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	<title>Arquivos Editora Alfaguara &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Estante do Persona – Junho de 2024</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Jun 2024 22:32:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com oito histórias que abordam a vivência de pessoas queers, o Estante do Persona deste mês está mais orgulhoso do que nunca! As histórias que serão recomendadas abordam as diferentes camadas do árduo caminho traçado por aqueles que pertencem à comunidade. Para isso, a Redação do Persona separou uma lista especial, com obras que marcaram &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-junho-de-2024/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Junho de 2024"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/estante_wp-junho-20245032859821571816417.jpg" class="wp-image-33614 size-full" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/estante_wp-junho-20245032859821571816417.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/estante_wp-junho-20245032859821571816417-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/estante_wp-junho-20245032859821571816417-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption class="wp-caption-text">Celebrando o mês do orgulho LGBTQIAPN+, a Editoria indica obras queers (Texto de Abertura: Guilherme Machado Leal / Artes: Rafael Gomes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight:400;">Com oito histórias que abordam a vivência de pessoas <em>queers</em>, o </span><span style="font-weight:400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/">Estante do Persona</a></span><span style="font-weight:400;"> deste mês está mais orgulhoso do que nunca! As histórias que serão recomendadas abordam as diferentes camadas do árduo caminho traçado por aqueles que pertencem à comunidade. Para isso, a <strong>Redação do Persona</strong> separou uma lista especial, com obras que marcaram a vida dos membros após a primeira leitura.</span></p>
<p><span style="font-weight:400;">Narrativas ficcionais se tornam confidentes de todo e qualquer leitor, ainda mais se há a possibilidade de se reconhecer nos escritos de um autor. Para as pessoas LGBTQIAPN+, essa identificação possui um objetivo ainda maior: ela auxilia no processo de auto descoberta da sexualidade e mostra como personagens </span><span style="font-weight:400;"><em><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/diversidade/noticia/2022/06/29/o-que-e-ser-queer.ghtml">queers</a></em></span><span style="font-weight:400;"> podem ser plurais. Entre dramas e romances, as indicações deste mês reforçam a diversidade necessária dentro das páginas de um livro.</span></p>
<p><span style="font-weight:400;">Em Junho, o foco é o aprofundamento dos integrantes da comunidade LGBTIQAPN+. As tramas sugeridas não apenas falam sobre representatividade, mas também mostram que que a vida<em> queer</em> não se resume a preconceito e algozes. Antes de toda a dor passada por essas pessoas, há o desejo de viver uma jornada linda. É direito de qualquer pessoa, independente de sua orientação sexual, de se reconhecer em narrativas lúdicas, pois é na </span><span style="font-weight:400;"><a href="https://matracacultural.com.br/2019/06/19/a-cultura-como-instrumento-de-luta-contra-a-lgbtfobia/">Arte</a></span><span style="font-weight:400;"> que muitos encontram refúgio.</span></p>
<p><span id="more-33601"></span></p>
<hr>
<figure id="attachment_33609" aria-describedby="caption-attachment-33609" style="width: 679px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33609" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Adam.Silvera-Lembra-Aquela-Vez-1.jpg" alt="Capa do livro Lembra Aquela Vez. Na parte superior central, há a frase “Edição especial com conteúdo extra” e, abaixo, o título do livro está escrito com fonte azul na parte central superior da capa. A capa apresenta um menino branco de cabelos castanhos e olhos azuis. Ele veste uma camiseta branca com um bolso nela presente no lado direito de seu corpo. O bolso possui quatro cores: verde, rosa, amarelo e azul. Ao lado do rosto do personagem, no lado direito, há um símbolo da editora Rocco na cor preta e no formato redondo. Na parte inferior central, há o nome do autor Adam Silvera na cor preta." width="679" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Adam.Silvera-Lembra-Aquela-Vez-1.jpg 679w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Adam.Silvera-Lembra-Aquela-Vez-1-543x800.jpg 543w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33609" class="wp-caption-text">O autor Adam Silvera possui outras dois livros igualmente aclamados: História É Tudo Que Me Deixou e Os Dois Morrem no Final (Foto: Editora Rocco)<br /></figcaption></figure>
<p><b>Adam Silvera &#8211; Lembra Aquela Vez (368 páginas, Editora Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight:400;">Conhecido pelo aclamado <em>Os Dois Morrem No Final</em>, </span><span style="font-weight:400;"><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2022/07/08/adam-silvera-e-mais-um-nome-do-young-adult-a-subir-na-lista">Adam Silvera</a></span><span style="font-weight:400;"> também é autor de <em>Lembra Aquela Vez</em>, livro com uma sinopse inusitada. Nesse universo criado pelo escritor, as pessoas podem apagar as outras de suas memórias a partir de um procedimento médico no Instituto Leteo. No entanto, diferente de obras como <em>Brilho de Uma Mente Eterna Sem Lembranças</em>, ações e momentos também podem ser excluídos do subconsciente de alguém. </span></p>
<p><span style="font-weight:400;">Com a premissa, Silvera centraliza a história em Aaron Soto, um garoto de 16 anos que mora no Bronx, em Nova York. O adolescente conhece um vizinho chamado Thomas e, a partir do desenvolvimento de sua relação com ele, o protagonista passa a ter sentimentos pelo menino. No entanto, ser gay no lugar em que eles moram é um problema, por isso Soto pensa em se submeter ao procedimento. Com isso, o escritor conversa sobre </span><span style="font-weight:400;"><a href="https://www.fundobrasil.org.br/blog/as-dificuldades-enfrentadas-pelas-pessoas-lgbtqia/">vida LGBTQIAPN+</a></span><span style="font-weight:400;">, diferenças sociais e homofobia internalizada em uma história marcada por primeiras paixões e tragédias da vida. </span><b>&#8211; Guilherme Machado Leal</b></p>
<hr>
<figure id="attachment_33607" aria-describedby="caption-attachment-33607" style="width: 423px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33607" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/e-assim-que-se-perde-a-guerra-do-tempo-1.jpg" alt="É assim que se perde a guerra do tempo. A cor da capa é azul bebê e, ao centro, existem dois pássaros: um vermelho e um azul. O pássaro vermelho está mais à esquerda e olha para a direita, enquanto o pássaro azul está em posição contrária e de cabeça para baixo. Entre eles, há o título da obra, na cor branca. Na parte superior, à esquerda, está o nome da autora em letras azuis e, à direita, o selo da Editora Suma, na cor branca. Na parte inferior, encontra-se o nome do autor em letras vermelhas. Um pouco mais acima, à direita, está escrito “Vencedor dos prêmios Hugo, Nebula e Locus” em letras azuis." width="423" height="650"><figcaption id="caption-attachment-33607" class="wp-caption-text">“Para parafrasear um profeta: cartas são estruturas, não eventos. As suas me dão um lugar onde viver” (Foto: Editora Suma)<br /></figcaption></figure>
<p><b>Amal El-Mohtar e Max Gladstone &#8211; É assim que se perde a guerra do tempo (192 páginas, Editora Suma)</b></p>
<p><span style="font-weight:400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788556511089/e-assim-que-se-perde-a-guerra-do-tempo"><i>É assim que se perde a guerra do tempo</i></a></span><span style="font-weight:400;"> acompanha a história de Blue e Red, duas agentes rivais em uma guerra infinita. No período em que elas vivem, as facções nas quais atuam lutam para interferir nos variados fios do espaço-tempo, a fim de favorecer seus lados no futuro. Após terem seus caminhos esbarrados diversas vezes, nos quais elas sempre observavam e tentavam desfazer o trabalho da outra, uma correspondência se dá entre as personagens. Totalmente baseada em provocações, em um primeiro momento, os assuntos abordados e o tom dessas cartas passaram a se modificar gradativamente conforme elas se familiarizavam uma com a outra.</span></p>
<p><span style="font-weight:400;">Vencedor dos prêmios </span><span style="font-weight:400;"><a href="https://www.thehugoawards.org/hugo-history/2020-hugo-awards/">Hugo</a></span><span style="font-weight:400;"> e </span><span style="font-weight:400;"><a href="https://nebulas.sfwa.org/award-year/2019/">Nebula</a></span><span style="font-weight:400;">, dois dos mais importantes da Literatura, a obra é uma combinação perfeita de ficção científica, poesia e romance epistolar. Mais do que se preocupar com a construção do universo no qual Blue e Red estão inseridas, Amal Et-Mohtar e Max Gladstone direcionam o foco para os sentimentos dessas mulheres e como ele é capaz de motivar novas maneiras de enxergar o mundo. Sensível e sem igual, </span><span style="font-weight:400;"><i>É assim que se perde a guerra do tempo</i></span><span style="font-weight:400;"> é um romance sáfico sobre o nascimento do amor onde só poderia existir o ódio. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
<hr>
<figure id="attachment_33602" aria-describedby="caption-attachment-33602" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33602" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/um.traco_.ate_.voce_.1.jpg" alt="Capa do livro Um traço até você, da escritora Olívia Pilar. A capa mostra o nome da autora e o título em letra cursiva no topo da página. Ele está acima de um céu roxo escuro com nuvens alaranjadas. Em tons de laranja mais abaixo da ilustração é possível ver uma paisagem urbana, com prédios ao fundo, duas árvores à esquerda, uma rua de paralelepípedos que segue na direção do leitor. Nelas estão as duas protagonistas, à esquerda se encontra Lina, uma mulher jovem de pele negra clara, de cabelos volumosos castanho-avermelhados. ela usa uma camisa rosa. Seus shorts e tênis e lábios são roxos na mesma tonalidade do céu. Ao lado de Lina está Elza, uma mulher jovem, de pele negra mais escura, e de cabelo Black Power preto. Ela veste um top laranja escuro, uma saia longa laranja clara e tênis brancos. Ambas são envoltas em uma linha que sai das letras do título e as segue pela página. " width="656" height="1005" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/um.traco_.ate_.voce_.1.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/um.traco_.ate_.voce_.1-522x800.jpg 522w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33602" class="wp-caption-text">Lina e Elza vencem seus medos em busca de descobrir o lugar de ambas no mundo (Foto: Editora Intrínseca)<br /></figcaption></figure>
<p><b>Olívia Pilar &#8211; Um traço até você (288 páginas, Editora intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight:400;">Ser uma pessoa negra e LGBT no Brasil é uma existência desafiadora, até mesmo para quem consegue a oportunidade de ser bem sucedido, é o caso de Lina, protagonista de </span><span style="font-weight:400;"><a href="https://intrinseca.com.br/livro/um-traco-ate-voce/"><i>Um traço até você</i></a></span><span style="font-weight:400;">. Uma estudante universitária, ela tem uma vida relativamente tranquila morando em um bairro de classe média de Belo Horizonte e sonha alto para seu futuro. Mas o preconceito contra a cor de sua pele surge como uma barreira para seus objetivos.</span></p>
<p><span style="font-weight:400;">Lina encontra apoio e inspiração em Elza, outra apaixonada pelas artes. Juntas elas vão descobrir ainda mais afinidades em uma jornada de amor e autoconhecimento. Toda a emoção das personagens se mistura a reflexões sobre o racismo, a LGBTfobia e outras dificuldades tão comuns a jovens adultos. O Livro foi o romance de estreia de </span><span style="font-weight:400;"><a href="https://intrinseca.com.br/blog/2023/07/escritora-negra-com-muito-orgulho-prazer/">Olívia Pilar</a></span><span style="font-weight:400;">, escritora que busca transferir toda a diversidade cultural, étnica, social e de gênero do Brasil para as páginas. </span><b>&#8211; Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<hr>
<figure id="attachment_33605" aria-describedby="caption-attachment-33605" style="width: 665px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33605" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Morangos-Mofados-1.jpg" alt="Capa do livro Morangos Mofados. Ao centro da imagem, um abajur sobre uma mesa de cabeceira redonda cobre o rosto do homem sentado no sofá atrás. A meia luz do abajur ilumina a sala. O homem sentado no sofá está usando um suéter branco." width="665" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Morangos-Mofados-1.jpg 665w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Morangos-Mofados-1-532x800.jpg 532w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33605" class="wp-caption-text">Morangos Mofados faz parte da lista de leituras obrigatórias da Unicamp 2025 (Foto: Editora Agir)<br /></figcaption></figure>
<p><b>Caio Fernando Abreu &#8211; Morangos Mofados (158 páginas, Editora Agir)</b></p>
<p><span style="font-weight:400;">Dos representantes da cultura da década de 1980 no país, <a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/peca-a-comunidade-do-arco-iris-de-caio-fernando-abreu-chega-ao-rio">Caio Fernando Abreu</a> é um dos nossos nomes mais importantes. Angústia existencial, solidão urbana e homoerotismo são temas que permeiam a sua obra, sempre intimista. O autor gaúcho ganhou o título de ícone cultural após o seu quarto livro de contos: </span><span style="font-weight:400;"><i>Morangos Mofados</i></span><span style="font-weight:400;">, escrito em 1982 e considerado a sua obra-prima. </span></p>
<p><span style="font-weight:400;">Os contos de </span><span style="font-weight:400;"><i>Morangos Mofados </i></span><span style="font-weight:400;">são um reflexo da época em que foram escritos, em meio à repressão do Brasil ditatorial. Nesse <a href="https://www.estadao.com.br/cultura/caio-fernando-abreu-escreveu-sobre-a-primeira-passagem-de-madonna-pelo-brasil-no-estadao-leia-nprec/">mês do orgulho</a>, podemos destacar a representação sensível do desejo homossexual e da luta interna, dor, solidão e complexidade dos personagens dos contos, elevada pelo estilo confessional dos textos do autor assumidamente gay. </span><b>&#8211; </b><b>Giovanna Freisinger </b></p>
<hr>
<figure id="attachment_33606" aria-describedby="caption-attachment-33606" style="width: 641px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33606" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/minha-querida-sputnik-1.jpg" alt="Capa de Minha querida Sputnik. Na imagem, temos intercalados as cores rosa e azul, na parte direita, há um fundo azul claro e está escrito em rosa o nome “Haruki Murakami” e abaixo, em preto, está escrito “Minha querida Sputnik”. Logo abaixo, há o desenho de uma flor em primeiro plano, com alguns rabiscos nas cores rosa e azul e mais ao fundo, algumas flores também, com alguns detalhes em rosa." width="641" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/minha-querida-sputnik-1.jpg 641w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/minha-querida-sputnik-1-513x800.jpg 513w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33606" class="wp-caption-text">O aclamado autor japonês está em sua melhor forma escrevendo sobre um triângulo amoroso não convencional com um toques de realismo mágico (Foto: Editora Alfaguara)<br /></figcaption></figure>
<p><b>Haruki Murakami &#8211; Minha querida Sputnik (232 páginas, Editora Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight:400;">Os </span><span style="font-weight:400;"><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/neste-pais-os-jovens-acham-tao-dificil-namorar-que-os-pais-fazem-isso-por-eles/">relacionamentos</a></span><span style="font-weight:400;"> sempre são tratados de forma bem comedida no Japão, sendo visto muitas vezes com certo tabu. Dessa forma, Haruki Murakami, conhecido por analisar a sociedade japonesa em suas obras, encontra um prato cheio para se deliciar: um triângulo amoroso. </span><span style="font-weight:400;"><i>Minha querida Sputnik</i></span><span style="font-weight:400;"> conta a história de K, um jovem professor de Tóquio, que é apaixonado pela sua amiga Sumire, que, assim como os jovens do país, não liga para relacionamentos, até se apaixonar por Miu, uma executiva 17 anos mais velha e casada.</span></p>
<p><span style="font-weight:400;">A obra tem uma cadência própria, se esgueirando pelas ruas e restaurantes da capital japonesa. Murakami usa da banalidade de uma metrópole para abordar temas como o choque geracional de uma sociedade que cada vez mais </span><span style="font-weight:400;"><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cqlwlzey2dgo#:~:text=O%20pa%C3%ADs%20com%20a%20popula%C3%A7%C3%A3o,o%20mais%20alto%20do%20mundo.">envelhece</a></span><span style="font-weight:400;"> e a solidão. O autor acerta ao escrever personagens arredios entre si, forçando o leitor a aturar aquelas personas, ao mesmo tempo em que é ousado ao colocar seu narrador no papel de coadjuvante, não fetichizado o triângulo amoroso e dando o devido protagonismo para o relacionamento das duas mulheres. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<hr>
<figure id="attachment_33608" aria-describedby="caption-attachment-33608" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33608" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Alexis-Hall-Boyfriend-Material.jpg" alt="A capa do livro " boyfriend="boyfriend" material="material" de="de" alexis="alexis" hall="hall" possui="possui" um="um" fundo="fundo" dividido="dividido" em="em" seções="seções" vermelhas="vermelhas" e="e" azuis="azuis" com="com" ilustrações="ilustrações" representando="representando" ícones="ícones" britânicos="britânicos" como="como" o="o" big="big" ben="ben" a="a" london="london" eye="eye" ônibus="ônibus" dois="dois" andares="andares" tower="tower" bridge="bridge" uma="uma" xícara="xícara" chá="chá" guarda-chuva.="guarda-chuva." no="no" centro="centro" da="da" capa="capa" letras="letras" grandes="grandes" brancas="brancas" está="está" título="título" material.="material." abaixo="abaixo" do="do" nome="nome" autor="autor" sobre="sobre" vermelho.="vermelho." lado="lado" esquerdo="esquerdo" há="há" ilustração="ilustração" homem="homem" loiro="loiro" vestindo="vestindo" terno="terno" cinza="cinza" gravata="gravata" vermelha="vermelha" posando="posando" expressão="expressão" séria.="séria." direito="direito" cabelo="cabelo" preto="preto" usando="usando" camiseta="camiseta" preta="preta" jeans="jeans" rasgados="rasgados" descontraída="descontraída" braços="braços" cruzados="cruzados" pernas="pernas" ligeiramente="ligeiramente" cruzadas.="cruzadas." width="1000" height="1500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Alexis-Hall-Boyfriend-Material.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Alexis-Hall-Boyfriend-Material-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Alexis-Hall-Boyfriend-Material-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Alexis-Hall-Boyfriend-Material-768x1152.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33608" class="wp-caption-text">Boyfriend Material foi lançado em 2020 (Foto: Sourcebooks Casablanca)<br /></figcaption></figure>
<p><b>Alexis Hall &#8211; Procura-se Um Marido (432 páginas, Sourcebooks Casablanca)</b></p>
<p><span style="font-weight:400;"><em>Procura-se Um Marido</em> de Alexis Hall é uma comédia romântica que segue a vida de Luc O&#8217;Donnell, um jovem gay que se vê pressionado a contratar um namorado de mentira para melhorar sua imagem pública após uma série de decepções amorosas. Nesse contexto, a clássica narrativa </span><span style="font-weight:400;"><a href="https://podeditora.com.br/2023/01/27/o-que-sao-tropes-literarias/#:~:text=Fake%20dating,se%20apaixonando%20um%20pelo%20outro."><i>fake dating</i></a></span><span style="font-weight:400;"> ganha força quando Luc conhece Oliver Blackwood, um advogado aparentemente perfeito e, ao mesmo tempo, bem rigoroso. A partir dessa relação contratual, o livro explora temas como auto aceitação, vulnerabilidade e a complexidade das relações modernas. </span></p>
<p><span style="font-weight:400;">Além disso, Alexis aborda questões como a pressão social e as expectativas familiares sem perder o </span><span style="font-weight:400;"><a href="https://personaunesp.com.br/heartstopper-1a-temporada-critica/">tom leve e romântico</a></span><span style="font-weight:400;"> que caracteriza o gênero, cativando o leitor conforme as páginas se passam. A química entre os protagonistas é palpável, e o desenvolvimento gradual do relacionamento deles mantém o leitor engajado até o desfecho &#8211; daqueles que deixam o coração quentinho. &#8211; </span><b>Clara Sganzerla</b></p>
<hr>
<figure id="attachment_33604" aria-describedby="caption-attachment-33604" style="width: 666px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33604" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/quarto.de_.giovanni.1.jpg" alt="Capa de O quarto de Giovanni. Na parte Superior do livro, temos o primeiro nome do autor “James” em letras grandes e o nome do livro/editora em letras pretas. O fundo do livro está em um rosa chamativo. Na parte inferior do livro, temos o sobrenome do autor “Baldwin” em letras grandes e pretas. O fundo do livro está colorido em um laranja chamativo." width="666" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/quarto.de_.giovanni.1.jpg 666w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/quarto.de_.giovanni.1-533x800.jpg 533w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33604" class="wp-caption-text">“Você quer dizer que eu tenho uma casa para ir, desde que eu não vá lá?” (Foto: Companhia das Letras)<br /></figcaption></figure>
<p><b>James Baldwin &#8211; O quarto de Giovanni (232, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight:400;">Quando publicado, em 1959, </span><span style="font-weight:400;"><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/james-baldwin-o-grande-critico-do-sonho-americano/">James Baldwin</a></span><span style="font-weight:400;"> foi questionado sobre o livro debater a respeito de relações homoafetivas e não questões raciais, principal tópico abordado em suas obras. Baldwin, com muita honestidade, respondeu que a homoafetividade e o racismo são temas tão intrincados (naquela época), que trazer os dois na mesma composição seria um grande desafio. </span></p>
<p><span style="font-weight:400;">Em</span> <span style="font-weight:400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535931327/o-quarto-de-giovanni"><i>O quarto de Giovanni</i></a></span><span style="font-weight:400;">, acompanhamos a história de David, jovem norte-americano em Paris, que espera pela resposta de sua namorada, Hella, em relação ao noivado. Enquanto ela reflete se deve ou não casar com o David, ele conhece Giovanni, garçom italiano por quem se apaixona e vive um romance. A </span><span style="font-weight:400;"><a href="https://www.doispontos.com.br/o-quarto-de-giovanni-9788535931327/p">trama</a></span><span style="font-weight:400;"> é tão envolvente quanto desesperançada. O despertar de David é marcado pelo medo de amar livremente e pelo desejo de conhecer a si mesmo. Nas poucas páginas na qual o livro se estende, a relação delicada entre os personagens é sentida do início ao fim, trazendo consigo a sensação de querer mais daquela história. </span><b>&#8211; Ludmila Henrique</b></p>
<hr>
<figure id="attachment_33610" aria-describedby="caption-attachment-33610" style="width: 646px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33610" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Tommm.jpg" alt="Capa do livro Tom Lake. A imagem é composta por pinceladas em tons de azul claro e escuro na parte superior e tons de verde e verde escuro da metade em diante, como se fosse um muro com trepadeiras junto a um gramado em uma pintura impressionista. Espalhadas pela capa estão várias margaridas e flores brancas também desenhadas com pincel. Na parte superior, em cima da pintura, está um bloco branco também pincelado, onde se encontram o título e a autora da obra, em verde e azul respectivamente." width="646" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Tommm.jpg 646w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Tommm-517x800.jpg 517w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33610" class="wp-caption-text">Uma história sobre o amor, a juventude e as escolhas no caminho com um toque da sensibilidade de um verão inesquecível (Foto: Editora Intrínseca)<br /></figcaption></figure>
<p><b>Ann Patchett &#8211; Tom Lake (368 páginas, Editora Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight:400;">Com uma escrita fácil e atraente, o romance de </span><span style="font-weight:400;"><a href="https://www.nytimes.com/2023/08/04/books/review/ann-patchett-on-summer-love-and-her-new-novel.html">Ann Patchett</a></span><span style="font-weight:400;"> nos leva a lugares desconhecidos que soam como memórias. Quando Laura narra as vivências de seus 20 e poucos anos para as três filhas curiosas sobre o passado apaixonado em frente aos holofotes da mãe, os amores, os segredos e as complexidades da vida surgem entre as lembranças. Tanto da narradora, quanto das ouvintes. Afinal, se relembrar é viver, </span><span style="font-weight:400;"><a href="https://intrinseca.com.br/livro/tom-lake/"><i>Tom Lake</i></a></span> <span style="font-weight:400;">sabe bem como as recordações fazem parte de amadurecer.</span></p>
<p><span style="font-weight:400;">Tem algo sobre livro que exala verão. Apesar da narrativa ser ambientada entre as memórias de Laura Nelson e a realidade na primavera de 2020, as histórias e o presente se fundem em cenários intensos e ensolarados. Entre os antigos mergulhos no lago e as novas vivências da família Nelson durante o </span><span style="font-weight:400;"><i>lockdown</i></span><span style="font-weight:400;"> em sua fazenda, o aroma da grama verde e a sensação do sol tocando nossas peles se misturam em algo muito maior. Aqui, a nostalgia de passados nem tão distantes acaricia o coração enquanto os dilemas da juventude acenam de longe. </span><b>&#8211; Agata Bueno</b></p>
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		<title>Apague a luz se for chorar: a (in)conformidade da existência</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Mar 2021 17:06:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos O Persona é oficialmente um parceiro da Companhia das Letras &#8211; parte do Time de Leitores 2021. As resenhas dos livros selecionados sairão gradualmente, de acordo com o recebimento das obras. Em março, homenageando o mês da mulher, a obra escolhida para a parceria foi Apague a luz se for chorar, da goiana &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/apague-a-luz-se-for-chorar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Apague a luz se for chorar: a (in)conformidade da existência"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19371" aria-describedby="caption-attachment-19371" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19371 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Livro-apague-a-luz.png" alt=" A imagem tem um formato retangular com um plano de fundo azul. Podem ser vistos cinco exemplares do livro em posições aleatórias, ocupando grande parte da imagem. Atrás de todos os livros existe um sombreado em roxo. O livro possui uma cor base e de fundo alaranjado meio bege, com diversas imagens parecidas com galhos de árvore de cores, formatos e posições variadas. O título está centralizado e acima escrito em branco com letras maiúsculas e vazadas, enquanto o nome da autora está centralizado abaixo escrito em branco com letras maiúsculas e um pouco menores. No canto superior esquerdo está o logo do persona, um olho aberto com um triângulo ao invés da pupila e com uma cor vermelha. No canto inferior direito está o selo do time de leitores da Companhia das Letras, um selo azul, com uma circunferência branca no meio escrito em azul “time de leitores 2021” e dentro um círculo azul escrito “Companhia das Letras” em branco. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Livro-apague-a-luz.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Livro-apague-a-luz-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Livro-apague-a-luz-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Livro-apague-a-luz-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Livro-apague-a-luz-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Livro-apague-a-luz-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19371" class="wp-caption-text">O romance é ambientado entre Brasília e Pirenópolis, cidadezinha no interior de Goiás (Foto: Caroline Campos)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><b>Persona </b><span style="font-weight: 400;">é oficialmente um parceiro da </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; parte do Time de Leitores 2021. As resenhas dos livros selecionados sairão gradualmente, de acordo com o recebimento das obras. Em março, homenageando o mês da mulher, a obra escolhida para a parceria foi </span><a href="https://epoca.globo.com/coluna-livros-da-quarentena-jogos-duplos-24881516"><i><span style="font-weight: 400;">Apague a luz se for chorar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da goiana </span><a href="https://comoeuescrevo.com/fabiane-guimaraes/"><span style="font-weight: 400;">Fabiane Guimarães</span></a><span style="font-weight: 400;">, que integra a </span><i><span style="font-weight: 400;">#CompartilheLeiturasFemininas</span></i><span style="font-weight: 400;">. O romance de estreia da autora é uma declaração de amor, cheia de afeto, às nuances da vida e aos vínculos familiares, mesmo os excepcionalmente desgastantes. </span></p>
<p><span id="more-19370"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Capítulo sim, capítulo não, conhecemos os capitães do barco: Cecília, que acaba de perder os pais ao mesmo tempo, e João, pai de um menino com paralisia cerebral. A narrativa de Cecília é contada por ela mesma, em primeira pessoa. A jovem veterinária que </span><i><span style="font-weight: 400;">não acreditava em Deus, odiava música sertaneja, não dançava forró, estava desempregada e era vegetariana </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma confusão intensa de sentimentos e paranoias, o ponto crucial que engata o livro de Guimarães &#8211; ela acredita que seus pais foram assassinados com base unicamente em suas convicções.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se de início achamos as teorias mirabolantes de Cecília engraçadas e malucas, não demora muito para sermos contagiados. Alguma coisa com certeza aconteceu. Na sua cabeça, a personagem vai encontrando provas cada vez mais confiáveis e certeiras, levando o mero leitor a acompanhá-la na acusação. A situação fica insustentável quando Caio, seu meio-irmão renegado por anos, aparece. Agora, Cecília encontrou seu assassino. Só faltam, bem, as provas.</span></p>
<figure id="attachment_19373" aria-describedby="caption-attachment-19373" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19373 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/fabiane-guimaraes-1024x683-1.jpg" alt="A foto é retangular e centraliza a autora Fabiane Guimarães. Fabiane é uma mulher de 30 anos com cabelo crespo e castanhos, com as pontas mais claras. Ela usa uma blusa e um blazer brancos e uma calça rosé. Ela está com as pernas cruzadas e uma mão apoiada no joelho. Ela está sentada em um banco de concreto amarelo, olhando diretamente para a câmera. Ao fundo, o cenário é bege, paredes e piso. No canto direito, há o início de uma parede branca com padrões azuis. " width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/fabiane-guimaraes-1024x683-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/fabiane-guimaraes-1024x683-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/fabiane-guimaraes-1024x683-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19373" class="wp-caption-text">Fabiane Guimarães, também jornalista, é uma aposta fora do eixo Rio-São Paulo para se ficar de olho (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o arco da jovem é obsessivo e investigativo, a história de João pende mais para uma melancolia extrema. Seu filho Adam foi fruto de uma traição &#8211; a esposa o abandonou e, logo depois, foi a vez da mãe do garoto. O homem, também veterinário, passou muito tempo sem se conectar com o filho, se recusando a aceitar a responsabilidade que estava no seu colo. Até que, finalmente, percebeu: Adam tinha alma. Ele estava lá. Podia ver a ternura nos olhos da criança, que correspondia ao afeto do pai do jeito que conseguia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E assim, João passou a dedicar todos os seus esforços para encontrar um jeito de curar o garoto. O foco era um tratamento experimental chinês que custava os cem mil reais que ele (ainda) não tinha. João é bruto, perdido em mágoas e culpas, evitando pensar em arrependimentos. Diferente de Cecília, sua jornada é contada em terceira pessoa, como se não pudéssemos nos aproximar demais de sua vida conturbada e arisca. Os dilemas éticos que o veterinário enfrenta perpassam pelo começo, meio e fim das 175 páginas escritas por </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/literatura/radicada-em-brasilia-autora-estreia-com-suspense-que-se-passa-na-capital"><span style="font-weight: 400;">Fabiane Guimarães</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado sob o selo </span><i><span style="font-weight: 400;">Alfaguara</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/romance-de-estreia-de-fabiane-guimaraes-retrata-o-interior-do-pais/"><i><span style="font-weight: 400;">Apague a luz se for chorar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> caminha ferozmente até o entrelaçamento das duas histórias. Certo momento até nos desprendemos de esperar uma conexão quando ela é, enfim, jogada cruamente na nossa cara. Ambas as histórias se apoiam na confusão emocional que é fazer parte de um núcleo familiar, cada uma abordando o luto a partir do jeito peculiar de quem o conta. O ritmo, cruel e revigorante, é o que você precisa para ser fisgado do poço da ressaca literária, contanto que esteja ciente das feridas profundas que a autora cutuca em seu desenrolar.</span></p>
<figure id="attachment_19372" aria-describedby="caption-attachment-19372" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19372 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/152035959_2602417653351357_7146444366867164862_n.jpg" alt="A imagem é quadrada e fotografa dois exemplares do livro Apague a luz se for chorar. O livro da direita está na frente, levemente virado para a esquerda. O título do livro possui uma fonte branca e vazada, e a capa é alaranjada com desenhos de galhos coloridos. O livro da esquerda está mais para trás, virado para a direita. Eles estão de pé em uma mesa branca e a parede ao fundo é laranja." width="1080" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/152035959_2602417653351357_7146444366867164862_n.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/152035959_2602417653351357_7146444366867164862_n-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/152035959_2602417653351357_7146444366867164862_n-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/152035959_2602417653351357_7146444366867164862_n-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/152035959_2602417653351357_7146444366867164862_n-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19372" class="wp-caption-text">O livro foi publicado no dia 12 de fevereiro de 2021 pela Companhia das Letras (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O sofrimento vicia</span></i><span style="font-weight: 400;">, principalmente quando o usamos como muleta para evitar seguir em frente. Cecília tinha pais um pouco mais velhos que o restante, e isso a deixou com o pavor de perdê-los, com o pavor da data de validade. Esse medo a impediu de visualizar que a vida vale, sim, a pena de ser vivida, mas também de ser morrida. Afinal, como valorizar uma coisa se nunca irá perder? E no fim das contas, o encerramento de uma existência propiciou a tentativa do início de outra.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escrita sensível de Guimarães nos faz flutuar pelas questões mais primitivas que assombram a consciência humana. As justificativas contraditórias que embalam a parte final da obra só deixam em evidência o quão despreparados nós estamos para reaprender a viver sem alguém querido. </span><i><span style="font-weight: 400;">A gente carrega conosco as pessoas, mesmo as mortas, mesmo as desconhecidas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para Raul e Margarete, o percurso não importava se fosse acompanhado de quem se ama. Quem ficou para trás que siga em frente, chorando e sorrindo pelos que rumaram ao desconhecido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto João e Adam se aventuram em um novo capítulo internacional, Cecília apenas… segue em frente. Do jeito que é para ser. Arriscando e construindo e superando. </span><i><span style="font-weight: 400;">Apague a luz se for chorar </span></i><span style="font-weight: 400;">é sobre os pequenos passos, que podem resultar em quedas grandes e subidas ainda maiores. Fabiane Guimarães brinca com a nossa imaginação e entende a impotência humana diante da finitude da vida, aprofundando seus personagens na medida certa. Para o livro, não há dúvidas: se for chorar, que seja na luz clara e corajosa do dia.</span></p>
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