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		<title>Corisco e Dadá: o Terror à luz do dia revive em alta definição</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Oct 2024 20:35:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos A chegada da versão restaurada em 4K de Corisco e Dadá às salas de cinema é uma oportunidade rara de revisitar uma obra que, 28 anos após seu lançamento, continua brutal e relevante. Dirigido por Rosemberg Cariry e estrelado por Chico Diaz e Dira Paes, o filme oferece mais do que uma simples &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/corisco-e-dada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Corisco e Dadá: o Terror à luz do dia revive em alta definição"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34196" aria-describedby="caption-attachment-34196" style="width: 1782px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34196" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-5.png" alt="Na imagem, vemos Chico Diaz e Dira Paes interpretando os personagens Corisco e Dadá no filme Corisco e Dadá. Corisco, ao centro, veste um chapéu típico de cangaceiro, adornado com estrelas de metal e enfeites, com olhar melancólico. Ele usa colares e uma faixa cruzada no peito. Atrás dele, à esquerda, está Dadá, com uma expressão intensa e observadora, também usando um chapéu ornamentado com conchas. Ao fundo, vemos um ambiente de pedras, remetendo à aridez do sertão nordestino, cenário onde a narrativa se desenrola, com luz clara e direta." width="1782" height="1069" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-5.png 1782w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-5-800x480.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-5-1024x614.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-5-768x461.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-5-1536x921.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-5-1200x720.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34196" class="wp-caption-text">Após a emboscada que matou Lampião em 1938, Corisco e Dadá assumiram a liderança no cangaço (Foto: Sereia Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A chegada da versão restaurada em </span><i><span style="font-weight: 400;">4K</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Corisco e Dadá</span></i><span style="font-weight: 400;"> às salas de cinema é uma oportunidade rara de revisitar uma obra que, 28 anos após seu lançamento, continua brutal e relevante. Dirigido por </span><a href="https://www.ceara.gov.br/2024/09/18/urca-concede-honoris-causa-a-rosemberg-cariry-e-destaca-relevancia-do-conjunto-de-sua-obra-para-a-regiao/"><span style="font-weight: 400;">Rosemberg Cariry</span></a><span style="font-weight: 400;"> e estrelado por </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-122245/"><span style="font-weight: 400;">Chico Diaz</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Dira Paes, o filme oferece mais do que uma simples narrativa sobre os últimos suspiros do cangaço: ele é uma meditação sobre violência, fé e resistência. A remasterização, meticulosamente conduzida, redescobre a visão original de Cariry, que sempre tratou o sertão não como mero cenário, mas como um personagem repleto de beleza e Terror, iluminado pela luz crua e implacável do cerrado e pelas cicatrizes deixadas pela aridez da terra ressecada.</span></p>
<p><span id="more-34195"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O processo de restauração foi liderado por Petrus Cariry, responsável pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">color grading</span></i><span style="font-weight: 400;">, garantindo fidelidade às nuances visuais captadas por Ronaldo Nunes. A digitalização, realizada com </span><i><span style="font-weight: 400;">scanner 4K</span></i><span style="font-weight: 400;"> operado por Aarão Martins, trouxe de volta as texturas mais sutis do filme. Enquanto isso, a sonoridade original também foi revitalizada por Érico Paiva, que coordenou a restauração e mixagem em som 5.1, recuperando a trilha sonora de </span><a href="https://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL583263-7085,00-MORRE+EM+PERNAMBUCO+TOINHO+ALVES+UM+DOS+FUNDADORES+DO+QUINTETO+VIOLADO.html"><span style="font-weight: 400;">Toinho Alves</span></a><span style="font-weight: 400;">. Cada ruído – seja o vento cortando a paisagem ou o pisar dos personagens – carrega o peso de um diálogo. Já a produção executiva ficou a cargo de Bárbara Cariry, com retoques digitais de Magno Guimarães, colocando cada detalhe no lugar certo como a obra merece.</span></p>
<figure id="attachment_34198" aria-describedby="caption-attachment-34198" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34198" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-4.png" alt="A imagem em preto e branco mostra Dadá e Corisco, figuras icônicas do cangaço. Dadá aparece à esquerda, com expressão séria, usando roupas simples e cabelo preso. Ao seu lado, Corisco veste o tradicional chapéu de cangaceiro adornado com estrelas, além de roupas típicas e munições cruzadas no peito. Com uma postura firme e o braço sobre o ombro de Dadá, a fotografia capta a cumplicidade do casal, que viveu juntos a dureza e a intensidade da vida errante no sertão nordestino. Ao fundo, uma vegetação seca reforça o ambiente árido e desafiador que marcou a trajetória dos dois." width="1600" height="752" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-4.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-4-800x376.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-4-1024x481.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-4-768x361.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-4-1536x722.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-4-1200x564.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34198" class="wp-caption-text">Entre as rainhas do Cangaço existia uma rixa: “Bacana que só ela, só quer ser mais” disse Dadá sobre Maria Bonita em entrevista (Foto: Benjamin Abrahão Botto)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Corisco e Dadá</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um retrato cru dos últimos dias do </span><a href="https://personaunesp.com.br/cangaco-novo-critica/"><span style="font-weight: 400;">cangaço</span></a><span style="font-weight: 400;">. O movimento dos cangaceiros, liderado por figuras lendárias como Lampião e Maria Bonita, surgiu como um ato de resistência no sertão nordestino no final do século XIX e início do XX. Esses bandos eram, ao mesmo tempo, ícones de insurreição contra o sistema opressor e protagonistas de uma violência incessante, que os colocava em confronto com as forças legais e com a população local. Corisco, um dos cangaceiros mais temidos e conhecido como Diabo Louro, era a representação da ambiguidade moral do cangaço: um homem cuja brutalidade era tão notória quanto sua devoção à amada Dadá, com quem compartilhou a vida errante e trágica nas caatingas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa mergulha nas tensões entre a violência e a redenção, explorando como a fé é manipulada e subvertida. A oração invertida, em que Corisco desafia Deus em um ritual de renúncia, é um dos momentos mais poderosos e perturbadores, um verdadeiro colapso espiritual e moral que atravessa a história. Essa </span><a href="https://personaunesp.com.br/deus-e-o-diabo-na-terra-do-sol-critica/"><span style="font-weight: 400;">subversão do cristianismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é gratuita, mas um reflexo do papel da fé como ferramenta de controle e resistência. As imagens desses momentos, banhadas pela luz clara do dia, desafiam a tradição do Terror cinematográfico, criando uma atmosfera onde o horror é inescapável, justamente por estar exposto à plena luz do sol.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><i><span style="font-weight: 400;">“Corisco foi pensado como um semideus em tragédia grega, um homem com um pacto para lavar os pecados do mundo com sangue. Quando perde seu terceiro filho, ele rompe com Deus e reza o pai-nosso ao contrário. Passando a ser apenas um homem, já transformado pelos pequenos afetos despertados por Dadá.” </span></i></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Rosemberg Cariry em Entrevista ao canal Cine Jardim</span></i></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 25 de Maio de 1940, Corisco foi morto durante uma emboscada policial em Barra do Mendes, Bahia. Atingido por tiros e incapaz de reagir, ele foi executado no local e sua cabeça foi enviada para o </span><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/o-destino-incerto-dos-acervos-policiais/"><span style="font-weight: 400;">Museu Nina Rodrigues</span></a><span style="font-weight: 400;">, em Salvador, onde ficou exposta publicamente como prova do fim do cangaço. Na mesma emboscada, Dadá foi ferida e precisou amputar uma perna. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após sua captura, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rlo0A2bMKZU"><span style="font-weight: 400;">ex-cangaceira</span></a><span style="font-weight: 400;"> recebeu anistia do governo e, em 1969, deu início a um processo judicial para conseguir retirar a cabeça de seu marido do museu e enterrá-la. O processo foi longo e burocrático, mas ela obteve sucesso e garantiu um enterro. Dadá viveu até 1994, dois anos antes do lançamento do longa-metragem, mantendo viva a memória dos tempos do cangaço, e faleceu em Salvador, onde passou seus últimos anos.</span></p>
<figure id="attachment_34197" aria-describedby="caption-attachment-34197" style="width: 1785px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34197" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-6.png" alt="Na imagem, vemos uma cena do filme Corisco e Dadá onde ocorre um ritual relacionado ao pedido de batismo do filho do casal. Chico Diaz, como Corisco, observa com seriedade, vestindo trajes de cangaceiro. Ao centro, figuras com vestes litúrgicas conduzem a cerimônia, enquanto um homem de túnica clara ergue um cajado. Ao lado, uma mulher em oração e outra segurando uma espada reforçam a atmosfera solene. O cenário rochoso e árido do sertão contrasta com a espiritualidade do momento." width="1785" height="1022" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-6.png 1785w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-6-800x458.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-6-1024x586.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-6-768x440.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-6-1536x879.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-6-1200x687.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34197" class="wp-caption-text">Na vida real, os filhos do casal de cangaceiros foram entregues a famílias adotivas para que pudessem sobreviver (Foto: Sereia Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A montagem do filme, assinada por </span><a href="https://www2.ufjf.br/cinemaemfoco/edicoes/cinema-em-foco-2013/severino-dada/"><span style="font-weight: 400;">Severino Dadá</span></a><span style="font-weight: 400;">, encontra nova profundidade com a restauração, revelando uma dança entre caos e o lirismo. As transições, muitas vezes abruptas, nos arrancam de um estado e logo nos lançam em outro, como se estivéssemos presos dentro das memórias fragmentadas dos protagonistas, distorcidas pela violência e pela perda. Essa construção serpenteia como as curvas do sertão, onde a calma nunca dura e a tragédia espreita cada instante de silêncio. No mundo deles, nada pode ser antecipado ou controlado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre essas transições, o filme encontra momentos de beleza frustrantes ao deixar a câmera repousar na paisagem do cerrado, como se a natureza fizesse uma pausa breve para testemunhar o que está por vir. A fauna e a flora são filmadas com uma delicadeza que contrasta com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-estranho-critica/"><span style="font-weight: 400;">brutalidade humana</span></a><span style="font-weight: 400;">. Pássaros atravessam o céu claro, árvores de galhos secos se enroscam como corpos exaustos e pequenos animais caminham entre a poeira, alheios ao desespero dos personagens. Isso nos lembra, silenciosamente, da indiferença da natureza, que segue seu ciclo enquanto a violência se esvai.</span></p>
<figure id="attachment_34199" aria-describedby="caption-attachment-34199" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34199" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image4-4.png" alt="Na imagem em preto e branco, vemos Corisco e seu grupo de cangaceiros em meio à vegetação seca do sertão. Corisco, à esquerda, está em pé, usando o chapéu típico adornado com estrelas e munido de armas e cartucheiras cruzadas no peito. No centro, Dadá aparece sentada, segurando um bebê nos braços, envolta por outros cangaceiros, todos com expressões firmes e trajes característicos, incluindo chapéus e roupas resistentes ao ambiente árido. A cena reflete a dureza da vida no cangaço, cercada por aridez e hostilidade, mas também sugere um raro momento de cuidado e união em meio à fuga e violência." width="750" height="442" /><figcaption id="caption-attachment-34199" class="wp-caption-text">Alceu Valença quase interpretou Corisco e chegou a fazer um show vestido de cangaceiro após os ensaios (Foto: Sereia Filmes)</figcaption></figure>
<p><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/as-curiosas-diferencas-entre-os-irmaos-enrique-diaz-e-chico-diaz"><span style="font-weight: 400;">Diaz</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrega um Corisco à beira do delírio, oscilando entre a ternura e a selvageria, transformando-o em alguém que é, ao mesmo tempo, uma ameaça e um homem quebrado. Nessa performance, recebeu o Kikito de Ouro de Melhor Ator em Gramado. </span><a href="https://personaunesp.com.br/pantanal-critica/"><span style="font-weight: 400;">Paes</span></a><span style="font-weight: 400;">, por sua vez, cria uma Dadá complexa que não se deixa definir apenas como vítima. Ela aprende a se afirmar em meio ao caos, transformando a violência em uma forma de sobrevivência, resistindo a um mundo que insiste em apagá-la. Em Brasília, conquistou o Troféu Candango de Melhor Atriz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde seu lançamento em 1996, o filme também foi além das fronteiras, passando por festivais como o </span><i><span style="font-weight: 400;">Toronto International Film Festival</span></i><span style="font-weight: 400;"> (TIFF) e o Festival de Havana, onde levou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Coral</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como disse Petrus Cariry, lançar essa versão no </span><a href="https://www.secult.ce.gov.br/2024/03/22/celebracao-dos-100-anos-do-cinema-cearense-tem-inicio-com-homenagem-a-luiz-carlos-barreto-e-lucy-barreto-no-cineteatro-sao-luiz-em-parceria-com-o-mis-e-o-cine-ceara-que-lanca-sua-34a-edicao/"><span style="font-weight: 400;">centenário do Cinema cearense</span></a><span style="font-weight: 400;"> é mais do que uma celebração; é um lembrete da força do Nordeste na Arte e da capacidade do audiovisual brasileiro de continuar relevante. </span><i><span style="font-weight: 400;">Corisco e Dadá</span></i><span style="font-weight: 400;"> não perdeu seu impacto. Ele ainda provoca, incomoda e segue resistindo ao tempo, assim como o sertão, seus personagens  e o próprio Cinema nacional – sempre vivos e à beira da luta.</span></p>
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		<title>Os filhos dos nossos filhos também verão Pantanal</title>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner A história contada por Pantanal é atemporal e se confunde com uma moda sertaneja que há décadas emociona peões: “ele tinha um cavalo preto por nome de Ventania e um laço de doze braças do couro de uma novilha”. Desde a primeira exibição da novela, em 1990, até o remake em 2022, a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pantanal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os filhos dos nossos filhos também verão Pantanal"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30704" aria-describedby="caption-attachment-30704" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30704" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1.jpeg" alt="Cena da novela Pantanal. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Juma e Jove se posicionam frente a frente. Juma, uma mulher branca de cabelos e olhos castanhos, está de olhos fechados enquanto Jove, um homem branco de cabelos castanhos e olhos claros, a observa. A câmera captura ambos apenas a partir dos ombros. O cenário ao fundo é uma parede branca iluminada pelos raios de sol." width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-800x400.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-768x384.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30704" class="wp-caption-text">Juma e Jove retornaram às televisões brasileiras 32 anos depois da primeira exibição da novela Pantanal (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história contada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I9caf45izB0"><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é atemporal e se confunde com uma moda sertaneja que há décadas emociona peões: “</span><i><span style="font-weight: 400;">ele tinha um </span></i><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2022/06/22/com-pantanal-cavalo-preto-cresce-quase-1000percent-em-plays-e-vira-hit-75-anos-apos-lancamento.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">cavalo preto</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> por nome de Ventania e um laço de doze braças do couro de uma novilha</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Desde a primeira exibição da novela, em 1990, até o </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2022, a trama pouco mudou, ainda que o Brasil, acumulador de uma </span><a href="https://www.canalrural.com.br/noticias/pecuaria/brasil-tem-mais-boi-e-vaca-do-que-gente/"><span style="font-weight: 400;">quantidade exorbitante</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YwqoeKlaJQs"><span style="font-weight: 400;">gado</span></a><span style="font-weight: 400;">, tenha sofrido grandes transformações. Ao som da mesma canção, o ‘Véio’ Joventino cavalgou país afora até um dia sumir e deixar seu filho José Leôncio para trás. Ele, bicho do mato, se meteu com uma moça da cidade e da união nasceu Jove, o primeiro herdeiro sem padrão de boiadeiro que chegou para “</span><i><span style="font-weight: 400;">cutucar a onça com vara curta</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Da luta entre humano e felino, a novela reviveu o seu destino. </span></p>
<p><span id="more-30703"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Originalmente, a música responsável pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hfth1z2rHB8"><span style="font-weight: 400;">abertura icônica</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi entoada por Marcus Viana e sua voz pulsante. Dessa vez, no entanto, Maria Bethânia e Almir Sater adicionaram frescor e serenidade ao instrumental, atribuindo, assim, um sentimento de pertencimento em um futuro que constantemente clama pela nostalgia do enredo; se os nossos pais assistiram o folhetim há 32 anos e nós no ano passado, “</span><i><span style="font-weight: 400;">os</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">filhos dos filhos…dos nossos filhos</span></i><span style="font-weight: 400;">” certamente também verão </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mantendo o sentido da árvore genealógica, a nova roupagem foi adaptada por </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/pantanal/noticia/bruno-luperi-autor-do-remake-de-pantanal-comenta-cenas-da-novela.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Bruno Luperi</span></a><span style="font-weight: 400;">, neto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/velho-chico-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Benedito Ruy Barbosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, o escritor da versão que virou um clássico e se mantém atual graças a ambientação, feita em um bioma que traduz tão bem a resiliência e diversidade da nação através de sua fauna e flora.</span></p>
<figure id="attachment_30705" aria-describedby="caption-attachment-30705" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30705" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2.jpeg" alt=" Cena da novela Pantanal. Na imagem, a personagem Maria Marruá caminha com um semblante de desmotivação. Ela é uma mulher de cabelos e olhos escuros. A câmera captura Marruá a partir do busto. Ela segura uma bolsa nos ombros com uma das mãos. O cenário ao fundo é um ambiente florestado com diversos tons de verde e marrom." width="990" height="619" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2.jpeg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2-800x500.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2-768x480.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30705" class="wp-caption-text">A mãe-onça Maria Marruá conduziu o embate entre humano e felino com maestria (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente do contexto de consolidação das telenovelas na época em que o texto estreou &#8211; quando a extinta </span><a href="https://www.zappeando.com.br/televisao/8-novelas-da-tv-manchete-que-deixaram-muita-saudade-qual-voce-gostava-mais"><i><span style="font-weight: 400;">Rede Manchete</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> emplacava clássicos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Dona Beija</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Kananga no Japão</span></i><span style="font-weight: 400;"> -, a refilmagem da </span><i><span style="font-weight: 400;">TV Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> herdou o fracasso de Lícia Manzo com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=myARx4ufX9E"><i><span style="font-weight: 400;">Um Lugar ao Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, drama inédito em dois anos e o primeiro a ir ao ar totalmente gravado após uma sequência de repetições causada pela pandemia de coronavírus. E, por isso, assumiu a árdua tarefa de reerguer a audiência e chamar o </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/remake-de-pantanal-atrai-o-publico-jovem-para-televisao-aberta.phtml"><span style="font-weight: 400;">público jovem</span></a><span style="font-weight: 400;"> para sentar no sofá e assistir à Televisão &#8211; um desafio para os dias atuais. A tentativa não foi falha: a direção composta pelos nomes </span><span style="font-weight: 400;">Davi Lacerda, Noa Bressane, Roberta Richard, Walter Carvalho e Cristiano Marques soube desde a claquete inicial como atingir em cheio o seu público-alvo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um ato que soou como o cantar de um passarinho recém-nascido, que fez sentir a brisa fresca que sopra à beira-mar, o núcleo central da faixa nobre foi finalmente deslocado do ciclo vicioso fundado no uso de cenários divididos apenas entre as grandes capitais da economia e do entretenimento brasileiro, São Paulo e Rio de Janeiro. Com audição e tato apurados, a direção artística de </span><span style="font-weight: 400;">Rogério Gomes e Gustavo Fernandez capturou em cena as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_Qqkt4-Cues"><span style="font-weight: 400;">cores vívidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda não totalmente descobertas </span><span style="font-weight: 400;">pelo espectador e, desse modo, os prédios cinzentos da Avenida Paulista e as enormes mansões do Leblon foram deixados para trás em meio ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JPRpxH33wIM"><span style="font-weight: 400;">resgate de um passado</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais simples e condizente com a realidade sociocultural do país.</span></p>
<figure id="attachment_30706" aria-describedby="caption-attachment-30706" style="width: 976px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30706" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Madeleine e Filó se encontram na primeira fase da novela, quando jovens. A câmera captura ambas a partir do joelho. Madeleine é uma mulher branca de cabelos e olhos claros que veste uma calça jeans preta, uma camiseta de estampa colorida e uma mochila marrom nas costas. Filó é uma mulher branca de cabelos e olhos escuros que veste um shorts jeans claro e uma regata vermelha. Ao fundo, o cenário é o casarão de madeira da família Leôncio." width="976" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1.jpg 976w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1-768x433.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30706" class="wp-caption-text">O talento do elenco da primeira fase surpreendeu e fidelizou o público em poucas semanas (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como toda novela de respeito, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi dividida em </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/pantanal/vem-por-ai/noticia/pantanal-veja-as-transformacoes-de-5-personagens-da-primeira-para-a-segunda-fase.ghtml"><span style="font-weight: 400;">duas fases</span></a><span style="font-weight: 400;"> não somente com a intenção de demonstrar a passagem de tempo, mas também de desenvolver o conflito principal da trama e transformar as suas personagens. Acontece que a atuação excepcional do elenco jovem conseguiu surpreender e fidelizar o público em poucas semanas de exibição, sendo extremamente difícil se desapegar das faces que se tornaram tão familiares. Renato Góes e Bruna Linzmeyer nos corpos de José Leôncio e Madeleine construíram uma tensão cortante digna de protagonistas imponentes. Já Letícia Salles, estreando como atriz, roubou os holofotes e entregou uma Filó forte para Dira Paes. Por outro lado, Malu Rodrigues e Gabriel Stauffer carregaram a melhor versão dos antagonistas Irma e Gustavo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, se a região pantaneira ainda não havia sido habitada por camaleões, tudo mudou com a chegada de </span><span style="font-weight: 400;">Irandhir Santos, a quem</span><span style="font-weight: 400;"> se deve a maior aclamação artística. Na pele do ‘Véio’ </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SeqvU-9ppOc"><span style="font-weight: 400;">Joventino</span></a><span style="font-weight: 400;">, o ator externou as marcas de uma trajetória vivida no lombo de cavalos com um berrante em mãos e, em uma escalação tão peculiar quanto a linhagem da série </span><a href="https://personaunesp.com.br/dark-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele voltou para a segunda fase do enredo como o neto bastardo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mI9PHXo2bPE"><span style="font-weight: 400;">José Lucas de Nada</span></a><span style="font-weight: 400;">, dono de uma personalidade completamente distinta e, não por isso, mal interpretada.</span><span style="font-weight: 400;"> Mesmo que apegados aos atores, </span><span style="font-weight: 400;">a brilhante transição não deixou a animosidade dos noveleiros cair. Marcos Palmeira, Karine Teles, Camila Morgado e Caco Ciocler conduziram o texto até o seu clímax.</span></p>
<figure id="attachment_30707" aria-describedby="caption-attachment-30707" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30707" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, o personagem ‘Véio’ Joventino se posiciona no lombo de seu cavalo enquanto leva o berrante à boca. Joventino é um homem branco de cabelos e olhos escuros, ele veste uma camiseta de manga longa na cor laranja, uma calça jeans clara e botas em tom barroso. A câmera captura todo o seu corpo e metade de seu cavalo. Ao fundo, o cenário é composto das águas e do mato verde do pantanal." width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30707" class="wp-caption-text">Como esperado, a paisagem deslumbrante do pantanal encantou (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> do clássico trouxe de volta os clichês intrínsecos ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/novo-mundo-novela/"><span style="font-weight: 400;">gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que, há tempos, estavam sumidos. Isso porque as produções sofreram uma mudança brusca de tom e passaram a adaptar a estrutura para o drama ‘pé no chão’ das séries, modelo repercutido pelo avanço dos </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i><span style="font-weight: 400;">, incluindo a própria </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;">. Exibida em 2019, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=H-znj_njIu4"><i><span style="font-weight: 400;">A Dona do Pedaço</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Walcyr Carrasco, foi a última obra antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> que teve direito a coincidências improváveis e uma dose de humor cavalar. Para a surpresa de quem subverteu o formato novela, o carisma um tanto quanto utópico da mulher que vira onça, do homem que é possuído por uma entidade muito boa de viola e do senhor de idade que se transforma em sucuri foram suficientes para eternizar os personagens em memes nas redes sociais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a irritação de José Leôncio com “</span><i><span style="font-weight: 400;">larga a mão, Filó</span></i><span style="font-weight: 400;">”, passando por Ari na comunicação com a fazenda em “</span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal, na escuta? Câmbio</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e a vontade de fugir de Juma com “</span><i><span style="font-weight: 400;">querimbóra</span></i><span style="font-weight: 400;">”, os jargões ganharam espaço no cotidiano. Foi graças às expressões marcantes dos protagonistas e a adesão da juventude, agente controlador da popularização pelos meios, que a novela se tornou um fenômeno multimídia. O retorno das cenas dos próximos capítulos nos minutos finais também ajudou no resgate do gênero de folhetim. O aspecto foi </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/colunas/andre-santana/de-volta-cenas-do-proximo-capitulo-foram-abolidas-no-passado-por-causa-de-pantanal"><span style="font-weight: 400;">extinto</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">TV Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> justamente pela exibição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> na </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Manchete</span></i><span style="font-weight: 400;">. A sua volta diminuiu a pressão para encaixar um gancho e aumentou o desejo de continuar assistindo com apenas alguns relances, mantendo uma ordem natural dos acontecimentos.</span></p>
<figure id="attachment_30708" aria-describedby="caption-attachment-30708" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30708" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5.jpeg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, as personagens Juma e Muda observam com desconfiança o peão Tibério. A câmera captura ambas a partir do tornozelo, enquanto a figura do peão está desfocada por ele estar de costas. Juma é uma mulher branca de cabelos e olhos claros. Muda é uma mulher negra de cabelos e olhos escuros. Tibério é um homem branco de cabelos e olhos escuros. Juma veste uma regata de estampa amarela e verde, uma saia de estampa branca e carrega em suas mãos uma arma de fogo que aponta na direção de Tibério. Muda veste uma regata branca e um shorts legging azul. Tibério veste uma camiseta de mangas longas branca com listras pretas e uma calça jeans. Ao fundo, o cenário é a tapera de Juma." width="984" height="656" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5.jpeg 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30708" class="wp-caption-text">Alanis Guillen e Bella Campos foram uma dupla imbatível como Juma e Muda (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor geral Walter Carvalho também assinou a </span><a href="https://buzzfeed.com.br/post/fotografia-pantanal"><span style="font-weight: 400;">Fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;">. Vívida, esplendorosa e natural, a ilustração da região manteve uma característica autoral por todos os cenários, tenham sido eles a grande fazenda dos Leôncios ou a simples tapera dos Marruá. Ainda que rodeado de beleza, Carvalho não deixou de demonstrar o drama da violência no campo, tópico recorrente do enredo, com a mesma sensibilidade. Por meio de tons frios, o ciclo de destruição causado pela especulação latifundiária, que se alastrou pela trajetória de Gil </span><span style="font-weight: 400;">(Enrique Diaz) </span><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ODIW-zC2LTA"><span style="font-weight: 400;">Maria Marruá</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Juliana Paes), colocou em debate a luta pela terra. É tal composição visual que une as duas famílias principais da novela, quando os agricultores se apropriam de um canto abandonado pelos peões.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Juma (Alanis Guillen) chegou ao mundo tida como uma maldição pela mãe, desorientada depois da perda de três filhos para os senhores da agropecuária brasileira. Porém, o destino em forma de sucuri despertou a onça que defendeu a sua cria até a sua segunda morte, quando já encantada no corpo do felino pintado. Em busca de vingança pelo pai, dono de um pedaço de terra vendido ilegalmente, Muda entrou na trama para confundir os sentimentos da filha de Marruá, criada para se defender de tudo, menos do amor. Assustada pelo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lQnJugdmqsQ"><span style="font-weight: 400;">instinto animal</span></a><span style="font-weight: 400;"> que farejava as suas mentiras, incluindo a farsa acerca da falta de voz, a personagem falou através do olhar intenso da intérprete Bella Campos e, em sincronia com Guillen, consagraram-se em uma dupla imbatível: “</span><i><span style="font-weight: 400;">não fala nada, Muda</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_30709" aria-describedby="caption-attachment-30709" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30709" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6.jpeg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, a personagem Maria Bruaca acaricia um cavalo. A câmera captura Maria a partir do busto e somente parte da cabeça do animal. Maria Bruaca é uma mulher branca de cabelos castanhos e olhos claros. Ela veste uma camisa na cor roxa e um colar, O cavalo é marrom e está equipado. Ao fundo, o cenário é composto pelo céu azul e pelas árvores verdes do pantanal." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30709" class="wp-caption-text">Carinhosamente apelidada pelo público como Mary Bru, a personagem protagonizou cenas importantes (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra forma de violência que pautou o roteiro foi a agressão física e psicológica enfrentada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YKl0byt3QSI"><span style="font-weight: 400;">Maria Bruaca</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Isabel Teixeira) nas mãos do seu esposo e grande vilão de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ji-Q75q9aBs"><span style="font-weight: 400;">Tenório</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Murilo Benício). Ao contrário da ficção, em que o apelido pejorativo marcou as falas das personagens, no ‘dia a dia’, os noveleiros se simpatizaram com a representação brutal e adotaram um apelido carinhoso, ‘Mary Bru’. Ela, inicialmente tida como uma personagem secundária, ganhou espaço de protagonista graças à interpretação fascinante de Teixeira ao lado de Benício, ambos incoerentemente unidos no mesmo tom em cena. Galã de muitas gerações, ele se desfez da face icônica de ‘mocinho’ e se transformou em um ser humano cruel. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, se os pais causaram uma mistura de sentimentos, os filhos do casal e da outra família do antagonista foram insuportáveis, não havendo a mínima chance do público nutrir algo por eles para além do desprezo, com destaque para a chatice apoteótica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lJAx29O635Q"><span style="font-weight: 400;">Guta ‘regatinha’</span></a><span style="font-weight: 400;">. Bruno Luperi, na tentativa de modernizar a narrativa, errou a mão na construção da personalidade da jovem e deu uma bomba para a atriz Julia Dalavia segurar. Ainda nessa questão, o autor conseguiu </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/zaquieu-dessa-versao-e-mais-empoderado-diz-ator-do-remake-de-pantanal-84237"><span style="font-weight: 400;">reescrever</span></a><span style="font-weight: 400;"> a trajetória de </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/colunas/clara-ribeiro/doenca-grave-o-levou-quem-era-o-zaqueu-na-primeira-versao-de-pantanal"><span style="font-weight: 400;">Zaquieu</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Silvero Pereira), mordomo que se apaixona pelo peão Alcides (Juliano Cazarré). Mas a assombração da </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/pantanal-peao-gay-heteronormatividade"><span style="font-weight: 400;">heteronormatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> permaneceu no discurso, no qual ele e Jove (Jesuíta Barbosa) foram frequentemente enquadrados como ‘frozô’ e o repúdio de José Leôncio ao ato dos boiadeiros não colou.</span></p>
<figure id="attachment_30710" aria-describedby="caption-attachment-30710" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30710" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, Trindade observa Irma. A câmera captura Trindade a partir da cintura e Irma a partir do busto. Ele, um homem branco de cabelos escuros e olhos claros, veste uma camiseta de botões e mangas longas cinza e uma calça bege com um cinto de couro marrom repleto de adereços prateados. Trindade também carrega uma viola coberta por uma capa e um chapéu de peão. Irma veste uma regata vermelha enquanto contempla o rio do pantanal. Ao fundo, o cenário é a limpidez do rio e o verde da paisagem de mata recheada de árvores." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30710" class="wp-caption-text">Os romances de Pantanal tiveram seus altos e baixos (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HXvzBASDivE"><span style="font-weight: 400;">Assustadoramente encantador</span></a><span style="font-weight: 400;"> e possuído por um ‘cramulhão’ que fez magia com as cordas da viola, o peão Trindade (Gabriel Sater) parou o coração do público e de Irma (Camila Morgado). O casal, no entanto, foi injustiçado por um fim desanimador motivado pelo interesse da ruiva em José Lucas de Nada. O ator, filho de Almir Sater, repetiu o papel que na versão original era do pai e dividiu a cena uma última vez com ele em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">; dessa vez, na pele do chalaneiro Eugênio, em uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gYKymNXoRhI"><span style="font-weight: 400;">batalha de Música fervorosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> que arrancou lágrimas e arrepios. Em meio a simplicidade deslumbrante da natureza, momentos como este jogaram de um precipício as passagens tenebrosas no urbano do Rio de Janeiro, felizmente deixadas de lado ao longo dos meses.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mergulhando nos altos e baixos dos romances de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">, é perceptível o quanto o </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> se esforçou para provar que “</span><i><span style="font-weight: 400;">a maior força da natureza é o amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”. José Leôncio e Filó provaram que o tempo realmente cura tudo. Já Muda e Tibério se encontraram em um cenário nada esperançoso e trouxeram para as telas a doçura de um enlace verdadeiro. Por outro lado, Tadeu (José Loreto) e Zefa (Paula Barbosa) superaram as diferenças de valores que os separavam para ficarem juntos. Entretanto, nenhum casal expressou com tanta fidelidade o </span><i><span style="font-weight: 400;">slogan</span></i><span style="font-weight: 400;"> apaixonado quanto Maria Bruaca e Alcides em busca da liberdade que somente o bioma fértil pode proporcionar, após a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9So0xzZJz-Y"><span style="font-weight: 400;">violência covarde</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Tenório contra o peão que protagonizou o momento mais chocante da trama. </span></p>
<figure id="attachment_30711" aria-describedby="caption-attachment-30711" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30711" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, Filó e Jove observam um confronto entre Tadeu e José Leôncio. A câmera captura todo o corpo de Filó e Jove, posicionados ao fundo de Tadeu e Leôncio, capturados a partir do joelho. Filó é uma mulher de cabelos e olhos escuros que veste uma regata amarela em conjunto com uma saia longa florida e sandálias de salto pequeno. Jove é um homem branco de cabelos escuros e olhos claros que veste uma camiseta de mangas longas branca, calça jeans, botas de couro e um chapéu de peão branco. Tadeu é um homem brano de cabelos escuros e olhos claros que veste uma camiseta de mangas longas em xadrez vermelho, calça jeans com cinto de couro, um chapéu de peão e duas malas. José Leôncio é um homem de cabelos e olhos escuros que veste uma camiseta de mangas longas azul e uma calça jeans com cinto de couro. Ao fundo, o cenário é o casarão de madeira dos Leôncios." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30711" class="wp-caption-text">Os Leôncios facilmente poderiam participar do programa Casos de Família do SBT (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pele de Tadeu, José Loreto surpreendeu com uma atuação que fez parecer que o personagem foi escrito especialmente para ele. Ao lado de Dira Paes, o ator concretizou o feito extremamente difícil de não ser engolido pela aura de uma das veteranas mais experientes da dramaturgia. Confrontados com diálogos duros e secos, Loreto e Paes afloraram o lado sentimental de quem assistiu diariamente a relação genuína entre mãe e filho. De filho bastardo a sucessor natural do legado de boiadeiro do avô Velho Juventino, Tadeu muitas vezes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i2XYEAh0sws"><span style="font-weight: 400;">brigou sozinho</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela atenção do pai até o seu </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/pantanal/noticia/ultimo-capitulo-de-pantanal-encontro-de-tadeu-e-velho-do-rio-emociona-espectadores.ghtml"><span style="font-weight: 400;">encontro</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o ‘Véio do Rio’ no último cápitulo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não ganharia a minha sela de prata se não fosse um Leôncio. [&#8230;] Diz pra ele que eu disse que ocê é o meu neto de amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Responsáveis por manter o coração de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> batendo forte, Juma e Jove foram, mais do que nunca, os grandes protagonistas da novela. Em 2022, assistir o encontro do casal foi como presenciar o embate entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=605ywPGYiec"><span style="font-weight: 400;">felino e humano</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela, nascida livre como um ser selvagem na imensidão da natureza, e ele, criado na redoma de vidro de uma mansão luxuosa, mas sem vida. Embalados pela música-tema </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j-Z9IJAgvxs"><i><span style="font-weight: 400;">Amor de índio</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na voz de Gabriel Sater, a união desses dois opostos fez o amor se consagrar como sagrado. Em harmonia com o verde do bioma e o vermelho da paixão, a dupla Alanis Guillen e Jesuíta Barbosa trouxe o frescor da descoberta de algo novo: uma química delirante, estrondosa e arrebatadora digna de reportagem do </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/05/26/juma-e-jove-fantastico-prepara-reportagem-para-todos-que-estao-na-torcida-pelo-casal-de-pantanal.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Fantástico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_30712" aria-describedby="caption-attachment-30712" style="width: 1224px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30712" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, o ‘Véio do Rio’ aparece contemplando o horizonte. Ele é um homem branco de cabelos brancos e olhos claros. ‘Véio’ veste uma manta marrom, um chapéu de palha e carrega em uma de suas mãos um cajado feito da madeira de um galho de árvore. Ao fundo, o cenário é a mata verde do Pantanal." width="1224" height="816" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9.jpg 1224w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30712" class="wp-caption-text">Osmar Prado fez da sabedoria do ‘Véio do Rio’ a maior força de sua atuação (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“O homem é o único animal que cospe na água que bebe. O homem é o único animal que mata para não comer. O homem é o único animal que corta a árvore que lhe dá sombra e frutos. Por isso, está se condenando à morte…” &#8211; Benedito Ruy Barbosa</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A entidade </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cN1NlihUaw0"><span style="font-weight: 400;">‘Véio do Rio’</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi a personificação do </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;">. O ator Osmar Prado trouxe para a composição a força da sabedoria de quem conhece o bioma, fala com os animais e espalha o amor. Único capaz de laçar um marruá, espécie de boi feroz, ele também foi o fator responsável por arrematar as histórias das famílias Leôncio e Marruá em uma só trajetória. Entre as paisagens belas e o desmatamento impiedoso, a novela de Bruno Luperi reergueu a audiência do gênero, fez jus a versão original de seu avô e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SecT4r0-BqE"><span style="font-weight: 400;">reviveu o destino</span></a><span style="font-weight: 400;">. Atemporal, é um dever que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja adaptada novamente no futuro, assim, repetindo um ciclo fundamental: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Redescobrindo as Américas quinhentos anos depois/Lutar com unhas e dentes pra termos direito ao depois/Fim do milênio, resgate da vida, do sonho, do bem</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
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