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	<title>Arquivos Eleições &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>No Céu da Pátria Nesse Instante tem desfecho nublado para o Brasil</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Oct 2024 17:17:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Selecionado no Festival de Brasília e no Festival do Rio, No Céu da Pátria Nesse Instante é um documentário dirigido por Sandra Kogut que também faz parte da seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O filme narra as eleições presidenciais de 2022 que culminam nos ataques de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/no-ceu-da-patria-nesse-instante-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "No Céu da Pátria Nesse Instante tem desfecho nublado para o Brasil"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34215" aria-describedby="caption-attachment-34215" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34215" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-6-800x431.png" alt="Cena do filme No Céu da Pátria Nesse InstanteNa imagem, um homem dirige uma moto, enquanto uma mulher com um colete escrito Justiça Eleitoral nas costas está na garupa. Eles estão de costas e na frente deles, em desfoque, há uma caminhonete com pessoas em cima que vestem camisetas verdes e amarelas, uniformes da seleção de futebol brasileira e usam bandeiras do país. Há também motos com pessoas que vestem o mesmo tipo de roupa. Também é possível ver casas no horizonte. A mulher e o homem estão na faixa dos 40 anos. " width="800" height="431" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-6-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-6-1024x551.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-6-768x414.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-6.png 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34215" class="wp-caption-text">O longa foi selecionado para a 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Ocean Films)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Selecionado no Festival de Brasília e no Festival do Rio, </span><i><span style="font-weight: 400;">No Céu da Pátria Nesse Instante</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um documentário dirigido por Sandra Kogut que também faz parte da seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme narra as eleições presidenciais de 2022 que culminam nos ataques de </span><a href="https://jornal.usp.br/artigos/o-que-foi-o-8-de-janeiro/"><span style="font-weight: 400;">8 de Janeiro de 2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> contra o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Em entrevista para o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lq4HsbD6xIk"><span style="font-weight: 400;">Canal Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, a diretora diz que começou o projeto no final de 2021. O ato dos apoiadores de Bolsonaro é o calcanhar de Aquiles não só da democracia, mas da produção também.</span></p>
<p><span id="more-34214"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com duração aproximada de 105 minutos, pelo menos 90 minutos são dedicados ao período de Agosto e Dezembro de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/eleicoes/2022/"><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, tornando bem raso as impressões à respeito dos ataques, que parecem ser o foco do filme. A abertura são imagens do 8 de Janeiro, mas que só voltam a aparecer no final, prejudicando as ideias porque a partir da montagem e narrativa, nota-se que Kogut quer expressar uma ode à democracia e a felicidade de um Brasil livre de Bolsonaro, no entanto, no meio do caminho, uma ideia oposta colocou em xeque essas convicções. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dessa falta de profundidade acerca do ocorrido, </span><i><span style="font-weight: 400;">No Céu da Pátria Nesse Instante</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue dar a volta por cima e fixar duas mensagens polarizadas, assim como está sendo a realidade brasileira. A penúltima cena é um dos personagens eleitores de Bolsonaro duvidando da legitimidade da urna eleitoral e afirmando que ele e a diretora vivem em países diferentes, pois recebem informações contraditórias. Enquanto isso, o último </span><i><span style="font-weight: 400;">take</span></i><span style="font-weight: 400;"> e os créditos são bailados pela música </span><a href="https://youtu.be/gilUNUWcCc0?si=6OIIPecw6RD0TMfe"><i><span style="font-weight: 400;">Tá Na Hora do Jair Já Ir Embora</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, comemorando a vitória de Lula e da democracia; apesar de uma significativa quantidade de pessoas mergulhadas em desinformação e manipulação, a esquerda venceu.</span></p>
<figure id="attachment_34216" aria-describedby="caption-attachment-34216" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34216" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-7-800x333.png" alt="Cena do filme No Céu da Pátria Nesse InstanteNa imagem, muitas pessoas vestindo bandeira do Brasil e verde e amarelo estão em volta do exército brasileiro, que tenta impedir o avanço das pessoas. Elas estão filmando com o celular e levantando as mãos. O exército está em pouca quantidade e se protege com escudos." width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-7-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-7-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-7-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-7.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34216" class="wp-caption-text">‘Patriotas’ vandalizaram prédios públicos (Foto: Ocean Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande truque da diretora, seja em prol da narrativa ou para efeito de humor, é criar paralelos e rimas visuais. A construção dessa ideia de um Brasil dividido, vem aparecendo desde o começo, com um personagem que vende toalhas de Lula e Bolsonaro. Apesar de ser eleitor deste, ele não se importa de vender produtos da oposição, afinal “</span><i><span style="font-weight: 400;">aqui é CNPJ</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A </span><a href="https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2024/10/filme-de-sandra-kogut-sobre-eleicoes-e-selecionado-para-maior-festival-de-docs-do-mundo.ghtml"><span style="font-weight: 400;">diretora</span></a><span style="font-weight: 400;">, inclusive, não poupa o público de saber sua posição política, ela está contra Bolsonaro e a favor de Lula. Enquanto os eleitores de Lula e os mesários são filmados por vários pontos de vista, o outro lado é guiado por apenas uma família. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O filme se concentra nas mulheres e como elas foram protagonistas nesse evento, seja na campanha contra o ex-presidente, na denúncia de boca de urna ou trabalhando como mesárias e instruindo a população a saber votar. Há algumas cenas de comparação, que vem seguida da outra, mostrando a reação dos eleitores durante a contagem de votos e logo após o resultado. A direita se apoiando em Deus, fazendo uma roda de oração e a esquerda alegre, rindo e cantando. Sandra Kogut é bem corajosa e não fica em cima do muro, não há espaço para </span><a href="https://catarinas.info/fabiana-moraes-e-a-pauta-como-arma-de-combate-ao-fascismo-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">objetividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e neutralidade quando o assunto é política e Cinema.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">No Céu da Pátria Nesse Instante</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um bom documentário, mas com ausência de uma conclusão melhor. Kogut não é protagonista e a câmera tem uma posição muito forte de impessoalidade, o que deixa essa Arte subjetiva é a montagem e escolha de narrativa. Não é um ponto ruim, porém, um confronto mais direto com a filmagem ou até mesmo relatos da equipe sobre a dificuldade de realizar o projeto, principalmente quando no meio do caminho acontece o </span><a href="https://www.observatoriodaimprensa.com.br/democracia/se-triunfasse-o-golpe-de-8-de-janeiro-de-2023-nao-haveria-o-6-de-outubro-de-2024/"><span style="font-weight: 400;">8 de Janeiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem dúvidas, tornaria a experiência mais estimulante e melhor. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="No Céu da Pátria Nesse Instante - Teaser" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/v8J8vzob3BQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Boys State: meninos mimados estão regendo a nação</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Aug 2021 21:31:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra A aspiração de homens brancos pela política é um dos fatos mais óbvios deste mundo. Dos números às suas interpretações, algo é compreendido: não há lugar melhor para indivíduos criados como os donos do futuro darem vazão às suas síndromes de poder do que um ambiente institucional deliberativo. Os Parlamentos sabem bem disso, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/boys-state-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Boys State: meninos mimados estão regendo a nação"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22610" aria-describedby="caption-attachment-22610" style="width: 2547px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22610" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-1-8.jpg" alt="" width="2547" height="1062" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-1-8.jpg 2547w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-1-8-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-1-8-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-1-8-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-1-8-1536x640.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-1-8-2048x854.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-1-8-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22610" class="wp-caption-text">Indicado a Melhor Documentário ou Especial de Não-Ficção no Emmy 2021, Boys State é um retrato agridoce do presente e do futuro (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A aspiração de homens brancos pela política é um dos fatos mais óbvios deste mundo. Dos números às suas interpretações, algo é compreendido: não há lugar melhor para indivíduos criados como os donos do futuro darem vazão às suas <a href="https://personaunesp.com.br/alvorada-critica/">síndromes de poder</a> do que um ambiente institucional deliberativo. Os Parlamentos sabem bem disso, as Câmaras sabem bem disso, os Palácios, Tribunais, Prefeituras e Senados, todos ocupados por uma maioria masculina branca na </span><a href="https://www.ibgc.org.br/blog/mulheres-politica-acesso-feminino-aos-cargos-politicos"><span style="font-weight: 400;">em boa parte dos governos do mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">, sabem muito bem disso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho de base é forte, começando com a própria existência destes numa sociedade racista e patriarcal. E na chamada </span><a href="https://l.facebook.com/l.php?u=https%3A%2F%2Ftheintercept.com%2F2020%2F10%2F20%2Feua-fazem-de-tudo-para-impedir-negros-e-latinos-de-votar%2F%3Ffbclid%3DIwAR3SYJ2Sc6-i7ARg8mSX9p-0bHeevM-fTJBQCSX8hEEM50ssPGJRRntIIVI&amp;h=AT1NhAwzVPkyL4tRbX7fzi49zE_0DbzZB_XgbocPWXH5L7igz081h-aYykzDKCK_BiLaa9Urw2xsSs2xfThlhjnVQdCAgkUhRAfNjNTXXEh9LgST68np9QqZoP12y0UW3Ft1&amp;__tn__=-UK-R&amp;c[0]=AT3jKBOEN8w40fm-HzznM0Qu9ODnAxWIMPDmDX1wv67PKRUmn1YC1nT6ihdX5ksfh1EanoZ75v9Jsjq3AqL6PsYGf8ZfWo0Ev409OZKv0UdqjUdtqq8_pFngX9Lw-hfgKXvyVbKYYhdCIsaHsB8wbT7-_HUb0APTtAIC_j2aMbhp_FY"><i><span style="font-weight: 400;">maior democracia do mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o processo é favorecido por algumas iniciativas, que junto da ação das estruturas de poder do século 21, trabalham para evocar nesses futuros líderes as suas noções políticas. Uma delas é o </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;">, um programa de verão realizado desde 1937 em cada um dos estados dos EUA pela </span><a href="https://www.legion.org/"><span style="font-weight: 400;">Legião Americana</span></a><span style="font-weight: 400;">, entidade formada por veteranos de guerra estadunidenses. Todo ano, os membros da instituição escolhem 1.200 jovens para participar do projeto que cria o </span><i><span style="font-weight: 400;">estado dos meninos</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde eles vivem a experiência de construir um governo do zero.</span></p>
<p><span id="more-22609"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretriz principal é a </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/um-guia-para-entender-eleicao-americana/"><span style="font-weight: 400;">Constituição dos Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas o governo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem de existir à sua própria maneira, sem a influência direta dos partidos que regem as reais movimentações políticas no país. Então, os jovens são divididos no mesmo esquema </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/zeitgeist-o-bipartidarismo-nos-estados-unidos/a-36385808"><span style="font-weight: 400;">bipartidário</span></a><span style="font-weight: 400;"> para criar sua própria identidade, escolher suas próprias lideranças, defender suas próprias bandeiras e articular sua própria campanha, dividida nas tradicionais eleições primárias e gerais. Ao fim da jornada, dentre os nacionalistas e os federalistas, serão escolhidas as autoridades de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22611" aria-describedby="caption-attachment-22611" style="width: 2144px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22611" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-2-8.jpg" alt="" width="2144" height="1608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-2-8.jpg 2144w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-2-8-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-2-8-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-2-8-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-2-8-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-2-8-2048x1536.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-2-8-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22611" class="wp-caption-text">Não serei injusta: é preciso saber que na mesma ideia do Boys State, existe também o Girls State, que por sua vez, é organizado pela Legião Americana Auxiliar, uma entidade composta por esposas, mães, filhas, netas e irmãs dos veteranos de guerra americanos; demais o senso de igualdade, não? (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o processo, é esperado que os ânimos se exaltem vez ou outra, diante de um assunto aqui e outra pauta lá, ou que a sensação de poder daqueles adolescentes cresça para além do previsto em alguma deliberação pontual. Na edição de 2017, porém, algo em específico no meio daquele alto índice de masculinidade juvenil por metro quadrado que mexia com a demografia do Texas chamou a atenção. Em uma de suas votações simbólicas, o grupo de jovens que formavam o programa do estado </span><a href="https://www.washingtonpost.com/news/morning-mix/wp/2017/06/26/in-a-first-texas-boys-state-votes-to-secede-from-the-union/"><span style="font-weight: 400;">aprovou uma proposta de separação</span></a><span style="font-weight: 400;"> do resto do país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fato repercutiu no país inteiro, pois apesar de o movimento de secessão do Texas existir há cerca de 150 anos, ele nunca havia sido encarado como algo realmente capaz de alterar a composição da força política que atende por Estados Unidos. Mas a adesão daqueles adolescentes aos ideais separatistas despertou a população local a pensar sobre como a juventude enxergava sua cidadania, a democracia e a própria sociedade estadunidense. Nesse contexto, a preocupação atingiu a dupla de documentaristas </span><a href="http://www.jessemoss.com/About"><span style="font-weight: 400;">Jesse Moss</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.nostudios.com/amanda-mcbaine"><span style="font-weight: 400;">Amanda McBaine</span></a><span style="font-weight: 400;">, que colocaram suas câmeras para acompanhar a edição de 2018 do </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> do Texas, decididos a compreender como as relações políticas se estabelecem ali.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E bom, o que o documentário encontra faz jus à polêmica. Registrando desde as fases iniciais de preparação do programa até o desfecho do processo eleitoral que é a razão de cada um daqueles adolescentes estar ali, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> já parte de uma premissa: a maior surpresa que pode nascer do programa não é o comportamento de seus participantes em si, mas a reação da sociedade ao descobrir até onde seus meninos podem chegar seguindo ideais que são </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/conservadorismos-eua-cabrita-iep/"><span style="font-weight: 400;">absolutamente tradicionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> na política estadunidense.</span></p>
<figure id="attachment_22612" aria-describedby="caption-attachment-22612" style="width: 1825px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22612" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-3.png" alt="" width="1825" height="798" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-3.png 1825w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-3-800x350.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-3-1024x448.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-3-768x336.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-3-1536x672.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-3-1200x525.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22612" class="wp-caption-text">O Boys State teve a participação de alguns nomes famosos na política norte-americana, como Bill Clinton e Dick Cheney, e também de figuras não-políticas, como Michael Jordan e Bruce Springsteen (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os primeiros minutos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostram algumas cenas das entrevistas dos jovens com os membros da Legião Americana, no processo inicial de seleção dos participantes do programa. No fio do documentário, o momento significa conhecer alguns dos personagens, que têm figuras religiosas cristãs como modelo de vida, vêm de famílias militares e se dizem viciados em política. Conforme os veteranos de guerra assentem, eles continuam a contar que acreditam que </span><a href="https://www.researchgate.net/publication/325077754_Vigilantes_da_moral_e_dos_bons_costumes_condicoes_sociais_e_culturais_para_a_estruturacao_politica_da_censura_durante_a_ditadura_militar"><span style="font-weight: 400;">bons costumes</span></a><span style="font-weight: 400;"> são o que formam uma sociedade saudável, e que “</span><a href="https://infame.us/2017/08/14/o-trabalho-dignifica-o-homem/"><span style="font-weight: 400;">o trabalho é o que nos faz ir longe</span></a><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo, as etapas do programa avançam e já estamos dentro de um ônibus indo para o lugar onde aquele grupo de adolescentes estabelecerá seu governo. No caminho, eles se conhecem dividindo suas impressões sobre a situação política do país, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece querer demonstrar uma pluralidade de pensamentos que não existe, pulando de comentários relacionados à gestão caótica de Donald Trump, à opiniões radicais sobre a presidência de Barack Obama. Sobre </span><a href="https://oglobo.globo.com/mundo/oito-mulheres-que-acusam-trump-de-assedio-sexual-20283048"><span style="font-weight: 400;">o republicano assediador</span></a><span style="font-weight: 400;">, a opinião que se destaca é a de que não devemos criticar o presidente mesmo não concordando com o que ele faz. Quando o assunto é o líder democrata, eles explodem em desgosto com a sua política “</span><a href="https://exame.com/revista-exame/o-capitalismo-segundo-obama/"><i><span style="font-weight: 400;">quase socialista</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida em que </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> avança na jornada daqueles jovens, o espectador, os diretores e os adolescentes já imaginam onde é que esse fervor todo vai dar, cada um à sua maneira. Presenteado com uma narrativa orgânica que nasce daquele bando de garotos inflamados e obstinados em todos os altos e baixos de uma legítima campanha política, o documentário é quase um </span><i><span style="font-weight: 400;">reality show</span></i><span style="font-weight: 400;">, cheio de ritmo. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> trabalha de uma maneira muito interessante, aproximando as concepções de história (enquanto narrativa) e política (enquanto exercício): nos dois aspectos, </span><a href="http://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/jspui/handle/riufcg/6709"><span style="font-weight: 400;">existem personagens</span></a><span style="font-weight: 400;">, desesperados por alcançar um desenvolvimento notável.</span></p>
<figure id="attachment_22613" aria-describedby="caption-attachment-22613" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22613" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-4-2.jpeg" alt="" width="2560" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-4-2.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-4-2-800x422.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-4-2-1024x540.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-4-2-768x405.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-4-2-1536x810.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-4-2-2048x1080.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-4-2-1200x633.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22613" class="wp-caption-text">A parceria entre Jesse Moss e Amanda McBaine é de longa data e já reconhecida: em 2014, a dupla chegou perto de uma indicação ao Oscar de Melhor Documentário com The Overnighters (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ciclo narrativo continua e a salvação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece chegar através de um jovem passional chamado </span><a href="https://www.instagram.com/stevenagarza/"><span style="font-weight: 400;">Steven Garza</span></a><span style="font-weight: 400;">, que não demora a se transformar num dos personagens principais do filme. Filho de imigrantes mexicanos que foram ilegais por muito tempo nos EUA, ele diz às câmeras que o Texas é uma representação perfeita da América, pela diversidade de pessoas e culturas que abriga. Suas fortes aspirações políticas mostram outra face daquele lugar dominado pela branquitude juvenil e desenha um outro sentido para </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;">, que Garza defende como uma oportunidade de aprender e com pessoas diferentes longe da baixaria dos comentários do </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O jovem com tendências progressistas cai no partido dos nacionalistas, que contará com a presidência do eloquente </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/08/26/opinion/boys-state-electoral-politics.html"><span style="font-weight: 400;">René Otero</span></a><span style="font-weight: 400;">, um jovem negro militante quase <a href="https://personaunesp.com.br/time-documentario-critica/">abolicionista</a>. Com posicionamentos muito diferentes da maioria ali, os dois enfrentam a liderança federalista que está no implacável </span><a href="https://thecinemaholic.com/where-is-ben-feinstein-from-boys-state-now/"><span style="font-weight: 400;">Ben Feinstein</span></a><span style="font-weight: 400;"> e no aspirante ao maior cargo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;">, o candidato a governador </span><a href="https://www.instagram.com/eddy.proietticonti/"><span style="font-weight: 400;">Eddy Proietti</span></a><span style="font-weight: 400;">, ambos surgindo de algum lugar no meio daqueles jovens conservadores do início, só que com um pouco da ginga que falta em quase tudo relacionado ao espectro político da direita. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> é por si só narrativo, se transformando no ambiente perfeito para o documentário direto e observativo de Jesse Moss e Amanda McBaine. Sem interferir de forma objetiva nos eventos que retrata, o crescimento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> se dá quando o jogo aperta. </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/awards/story/2021-01-04/boys-state-documentary"><span style="font-weight: 400;">A ânsia da política fala mais alto</span></a><span style="font-weight: 400;"> que os ideais daquelas mentes ainda em desenvolvimento, obrigando-os a negociarem parte de seus princípios. Assim, o rumo da história muda e seus personagens se aprofundam, numa progressão invejável a qualquer ficção. O mérito é da </span><a href="https://variety.com/video/amanda-mcbaine-and-jesse-moss-on-the-immersion-of-boys-state/"><span style="font-weight: 400;">visionária direção</span></a><span style="font-weight: 400;"> reconhecida no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> dentre os indicados na categoria de Melhor Documentário/Programa de Não-Ficção. </span></p>
<figure id="attachment_22614" aria-describedby="caption-attachment-22614" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22614" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-5-4-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1072" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-5-4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-5-4-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-5-4-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-5-4-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-5-4-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-5-4-2048x858.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-5-4-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22614" class="wp-caption-text">&#8220;Se eu comandar uma sala cheia de desordeiros, eu comando qualquer coisa&#8221;, diz Ben Feinstein em um de seus momentos de completa autoconfiança (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre </span><a href="https://www.gq.com/story/the-boys-of-boys-state-might-save-us-all"><span style="font-weight: 400;">um retrato satírico e um registro sério</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> prova que nada é neutro e que os documentários diretos e observatórios podem ter muito mais intenções do que uma narrativa que parte de uma visão definida. Afinal, o que mais pode significar assistir em 2021 um bando de adolescentes que defendem uma limitação de imigração, ampliação de leis pró armas, poder policial, e logo depois de articular como pretendem realizar tudo isso, vão comer uma tigela de cereal colorido com leite? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É essa gente que também acredita numa política que se resume à obsessão por poder através de armas e </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49559871"><span style="font-weight: 400;">controle do corpo feminino</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo </span><a href="https://www.scielo.br/j/csp/a/TqGCTbQg3ZQVYncq6JMkB8H/?lang=pt"><span style="font-weight: 400;">aborto</span></a><span style="font-weight: 400;">. É quem exalta a masculinidade, </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/17/opinion/1547763738_936846.html"><span style="font-weight: 400;">o poder de fogo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a ordem, a punição e a disciplina. Então quando eles se cansam, tiram cochilos ali na assembleia mesmo, e ao acordar, decidem legislar sobre a pronúncia de letras, códigos de vestimentas, hábitos alimentares. Porque quem precisa falar sobre impostos, sistema de saúde e educação pública?</span></p>
<figure id="attachment_22615" aria-describedby="caption-attachment-22615" style="width: 1814px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22615" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-6.png" alt="" width="1814" height="802" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-6.png 1814w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-6-800x354.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-6-1024x453.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-6-768x340.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-6-1536x679.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-6-1200x531.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22615" class="wp-caption-text">O documentário fez sucesso no Festival de Sundance 2020, onde foi adquirido pela <a href="https://personaunesp.com.br/tag/a24/">A24</a>, e era uma forte aposta ao Oscar 2021 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De repente, o </span><i><span style="font-weight: 400;">estado dos meninos</span></i><span style="font-weight: 400;"> fictício que deveria seguir suas próprias determinações faz </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> parecer uma miniatura da nossa realidade. Urgentemente ridículo, o jogo sujo ganha uma competição séria, e percebemos a política viciada justamente no que deveria ser o seu <a href="https://personaunesp.com.br/crip-camp-revolucao-pela-inclusao-critica/">núcleo de renovação</a>. As possíveis futuras lideranças estão identificadas e devidamente encaminhadas, e mesmo com o grande potencial de influências positivas, representativas e fincadas nos preceitos democráticos, o destaque mesmo acaba naqueles que sempre estiveram à frente nas corridas políticas da América.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2017, Criolo até tentou </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2017/06/13/criolo-da-o-recado-meninos-mimados-nao-podem-reger-a-nacao-veja-o-clipe/"><span style="font-weight: 400;">impor limites</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nos avisar sobre a tendência da construção política, numa </span><a href="https://todosnegrosdomundo.com.br/spike-lee-sobre-bolsonaro-estamos-sendo-governados-por-gangsters/"><span style="font-weight: 400;">estrutura de poder mundial</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Spike Lee voltaria a denunciar em julho de 2021. Se esse o nosso futuro é igual ao nosso passado, qual é o nosso presente? A verdade é que a diferença entre eles não importa. Enquanto estivermos no </span><i><span style="font-weight: 400;">estado dos meninos</span></i><span style="font-weight: 400;">, cada um dos nossos dias, mandatos e governos continuarão sendo iguais.</span></p>
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		<title>Decadente, alarmante e polarizada: a Democracia em Vertigem de Petra Costa</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Sep 2019 23:15:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra  Polêmico e contundente, o documentário Democracia em Vertigem chegou à sua terra natal pela Netflix no dia 19 de junho, depois de seu aclamado lançamento no Festival de Cinema Sundance de 2019. Mergulhado nas memórias pessoais e no passado político de sua diretora e roteirista, o filme relembra os contextos sociais e políticos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/democracia-em-vertigem-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Decadente, alarmante e polarizada: a Democracia em Vertigem de Petra Costa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21385" aria-describedby="caption-attachment-21385" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/demom.jpeg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/demom.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/demom-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/demom-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/demom-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21385" class="wp-caption-text">O longa foi apontado pelo The New York Times como um dos melhores filmes do ano, e é o queridinho latino-americano para o Oscar 2020 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>Raquel Dutra </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Polêmico e contundente, o documentário <em>Democracia em Vertigem</em> chegou à sua terra natal pela <em>Netflix</em> no dia 19 de junho, depois de seu aclamado lançamento no Festival de Cinema Sundance de 2019. Mergulhado nas memórias pessoais e no passado político de sua diretora e roteirista, o filme relembra os contextos sociais e políticos em que a figura de Luís Inácio Lula da Silva emergiu, passando pelas eleições ganhas por sua sucessora, Dilma Rousseff, e seu controverso processo de impeachment. O documentário também trata da presidência de Michel Temer, construindo um fio narrativo que busca entender a crise política do país, agravada pelos movimentos de 2013.</span></p>
<p><span id="more-12694"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes mesmo do filme ser lançado e das críticas surgirem, Petra Costa, a diretora e roteirista do filme, já reconhecia o caráter personalista de sua produção. Inclusive, identifica isso como uma de suas características, ao </span><a href="https://www.instagram.com/p/ByqKdkeHZqR/"><span style="font-weight: 400;">falar sobre o lançamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> do documentário no seu perfil do Instagram: “de algum modo, todos os meus filmes falam sobre traumas. (&#8230;) Em Democracia em Vertigem, [o trauma é] o futuro que imaginei pro meu país. A cura começa contando o que aconteceu.” Os registros íntimos de Costa e de sua família funcionam bem na maior parte do filme, como quando ela trata da ditadura militar do Brasil. Apesar das </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/07/petra-costa-adultera-foto-e-exclui-armas-em-cena-de-democracia-em-vertigem.shtml"><span style="font-weight: 400;">controvérsias</span></a><span style="font-weight: 400;">, as imagens são chocantes e Petra não hesita em dissecar toda a história por trás dos registros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o auxílio de uma belíssima trilha sonora que vai de músicas clássicas à samba, muitas emoções nos acompanham ao decorrer do filme, especialmente no trecho que retoma o dia da votação final do impeachment de Dilma no senado e seu discurso. Com uma edição inteligentíssima e vazamentos muito bem relembrados e inseridos na narrativa, Petra destrincha declarações de Lula nas eleições, cenas e falas de figuras como Aécio Neves, Temer e aliados. É interessante também quando <em>Democracia em Vertigem</em> suscita a discussão sobre arbitrariedade de Moro e Dallagnol e as ações da Lava-Jato. Hoje, essa questão se encontra em seu pico de efervescência, mas a produção do filme já a identificava anos atrás. </span></p>
<figure id="attachment_12696" aria-describedby="caption-attachment-12696" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-12696 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2-1-1024x576.png" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2-1-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2-1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12696" class="wp-caption-text">Costa também fala um pouco sobre a ascensão da (extrema-) direita que se faz muito mais presente no nosso cenário político atual; o filme traz uma breve entrevista com Jair Bolsonaro, deputado federal pelo RJ na época (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de pessoal, a lente que busca interpretar a história tão recente do país é de um lugar muito privilegiado dentro da sociedade brasiliense. E assim como a diretora não esconde o lado militante esquerdista de sua família, ela também não esconde o conflitante lado empresário/executivo que carrega em sua árvore genealógica. Em um dado momento, ela abre para o espectador ainda mais a história dos seus antepassados e chega em um avô, que foi um dos fundadores da Construtora Andrade-Gutierrez, empresa envolvida em corrupção em obras públicas deflagradas pela Lava-Jato. De início, essa informação pode parecer irrelevante e exageradamente pessoal, e é aí que a pessoalidade de <em>Democracia em Vertigem</em>, fortalecida pela narração de Costa, pode incomodar ou não funcionar para alguns. Mas ela é importante para que entendamos o olhar pelo qual estamos assistindo toda essa história, bem como os motivos pelos quais a diretora faz o que faz no filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Que fique claro que isso não interfere em nenhum momento as posições que assumidas no documentário, muito pelo contrário. Petra Costa é realmente fiel até mesmo às suas decepções, seja com o Partido dos Trabalhadores, seja com as corrupções da sua família. Nesse momento, a criticada característica personalista de <em>Democracia em Vertigem</em> faz sentido como um todo. A vida da narradora do filme está totalmente imersa na política brasileira, tanto para o ‘bem’ quanto para o ‘mal’. E como nada nunca tem um lado apenas, essa abertura quase escancarada da sua vida particular – que nós não sabemos, mas pode ter lhe custado caro &#8211; comprova a sinceridade da diretora e justifica suas escolhas arriscadas de roteiro.</span></p>
<figure id="attachment_12697" aria-describedby="caption-attachment-12697" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12697" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-3-1.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-3-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-3-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-3-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-12697" class="wp-caption-text">Sindicato dos Metalúrgicos do ABC no dia da prisão do ex-presidente Lula. Tanto para Petra quanto para a classe trabalhadora, o líder metalúrgico é uma das principais decepções retratadas no filme (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra questão também é o que Petra Costa faz com seus privilégios sociais, e nisso ela acerta mais uma vez. A cineasta se empenha em acessar registros privilegiadíssimos, desses que ninguém imaginava que alguém pudesse ter guardado ou que alguém um dia fosse conseguir acessar. Para quem gosta de história, política e arte, <em>Democracia em Vertigem</em> é um presente. Um presente que envolve todo o background de Petra, sua coragem de dar a cara à tapa e todo seu esforço para construir seu fio narrativo da forma mais fiel aos seus sentimentos (traumas, como ela mesma diz) e mais rica para o espectador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, o documentário decepcionará quem for ao seu encontro esperando uma autocrítica aprofundada da esquerda brasileira (eu, por exemplo), muito representada pelo Partido dos Trabalhadores nos últimos anos. Haja visto toda nossa situação atual, olhar para trás com criticidade sempre que possível é extremamente necessário. Isso é muito bem introduzido, mas não atende às expectativas provocadas ao deixar de construir uma análise mais trabalhada sobre os erros do PT e do ex-presidente Lula.</span></p>
<figure id="attachment_12698" aria-describedby="caption-attachment-12698" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-12698 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-4-1024x474.jpg" alt="" width="840" height="389" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-4-1024x474.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-4-300x139.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-4-768x355.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-4.jpg 1100w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12698" class="wp-caption-text">Lula em seu último dia no palácio da alvorada; o registro é de Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial do ex-presidente, que colaborou com Petra em muitos dos registros inéditos presentes no filme (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Também vai se decepcionar quem estiver esperando um fio narrativo imparcial, e diante dessa expectativa realmente não há o que ser feito. A imparcialidade (apesar de vendida como real) não existe nem no meio jornalístico, quem dirá na arte ou história. Costa (e qualquer outra pessoa que produza qualquer produto artístico) não tem obrigação alguma de se despir de suas opiniões, experiências e sentimentos para construir suas narrativas. A única responsabilidade do artista/comunicador é ser sincero em suas colocações e intenções, e isto a diretora de <em>Democracia em Vertigem</em> cumpre bem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sutilmente e para os minimamente desatentos, o filme pode passar a ideia que a democracia brasileira era exemplar, estável e bem estabelecida até a crise que começa no último mandato de Lula. Bom seria se nossa situação política fosse assim em algum momento, mas nunca foi. Como é trazido no próprio documentário (e aí surge um ponto de contradição), temos um país mal resolvido com seu passado, especialmente com a ditadura. Antes e depois dela nossa democracia nunca foi plenamente funcional e nosso jogo político nunca foi totalmente pensado no povo como uma democracia exemplar deve ser. Talvez, essa democracia irreal seja exatamente o &#8216;sonho efêmero&#8217; sobre o qual tanto é falado no filme.</span></p>
<figure id="attachment_12699" aria-describedby="caption-attachment-12699" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-12699 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-5-1024x768.png" alt="" width="840" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-5-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-5-300x225.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-5-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-5.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12699" class="wp-caption-text">Através da fotografia, entrevistas e registros íntimos, o filme constrói uma proximidade com as figuras públicas surpreendente, especialmente com Dilma Rousseff (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Às vezes, a vida imita a arte, e essa ideia fica subentendida com uma analogia genial à Shakespeare no final do documentário, raciocínio este que apenas um olhar muito sensível à nossa realidade poderia elaborar. Como consequência da articulação muito bem pensada de fatos e registros históricos e a narração próxima, é criado no espectador um sentimento que converge ao da diretora na conclusão do longa. Isto é, a sensação desesperadora da necessidade de encontrarmos soluções diante do momento que estamos vivendo no nosso país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para encerrar citando Petra Costa mais uma vez, essa sensação pode ser resumida com uma das frases finais do documentário: &#8220;<em>Como lidar com a vertigem de ser lançado a um futuro que parece tão sombrio quanto seu passado mais obscuro?</em>&#8221; Seguiremos tentando descobrir, e <em>Democracia em Vertigem</em> nos ajudará nisso.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/democracia-em-vertigem-critica/">Decadente, alarmante e polarizada: a Democracia em Vertigem de Petra Costa</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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