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	<title>Arquivos Danielle Cassita &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Danielle Cassita &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Zootopia: mais um acerto da Disney em animações</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Feb 2017 16:39:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Animação]]></category>
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		<category><![CDATA[Oscar 2017]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Danielle Cassita e Guilherme Hansen É muito comum as pessoas não darem importância a filmes de animação, com ideias prontas de que servem apenas para entreter e não passam nenhuma mensagem relevante ao público. Porém, a Disney tem provado nos últimos anos que esse conceito está completamente errado. Com animações bem feitas e também divertidas, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/zootopia-disney/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Zootopia: mais um acerto da Disney em animações"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-7260" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/zootopia-movie-poster-691x1024.jpg" alt="zootopia-movie-poster" width="691" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/zootopia-movie-poster-691x1024.jpg 691w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/zootopia-movie-poster-203x300.jpg 203w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/zootopia-movie-poster-768x1138.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/zootopia-movie-poster.jpg 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Danielle Cassita e Guilherme Hansen</strong></p>
<p>É muito comum as pessoas não darem importância a filmes de animação, com ideias prontas de que servem apenas para entreter e não passam nenhuma mensagem relevante ao público. Porém, a <a href="http://personaunesp.com.br/divertida-mente-nossa-mente-mais-complexa-que-parece/" target="_blank">Disney tem provado</a> nos últimos anos que esse conceito está completamente errado. Com animações bem feitas e também divertidas, seus últimos lançamentos provam que o conteúdo pode andar junto com o entretenimento. <span id="more-7256"></span></p>
<p><b><i>Zootopia &#8211; Essa cidade é o bicho</i></b>, lançado em 17 de março de 2016, não foge a essa regra. Tudo começa quando a coelhinha Judy Hopps, após 15 anos de insistência, consegue realizar seu sonho de ser policial na cidade de Zootopia.</p>
<p>Lá, ela chega com as mais diversas expectativas e sonhos para criar um mundo melhor, que são derrubados logo no começo: ao contrário do que imaginava, começa seu trabalho como guarda de trânsito e desacreditada por seus colegas, que a veem como um animal pequeno e indefeso. Quando toma a dianteira na investigação de uma lontra que havia desaparecido, ela precisa da ajuda de Nick, uma raposa malandra que passava seus dias com pequenas atividades ilegais e que também não a trata com muita seriedade; ele a relembra constantemente como é apenas uma coelhinha boba que deveria voltar para casa e criar cenouras.</p>
<p>O filme tem brilho já neste ponto: os pais de Judy nunca apoiaram seu sonho de ser policial e tentar melhorar o mundo &#8211; ou, melhor dizendo, queriam que ela seguisse a tradição familiar e trabalhasse na fazenda da família, com o cultivo de cenouras.</p>
<p>Durante o treinamento para policiais, a coelha tem seu mérito em um estilo que já vimos em <em>Mulan</em>: mesmo com dificuldades e falta de incentivo, se esforça o máximo que pode para se equiparar aos seus colegas e ser reconhecida. E consegue &#8211; ao menos, a primeira parte.</p>
<p><em>Zootopia</em> mostra de maneira realista como o preconceito está arraigado nas pessoas, que julgam as outras baseadas em estereótipos preestabelecidos. Porém, o filme não cai em nenhum momento no pieguismo ou em lições de moral hipócritas &#8211; pelo contrário, o maior mérito do longa é mostrar como o preconceito é, antes de qualquer coisa, intrínseco ao ser humano e que deve ser combatido por cada um de nós.</p>
<p>Judy, a heroína, é a prova viva disso. Após ter achado os animais desaparecidos da cidade, ao justificar se novos sumiços poderiam acontecer, ela afirma que todos os animais predadores, por mais evoluídos que sejam, têm a tendência de serem selvagens e oferecerem perigo aos que os cercam. Além disso, apesar de estar com Nick e este não lhe oferecer nenhum perigo, ela carrega consigo o tempo todo um spray “anti-raposas”, o que demonstra que ela mesma está cheia de julgamentos dentro de si.</p>
<figure id="attachment_7261" aria-describedby="caption-attachment-7261" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-large wp-image-7261" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/04-1024x578.png" alt="Nick e Judy: Amizade à prova de julgamentos" width="840" height="474" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/04-1024x578.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/04-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/04-768x434.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/04-1200x678.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/04.png 1360w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7261" class="wp-caption-text">Nick e Judy: Amizade à prova de julgamentos</figcaption></figure>
<p>Embora traga todas essas mensagens embutidas no filme, <em>Zootopia</em> não deixa de lado o humor, com situações bem originais. Quando Judy e Nick precisam achar rapidamente o dono da placa do carro em que a lontra Emmitt estava quando desapareceu e se deparam com um departamento de trânsito tendo bichos preguiça como funcionários, é impossível não dar alguma risada perante a ironia da situação. Sem contar na própria relação entre os dois protagonistas, recheada de sarcasmo diante das diferenças que possuem e da necessidade de se unirem para resolver o mistério dos animais desaparecidos. Tudo isso junto com cenas de ação, que prendem a atenção do espectador até o final do longa, qualquer que seja sua idade.</p>
<p>Outro ponto interessante da produção é a quantidade de referências presentes, tanto a filmes da própria Disney quanto a outros longas cultuados. Um exemplo disso é a cena em que Mr. Big, um mafioso, faz uma referência clara a <em>O Poderoso Chefão</em>, que desiste de matar Judy e Nick por ser o dia do casamento da sua filha.</p>
<figure id="attachment_7262" aria-describedby="caption-attachment-7262" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-large wp-image-7262" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/maxresdefault-1024x576.jpg" alt="Mr. Big: mafioso, mas com o coração mole" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/maxresdefault-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/maxresdefault-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/maxresdefault-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/maxresdefault-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/02/maxresdefault.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7262" class="wp-caption-text">Mr. Big: mafioso, mas com o coração mole</figcaption></figure>
<p>O filme é encerrado com uma quebra final de estereótipos: descobrimos que a vilã era uma personagem que também foi subestimada e fazia parte de minorias, e Nick, que além de predador &#8211; um ponto importante para a confiança dos habitantes de <em>Zootopia</em> &#8211; e traiçoeiro se torna um policial. E, como se não bastasse, a cena final traz a preguiça Flash dirigindo em alta velocidade pelas ruas da cidade.</p>
<p>Com toda essa junção de qualidades, não é difícil entender porque <em>Zootopia</em> ganhou 6 dos 8 prêmios aos quais foi indicado no Annie Awards, considerado o Oscar da animação, incluindo melhor animação, melhor direção e roteiro em cinema, o Globo de Ouro de melhor longa animado, além da esperada indicação ao Oscar 2017 de melhor animação, cujo resultado sai no próximo dia 26. Apesar de concorrentes de peso, como <b><i>Kubo e as cordas mágicas</i></b> e <b><i>Moana &#8211; Um mar de aventuras</i></b>, <em>Zootopia</em> tem todas as chances de levar também a estatueta mais desejada do cinema.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/prct6AB5tR8?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Quarto: uma história no cárcere</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2017 22:23:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Danielle Cassita]]></category>
		<category><![CDATA[Quarto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Danielle Cassita Quando se tem o mundo todo à disposição – e, se não, é possível chegar bem perto com o uso da internet -, fica difícil imaginar como seria nascer e viver apenas em um quarto. É essa a realidade de Jack, o protagonista do livro Quarto. A obra de Emma Donoghue conta a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/quarto-uma-historia-no-carcere/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quarto: uma história no cárcere"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="western"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-7168" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Capa.jpg" alt="Quarto Capa" width="620" height="924" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Capa.jpg 620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Capa-201x300.jpg 201w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p class="western"><strong>Danielle Cassita</strong></p>
<p class="western">Quando se tem o mundo todo à disposição – e, se não, é possível chegar bem perto com o uso da internet -, fica difícil imaginar como seria nascer e viver apenas em um quarto.<span id="more-7167"></span></p>
<p class="western" style="text-align: justify;">É essa a realidade de Jack, o protagonista do livro Quarto.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;">A obra de Emma Donoghue conta a história de um garoto que nasceu no cárcere em que sua mãe é mantida desde os 19 anos de idade.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;">Durante a primeira metade, o leitor é apresentado ao cotidiano dos dois, sempre pela narração de Jack. Eles brincam, fazem exercícios e outras atividades dentro do possível, já que a mãe do menino tem que improvisar com o que está ao alcance dos dois dentro do <i>Quarto</i>.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;">A obra possui pequenos aspectos ortográficos interessantes para ajudar a contextualizar: o garoto constantemente se refere a diversos objetos do cômodo com letra maiúscula, como se fizesse questão de mostrar a importância daquilo para ele; outro ponto que vale a pena ser comentado são pequenos erros gramaticais e de pontuação, que demonstram a alfabetização da criança:</p>
<blockquote>
<p class="western" style="text-align: justify;">“<i>Eu estava meio agitado, aı́ a Mãe disse pra brincarmos de Orquestra, que é quando a gente circula batendo nas coisas pra ver que barulhos consegue arrancar. Tamborilei na Mesa e a Mãe fez toc toc nas pernas da Cama, depois puf puf nos travesseiros, e eu usei o garfo e a colher na Porta, plim plim, e os nossos dedos dos pés fizeram bum no Fogão, mas o meu favorito é pular no pedal da Lixeira, porque isso faz a tampa abrir com um pingue. Meu melhor instrumento é o Dlendlem, que é uma caixa de cereal onde eu colei todas as pernas e sapatos e casacos e cabeças diferentes e coloridas do catálogo velho, e depois estiquei três elásticos no meio. O Velho Nick não traz mais catálogos para escolhermos nossa roupa, a Mãe diz que ele está ficando mais mesquinho.”</i></p>
</blockquote>
<p class="western" style="text-align: justify;"><a name="OLE_LINK2"></a><a name="OLE_LINK1"></a> Porém, nem mesmo a linguagem ingênua ameniza diversas violências que ocorrem com a mãe de Jack.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;">O menino dorme dentro de um armário, como uma forma de proteção encontrada por sua mãe. Assim, de noite, o sequestrador que eles chamam de Velho Nick entra no quarto e&#8230; Bem, Jack apenas <i>conta </i>cada rangido da cama antes de dormir, sem conseguir compreender o que está realmente acontecendo.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;">Esta é uma cena recorrente no livro, assim como outras do tipo. A autora é habilidosa ao descrever abusos verbais e sexuais sob a ótica de uma criança, que não é totalmente poupada da realidade que a cerca e, ao mesmo tempo, também não a entende.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-7170" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Emma-Donoghue-1024x576.png" alt="Emma Donoghue" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Emma-Donoghue-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Emma-Donoghue-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Emma-Donoghue-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Emma-Donoghue-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Emma-Donoghue.png 1764w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p class="western" style="text-align: justify;">Emma Donoghue tem seu mérito por ter criado uma narrativa extremamente ágil e envolvente, que pede a curiosidade do leitor durante a maior parte das vezes; para ilustrar, estão presentes várias referências culturais tanto da música quanto da literatura – e uma delas é a fuga de Jack, totalmente inspirada no plano empregado por Edmond Dantés, personagem principal do romance Conde de Monte Cristo.</p>
<blockquote>
<p class="western" style="text-align: justify;">“— <i>Está bem, está bem. — Ela respirou alto. — Lembra do conde de Monte Cristo?</i></p>
<p class="western" style="text-align: justify;">— <i>Ele ficou trancado num calabouço numa ilha.</i></p>
<p class="western" style="text-align: justify;">— <i>É, mas você se lembra de como ele saiu? Ele fingiu que era o amigo morto, se escondeu na mortalha e os guardas o jogaram no mar, mas o conde não se afogou, livrou-se da mortalha e saiu nadando.”</i></p>
</blockquote>
<p class="western" style="text-align: justify;">A tensão e ansiedades geradas no leitor são intensas até poder, finalmente, respirar aliviado após o final da cena de fuga.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;">Porém, quando os dois voltam para a vida comum que deveriam ter levado, a escrita perde ritmo considerável; os capítulos que retratam o novo cotidiano de Jack e sua mãe mostram um processo de adaptação: tratamentos em hospitais, primeiras saídas a locais públicos e até mesmo comportamentos que causam estranhamento, mas que eram aceitáveis quando estavam trancafiados no Quarto.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;">Mesmo retratando a lenta recuperação física e, principalmente, psicológica, esta parte final do livro não desperta tanta curiosidade e interesse quanto as anteriores, seja pela ausência do clima de tensão, seja pela retomada de uma história que volta a ser rotineira.</p>
<figure id="attachment_7172" aria-describedby="caption-attachment-7172" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7172 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/room-movie-image-brie-larson-1024x681.jpg" alt="Quarto de Jack " width="840" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/room-movie-image-brie-larson-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/room-movie-image-brie-larson-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/room-movie-image-brie-larson-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/room-movie-image-brie-larson-1200x799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/01/room-movie-image-brie-larson.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7172" class="wp-caption-text">O Quarto de Jack, a adaptação para os cinemas do livro, teve uma repercussão positiva, inclusive recebendo indicações no Oscar</figcaption></figure>
<p class="western" style="text-align: justify;">O desfecho apresentado também não é dos mais memoráveis: Jack e sua mãe passam a morar num apartamento próprio para pessoas em reabilitação e, após certo tempo, decidem voltar para o local onde foram aprisionados para se despedirem. Apesar do claro tom de recomeço para ambos os personagens, fica a sensação de há algo errado numa narrativa que teve tanta vida e agilidade e, então, diminui o ritmo.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;" align="left">É possível que a autora quisesse criar um final que não fosse necessariamente feliz, mas cabível e, principalmente, que tivesse a acidez característica de uma realidade tão bruta.</p>
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		<title>Um escaravelho, algum suspense e vários clichês</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Aug 2016 22:48:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Danielle Cassita Uma boa forma de reviver um clássico da literatura infanto-juvenil é trazê-la de volta como filme, e foi o que aconteceu com O Escaravelho do Diabo. O livro de Lúcia Machado de Almeida foi lançado na década de 70, e traz uma história que mescla o suspense policial com terror. Na pequena cidade &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/escaravelho-algum-suspense-varios-cliches/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Um escaravelho, algum suspense e vários clichês"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-4084 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/o-escaravelho-do-diabo-lucia-machado-de-almeida-body-image-1459891665.jpg" alt="o-escaravelho-do-diabo-lucia-machado-de-almeida-body-image-1459891665" width="618" height="845" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/o-escaravelho-do-diabo-lucia-machado-de-almeida-body-image-1459891665.jpg 618w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/o-escaravelho-do-diabo-lucia-machado-de-almeida-body-image-1459891665-219x300.jpg 219w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Danielle Cassita</strong></p>
<p>Uma boa forma de reviver um clássico da literatura infanto-juvenil é trazê-la de volta como filme, e foi o que aconteceu com <em>O Escaravelho do Diabo</em>. O livro de Lúcia Machado de Almeida foi lançado na década de 70, e traz uma história que mescla o suspense policial com terror. Na pequena cidade do Vale das Flores, os ruivos estão sendo assassinados por um<em> serial killer</em>. Antes de morrerem, recebem um escaravelho.<span id="more-4071"></span></p>
<p>A primeira vítima é Hugo, irmão do estudante de medicina Alberto. O primeiro ruivo é encontrado com uma antiga espada cravada no peito, e o irmão não faz a menor ideia dos motivos que levaram alguém a tirar a vida do rapaz daquela forma. Porém, assim que o delegado Pimentel se encarrega do caso, Alberto trata de se envolver com as investigações.</p>
<p>E aí está um dos primeiros deslizes da história. Embora aceitável pela época em que o livro foi escrito, a autora abusa dos elementos clássicos das histórias policiais: um personagem principal mais ágil e com deduções melhores do que as da polícia, uma mansão com diversos suspeitos em potencial e, para não deixar uma lacuna, as relações amorosas estereotipadas de Alberto. Ele namorava Rachel, uma bela ruiva que se interessa por homens em posições de poder e com dinheiro. Porém, ao conhecer Verônica &#8211; moradora da mansão e possível culpada -, se apaixona perdidamente por ela. Aliás, paixão um tanto estranha essa, já que permite expressões como &#8220;fica tão feia assim zangada&#8221; quando a moça se irrita com as acusações que recebe.</p>
<p>Pimentel é o típico personagem policial que abre espaço para que outro tome a dianteira, já que é Alberto quem percebe a relação entre os escaravelhos e as vítimas: o nome científico do inseto indica como a morte ocorreria. Porém, nem mesmo assim eles conseguem impedir as mortes que, embora poucas, continuam ocorrendo até o final do livro. Então, a trama policial é pausada e o capítulo seguinte pula 5 anos na história, mostrando um Alberto já formado e em contato com profissionais de sua área na Europa. É num contato desses que ele descobre quem era o assassino e, ao ligar os pontos, volta para o Brasil e revela sua descoberta à polícia. Ainda, ele se reencontra com Verônica. Porém, não, ainda não é o final.</p>
<p>A autora encerra sua trama com um decepcionante e curto capítulo do nascimento do filho do agora médico com Verônica. O nome do bebê? Hugo.</p>
<p>Agora, voltemos a abril deste ano, que foi quando ocorreu o lançamento do filme baseado na obra. Direcionado também a um público infanto-juvenil &#8211; ou <em>teen</em>, nas palavras do diretor -, a produção tenta ser fiel à história escrita. Infelizmente, os esforços não deram tão certo assim.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-4092 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/20160313172518511014o.jpg" alt="20160313172518511014o" width="615" height="423" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/20160313172518511014o.jpg 615w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/20160313172518511014o-300x206.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>Primeiro, houve uma clara preocupação com a contextualização do filme: agora, Alberto é um menino, e mantém contato com a mãe por um <em>tablet</em>. Briga com Hugo por causa da moto do irmão, e na manhã seguinte já o encontra morto. Isso seria um ótimo gancho para dar fibra à atuação num momento de dor e tristeza, mas não. O fracasso ocorre na falta de expressão do garoto, que não consegue esboçar emoções nem mesmo quando é interrogado sem delicadeza alguma por Pimentel. Ele se mostra determinado apenas mais à frente da história, quando faz jus ao seu personagem do livro e também se envolve nas investigações.</p>
<p>Porém, se erra por um lado, o filme acerta em outro. Apesar de não ser profundo, há espaço para diversos debates na produção &#8211; e um deles é o delegado Pimentel, que está com <em>alzheimer</em>. Há também a figura romântica do jornalista como o guardião dos fatos, aquele que nunca deve fechar os olhos para o que está acontecendo. E, por fim, Alberto se envolve numa discussão com o padre da paróquia local &#8211; que, aliás, é a última vítima tanto no livro quanto no filme &#8211; sobre a fé, quando se encontra indignado com o que aconteceu com seu irmão.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-4089" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/escaravelho-do-diabo-filme-trailer-1.jpg" alt="escaravelho-do-diabo-filme-trailer-1" width="1200" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/escaravelho-do-diabo-filme-trailer-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/escaravelho-do-diabo-filme-trailer-1-300x175.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/escaravelho-do-diabo-filme-trailer-1-768x448.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/escaravelho-do-diabo-filme-trailer-1-1024x597.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Outro momento de brilho vai para o cuidado tomado com o público. Além de nenhuma vítima ser mostrada diretamente, o clima de terror é leve, sendo estimulado pelo assassino encapuzado que espreita os ruivos da cidade e uma narração de voz rouca o acompanhando.</p>
<p>Se no livro havia diversas páginas dedicadas aos interesses amorosos do personagem principal, no filme não é diferente. Como estamos lidando com crianças, não há relacionamentos, e sim o primeiro amor dos garotos. Alberto claramente se interessa por Raquel, uma amiga da escola. Ela também incorpora sua personagem do livro e, assim como Rachel, é atacada pelo assassino, mas sobrevive e&#8230; bem, esse é o momento mais intenso dela. A atuação, como a do colega, não convence.</p>
<p>Parece que houve tanta dedicação para com a trama policial que não sobrou criatividade para as cenas finais. Logo após o incêndio que destrói a igrejinha da cidade, a cena seguinte é a de Pimentel finalmente decidindo – e aceitando &#8211; se aposentar. Depois, há o beijo do casal mirim principal, e acabamos aí. O encerramento é tão rápido e tão bruto que a sensação que fica é a de ter piscado e perdido algo no meio do caminho.</p>
<p>É importante ressaltar que essas observações foram feitas com um olhar adulto. Possivelmente, tanto o livro quanto o filme em questão devem divertir seu público, e o mais importante: ajudar a despertar o interesse por outras obras.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-4096" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/20160420-o-escaravelho-do-diabo.jpg" alt="20160420-o-escaravelho-do-diabo" width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/20160420-o-escaravelho-do-diabo.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/20160420-o-escaravelho-do-diabo-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/20160420-o-escaravelho-do-diabo-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/20160420-o-escaravelho-do-diabo-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/20160420-o-escaravelho-do-diabo-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
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		<title>Alice, é melhor ficar no espelho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jun 2016 22:59:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Danielle Cassita]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Só para não ver o que aconteceu com a sua história. Danielle Cassita Mais uma vez temos uma obra clássica de Lewis Carroll sendo transformada em filme. Em 2010, foi pela direção de Tim Burton que Mia Wasikowska interpretou Alice nas telas de cinema. Agora, ela retorna ao papel em Alice Através do Espelho, junto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alice-melhor-ficar-espelho/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Alice, é melhor ficar no espelho"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="font-weight: 400;">Só para não ver o que aconteceu com a sua história.</span></em></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-2454" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/06/5wwbw1b5wd9wiydgqq8ickry2.jpg" alt="5wwbw1b5wd9wiydgqq8ickry2" width="652" height="408" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/5wwbw1b5wd9wiydgqq8ickry2.jpg 652w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/5wwbw1b5wd9wiydgqq8ickry2-300x188.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Danielle Cassita</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais uma vez temos uma obra clássica de Lewis Carroll sendo transformada em filme. Em 2010, foi pela direção de Tim Burton que Mia Wasikowska interpretou Alice nas telas de cinema. Agora, ela retorna ao papel em Alice Através do Espelho, junto de Anne Hathway (Rainha Branca), Helena Bonham Carter (Rainha Vermelha), Johnny Depp (Chapeleiro Maluco), entre outros. </span></p>
<p><span id="more-2449"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa vez, com direção de James Bobin e Tim Burton na produção, o filme mostra Alice como capitã do navio que herdou do seu pai no longa anterior. Porém, graças a Hamish, o pretendente do casamento arranjado, ela corre risco de perder a embarcação. No meio disso tudo, quando retorna ao País das Maravilhas, ela descobre que o Chapeleiro Maluco está ficando doente porque acredita que sua família está viva. Para resolver isso, Alice precisa voltar ao passado e impedir que algo aconteça aos pais e parentes do personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As quase 2h de filme são apenas para isso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Primeiro, é interessante apontar o recurso utilizado para a trama surgir: viagem no tempo. Para que consiga o feito, ela precisa se encontrar com o Tempo e pegar a cronoesfera para poder voltar a um período específico. A ideia é simples e&#8230; Batida. Quantas produções já não existem com viagem no tempo? Além disso, foi necessário criar um personagem que sequer é bem explorado: o Tempo tem uma aparência sombria e, depois de suas primeiras aparições com conversas com Alice, volta a aparecer apenas perseguindo a garota para recuperar a cronoesfera &#8211; não por maldade, e sim para evitar a destruição do presente e futuro. Para completar, as falas do dele são compostas em sua grande maioria por frases feitas e clichês sobre a passagem do tempo, seus efeitos, etc. Isso abre para diversos trocadilhos feitos pelos próprios personagens. É chato e não funciona. </span></p>
<figure id="attachment_2455" aria-describedby="caption-attachment-2455" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-2455" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/06/cjrnvdwwuamgad1.jpg" alt="CjRNvDWWUAMGaD1" width="768" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/cjrnvdwwuamgad1.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/cjrnvdwwuamgad1-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-2455" class="wp-caption-text">Tempo, personagem interpretado pelo comediante Sacha Baron Cohen.</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por volta da metade do filme, Alice consegue encontrar a família do Chapeleiro, o que serve para arrumar um jeito de encaixar tramas familiares. Não é só ele que teve problemas com a família; também somos apresentados à infância das Rainhas, e às origens da rivalidade por parte da Rainha Vermelha. Fica fraco: é exibida apenas uma briga boba entre duas meninas por causa de um pedaço de torta e uma mentira para a mãe. A futura Rainha Vermelha corre de casa chorando e bate a cabeça. Pronto, está aí o motivo de toda sua raiva. Vale lembrar que a Rainha Vermelha quer tanto voltar ao passado e fazer sua irmã mudar o que aconteceu que ela faz o que não deveria ser feito, ou seja, se vê quando criança. Assim, um paradoxo é criado e a realidade começa a ficar petrificada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, ah, estamos falando de um filme teoricamente infantil, e isso não é um problema. Ou melhor, o filme tenta sustentar a problemática criada &#8211; ou seria um monstro? -, já que Alice precisa devolver a cronoesfera para evitar a destruição completa da realidade. Nos últimos segundos, tudo é petrificado e por pouquíssimo ela não consegue. E por que isso não é um problema? Porque o recurso &#8220;deus ex-machina&#8221; estava demorando a aparecer, e essa é a hora dele. Não havia mais solução, porém, por algum motivo que nunca saberemos, a cronoesfera solta pequenos raios e se conecta sozinha, fazendo com que toda a situação volte ao normal. É pura poesia. </span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-2453" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/06/looking-glass.jpg" alt="looking-glass" width="900" height="470" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/looking-glass.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/looking-glass-300x157.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/06/looking-glass-768x401.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mia Wasikowska convence como Alice; mas é uma pena que ela tenha que dizer tantas frases clichês e conhecidas do público, como numa tentativa insistente e falha de fazer referência ao que ocorre no outro filme. Vale lembrar que, no início deste, a mãe da garota queria que ela simplesmente aceitasse seu destino de vender o barco e parar com as suas viagens, já que isso não combina com mulheres. No final, ao voltar à Londres, temos uma Alice independente e senhora de suas decisões, postura adotada também por sua mãe. Esse é um posicionamento forte e coerente com a personagem – ainda mais no momento atual -, mas que poderia ter tido mais força se aparecesse em outros momentos do filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com figurinos trabalhados (até demais) e cenários bonitos, Alice Através do Espelho entretém e deve agradar quem procura apenas uma aventura diferente com a personagem de Lewis Carrol. Mas não mais que isso.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Alice Através do Espelho - Trailer Legendado - 26 de Maio Nos Cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lt-66aAeVIM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Sherlock: O Médico e o Detetive</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 May 2016 22:53:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Danielle Cassita]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>(Foto: Sidney Paget) Danielle Cassita Quando falamos de histórias policiais, poucos nomes são tão conhecidos na ficção quanto o de Sherlock Holmes, célebre detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle. Nos contos, sempre acompanhado do médico John Watson, Holmes possui uma extraordinária &#8211; e digamos que bem surreal &#8211; capacidade dedutiva e resolve casos quando, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/medico-detetive/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sherlock: O Médico e o Detetive"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-2102" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/05/b2-art_spaget_1.jpg" alt="b2-art_spaget_1" width="1920" height="1297" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/05/b2-art_spaget_1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/05/b2-art_spaget_1-300x203.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/05/b2-art_spaget_1-768x519.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/05/b2-art_spaget_1-1024x692.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/05/b2-art_spaget_1-1200x811.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>(Foto: Sidney Paget)</p>
<p><strong>Danielle Cassita</strong></p>
<p>Quando falamos de histórias policiais, poucos nomes são tão conhecidos na ficção quanto o de Sherlock Holmes, célebre detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle. Nos contos, sempre acompanhado do médico John Watson, Holmes possui uma extraordinária &#8211; e digamos que bem surreal &#8211; capacidade dedutiva e resolve casos quando, nas palavras do personagem, a polícia está perdida e não sabe o que fazer.<span id="more-2082"></span></p>
<p>As aventuras do investigador se iniciam no livro <em>Um Estudo em Vermelho</em>, publicado pela primeira vez em 1887. Durante as primeiras páginas, o leitor é apresentado à narração de John Watson, um ex-cirurgião que foi enviado ao Afeganistão durante o período de guerra. Ao ser ferido no ombro, ele retorna para tentar levar uma vida tranquila em Londres. Porém, após gastos excessivos com a estadia e um encontro com um velho amigo, John é levado para conhecer seu futuro amigo: Sherlock Holmes.</p>
<figure id="attachment_2110" aria-describedby="caption-attachment-2110" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-2110" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/05/sir-arthur-conan-doyle-17.jpg" alt="sir-arthur-conan-doyle-17" width="900" height="750" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/05/sir-arthur-conan-doyle-17.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/05/sir-arthur-conan-doyle-17-300x250.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/05/sir-arthur-conan-doyle-17-768x640.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-2110" class="wp-caption-text"><em>Elementar, meu caro: o autor Sir Arthur Conan Doyle (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p>Há duas partes na obra: na primeira, assassinatos ocorrem em Londres e parecem estar ligados. Holmes, que se considera um detetive consultor (e, como ele mesmo inventou a profissão, é o único no mundo), se envolve nas investigações e tem um papel mais ativo do que até mesmo os policiais &#8211; e não hesita em mostrar isso a eles. Suas deduções são ágeis e inusitadas, dando um ar quase divino para o personagem, já que nem mesmo Watson consegue acompanhar o raciocínio do colega. Já na segunda parte há um <em>flashback</em> e o ambiente muda para o deserto de Utah, envolvendo uma comunidade de mórmons e um casamento arranjado.</p>
<p>O início da narrativa não é tão atraente quanto as cenas de investigação, já que se trata de John Watson contando sua própria história e situando o leitor. Com a entrada de Sherlock, pode-se dizer que a leitura ganha agilidade &#8211; apesar de, talvez, causar desânimo com o raciocínio e deduções aparentemente súbitos e sem coerência. Ainda, na segunda parte, leitores que não estiverem tão envolvidos com a história podem estranhar a súbita mudança de cenários que ocorre.</p>
<p>http://i.imgur.com/Pi2CvBG.pnghttp://i.imgur.com/Pi2CvBG.png</p>
<p>No meio de tantas adaptações das histórias de Holmes e Watson, a BBC criou a sua própria &#8211; mas, agora, em formato de seriado. Tanto o piloto quanto o primeiro episódio oficial são chamados de <em>Um Estudo em Rosa</em>, uma clara referência à obra citada acima. Nos primeiros minutos, as cenas iniciais são de um John Watson atormentado por suas memórias da guerra e frequentando a terapia. Além disso, ele possui um problema na perna, que sua terapeuta acredita que seja psicológico. Numa caminhada no parque, ele reencontra  Stamford &#8211; e aqui começam as semelhanças com o livro.</p>
<p>Como na obra literária, ele está passeando em Londres e encontra seu velho amigo. Então, quando conversam, comenta que está procurando um lugar para morar, e ele ri. Diz que ele foi o a segunda pessoa a dizer aquilo, e a cena muda para um zíper sendo aberto e um rosto observando a câmera de cabeça para baixo. É assim que Sherlock Holmes é apresentado: suas excentricidades entram em cena sem cerimônia, principalmente no momento em que ele é apresentado chicoteando um cadáver apenas para fazer um experimento.</p>
<p>Além das surpresas geradas pelo personagem principal, há aquelas da ambientação do seriado. Tudo ocorre em Londres nos nosso dias, de modo que um recurso interessante utilizado na edição da série são textos posicionados na tela para ilustrar o pensamento do detetive. São tempos modernos e, assim, o uso de celulares é perfeitamente normal. Ainda no início do episódio, Sherlock manda mensagens de texto com a palavra &#8220;errado&#8221; para repórteres e a polícia numa coletiva de imprensa, as quais são exibidas escritas simultaneamente.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-2107" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/05/sherlock-texting.png" alt="sherlock-texting" width="2351" height="1319" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/05/sherlock-texting.png 2351w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/05/sherlock-texting-300x168.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/05/sherlock-texting-768x431.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/05/sherlock-texting-1024x575.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/05/sherlock-texting-1200x673.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>A apresentação do personagem prof. Moriarty, o conhecido inimigo de Holmes, é interessante: Watson é intimado a se encontrar com um homem que lhe pergunta qual sua relação com o detetive e insiste em dizer que é o inimigo deste – ou é, pelo menos, na cabeça dele. Descobrimos posteriormente que se tratava do irmão de Sherlock, Mycroft Holmes. Porém, Moriarty é citado no final do episódio – o que não ocorre no livro.</p>
<p>O uso do espaço negativo nas filmagens e as edições nos cortes de cena também são usados de forma inteligente. Apesar disso, é bom lembrar que o enredo se desenrola de forma lenta, e o mistério todo é compreensível apenas nos minutos finais.</p>
<p>Vale lembrar que, ao menos no início, ambos os personagens apenas convivem: John, maravilhado com o intelecto de seu colega de quarto &#8211; e, eventualmente, estranhando seus hábitos &#8211; e Sherlock, com seus ares de superioridade e deduções acima da capacidade comum. Porém, aqueles que decidirem acompanhar a história dos dois, encontrarão no final tanto da série quanto do livro uma forte relação de amizade criada com muito esforço e lealdade.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BBC Sherlock Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/cSQq_bC5kIw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Quando as mulheres se tornam protagonistas de suas histórias</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Apr 2016 23:01:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Danielle Cassita]]></category>
		<category><![CDATA[Marvel]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Super-heróis]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mais necessário do que nunca, estão finalmente surgindo personagens femininas prontas para abrir discussões sobre violências . Danielle Cassita Quantas vezes houveram personagens femininas liderando uma série? Poucas, possivelmente, se levarmos em conta a imensidão existente dessas produções.  A Netflix ajudou a dar um ar mais otimista a esse quadro com Jessica Jones, heroína da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/quando-mulheres-tornam-protagonistas-historias/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quando as mulheres se tornam protagonistas de suas histórias"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><i><span style="font-weight: 400;">Mais necessário do que nunca, estão finalmente surgindo personagens femininas prontas para abrir discussões sobre violências .</span></i></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1357" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/03/jessicajones.jpg" alt="jessicajones.jpg" width="1920" height="1278" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/jessicajones.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/jessicajones-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/jessicajones-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/jessicajones-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/jessicajones-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><strong>Danielle Cassita</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quantas vezes houveram personagens femininas liderando uma série? Poucas, possivelmente, se levarmos em conta a imensidão existente dessas produções. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Netflix ajudou a dar um ar mais otimista a esse quadro com Jessica Jones, heroína da Marvel. Na história, Jessica é traumatizada por um relacionamento abusivo que teve com o vilão Kilgrave, e segue seus dias tentando superar os fantasmas de seu passado e simplesmente levar uma vida mais tranquila sem depender tanto de seus poderes. Ela passa a trabalhar como investigadora em Nova York, mas os clientes que lhe aparecem logo a ligam de volta a Kilgrave.</span><span id="more-1351"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 13 episódios, a série se inicia sem muito ritmo &#8211; o que é aceitável, uma vez que a personagem não é conhecida pelo público e, portanto, é necessário apresentá-la. E isso é feito de um ótimo jeito: Jessica é mostrada de forma crua, simplesmente como ela é e sem dever desculpas a ninguém por isso. Sarcástica quando acha que tem que ser e com um hábito regular de bebidas alcoólicas, Jones vive um tanto acuada &#8211; embora tente ocultar isso o máximo possível &#8211; quando se lembra das feridas emocionais e psicológicas que Kilgrave deixou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao analisar os ocorridos, fica claro que Jessica foi a vítima de um relacionamento abusivo. Sob o controle de Kilgrave, ela cometeu diversos atos sem consentimento, e só consegue se libertar após um acontecimento específico também contra sua vontade. Em determinado momento, ela quando confronta o vilão e deixa claro que nunca quis nada daquilo e grita que ele a estuprou. Ele acha estranho e&#8230; Bem, não aceita. Oras, depois de levá-la restaurantes caros, comprar presentes e mantê-la por perto ela ainda o chama de estuprador? </span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1359" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/03/jessica-jones-killgrave.jpg" alt="jessica-jones-killgrave" width="740" height="416" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/jessica-jones-killgrave.jpg 740w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/jessica-jones-killgrave-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto importante que a série questiona é a credibilidade da vítima. Não são poucas as vezes que Jessica tenta alertar as pessoas à sua volta do perigo do vilão, mas ninguém acredita nela &#8211; nem mesmo sua advogada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos episódios finais, após os poderes dele envolverem inocentes, Jessica vai para um último confronto como merece: regenerada, firme e forte, com autoestima e confiança. Ela não hesita em momento algum. E o mais importante: também não é mais controlada por ele e por mais ninguém.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lidando de forma respeitosa com um tema tão delicado, a Netflix com certeza acertou em cheio ao produzir a série para seus milhões de assinantes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora Tess Gerristen teve grande êxito ao retratar também as consequências do abuso sexual em &#8220;O Cirurgião&#8221;. O livro leva o nome devido a um serial killer que, além de sequestrar e torturar mulheres, remove um órgão específico com uma precisão que apenas médicos possuem.</span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1361" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/03/o-cirurgiao.jpg" alt="O-Cirurgiao.jpg" width="829" height="1234" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/o-cirurgiao.jpg 829w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/o-cirurgiao-202x300.jpg 202w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/o-cirurgiao-768x1143.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/o-cirurgiao-688x1024.jpg 688w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na história, a dr. Catherine Cordell foi vítima do criminoso. Ele a estuprou e destruiu sua integridade, de modo que, como Jessica, a médica seguiu seus dias sempre acuada, com medo do menor ruído, pondo trancas extras nas fechaduras de sua casa e temendo qualquer pessoa que se aproximasse demais &#8211; inclusive homens. Ela mal consegue falar sobre o assunto. Quer fugir, mas sabe que não pode. Quer chorar, mas engole. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já citada, a culpabilização da vítima costuma estar presente quando se trata de abusos, e a autora não hesita em mostrar isso:</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;As mulheres são assim &#8211; Olhou diretamente para Moore. &#8211; Culpamos a nós mesmas por tudo, mesmo quando o homem nos fode sem o nosso consentimento.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por se tratar de um assassino, o livro traz o cenário das investigações policiais que, geralmente, são lideradas e compostas por homens. Afinal, mesmo na literatura, é comum lembrar de nomes masculinos como o célebre Hercule Poirot, de Agatha Christie. Isso não acontece aqui: há uma mulher trabalhando junto dos policiais, a detetive Jane Rizzolli. A investigadora está ciente de trabalhar num ambiente que é voltado para homens, e enfrenta seus colegas constantemente apenas para ser tão reconhecida quanto eles. É extremamente interessante como a personagem está ciente disso: </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Vocês homens podem concentrar toda sua atenção no caso e nas provas. Mas eu gasto muito tempo e energias tentando fazer com que me ouçam.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não são poucas as vezes em que, mesmo tendo opiniões tão coerentes e corretas quanto as dos outros colegas, as mulheres e suas ideias ficam em segundo plano em relação às de seus colegas homens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A representação é necessária e, mais do que nunca, está tendo sua presença nas produções que atingem diversas quantidades de pessoas. Claro que nenhuma obra pode ser considerada plenamente perfeita: afinal, a série poderia ter momentos mais ágeis que com certeza agradariam mais quem assiste. Já o livro, talvez cenas menos técnicas, uma vez que a autora usa diversas vezes termos de sua formação. Porém, esses defeitos são superados com facilidade quando a preocupação é voltada para a causa maior que envolve ambas as histórias. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Divertida Mente: nossa mente é mais complexa do que parece</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Mar 2016 23:10:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Animação]]></category>
		<category><![CDATA[Danielle Cassita]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Danielle Cassita &#8220;Divertida Mente&#8221;, a mais recente animação da poderosa Pixar, trata da história de Riley, uma garota de 11 anos que mora em Minnesota, nos EUA. Típica jovem do país, Riley é uma menina rodeada por amigos, talentosa no hóquei, além de ser filha única, muito amada por seus pais. Porém, esse quadro confortável &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/divertida-mente-nossa-mente-mais-complexa-que-parece/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Divertida Mente: nossa mente é mais complexa do que parece"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-6573" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/divertidamente.jpg" alt="divertidamente" width="654" height="960" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/divertidamente.jpg 654w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/divertidamente-204x300.jpg 204w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Danielle Cassita</strong></p>
<p>&#8220;Divertida Mente&#8221;, a mais recente animação da poderosa Pixar, trata da história de Riley, uma garota de 11 anos que mora em Minnesota, nos EUA. Típica jovem do país, Riley é uma menina rodeada por amigos, talentosa no hóquei, além de ser filha única, muito amada por seus pais. Porém, esse quadro confortável muda quando sua família se muda para São Francisco, o que implica nas tradicionais &#8211; e por vezes complicadas &#8211; mudanças: nova casa, pessoas diferentes, uma outra realidade para se adaptar e enfrentar.<span id="more-1021"></span></p>
<p>Todavia, o filme não é narrado pelo olhar da menina, mas sim de suas emoções, personificadas em cinco figuras peculiares. Na &#8220;sala de controle&#8221;, situada na mente da garota, estão Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho,  as emoções básicas apresentadas nos estudos de Paul Ekman, psicólogo norte-americano &#8211; na verdade, ele acredita que há mais destas emoções básicas, com o acréscimo da Surpresa e Desdém; porém, o diretor Pete Docter desejava somente 5 ou 6 personagens e, desse modo, estes outros sentimentos acabam surgindo nas emoções representadas na película.</p>
<p>Conhecemos também as Ilhas da Personalidade, aspectos de Riley extremamente importantes para a formação de sua personalidade. Há a Ilha da Honestidade, da Amizade, da Família e do Hóquei. Quando Tristeza e Alegria saem da sala de controle e, portanto, as emoções saem de harmonia, as Ilhas começam a desmoronar. Sem saber como agir, o painel controlado pelas emoções fica travado, e a garota fica totalmente apática perante os novos desafios de sua vida.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-6574 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/divertidamente2.jpg" alt="divertidamente2" width="670" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/divertidamente2.jpg 670w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/divertidamente2-300x224.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>O filme mantém um ritmo ágil o tempo inteiro. Enquanto Alegria e Tristeza lutam para retornar à sala de controle, em dado momento surge o reencontro com Bing Bong, um amigo imaginário da infância de Riley. Numa cena em que o personagem não consegue acompanhar Alegria e fica para trás, é possível fazer uma associação com o complexo desapego de valores da infância. À medida em que o ser humano passa a conhecer a melancolia da vida real, nem mesmo o conforto imaginário se mostra mais efetivo.</p>
<p>É interessante notar a relação das outras emoções com a Tristeza: a Alegria, de maneira quase arrogante, tenta mantê-la longe a todo custo para que não influencie as outras memórias negativamente, mas há uma situação em que um problema é resolvido simplesmente pela Tristeza ter ouvido o desabafo de outro personagem. Trata-se de outro reflexo pontual da sociedade contemporânea, já que, hoje em dia, não há permissão de ter tempo para pensamentos negativos que possam influenciar nossa produtividade no meio de tantas tarefas para serem feitas. Além disso, com o advento das redes sociais, fica fácil ter a impressão de que todos possuem uma vida maravilhosa e que somente coisas boas acontecem &#8211; menos na nossa vida.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-6575 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/divertidamente3-1024x576.jpg" alt="divertidamente3" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/divertidamente3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/divertidamente3-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/divertidamente3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/divertidamente3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/03/divertidamente3.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Porém, conter sentimentos negativos o tempo todo não é saudável, e esse comportamento traz más consequências. Prova disso é que, após as emoções estarem sozinhas na sala de controle, Riley não sabe mais o que sente, e toma decisões precipitadas que, depois que consegue analisar a situação, percebe que não era o melhor a fazer, e passa a agir de forma correta.</p>
<p>A animação entretém tanto o público infantil quanto o adulto. Para as crianças, pode ser divertido ver as emoções interagindo e discutindo sobre o que deverão fazer nessa nova fase da vida dela, e desesperadas quando a Alegria e a Tristeza não estão mais lá. Já para os adultos, há a percepção de questões maiores envolvendo depressão, transição entre períodos da vida, além de aprender a aceitar a tristeza como um sentimento tão comum e natural como os outros.</p>
<p>Algo que pode ser considerado como um ponto baixo do filme é a apresentação da Tristeza, que aparece diversas vezes como um empecilho que simplesmente não possui vontade de ajudar em situação alguma, reforçando um estereótipo nocivo sobre pessoas depressivas. Esse quadro é revertido no final, com um sentimento de aceitação e liberação da tristeza que Riley possuía por estar longe de seus amigos e da vida que tinha.</p>
<p>&#8220;Divertida Mente&#8221; é o filme que vai mostrar o conflito de emoções que se passa na mente de uma garotinha, mas também mostra como é importante lidar com cada um deles e não menosprezá-los de forma alguma. Definitivamente, o prêmio de melhor longa-metragem animado recebido na última cerimônia do Oscar não foi à toa.</p>
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		<title>Maus: quando humanos se tornam ratos</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2016 00:09:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Danielle Cassita]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Art Spiegelman relata em quadrinhos a vida de seu pai, sobrevivente do holocausto Os prisioneiros em versão antropormófica, com os uniformes típicos dos campos nazistas (Ilustração: Art Spiegelman) Danielle Cassita A Segunda Guerra Mundial e seus horrores são de conhecimento geral, principalmente aqueles que envolvem o holocausto, um dos eventos mais trágicos que foram escritos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/maus-quando-humanos-tornam-ratos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Maus: quando humanos se tornam ratos"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Art Spiegelman relata em quadrinhos a vida de seu pai, sobrevivente do holocausto</em></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-178" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/01/maus-art-spiegelman-portable.jpg" alt="Maus-Art-Spiegelman-Portable" width="1279" height="915" /><em>Os prisioneiros em versão antropormófica, com os uniformes típicos dos campos nazistas (Ilustração: Art Spiegelman)</em></p>
<p><strong>Danielle Cassita</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Segunda Guerra Mundial e seus horrores são de conhecimento geral, principalmente aqueles que envolvem o holocausto, um dos eventos mais trágicos que foram escritos em nossa história. O tema foi abordado de várias formas: no cinema, “A Lista de Schindler” e “Tribunal de Nuremberg” são referências. Já na literatura, podemos considerar títulos como “O Diário de Anne Frank”, “O Menino do Pijama Listrado”, “A Menina que Roubava Livros” e um menos conhecido, a graphic novel “Maus”, de Art Spiegelman. </span></p>
<p><span id="more-170"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título é ambíguo: maus, em alemão, significa rato, e são estes os animais que representam os judeus de forma assustadoramente real e humana. Os alemães são representados por gatos, os americanos por cães e os poloneses, por fim, por porcos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não foi Art Spiegelman quem viveu os horrores do holocausto, mas sim seu pai, Vladek Spiegelman. Em sua narrativa, Vladek não poupa detalhes sobre cenas de extrema violência e as péssimas condições de vida que possuía, com os traços de seu filho permitindo que o leitor visualize os fatos contados por uma testemunha ocular de todo o horror.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses contatos com Vladek são interessantes. Art teve o cuidado de incluir em sua história momentos íntimos, como as entrevistas na casa do seu pai ou pequenas discussões familiares. Uma cena importante ocorre próximo ao final, quando Art não quer sobras de cereal e seu pai vai ao mercado trocar o produto. O desperdício, por menor que fosse, era algo inimaginável na situação extremamente precária dos campos de concentração. Isso mostra de forma simples e com um toque de tristeza as consequências pessoais deixadas naqueles que conseguiram escapar deste ambiente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narração é ágil, com a maior parte dos momentos sendo contados por Vladek. Aqui e ali há algumas mudanças nos animais que representam os personagens &#8211; até mesmo com humor, já que podemos ver o pai de Art usando uma máscara de porco quando ele se finge de polonês. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo que deve ser considerado é a quantidade de nomes que aparecem na história; afinal, como Vladek está falando de sua família, é natural que se refira a diversas pessoas. Porém, não há necessidade de preocupação, já que os personagens principais aparecem com frequência e todos possuem características marcantes, que não deixarão o leitor sem saber exatamente de quem se trata. </span></p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-179" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/01/hq-maus.jpg" alt="hq-maus" width="720" height="300" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/01/hq-maus.jpg 720w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/01/hq-maus-300x125.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><em>(Ilustração: Art Spiegelman)</em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também é importante ressaltar como os quadrinhos puderam expressar e demonstrar tão bem tais horrores. Em uma das cenas mais pesadas que aparecem na história, podemos ver um porco segurando um ratinho pelas pernas e o chocando contra a parede &#8211; e não é possível duvidar que isso tenha acontecido, infelizmente. Ainda, as cenas que demonstram o quanto Anja, mãe de Spiegelman, sofreu nos campos de concentração são extremamente expressivas, fazendo com que o leitor praticamente compartilhe dos sentimentos dela nestes momentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em relação às características estilísticas, deve-se considerar que Spiegelman começou a desenhar com fins profissionais já aos 16 anos. Seus desenhos possuem traços fortes e expressões simples, porém que demonstram sentimentos claramente. A leitura possui temática pesada, e o formato escolhido faz com que renda e flua rapidamente. Recomendadíssimo.</span></p>
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