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	<title>Arquivos Darkside Books &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Vitorianas Macabras: histórias de medo sempre foram coisa de mulher</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Mar 2022 23:23:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez “Se ser mulher na era Vitoriana já era uma tarefa difícil, tornava-se ainda mais penosa para as que desafiavam o status quo. Um dos traços marcantes do período vitoriano é a luta pela emancipação das mulheres e pelo voto feminino”. É assim que Vitorianas Macabras, coletânea de contos de autoras de suspense &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/autoras-horror-era-vitoriana-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Vitorianas Macabras: histórias de medo sempre foram coisa de mulher"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27110" aria-describedby="caption-attachment-27110" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-27110 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/era_vitoriana_capa_wordpress-800x420.jpg" alt="A imagem é uma colagem de imagens em preto e branco contornadas por rosa, em frente a um fundo preto. A foto da esquerda é uma mulher branca, aparentando cerca de 50 anos, vestindo um casaco. A foto do meio é uma mulher branca, aparentando cerca de 50 anos, usando uma coroa de rainha, jóias no pescoço e um traje de rainha. A foto da direita é uma mulher branca, de cerca de 30 anos, vestindo um vestido de manga longa preto, e com uma coruja branca apoiada sob seu ombro esquerdo." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/era_vitoriana_capa_wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/era_vitoriana_capa_wordpress-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/era_vitoriana_capa_wordpress.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27110" class="wp-caption-text">Vitorianas Macabras foi publicado pela Darkside Books em 2020, e é o primeiro de três livros do selo Macabra (Arte: Ana Clara Abbate)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Se ser mulher na era Vitoriana já era uma tarefa difícil, tornava-se ainda mais penosa para as que desafiavam o status quo. Um dos traços marcantes do período vitoriano é a luta pela emancipação das mulheres e pelo voto feminino”</span></i><span style="font-weight: 400;">. É assim que </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">, coletânea de contos de autoras de suspense e terror da era vitoriana,</span> <span style="font-weight: 400;">lembra de suas inspirações. Em uma época marcada pelo fantasmagórico e pelo mórbido, pela precariedade da qualidade de vida e por uma predileção pelo macabro, as escritoras representaram o “</span><i><span style="font-weight: 400;">entusiasmo pelo </span></i><a href="https://gizmodo.uol.com.br/ciencia-falsa-salva-vidas-londres-vitoriana/"><i><span style="font-weight: 400;">progresso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, com contribuições marcantes para a época, desde a literatura até a luta pela emancipação feminina, inclusive com o movimento sufragista.</span></p>
<p><span id="more-27101"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, publicado pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkside</span></i><span style="font-weight: 400;">, a organização e a tradução de Marcia Heloisa é peça chave para nos levar de volta aos assombros e às peculiaridades da Era Vitoriana. Em uma introdução, também dela, a apresentadora fornece o panorama necessário para contextualizar a época e nos lembra do porquê devemos exaltar as autoras, destaques em um período &#8211; e em um </span><a href="https://www.nacabeceira.com.br/2020/10/monster-she-wrote.html"><span style="font-weight: 400;">gênero literário</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; marcados pela </span><a href="https://www.ultius.com/ultius-blog/entry/the-7-most-epic-literary-writers-of-the-victorian-era.html"><span style="font-weight: 400;">presença masculina</span></a><span style="font-weight: 400;">. Como ela justifica, o volume busca reparar uma injustiça histórica, dando visibilidade às mulheres que “</span><i><span style="font-weight: 400;">desafiaram convenções, batalharam contra todo tipo de diversidade e combateram os mais arraigados preconceitos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Então, Heloisa nos faz mergulhar na antologia de contos de Horror das treze escritoras escolhidas.</span></p>
<figure id="attachment_27102" aria-describedby="caption-attachment-27102" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-27102 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1-800x480.jpg" alt="Na foto, em frente a uma cortina vermelha, vemos um livro vermelho, ao centro. A capa do livro tem o desenho contornado de uma mulher em preto, cobras e uma cabra preta, e letras brancas estilizadas. Ao redor do livro, na parte direita e esquerda da imagem, vemos fotografias impressas em preto e branco, mostrando retratos pintados de mulheres." width="800" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-1.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27102" class="wp-caption-text">Como em outras obras da editora Darkside, as ilustrações e a diagramação do livro são um show à parte (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>A Rainha Vitória e sua Era Vitoriana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem dá o nome a uma das eras mais </span><a href="https://macabra.tv/13-filmes-assustadores-era-vitoriana/"><span style="font-weight: 400;">famosas do meio cultural</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a Rainha Vitória. A quinta da linha de sucessão, era improvável que a candidata a monarca de fato vestisse a coroa, mas seu tio, o Rei, apesar de ter tido filhos, nunca foi oficialmente casado e não possuía herdeiros legítimos. Assim, ela, que perdeu o pai quando ainda era bebê, assumiu o trono da Inglaterra aos 18 anos, rodeada de homens desconhecidos por ela e sem o devido preparo para seu novo posto. Antes, a mãe de Vitória até chegou a tentar prepará-la para ocupar o cargo, com uma criação rigorosa pautada pelo Sistema de Kensington, um conjunto de regras para educá-la. O que aconteceu, porém, foi que a </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/personagens/rainha-vitoria.html"><span style="font-weight: 400;">Rainha</span></a><span style="font-weight: 400;"> permaneceu vigiada e isolada pela maior parte de sua vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desamparada, após uma sucessão de governantes homens e com uma </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2021/04/familia-real-rainha-vitoria-monarquia-britanica-era-vitoriana-reino-unido"><span style="font-weight: 400;">monarquia enfraquecida</span></a><span style="font-weight: 400;">, a Rainha Vitória começou seu reinado em 1837. Rapidamente, ela se casou com o príncipe Albert, que morreu subitamente de febre tifóide não muitos anos depois. Ela, profundamente apaixonada e previamente marcada pelas perdas em sua vida, mergulhou no luto pelo resto de seus dias, levando a Inglaterra junto dela. Foi nessa época e contexto que o país viu sua curiosidade e </span><a href="https://www.historyextra.com/period/victorian/the-weird-and-wonderful-world-of-victorian-entertainment/"><span style="font-weight: 400;">predileção pelo macabro</span></a><span style="font-weight: 400;"> aflorar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a morte do marido, a Rainha passou a vestir preto o tempo todo e seguiu com seus rituais de luto. Vitória mantinha os funcionários do palácio agindo como se Albert ainda estivesse vivo, diariamente levando água e sua bengala ao antigo cômodo do príncipe, e mandava pintar e pendurar quadros com o retrato dele. Mas a atmosfera sinistra ia além das paredes do castelo: nas ruas da Inglaterra, a obsessão pela morte, o culto aos falecidos e a curiosidade pelo além tornava o país assombroso. Assim, apesar de por definição compreender somente os anos em que esteve no poder, a Era Vitoriana transpassou o período de reinado da Rainha, de 1837 a 1901, mas ficou marcado por seu hábitos e </span><a href="https://darkside.blog.br/o-fascinio-da-era-vitoriana-pelo-macabro/"><span style="font-weight: 400;">características destacáveis</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ressoam até hoje no imaginário popular.</span></p>
<figure id="attachment_27103" aria-describedby="caption-attachment-27103" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-27103 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-2.jpg" alt="Retrato em preto e branco da Rainha Vitória. Em frente a uma sala de um palácio, ao centro, vemos a Rainha Vitória de perfil, sentada sob uma cadeira posando. Rainha Vitória é uma mulher branca, de cabelos escuros lisos, presos por um véu branco, aparentando cerca de 40 anos, usando brincos e colares de pérolas, e vestindo um traje de Rainha, um vestido de manga longa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-2.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/vitorianas-macabras-2-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27103" class="wp-caption-text">No Reinado de Vitória, a colonização britânica e industrialização prosperaram até sua morte, em 1901 com 81 anos (Retrato: Alexandre Bassano)</figcaption></figure>
<p><b>A Era Vitoriana nas ruas da Inglaterra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não bastasse sua monarca mergulhada em uma aura fantasmagórica própria, a população da Inglaterra teve outros incentivos para embarcar na sombria Era Vitoriana. Em uma onda de espiritualismo, os médiuns, cartomantes e pessoas que supostamente encarnavam mortos viram um </span><a href="https://www.cultura930.com.br/freak-show-um-entretenimento-na-era-vitoriana/"><span style="font-weight: 400;">cenário propício</span></a><span style="font-weight: 400;"> para prosperarem, inclusive dentro do palácio real. Nisso, os fenômenos paranormais também se juntaram à lista de </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2016/apr/30/penny-dreadfuls-victorian-equivalent-video-games-kate-summerscale-wicked-boy"><span style="font-weight: 400;">interesses dos ingleses:</span></a><span style="font-weight: 400;"> gabinetes de curiosidade, com artefatos assombrados em exposição, demonstrações mesméricas, casas de crueldades, </span><a href="https://the-line-up.com/freak-show-peculiar-attraction-victorian-era"><i><span style="font-weight: 400;">freak shows</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e sessões de espiritismo e reencarnação faziam sucesso no país, onde que os cidadãos alimentavam a curiosidade pelo bizarro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As precárias condições de vida justificavam o fascínio inglês pela morte. </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/em-1892-pandemia-matou-neto-da-rainha-vitoria.phtml"><span style="font-weight: 400;">Epidemias</span></a><span style="font-weight: 400;">, acidentes, falta de assistência médica, péssimas condições sanitárias e de higiene contribuíram para que a expectativa média de vida de um homem não passasse dos 45 anos. Mulheres e crianças sequer chegavam a isso. O cenário era tão </span><a href="https://www.historyextra.com/period/victorian/the-surprising-history-of-victorian-dog-shows/"><span style="font-weight: 400;">deplorável</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o </span><a href="https://www.megacurioso.com.br/misterios/114891-o-grande-fedor-de-1858-que-quase-intoxicou-londres.htm"><span style="font-weight: 400;">Grande Fedor</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Rio Tâmisa virou um evento, com um dos rios mais famosos do país virando um esgoto a céu aberto &#8211; inclusive, em uma </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/retrato-falado-jack-o-estripador-o-pai-dos-serial-killers/"><span style="font-weight: 400;">leva de crimes</span></a><span style="font-weight: 400;"> na época, até corpos decapitados chegaram a boiar por lá. A morte rondava a Inglaterra.</span></p>
<figure id="attachment_27104" aria-describedby="caption-attachment-27104" style="width: 425px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27104 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a.png" alt="Quadrinho em preto e branco da Era Vitoriana. Na parte superior, vemos a frase “Boys murder their murder” e “Revolting crime at plaistow-shocking details” em fontes pretas serifadas. Abaixo, vemos a página divida em 6 quadrinhos, 3 na parte superior e 3 na parte inferior. O primeiro quadrinho mostra um menino esfaqueando uma mulher em cima de uma cama, em um quarto. O segundo quadrinho, redondo, mostra um homem parado em pé em frente a uma casa. O terceiro quadrinho mostra uma mulher inclinada sobre dois meninos em uma mesa. Nos quadrinhos de baixo, o primeiro mostra duas mulheres observando uma terceira mulher morta deitada em uma cama. O segundo quadrinho mostra dois meninos de terno em um tribunal de julgamento. O terceiro quadrinho mostra dois meninos de cabeça baixa ao lado de um homem, aparentemente um guarda." width="425" height="497" /><figcaption id="caption-attachment-27104" class="wp-caption-text">Além dos freak shows e penny dreadfuls, entretenimentos da época, a sociedade vitoriana também frequentava casas de ópio, que apareceram em outras obras do período &#8211; personagens como Sherlock Holmes e Dorian Gray já passaram por nesses lugares (Foto: The British Library)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O corpo humano também era tópico de interesse dos ingleses da época. Nem as insalubres condições de higiene e vida impediram os cidadãos da Era Vitoriana de realizarem experimentos e atingirem avanços na ciência. O fascínio era tamanho que ladrões de covas e gangues que sequestravam pessoas para roubar órgãos se tornaram comuns, alguns até ganhando fama, como os </span><a href="https://www.geriwalton.com/the-london-burkers-body-snatchers-of-the-1830s/"><span style="font-weight: 400;">London Burkers</span></a><span style="font-weight: 400;">. Hospitais psiquiátricos &#8211; na época, chamados de hospícios &#8211; e </span><a href="https://www.viator.com/pt-BR/tours/London/The-Madness-and-Marvels-of-Victorian-London-with-Highgate-Cemetery/d737-62043P5"><span style="font-weight: 400;">cemitérios</span></a><span style="font-weight: 400;"> também se popularizaram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das estranhezas que cativavam os vitorianos, a Era não foi só conservadorismo e repressão, mas um período propício para descobertas e progresso no campo da Ciência, da Literatura, das Artes e das reivindicações sociais. O movimento sufragista é um exemplo de pauta em alta na época, inclusive com autoras e outras personalidades conhecidas somando à luta. As características daqueles 74 anos de reinado também marcaram a produção literária, com o gênero do Horror, as influências góticas e a popularização dos </span><a href="https://www.estantediagonal.com.br/2020/10/o-que-foram-as-penny-dreadfuls.html"><i><span style="font-weight: 400;">penny dreadfuls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os contos e histórias marcadas pela violência e pelo aumento dos </span><a href="https://www.bbc.com/news/uk-england-berkshire-39330793#:~:text=%22Baby%20farming%22%20was%20a%20practice,get%20rid%22%20of%20their%20baby."><span style="font-weight: 400;">crimes</span></a><span style="font-weight: 400;">, e 13 das importantes expoentes dessas influências foram homenageadas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Este volume busca reparar uma injustiça histórica, trazendo para os leitores brasileiros um pouco da vida e obra de treze mulheres que prestaram uma contribuição extraordinária à literatura. Mulheres que desafiaram as convenções, batalharam contra todo tipo de diversidade e combateram os mais arraigados preconceitos”</span></i></p></blockquote>
<p><b>As Vitorianas Macabras</b></p>
<p><a href="https://www.queridoclassico.com/2020/10/vitorianas-macabras.html"><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">faz jus ao seu nome e, com a devida contextualização, foca nelas: as mulheres da Era Vitoriana movidas pelo medo. Por mais que tenham sido negligenciadas no decorrer da história, as escritoras deixaram sua marca na Literatura de gênero da Era, em produções que serviram de inspiração e pairam sobre nosso imaginário da época até hoje. No livro, Marcia Heloisa organiza uma coletânea (antologia, como ela chama) de contos de cada autora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São 13, de 13 escritoras diferentes. Entre líderes do movimento sufragista e donas de casa que só receberam seu reconhecimento muito tempo depois do que mereciam, cada uma se destaca com seu próprio estilo, tema, ritmo de escrita e narrativa. Ao final, o único elemento em comum entre as mulheres vitorianas é o Horror. E reforçando a proposta da obra, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">lembrar as personalidades femininas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que marcaram a Era Vitoriana, cabe aqui citar seus nomes, um por um.</span></p>
<p><b>Charlotte Riddell</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de escritora de mais de 50 livros, foi proprietária e editora da </span><i><span style="font-weight: 400;">St. James’s Magazine</span></i><span style="font-weight: 400;">, importante revista literária da época. Riddell foi uma das poucas que conseguiu viver de seu trabalho como autora e ser reconhecida em vida. Na obra, seu conto </span><i><span style="font-weight: 400;">A Porta Sinistra</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1882, acompanha um rapaz recém-desempregado investigando o </span><a href="https://personaunesp.com.br/historias-extraordinarias-critica/"><span style="font-weight: 400;">mistério</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma porta que não para fechada em uma mansão mal-assombrada.</span></p>
<figure id="attachment_27105" aria-describedby="caption-attachment-27105" style="width: 486px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27105 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aa.png" alt="Foto de um livro aberto. O livro tem páginas pretas. Na parte esquerda do livro aberto, vemos uma moldura vermelha, com um retrato de uma mulher dentro. Na página direita do livro aberto, vemos, na parte superior central, as palavras “vitorianas macabras” em caixa alta, em uma fonte branca, com o logo, um M vermelho, entre as palavras. Logo abaixo, vemos as palavras &quot;Charlotte Riddell” em uma fonte em vermelho, em caixa alta. Abaixo, vemos palavras em uma letra cursiva, em branco. Ao centro, vemos as palavras “A EDITORA”, em uma fonte em vermelho e caixa alta. Abaixo, vemos os número 1832-1906 em vermelho. Na parte inferior, vemos um bloco de texto em uma fonte em branco." width="486" height="488" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aa.png 486w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aa-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 486px) 85vw, 486px" /><figcaption id="caption-attachment-27105" class="wp-caption-text">&#8220;Vitorianas Macabras comprova que o sangue é cor-de-rosa. Os contos aqui reunidos oferecem uma oportunidade única de descobrir que as histórias de medo sempre foram coisa de mulher.&#8221; &#8211; Gabriela Amaral (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>Louisa Baldwin</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário da sua antecessora no livro, Louisa Baldwin veio de uma família ligada aos negócios do Rei, e seu casamento, assim como o de suas três irmãs, foram destaque na história dela. Pelo menos no que dizem as biografias, já que a autora escreveu diversos poemas, romances e uma coletânea de </span><a href="https://darkside.blog.br/conheca-5-autoras-macabras-que-desafiaram-as-regras-de-seu-tempo/"><span style="font-weight: 400;">contos de horror</span></a><span style="font-weight: 400;">. No livro, a obra escolhida para representá-la foi o conto </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mistério do Elevador</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1895, um dos mais curtos e mais envolventes de toda a coletânea da </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkside</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><b>Edith Nesbit</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de ter escrito mais de 60 livros infantis, contos de horror, romances e poemas, foi co-fundadora de um movimento socialista londrino, precursor do Partido Trabalhista. Foi politicamente engajada, frequentando círculos sociais e literários da época, e tornou-se professora convidada da Escola de Economia e Ciência Política em Londres. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">, é homenageada com a inclusão de seu conto </span><i><span style="font-weight: 400;">Mortos em Mármore</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1887, que mistura o terror sobrenatural ao suspense psicológico.</span></p>
<p><b>Violet Hunt</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filha de personalidades famosas da pintura e da literatura da época, Violet Hunt cresceu em um universo artístico. Foi autora de romances e contos, membro da Liga Sufragista de Autoras e Clube Internacional de Escritores PEN, além de ter participado do movimento sufragista. Se manteve em atividade até morrer e, no livro, tem sua participação com o conto </span><i><span style="font-weight: 400;">A Prece</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1911, em que a protagonista revive um falecido e reforça o fascínio da </span><a href="https://www.gestaoeducacional.com.br/era-vitoriana-o-que-foi/#:~:text=A%20classe%20m%C3%A9dia%20vitoriana,o%20auge%20da%20Revolu%C3%A7%C3%A3o%20Industrial."><span style="font-weight: 400;">Era Vitoriana</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela morte e pelo que existe além.</span></p>
<figure id="attachment_27107" aria-describedby="caption-attachment-27107" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27107 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Louisa-Baldwin-1024x538-1-800x420.png" alt="Ao fundo da foto, vemos papéis espalhados sob uma mesa. Do lado esquerdo da imagem, vemos o desenho de um bode e uma caneta tinteiro vermelha. Ao centro, vemos um cartão postal com o retrato em preto e branco de uma mulher. Na parte inferior direito do retrato, vemos as palavras “LOUISA BALDWIN” em branco, em caixa alta. Do lado direito da mesa, vemos fotos em preto e branco cortadas pelo enquadramento da foto." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Louisa-Baldwin-1024x538-1-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Louisa-Baldwin-1024x538-1-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Louisa-Baldwin-1024x538-1.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27107" class="wp-caption-text">Amelia B. Edwards publicou seu primeiro poema aos sete anos; sua obra O Coche Fantasma permanece um dos contos mais clássicos de terror até hoje (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>Amelia B. Edwards</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A lista de cargos de Amelia B. Edwards é longa: escritora, jornalista, pesquisadora e egiptologista. Ao contrário de outras autoras da antologia, que tiveram de conseguir reconhecimento por suas obras como forma de ganharem independência, o sucesso das obras de Edwards a incentivou a deixar a Inglaterra e partir em execuções, se dedicando a relatá-las em outras produções, além de contribuições ao estudo do Egito. Ela foi declaradamente feminista e, muito politizada, foi vice-presidente de uma sociedade sufragista. Amelia B. Edwards também é uma das ícones da </span><a href="https://morningstaronline.co.uk/article/amelia-edwards-lesbian-and-egyptologist"><span style="font-weight: 400;">história LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> inglesa: viveu por anos com sua companheira e as duas foram enterradas juntas, em um cemitério considerado patrimônio histórico LGBT no país. Na obra, participa com o conto </span><i><span style="font-weight: 400;">O Coche Fantasma</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1864.</span></p>
<p><b>Charlotte Bronte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O sobrenome de Charlotte é famoso o suficiente para dispensar grandes apresentações: a autora foi uma das irmãs Bronte, as três grandes escritoras da Era Vitoriana. Junto de </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/emily-bronte-a-curiosa-vida-da-autora-de-o-morro-dos-ventos-uivantes/"><span style="font-weight: 400;">Emily</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Anne, financiaram a publicação de uma coletânea de poemas, com pseudônimos masculinos, e a partir daí, conseguiram publicar seus próprios trabalhos. A escrita de Charlotte, inclusive, foi elogiada pela Rainha Vitória. Em três páginas, seu conto </span><i><span style="font-weight: 400;">Napoleão e o Espectro </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue ser cômico e sombrio, ao mesmo tempo.</span></p>
<p><b>Elizabeth Gaskell</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Romancista, contista e biógrafa, teve trabalhos publicados e reconhecidos ainda em vida, como o romance </span><i><span style="font-weight: 400;">Mary Barton</span></i><span style="font-weight: 400;">, artigos e a biografia da família Bronte, por ser melhor amiga de Charlotte. Sua casa virou um museu dedicado a sua vida e obra, e, em </span><a href="https://darkside.blog.br/a-macabra-filmes-e-a-darkside-books-apresentam-vitorianas-macabras/"><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Conto da Velha Ama</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1852, aborda o terror psicológico com uma ama recordando acontecimentos sinistros de sua juventude em uma mansão assombrada.</span></p>
<figure id="attachment_27108" aria-describedby="caption-attachment-27108" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27108 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/bronte.jpg" alt="A imagem é uma pintura. A pintura retrata três mulheres brancas e jovens, lado a lado. À esquerda, vemos, do peito para cima, uma mulher de cabelos castanhos presos, usando um vestido verde e um laço rosa. Ao centro, em pé, vemos uma mulher de cabelos castanhos curtos usando um vestido lilás. À direita, sentada, vemos, da cintura para cima, uma mulher de cabelos loiros usando um vestido bege e um laço azul." width="620" height="356" /><figcaption id="caption-attachment-27108" class="wp-caption-text">Na imagem, as irmãs Bronte: Anne, Emily e Charlotte (Pintura: Edwin Landseer)</figcaption></figure>
<p><b>Mary Elizabeth Brandon</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez a de maior reconhecimento literário na época, Mary Elizabeth Brandon publicou mais de 80 livros e um deles, </span><a href="https://stringfixer.com/pt/Lady_Audley's_Secret"><i><span style="font-weight: 400;">O Segredo de Lady Audley</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1862) se tornou </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com o sucesso, ela conquistou a devida fama e independência financeira para seguir com suas publicações. Posteriormente, a obra foi adaptada para o rádio, para o cinema e para os palcos, alavancando ainda mais o alcance de Brandon na sociedade vitoriana. No livro, seu conto de horror </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sombra da Morte</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1879. abusa do terror psicológico.</span></p>
<p><b>Margareth Oliphant</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário do restante das personalidades da coletânea, Margareth Oliphant, autora de romances, contos, artigos, ensaios, biografias e críticas literárias, só dedicou-se a seu trabalho de escritora após a morte de seu marido, como uma forma de sustentar os filhos. Casou-se novamente, com um editor de uma prestigiada revista literária da época, e continuou produzindo sem descanso até sua morte. Segundo </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">a crítica moderna afirma que, se pudesse trabalhar menos e criar mais, Margareth teria sido um dos bastiões da Literatura britânica</span></i><span style="font-weight: 400;">”. No livro, seu conto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=B1b7p5mtX78"><i><span style="font-weight: 400;">A Janela da Biblioteca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1896, uma jovem de férias na casa de sua família na Escócia descobre um nefasto segredo e uma janela para o desconhecido.</span></p>
<p><b>Rhoda Broughton</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobrinha de um </span><a href="https://www.tor.com/2022/03/30/completely-natural-explanations-j-sheridan-le-fanus-carmilla-part-4/"><span style="font-weight: 400;">grande escritor</span></a><span style="font-weight: 400;"> da época, Rhoda Broughton teve apoio do tio no início da carreira e publicou dois romances na sua prestigiada revista literária. A partir daí, caiu no gosto do público e se tornou uma autora popular no século XIX, com seu romances e contos inventivos e sensacionalista sobre personagens femininas que desafiavam o decoro vitoriana. A coletânea conta que sua popularidade foi tamanha que outros escritores famosos no período, como Oscar Wilde e Lewis Caroll, se sentiram intimidados por ela, e há boatos de que Margareth Oliphant a repudiava por sua ousadia nas histórias. Trabalhou incansavelmente até sua morte e, na antologia, aparece com o conto </span><i><span style="font-weight: 400;">A verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1868.</span></p>
<figure id="attachment_27109" aria-describedby="caption-attachment-27109" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27109 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Vernon-Lee-1024x538-1-800x420.png" alt="Ao fundo da foto, vemos papéis espalhados sob uma mesa. Do lado esquerdo da imagem, vemos o desenho de um bode e uma caneta tinteiro vermelha. Ao centro, vemos um cartão postal com o retrato em preto e branco de uma mulher de perfil, vestindo um terno e olhando para fora de uma janela. Na parte inferior direito do retrato, vemos as palavras “VERNON LEE” em branco, em caixa alta. Do lado direito da mesa, vemos fotos em preto e branco cortadas pelo enquadramento da foto." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Vernon-Lee-1024x538-1-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Vernon-Lee-1024x538-1-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Vernon-Lee-1024x538-1.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27109" class="wp-caption-text">A peça teatral Satanás, o Devastador, em oposição à Primeira Guerra Mundial, é considerada uma obra-prima vanguardista de Vernon Lee (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>H.D. Everett</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente das colegas com que divide as páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vitorianas Macabras</span></i><span style="font-weight: 400;">, H.D. Everett permaneceu um mistério por boa parte de sua vida. Começou a escrever somente após os 44 anos e publicou seus primeiros livros sob um pseudônimo masculino, o de Theo Douglas. Sua identidade só foi revelada em 1910, pouco mais de uma década antes de morrer, e caiu no esquecimento com o passar dos anos. Suas obras e sua escrita, porém, foram elogiadas por escritores famosos da Literatura de Horror, com suas histórias que mesclam terror e ficção científica, combinando temas vitorianos a toques modernos do início do século XX. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Maldição da Morta</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1920, conto com que marca presença no livro, pode-se notar os </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/vitrine/de-jane-eyre-crimes-vitorianos-e-mais-6-obras-surpreendentes-sobre-era-vitoriana.phtml"><span style="font-weight: 400;">elementos comuns</span></a><span style="font-weight: 400;"> da sua literatura em uma narrativa cheia de terror espiritual, com um viúvo assombrado por sua falecida mulher.</span></p>
<p><b>Vernon Lee</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vernon Lee fez tudo e desafiou tudo. Escritora, dramaturga e ensaísta, ela publicou mais de 50 livros, entre contos, romances, peças e ensaios, e se tornou notável por suas histórias de horror. Ela também ficou famosa por suas contribuições aos estudos de Filosofia e Estética, e por sua luta política &#8211; como uma ávida pacifista e antimilitarista, se opôs à Primeira Guerra Mundial e escreveu uma trilogia teatral de protesto. </span><a href="https://www.theparisreview.org/blog/2018/04/03/between-me-and-my-real-self-on-vernon-lee/"><span style="font-weight: 400;">Ela</span></a><span style="font-weight: 400;"> também desafiou os costumes da sociedade vitoriana: lésbica, assumia e vivia seu relacionamentos às claras, tendo permanecido com sua companheira até a morte, e se vestia em trajes tipicamente masculinos em provocação. No livro, participa com </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor Dure</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1887, um dos contos mais longos, envolventes e poéticos da coletânea, sobre um jovem historiador que se apaixona por uma jovem italiana morta há séculos.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Somos herdeiros das transformações e contradições vitorianas, adotamos e aperfeiçoamos seus avanços científicos e tecnológicos, exaltamos suas descobertas, apreciamos suas expressões artísticas, reverenciamos suas figuras ilustres</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><b>May Sinclair</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A última, mas não menos importante, das macabras vitorianas lembradas na antologia de contos, May Sinclair foi romancista, contista, poeta, tradutora e crítica literária, com mais de 23 romances e dezenas de outras produções publicadas. Cedo na vida, ela teve de largar seus estudos para cuidar da mãe e dos irmãos, e se tornou autodidata. Ganhou destaque na Liga Sufragista das Autoras e também contribuiu com a psicanálise, em uma sociedade de pesquisa sobre fenômenos psíquicos e paranormais. Suas histórias de terror psicológico e tramas sobrenaturais foram chamativas e, no livro, entra com o conto </span><a href="https://www.stuckinabook.com/uncanny-stories-may-sinclair/"><i><span style="font-weight: 400;">Onde o fogo não se apaga</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1923.</span></p>
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		<title>O terror vem da terra em Gótico Mexicano</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Jan 2022 19:15:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos O mundo natural pode ser palco de horrores muito mais tangíveis do que qualquer assombração maligna que os Warren seriam capazes de oferecer. Apesar da natureza não poder ser medida com nossas próprias réguas morais, é impossível não reparar na peculiaridade e na diversidade das interações entre animais, plantas, fungos e outros organismos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gotico-mexicano-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O terror vem da terra em Gótico Mexicano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25723" aria-describedby="caption-attachment-25723" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25723 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Gótico-Mexicano-destacada.png" alt="Recorte da capa de Gótico Mexicano. Vemos uma mulher com a pele escura bronzeada do busto até a região do nariz. Seu cabelo é curto e preto e ela usa um vestido vinho com os ombros de fora. O fundo é verde com estampas florais em tom mais escuro." width="1080" height="540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Gótico-Mexicano-destacada.png 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Gótico-Mexicano-destacada-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Gótico-Mexicano-destacada-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/Gótico-Mexicano-destacada-768x384.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25723" class="wp-caption-text">Gótico Mexicano é o primeiro livro de Silvia Moreno-Garcia a ser traduzido no Brasil (Foto: DarkSide Books)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mundo natural pode ser palco de horrores muito mais tangíveis do que qualquer assombração maligna que os </span><a href="https://personaunesp.com.br/invocacao-do-mal-3-critica/"><span style="font-weight: 400;">Warren</span></a><span style="font-weight: 400;"> seriam capazes de oferecer. Apesar da natureza não poder ser medida com nossas próprias réguas morais, é impossível não reparar na peculiaridade e na diversidade das interações entre animais, plantas, fungos e outros organismos vivos que habitam os confins do planeta Terra – fêmeas devoram machos, vespas </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/estudo-revela-acao-de-vespas-parasitoides-em-lagartas-de-borboleta-bg2266ap71n701rk9whh9hbv2/"><span style="font-weight: 400;">depositam seus ovos</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro do corpo de um amigo inseto desavisado, baratas são comidas vivas por </span><a href="https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2020/01/15/conheca-o-inseto-que-transforma-baratas-em-zumbis.ghtml"><span style="font-weight: 400;">vespas-esmeralda</span></a><span style="font-weight: 400;">. E é partir dessa loucura ecológica que Silvia Moreno-Garcia revira a terra para dar vida ao seu </span><a href="https://darkside.blog.br/lancamento-gotico-mexicano-por-silvia-moreno-garcia/"><i><span style="font-weight: 400;">Gótico Mexicano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançado pela </span><a href="https://www.darksidebooks.com.br/"><i><span style="font-weight: 400;">DarkSide Books</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2021.</span></p>
<p><span id="more-25719"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Revisitando a melancolia da </span><a href="https://homoliteratus.com/a-historia-da-literatura-gotica-obras-e-escritores/"><span style="font-weight: 400;">Literatura gótica</span></a><span style="font-weight: 400;"> originalmente inglesa, Moreno-Garcia constrói uma atmosfera densa e enevoada pelos mistérios que cercam Noemí Taboada, </span><i><span style="font-weight: 400;">socialite </span></i><span style="font-weight: 400;">da Cidade do México na década de 1950 que precisa deixar sua vida de festas e namoros de lado para ir atrás da prima Catalina que, após se casar e se mudar para o interior, envia uma carta desesperada para a família. Sem fazer ideia do que a espera, Noemí viaja até a pequena cidade de El Triunfo para buscar respostas de Virgil Doyle, o homem que levou Catalina para longe de casa com um anel de casamento no dedo.</span></p>
<figure id="attachment_25721" aria-describedby="caption-attachment-25721" style="width: 1077px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25721 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/silvia-moreno-garcia.jpg" alt="Foto horizontal de Silvia Moreno-Garcia. A autora tem a pele clara, cabelos compridos e escuros e usa óculos. Ela está no canto esquerdo da foto, sentada em um parque e olhando de lado para a câmera, sorrindo. Silvia usa uma blusa de cetim preta com mangas compridas e saia preta com desenhos coloridos." width="1077" height="646" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/silvia-moreno-garcia.jpg 1077w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/silvia-moreno-garcia-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/silvia-moreno-garcia-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/silvia-moreno-garcia-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25721" class="wp-caption-text">A autora está na porta de lançar seu oitavo livro, chamado The Daughter of Doctor Moreau, e exige que o elenco da adaptação de sua obra seja composto por atores e atrizes latinoamericanos (Foto: DarkSide Books)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Vinda de um centro cultural movimentado, a protagonista sente nos ossos a mudança de ares – El Triunfo é uma cidadezinha decadente que estampa apenas os resquícios de um passado glorioso, quando a mina da região jorrava prata e os britânicos se estapeavam pela mão de obra local. No entanto, no alto do morro vizinho àquele conjunto de casas mortas-vivas, os Doyle se escondem na própria história e dentro de High Place, a </span><a href="https://darkside.blog.br/mansoes-mal-assombradas/"><span style="font-weight: 400;">mansão vitoriana</span></a><span style="font-weight: 400;"> que abriga os quatro membros da família, três criados importados da Inglaterra e a jovem enferma Catalina, com seus olhos vazios e seu espírito assombrado.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A casa pairava sobre eles como uma gárgula enorme e silenciosa. Se não estivesse tão desgastado, o lugar teria parecido agourento, evocando imagens de fantasmas e casas assombradas, com sarrafos faltando das venezianas, o ébano do alpendre rangendo à medida que eles subiam a escada até a porta, que exibia uma aldrava prateada no formato de um punho que pendia de um círculo.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Se não fosse pelo carisma infinito e o humor irreverente da protagonista, </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/gotico-mexicano-veredito-omeletv"><i><span style="font-weight: 400;">Gótico Mexicano</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> seria engolido por uma tensão sufocante do início ao fim, mas é a </span><i><span style="font-weight: 400;">socialite</span></i><span style="font-weight: 400;"> quem encaminha a narrativa a um balanceamento ideal entre o sombrio e o cômico. Acostumada a ter tudo o que quer, Noemí se depara com uma família inglesa fria, eugenista, excepcionalmente pálida e para lá de suspeita quanto ao tratamento de Catalina. Escuras e sem vida, as paredes de High Place esmagam a visitante indesejada como que tentando descobrir se ela é uma ameaça. Diante desse cenário, não é preciso muito para que a desconfiança invada o coração da jovem.</span></p>
<figure id="attachment_25725" aria-describedby="caption-attachment-25725" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25725 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/gotico-mexicano.jpg" alt="Divulgação da capa de Gótico Mexicano. O livro está no centro da imagem. Sua capa estampa uma mulher de pele escura, com vestido vinho e flores amarelas nas mãos. O fundo da imagem é preto e cogumelos amarelos crescem na base." width="1000" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/gotico-mexicano.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/gotico-mexicano-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/gotico-mexicano-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25725" class="wp-caption-text">A história se baseia na cidade de Real del Monte, no centro do México, também explorada por britânicos (Foto: DarkSide Books)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como um bom romance gótico, </span><a href="https://darkside.blog.br/mulheres-inspiradoras-folclore-mexicano-marcam-obra-silvia-moreno-garcia/"><span style="font-weight: 400;">o livro de Silvia Moreno-Garcia</span></a><span style="font-weight: 400;"> abusa das assombrações e dos cemitérios cheios de nevoeiros enquanto dispensa resoluções previsíveis aos seus mistérios. No entanto, o que refresca a narrativa da mexicana é a </span><a href="https://www.fangoria.com/original/silvia-moreno-garcia-on-mexican-gothic/"><span style="font-weight: 400;">releitura decolonial</span></a><span style="font-weight: 400;"> do gênero e a escrita obstinada em enfrentar a opressão colonizadora que pairou sobre a América Latina ao longo da História. El Triunfo e seus moradores nunca esqueceram de seus mineiros desprezados, inferiorizados e despejados em valas coletivas – seja por mãos espanholas ou inglesas. O acerto de contas pode se materializar na presença de Noemí, mas é </span><a href="https://abibliotecanoturna.com/2021/03/08/o-feminino-assombrado-10-autoras-e-suas-obras-arrepiantes/"><span style="font-weight: 400;">a caneta</span></a><span style="font-weight: 400;"> por trás da personagem que dá o verdadeiro passo dentro dessa longa batalha cultural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é por isso que, durante </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/gotico-mexicano-atualiza-o-genero-de-frankenstein-com-incesto-xenofobia-e-canibais.shtml"><span style="font-weight: 400;">as 288 páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gótico Mexicano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a sensação de perigo iminente se intensifica quando algum Doyle está por perto. Com ideias racistas e um sorriso predatório, é Howard, o ancião da família e pai de Virgil, quem mais desperta o incômodo e a náusea de Noemí. Apesar de pouco aparecer em cena, sua figura parasita persegue a protagonista em seus sonhos, tão palpável quanto a casa que o patriarca trouxe diretamente de sua terra natal, e é ao redor da sua carcaça podre e decrépita que o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i><span style="font-weight: 400;"> fúngico do livro dá as caras.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Uma mulher que não é querida é considerada uma megera, e uma megera não pode fazer quase nada, pois todas as portas estão fechadas para ela.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Por integrar a alta elite mexicana, </span><a href="https://www.momentumsaga.com/2021/03/resenha-gotico-mexicano-de-silvia-moreno-garcia.html"><span style="font-weight: 400;">Noemí ainda foca em manter a pose</span></a><span style="font-weight: 400;"> diante dos confrontos em que se insere. Suas visitas obstinadas até El Triunfo em busca dos rumores que cercam High Place são recebidas com reprimendas violentas e insultos misóginos por parte da governanta Florence, assim como sua insistência em fornecer a Catalina tratamento psiquiátrico adequado desperta a fúria do marido da prima. Apesar de um ótimo personagem, Virgil se segura pelas beiradas para manter com firmeza o título de vilão – título esse que seu pai carrega sem muito esforço. A relação ora cordial ora arisca entre Noemí e o severo Doyle se torna cansativa às vistas, sempre entregando os mesmos conflitos e incorporando os argumentos anteriormente utilizados.</span></p>
<figure id="attachment_25720" aria-describedby="caption-attachment-25720" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25720 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/mg2-1024x764.jpeg" alt="Poster de Gótico Mexicano. Vemos o desenho de uma mulher no canto direito, com uma lamparina na mão. Ao fundo, vemos uma grande mansão no topo de uma colina, tudo banhado em luz azul. O céu é vermelho e as palavras MEXICAN GOTHIC está em amarelo." width="840" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/mg2-1024x764.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/mg2-800x597.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/mg2-768x573.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/mg2-1536x1147.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/mg2-1200x896.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/mg2.jpeg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25720" class="wp-caption-text">A arte que entrou em uma das edições de Gótico Mexicano no exterior recria pôsteres de giallos dos anos 70 e capas antigas de livros góticos (Foto: Mia Araujo/<a href="https://twitter.com/mllemiaaraujo">@mllemiaaraujo</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de um romance mal engatado e de um ou outro personagem sem final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gótico Mexicano </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue manter uma estabilidade temática que surpreende e encanta os apaixonados pelo gênero. Noemí, que ganhou o sobrenome em homenagem a </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/carlos-enrique-taboada"><span style="font-weight: 400;">Carlos Enrique Taboada</span></a><span style="font-weight: 400;">, cineasta mexicano de Terror dos anos 70, é uma protagonista a altura da história em que está inserida, dialogando com a autonomia das </span><a href="https://personaunesp.com.br/shirley-critica/"><span style="font-weight: 400;">presenças femininas</span></a><span style="font-weight: 400;"> na </span><a href="https://fahrenheitmagazine.com/pt/arte/letras/shirley-jackson-a-senhora-da-literatura-de-terror"><span style="font-weight: 400;">Literatura de Shirley Jackson</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ciente da sua própria força e com confiança de sobra em sua inteligência, nem mesmo a visão de High Place no melhor estilo </span><a href="https://www.jornadageek.com.br/novidades/a-queda-da-casa-de-usher-minisserie/"><i><span style="font-weight: 400;">A Queda da Casa de Usher</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> a levou de volta para casa. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A criação de uma vida após a morte fornecida a partir da medula, dos ossos e dos neurônios de uma mulher feita de caules e esporos.” </span></p></blockquote>
<p><a href="https://silviamoreno-garcia.com/"><span style="font-weight: 400;">Silva Moreno-Garcia</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria um universo coerente e representativo, salpicando elementos da </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-noite-do-fogo-critica/"><span style="font-weight: 400;">cultura mexicana</span></a><span style="font-weight: 400;"> de forma que os acostumados com a visão estereotipada do país amarelado e árido dos filmes estadunidenses se espantem com a chuva fina, a neblina e os montes de lama que castigam os pobres saltos-agulha de Noemí Taboada. Graças a tradução de Marcia Heloisa e Nilsen Silva, os termos utilizados para descrever o vestuário, a culinária e até as figuras latinoamericanas citadas pela mente antropóloga da protagonista são devidamente esclarecidos pelas notas de rodapé para os que não são familiarizados com a vastidão de espaços presentes no México.</span></p>
<p><a href="https://darkside.blog.br/mexican-gothic-silvia-moreno-garcia-comenta-sobre-adaptacao-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Com série confirmada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-handmaids-tale-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e produção-executiva da própria autora, </span><a href="https://valkirias.com.br/gotico-mexicano/"><i><span style="font-weight: 400;">Mexican Gothic</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mistura discussões raciais e coloniais com uma narrativa repleta de incesto, canibalismo e cogumelos – tudo isso sob uma escrita tenaz e uma gama de descrições assustadoramente deliciosas. Renovando e subvertendo os clichês dos romances góticos, o sexto livro de Moreno-Garcia é uma criação astuta e determinada sobre o que os vários passados têm a contar a respeito da grande, colorida e pulsante cicatriz que é a América Latina. E que fique claro: seja utilizando caravanas, intervenções militares ou bloqueios econômicos, os intrusos são, e sempre foram, eles.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Mexican Gothic by Silvia Moreno-Garcia" width="100%" height="380" style="[object Object]" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/233O4CcNUXQIJjqcHlsHqj?go=1&#038;sp_cid=e7e2949fd55bd18274b3b13c9de671cf&#038;utm_source=oembed&#038;utm_medium=desktop&#038;nd=1"></iframe></p>
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		<title>O medo em O Chamado de Cthulhu na verdade é uma sugestão</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Oct 2021 16:40:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Angelus Simões O clima é de abóboras, doces e Terror. Outubro chega e traz com ele uma das datas mais aguardadas pelos amantes do gênero, o Halloween. E é impossível falar de cultura do Horror sem evocar o nome de Howard Phillips Lovecraft, contista de ficção de Terror e fundador de um novo gênero dessa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-chamado-de-cthulhu-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O medo em O Chamado de Cthulhu na verdade é uma sugestão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24196" aria-describedby="caption-attachment-24196" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24196" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-capa.png" alt="Capa do livro O Chamado de Cthulhu, pela editora Darkside Books. Foto quadrada, com o livro no centro. A capa é composta majoritariamente pela figura do monstro se levantando do oceano. A criatura posiciona-se de costas para o observador, estando visível principalmente suas asas e braço direito. A imagem possui tons brancos, cinzas e pretos que dão uma impressão de nevoeiro." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-capa.png 400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-capa-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24196" class="wp-caption-text">Uma das principais inspirações do autor ao escrever esse conto foi o poema <a href="https://www.nerdmaldito.com/2017/06/o-kraken-o-poema-que-inspirou-criacao.html">O Kraken</a> de Alfred Tennyson (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>Angelus Simões</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O clima é de abóboras, doces e Terror. Outubro chega e traz com ele uma das datas mais aguardadas pelos amantes do gênero, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i><span style="font-weight: 400;">. E é impossível falar de cultura do Horror sem evocar o nome de</span><a href="https://www.infoescola.com/biografias/h-p-lovecraft/"> <span style="font-weight: 400;">Howard Phillips Lovecraft</span></a><span style="font-weight: 400;">, contista de ficção de Terror e fundador de um novo gênero dessa mesma cultura, e autor de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Chamado de Cthulhu</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24195"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome de Lovecraft é conhecido pela grande maioria dos entusiastas de ficção e Horror, e mesmo aqueles que não se relacionam muito com Literatura não estão salvos de suas obras. A influência das criações do autor, como </span><i><span style="font-weight: 400;">The Call of Cthulhu</span></i><span style="font-weight: 400;">, alcançou o mundo dos </span><i><span style="font-weight: 400;">games</span></i><span style="font-weight: 400;">, dos quadrinhos, séries, </span><i><span style="font-weight: 400;">RPGs,</span></i><span style="font-weight: 400;"> animações e filmes, como, por exemplo, o jogo</span><a href="https://turnmundonerd.com.br/como-h-p-lovecraft-influenciou-bloodborne/"> <i><span style="font-weight: 400;">Bloodborne</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e a série de animação </span><i><span style="font-weight: 400;">Rick and Morty. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal problema com a grande popularidade angariada por suas histórias, está no fato de que isso acaba por ofuscar o verdadeiro monstro de suas obras, o </span><a href="https://medium.com/the-speculative-hinterlands/lovecraft-and-the-language-of-eugenics-c28e8ff7977b"><span style="font-weight: 400;">seu próprio racismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando se fala em Lovecraft, muitos pensam em </span><span style="font-weight: 400;">Dagon </span><span style="font-weight: 400;">ou </span><span style="font-weight: 400;">Cthulhu</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">e pouco  se pensa na postura racista e preconceituosa que ele representa, e mesmo  aqueles que pensam no assunto costumam estar dispostos a perdoar essa imensa mazela que permeia quase todos os contos do autor em prol da qualidade de escrita do mesmo.</span></p>
<figure id="attachment_24197" aria-describedby="caption-attachment-24197" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24197" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-12.jpg" alt="A imagem apresenta uma cena da abertura de Rick and Morty. No fundo da cena na parte inferior há uma paisagem deserta e pedregosa em tons cinzas e azuis, na parte superior ao fundo encontra-se o céu. Centralizados na imagem estão a nave de Rick e Morty, fugindo da criatura que se assemelha ao monstro de Lovecraft. O monstro possui seis olhos vermelhos em uma cabeça cefalópode com seis tentáculos, um par de asas em tons rosados e braços terminados em garras afiadas." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-12.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-12-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-12-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-12-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-12-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-12-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24197" class="wp-caption-text">Alusão ao personagem Cthulhu na abertura de Rick and Morty (Foto: Adult Swim)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, é crucial preparar-se para um texto advindo de outro lugar histórico. O fato é que as histórias de Lovecraft não são influenciadas apenas pelos valores da época em que foram escritos mas também pelo contexto de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=udk5uWt1GSE"><span style="font-weight: 400;">vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> do próprio autor. O contista cresceu a maior parte de sua infância na mansão do avô, afastado inclusive da escola devido a sua saúde frágil, e passava grande parte de seu tempo na biblioteca da casa, lendo obras clássicas e livros de Terror.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse comportamento literato deu a Howard um vasto arsenal de mitologia e vocabulário para fazer mão em seus textos. No entanto, a soma de sua reclusão com a vida em uma cidade pequena e a criação aristocrática, acabou por fortalecer os preconceitos do autor, gerando um comportamento </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/colunas/pagina-cinco/2020/08/20/michel-houellebecq-sobre-h-p-lovecraft-sempre-foi-racista.htm"><span style="font-weight: 400;">racista</span></a><span style="font-weight: 400;">, xenofóbico e muitas vezes eugenista, atitude essa que viria a ser acentuada durante seu período de maior convivência social em Nova Iorque. Esse medo e desprezo em relação ao diferente se vê traduzido em seu estilo de escrita e em suas histórias, sempre protagonizadas por vilões de etnia estrangeira e/ou não-branca. Especula-se que, inclusive, alguns de seus primeiros monstros fossem representações desses povos por quem tinha menosprezo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim sendo, é importante ter consciência sobre essas mazelas que mancham de forma significativa as diversas criações de Lovecraft. Infelizmente, para aqueles que desejam conhecer o Horror cósmico como foi concebido, vez ou outra acabará por ler alguma de suas obras e terá de enfrentar os monstros não-ficcionais em seus textos. No fim, cabe a cada um decidir como lidar com isso.</span></p>
<figure id="attachment_24198" aria-describedby="caption-attachment-24198" style="width: 1095px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24198" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-12.jpg" alt="Fotografia de um aviso presente no início de um livro de contos de H.P Lovecraft. O aviso diz o seguinte: “Ao escritor incomodava a descaracterização das paisagens e dos costumes que tanto queria preservar, e ele atribuía uma decadência generalizada, entre outras coisas, à presença cada vez mais próxima de pessoas de diferentes etnias. Suas histórias apresentam, muitas vezes, indígenas, negros, mestiços, ciganos e imigrantes de várias origens de forma pejorativa. Não é possível dissociar os contos de Lovecraft, repletos de criaturas cósmicas assustadoras, dos contos entremeados de manifestação do preconceito. Fica a critério do leitor o tratamento que dará a essas passagens, para que o clima de horror prevaleça durante a leitura." width="1095" height="836" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-12.jpg 1095w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-12-800x611.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-12-1024x782.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-12-768x586.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24198" class="wp-caption-text">Aviso presente em um livro que reúne contos do autor (Foto: Angelus Simões)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dos contos do autor, juntamente com suas criaturas míticas,</span> <a href="http://filosofianerd.com.br/pdf/lovecraft_chamado_cthulhu.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">O Chamado de Cthulhu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é possivelmente o mais conhecido e influente de todos. A história se inicia com uma estrutura característica adotada pelo contista: a narrativa em primeira pessoa. Esse é um recurso utilizado com maestria por Lovecraft, que o utiliza para aproximar o leitor das experiências narradas e trazer um tom de realidade maior para seu Horror. Nesse em específico, Lovecraft nos faz acompanhar quase na pele a construção do medo e da insanidade vividas pela personagem narradora da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama, publicada em 1928, tem início quando o narrador herda de seu tio-avô, um professor universitário, vários documentos e obras referentes ao seu trabalho, e dentre eles se depara com um estudo peculiar nomeado como </span><i><span style="font-weight: 400;">“O culto de Cthulhu”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse estudo trata de uma série de documentos, cartas e anotações que tem como centro uma seita obscura e secreta a uma divindade ancestral que possui o nome de</span> <a href="https://www.lpm-blog.com.br/?p=28089"><span style="font-weight: 400;">Cthulhu</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história então se desenvolve para ser dividida em três partes que visam ilustrar esse estudo sobre o culto. Na primeira, o texto acompanha as investigações do protagonista acerca dos estudos realizados por seu tio-avô, e neles, o parente acaba por descobrir uma interligação entre artistas e poetas que  têm alucinações e sonhos semelhantes relacionados a algum tipo de monstruosidade perdida nas profundezas do mar. Essa parte da narrativa é fundamental para plantar a semente da apreensão no leitor, nos fazendo olhar o horror da história em um plano maior e mais ameaçador. Na segunda parte, o conto regressa um pouco no tempo e nos mostra um culto nos pântanos de </span><a href="https://catracalivre.com.br/viagem-livre/entre-fantasmas-vodu-e-vampiros-nova-orleans-tem-o-titulo-de-cidade-mais-mal-assombrada-do-mundo/"><span style="font-weight: 400;">Nova Orleans</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto se desenvolve essa etapa da história, o Horror cósmico começa a mostrar sua face, diminuindo-nos a vítimas impotentes das vontades de uma raça ancestral adormecida em nosso planeta, enquanto tudo o que podemos fazer é aguardar seu despertar.</span></p>
<p><figure id="attachment_24199" aria-describedby="caption-attachment-24199" style="width: 1334px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24199" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2.jpeg" alt="Imagem retangular, em tons frios de azul e preto, representando um grupo de pessoas nuas movendo-se ao redor de uma fogueira que por sua vez encontra-se ao redor de um pilar." width="1334" height="943" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2.jpeg 1334w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2-800x566.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2-1024x724.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2-768x543.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2-1200x848.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24199" class="wp-caption-text">“Os prisioneiros revelaram-se todos homens de um tipo de mestiçagem muito inferior e mentalmente aberrante (&#8230;)” [Foto: Skript]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Na terceira e última etapa da narrativa, o protagonista investiga o caso da tripulação de uma embarcação que foi atacada por cultistas, e, ao sobreviver, acabou supostamente se deparando com a cidade ciclópica, antes vista apenas nos sonhos dos artistas e nas narrativas dos adoradores. Esse ponto em específico do texto pode ser um pouco decepcionante para alguns, pelo fato de quebrar o ar de mistério sobre a existência de todas as coisas descritas nas partes anteriores, mas ainda é de suma importância na construção do medo no conto como um todo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto mais forte do estilo de Lovecraft, que é altamente presente nesse conto, é o Terror como uma sugestão. A maior parte da história é composta por divagações e investigações por parte do narrador, onde nada de concreto de fato acontece, e, no entanto, o medo está ali. Esse terror psicológico deixa o próprio </span><span style="font-weight: 400;">Cthulhu</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que leva o nome no título, como uma espécie de personagem secundário, uma sombra milenar que se estende através do tempo para assombrar os dias atuais. O mérito do conto está em nos deixar com medo daquilo que não sabemos o que é, como definir ou que sequer somos capazes de compreender, e é nisso que se baseia o</span> <a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/12/bases-filosoficas-do-horror-cosmico-na-literatura.html"><span style="font-weight: 400;">Horror cósmico</span></a><span style="font-weight: 400;"> (subgênero de Terror em que Lovecraft foi pioneiro), na insignificância humana perante um universo desconhecido, assustador e incompreensível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdadeira face do medo criado pelo autor é o desconhecido, reflexo direto da mentalidade do próprio contista, que se traduz em um preconceito explícito que é transmitido por seus personagens. Os grandes cultistas e protagonistas das vilanias retratadas em seus textos são as minorias, povos estigmatizados e negligenciados pela história, de origem majoritariamente negra. O medo de Lovecraft é o medo do estrangeiro, o próprio </span><span style="font-weight: 400;">Cthulhu</span><span style="font-weight: 400;"> é uma criatura advinda de fora da Terra, das profundezas ancestrais do Cosmo.</span></p>
<figure id="attachment_24200" aria-describedby="caption-attachment-24200" style="width: 1086px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24200" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-5-6.jpg" alt="No centro da imagem encontra-se Lovecraft com a metade direita de seu rosto coberta por sombras, assim como as órbitas de seus olhos, dando a entender que a fonte de luz vem de sua esquerda ao fundo, e emanando dele encontram-se quatro tentáculos de polvo. A arte foi feita em um estilo pontilhista (estilo que constitui formar uma imagem através de vários pontos), usando apenas as cores branca, preta e cinza." width="1086" height="652" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-5-6.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-5-6-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-5-6-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-5-6-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24200" class="wp-caption-text">Lovecraft não foi capaz de se formar e cursar Astronomia como desejava, e o desejo de estudar essa ciência foi um das razões para escrever ficção científica (Foto: André Mello)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse espectro de medo do desconhecido, de horror psicológico e de atomização do ser, que se constrói a maior parte da narrativa. Mas, para os amantes de finais abertos e reflexivos, esse conto traz pequenas decepções ao abordar uma confirmação concreta da existência desta divindade alienígena, a consolação se dá pelo fato de não se saber ao certo o que houve com ela, e que destino terá o planeta Terra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conto em si, que conta com 64 páginas e tradução de Ramon Mapa na edição da </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkside Books</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um clássico essencial aos amantes do terror psicológico e para aqueles que  desejam ter um contato genuíno com o Horror cósmico. Seu grande defeito, porém, se encontra na mentalidade do autor e no momento histórico em que foi escrito, o que exige um olhar crítico e preparado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No que se refere às traduções para o português brasileiro, é perfeitamente cabível afirmar que a língua latina casa muito bem com a história de <em>O Chamado de Cthulhu</em>, valendo-se de um arsenal vasto de palavras rebuscadas que ajudam a construir o clima de um Terror quase gótico. Não é à toa que suas obras inspiram autores até os dias de hoje, como é o caso do Mestre do Terror</span> <a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2016/05/13/conheca-os-idolos-de-stephen-king/"><span style="font-weight: 400;">Stephen King</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou até mesmo escritores mais fantásticos, como Neil Gaiman.</span></p>
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