácia são priorizados. Na dualidade entre um e outra, uma terceira persona é criada com a fusão dos dois, afinal, eles são um só.</span></p>
<figure id="attachment_33487" aria-describedby="caption-attachment-33487" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33487" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3.jpg" alt="Cena do filme A Filha do Palhaço. Renato se maquia para interpretar a drag Silvanelly. O ator está com um semblante sério e passa lápis na sobrancelha. A região nasolabial e as pálpebras estão com pó branco. Atrás do ator, há um estande com algumas roupas. Ele veste um roupão com estampa florida." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33487" class="wp-caption-text">Ainda que foque em dramas familiares, a narrativa também aborda as dificuldades de artistas independentes, músicos e atores (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto mostra a criação do vínculo fraternal entre os protagonistas, o filme aprofunda outras temáticas como </span><a href="https://personaunesp.com.br/heartstopper-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">aceitação</span></a><span style="font-weight: 400;">, abandono parental, xenofobia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nimona-critica/"><span style="font-weight: 400;">homofobia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://gshow.globo.com/moda-e-beleza/noticia/maternidade-solo-a-historia-de-maes-e-o-papel-da-sociedade-como-rede-de-apoio.ghtml"><span style="font-weight: 400;">maternidade solo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Cada uma dessas subtramas é exposta de uma forma sutil, porém, isso não significa que os assuntos foram tratados com superficialidade. Em outras palavras: o roteiro balanceia com destreza todos os eixos narrativos que escolheu trabalhar, alcançando o seu auge com as pazes de Renato com a filha e a sua própria sexualidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para encontrar o lugar ao sol junto de sua “</span><i><span style="font-weight: 400;">alma gêmea</span></i><span style="font-weight: 400;">”, como o próprio define, o palhaço larga a vida que vive e passa a aproveitar o novo romance pelas belas praias cariocas. Contudo, a paixão de verão tem um final trágico. Renato não perde apenas a proximidade com a filha, como também a chance de uma longeva vida com Diogo, que morre em um acidente de trânsito pouco tempo depois do início da </span><a href="https://personaunesp.com.br/queer-eye-5a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">relação homoafetiva</span></a><span style="font-weight: 400;">. A direção de Pedro Diogenes nestas sequências e em todo o longa é fina, beirando a fragilidade e a inconsistência – parâmetro que se destoa bastante de outras obras do profissional, conhecido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BTchvVxi5u8"><i><span style="font-weight: 400;">Pajeú</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Fc9sDmeoVCE"><i><span style="font-weight: 400;">Inferninho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_33488" aria-describedby="caption-attachment-33488" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33488" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1.jpg" alt="Cena do filme A Filha do Palhaço. Na parte esquerda, o ator Jesuíta Barbosa está com o rosto maquiado para parecer um palhaço e aparece fumando. Ele veste uma regata branca, calça marrom e meias de cano longo com listras rosas e pretas. Ao lado dele, no centro, está Renato com uma camisa escura e uma calça jeans clara. Renato dá colo para a filha, Joana, apoiar a cabeça. A jovem veste uma blusa cinza de manga curta e, por baixo, uma blusa de manga longa com listras laranjas e pretas. Os três estão na calçada de um bar." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33488" class="wp-caption-text">A Fotografia sensível e soturna presente nos momentos de solidão de Renato é escanteada nos arcos de frenesi do personagem (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob a responsabilidade de Cozilos Vitor e João Victor Barroso, a trilha sonora é uma personagem à parte. Junto ao elenco, se soma como um dos trunfos da produção cinematográfica. Com versos de ícones da Música Popular Brasileira (MPB) – a exemplo de Luiz Gonzaga, Luiza Nobel, Uirá dos Reis e Getúlio Abelha –, as canções são um elo entre os protagonistas, que passam a se aproximar através de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2023/"><span style="font-weight: 400;">gostos musicais</span></a><span style="font-weight: 400;"> semelhantes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na tentativa de tratar os temas com delicadeza, a potência de determinados arcos é prejudicada e fica aquém do que poderia ter sido, caso fosse executada com propostas mais catárticas e enérgicas. A sensação é que falta gana e intensidade em conjuntos que poderiam ter destacado mais a competência do elenco. Além da dupla de protagonistas, o filme conta ainda com as participações de Jupyra Carvalho, Ana Luiza Rios, Valéria Vitoriano e Jesuíta Barbosa, que ganhou destaque na televisão nacional ao protagonizar o </span><a href="https://personaunesp.com.br/pantanal-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_33485" aria-describedby="caption-attachment-33485" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33485" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1.jpg" alt="Cena do filme A Filha do Palhaço. No canto esquerdo, está Joana coberta por uma toalha e com os cabelos molhados. No canto direito, está Renato, sem camisa e com os cabelos molhados. Sentados na areia da praia, pai e filha estão de costas para a câmera, observando o horizonte." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33485" class="wp-caption-text">“Um filme que aponta para possibilidade de famílias formadas das mais diversas formas possíveis”, define o diretor Pedro Diógenes (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Produzido pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Marevolto Filmes</span></i><span style="font-weight: 400;"> em parceria com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Pique-Bandeira Filmes</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.ensaiocritico.com/post/a-filha-do-palhaco-cine-ceara-critica"><i><span style="font-weight: 400;">A Filha do Palhaço</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> chega aos cinemas como um daqueles longas que vai te chacoalhar e fazer refletir. Não é uma narrativa maniqueísta de um pai vilão que abandonou a filha, tampouco a de uma menina problemática que se afastou do pai. É uma </span><a href="https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2024/05/26/premiado-em-festivais-filme-cearense-a-filha-do-palhaco-se-inspira-na-vida-de-paulo-diogenes-e-homenageia-artistas-que-vivem-do-humor.ghtml"><span style="font-weight: 400;">história dramática</span></a><span style="font-weight: 400;"> que reflete a vida de vários brasileiros; são duas pessoas que escolhem se conectar para além do laço biológico que sempre vão carregar. Quando abraçam o futuro que podem criar juntos e esquecem os erros do passado, Renato e Joana finalmente se encontram. Dessa vez, para não se perderem nunca mais.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-filha-do-palhaco-critica/">Longe do humor, A Filha do Palhaço se ancora em dramas familiares</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/a-filha-do-palhaco-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">33484</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Escrevemos nos muros o que sentimos na Pele</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/pele-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/pele-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Nov 2023 20:55:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[2023]]></category>
		<category><![CDATA[27º Festival É Tudo Verdade]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Belo Horizonte]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Embaúba Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Festival É Tudo Verdade]]></category>
		<category><![CDATA[Grafite]]></category>
		<category><![CDATA[Laura Hirata Vale]]></category>
		<category><![CDATA[Marcos Pimentel]]></category>
		<category><![CDATA[Pele]]></category>
		<category><![CDATA[Pintura]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Tempero Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Urbano]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Coroa]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31902</guid>

					<description><![CDATA[<p>Laura Hirata-Vale O toque pode ser áspero, macio, quente ou gelado. Pode ter uma sensação seca ou hidratada. O maior órgão do corpo humano é a pele e é por meio dela que é possível não só sentir a dor e a temperatura, mas também as conexões se formarem, os pelos eriçarem e os sentimentos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pele-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Escrevemos nos muros o que sentimos na Pele"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/pele-critica/">Escrevemos nos muros o que sentimos na Pele</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31911" aria-describedby="caption-attachment-31911" style="width: 504px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31911" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-4.jpg" alt="Cena do documentário Pele, de 2021. A imagem mostra um apoio de viaduto, em que a metade inferior possui um grafite de uma mulher deitada, em tons de vermelho, com cabelos pretos. Em frente ao grafite, há uma mulher branca, de cabelos escuros e roupas pretas praticando ioga" width="504" height="284" /><figcaption id="caption-attachment-31911" class="wp-caption-text">No meio de uma avenida movimentada, pode-se achar um momento de calma (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Laura Hirata-Vale</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O toque pode ser áspero, macio, quente ou gelado. Pode ter uma sensação seca ou hidratada. O maior órgão do corpo humano é a pele e é por meio dela que é possível não só sentir a dor e a temperatura, mas também as conexões se formarem, os pelos eriçarem e os sentimentos se aflorarem. É na pele que escrevemos lembretes, tatuamos frases, desenhos e lembranças. Os muros e as paredes das cidades também passam por um processo parecido: por meio de escritos, desenhos e lambe-lambes, as superfícies das florestas de concreto se colorem, e são aquecidas e resfriadas com o passar do dia. No documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Pele</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2021) – dirigido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jRVh1q0CENA"><span style="font-weight: 400;">Marcos Pimentel</span></a><span style="font-weight: 400;">, produzido pela Tempero Filmes e distribuído pela Embaúba Filmes – a relação entre o meio urbano, a arte e a manifestação de ideias é explorada de forma simples, musical, cotidiana e cheia de denúncias. </span></p>
<p><span id="more-31902"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Presente no </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">27º Festival É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> – na Competição Brasileira de Longas e Médias-Metragens –, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pele</span></i><span style="font-weight: 400;"> só chegou às salas de cinema em 2023. Extremamente urbano, o filme mostra sem rodeios imagens das paredes e dos muros de Belo Horizonte, São Paulo e do Rio de Janeiro, e funciona como um retrato das cidades e metrópoles brasileiras. As construções, além de guardarem seu valor histórico por causa de sua arquitetura e engenharia, são responsáveis por manter a expressão humana viva. Por meio de seus desenhos, grafites e palavras de protesto, os prédios, casas e edificações contam o que aconteceu na história, e documentam – de forma criativa e cheia de força – o presente momento. </span></p>
<figure id="attachment_31909" aria-describedby="caption-attachment-31909" style="width: 504px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31909" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-7.jpg" alt="Cena do documentário Pele, de 2021. A imagem contém uma parede amarela, com os escritos “FORA BOZO” grafitados em caixa alta, na cor vermelha." width="504" height="284" /><figcaption id="caption-attachment-31909" class="wp-caption-text">Palavras de protesto nas paredes mostram a força da população (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Repleto de imagens estáticas e planas, com poucos movimentos, o documentário de 75 minutos envolve o espectador, de uma forma que lembra uma exposição de arte em um museu. As gravações, quando adicionadas à trilha sonora – feita por Vitor Coroa, responsável pela mixagem de som de diversos episódios do </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast</span></i> <a href="https://open.spotify.com/episode/11Czpujf5gZxN7ShY6BNKM?si=e7862a6f045c429c"><i><span style="font-weight: 400;">Rádio Escafandro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – proporcionam uma imersão no mundo de linhas, cores e tons dos centros urbanos. Além disso, a mistura dos sons, cenas e músicas são fiéis à experiência de andar a pé ou de carro nas cidades – ouvimos música, vemos os registros nas paredes, mas nem sempre prestamos atenção neles. E é esse o propósito de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pele</span></i><span style="font-weight: 400;">: mostrar os escritos e desenhos, e nos fazer cientes deles. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">Eu sempre gostei de caminhar pelas cidades prestando atenção no que está presente nos muros, paredes e estruturas de concreto.</span></i><span style="font-weight: 400;"> – Marcos Pimentel</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem depoimentos e composto somente dos barulhos e das imagens da cidade, o documentário assume uma forma única e singela de contar a história dos muros. Com ‘sons’ de arquivo – como gritos de manifestações, como “</span><a href="https://www.politize.com.br/manifestacoes-fora-temer-entenda/"><i><span style="font-weight: 400;">Fora Temer!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ele não!</span></i><span style="font-weight: 400;">”, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Lula Livre!</span></i><span style="font-weight: 400;">” e muitos “</span><i><span style="font-weight: 400;">Fora Bolsonaro!</span></i><span style="font-weight: 400;">”– combinando com os seus respectivos protestos escritos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pele</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz um recorte da história recente do Brasil, principalmente ao mostrar o que ocorreu na política brasileira entre 2016 e 2019. Assistir esse panorama é ainda mais emocionante quando se pensa nas eleições de 2022, após as dores e medos que as de 2018 trouxeram para a Arte e para o </span><a href="https://www.institutodecinema.com.br/mais/conteudo/bolsonaro-e-o-risco-que-representa-ao-cinema-brasileiro-"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31908" aria-describedby="caption-attachment-31908" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31908" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-4.png" alt="Cena do documentário Pele, de 2021. A imagem mostra uma paisagem urbana, cheia de prédios de variadas alturas. Algumas construções possuem grafites coloridos. No primeiro plano, três pessoas aparecem andando; atrás delas, um homem branco, usando roupas pretas, faz uma parada de mão." width="1366" height="768" /><figcaption id="caption-attachment-31908" class="wp-caption-text">As sobreposições de pessoas, concreto e pinturas constroem o meio urbano (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o documentário, conseguimos ver camadas de uma cidade. A tinta, as construções e o som são os personagens principais da obra, assim como seus momentos peculiares. Uma mulher fazendo ioga na calçada de uma avenida movimentada; um garoto sambando em frente aos grafites; um homem praticando </span><a href="https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/parkour-o-que-e-beneficios-e-por-onde-comecar,5ac98be47e10780f32b7d128f3e2f286gopluoy2.html"><i><span style="font-weight: 400;">parkour</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em meio ao concreto mostram como a urbanidade é formada de instantes, e como o conjunto de todos esses movimentos constituem as metrópoles. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As camadas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pele </span></i><span style="font-weight: 400;">também mostram – de forma muito explícita – como as paredes e muros pintados são o cenário de muita desigualdade social. Na frente das cores, há moradores de rua, pobreza e destruição; e, em um contraponto, existem muitos ensaios fotográficos e </span><i><span style="font-weight: 400;">selfies</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, ao mesmo tempo, os edifícios também possuem </span><a href="https://personaunesp.com.br/racionais-mcs-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">palavras de denúncia</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de pinturas e desenhos fotografados como belos feitos. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Chega de higienização social</span></i><span style="font-weight: 400;">”, “</span><i><span style="font-weight: 400;">polícia assassina</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">VENDE-SE CARNE NEGRA TEL: 190</span></i><span style="font-weight: 400;">” são algumas das frases que chocam e impactam, por mostrarem a violência nas ruas brasileiras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a todas as denúncias e protestos, há também a manifestação do </span><a href="https://personaunesp.com.br/rr-critica/"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> e da paixão. Como um paralelo às cantigas de amor do Trovadorismo e a todos os sentimentos do Romantismo, é possível perceber como o romance ainda persiste nas paredes e nos muros. Indo de frases emotivas como “</span><i><span style="font-weight: 400;">essa eu fiz pra ela!!</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">procura-se aluguel em um coração vazio</span></i><span style="font-weight: 400;">” até frases cheias de luxúria e erotismo, como “</span><i><span style="font-weight: 400;">é preciso (m)amar</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">faça amor hoje</span></i><span style="font-weight: 400;">”, vemos como o amor existe e resiste, mesmo em centros urbanos tão rápidos e corridos.</span></p>
<figure id="attachment_31910" aria-describedby="caption-attachment-31910" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31910" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-4.png" alt="Cena do documentário Pele, de 2021. A imagem mostra uma parede de cor branca, e um portão azul-claro. No portão, há o escrito “amor existe resiste”, em caixa alta, na cor azul-escuro." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-4.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-4-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31910" class="wp-caption-text">As paredes com escritos são as novas árvores com iniciais engravadas (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o documentário, chegamos à camada da hipoderme, a mais profunda do maior órgão do corpo. Nossa casca defensora, que nos protege de possíveis infecções, dores e doenças, também é a responsável por identificar toques, sentimentos e sensações. Percebemos como os centros urbanos são a casa da arte, da manifestação e do protesto, e como eles são importantes para a vida. Vemos como as cidades refletem o que vivenciamos – por meio dos desenhos, escritos e lambe-lambes nos muros e paredes, é possível perceber tudo o que sentimos na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pb73xDbYhCo"><i><span style="font-weight: 400;">Pele</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/pele-critica/">Escrevemos nos muros o que sentimos na Pele</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/pele-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31902</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Circuito Cineclubes Sesc – Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos ecoa sua voz na espiritualidade</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/chuva-e-cantoria-na-aldeia-dos-mortos-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/chuva-e-cantoria-na-aldeia-dos-mortos-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Mar 2023 18:11:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Chuva é cantoria na aldeia dos mortos]]></category>
		<category><![CDATA[Circuito Cineclubes]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Embaúba Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Cannes]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Inhãc Krahô]]></category>
		<category><![CDATA[Inhãc Krahô]]></category>
		<category><![CDATA[Jamily Rigonatto]]></category>
		<category><![CDATA[João Salaviza]]></category>
		<category><![CDATA[Krahô]]></category>
		<category><![CDATA[Luto]]></category>
		<category><![CDATA[Morte]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Cinema é Direito]]></category>
		<category><![CDATA[Pajé]]></category>
		<category><![CDATA[Pedra Branca]]></category>
		<category><![CDATA[Persona no Sesc]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Questões Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Renné Messora]]></category>
		<category><![CDATA[SESC]]></category>
		<category><![CDATA[Sesc Bauru]]></category>
		<category><![CDATA[The Dead and The Others]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=30526</guid>

					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Por muito tempo, o Cinema retratou os povos indígenas moldados por óticas brancas, completamente envoltas de estigmas e equívocos. Essas imagens se fixaram no imaginário popular e, muitas vezes, a descrição que temos dos nativos é animalizada, preconceituosa e intolerante. Fugindo desse movimento, os diretores Renné Messora e João Salaviza trouxeram às telas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chuva-e-cantoria-na-aldeia-dos-mortos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Circuito Cineclubes Sesc – Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos ecoa sua voz na espiritualidade"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/chuva-e-cantoria-na-aldeia-dos-mortos-critica/">Circuito Cineclubes Sesc – Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos ecoa sua voz na espiritualidade</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30528" aria-describedby="caption-attachment-30528" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30528 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1..jpg" alt="Cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Na imagem está o protagonista, Inhac Krahô. Ele é um homem indígena de cabelos pretos lisos na altura dos ombros. Ao fundo há uma cachoeira. A imagem é azulada e se passa a noite." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1..jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30528" class="wp-caption-text">Apresentado no Festival de Cannes em 2018 e vencedor do Prêmio Especial do Júri, Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos dá protagonismo ao povo Krahô (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por muito tempo, o </span><a href="https://tribunadepetropolis.com.br/noticias/a-figura-do-indigena-no-cinema-de-objeto-a-sujeito-das-telas/"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> retratou os povos indígenas moldados por óticas brancas, completamente envoltas de estigmas e equívocos. Essas imagens se fixaram no imaginário popular e, muitas vezes, a descrição que temos dos nativos é animalizada, preconceituosa e intolerante. Fugindo desse movimento, os diretores Renné Messora e João Salaviza trouxeram às telas </span><i><span style="font-weight: 400;">Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos </span></i><span style="font-weight: 400;">(2018). O filme, gravado na Aldeia da Pedra Branca em Tocantins, é um registro contemplativo e profundo dos Krahô e sua grandeza espiritual, e integrou a Mostra </span><a href="https://www.sescsp.org.br/circuito-cineclubes-na-tela-do-sesc-bauru/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema é Direito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><span style="font-weight: 400;">Sesc Bauru</span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-30526"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na produção, somos guiados por Inhãc </span><a href="https://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2015/09/povo-kraho-mantem-grande-parte-da-cultura-preservada-no-tocantins.html"><span style="font-weight: 400;">Krahô</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Henrique Inhãc Krahô), que acaba de perder o pai e enfrenta um dilema sobre despedida e futuro. Vitimado pelo próprio sentir, ele acaba saindo da linha definida pela obrigação e passando por uma jornada em busca da cura. Como filho mais velho, é seu dever realizar a festa de fim de luto do patriarca e permitir que a alma se encaminhe para a Aldeia dos Mortos; no entanto, os sentimentos do jovem contrariam os caminhos da própria ancestralidade e dos costumes tradicionais.</span></p>
<figure id="attachment_30529" aria-describedby="caption-attachment-30529" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30529 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2..jpg" alt="Cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Na imagem está Inhac Krahô. Ele é um homem indígena de cabelos pretos lisos na altura dos ombros e está vestindo uma camiseta bege. O personagem está na caçamba de um carro e ao fundo há uma estrada de terra e árvores." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2..jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30529" class="wp-caption-text">Messora faz trabalhos de registro na Aldeia da Pedra Branca desde 2009, e Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é seu primeiro trabalho de direção (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ter um roteiro – também escrito pelos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iveKAVD2xpA"><span style="font-weight: 400;">diretores</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, o que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos </span></i><span style="font-weight: 400;">especial é a forma como a narrativa mistura o mundo ficcional e documental. Enquanto somos levados pela jornada do protagonista, também acompanhamos o ritmo natural da vida na Aldeia da Pedra Branca. As cenas carregam consigo uma autonomia gerada pela própria existência das pessoas naquele espaço. As plantações, casas, ritos e brincadeiras são honestas e em nenhum momento parecem invadidas pela filmagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse ponto tem muito a ver com a forma escolhida por Renné no </span><a href="https://www.esquinadacultura.com.br/post/diretores-falam-sobre-desafios-de-chuva-e-cantoria-na-aldeia-dos-mortos"><span style="font-weight: 400;">processo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinegrafia. Captadas por uma só câmera ao longo de nove meses, as imagens não são apressadas e carregam um ar de observação. O formato nos coloca em um papel literal de telespectadores; não nos é e nem deve ser permitido interferir no que acontece na aldeia. Assim, a natureza e o envolvimento espiritual dos indivíduos com aquele universo são retratados com respeito e fidelidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Natureza essa que poderia muito bem ser classificada como uma personagem. Entre pássaros e vegetação, a fauna e a flora representam grande parte dos componentes da produção. A cultura de </span><a href="https://akatu.org.br/povos-indigenas-muito-mais-que-guardioes-das-florestas/"><span style="font-weight: 400;">plantação familiar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outras questões do gênero se mostram essenciais, mesmo que os diálogos não se pautem nisso. Em um aspecto geral, a conversação quase sempre é secundária e deixa o primordial para o imagético.</span></p>
<figure id="attachment_30530" aria-describedby="caption-attachment-30530" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30530 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3..jpg" alt="Cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Na imagem estão Kôtô e Tepto. Ela é uma mulher indígena de cabelos lisos pretos longos. Ele é uma criança indígena de cabelos pretos lisos na altura dos ombros. Os dois estão na caçamba de um caminhão. Ao fundo há uma estrada de terra e árvores." width="1024" height="613" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3..jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3.-800x479.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3.-768x460.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30530" class="wp-caption-text">Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos ganhou força no cenário internacional com o nome de The Dead and The Others (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Inhãc, a morte também representa um novo início. Com o devido adeus, ele deve se tornar Pajé. O título não o agrada e essa insatisfação gera sintomas físicos, a ponto de serem sentidos como uma doença. Em sua percepção, é possível fugir disso, mesmo com essas dores indo muito além do plano físico. Nessa movimentação, acontece a mudança de cenário da </span><a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4172"><span style="font-weight: 400;">aldeia</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a cidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No mundo urbano, o racismo da população e a indiferença do Estado em relação aos indígenas ficam escancarados. A busca por ajuda não é levada a sério e o despreparo dos </span><a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/noticia/212610"><span style="font-weight: 400;">profissionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> para receber um Krahô causam um incômodo ímpar. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganham um tom muito diferente do que tinham até então, dando lugar a uma violência velada. Ainda assim, os autores do desprezo não ganham destaque e seus rostos nunca aparecem com clareza, como se a branquitude fosse apagada pela própria hostilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da tentativa, a fuga é falha e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> vence a corrida contra Inhãc, que retorna para casa. A cantoria, esperada por todo o longa-metragem, se concretiza e olhar não pode mais se direcionar ao passado. Ao não conseguir deixar o apego pelo pai em páginas anteriores, o jovem não tem escolha a não ser se encaminhar para a Aldeia dos Mortos. O destino se mostra implacável e escapar das forças guias não é uma escolha.</span></p>
<figure id="attachment_30527" aria-describedby="caption-attachment-30527" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30527 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4..jpg" alt="Cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Na imagem estão Inhac, Kôtô e Tepto. Os três estão deitados no chão, Inhac é o único acordado e encara o céu. A imagem é escura e se passa à noite." width="1920" height="1151" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4..jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-768x460.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-1536x921.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-1200x719.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30527" class="wp-caption-text">O elenco de Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é formado por indígenas Krahô e o filme é uma coprodução luso brasileira (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme trata de muitos assuntos, partindo do universo da espiritualidade e chegando até a influência branca na vivência indígena. Entre a dor da perda e os </span><a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/noticia/6521"><span style="font-weight: 400;">fantasmas</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixados pela colonização, os que da terra são pioneiros performam a pluralidade em suas muitas significações. Talvez a produção não agrade todos os públicos, mas é inegavelmente um tesouro do Audiovisual. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um mundo onde a importância da </span><a href="https://cimi.org.br/terras-indigenas/demarcacao/"><span style="font-weight: 400;">demarcação</span></a><span style="font-weight: 400;"> territorial é negada e os povos nativos são despersonalizados, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos</span></i><span style="font-weight: 400;"> retoma uma resistência que nunca perdeu força e tem suas raízes firmadas em espaços além dos carnais. Sob os pingos de chuva, a cantoria nunca pôde ser silenciada.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos | Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/WeZp8_BX0Jk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/chuva-e-cantoria-na-aldeia-dos-mortos-critica/">Circuito Cineclubes Sesc – Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos ecoa sua voz na espiritualidade</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/chuva-e-cantoria-na-aldeia-dos-mortos-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">30526</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
